Automação inclusiva promete mudar o mercado de smart home

Por Guilherme Oliveira*

Automação inclusiva é o conceito de projetos de casas inteligentes para usuários com necessidades especiais, de mobilidade reduzida e idosos. Seu princípio fundamental é a melhoria da qualidade de vida, através de soluções que forneçam saúde, segurança e autonomia para o bem-estar destes usuários.

Estes nichos passaram a receber maior importância no mercado brasileiro à medida que estes públicos, antes desassistidos, se mostraram segmentos altamente lucrativos e de alto padrão de consumo. No entanto, para atendê-los é preciso um atendimento diferenciado e conhecimento aprofundado da persona do cliente em questão.

Acredite, este mercado está apenas começando a ser desbravado e os integradores que oferecerem o melhor serviço, tem grande capacidade de prosperar. Por isso, saia na frente de seus concorrentes! Saiba nesta postagem o que é necessário para colocar a inclusão de vez em sua agenda. Antes de começar, é preciso compreender o que é acessibilidade. O termo faz referência à competência de possibilitar e capacitar o alcance de indivíduos com mobilidade reduzida aos espaços físicos. Seu objetivo principal, é aumentar a independência pessoal de locomoção, sendo um compromisso de empresas, governo e sociedade.

A acessibilidade ganhou ênfase a partir dos anos 80, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) se voltou ao tema. Desde então, é possível observá-lo na readaptação do espaço físico, a partir da instalação de corrimões, sinalização horizontal e vagas exclusivas. Ainda, as cidades e países dispõe de leis específicas voltadas para construções comerciais e residências assistivas. No Brasil, existe a NBR 9050, voltada à instalação e adaptação de edificações urbanas e rurais ao conceito.

Embora o termo esteja vinculado a pessoas com necessidades especiais, também é aplicado a idosos e pessoas com doença crônicas. No primeiro caso, é ainda mais relevante pois cerca 24% da população possui necessidades especiais (físicas ou mentais). Estes brasileiros estão ativos no mercado de trabalho e são amplos consumidoras de tecnologias digitais, sendo bastante interessantes às empresas de automação residencial.

As soluções em smart home são totalmente acessíveis por serem ubíquas ao espaço físico. A utilização de redes distribuídas ou centrais sem fio com alcance abrangente favorecem o domínio completo de múltiplos equipamentos. Isto oferece autonomia total da residência aos usuários, evitando que atividades cotidianas se tornem complexas por meio da interação com suas interfaces.

Por esta característica, a automação inclusiva permite que seus consumidores se sintam muito mais confortáveis e livres em casa. Além disso, diminui a dependência de responsáveis legais e cuidadores, o que é inestimável.

Silver Economy
 

Também denominada como silver market, o foco da vez é a economia da terceira idade, uma lacuna do mercado que demonstra potencial lucrativo crescente na área de tecnologia. Cada vez mais os idosos adotam recursos digitais e aqueles que entrarão nesta faixa etária em breve, tiveram contato com as facilidades da Internet e da computação.

Além disso, o envelhecimento tardio da população já é uma realidade e aumentará significantemente. De acordo com o IBGE, os idosos foram de 14,3 % da população em 2015. Com enorme população na terceira idade, será preciso enorme esforço dos estados e empresas para readaptação do mercado. Evidentemente, os gastos com bem-estar crescerão, mas, em contrapartida, o tempo ativo no trabalho aumentará o potencial deste público.

Sem dúvida, uma ótima notícia para o mercado de automação.

Inicialmente, por que a acessibilidade é exigida por força de lei em estabelecimentos comerciais e públicos pela Lei 10.146/2015. Isto exige que a infraestrutura e prestação de serviços esteja disponível ao portador de necessidades especiais e consequentemente, idosos. Por isso, para além de modificações arquitetônicas e urbanísticas, o comando de atividades rotineiras como controle de luzes será requerido ao profissional.

Como consequência, o integrador tem papel essencial em promover estas soluções para seus clientes, sejam eles consumidores finais ou empresas. Estamos falando de condomíniosprédios e pequenos estabelecimentosque passarão por renovação de suas estruturas. Estes projetos apresentam grande valor agregado, pensando em construções novas cabeadas e sem fio.

Como oferecer
 

Se o preço de automações de grande porte está fora do alcance de seu cliente final, é importante oferecer a alternativas dos sistemas wireless. Através de seus recursos é possível oferecer automação que, em longo prazo, aliviará os gastos terceiros destes públicos. Neste caso, não falamos apenas de custos recorrentes como energia elétrica e água, mas gastos com planos de saúde, medicações e mobiliário residencial adaptado.

É preciso convencê-los da vantagem do custo-benefício da automação associada à usabilidade, de forma pragmática e inclusiva. A capacidade sustentável dos sistemas, por si, só atrai clientes, mas é necessário compreender que a qualidade de personalização é o diferencial. Um dos maiores erros das empresas que desenvolve produtos em geral para o silver market é encará-lo de forma homogênea.

Lembre-se das vantagens oferecidas pelo desenvolvimento de projeto integrado focado no cliente. Portanto, é preciso uma compreensão ainda maior caso por caso. Cada tipo de cliente, terá limitações e demandas individualizadas. Isto se aplica em sua capacidade de uso de interfaces, entendimento fácil dos controles de comandos e mobilidade.

Uma domótica assistiva têm de atender aos recursos de design universal, em primeiro lugar. Este conhecimento advoga que o espaço deve ser organizado por si só, sem necessidades de adaptações exclusivas e especiais. Um produto de design universal atende todos os públicos de maneira satisfatória, e segura. Logo, os dispositivos da automação (sensores, atuadores, módulos) fazem valer, pela ubiquidade de seus recursos, a boa distribuição das funcionalidades da residência. Isto sem ressaltar toda capacidade de customização estética da casa oferecida, através do uso de luminotécnica avançada.

Além disso, este será um elemento decisório no levantamento de interfaces e desenvolvimento de aplicativos. Seu cliente tem limitações para uso de tecnologia mobile? Talvez o uso de speakers como Amazon Echo e o Google Home sejam mais apropriados. Neste caso, não será preciso apenas recorrer as entrevistas – com usuários, cuidadores e responsáveis legais – mas pensar a interação espacial. Um recurso interessante são mapas comportamentais, elaborados de acordo com a interação dos usuários através de cômodos e entradas.

Wireless
 

A flexibilidade oferecida pelos sistemas wireless vêm ao encontro de diversas necessidades destes públicos, principalmente segurança em casa e mobilidade. Sobretudo, pela redução de deslocamentos pela residência e monitoramento de áreas internas que proporcionem riscos ao usuário. As quedas ainda são um dos maiores fatores de lesões e óbitos de idosos.

Outra opção a ser ressaltada, é venda limitada a certos subsistemas domóticos, com progressiva incorporação de novos recursos. Esta opção, centralizada no controle de dois ou três sistemas, é atrativa para integradores e clientes. No entanto, dependerá da habilidade comercial e técnica do integrador e a capacidade das linhas de produto que ele representa.

Por exemplo, o Minibox Wi-Fi possui compatibilidade para dimerização, controle de cargas em áudio e vídeo, ar-condicionado e motores tubulares. A vantagem de linhas completas provém também dos controles de cenas e monitoramento, que pode ser interessante a estes públicos. Com o ajuste de múltiplos comandos em um único cenário, todo o ambiente é modificado com pouca interação ao aplicativo.

Não menos importante, considere a prestação de serviços associados ao monitoramento destes sistemas em auxílio ao usuário. É possível criar serviços de atendimento diferenciados, mais recorrentes, para medir o desempenho de subsistemas com maior frequência, oferecer e instalar novos dispositivos.

Integradores
 

A automação inclusiva começou a ser explorada no país, porém as soluções nacionais já oferecem os atributos necessários para construção de projetos eficientes para este público. Embora os países desenvolvidos – sobretudo na Europa, onde a população idosa é cerca de 17% – estejam avançados no conceito de design universal aplicado aos espaços e produtos, ainda é preciso grande incorporá-lo totalmente ao cotidiano dos consumidores.

No Brasil, a fragilidade de regulação no cumprimento de normas técnicas de residências e em espaços públicos pelo estado levará a buscar novas alternativas. É nesta hora, que o integrador de sistemas atuará promovendo a automação como opção viável em custo-benefício e comodidade. Independente da extensão da automação, o desafio do profissional é projetá-lo de forma personalizada e integrada.

Cabe ainda, ressaltar que acessibilidade e sustentabilidade são conceitos básicos da Domótica e que se valorizam conjuntamente. Na Neocontrol, produzimos soluções de baixo impacto ao meio ambiente e que potencializam a capacidade de nossos usuários finais. Assim, acreditamos que reinventar o conceito de morar pela automação é também incluir indivíduos trazendo bem-estar e conforto ao seu cotidiano. Ao integrador, cabe compreender estes princípios em sua área profissional e praticá-los para aumentar sua lucratividade.

 
*Artigo publicado originalmente pela Neocontrol. Leia o original aqui.

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