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Educação vs. Educação

Mais um primoroso artigo do prof. José Pastore, que recomendo a todos que pensam no Brasil como uma Nação (com “N” maiúsculo) e não como “terra dos espertos” ou dos “amigos do rei”. Desta vez, Pastore analisa os resultados da última PNAD (Pesquisa Nacional por Análise de Domicílio), o censo do IBGE que aponta o estágio atual do País em vários aspectos de seu desenvolvimento.

O artigo, publicado pelo Estadão desta terça-feira, está aqui. Trata da questão educacional e seus reflexos no mercado de trabalho. Destaco apenas dois tópicos. Segundo o censo, aumentou a taxa de crianças e jovens nas escolas brasileiras nos últimos cinco anos – uma ótima notícia. Só que, quando se analisa esse crescimento em comparação com outros países do mesmo porte, descobre-se que continuamos muito defasados. Só um dado: enquanto no Chile 76% da população completou o ensino médio, no Brasil esse índice é de 43%. Quando se vai para os países desenvolvidos, então, é uma goleada humilhante: Canadá, 95%; Alemanha, 97%; Inglaterra, 100%, e por aí vai.

Outro ponto que me chamou a atenção no artigo – e este dado a PNAD não mostra – é que, apesar de freqüentarem mais a escola, os jovens brasileiros chegam à idade adulta sem saber ler e compreender um texto, por exemplo. A política educacional nas últimas décadas tem sido incentivar a multiplicação de escolas particulares, o que dá a muitos a ilusão de estarem aprendendo; na verdade, mal sabem ler e escrever.

O que vai se refletir na hora de encontrar um emprego decente. Como diz o prof. Pastore: “As empresas modernas buscam profissionais que tenham bom senso, lógica de raciocínio, capacidade de se comunicar por escrito e oralmente, tino para transformar informações em soluções práticas e capacidade para trabalhar em grupo. Em suma, as empresas de hoje buscam pessoas que saibam pensar e assim continuarão no futuro”.

Justamente aquilo que os governantes não querem que aconteça.

Mais um de olho no Brasil

Dinesh Paliwal (foto), CEO mundial da Harman, vem ao Brasil na semana que vem para conhecer o mercado onde o grupo pretende investir muito nos próximos anos. Como se sabe, a Harman adquiriu em julho o controle da gaúcha Selenium, um dos principais fabricantes nacionais de alto-falantes e componentes para equipamentos de áudio. Os próximos passos, Paliwal deve revelar numa entrevista marcada para dia 21. Com ele, vêm também os presidentes das divisões de consumo, David Slump, e de áudio profissional, Blake Augsburger, além do brasileiro Rodrigo Kniest, ex-diretor-geral da Selenium e escolhido para dirigir os negócios do grupo no Brasil.

Não é comum executivos de multinacionais virem ao País assim, em comitiva, o que prova a importância do Brasil para a Harman. Dono de marcas mundiais como JBL, Infinity, AKG e Mark Levinson, o grupo quer fazer do País uma plataforma para ampliar seus negócios em toda a América Latina, inclusive com a expansão da fábrica que a Selenium construiu em Manaus, de onde pretende exportar para outros países. Exportar o quê? Todos os produtos de áudio e vídeo que puderem ser fabricados – ou montados – em Manaus, com os devidos incentivos fiscais.

Com todas as dificuldades que o governo atual impõe aos importadores, fica cada vez mais claro que vale mais a pena montar uma fábrica – investimento que em geral demora anos para se pagar – do que “morrer”todo mês com impostos e mais impostos para importar; até porque o dinheiro desses impostos acaba indo parar nas mãos de mensaleiros e fabricantes de dossiês…

Brasil e Russia, muy amigos.

De volta ao Brasil, me deparo com um caderno especial encartado no Estadão desta segunda-feira, com o título “Gazeta Russa”. Sim, oito páginas falando apenas sobre assuntos de interesse dos russos, ou de quem estuda o país, mas escritas em português. Curioso, fui conferir: trata-se de “suplemento comercial”, ou seja, alguém ligado ao país de Dostoievsky pagou para publicar. Como se explica?

Não é tão simples, mas tem sua lógica. Brasil e Rússia fazem parte do chamado BRIC, grupo de potências econômicas emergentes que inclui ainda Índia e China – daí a sigla, com as iniciais de cada país. Ambos vêm se destacando na economia mundial por manterem um nível de consumo acima do chamado Primeiro Mundo, e com perspectivas reais de ampliar esse desempenho. E cada um enxerga no outro oportunidades de expansão comercial – embora uma das matérias do Caderno destaque que o presidente russo considera “prioridade” a cooperação comercial com Estados Unidos e União Europeia. A conclusão é que os russos querem mostrar aos empresários brasileiros que estão de olho em negócios por aqui e, ao mesmo tempo, abertos a investimentos por lá.

A leitura me fez lembrar o taxista que, em Berlim, me levou na quinta-feira ao aeroporto. Era russo. Mais do que isso: comunista convicto e fã incondicional de Lula. Passou a corrida inteira tentando me convencer de que a política do bolsa-família e demais esmolas distribuídas pelo governo brasileiro está correta. E que corrupção, excesso de impostos, miséria, má educação, descaso com a saúde etc. são todos problemas antigos, que não há como resolver. Ou seja, Lula não tem culpa nenhuma em nada disso. Depois de três ou quatro tentativas, desisti de argumentar. Me dei conta de que estava diante de um comunista no velho estilo. Daqueles que acham que alguém precisa proteger o povo, tão oprimido pelas elites. E que esse alguém deve ser uma pessoa com plenos poderes, acima do bem e do mal, como são Lula e Putin, o líder russo do momento. No fundo, duas faces da mesma moeda: o populismo, disfarçado de democracia.

Curioso que o Estadão fez questão de colocar, logo na primeira página do Caderno: “Este suplemento foi produzido… sem envolvimento de O Estado de S. Paulo”. Mais curioso ainda é terem escolhido justamente o Estadão, de sólidas tradições anticomunistas, para publicar esse material. Como o mundo mudou…

Bye Bye Berlim

Enfim, acabou. A IFA fechou suas portas ontem, e hoje estou embarcando de volta ao Brasil. Espero que tenham gostado da cobertura e dos comentários. Para quem é ligado em tecnologia, participar de um evento como esse é sempre uma viagem – literalmente. Só lamento que desta vez não tenha dado tempo de passear por esta cidade espetacular. Fica para uma próxima. Agradeço aos leitores que contribuíram com suas opiniões. E lembro que no hot site IFA 2010 tem muito mais. Apreciem sem moderação.

Apaixonados por som

Na segunda-feira, enquanto aqui em Berlim rolava a IFA, demos uma escapadinha até Leuven, na Bélgica, a convite da Philips. Ali, funciona o centro de pesquisas de áudio da empresa. Pudemos ver de perto como são desenvolvidos os projetos de aparelhos como a caixa acústica SoundSphere (foto), os sistemas Audio 360 (que simula o som propagando-se pelo ambiente em 360 graus) e Ambisound (que equipa os TVs da Philips) e os docks para iPod. Mais interessante até do que ver tudo isso foi poder conversar com os técnicos que concebem os projetos a partir de horas e horas diárias de pesquisa. Claro, a Philips não é fabricante de aparelhos high-end, mas de produtos de massa. Seu desafio é produzir coisas que preservem a máxima qualidade possível a um custo acessível para o grande público. Esses técnicos reconhecem que vivem com um olho na tecnologia e outro nas exigências do marketing.

Nas próximas semanas, vamos detalhar um pouco mais como é esse trabalho.

Inteligência artificial

Ainda sobre o tema dos TVs “inteligentes”, é evidente que exagerei ao dizer que esses aparelhos – vários já lançados no Brasil – simplesmente acessam a internet. Errado. São, na maioria, TVs avançados e preparados para uma série de outras funções. Na verdade, trazem embutido um verdadeiro computador, que o usuário não vê. Isso traz uma série de vantagens, mas também um problema.

Já que se propuseram a colocar um computador dentro do TV, os fabricantes aproveitam para rechear o software que faz funcionar esse computador. Por isso, alguns TVs vêm com a capacidade de receber sinais de várias fontes diferentes ao mesmo tempo, e processar esses sinais numa velocidade semelhante à que estamos acostumados na internet. Você pode ter, por exemplo, o TV conectado a sua rede de banda larga, ao receptor de TV paga, ao videogame, a uma câmera, ao Blu-ray ou DVD player, a um pen-drive e a um servidor doméstico (ou media center) – tudo isso simultaneamente. E, pelo controle remoto, “chamar” o conteúdo que quer ver a qualquer momento.

Mais: boa parte dos novos TVs estão saindo com o protocolo DLNA (Digital Living Network Alliance), que vai se tornando padrão para equipamentos residenciais. Todos os aparelhos com esse protocolo podem “conversar” entre si, permitindo transferir arquivos com relativa facilidade. DLNA é um dos padrões de conexão WiFi (sem fio) e tem se revelado tão eficiente que os principais fabricantes estão adotando. Com isso, você pode ter o TV de uma marca, o Blu-ray de outra, a câmera de outra e assim por diante, sem problemas de incompatibilidade na comunicação entre eles.

Bem se vê que para fazer tudo isso funcionar é preciso um computador – na verdade, um bom processador dentro do TV, que centraliza toda a operação. O detalhe é que essas coisas são incontroláveis: quanto mais aparelhos você tiver conectados, mais vai querer usá-los. E entupi-los de fotos, vídeos, músicas, dados de trabalho, o material escolar do seu filho etc. Fora as dezenas de conteúdos que cada fabricante ou emissora irá oferecer pela internet. Isso pode resultar em dois problemas: a capacidade do processador torna-se pequena para acomodar tudo; e a velocidade de acesso diminui com o tempo. É a hora do chamado upgrade. Os fabricantes vão ter que providenciar atualizações, ou – o mais provável – vai chegar um momento em que você mesmo sentirá necessidade de trocar seu TV por um novo, ainda mais avançado. É assim que se realimenta a roda da tecnologia.

Ah! Sim, falei lá no início sobre um problema de ter um TV com tantos recursos. O computador que está lá dentro é parecido com aquele outro que você já tem em casa. E, como tal, sujeito a travamentos. Quem tem um decoder de TV paga sabe bem do que estou falando: aquilo é um processador, com software e chips que às vezes falham. Nessa hora, não há muito o que fazer – no máximo, xingar a operadora. Mas esta nem sempre é a culpada. Processadores são assim mesmo. Portanto, torça para que o seu excelente TV, equipado com recursos de última geração, não venha a “dar pau” (como se diz na linguagem da informática) bem na hora do jogo do seu time.

Será que tem tradução?

Já dizia Noel Rosa que “samba não tem tradução”. Nesta era globalizada, em que idiomas se misturam alegremente como velhos camaradas, é bom prestar atenção quando se ouvem coisas como esta frase de Eric Schmidt, o chefão da Google, em seu discurso aqui na IFA: “O sistema operacional Android irá traduzir a linguagem do computador, do inglês para o idioma do usuário, qualquer que seja ele”.

Bem, se a tradução for do mesmo padrão da atual proporcionada pelo Google em seus textos, é bom começarmos a rezar. Experimente entrar num site americano e clicar no ícone “translate” do Google; tente em seguida entender o que está escrito, supostamente em português. Interessante que a GoogleTV promete fazer isso não em texto escrito, mas em áudio, com uma voz de computador “lendo” para o usuário a tradução do texto original! Uma ideia como essa pressupõe, primeiro, que o computador conheça os dois idiomas (o original, normalmente inglês, e o do usuário); segundo, que entenda de fato o sentido do texto original; e, terceiro, que o áudio seja inteligível para não causar mais confusão ainda.

Só mesmo vendo (e ouvindo) para crer.

E o homem saiu vivo…

Para alguns setores da sociedade alemã, “Google” passou a ser uma palavra quase proibida nos últimos meses. Um sinônimo de coisas malignas, como “invasão de privacidade”, “espionagem”, “perda de liberdade” etc. Tudo por causa do Street View, aquele serviço associado ao Google Maps em que, além de localizar uma rua, você ainda consegue vê-la no exato momento em que acessa o programa. Em alguns países, não há problema se de repente um carro chega na frente da sua casa e começa a filmar o local, mesmo que o proprietário não tenha autorizado. É exatamente isso que centenas de vans da Google estão fazendo pelo mundo afora. Aqui na Alemanha, a presença desses carros está causando mais protestos do que qualquer outra coisa.

Quando anunciou-se que Eric Schmidt, presidente da Google, viria à Alemanha para o discurso de encerramento da IFA, alguns chegaram a temer pela vida do homem. Felizmente, ele entrou e saiu vivo da Messe Berlin, sede do evento. E deu seu recado: a empresa pretende mesmo dominar o mundo! Não, é claro que ele não usou essas palavras, mas foi quase isso. Vejam: “Vamos lançar a GoogleTV no final deste ano nos EUA e em 2011 pelo mundo afora”. Para os bons entendedores do mercado, isso basta: o projeto GoogleTV pretende ser uma versão ampliada do site de buscas e sua infinidade de serviços adicionais. Instalado dentro de um TV, muitas pessoas que hoje não têm o hábito de usar a internet – sim, existem milhões delas – passará a fazê-lo através do Google.

Segundo Schmidt, ao ligar seu aparelho Sony (há um acordo de exclusividade entre as duas empresas, não se sabe por quanto tempo), o telespectador será apresentado a um menu com uma barra no alto da tela e poderá iniciar a navegação por ali, usando seu controle remoto. Se quiser ver seus programas habituais, tudo bem; mas, se preferir alternativas, poderá simplesmente falar – isso mesmo, um sistema de reconhecimento de voz permitirá procurar os assuntos de seu interesse sem que ele tenha que digitar nada; aliás, se tiver um smartphone com sistema operacional Android, nem precisará do controle remoto: o próprio celular será seu acessório mais importante.

É esse o mundo que a Google nos prepara. Resta saber se tudo irá caminhar, mesmo, conforme os planos.

Quem quer um TV inteligente?

Já ouvi de pessoas da indústria que os TVs com acesso à internet são o maior atrativo da atualidade para o consumidor – mais até do que a imagem 3D, pois esta depende de conteúdo que ainda não existe. Agora, vejam que curioso. Comentei aqui ontem sobre os Smart TVs – que é como Samsung e LG estão chamando seus aparelhos que acessam a web – e eis que leio hoje, no excelente site CNET, uma enquete entre os leitores exatamente sobre esse assunto.

A pergunta é: deixando de lado a questão da qualidade de imagem, você prefere um televisor “inteligente”, com streaming de vídeo e acesso a aplicativos da web, ou apenas um monitor “burro”? Até hoje de manhã, 259 internautas haviam respondido. Vejam o resultado (parcial, pois a enquete continua):

23% querem TVs com todos os recursos possíveis;

19% querem apenas acesso a sites para streaming de vídeo;

5% não querem acesso a nada; querem apenas que o TV se conecte ao seu computador para transferir seus arquivos de vídeo;

9% não estão preocupados com a questão;

e nada menos do que 43% preferem um “TV burro”.

Calma, não tire já suas conclusões. Esses 43% se incluem na categoria dos que já possuem console de videogame que acessa a web, gravador DVR integrado ao seu receptor de TV paga e/ou computador que se comunica com o TV. Portanto, realmente não necessitam de um TV que faça tudo aquilo. Quanto aos outros 57%, vamos ter que esperar para ver até que ponto o fator “inteligência” ou “burrice” irá pesar em sua decisão de compra. Fiquem atentos aos próximos capítulos.

Avatar 3D, só para um TV

A revista americana Twice, que cobre os bastidores da indústria eletrônica, está informando em seu site que somente proprietários de TVs 3D da Panasonic é que poderão assistir à versão 3D de “Avatar”, que sai nos EUA em dezembro. Se for confirmado, será – ao mesmo tempo – uma grande tacada da empresa e um golpe no consumidor.

Todo mundo sabe que a Panasonic ajudou a financiar esse delírio do cineasta James Cameron, que conseguiu a proeza de realizar o filme mais caro de todos os tempos e, também, a maior bilheteria de todos os tempos. Entrou, assim, duas vezes no Guiness. Cameron virou garoto-propaganda da Panasonic e da tecnologia 3D. Essa exclusividade agora no lançamento em Blu-ray deve fazer parte do contrato. A Panasonic americana deve estar achando que muita gente vai preferir comprar seus plasmas 3D, e não os TVs da concorrência, para ganhar uma cópia do filme. É uma aposta.

Mas, como quase tudo na vida, tem o outro lado. Quem já comprou um TV de outra marca tem o direito de sentir-se lesado. Ou não? Bem, dificilmente alguém irá reclamar, a menos que seja muito fã do filme. Curioso é que no Brasil tão cedo não vamos ter nem uma coisa nem outra: a Panasonic ainda não confirmou se irá mesmo lançar seus TVs 3D este ano; e o Blu-ray 3D de “Avatar” certamente ainda vai demorar…

Tudo que você quiser saber…

Um problema nos servidores do UOL tirou do ar ontem o site da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL (www.hometheater.com.br) e o BLOG DA REDAÇÃO (www.planetech.com.br). Era feriado, e ninguém conseguiu resolver o problema até hoje de manhã. Lamentável que isso tenha acontecido em plena cobertura de um grande evento internacional, como é a IFA 2010. Dentro do site da revista está o hot site “IFA 2010”, com todas as informações (textos, fotos, vídeos etc.) que estamos produzindo aqui em Berlim, muitas delas exclusivas. Vários dos assuntos que estamos comentando aqui têm vídeos e fotos ilustrativos lá no hot site. Vale a pena dar uma olhada, assim que os servidores voltarem a funcionar.

Infelizmente, o único remédio agora é pedir desculpas aos leitores, que são os maiores prejudicados. E torcer para que o UOL resolva logo o problema.

Existe TV inteligente?

A pergunta acima pode parecer descabida, mas tem a ver com a incrível disputa de mercado entre as coreanas Samsung e LG. Ambas têm crescido de modo impressionante no mundo inteiro, com base em produtos inovadores e uma agressividade mercadológica aparentemente inesgotável. Aqui na IFA 2010 não está sendo diferente. Seus estandes estão entre os maiores e mais bonitos do evento, a quantidade de produtos que exibem é quase incalculável e – não pode ser apenas coincidência – ambas definem suas novas linhas de televisores como “Smart TVs”.

Embora a Samsung tenha hoje o maior faturamento mundial entre os fabricantes de eletroeletrônicos, sua disputa com a LG (ambas são antigas rivais na Coréia) é equilibradíssima. Como no Brasil não há estatísticas confiáveis, não se pode afirmar qual das duas lidera qual segmento de mercado. Pensando bem, isso nem importa muito. Chama atenção a forma como se posicionam junto ao consumidor, sempre apresentando seus produtos de forma original – ainda que, na prática, não sejam propriamente novidades.

No caso dos tais “smart TVs”, acompanhem os detalhes. Tanto LG quanto Samsung definem dessa forma os televisores de plasma ou LCD que consomem menos energia e acessam a internet. Para diminuir o consumo, ambas dotaram seus aparelhos de sensores de luminosidade, que diminuem automaticamente o brilho da tela quando a iluminação ambiente não exige brilho intenso. Ambas também mantêm seu apoio à tecnologia de plasma, já abandonada por Philips, Sony, Toshiba e outros. E ambas caminham para deixar para trás os LCDs convencionais, o que deve acontecer em breve: todos os TVs desse tipo passarão a adotar backlight de led.

A semelhanças se repetem quando se analisam as novas linhas de players Blu-ray e sistemas integrados de home theater. A tendência é que os players se unam aos receivers ou processadores num só módulo; e, nas duas marcas, as linhas de sistemas para HT adotam visual futurista, que combina com os TVs de tela fina.

Na verdade, aqui na IFA a LG este ano está causando mais barulho, graças a duas novidades que já comentei aqui: os TVs LCD Nano-LED, que são mais finos e com melhor contraste do que os LCD-LEDs comuns; e os displays OLED, apontados como tendência para os próximos anos, mas que a LG promete lançar comercialmente já em 2011. Mas a IFA é só uma batalha: a guerra entre as coreanas, pelo jeito, vai continuar.

Batalha do 3D vai esquentar

Comentei aqui outro dia sobre os novos planos da Sony para o mercado brasileiro em relação ao 3D. Pois agora é a Philips. Assim como sua velha rival japonesa, a empresa holandesa promete agora ser mais agressiva – não em termos de preço, mas pelo menos com uma linha de produtos mais ampla e cheia de inovações. A começar do TV Cinema 21×9 (foto), que finalmente chega ao Brasil em outubro na sua nova versão (chamada Platinum), a mesma que está sendo lançada na Alemanha este mês. Sim, é um TV LCD-LED 3D, de 58 polegadas, e com avanços como interatividade (é compatível com o padrão DTVi), acesso à internet e protocolo DLNA para conexões sem fio. Já testamos o modelo convencional e todos na nossa equipe ficaram impressionados. Este agora, que vimos aqui na IFA em demonstração (o que é bem diferente de um teste), também parece ser excelente. Vamos ver.

Conversei ontem com Marcelo Natali, gerente de produto da Philips, que me confirmou os planos ambiciosos da empresa para o Brasil, que está entre os cinco mercados mais importantes para o grupo no momento. A briga deve ser boa com Samsung, LG e Sony, os outros três fabricantes que estão entrando forte no segmento de 3D (a Panasonic também promete fazê-lo antes do final do ano). O lançamento do Cinema 21×9 3D em prazo tão curto (em relação à Europa) prova que é verdadeira a prioridade da Philips ao Brasil. E vem muito mais por aí.

“Todos os novos TVs terão interatividade, DLNA e acesso à web”, diz Natali. E não são poucos. Haverá opções em LED Edge e Direct LED (este também conhecido como “Local Dimming”). Só não vai ter a tão polêmica conversão 2D/3D: a Philips não acredita que o resultado desse processo hoje seja satisfatório em termos de qualidade de imagem. E torce, é claro, para que o mercado seja abastecido o quanto antes com uma boa quantidade de filmes em 3D. Mais detalhes aqui.

Quem disse que Mac não falha?

Quem disse, mentiu. O meu travou feio neste domingo, quando tentava transmitir meu material da IFA para o Brasil. Meus poucos cabelos quase se foram todos… Troquei de notebook há três meses, na crença de que essas coisas só acontecem com quem tem Windows. Agora, fico na dúvida: amigos mais experientes no assunto me disseram que nem adianta levar para a Apple do Brasil, apesar de o aparelho ainda estar na garantia. Me recomendaram tentar algo com uma revenda autorizada Apple aqui na Alemanha. Será possível?

Depois, conto o desfecho.

O grande irmão do Google

Mesmo sem participar oficialmente da IFA, o Google está presente, digamos, “em espírito”. É impressionante como essa empresa fez de todo mundo seus dependentes, mesmo aqueles que a criticam. O chefão da Sony, Howard Stringer, anunciou com toda pompa, aqui na IFA, que sua empresa aumentou seu poder de fogo ao fechar, no início do ano, um acordo de exclusividade para implantar o projeto GoogleTV. E o chefão da Google Inc., Eric Schmidt, é aguardado em Berlim para 4a. feira, quando deverá fazer o discurso de encerramento da feira.

Pois bem. Fui procurar no estande da Sony onde estavam demonstrando o tal GoogleTV, também chamado de “Sony Internet TV”. Só não dei com a cara na porta porque não havia portas no estande. Era uma salinha minúscula e discreta, apenas com três TVs mostrando imagens de internet (foto) onde o logotipo “Google” sempre aparece. O rapaz que me atendeu mal soube dizer o que estava fazendo ali. O coitado era um alemão daqueles que, ao falar inglês, trocam o “TH” pelo “Z” e o “W” pelo “V”, resultando em coisas como “zey vant” (they want).

Sobre o GoogleTV, perguntei ainda a umas três pessoas da Sony e ninguém soube dar mais informações além das que já lemos por aí. Trata-se de um projeto “revolucionário”, que vai “mudar a forma como todo mundo assiste televisão”, mas nada além disso. Como funciona? Vou poder navegar usando o controle remoto? Os filmes serão de graça, como a Google faz com os vídeos e os livros? Vão encher minha televisão de anúncios? É bom lembrar que a Apple está quase abandonando seu projeto AppleTV por falta de apoio dos fornecedores de conteúdo.

É a velha história: televisão e internet são duas mídias bem diferentes. Como diria meu amigo alemão: “Vót end ven zey vil lanch, nizer zey ken zei”. Traduzindo: “What and when they will launch, neither they can say”.

Esse não é para minha mãe…

Interessante a forma como os fabricantes – ou pelo menos alguns deles – tratam aquilo que os marketeiros chamam de “posicionamento”, ou seja, como um produto é colocado no mercado, a que preço e visando qual público. Aqui na IFA, tive oportunidade de conversar com Emmanuel Guerritte, um alemão que é responsável pela área de tablets da Toshiba na Europa. Como se sabe, os tablets são a bola da vez para a indústria, depois do estouro do iPad. Já vi uns 15 modelos, inclusive diversos chineses (na verdade, todos são chineses, variando apenas a marca “oficial”).

Mas, voltando à Toshiba, Guerritte me apresentou a nova versão do Libretto, o único tablet (até agora) que tem duas telas, o que teoricamente amplia as possibilidades de uso – você pode, por exemplo, trabalhar numa enquanto na outra sintoniza um canal de TV online; ou ampliar as imagens para ocupar as duas telas. Cada uma tem 7″ e, portanto, na teoria o aparelho pode se transformar num monitor de 14″. Nada mau, certo?

Bem, nem tanto, me disse Guerritte. “Esse não é um produto feito para minha mãe. É preciso entender um pouco de computador para poder usá-lo”. Segundo ele, o Libretto nem deve ser chamado de tablet; a própria Toshiba está lançando aqui na IFA o Folio, este sim um concorrente direto do iPad. O Libretto seria mais um netbook avançado, com tela de toque e teclado virtual. Nos EUA, custa em torno de US$ 1.100, ou seja, preço de um bom notebook. Mas não se engane pelo tamanho: é um player multimedia, para ler, jogar, ver vídeos, ouvir música e, é claro, navegar sem fio (WiFi N). Assistam aqui ao vídeo que fizemos.

OLED: será que agora vai?

O pessoal da LG parece que não está brincando quando diz que agora a tecnologia OLED decola de vez. Aproveitando que a Sony saiu da corrida (pelo menos temporariamente), os coreanos se adiantaram e estão mostrando aqui na IFA dois modelos: de 15″ e 31″ (foto acima). Ambos com imagens em 3D! E mais: anunciam que pelo menos um deles estará à venda a partir de março nos EUA e nos principais países da Europa. Preço estimado: 9 mil dólares, se for o modelo de 31″.

Conversei com dois gerentes da LG que estavam no estande e ambos – discretamente, como sempre fazem os coreanos – disseram que essa previsão é otimista. Os produtos devem estar à venda lá pelo meio do ano. Mas é provável que na CES, em janeiro, a empresa demonstre outros modelos. O certo é que decidiu mesmo investir no OLED, como anunciamos aqui tempos atrás, acreditando que esse é o futuro dos displays abaixo de 40″. Para os maiores, eles acham que LED e plasma ainda vão reinar por muito tempo. Aliás, em outra parte de seu estande a LG está exibindo o que chama de “maior TV LED 3D do mundo”, com 72″ (vejam nesta outra foto).

Segurando o queixo!

Como todos devem imaginar, é impossível ver tudo que está em exibição num evento como a IFA. São 28 prédios, alguns deles com dois ou três andares!!! Na primeira vez em que estive aqui, até que tentei. Mas, doce ilusão… Normalmente, no primeiro dia faço uma lista das empresas mais importantes, localizo seus estandes no mapa da feira e procuro seguir o roteiro. É uma forma de racionalizar o tempo e a energia. Mas nem sempre dá certo.

Algumas coisas, a gente encontra por mero acaso. Exemplo foi o videowall da Sharp, uma empresa que eu nem ia visitar, já que abandonou o mercado brasileiro e nem deu mais sinal de vida. Em todas as feiras, seus estandes costumam ser maravilhosos, mas desta vez eles extrapolaram. O videowall, logo na entrada, é de cair o queixo! Como estava com pressa, fiz apenas uma foto no local (vejam aí). Tem um painel de energia solar (simulado), dando a false impressão de que as telas são alimentadas dessa forma.

Agora, vejo no site inglês TechRadar os detalhes de como tudo foi montado. É um primor de engenharia e planejamento. Vou tentar voltar lá, para ver com meus próprios olhos. Mas recomendo que dêem uma olhada nas fotos.

Humor sem censura

Uma pausa nas notícias da IFA para comentar a decisão do STF de liberar as críticas aos políticos (o TSE havia proibido). Era mesmo um absurdo ver esse tipo de censura em pleno século 21, e tantos anos após o fim da ditadura. Bem típico do clima atual no Brasil, onde políticos e governantes querem censurar a mídia sempre que são apanhados “no flagra” (e isso acontece a toda hora). Sem me estender muito, cito aqui apenas o comentário de Marcelo Tas, do CQC, no site Comunique-se, a respeito do assunto: “Vejo no Brasil o quanto a sociedade é ‘bunda mole’. As pessoas reclamam, mas não fazem nada para mudar o que está errado”.