Hollywood enfrenta um novo tipo de pirataria

Por Carl DiOrio

Consumidores que fazem download ilegal de filmes não são mais o grande pesadelo de Hollywood. Há uma ameaça mais séria: serviços de assinatura baratos, e igualmente ilegais. Empresas de vários países, muitas dirigidas pela máfia, atuam como agregadoras de filmes obtidos por meios irregulares e transferidos para algo chamado “cyberlockers”; estes são sites de armazenamento mantidos por indivíduos para uso próprio.

Essa versão lucrativa do fenômeno vem gerando o surgimento de sites aparentemente honestos, que vendem quantidades ilimitadas de filmes em arquivos digitais por até 5 dólares mensais. “Os cyberlockers já são o método preferido pelos consumidores para desfrutar de conteúdo pirata”, diz o diretor do estúdio Paramount, Fred Huntsberry. Falando em Amsterdam para uma plateia de centenas de proprietários de cinema europeus, Huntsberry detalhou a evolução da pirataria profissional.

O executivo explicou que, normalmente, os filmes de Hollywood são comercializados por esses sites poucos alguns dias após seu lançamento nos cinemas. Com o advento dos lançamentos globais (filmes que entram em exibição em vários países ao mesmo tempo), já é comum surgirem versões até mesmo dubladas em diversos idiomas. No início, muitos desses títulos aparecem em cópias feitas com filmadoras dentro dos próprios cinemas. Mas, quando os filmes são lançados em DVD ou Blu-ray, os sites melhoram a qualidade de vídeo, que chega a ser idêntica à das cópias em disco.

Os cyberlockers operam em países como Russia, Ucrânia, Colombia, Alemanha e Suíça, sendo que muitos até vendem publicidade digital para grandes anunciantes, como KFC e Netflix. “Às vezes, esses sites têm aparência até melhor do que os legítimos”, diz Huntsberry. “E essa é a ironia”. Agências de publicidade geralmente colocam anúncios em nome de clientes que mandam retirá-los ao ser notificados por representantes dos estúdios, explicou o executivo.

Segundo ele, esses serviços vêm se sofisticando. Já existem consumidores baixando os filmes diretamente em TVs que se conectam diretamente à web, dispensando o uso de um computador. “Mas o público precisa saber que junto com essa comodidade vem o risco de ter roubados os dados de seus cartões de crédito, além dos já conhecidos problemas de contaminação por vírus”.

Para enfrentar o problema em larga escala, a indústria de cinema tenta atuar localmente, criando campanhas em cada país para que haja leis mais duras contra a pirataria. Mas esse esforço ainda tem um longo caminho pela frente. “No Reino Unido, por exemplo, a legislação é muito fraca, diz Phil Clapp, presidente da Associação dos Exibidores de Cinema.

Os britânicos aprovaram recentemente o Digital Economy Act, semelhante à lei francesa, que tenta coibir o chamado “roubo cibernético” (cybertheft). Consumidores apanhados pirateando recebem um e-mail de advertência, depois cartas formais, e aqueles que insistirem na prática correm o risco de perder acesso à internet por determinado período. Mas a França é um dos poucos países europeus com uma lei contra a prática de filmar dentro do cinema.

Artigo publicado pelo The Hollywood Reporter em 21/06/2011

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