Crise abre oportunidades para empreendedores

 Por Andrea Vialli*

Em tempos de crise, abrir um negócio próprio continua sendo a grande aposta dos brasileiros em dificuldades financeiras. “O gatilho do empreendedor no Brasil ainda é o desemprego. As pessoas criam seu próprio negócio mais em razão de uma situação difícil do que por visão de mercado. Mas isso está mudando”, diz Carlos Miranda, sócio da consultoria Ernst & Young e coordenador de uma premiação sobre empreendedorismo. “O carrinho de cachorro-quente perde espaço e entra em cena a empresa de engenharia, de tecnologia, o produto com valor agregado.”

O casamento entre a necessidade de abrir um negócio e a oportunidade de mercado já se reflete na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2008, que mede o empreendedorismo no mundo. O número de brasileiros que empreendem por oportunidade já supera os que empreendem por necessidade. Para cada brasileiro que empreende “por necessidade”, há agora dois empreendedores “por oportunidade”. “As duas coisas começam a caminhar mais juntas”, diz Miranda.

Vocação
André Rezende, diretor da Prática Technicook, empresa que produz fornos para restaurantes, empresas de food service e panificadoras, conhece esse caminho. “Sou empreendedor por vocação e necessidade”, diz. Em 1991, se viu diante do espólio de uma empresa familiar que não prosperou. Criou daí uma empresa que produzia mobiliário em aço para escritórios, mas a falta de um diferencial para o produto fez a pequena empresa definhar.

Em uma tentativa de diversificar a produção, fez um forno elétrico para panificação. A novidade estava no consumo menor de energia, que se tornou essencial quando veio a época do apagão, em 2001.

“Na época, o mercado de fornos para gastronomia e panificação era dominado por multinacionais. Descobrimos um nicho”, diz Rezende. Hoje a empresa sediada em Pouso Alegre (MG) cresce 40% ao ano e faturou R$ 41 milhões em 2008.

O engenheiro Wilson Poit, diretor da Poit Energia, empresa paulista de geradores elétricos, já enfrentou várias crises. “Sou um empreendedor em série. Já tive três outras empresas, todas ligadas à engenharia”, diz.

Com a Poit, agregou serviços ao negócio de aluguel de geradores elétricos, além de inovações como o gerador elétrico silencioso e a biodiesel. A empresa, que tem dez anos de mercado, cresceu 80% em 2008 e deve faturar R$ 80 milhões em 2009. A atual crise não deve atrapalhar. “Estamos sendo procurados por empresas que iam investir em geradores próprios e agora desistiram. Para nós, é oportunidade.”

*Publicado em O Estado de S.Paulo (31/03/09)

Deixe uma resposta