E então, você se considera um gerente ou um líder?

Por D. Craig McCormack

        Vivemos numa era em que quase todo mundo que já atingiu certa idade possui a palavra “gerente” em seu currículo. Mas, quantos desses profissionais de fato demonstraram capacidade de liderança, ou mesmo potencial para isso?

        Frequentemente, pessoas que definimos como “líderes” acabam se mostrando nada mais que “gerentes”. A diferença pode parecer sutil, mas para aqueles que são comandados ou gerenciados ela se torna profunda. Participei recentemente de um debate sobre essa questão provocante. Deveríamos estar agora procurando pela próxima geração de lideranças, mas será que possuímos as pessoas certas, e os elementos certos, para atraí-las?

        “O organograma pode mostrar alguém como líder, mas o líder verdadeiro pode ser outra pessoa”, comentou um dos debatedores, Tim Kennedy. “Você não precisa ser um ‘gerente’ para ser líder”. Estes têm maior foco nas pessoas e fazem  aflorar a paixão. Gerentes, por sua vez, são os que focam em objetivos, tarefas, prazos e orçamentos.

        Um chefe diz o que as pessoas devem fazer, enquanto um líder foca em como pode ser feito. Como lembra Kennedy: “Estimular a participação faz a equipe se sentir mais engajadas e dar mais atenção ao trabalho que precisa ser executado”. Se você acaba de ser promovido a uma posição de gerência, o que fará para incentivar o apoio das pessoas sob seu comando?

        Outro detalhe sobre liderança: esta não pode ser forçada, nem fingida, porque as pessoas percebem. Um líder sabe quando tem que passar orientações e quando precisa decidir por todos. Pode-se aprender técnicas de gerenciamento na escola, ou até lendo livros best-sellers, mas ser líder é algo que se traz naturalmente – ou você é, ou não é.

        Não significa que uma pessoa não possa se transformar em líder, mesmo quando ninguém esperava isso, mas certamente é uma raridade. O mercado de tecnologia nos EUA, assim como muitos outros, está repleto de eventos sobre liderança, como os da InfoComm, NSCA e USAV, por exemplo. Todos contam com grandes palestrantes que relatam como venceram obstáculos ou ajudaram outros a atingir o sucesso, às vezes até de forma inesperada.

Vou a esses eventos há mais de seis anos, e sei que os participantes geralmente saem empolgados pelas lições que aprendem ali. O que não sabemos é o que acontece depois dos eventos. Quantas daquelas lições de fato se transformam em ações? Podem existir alguns casos, mas certamente são exceções.

Encontrar uma nova geração de líderes é mais ou menos como identificar um craque de beisebol em meio a jogadores iniciantes. Há muita intuição nisso, mas analisando com atenção os números sobre seu desempenho técnico pode-se ter ideia do potencial de cada um. A partir daí, será necessário amadurecer aquele talento, inclusive tomando os cuidados para que ele não abandone a equipe e vá para um concorrente.

Só recomende que não se caia na armadilha de encarar um bom gerente como o futuro grande líder da empresa. Você irá se decepcionar se fizer essa confusão, e a empresa inteira irá sofrer.

*Artigo publicado no site Commercial Integrator. Clique aqui para ver o original.

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