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Quando a repetição é boa

O competente e bem informado jornalista Daniel Castro, especializado nos bastidores da televisão, levantou esta semana uma boa discussão sobre o hábito dos canais de TV paga de repetirem exaustivamente alguns filmes. A partir de um debate que houve durante o Congresso da ABTA, Castro questiona essa política que é tão criticada pelos assinantes. Já comentei o assunto aqui, mas a polêmica é interessante: será mesmo que a repetição é um problema?

“Se fosse, cairia a audiência, e não é o que temos visto”, defende-se Bianca Maksud, gerente da Globosat. Ela, como todas as programadoras, diz que a repetição é uma característica do serviço de TV por assinatura, em que o usuário pode se programar para assistir aos conteúdos oferecidos no horário que lhe for mais conveniente e, assim, acrescento eu, deixar de ser “escravo” das grades da TV aberta. Mas não apenas isso. Fernando Medin, da Discovery, garante que muitas vezes a repetição dá mais audiência do que uma nova atração.

Certo, há exageros. Já vi filmes serem repetidos oito ou dez vezes ao longo de uma semana. Mas essa história me fez lembrar de uma frase que ouvi anos atrás, quando o mercado de videolocadoras estava no auge: filme novo é aquele que você ainda não viu! Isso mesmo: se você jamais assistiu a, digamos, Casablanca ou Cidadão Kane (só para ficar com os dois melhores de todos os tempos), então eles são novos.

Calma, não vamos levar essa discussão tão a sério. Por infelicidade, citei dois filmes que pode-se perfeitamente assistir oito ou dez vezes sem cansar. Não é o caso da maioria das produções recentes. De qualquer modo, não invalida meu raciocínio: viva as repetições!!!

Em busca de algum defeito

Uma das tarefas de quem analisa equipamentos é procurar, pacientemente, por eventuais falhas nos produtos. Mal comparando, é mais ou menos como um mecânico ao fazer a revisão geral de um automóvel: se não encontrar nada de errado, é porque tem algo de errado. Claro, estou exagerando. Mas foi essa a sensação de nossa equipe, esta semana, quando recebemos para teste o novo TV de plasma da Samsung, de 63″. De cara, já deu pra perceber que trata-se de um produto soberbo, no acabamento e nos recursos que oferece. As primeiras imagens foram empolgantes, e por experiência sabemos que podem ser enganosas. Mas, se não é o melhor TV que já testamos, está bem próximo disso.

Em breve, conto aqui mais detalhes. Como aperitivo, vejam este vídeo.

O avanço da TV Digital

Falando em tecnologia de televisão, conversei hoje por telefone com Raymundo Barros, diretor da TV Globo-SP e um dos responsáveis pelo Congresso da Set, e ele deu notícias para mim surpreendentes sobre TV Digital. Segundo o monitoramento da emissora, nada menos do que 72% dos domicílios localizados nas cidades onde o sinal digital já chega estão recebendo perfeitamente a programação.

O velho problema das chamadas áreas de sombra, se não foi resolvido de todo, caminha rapidamente para isso. Nos locais problemáticos, estão sendo instalados o que se chama tecnicamente de gap fillers, que são retransmissores para reforço de sinal. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, sempre foi um desafio devido a sua topografia. O bairro de Copacabana nunca conseguiu ter uma recepção analógica de qualidade, diz Raymundo. Agora, com os retransmissores digitais, o problema ali não existe mais.

As 36 emissoras da Globo adotaram o sistema de gap fillers, o que significa que em todas as praças onde chega o sinal a recepção deve ser perfeita – como se sabe, o sinal digital é estável e deve chegar inteiro ao televisor; quando há problema, a transmissão simplesmente é interrompida e não se vê nada na tela. Segundo o Fórum SBTVD, mais de 50% das residências brasileiras já recebem esse sinal, sendo que cerca de 5 milhões têm acesso à alta definição.

“Podemos dizer que temos a melhor TV Digital do planeta”, garante Raymundo.

Televisão para quem entende

Vai ser no dias 24 a 27 de agosto a edição 2010 do Congresso Brasileiro de Tecnologia de Televisão, que acontece simultaneamente à feira Broadcast & Cable. Organizado pela SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), este é o evento mais importante para os profissionais do setor. A programação está excelente. Alguns tópicos:

*Desafios Técnicos da Interiorização do Sistema Brasileiro de TV Digital (com estudos de caso)

*Como Desenvolver os Mercados de Mobilidade e Portabilidade

*Produção e Distribuição de Áudio Multicanal

*Aplicações e Produtos para Interatividade (com suíte de testes)

*Captação, Pós-Produção e Distribuição em 3D (a experiência na Copa)

*Televisores na Era da Convergência (Broadband TV)

*As Novas Plataformas de Vídeo sob Demanda

*Cinema Digital 3D e 4K

É só um resumo. Dêem uma olhada na grade completa.

Mudança de endereço

Roberto Molnar, um dos empreendedores mais experientes do mercado, avisa que está de casa nova. Sua empresa atende agora à Rua Sepetiba 416, e o novo telefone é (11) 3819-4575. Seguindo uma tendência que acho irreversível no Brasil, Molnar ampliou o foco de ação de sua empresa: além de projetos de home theater, passa a trabalhar também com iluminação, cabeamento estruturado, telefonia, redes de internet e WiFi e sistemas de segurança. Boa sorte!

Conversores: alguém se lembra?

Cerca de dois anos atrás, comentávamos aqui – aliás, todo mundo comentava – sobre a necessidade de conversores para captar o sinal digital das TVs abertas. Empresas como Philips, Positivo e Semp Toshiba, só para citar as maiores, entraram firme no segmento, sem saber o que aconteceria com o Ginga, a plataforma de interatividade que fazia parte do padrão brasileiro SBTVD. Pois hoje praticamente o conversor não existe mais.

Segundo o site Convergência Digital, os fabricantes estão em compasso de espera. Foram atropelados pela indústria de televisores, que acabou incorporando o conversor dentro dos TVs, e pelas operadoras de TV paga, que oferecem o sinal das redes abertas junto com a programação fechada. Ou seja, o conversor só faz sentido se for possível vendê-lo com o Ginga, aliás DTVi, novo nome da interatividade brasileira. E quem vai se arriscar, sabendo que ainda não há unanimidade em torno do DTVi?

São coisas de um processo que já começou errado, lá atrás, quando houve uma briga política entre os padrões de TV Digital, lembram-se? Prometeram-se coisas como interatividade e multiprogramação, que na verdade ninguém sabia como fazer. E esqueceram-se que o padrão de interatividade da TV fechada (o europeu DVB) é incompatível com o da TV aberta.

E aquele ministro que prometia conversor com Ginga a R$ 200 agora vai virar governador… Deve ser um dos poucos que saiu ganhando nessa história.

Ainda o respeito ao consumidor

Enquanto no Brasil se discute se o consumidor tem direito à troca de um produto com defeito, nos países de Primeiro Mundo (e esse é um dos indicadores de que um país merece mesmo ser chamado assim) tudo funciona de modo tão natural que é de causar inveja. Já comentei esse assunto algumas vezes, e a toda hora tem novos exemplos.

Aqui, o Ministério da Justiça – através do DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) – está tendo que obrigar os fabricantes de celular a cumprirem a norma do Código de Defesa do Consumidor que manda trocar o aparelho que apresenta defeito dentro do prazo de garantia (leiam a reportagem do site Convergência Digital).

Enquanto isso, no Japão a Apple está entregando aparelhos novos para donos de iPods que deram defeito, conforme comentamos aqui semanas atrás. Nem precisou o governo japonês fazer muita força.

E você, também é corrupto?

“Vivemos na Escandinávia e não sabíamos”, diz a antropóloga Livia Barbosa, autora de ‘O Jeitinho Brasileiro’, livro que analisa o comportamento ético de nosso povo ao longo da História. Ela diz que a maioria das pessoas aqui pensa corretamente sobre o assunto, mas na prática age ao contrário do que pensa. Curioso, não?

A autora é citada em reportagem recente da Folha de São Paulo, que detalha a pesquisa “Retrato da Ética no Brasil”, feita pelo Datafolha. O levantamento mostra que 94% dos brasileiros acham errado, por exemplo, oferecer propina; outros 94% acham incorreto também vender o voto. No entanto, 36% disseram que já pagaram propina a alguém, e 12% responderam que estão dispostos a trocar seu voto por dinheiro.

Segue a pesquisa: 31% já colaram numa prova; 27% já receberam troco a mais e não devolveram; 26% costumam atravessar o sinal vermelho; 68% pelo menos uma vez já adquiriram produtos piratas (contrabandeados, 30%); 27% baixaram músicas da internet ilegalmente (filmes, 15%); e 18% já compraram ingressos de cambistas.

Os dados extrapolam os conceitos de classe social e faixa de renda: todo mundo parece ser corrupto na mesma medida, variando apenas (pouco) a proporção daqueles que assumem abertamente o delito. Mesmo assim, acham que isso não é problema, já que “todo mundo faz”. Sem dúvida, essas respostas são influenciadas pelo comportamento dos políticos, principalmente os do atual governo, que parecem se vangloriar de conseguirem vantagem em tudo. Mas isso não é desculpa: até prova em contrário, todos ainda podemos escolher entre ser ou não corrupto.

Ou será que não podemos?

Não reclame do seu pen-drive

Recebi de um amigo como curiosidade e resolvi postar aqui a foto ao lado, que já veio com a necessária legenda. Lá se vão quase 60 anos, e parece que as pessoas não percebem o tempo passando… Se você vive se queixando da lentidão de sua rede ou de seu computador, nunca é demais lembrar como tudo na vida é relativo!

A disputa entre as operadoras

Sei que nem todo mundo tem tempo (ou paciência?) de consultar o portal da Anatel, por isso repasso aqui o que encontrei dias atrás nas estatísticas sobre o mercado de TV por assinatura. Como anda a disputa entre as principais operadoras no serviço DTH (TV por satélite), que é o que mais cresce? Bem acirrada, aliás, cada vez mais acirrada. A Sky continua sendo a maior, mas a novidade é o crescimento das teles (principalmente a Embratel). Vejam os números de assinantes, válidos até junho:

Sky……………… 2,179 milhões

Embratel…….. 655,7 mil

Telefonica…… 469 mil

Oi……………….. 344 mil

No cômputo geral do mercado, a Net ainda é a primeira colocada, com 3,875 milhões de clientes de TV a cabo. Somando tudo, diz a Anatel, são 8,4 milhões de domicílios com algum tipo de TV por assinatura. Agora, atenção: foi marcado para 9 de setembro o leilão das ações da Net. Se a Embratel arrematar tudo, como se diz, esse ranking vai virar de cabeça pra baixo.

Mais alguns números estão aqui. Para ver os dados completos, clique neste link.

Oficinas congestionadas

Norberto Mensorio, presidente da ABRASA (Associação Brasileira das Empresas de Assistência Técnica de Eletrônicos), me manda link para reportagem do Estadão que mostra o congestionamento de aparelhos para conserto nas oficinas. Seria conseqüência indireta do aumento nas vendas de TVs e outros aparelhos: o usuário orça o conserto de um aparelho usado e descobre que o custo chega a 60% ou 80% do valor de um modelo novo; então, abandona o velho na oficina e nunca mais aparece. É uma forma de se livrar do chamado “lixo eletrônico”.

Mensorio, que não conheço, é dono de uma oficina na zona leste de São Paulo. Queixa-se da rápida obsolescência dos aparelhos atuais, e das dificuldades para reciclagem. Sua entidade estima que existam cerca de 2 milhões de aparelhos parados nas oficinas de todo o País, entre TVs, monitores de computador etc. Haveria, inclusive, displays de plasma, LCD e até os novíssimos LED-LCDs, cujo conserto é caríssimo. Segundo Mensorio, um complicador – que eu desconhecia – é que, enquanto os aparelhos produzidos em Manaus têm isenções tributárias, as peças de reposição não têm. “O aparelho desmontado custa de quatro a oito vezes o valor do produto montado”, disse ele ao jornal.

Resultado: o custo do conserto torna-se inviável. Vamos apurar melhor essa história. O jornal foi ouvir Helio Mattar, do Instituto Akatu, conhecido por suas ações em defesa do meio ambiente, e ele acusa a indústria de incentivar a troca indiscriminada dos aparelhos. Uma perigosa generalização: com certeza existem produtos descartáveis no mercado, mas estes nem de longe são maioria. Ou são?

Celulares inquebráveis

A próxima geração de celulares terá telas inquebráveis. Nem com marteladas você será capaz de abrir sequer uma mísera trinca! Quem promete é a Samsung, que mandou até fazer este vídeo para provar. O segredo está numa resina plástica que servirá de base (o chamado substrato) para as telas AM-OLED que a empresa promete lançar comercialmente até 2.012. Como se sabe, displays AM-OLED (OLED de Matriz Ativa) já são usados em smartphones há algum tempo. Mas o vidro que lhes serve de base é, digamos, convencional. Com a tal resina, consegue-se fabricar bases mais resistentes. Duvida? É bom levar a sério. Como comentei aqui recentemente, a Samsung encara a tecnologia OLED como “o futuro dos displays”. Futuro, no caso, é coisa para quatro ou cinco anos. Tanto que está montando na Coreia uma fábrica de US$ 2,2 bilhões exatamente para isso.

TV por assinatura: quem não quer?

Entra no ar hoje o hot site “TV por Assinatura“, produzido pela equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL como complemento ao encarte especial (ao lado) que circula com a edição de agosto. Esta, por sinal, está sendo distribuída aos visitantes da ABTA 2010, principal evento do setor, que acontece esta semana no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

Nada disso é coincidência. Como já comentamos aqui algumas vezes, o mercado de TV paga no Brasil está “bombando”, para usar uma gíria da hora. Apesar do custo da assinatura ainda ser considerado alto, nunca tanta gente adquiriu a sua em tão pouco tempo (foram mais de 1 milhão de novos assinantes só no primeiro semestre). Poderíamos ficar aqui horas discutindo as causas do fenômeno, mas acho que o mais importante é o consumidor brasileiro ter descoberto que pode se libertar da TV aberta. Claro, 8,4 milhões de assinantes (número que aparece no levantamento mais recente da Anatel) representam menos do que todo o mercado argentino, por exemplo. Se no Brasil existem cerca de 40 milhões de residências com televisão, estamos ainda longe de uma massificação da TV paga. Mas esse processo já começou.

Confesso que me surpreendi durante a pesquisa para esse trabalho, ao constatar a quantidade de canais já disponíveis na TV fechada e a variedade de conteúdos oferecidos. C0ntamos 127 canais, sendo 12 deles transmitidos em alta definição. Mesmo considerando que aí se incluem os canais públicos (TV Câmara, TV Senado e TV Justiça), um canal de televendas (Shoptime) e quatro religiosos, é seguro afirmar que a TV paga brasileira atende a praticamente todos os tipos de público.

Ou seja, já não vale mais aquela visão – que eu mesmo usei aqui no passado – de que ter um TV de boa qualidade era um luxo restrito a poucos. Com tanta coisa para assistir, um bom televisor é fundamental. Mesmo para quem detesta a TV aberta.

Google: quando tudo dá errado.

Lembram-se de quando todo mundo falava mal da Microsoft? Pois é, agora parece que o esporte preferido da moçada mais antenada é criticar o Google. Depois que a empresa foi pega em flagrante tentando dominar o universo, e com métodos nada convencionais (leia aqui), a maré virou. E começou uma fase de problemas que, pelo visto, não tem fim.

Nas últimas semanas, a Google Inc. voltou atrás em seu projeto de lançar um smartphone próprio, o Nexus, pessimamente recebido pelos especialistas e principalmente pelas operadoras – a ideia era vendê-lo diretamente ao consumidor, pelo próprio site do Google. Também foi engavetado o projeto Google Wave, lançado em maio de 2009 como o “e-mail do futuro” e no qual muitos embarcaram. Outro erro estratégico grave – típico de alguém quem se julga superior a seus semelhantes – foi a tentativa de acordo com a operadora Verizon, segunda maior dos EUA, para obrigar os produtores de conteúdo a pagar para aparecerem no site de buscas mais consultado do mundo. Pegou mal, muito mal.

Agora, o Google está sendo humilhado publicamente pelos governos da Alemanha e da Coreia do Sul, que simplesmente mandaram a polícia invadir as sedes da empresa em Berlim e Seul. Motivo: invasão da privacidade dos usuários. Aqui, não se costuma dar muita importância a isso, mas na Coreia é crime utilizar dados pessoais de alguém sem autorização. Só a Justiça pode fazê-lo. Pois o pessoal do Google fez exatamente isso. Agora, teve de pedir desculpas.

Na Alemanha, o problema é o StreetView, programa associado ao Google Maps que filma determinados locais de uma cidade para facilitar a localização. Há tempos que grupos de defesa da privacidade vêm condenando essa ferramenta, com um argumento difícil de contestar: “se eu não quero que filmem minha casa, esse é um direito meu”. Grupos assim existem não só na Alemanha, mas também na Itália, Austrália, EUA e na própria Coreia, só que os alemães estão em vias de obter uma proibição formal da Justiça.

É o que dá querer dominar o mundo!

TV Digital no celular é grátis!!!

“Teles lançam TV digital no celular a R$ 30 por mês”, diz a manchete da Folha de São Paulo hoje. O leitor menos avisado – a maioria – deve achar um grande negócio, sem saber que assistir aos programas das emissoras abertas pelo celular (ou pelo notebook, ou vários outros dispositivos portáteis) é algo que muitos já fazem no Brasil desde o ano passado, em sem pagar nada. Felizmente, o texto do excelente repórter Julio Wiziack explica a coisa direitinho; o erro foi de quem fez a tal manchete.

A novidade é que as grandes operadoras de celular – Oi, Tim, Vivo e Claro – chegaram à conclusão de que o conteúdo da televisão pode ser um forte atrativo aos usuários de celular. E prometem lançar até outubro esse serviço, com tarifas na faixa de R$ 30 mensais. Prometem, não: quem está divulgando isso é a M1nd, empresa de software que tenta vender a novidade para as operadoras. A Oi, por exemplo, já desmentiu em nota oficial. De qualquer forma, o que estaria disponível via celular não é o conteúdo das redes abertas, e sim o da TV paga, mais precisamente 30 canais escolhidos pelas operadoras, incluindo BBC, Bloomberg, Discovery, Cartoon e outros.

A plataforma da M1nd permite oferecer até pay-per-view e video-sob-demanda (VOD) pelo celular. Vamos ver como funciona. Só espero que a introdução dessas novidades não congestione ainda mais as redes, que já funcionam de modo precário. Só um comentário adicional: se as teles investissem na melhoria dos serviços uns 10% do que gastam em propaganda, teríamos as conexões mais eficientes do mundo.

PlayStation 3, agora sim, aqui!

Muitos vão dar risada, mas o fato é que a Sony do Brasil finalmente decidiu lançar aqui o PS3, com tudo a que o fã de videogames tem direito. Já pode ser adquirido na loja virtual SonyStyle e em breve estará nos principais revendedores da marca. Estão à venda 23 jogos, e logo chega a versão 3D do hit Gran Turismo 5. Breve também virão as atualizações de firmware, um segredo estratégico quando se trata de games.

E o melhor, pelo que me disse Lucio Pereira, responsável pelo marketing da empresa: foi montado um detalhado plano de suporte ao consumidor e às revendas do PS3. Nas lojas, haverá aparelhos preparados para que o usuário experimente um jogo antes de adquiri-lo. O pessoal do SAC recebeu treinamento específico para responder as questões levantadas pelos usuários. O console tem garantia de um ano – claro, para quem comprá-lo de uma revenda autorizada brasileira – e existe uma preocupação de fazê-lo chegar a todas as regiões do País, inclusive aquelas onde nem o contrabando chega atualmente. Outro ponto que preocupa são as variações de voltagem, comuns no interior, que já detonaram muitos aparelhos importados. Os novos terão componentes com certificação do Inmetro.

O plano inclui ainda liberar no Brasil o acesso à PlayStation Network, rede mundial onde os PS3-maníacos podem trocar informações e até jogar partidas virtuais. Só não há, por ora, prazo para essa que é uma operação complicada.

Pergunta fatal: quanto vai custar o PS3 oficial? R$ 1.999. É muito? Sim, quatro ou cinco vezes mais do que no contrabandista mais próximo. Você escolhe.

Banco dos Grandes Grupos

Sim, proponho aqui a mudança de sigla: de BNDES para BGG, ou algo parecido. Levantamento do repórter Ricardo Balthazar, da Folha de São Paulo, mostra que 57% dos empréstimos do banco (que só existe para financiar projetos de desenvolvimento) são direcionados para alguns dos maiores grupos econômicos do País. A saber: as construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Correia e Odebrecht; os conglomerados Vale, Votorantim e JBS (Frigoboi); as multinacionais Alcoa e GDF Suez; e as estatais Petrobrás e Eletrobrás. Tudo somado, esses grupos levaram mais da metade dos R$ 168 bilhões que o BNDES emprestou entre junho de 2008 e junho de 2010. Bonito, não?

Podemos voltar ao velho bordão: “Nunca antes neste país…” Os números estão disponíveis no próprio site do banco, que com a desfaçatez típica de quem está no poder justifica os empréstimos alegando que os grupos favorecidos são os que mais investem. Simples assim. João Carlos Ferraz, diretor de planejamento do BNDES, nem deve ter ficado vermelho quando disse ao jornal: “O capitalismo brasileiro está amadurecendo”.

É bom rememorar. Desde 2007, o governo decidiu reforçar o caixa do BNDES repassando recursos do Tesouro, ou seja, aquilo que todos nós pagamos em impostos e tributos. Só no ano passado foram R$ 180 bilhões. Para fazer isso, foi preciso emitir títulos do Tesouro, pagando juros altíssimos, o que contribui para aumentar os juros da economia em geral. Só que o BNDES empresta aos grandes grupos a juros subsidiados, ou seja, a diferença é um prejuízo incalculável, que nós pagamos!

Quando se analisa em detalhe a lista dos beneficiados, encontram-se os suspeitos de sempre: Oi, Light, EBX (empresa de Eike Batista, o homem mais rico do Brasil), CPFL, Usiminas – todas pertencentes ou ligadas aos grupos citados acima. E todas na lista de doadores de campanhas políticas igualmente suspeitas. Para explicar por que isso acontece, recorro aqui, mais uma vez, a um dos jornalistas mais competentes (e independentes) do País, Celso Ming: “O BNDES está distribuindo financiamentos a juros subsidiados com recursos levantados pelo Tesouro com aumento de dívida – e isso repete prática condenada do tempo do governo militar”. E mais: “O BNDES fornece financiamentos quase sempre para quem pode levantar recursos no exterior. Elege os beneficiários e sabota a livre concorrência”.

Até quando?

Convergência na TV paga

Infelizmente, devido a um pequeno problema de saúde não consegui ir ontem à abertura da ABTA, feira e congresso sobre TV por assinatura que acontece em São Paulo. Pena. Sei que muita coisa interessante está sendo mostrada e estava curioso para assistir a alguns dos debates programados.

Das grandes operadoras, somente a Sky não participa – a empresa não gostou da posição assumida pela ABTA em relação ao projeto-de-lei 116 (ex-PL29), que abre o mercado para as teles e institui cotas para conteúdos nacionais nas grades de programação. Na verdade, a entidade – que representa cerca de 80 operadoras e/ou programadoras, grandes e pequenas – chegou à conclusão de que não valia mais a pena brigar contra o projeto, que está praticamente aprovado por pressão dos produtores de cinema e vídeo, cujo lobby é forte no Congresso.

Luiz Eduardo Baptista, o “Bap”, presidente da Sky, também não gostou da reação tímida contra a ideia da Anatel de abrir novas licenças para TV por assinatura sem cobrar quase nada dos interessados. Ele é um dos que acham a medida injusta, já que as atuais operadoras tiveram que pagar caro para entrar nesse mercado. Queria que estas fossem mais duras contra o governo.

Enfim, é uma longa discussão, que deve estar fervendo lá no Transamerica Expo Center, onde acontece o evento. Veja aqui algumas das novidades que estão sendo apresentadas.

A IFA e a vida no futuro

No próximo dia 3 de setembro, começa a edição 2010 da IFA, em Berlim. Este ano será especial, porque o evento comemora seu 50° aniversário. Aumentou de tamanho e está prometendo muita novidade. Vamos ver. Soube que estão adiantados os estudos sobre TV 3D sem óculos, e essa será com certeza uma das atrações.

Um detalhe interessante sobre a IFA é o apoio do governo alemão, não apenas um apoio institucional, mas com dinheiro mesmo. No ano passado, com a recessão, o evento só aconteceu porque os principais fabricantes foram “convencidos” com alguns benefícios fiscais. Este ano, parece, isso não será necessário: a Alemanha foi o primeiro país europeu que saiu da crise e está até financiando a recuperação de outros, como a pobre Grécia. Sem falar que continuam investindo pesado na restauração da antiga Alemanha Oriental, que foi à falência na época do comunismo.

O governo alemão pretende usar a IFA para demonstrar a força da recuperação econômica do País, com grandes estandes montados pelos fabricantes locais. Ao contrário da CES, por exemplo, esse é um evento aberto ao público, que poderá ver protótipos de aparelhos enquadrados nas novas regras de consumo de energia determinadas pelo Ministério de Economia e Tecnologia (sim, lá as duas áreas são interligadas, o que por si só explica a importância que se dá à inovação tecnológica – quase igual aqui, não?).

Por influência do governo, desde o ano passado os fabricantes alemães de eletrodomésticos aderiram em peso à IFA, tentando seduzir os consumidores com novidades como máquinas de lavar roupa com painéis touchscreen e geladeiras com displays de acesso à internet. Pode não ter nada a ver com a nossa praia, mas o fato é que as vendas desse tipo de aparelho aumentaram no último Natal – e olhem que o alemão está longe de ser consumista como o americano!

Mas o que estou mais curioso para ver na IFA 2010 é o pavilhão chamado TecWatch, com 2.500 metros quadrados de puro futurismo. Ainda há muitos segredos, mas descobri que vão montar estandes onde o público poderá, digamos, “experimentar o futuro”. TVs 3D (sem óculos) e videowalls touchscreen estarão por todo o espaço, prometem os organizadores. Tomara.