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Humor sem censura

Uma pausa nas notícias da IFA para comentar a decisão do STF de liberar as críticas aos políticos (o TSE havia proibido). Era mesmo um absurdo ver esse tipo de censura em pleno século 21, e tantos anos após o fim da ditadura. Bem típico do clima atual no Brasil, onde políticos e governantes querem censurar a mídia sempre que são apanhados “no flagra” (e isso acontece a toda hora). Sem me estender muito, cito aqui apenas o comentário de Marcelo Tas, do CQC, no site Comunique-se, a respeito do assunto: “Vejo no Brasil o quanto a sociedade é ‘bunda mole’. As pessoas reclamam, mas não fazem nada para mudar o que está errado”.

O irmão mais fino do LED

Não tem jeito: os fabricantes de LCD continuam em sua busca incessante de um milagre que faça essa tecnologia superar o plasma. Com os backlights de led, chegaram mais perto. Agora, a novidade chama-se Nano-LED e está sendo demonstrada aqui na IFA pela LG. Pelo que me explicaram dois técnicos da empresa coreana, trata-se de uma maneira mais eficiente de espalhar a luz por trás do painel de cristal líquido – digo, mais eficiente que os dois processos usados nos modelos atuais: edge-lit (em que os leds luminosos ficam nas bordas do painel) e local-dimming (os leds são montados na própria superfície do painel).

E como funciona? No backlight Nano-LED, como o próprio nome indica, os leds são menores, praticamente do mesmo tamanho dos pixels que formam a imagem. Cada pixel, portanto, é iluminado individualmente; a intensidade e estabilidade da luz é controlada via processadores, num método que a LG chama de “Micro Pixel Control”. Combinando essa tecnologia com a freqüência mais alta na atualização da tela (400Hz, nos modelos produzidos para a Europa; 480Hz para Brasil e EUA), tem-se uma taxa de contraste mais alta e uma definição de cores mais perfeita.

Ah! Sim, uma informação que para a LG não é mero detalhe: com esses micro-leds, consegue reduzir ainda mais a espessura dos TVs. Os modelos da LEX8, que estão aqui na IFA (vejam a foto), tem apenas 0,88cm. A imagem realmente é impressionante. Mas, como isso acontece em todas as demonstrações, vamos ter que esperar a chegada dos Nano-TVs ao mercado para saber se tudo isso que está sendo divulgado bate com a realidade.

A propósito, vejam também um vídeo que está no nosso hot site IFA 2010.

Um concorrente para o iPad

Será possível? Sim, é o que dizem os especialistas. Parece que a Samsung conseguiu algo que só mesmo a Apple em seus grandes momentos: atrair a atenção mundial para o lançamento de um produto. Hoje, aqui na IFA, não se falava de outra coisa – o Galaxy Tab, nome do tablet que a empresa coreana vai lançar para concorrer com o iPad. Experimentei o bichinho por alguns minutos (havia uns 30 jornalistas brigando por ele, em vários idiomas), e tenho que confessar que dá vontade de colocar no bolso e levar para casa (vejam na seção de vídeos do nosso hot site). É um pouco menor (tela de 7″) e mais leve que o iPad e carrega muito mais funções: funciona como telefone e também como câmera, coisas que o iPad não tem (por enquanto). E não depende da instabilidade do Windows, pois usa Android, que sinceramente nunca experimentei. Agora, parece um irmão menor do tablet da Apple – sei não se Steve Jobs não vai ter um chilique e processar a Samsung por “cópia de design”, ou algo assim.

Falta saber agora: quanto vai custar (a Samsung não informa) e como se dará na prática. Se for tão bom quanto o concorrente, teremos aí uma boa briga. Amanhã, falo sobre o tablet da Toshiba, que também vi. E devem vir outros aqui na IFA. Fiquem ligados.

Trem aqui não precisa de bala

Tenho lido a respeito dessa história de trem-bala ligando Campinas ao Rio de Janeiro, e lembrei disso hoje, quando estava no trem a caminho da IFA. É um trecho curto a partir do hotel onde estou hospedado: apenas quatro estações, que o trem percorre em exatos sete minutos. Digo exatos porque fiquei marcando no relógio ontem, e hoje de novo: nem um minuto a mais ou a menos. Na estação, o aviso com a escala de horários dos trens é mais ou menos assim: 10h37, 10h43, 10h48… Cada trem tem um destino, mas todos chegam exatamente no horário que devem chegar.

Bem, mas o que isso tem a ver com o “nosso” trem-bala? A simplicidade. Já andei muito de trem na Europa, e um pouco também no Japão. Tive a oportunidade de experimentar trens de alta velocidade em vários países. É realmente espetacular. Mas, com o perdão do trocadilho fora de hora, acho que é muita melancia para o nosso caminhão (ou trem?) brasileiro. O metrô de São Paulo é provavelmente um dos mais limpos e confortáveis do mundo, mas não leva grande parte das pessoas aonde elas precisam ir. O metrô de Nova York é horrível, mas lá ninguém precisa de carro: dá para ir de trem (que se liga com o metrô) a qualquer lugar que um novaiorquino precise (ou deseje) ir.

Desculpem a divagação, mas – como um dos milhões de motoristas que todo dia sofrem no trânsito paulistano – gostaria de ter apenas… um trem como este aqui de Berlim. Simples, sem “bala” nenhuma, mas que chega e parte na hora certa e leva as pessoas para onde elas têm que ir. Trem-bala pra quê? Se tivéssemos apenas uns trenzinhos decentes circulando pelas cidades brasileiras, com segurança e cumprindo bem os horários, já estaríamos felizes.

Guarde bem os seus óculos!

Conversei hoje, aqui na IFA, com um rapaz chamado Maarten Tobias. Ele é holandês e trabalhou durante alguns anos na Philips. Fez parte do grupo que vinha desenvolvendo os displays 3D autoestereoscópicos, aqueles que não exigem óculos. Quando a Philips decidiu, em 2008, que o investimento necessário para tocar o projeto adiante era muito alto (e a crise mundial estava no auge), Tobias e mais alguns colegas que perderam os empregos decidiram continuar com suas pesquisas. “Nós acreditávamos que ia dar certo, e continuamos acreditando”, diz ele.

Pois é, o problema é saber o significado exato da expressão “dar certo”. Tobias acha que para os TVs autoestereoscópicos chegarem até as casas dos usuários comuns vai levar pelo menos uns quatro anos. Ou seja, quem gosta de 3D vai ter que cuidar bem de seus óculos. Nesse meio-tempo, ele acredita que haja mercado nas empresas, escolas e órgãos de governo que precisam de monitores de alta precisão. É o que a Dimenco – empresa que ele fundou com seus amigos – está propondo agora à própria Philips. Se tudo der certo, os primeiros TVs desse tipo estarão sendo entregues no final do ano, para clientes selecionados.

Bem, o que posso dizer é que o efeito 3D sem os benditos óculos é bem menos estressante (fiz até um vídeo, que logo estará disponível no hot site que estamos produzindo sobre a IFA). A Philips deve estar mesmo animada, pois reservou um bom espaço em seu enorme estande para demonstrar a novidade. E deu-lhe o nome de “3D do futuro”. O segredo, segundo Tobias, está numa tela especial, do tipo lenticular, que é aplicada sobre o display e faz a imagem se dispersar em várias direções, gerando a ilusão tridimensional. Isso, porém, só se consegue com sinal de altíssima definição, e esse também é um complicador – produzir esse tipo de imagem custa muito caro.

Mas já é um começo. Curiosamente, a Toshiba – que segundo a imprensa japonesa seria a primeira a mostrar 3D sem óculos – deixou a atração para outubro, na CEATEC.

A melhor imagem do mundo

É uma pena que a maioria das pessoas talvez jamais tenha a oportunidade de ver uma imagem como a do plasma 4K (foto), que a Panasonic está exibindo aqui na IFA. Com suas 152 polegadas, é provável que o aparelho fosse impressionante mesmo com uma imagem “normal”. Mas a resolução 4K (4.096 x 2.160 pixels) é de cair o queixo. Já tínhamos visto em eventos anteriores, mas hoje, com as referências dos aparelhos recém-lançados, fica mais claro que o nosso Blu-ray, cuja imagem já é um espetáculo, ainda tem um longo caminho pela frente.

Importante: nas outras demonstrações, a Panasonic sempre deixou claro que o plasma gigante (antes, eram 150 polegadas) não seria lançado comercialmente tão cedo. Claro, você pode, se quiser, encomendar um para sua casa. No Brasil, vai lhe custar pouca coisa mais que R$ 200 mil… Mas agora é pra valer: o modelo de 152″, com 3D e tudo mais, está previsto para sair ao longo de 2011. Nem dá para imaginar o preço.

Mas não fique frustrado: a Panasonic está mostrando duas outras versões – uma de 103″ e outra de 85″. Com essa qualidade, é uma goleada de 3×0.

Detalhe: a foto não está lá essas coisas e, é claro, não é digna da qualidade do aparelho (no hot site IFA 2010, temos um vídeo do aparelho). O problema é que a tela é excessivamente brilhante, e numa feira os reflexos são inevitáveis. Ao vê-la, fiquei pensando como deve ser numa sala escura exibindo, digamos, Cantando na Chuva ou Blade Runner. Num TV como esse, devia ser proibido assistir filme que não seja bom.

Pra variar, só dá 3D

A Sony trouxe até Berlim o pianista chinês Lang Lang, seu contratado, que estrela um filme promocional sobre a tecnologia 3D. Logo após a exibição do vídeo, cheio de efeitos 3D, o músico surgiu em pessoa no palco, sentou-se ao piano e repetiu ao vivo as proezas que faz ao teclado e que todos tinham visto na tela. O rapaz parece um maluco ao piano, lembra alguém que está “recebendo um santo”…

Foi essa a forma que a empresa encontrou para chamar a atenção dos jornalistas presentes aqui na IFA. De longe, num auditório com mais de 200 pessoas, não há muita diferença entre a imagem real das pessoas e aquela que se vê no telão, em 3D. Tive que trocar o óculos duas vezes porque deu defeito. E confirmei que o acessório me incomoda muito – eu que já uso óculos de grau. A apresentação da Sony foi toda em 3D, com direito a trechos de filmes, jogos do PlayStation, animações etc. Poucas novidades em termos de produto. Uma delas é o primeiro projetor SXRD que reproduz imagens tridimensionais, modelo VPL-VW90ES (foto). No mais, apenas 3D, 3D, 3D…

Mas a Sony deu pelo menos três boas notícias. Confirmado que em outubro sai a atualização do PS3 para ser usado como player de filmes Blu-ray em 3D (por enquanto, só jogos). Confirmado também que a versão 3D de This Is It!, o sensacional documentário sobre Michael Jackson, virá com uma montagem especial do videoclipe Thriller – isso mesmo, aquele dirigido por Martin Scorsese, com as risadas assustadoras de Vincent Price e duração de 14 minutos, um marco do gênero – também em 3D. E, por último, confirmado que no início do ano chega ao mercado internacional o primeiro notebook Vaio compatível com 3D.

O que veremos na IFA

Cheguei hoje a Berlim para mais uma cobertura da IFA, o principal evento de tecnologia de consumo da Europa. Tudo indica que será um evento especial: além de terem aumentado o número de expositores e a área de estandes, esta será a 50a. edição da feira. E os alemães, para mostrar que espantaram de vez a crise econômica, querem fazer um evento de dar inveja aos outros países.

A IFA só abre para o público na sexta-feira, mas nestas quarta e quinta já teremos oportunidade de ver alguns destaques. Fala-se muito nos TVs 3D autoestereoscópicos, que dispensam os óculos e que, segundo a imprensa japonesa, a Toshiba irá lançar no Japão até o final do ano. Se for verdade, certamente teremos uma prévia aqui em Berlim. Só sei que há um pavilhão com mais de 2 mil metros quadrados reservado para demonstrações de 3D. Aguardem.

Numa prova de que a IFA realmente subiu de status, o presidente da Google, Eric Schmidt, confirmou hoje que estará aqui para fazer o discurso de encerramento, no dia 9. Além da questão mercadológica (a Google é talvez a empresa mais globalizada do planeta), há uma outra razão – bem mais importante – para mr. Schmidt se incomodar em vir até o outro lado do Atlântico: os alemães estão em pé de guerra contra a empresa, acusada de invadir a privacidade das pessoas com o StreetView, aquele programa do Google Maps que mostra imagens ao vivo. Várias organizações europeias estão querendo impedir. O clima vai estar quente.

Só explicando: a moça da foto é a chamada “Miss IFA”, que virou símbolo do evento e, pelo que se vê nas ruas de Berlim, ídolo nacional. Seus posters estão em toda a cidade. Para quem não entendeu, na foto ela finge que está “passando a ferro” o próprio vestido, numa alusão ao fato de que a IFA é, também, uma feira de eletrodomésticos. Com todo respeito!

Jogando só com os olhos

Outra que pesquei no site da PC World: um videogame que pode ser jogado sem ter que usar as mãos, apenas os olhos! Duvida? Assista ao vídeo. A ideia é da empresa americana Waterloo Labs e vale somente para o console Nintendo NES (e por enquanto só para um jogo, Super Mario Bros 2). O princípio é uma tecnologia chamada EOG (Electro Oculography): eletrodos aplicados na cabeça do jogador analisam os movimentos dos olhos e transferem os dados, sem fio, para um cartão de memória plugado num computador. Diz a revista que essa empresa é a mesma que, no ano passado, surgiu com a ideia de dirigir um carro usando apenas… adivinhou: um iPhone (veja aqui). Pelo jeito, não é bem uma empresa, mas um hospício… Fico imaginando os caras que testam esse tipo de produto. Para verificar se a tal EOG funciona mesmo, a pessoa deve ficar vesga!

Se alguém ficou interessado, neste link eles explicam tudo direitinho, em inglês.

A guerra dos e-readers

Em abril, quando foi lançado o iPad, o impacto foi tão forte que muitos chegaram a prever a “morte” dos leitores eletrônicos tradicionais. O próprio Kindle, da Amazon, pioneiro nessa categoria de produto, foi dado como condenado; aliás, a Amazon parece ter acreditado nisso, ao promover uma queima de preços incrível nesse produto, que hoje pode ser adquirido na loja virtual por até US$ 139. Para piorar, o Nook, da rede Barnes & Noble (maior livraria de lojas físicas do mundo), está prestes a sair do mercado – uma briga entre os sócios da rede pode levar a empresa para o buraco.

Nesse quadro em que tudo parece favorecer a Apple, parece estar começando uma reviravolta. Segundo a revista PC World, vem aí uma avalance de e-readers no mercado americano, todos bem mais baratos que o iPad e oferecendo mais do que simplesmente a “leitura eletrônica”. Há até um que, pelo nome, deve fazer muito sucesso no Brasil: chama-se “Copia” (isso mesmo, sem acento) e é fabricado pela empresa DMC. A tela tem 5″ e o preço nos EUA é de 99 dólares. Vejam a foto. Faz lembrar alguma coisa?

Até o Natal, devem ser lançados modelos da LG, HP e da Sharper Image. A Sony também promete renovar sua linha de leitores eletrônicos, que até agora ainda não decolou. Sem falar que está previsto um festival de tablets, que oferecem mais recursos, mas também são mais caros que os e-readers. Bom para as editoras e para os consumidores, que assim não ficam mais dependentes da Amazon.

Infelizmente, aqui no Brasil estamos longe dessa realidade. Na última Bienal do Livro, vimos alguns ensaios. A Positivo, por exemplo, acaba de lançar um e-reader. Mas as próprias editoras parecem divididas entre arriscar no novo segmento ou continuar focadas nos livros de papel. E, pra variar, a eterna questão dos altos tributos, que sufocam qualquer tentativa de inovação. Vamos comentar o assunto nos próximos dias.

As 100 cidades fantasmas

A lista de 100 cidades a ser atendidas inicialmente pela Telebrás com redes de banda larga não passa de ficção. Foi tirada da cartola por um grupo de burocratas que nunca administraram uma empresa e, portanto, não fazem a menor ideia de como manter um negócio – qualquer negócio – saudável. É fácil, quando se tem o controle de uma máquina de fazer dinheiro como é o governo atual. Aguarda-se para qualquer dias desses a revelação dos esquemas políticos que envolveram a elaboração de uma lista como essa, sabendo-se que no governo Lula banda larga virou sinônimo de compra de votos (como já acontece com as concessões de rádio e televisão).

Primeiro, uma pergunta que chega a ser ridícula de tão óbvia: por que divulgar uma lista de 100 cidades? Poderiam ser 200, ou 1.000, qual seria a diferença? Se a ideia é levar banda larga a todos os municípios, não faz o menor sentido priorizar parte deles. A menos que houvesse um critério técnico. A explicação oficial é que os escolhidos estão a menos de 50km da rede de fibra óptica mantida pela Eletrobrás, que servirá de base à implantação do PNBL. Além disso, seriam localidades com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), indicador da ONU para medir a pobreza das cidades em todo o mundo. Pois bem. O que há de comum, nesse sentido, entre Campinas (SP) e Ibirité (MG) ou Piracuruca (PI)?

Outro critério seria o de que as tais 100 cidades não são atendidas adequadamente pelas operadoras privadas – algumas sequer possuem serviço de banda larga. Se é assim, como incluir na mesma lista São Paulo (sim, a maior cidade da América Latina) e Lagoa D’Anta (RN)? Rio de Janeiro (RJ) e Muritiba (BA)? As prioridades seriam as regiões Nordeste e Sudeste (por que?), mas foram incluídos municípios de Goiás e Tocantins. Cidades paupérrimas de Mato Grosso ou do Paraná estão fora, mas Brasilia está dentro.

As operadoras já começaram a reagir (leia aqui), argumentando que, das tais 100 cidades, 97 já possuem atendimento de banda larga. É uma meia-verdade: depende do que se considera “atendimento”. Conexões lentas, instáveis e caras são hoje a regra pelo país afora. Mas receio que possa se tornar ainda pior. Quem mora num dos municípios escolhidos não deve ficar muito animado. Estamos todos carecas de saber que o governo (não só o atual, mas todos os governos) é um péssimo administrador. Não é baixando decretos e criando falsas listas que se vai resolver o problema. Seria muito mais fácil – e custaria menos – fortalecer a Anatel com técnicos competentes e bem remunerados, para fiscalizar as operadoras e puni-las quando não cumprem bem o seu papel.

Mas isso é utopia. Vale a pena lembrar a velha frase: “O poder corrompe, mas o poder absoluto corrompe totalmente”.

Blockbuster, chegando ao fim

Ao que tudo indica, a próxima vítima da popularização da internet será a Blockbuster, maior rede de videolocadoras do planeta. O jornal Los Angeles Times revelou em detalhes o esquema que está sendo negociado junto aos credores – a dívida da empresa já passa de US$ 1,1 bilhão – e aos estúdios de Hollywood. A ideia é recorrer ao famoso Capítulo 11 (Chapter 11), item da legislação americana que equivale à antiga concordata brasileira. Para a Justiça aceitar, é preciso que os credores concordem. No caso de uma rede de lojas, o acerto é mais complexo; além dos fornecedores de filmes e equipamentos, e dos funcionários, envolve também os donos das lojas, a maioria delas alugada.

No seu auge, a Blockbuster chegou a ter cerca de 4 mil lojas espalhadas por vários países, inclusive o Brasil. Aos poucos, foi se desfazendo desses ativos fora dos EUA. Aqui, por exemplo, as lojas (aproximadamente 80) foram assumidas pelo grupo GP, o mesmo que é dono da Lojas Americanas (além de Americanas.com e Submarino), que ficou com o direito de uso da marca “Blockbuster”. Só nos últimos doze meses, a rede fechou 1.000 lojas; restam outras 1.000, quase todas no prejuízo. Imaginem como está a cabeça de quem alugou seus imóveis para a rede que já foi símbolo do negócio de home video! Além da dívida já acumulada, corre ainda uma conta de juros que passa dos US$ 900 milhões anuais. Um quadro tão tenebroso que é de se perguntar: como deixaram chegar a esse ponto?

Para os estúdios, a crise da Blockbuster é preocupante não apenas por estarem perdendo seu maior cliente. Significa que ficarão ainda mais dependentes da Netflix, locadora virtual que cresceu espantosamente nos últimos dois anos, e da Redbox, rede de quiosques onde os filmes são alugados quase de graça (diária de 1 dólar). As mesmas duas empresas foram apontadas como causadoras da falência da Movie Gallery, no ano passado, segunda maior rede de locadoras dos EUA. Portanto, os estúdios pretendem apoiar a Blockbuster enquanto for possível. Já concordaram em não cobrar juros até 30 de setembro; falta agora saber o que dirão os demais credores.

Os executivos dessas empresas devem estar se perguntando: se está ruim com ela, não ficará pior sem ela?

Saques e voleios em 3D

Esta é para os fãs de tênis: o torneio Aberto dos EUA, que começa nesta segunda-feira em Nova York, será o quarto grande evento esportivo transmitido ao vivo em 3D. Depois da Copa do Mundo, do Masters de Golfe e do All-Star Game de beisebol, chega a vez de conferir como é assistir a uma partida de tênis em três dimensões. Reconheço: para quem não gosta desse esporte, transmissões de jogos são uma chatice. Há até quem jogue e não goste de assistir… Mas estamos falando de tecnologia. Já comentei aqui que vi trechos de uma partida de golfe em 3D e consegui achar interessante. Não pela “movimentação”, é claro, mas pela visão ampla, e com maior profundidade, do campo. Como são imagens lentas, é possível admirar o efeito calmamente, talvez tomando uma taça de vinho francês.

No caso do U.S. Open de Tênis, a cobertura faz parte de um acordo entre a CBS (que detém os direitos para TV aberta), a DirecTV e a Panasonic, patrocinadora oficial do evento. As transmissões serão apenas para assinantes da operadora, a primeira que abriu um canal exclusivo para 3D, nos EUA. Esse canal já transmitiu partes de uma corrida Nascar e dos X-Games, confirmando a aposta da indústria em torno dos esportes para popularizar o 3D. A própria Panasonic – que já gravou o Aberto de Tênis da França e as Olimpíadas de Inverno em 3D – irá providenciar o equipamento para cobrir o U.S. Open em todos os detalhes.

Uma equipe da CBS foi treinada especialmente para essa cobertura. Serão seis gruas sobre a quadra, cada uma equipada com uma câmera 3D HD, mas posicionadas num ângulo mais baixo do que nas transmissões tradicionais de tênis. Os produtores sabem que, lá de cima, mal se consegue ver a bolinha voando a quase 200km por hora. A ênfase será nas tomadas ao nível da quadra, para que o telespectador sinta-se “como se estivesse lá”. Haverá também áudio surround para captar a ambientação da torcida e os gritos dos jogadores. Uma sétima câmera será usada para entrevistas após os jogos. Vários monitores 3D serão espalhados pelo complexo de Flushing Meadows, sede do evento, que tem mais de 30 quadras. Quem não estiver vendo o jogo na quadra central poderá acompanhar a transmissão num desses displays.

E – último item da estratégia da Panasonic e da DirecTV para seduzir o público – as finais e as semifinais do torneio serão transmitidas ao vivo para lojas de todo o País que revendem os produtos Panasonic. É um investimento pesadíssimo da empresa japonesa. Se vai dar certo, só vamos saber mais à frente. Mas isso sim é o que se chama estratégia de marketing.

De 32 para 42 polegadas

Estranha pesquisa divulgada pela consultoria IT Data, especializada em informática, indica que os brasileiros já estão comprando mais de TVs de 40 e 42 polegadas do que de 32″, até agora o tamanho mais procurado entre as telas consideradas “grandes” (acima de 29″). Modelos LCD de 40″ e 42″ representaram 37% das 600 mil unidades de LCD (incluindo LCD-LED) vendidas no mês de julho, contra 32% dos modelos de 32″. A justificativa seria a queda de preço: nos últimos seis meses, os TVs na faixa de 40″ tiveram queda média de 20%.

Digo que o estudo é estranho porque, primeiro, só foi publicado pelo jornal Folha de São Paulo, quando o normal é as empresas de pesquisa divulgarem amplamente seus trabalhos. Segundo, porque não informa como se chegou àqueles resultados, nem quem ou quantas pessoas (ou empresas) foram entrevistadas. Terceiro, porque a soma das porcentagens (69%) indica que o restante (31%) seriam TVs de outros tamanhos, ou seja, maiores que 42″. Temos hoje no mercado TVs LCD de 46″, 47″, 50″, 52″ e 55″. Ah! Sim, há ainda os de 37″, mas com pouca representatividade. Tudo somado, teríamos 31% do segmento, ou algo como 180 mil aparelhos de 46″ ou mais, em apenas um mês.

Não é muito?

Maquiavel ressuscitado

Gostaria de continuar falando apenas de novos produtos e tecnologias interessantes, mas o que se viu durante a Broadcast & Cable e o Congresso da SET (os dois eventos aconteceram simultâneos esta semana em SP) foi a confirmação de uma estratégia quase maquiavélica, para dizer o mínimo, por parte de setores do governo, em relação ao segmento de tecnologia. Já havia indícios, agora são ações concretas. Vejam só.

Em junho, o governo havia constituído o Fórum Brasil Conectado, cuja finalidade seria manter discussões permanentes com empresas e setores da sociedade ligados à tecnologia. A reunião do Fórum na última quarta-feira foi convocada para analisar o papel da Telebrás na implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Alguém lembrou que o texto do decreto que reativou a empresa é dúbio no item que a autoriza a oferecer conexões de banda larga “apenas e tão somente em localidades onde inexista oferta adequada”. Ora, perguntaram alguns membros do Fórum, “como definir o termo ‘oferta adequada'”? Ninguém soube responder. Então, como não houve consenso, os coordenadores do Fórum (ou seja, o governo) decidiram deixar o assunto por conta do CGPID (Comitê Gestor dos Programas de Inclusão Digital), formado por membros do próprio governo.

Notem quantas vezes repeti a palavra “governo” no parágrafo acima. Juro que não foi de propósito, mas dá uma ideia de como estamos nessa área. Com a desculpa de que as operadoras trabalham mal e cobram caro (e é verdade), estão aos poucos tomando conta de tudo que se refere a telecom. Duvidam? Vejam esta outra notícia que foi confirmada no Congresso da SET: a Anatel não terá mais poder para decidir sobre os leilões de freqüências. Quem vai cuidar disso agora é a própria Casa Civil, que assim passa por cima, numa tacada só, da agência reguladora oficial – cujos técnicos são pagos justamente para isso – e do Ministério das Comunicações, a esta altura reduzido a mero enfeite na Esplanada.

Sei que tem muita gente contra a Anatel e o Ministério – eu mesmo, aqui, critiquei ambos várias vezes. Mas jamais pensei que ousariam “destituir” os dois órgãos. Do jeito que a situação está colocada, ambos poderiam perfeitamente ser extintos; ninguém sentiria sua falta. E, para aqueles que ainda pensam, num misto de ingenuidade e ignorância, que esse esvaziamento é solução para os problemas do País na área de telecom, lembro que um grupo de meia dúzia de amigos do rei agora ficará responsável por tudo de importante que se decida no setor. Mais ou menos como se fazia na antiga União Soviética. Ou, para não ir tão longe, nos tempos dos governos militares, quando o cidadão comum tinha que brigar (literalmente) para conseguir uma linha telefônica.

Enfim, foi para isso que tomaram o poder. Ou não foi?

Telão 3D de 280 polegadas!!!

Belo gol marcou a Sony durante a feira Broadcast & Cable, que terminou hoje em São Paulo: trouxe do Rio o mesmo equipamento que ficou exposto na Praia de Copacabana durante a Copa do Mundo para transmitir jogos em 3D, inclusive o espantoso telão de 280 polegadas. Com uma vantagem para quem esteve no evento: com menos luminosidade externa, o impacto é muito maior. A ação faz parte da estratégia da Sony de fazer todo mundo querer ter seu TV 3D (vejam aqui o vídeo). Dessa estratégia consta ainda a entrega às lojas dos primeiros TVs Bravia, prevista para a próxima semana; o lançamento oficial do PlayStation 3 e suas atualizações para filmes e jogos em 3D; e as novas câmeras digitais que gravam em 3D, que chegam às lojas antes do fim do ano.

O choro oriental

“Esperamos que o governo ouça nosso choro”, disse em entrevista Osamu Suzuki, diretor-geral da empresa que leva seu nome, um dos maiores fabricantes de veículos do Japão. A frase foi citada pelo The Wall Street Journal como simbólica da situação atual das empresas japonesas, particularmente aquelas que dependem de exportações, como é o caso das montadoras de automóveis e dos fabricantes de eletrônicos. Em tom menos choroso, o vice-presidente da Sony, Yoshihisa Ishida, reuniu a imprensa em Tóquio nesta quinta-feira para lamentar a valorização do iêne, que coloca os exportadores numa verdadeira sinuca. “Não há muito o que fazer a respeito do câmbio”, disse Ishida. “Só podemos esperar que o governo encontre uma solução para esse problema”.

Basicamente, a questão é que o iêne – cujo valor anos atrás correspondia a menos de dois centésimos de dólar (100 dólares compravam mais de 20.000 iênes) – hoje está quase encostando no 1/10, ou seja, a continuar nesse ritmo de valorização, em breve aqueles mesmos 100 dólares irão comprar apenas… 1.000 iênes! O valor alto do dólar sempre foi uma arma essencial para a economia japonesa (aliás, asiática), permitindo ao País manter um alto padrão de vida apenas com as exportações. Com a crise americana e mundial, a onda virou.

De certa forma, é o mesmo choro que se ouve aqui quando o dólar cai muito, como aconteceu anos atrás. A memória curta impede algumas pessoas de ver como foi importante a estabilização do real. Mas é só olhar para o lado de lá. A Sony, por exemplo, segundo Ishida, pretende vender no mundo inteiro 25 milhões de televisores (sendo 10% deles com tecnologia 3D) no ano fiscal que começou em abril e termina em março. A metade está mantida, apesar do iêne. Mas vai depender das vendas de Natal. E dos senhores da economia.

3D sem óculos chega no fim do ano

Parece que a fonte da informação é quente: a Toshiba deve lançar até o final do ano no Japão três modelos de TV 3D que dispensam os tão criticados óculos. A notícia saiu ontem no jornal Yomiuri Shinbum, um dos maiores do país, citando como fonte pessoas da própria empresa. Oficialmente, a Toshiba nega, mas sem muita veemência – e os detalhes vão surgindo. Um dos TVs seria de 21 polegadas e custaria “algumas centenas de milhares de iênes”, o que equivale a alguns milhares de dólares (a cotação aproximada hoje é de quase 1/100).

Já comentamos aqui, tempos atrás, que a Toshiba é uma das empresas mais avançadas nos estudos sobre 3D sem óculos. Seu sistema baseia-se em vários processadores acoplados ao display, que emite raios de luz múltiplos em diversas direções. Segundo a empresa, a combinação dos raios luminosos com os sinais manipulados em altíssima velocidade gera imagens que o cérebro humano consegue processar naturalmente, e sem a fadiga visual que é apontada como um dos principais problemas dos óculos. Melhor ainda: como os emissores de sinal estão espalhados pelo painel frontal do TV (como na ilustração acima), todo mundo vê a mesma imagem, independente do ângulo de visão.

Será mesmo? Seria a solução ideal. Talvez vejamos algo assim semana que vem, na IFA, em Berlim.

Games, a grande atração

Ainda sobre o debate no Congresso da SET: houve uma discussão interessante quando comentei que futebol talvez não seja o tipo de imagem mais indicado para se ver em 3D. Assisti a jogos da Copa em 3D, no cinema e em TVs nos EUA, e fiquei com a sensação de que durante a maior parte do espetáculo – quando a câmera enquadra o campo inteiro, ou metade dele, de longe – o efeito tridimensional quase não é percebido. O grande barato do 3D está nas imagens de detalhes, como aquelas tomadas dentro do campo, em que se pode ver a torcida ao fundo; ou atrás do gol, quando se tem a perspectiva do goleiro. Mas quem assiste a uma partida quer ver o todo, acompanhar a movimentação dos jogadores – detalhes geralmente são mostrados nos replays.

Bem, é apenas a minha opinião, sujeita a futuras revisões. Naturalmente, os fabricantes e as emissoras pensam diferente. Acabo de saber que nos EUA a Sony está lançando os novos TVs Bravia 3D (de 46″, 50″ e 60″) justamente agora, quando começa a temporada de futebol americano, na crença de que será um grande estímulo ao consumidor que é fã do esporte. Pode ser. Mas, como diz este artigo, os constantes movimentos dos atletas num campo ou numa quadra podem sofrer com o efeito blur, aquele rastro que fica na imagem em tomadas panorâmicas de ação. Vi, por exemplo, trechos de um jogo de golfe que são espetaculares – mas, claro, não se trata de um esporte particularmente movimentado.

De qualquer maneira, todos no encontro concordamos que os videogames serão, pelo menos nesta fase inicial, o grande impulsionador dos TVs 3D. Nesse aspecto, o lançamento oficial do PlayStation 3 no Brasil acaba sendo uma boa jogada, ainda mais que a Sony já liberou a atualização para jogos 3D e promete fazer o mesmo para filmes em breve. Realmente, a sensação de imersão num game em 3D é total. E, diferentemente de um filme ou programa de televisão, quem está concentrado num jogo quer mesmo é isso – ficar imerso na ação, sem que ninguém o atrapalhe (que meu filho não me ouça…)

Aqui na redação, estamos todos ansiosos para testar o Bravia de 60″ que a Sony lança em setembro (não sei se é o mesmo dos EUA), que será ideal para avaliar essas “novas” qualidades do PS3. Lucio Pereira, da Sony, me garante que essa linha de TVs é especial, com 12 processadores 3D se comunicando com os óculos ativos, cujo design bloqueia a visão lateral do jogador, de modo que ele se concentra totalmente na tela. Outra novidade boa para os gamers é que o TV virá com três jogos novos. E em breve chega ao mercado o controlador PS Move, semelhante ao do Wii, só que para jogos em alta definição.