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Aulas para executivos. Pela TV.

Que eu saiba, é a primeira vez que isso acontece no Brasil. A operadora Sky associou-se à PUC-SP num projeto chamado “Educação Executiva“. Trata-se de uma série de cursos voltados para administradores e gestores de empresas, cujas aulas podem ser assistidas por um canal da Sky. Naturalmente, só podem participar profissionais graduados, com diploma universitário; segundo a PUC, os cursos são reconhecidos pelo MEC. E é preciso ser assinante Sky – ou ter algum amigo ou parente que seja e libere seu decoder nos horários das aulas (40 horas, ao todo).

Como comentei aqui recentemente, a TV paga está crescendo rapidamente no País. E a existência de mais esse canal só confirma que a televisão não precisa ser emburrecedora; ao contrário, além de divertir, pode contribuir para a formação de bons profissionais. Espero que os cursos sejam realmente de bom nível.

Agosto, o mês dos eventos

Por alguma estranha confluência dos astros, este mês de agosto está recheado de eventos ligados à área de tecnologia em São Paulo. Esta semana, temos aqui a PhotoImage Brasil, feira de equipamentos de foto e imagem (câmeras, filmadoras, acessórios etc.) que tenta atrair também o setor de áudio & vídeo. Semana que vem, acontece a ABTA, que deve ferver com as discussões sobre os segmentos de TV paga e banda larga – representantes do governo foram convidados e anunciaram que estarão presentes, mas é algo a conferir. Nos dias 18 e 19, serão realizados o Congresso HABITAR e a feira PredialTec, voltados para o crescente mercado de automação residencial. E na última semana do mês estarão reunidos aqui os profissionais da área de televisão, para a Broadcast & Cable e o Congresso da SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), provavelmente mostrando as mais recentes novidades em TV 3D, alta definição e interatividade.

Vamos tentar resumir aqui o que acontecer de mais interessante nesses eventos. Por ora, clique nos links para saber mais detalhes de cada um.

TV na web. Ou web na TV?

Numa pesquisa recente, encontrei artigo escrito por Niklas Zennström, um dos criadores do Skype, descrevendo como imagina o futuro com a integração entre TV e computador. Segundo ele, é um caminho sem volta. Zennström já pensava isso em 2004, quando lançou o sistema que virou de cabeça para baixo o mercado de telecom. Não lhe deram muita atenção, e hoje a Skype pode se dar ao luxo de escolher seus parceiros. Fechou com a Apple, e todos os iPhones passaram a sair de fábrica com o programa instalado. Agora, o mesmo irá acontecer com os smartphones da Nokia.

Na área de televisores, a Skype já tem parcerias com pelo menos três dos maiores: Samsung, LG e Panasonic. Os TVs top de linha dessas marcas também estão trazendo, embutido, o software que permite fazer ligações telefônicas gratuitas com vídeo (veja aqui uma demonstração). Ao ver o aplicativo em uma loja, são poucos os consumidores que resistem. O apelo é mesmo muito forte.

No Brasil, a Sony decidiu partir por outra linha: fechou acordos com as redes SBT e Band para que o usuário de seus TVs possa ter acesso a conteúdos especiais gerados por essas emissoras. Programas que não cabem na grade de uma TV aberta, como filmes e reportagens de longa duração, poderão ser assistidos num TV Sony conectado à rede de banda larga. E mesmo programas convencionais estarão disponíveis no formato chamado catch-up, em que o usuário faz o streaming pouco tempo após a exibição.

Sabendo que a Globo também já está avançada nos estudos sobre novas mídias, fico aqui imaginando o que acontecerá quando seus programas puderem ser assistidos também via web. Será o fim das fronteiras entre as duas mídias. Ou não?

O encontro da automação

Nos próximos dias 18 e 19, São Paulo recebe dois eventos tradicionais para quem trabalha ou tem interesse no setor de automação residencial. Acontecerão simultaneamente a 9a. edição do HABITAR, congresso técnico para profissionais do setor, e a edição 2010 da PredialTec, feira que reúne as principais empresas de tecnologia ligadas à área de construção.

Acompanhando as atuais tendências internacionais, o HABITAR vai tratar de controle inteligente de energia, acessibilidade e a importância dos recursos de automação na venda de projetos imobiliários, entre outros temas. Já a PredialTec terá exposições e demonstrações de produtos voltados à eficiência em todos os aspectos: energia renovável, uso da água, climatização, acústica, iluminação etc.

Para se informar sobre os dois eventos, acesse este endereço.

Facebook, Twitter…

E lá vamos nós, mergulhando nas redes sociais. Era mesmo questão de tempo. Desde a semana passada, a revista HOME THEATER & CASA DIGITAL tem sua página no Facebook:

http://www.facebook.com/revistahometheater

Há meses estamos também no Twitter: http://twitter.com/hometheaterbr

Pois é, quem quiser saber notícias do mercado e novidades sobre lançamentos de produtos, testes, tendências internacionais etc. pode contar também com essas duas mídias. Curiosamente, nossa estreia no Facebook aconteceu no mesmo dia em que a empresa americana anunciou ter atingido a incrível marca de 500 milhões de usuários. Humildemente, queremos acrescentar mais alguns…


Copyright virou “copyleft”

Comentei aqui na semana passada a eterna questão da pirataria, e diversos leitores se manifestaram, comprovando que o tema é mesmo polêmico. Impressionante como há pessoas que acham “normal” roubar conteúdo de outras… Coincidentemente, o Caderno Link, do Estadão, traz nesta segunda-feira uma ampla reportagem sobre a nova proposta de mudança na Lei do Direito Autoral, que está em consulta pública no site do Ministério da Cultura. É o caso de se dizer “antes tarde do que nunca”. A legislação atual é de 1998, quando a internet dava seus primeiros passos no País, e só agora o governo decidiu se mexer. Ufa!

Bem, convido todos a entrar no site (este é o link), se informar sobre o que está sendo sugerido e, se for o caso, acrescentar novas ideias. Embora seja questionável o fato de o governo se intrometer num assunto que é essencialmente privado, a verdade é que nenhuma entidade do setor havia proposto qualquer mudança – pelo menos não oficialmente – até agora. E há aquelas (como o ECAD, protagonista de tantas e tantas denúncias) que nem querem ouvir falar em mudança alguma. Para eles, tudo está ótimo!

O Ministério já recolheu mais de mil sugestões, mas basicamente trata-se de modernizar a lei para adaptá-la a estes tempos de downloads, mashups e demais ferramentas virtuais. Sintetizando tudo que li a respeito, a sociedade precisa decidir se deve, ou não, ser liberada a cópia de músicas, filmes, vídeos, fotos, software, livros e textos jornalísticos sem autorização de seus autores. Já ficou claro que a velha ideia de liberar apenas para uso “não comercial” caiu no vazio, porque é dificílimo definir esse conceito. Se eu baixo uma música e distribuo 300 cópias para amigos, estou ou não cometendo um crime? E se um desses amigos vender cópias para outros 300, eu também serei responsável? E o que dizer dos sites que existem apenas para comercializar cópias não autorizadas: os donos (ou administradores) devem ser punidos? E, caso nada disso seja considerado crime, como remunerar os autores?

São temas para todo mundo pensar, porque têm a ver com o tipo de país em que queremos viver. A discussão é boa. Nos EUA, onde o Napster – primeiro site de compartilhamento da História – foi fechado por decisão da Justiça, ainda não se chegou a uma conclusão. A primeira lei a respeito, conhecida como DMCA (Digital Millenium Copyright Act) data de 1998, e acaba de ser reformulada porque chegaram à conclusão de que a simples repressão não acaba com os crimes. Pode-se argumentar que o mesmo vale para o tráfico de drogas e a pedofilia, só para citar dois crimes bem atuais: existe a repressão, mas os criminosos continuam agindo.

De qualquer modo, dá para aprender muito com a experiência americana. É só não cair na paranoia, como o presidente da ASCAP (American Society of Composers, Authors and Publishers), Paul Williams. Para quem não sabe, a ASCAP é equivalente ao nosso ECAD, só que sem as mesmas maracutaias. Pois o sr. Williams, ardoroso defensor dos direios autorais (copyrights), se diz perseguido. Segundo ele, os autores de downloads ilegais – que chama de “copyleft” – “querem me calar”.

Também não é por aí.

Para onde vão os impostos

Se é importante o consumidor aprender a defender seus direitos, é indispensável saber o que é feito com o dinheiro que recolhe ao governo. O brilhante repórter Gustavo Patu, da Folha de São Paulo, publicou recentemente um levantamento que chega a ser revoltante sobre o assunto. Segundo ele, de cada 100 reais que pagamos em tributos, nada menos do que R$ 34,19 serve para pagar aposentadorias e benefícios sociais. Esse percentual (34%) é típico de países desenvolvidos, onde a população tem renda mais alta e o número de idosos (e, portanto, de aposentados) é proporcionalmente muito maior. Ou seja, pagamos imposto de país rico e temos em troca os serviços (ou falta de) que todos conhecemos.

Os tais 34% englobam despesas como seguro-desemprego e bolsa-família, mas na conta entram também os gastos com a burocracia que acompanha esses serviços. Só para se ter uma idéia, nesse aspecto o Brasil está empatado com países como Japão, Espanha e Reino Unido. Só que temos aqui 11% de pessoas com mais de 60 anos, enquanto no Japão são 22% e na Espanha, 17%. Países onde a população idosa é maior – como Alemanha, França e Dinamarca – recolhem 40%. Mas Estados Unidos e Coréia gastam apenas 20% com a chamada “proteção social”.

Antes que alguém diga que quero acabar com os velhinhos, lembro outro detalhe dessa pesquisa, que para mim é ainda mais grave: de cada 100 reais que pagamos em impostos, o governo destina R$ 13,25 para a educação, um percentual equivalente ao dos países europeus. E, como se sabe, nossas escolas públicas têm o mesmo nível das alemãs, francesas, suecas etc. Isso, sim, é uma tragédia.

Novos ares no Sul

De Porto Alegre, nosso velho conhecido Fernando Ely, um dos pioneiros do mercado de home theater, manda a informação de que já está funcionando sua nova empresa: a SmartBuild, parceria com o empresário Luciano Biedermann. Os dois perceberam a importância crescente da automação na vida do consumidor e decidiram investir nesse segmento: projetos e instalações que envolvem não propriamente os produtos, mas sim as soluções. A empresa se define como especializada em automação residencial, infraestrutura de ar-condicionado e home theater, e aposta na expansão do setor imobiliário, prometendo atuar forte junto às construtoras.

O site é este: www.smartbuild.com.br. Boa sorte aos empreendedores.

Cuidando (bem) da imagem

Comentei ontem sobre os abalos na imagem da Apple devido aos problemas com o iPod que pega fogo e com o iPhone que não faz chamadas. Pois bem, essa questão da imagem das empresas é cada vez mais séria, especialmente em tempos de Twitter, Facebook e todas as redes sociais.

Vejam o que acontece aqui mesmo, neste blog. Um comentário meu, dias atrás, sobre a boa qualidade dos televisores à venda no mercado resultou numa série de observações de leitores sobre problemas que tiveram com esta ou aquela marca. São consumidores que não conseguiram obter dos fabricantes um atendimento decente. Viraram, imediatamente, garotos-propaganda ao contrário, ou seja, difamadores das marcas; e usam para isso todas as ferramentas disponíveis. Que conseqüências essa atitude pode ter para a reputação das empresas, só o tempo dirá. Mas é bom que elas fiquem atentas.

Cabe aqui, talvez, ponderar que a escolha de um produto leva em conta inúmeros fatores. Nos levantamentos que já fizemos junto a leitores, em diversas ocasiões (fazemos sempre, pelo menos uma vez por ano), a preferência por uma marca aparece geralmente entre os principais fatores de decisão. E essa é uma via de mão dupla: tanto pode funcionar a favor como contra a empresa. Quem teve uma boa experiência com determinada marca tende a tornar-se fiel – e, conseqüentemente, propagandista da própria, como se pode ver nos comentários elogiosos postados neste blog. Da mesma maneira, e com maior intensidade ainda, quando se tem problemas com uma marca, a tendência é virar inimigo dela.

É por isso que, às vezes, relutamos em apontar esta ou aquela marca como “a melhor”. Não é justo. Tive vários carros da GM e a sorte de raramente terem dado problema. Mas conheço pessoas que simplesmente abominam essa marca. Assim como existem os fanáticos pela Fiat, Ford etc. O mesmo acontece com todo tipo de produto. Por que seria diferente com eletrônicos?

De positivo, o que se pode concluir de tudo isso é a importância do consumidor fazer valer o seu direito de ser bem atendido. E cobrar isso de fabricantes e revendedores. Se a internet servir para exercer esse direito, ótimo. Que assim seja!

iPod pegando fogo???

Steve Jobs deve estar vivendo seu inferno astral. Depois de todos os problemas causados pelo iPhone 4, outra péssima notícia vem agora do Japão: o Ministério da Economia pede explicações urgentes (deu prazo até a próxima quarta-feira, dia 4) para incidentes que vêm acontecendo com o iPod Nano. Isso mesmo, aquele minúsculo, um primor de design, mas que segundo funcionários do governo japonês pode provocar queimaduras!

Desde 2008, já foram registrados 27 casos de superaquecimento do player, sendo que em seis deles houve explosões seguidas de incêndio, provocando ferimentos nos usuários. A última aconteceu dia 13 passado, e parece ter sido a gota d’água. O chefe do setor de segurança do consumidor do Ministério, Seiji Shimagami, quer que a Apple explique o que tem feito para aumentar a confiabilidade de seu produto, já que o defeito permanece. Se não for apresentada uma explicação convincente, a empresa pode ser multada em, no mínimo, 100 mil dólares.

O problema, parece, tem a ver com o sistema de alimentação do iPod. Todos os incidentes ocorreram enquanto a bateria estava sendo recarregada. Um morador da cidade de Osaka contou que estava ouvindo música em seu quarto e recarregando a bateria ao mesmo tempo, quando viu faíscas saindo do aparelho, que explodiu e queimou seu travesseiro. Foi um belo susto!

Perto disso, a antena do iPhone 4 que não consegue captar sinal de telefone acaba se tornando um mero probleminha…

Não foi por falta de aviso…

Foi a bola mais cantada dos últimos anos. Todo mundo que conhece um pouco do mercado sabia que a fusão da Oi com a Brasil Telecom (na época apelidada de “broi”) tinha todos os componentes para dar errado. Comentamos o assunto aqui várias vezes, citando especialistas que não tinham rabo preso. Segundo os dados disponíveis, o negócio custou cerca de R$ 12 bilhões, sendo que metade disso saiu dos cofres públicos, sempre abertos aos amigos. Falei de novo a respeito duas semanas atrás, quando surgiram os primeiros indícios da nova maracutaia que estava sendo armada.

Agora, está em todas as manchetes: parte da Oi foi adquirida pela Portugal Telecom, mas o próprio presidente Lula garante que a empresa continuará sendo “brasileira da silva”. É para rir ou chorar? Tomaram nosso dinheiro para ajudar os grupos LaFonte e Andrade Gutierrez a montar a maior operadora do Brasil, e agora, menos de dois anos depois, com uma dívida impagável, ela é vendida a um grupo estrangeiro!!!

O que mais precisa acontecer para alguém ser preso?

Em busca da solução milagrosa

Quem tiver uma idéia para resolver o problema da distribuição de filmes por meios virtuais sem afetar as receitas dos estúdios pode se apresentar imediatamente em Hollywood que será regiamente recompensado. A busca por essa solução milagrosa é incessante. Segundo a agência Reuters, a última atende pela sigla DECE (Digital Entertainment Content Ecosystem) e vem de um consórcio formado por 55 empresas, incluindo os grandes estúdios de cinema e alguns fabricantes de equipamentos. Consiste em criar um novo padrão de reprodução de vídeo pela internet, de tal forma que o usuário poderia assistir os conteúdos em qualquer aparelho.

O Consórcio já criou até uma marca para essa plataforma: Ultraviolet. Seria um grande portal onde os estúdios colocariam seus filmes, shows etc., para serem acessados através de aparelhos compatíveis com o padrão. O consumidor abriria uma conta no portal e poderia assistir aos filmes sem ter que baixá-los em seu computador – e todos sairiam satisfeitos. Seria possível acessá-los pelo próprio TV, pelo smartphone, tablet, videogame ou qualquer outro dispositivo capaz de acessar a internet. Entre as empresas que estão bancando o projeto incluem-se Sony, LG, Cisco e Adobe.

A plataforma já foi lançada em versão Beta. Por enquanto, é apenas mais uma idéia.

A trégua e o sapo

Pela enésima vez, o Palácio do Planalto interferiu nas atividades da Anatel, o que é proibido por lei. Como se sabe, agências reguladoras são (ou deveriam ser) independentes e não podem se sujeitar a “ordens superiores”, somente à legislação em vigor. Só que, como também se sabe, a Anatel nos últimos anos virou uma filial de partido político. E, mais uma vez, acabou metendo os pés pelas mãos.

Refiro-me à forma atrapalhada como se decidiu acelerar o processo de novas licenças para TV a cabo, assunto que já comentamos aqui. Houve divergências até entre os próprios conselheiros da Agência… Acabar com as licitações foi uma idéia tão desastrada que até parece premeditada para causar polêmica. As operadoras e as emissoras de televisão chiaram. E a chiadeira chegou ao Planalto, que mandou a Anatel tirar o pé do acelerador. Resultado: tão cedo não teremos licença nenhuma. O Conselho teve que engolir o sapo e agora irá retardar os estudos (que são necessários) sobre os pedidos registrados. Se levaram dez anos para tomar a decisão de reabrir as licenças, quanto tempo será que levarão agora? Só Deus sabe.

Como se vê, as pressões das emissoras fizeram efeito – é sempre bom lembrar que estamos em ano eleitoral – e estabeleceu-se uma trégua entre Anatel e emissoras. Pelo menos, parece, foi por uma boa causa.

Banda larga popular

Enquanto o governo federal tenta colocar de pé seu plano de banda larga, em São Paulo já temos pelo menos um começo. A Net informa que já vendeu 100 mil assinaturas de seu plano “popular”, que custa R$ 39,90 por mês. Esse é o esquema proposto pelo governo do Estado, que no início do ano isentou as operadoras do ICMS. O valor corresponde a um combo triple-play, com velocidade nominal de 1Mbps (a velocidade real, só Deus sabe). As outras operadoras se mostram mais lentas em adotar esse esquema, e com isso a Net vai ampliando sua hegemonia.

No Estadão, o competente Marcio Carvalho, diretor técnico da operadora, lembra que a demanda por banda larga aumentou sete vezes desde 2005, e que os pacotes top da Net são de 50Mbps. “O limite técnico atual é de 300Mbps”, diz ele. Imagino que a Net esteja preparada para atender ao crescimento de demanda, para evitar o que aconteceu no ano passado como a Telefonica. Infelizmente, no Brasil é assim: quando se trata de infraestrutura, os chamados gargalos quase sempre acabam inviabilizando o crescimento das empresas e a melhoria dos serviços.

Vamos torcer para que não seja esse o caso.

3D decola ou não decola?

O comentário que fiz sábado sobre filmes em 3D teve a ver também com a notícia que li no site Gizmodo, sobre a baixa bilheteria dos filmes em 2010. As estatísticas indicam uma queda de receita dos lançamentos em 3D, como Shrek, Toy Story 3 e Como Treinar o Seu Dragão. Há uma preocupação em Hollywood, que após os sucessos de 2009 esperava que o público aderisse em massa à nova tecnologia. Como mencionei antes, a lista de lançamentos em 3D para os próximos meses (e os próximos anos) é extremamente atraente. Mas ninguém tem certeza se essas produções irão se pagar.

Um dos problemas, a meu ver, é a comparação com Avatar. O megahit de James Cameron foi vendido, bem antes de ser lançado, como uma experiência diferente, pelo fato de ter sido todo produzido em 3D, desde a concepção; o próprio Cameron virou garoto-propaganda, ao exibir seu entusiasmo pelos recursos dessa tecnologia. E a estratégia de marketing foi brilhante. Tudo isso fez do filme o campeão de bilheteria de todos os tempos, e é pouco provável que outro chegue perto tão cedo.

Há ainda a questão do hábito. As pessoas não estão acostumadas a ver filmes em 3D, os óculos continuam sendo desconfortáveis e, além disso, o ingresso custa mais caro. Portanto, só irão mesmo quando for um filme especial. Daí a dizer, como fez o colunista do Gizmodo, que “o 3D morreu”, me parece um exagero. Vamos ter que esperar alguns anos para poder fazer uma afirmação dessas.

Num dos próximos posts, falarei sobre o 3D na televisão, que é outra história, bem diferente.

Saudades da ditadura

Meu amigo Celso Ming matou a charada: algumas figuras do atual governo parecem saudosas dos tempos em que bastava baixar decretos para resolver os problemas do País. É o que se depreende dessa história de o Tesouro Nacional emprestar dinheiro ao BNDES para este financiar grandes grupos econômicos. Não sei se vocês têm acompanhado o noticiário. Em resumo, o Banco – cuja função é financiar as empresas privadas – alega ter poucos recursos para obras de infraestrutura, que por natureza custam caro e demoram para ficar prontas. A solução encontrada foi tirar dinheiro do Tesouro (ou seja, de nós, contribuintes) para cobrir as necessidades do BNDES.

Já vimos esse filme várias vezes nos tempos dos governos militares, que não precisavam (por motivos óbvios) dar satisfação a ninguém. Foi assim que explodiu a dívida externa do País, anos depois, quando os militares nem estavam mais no poder. O raciocínio agora é o mesmo: o governo precisa incentivar o desenvolvimento. Emprestando às empresas, estas irão investir, gerar empregos etc. etc. etc. Interessante que os beneficiados são sempre os mesmos grupos… O custo dos empréstimos? Melhor deixar pra lá… As empresas terão condições de pagá-los? Pergunta boba…

Segundo Ming, o Tesouro já emprestou R$ 180 bilhões ao BNDES, e os ministros acham tudo normal. Os juros que o Banco cobra das empresas são subsidiados – o caso que comentamos aqui da fusão Oi-Telemar é apenas um. E quando essas empresas quebram, ou os projetos não dão certo, quem paga a conta? Adivinhou: você e eu, que trabalhamos e pagamos impostos.

As promessas de Hollywood

Para aqueles que gostam de acusar os estúdios de cinema de sempre querer faturar mais em cima do mesmo, esta notícia é daquelas de fazer coçar a cabeça: a lista de filmes clássicos que serão lançados nos próximos meses em Blu-ray vai deixar o verdadeiro fã de cinema com água na boca. Acabo de ler no site do evento Comic-Con, que acontece esta semana na Califórnia e é dedicado a promover a indústria do cinema e – neste momento – principalmente a tecnologia 3D. Vejam só as produções em 3D que estão chegando ao mercado americano (no Brasil, quem sabe?):

Tron Legacy – Refilmagem do primeiro filme de ação produzido com a ajuda do computador, em 1985. Aqui, um trailer.

Piratas do Caribe 4 – Pode não ser um “clássico” no sentido a que estamos acostumados; mas, sendo o sucesso popular que foi, uma versão 3D é apetitosa.

Transformers 3 – Outro êxito recente nas bilheterias, com produção de Spielberg, é um dos mais usados em demonstrações de home theater. Em 3D, supõe-se, o impacto será ainda maior.

Blue Man Group – O primeiro filme do trio de performers também será em 3D.

A Dança dos Pingüins – Como a maioria dos desenhos animados bem feitos, este deve ser mais um prato cheio para os efeitos 3D.

A Bela e a Fera – Outro desenho animado de sucesso (pessoalmente, acho meio chato), que vem aí num trabalho que a Disney promete ser primoroso.

20 Mil Léguas Submarinas – Remake do clássico dos anos 50, que a Disney quer misturar com um pouco da trama de Procurando Nemo.

Agora, alguns dos que sairão em Blu-ray, não em 3D, mas com acréscimos importantes em relação às suas versões originais:

Psicose – Este sim um clássico de Hitchcock, restaurado para comemorar os 50 anos da estréia nos cinemas.

Alien Anthology – Uma caixa com os quatro filmes da série e mais um documentário sobre como foram feitos.

O Planeta Proibido – Um dos primeiros clássicos da ficção científica (é de 1956).

THX 1138 – Primeiro filme dirigido por George Lucas (em 1970), é um “cult” por excelência.

Um Estranho no Ninho – Obra-prima de Milos Forman, com Jack Nicholson, vem numa caixa recheada de extras (e até com legendas em português), comemorando 35 anos de idade. Como o tempo passa…

Charada – Fico imaginando se conseguiram, na transferência para Blu-ray, tornar Audrey Hepburn mais linda e adoravelmente sensual do que estava em 1963.

É isso. Já vimos esses filmes, e tantos outros, em diversos formatos, desde quando saíram nos cinemas. E vamos continuar vendo, pois a cada nova versão acrescentam-se mais detalhes, às vezes até alguns que não conseguíamos ver na época. Afinal, não é para isso, entre outras coisas, que existe a tecnologia?

Debate pela internet

Na próxima segunda-feira, 26, os principais candidatos à Presidência da República participarão do primeiro debate online. Última forma: o debate foi cancelado, porque José Serra e Dilma Roussef se negaram a participar. Belo exemplo, não? Quatro dos portais de maior audiência no País – Terra, IG, Yahoo e MSN – prometiam transmitir ao vivo, o que, segundo o Ibope NetRatings, significa um público de 23 milhões de pessoas (se é que todas elas estarão conectadas no horário, das 15 às 16h30). Os candidatos debateriam entre si e também responderiam perguntas de jornalistas dos sites e dos internautas.

Que eu me lembre, seria a primeira iniciativa do gênero neste país tão carente de democracia. Espero que haja outras. O UOL está anunciando um debate, em parceria com a Folha de São Paulo. Já sabemos que cada candidato tem seu próprio blog, twitter e equipes de comunicação online, fora as colaborações “espontâneas” de seus simpatizantes. Faz parte. Mas o hábito de debater diante do público é mais do que saudável. Não há pré-edição (espera-se) e cada um tem que se apresentar como de fato é, com suas incertezas, inseguranças e as respectivas caras-de-pau – que também fazem parte do jogo.

Cabe aos que assistirem, depois, julgar o que viram. Vale muito mais do que aqueles programas maquiados dos horários políticos obrigatórios na televisão. Infelizmente, sou obrigado a acrescentar agora, parece que não é assim que pensam esses candidatos que se apresentam como tão democratas.

Um inventor brasileiro

O amigo Eduardo Ribeiro, diretor da Mega Brasil e editor do informativo Jornalistas&Cia, deu início no ano passado a uma campanha pelo reconhecimento ao Padre Roberto Landell de Moura. Se você não sabe quem é, vale a pena se informar. No final do século 19, em São Paulo, Landell realizou as primeiras experiências de que se tem notícia sobre transmissões via rádio. Chegou a registrar patentes, mas não teve maior repercussão. Como se sabe, a História oficial indica que o rádio foi inventado pelo italiano Guglielmo Marconi, já no século 20. Landell, como costuma acontecer no Brasil, morreu pobre e sem ser reconhecido como o grande inventor que foi.

A história em si já daria um belo roteiro de filme, mas a campanha – cujos detalhes podem ser conferidos neste site – visa pelo menos que o governo brasileiro faça o reconhecimento oficial.