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Novo cerco aos piratas

Quase ao mesmo tempo em que o governo americano reforçava sua política de combate à pirataria, a polícia paulista prendeu ontem os responsáveis pelo site Brasil-Series, que fornecia seriados e filmes de TV pela internet. Segundo a APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música), o site tinha cerca de 800 mil usuários únicos por mês, visitanbtes que buscavam links para downloads de sucessos como House e Friends. O casal que administrava o negócio vinha sendo vigiado através do Orkut. Como o site tinha anúncios e pedia doações, significava um giro de dinheiro a partir de conteúdos não autorizados.

Também foi fechado hoje o site legendas.TV, especializado em fornecer legendas em português para quem baixa séries americanas da internet – outra prática ilegal. Os dois sites brasileiros estão entre os mais ativos do mundo nessa prática, que agora o governo Obama promete combater com mais rigor. A ação é internacional, e inclui pressionar os governos dos países onde a pirataria é maior para que ajudem no combate. O Brasil, é claro, terá que se posicionar. Infelizmente, nosso país está longe de ser um exemplo nesse campo. Além da pirataria de CDs e DVDs, que pode ser conferida em qualquer esquina, há uma enorme rede de venda ilegal de games, programas de computador e até ligações clandestinas de banda larga e TV a cabo.

Claro, não é um problema só de governo, muito menos só de polícia. Há uma questão cultural aí. O brasileiro em geral parece ter prazer em praticar ilegalidades, ainda que sob o disfarce de “informalidade”, o que vem a dar no mesmo. E quando tem a protegê-lo um governo como o atual, que também adora afrontar a lei, faz a festa. Lamentável.

Todo apoio à eficiência

O amigo Robert Dannenberg me envia convite para um evento que pode ser um marco: o lançamento do Movimento Brasil Eficiente, na próxima terça-feira, 20 de julho, em São Paulo. Várias entidades estão se unindo em torno da idéia de construir uma ação apartidária em defesa da redução dos impostos e de maior eficiência nos gastos públicos. Ou, em outras palavras, a defesa e o estímulo àqueles que sustentam o País, os que trabalham honestamente, geram empregos e contribuem para a sociedade como um todo.

Neste ano de eleições, em que os principais candidatos evitam se comprometer com o tema, é importante esse tipo de iniciativa. O site do movimento já coleta uma série de idéias e dados estatísticos, mas certamente é apenas um primeiro passo. Mais importante é que as pessoas percebam que estão sendo roubadas diariamente e se unam para enfrentar os ladrões. É um direito, e também um dever.

Coreia: lição de gerenciamento

Dizem que o Brasil poderia ser a Coréia, se tivesse feito suas lições de casa entre os anos 60 e 70. Ou poderia ter sido, agora não dá mais. Lembrei desse comentário ao ler outro dia trechos de um relatório mostrando o que seriam os quatro fundamentos da fantástica evolução desse pequeno país asiático nas últimas décadas. A análise, da Consultoria McKinsey, mostra que estamos mesmo a anos-luz deles. Vejam:

1. Investir em tecnologias em que o país pudesse atingir nível de Primeiro Mundo;

2. Manter sob controle as fontes de investimento, para direcioná-los aos setores que mais interessam ao país, evitando a mera especulação financeira;

3. Acelerar a cooperação com a China, vizinho e grande parceiro comercial (além de ser o maior mercado do mundo);

4. Aproximar-se da velha inimiga Coréia do Norte, oferecendo investimentos para torná-la também um bom mercado comprador.

Em vários pontos do relatório, é usada a expressão “investir em pesquisa e desenvolvimento” (R&D, em inglês), quase como uma obsessão. Nem preciso me estender muito. Todo mundo sabe onde está hoje a Coréia. Curiosamente, caiu em minhas mãos outro dia, por acaso, um link da revista Newsweek sobre o mesmo assunto, intitulado “Coréia do Sul sobrevive à recessão com tática de CEO”. Você provavelmente – como eu – não sabia que o presidente do país chama-se Lee Myung-bak; nem que trata-se de um executivo de carreira, ex-CEO da Hyundai, um dos maiores grupos industriais do mundo. Nos anos 80, quando dirigia a empresa, ele investiu agressivamente na conquista de novos mercados, apesar de ser desaconselhado diante da grave recessão que ameaçava o mundo. Quando assumiu a presidência do país, o sr. Lee teve exatamente a mesma atitude. E o que se vê agora é que a Coréia é uma das poucas nações ricas que não está sofrendo tanto com a crise de 2008.

“Esta crise pode pode ser nossa oportunidade de nos tornarmos um país de primeira classe”, disse ele a um grupo de empresários em janeiro de 2009, no auge do pessimismo mundial. Uma parte de seu plano foi aumentar o investimento do governo coreano em… isso mesmo: pesquisa e desenvolvimento (de 3,4% do PIB, o que já era bem alto, para 5%). Mais: reduzir a tributação sobre os investimentos das empresas em… R&D. Resultado: a Coréia foi o primeiro país desenvolvido a sair da crise, no final do ano. E caminha para ter em 2010 uma das taxas de crescimento mais altas do mundo.

Copa, empregos e tecnologia

Que tal um investimento de R$ 3,8 bilhões em tecnologia para um país que pretende organizar dois grandes eventos mundiais? Parece ótimo, não? Pois é o que o Ministério dos Esportes está divulgando. Seria o valor do que será gasto para a Copa de 2.014 somente nos setores de telecom e tecnologia da informação (suponho que esse valor já seja suficiente também para a Olimpíada de 2.016, mas é mera suposição). Segundo o Ministério, a quantia representa 12% do orçamento total previsto para obras de infraestrutura visando a Copa.

É impressionante a capacidade que certos órgãos do governo têm de inventar dados aleatórios. Ninguém, a esta altura, pode ter a menor base para calcular um investimento como esse. Pode ter sido para impressionar a Fifa, ou eventuais patrocinadores, mas não cola. Num momento em que se decide como tocar o Plano Nacional de Banda Larga e implantar um programa sério de inclusão digital, é insano pensar em quanto será investido para um evento que acontecerá daqui a quatro anos. Ainda mais diante de toda a polêmica sobre construção de estádios, estradas e aeroportos, a questão do Centro de Imprensa do Mundial (será em SP? RJ? Brasilia?)…

Como sabemos todos o que aconteceu no Pan-2007, é bom ficar atento. Uma boa providência nesse sentido vem do Tribunal de Contas da União, que criou o site www.fiscalizacopa2014.gov.br para facilitar o acompanhamento dos gastos com a Copa 2.014. O TCU já deu sinais de que não vai ficar assistindo de braços cruzados a gandaia com o dinheiro público, por mais que os cartolas em geral estejam acostumados a isso. Em relatório divulgado na semana passada, mostrou que todas as obras previstas estão atrasadas ou em situação irregular. No site, qualquer pessoa pode checar o andamento das obras, os custos, e até fazer denúncias a respeito.

Que assim seja!

O novo embrulho da Oi

Falando em operadoras telefônicas, o competente Renato Cruz, do Estadão, também deu um furo hoje, ao apurar que houve na semana passada uma reunião entre os acionistas da Oi e o presidente Lula. Motivo: o medo de que a Oi seja adquirida pela Portugal Telecom, caso esta tenha mesmo que vender a Vivo para a Telefônica. Renato dá informação fornecida pela consultoria Economática: desde abril de 2008, quando se juntou à Telemar, a operadora teve desvalorização de 46% em suas ações. O valor da empresa caiu de R$ 23,3 bilhões para R$ 12,6 bilhões!!!

Só para rememorar: os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte (Jereissati), dois dos maiores financiadores das campanhas do PT nos últimos anos, têm juntos 38,6% de participação na Oi; o restante é compartilhado entre o BNDES e os fundos de pensão do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, ou seja, dinheiro estatal. A fusão com a Telemar foi praticamente imposta pelo governo, que queria uma empresa forte no setor para competir com as multinacionais Telefônica, Tim e Telmex (Embratel e Claro). Na época, até comentamos aqui que foram jogados nesse negócio extremamente suspeito mais de R$ 6 bilhões.

O problema é que, embora seja a maior operadora de telefonia do País em área de abrangência, a Oi não consegue decolar e não tem mais dinheiro para investir; ao contrário, tem a maior dívida do setor, o equivalente a 2,3 vezes o seu lucro. E, entre as quatro grandes, é a que menos cresce. Assim, como costuma acontecer com empresas geradas “por decreto”, está de novo pedindo socorro a seu pai protetor.

Voltamos então àquela velha moral da história: melhor uma empresa privada problemática do que uma estatal. Se não fosse a intervenção do governo, a Oi poderia simplesmente ser vendida a um grupo interessado e, se bem administrada, sair dessa situação. Pelo jeito, não é o o que vai acontecer.

iPad no Brasil em outubro?

O furo foi dado hoje pelo Portal Exame: o iPad chega oficialmente ao mercado brasileiro no último trimestre do ano, ou seja, a partir de outubro. A informação é do presidente da Claro, João Cox, garantindo que não haverá exclusividade para nenhuma operadora. Todas irão colocar o produto no mercado ao mesmo tempo – isto é, todas as que se acertarem com a Apple, que não costuma brincar com essas coisas. Já se sabia que a empresa americana estava negociando com as grandes operadoras brasileiras, algumas delas querendo exclusividade. Mas isso não interessa à Apple, que prefere uma política menos fechada, até para poder explorar o enorme potencial do mercado brasileiro. Outra promessa (e esta acho mais difícil de cumprir) é lançar até setembro o iPhone 4, que saiu no mês passado nos EUA. Como comentamos anteriormente, o aparelho está sofrendo uma forte campanha negativa devido a problemas na conexão telefônica. A Apple terá que resolver isso antes de lançá-lo em outros mercados.

Uma derrota para a Apple

Já tinha escrito o comentário anterior quando li a notícia de que uma das publicações mais respeitadas do mundo na área de defesa do consumidor – a americana Consumer Reports – detonou a nova versão do iPhone. As falhas de recepção do novo smartphone da Apple, que vêm sendo apontadas por praticamente todos os especialistas nas últimas semanas, levaram a equipe da revista a publicar, com todas as letras, que “não pode recomendar a compra do produto”. Nos EUA, esse tipo de conselho é levado muito a sério.

A Apple apressou-se a informar que está reavaliando o produto e até prometeu uma atualização para contornar o problema. Mas a essa altura o estrago parece que já está feito. Milhões de pessoas já adquiriram o iPhone 4 e estão se queixando de não conseguir completar as ligações. Como diz o The Wall Street Journal, esse é o pior tipo de propaganda que uma empresa pode desejar. Curioso é que a própria Consumer Reports havia publicado um artigo, logo no lançamento do aparelho, elogiando sua performance. Mas, como convém a um veículo honesto e responsável, os editores pegaram três exemplares para testes mais detalhados, e um deles contou que simplesmente não conseguia completar nenhuma chamada (fizeram este vídeo para mostrar). Ironicamente, dizem que o problema só foi amenizado com o uso de uma fita adesiva sobre o display…

Agora, a bola está com a Apple. Como se vê, nem ela é infalível.