Interatividade chega à TV digital

Por Renato Cruz*
O software de interatividade Ginga é a única tecnologia genuinamente nacional da TV digital nipo-brasileira, que estreou no País em 2 de dezembro de 2007. Até agora, não está disponível comercialmente. Mas, depois de meses e meses de resistência e contratempos, está finalmente pronto, com a norma publicada, os produtos desenvolvidos e a adesão das emissoras, que começaram a ver no Ginga uma maneira de aumentar a receita e de enfrentar a concorrência dos serviços interativos, como a internet.
“Consideramos a interatividade como um conteúdo que será tão importante em alguns anos como o vídeo o e o áudio são hoje para nossos telespectadores”, afirmou Raymundo Barros, diretor de Engenharia da TV Globo São Paulo. “Entendemos a interatividade com uma excelente ferramenta para aumentar a atratividade de nossos conteúdos.”
Pouca gente viu (já que os equipamentos com o Ginga completo ainda não estão no mercado), mas as grandes redes já têm interatividade no ar. A Rede Globo, por exemplo, transmite uma aplicação que acompanha a novela “Caminho das Índias”, que traz informações que são como extras de DVD.
“Temos cinco redes e pelo menos cinco empresas de software que já desenvolvem aplicações interativas”, afirmou Frederico Nogueira, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que reúne emissoras, indústria e governo. “Em setembro, deve chegar ao mercado o primeiro televisor com receptor embutido e o Ginga.”
A especificação técnica do Ginga foi finalizada em abril. A publicação da norma demorou bastante porque, entre outros problemas, os pesquisadores brasileiros descobriram que a primeira versão do software exigia o pagamento de royalties internacionais pouco antes do lançamento da TV digital no Brasil, há quase dois anos. As emissoras testam conversores com o Ginga completo de fabricantes como LG, Tecsys e Visiontec.
Vinte e duas cidades brasileiras já têm transmissões de TV digital, o que equivale a uma população de 57 milhões de pessoas. Segundo as estimativas do Fórum, foram vendidos cerca de 1,6 milhão de receptores de TV digital, o que inclui conversores, televisores com receptor integrado, televisores portáteis, receptores para computador e celulares com recepção digital.
Apesar de o Fórum não divulgar dados separados por tipo de equipamento, a mobilidade foi, até agora, o principal atrativo da TV digital brasileira, com uma procura maior de celulares e receptores para computador do que de conversores. Cresce o número de modelos de aparelhos de TV com receptor embutido, o que deve acelerar a adoção.
“Esperamos que, em 2010, sejam vendidos 1 milhão de TVs e conversores com interatividade”, afirmou David Britto, diretor técnico da TQTVD, empresa especializada em software para TV digital. Esses equipamentos podem ser ligados em redes de banda larga ou modems de celular de terceira geração (3G), permitindo que o espectador envie informações para a emissora.
Quando a TV digital foi lançada no País, o principal atrativo era a alta definição, que oferece uma qualidade de imagem maior do que a analógica, adequada para os televisores de tela grande de LCD ou plasma. Acontece que esse tipo de aparelho ainda é inacessível para a maior parte da população, que não viu vantagem na adoção da tecnologia.
A ênfase na alta definição foi uma opção dos radiodifusores, pois, entre as características da TV digital era a que trazia potencial de mudança no mercado. Logo eles perceberam, no entanto, que a alta definição exige um investimento que não se traduz em aumento de receita publicitária. “A alta definição não traz essa oportunidade”, reconhece Nogueira, do Fórum SBTVD.
A mobilidade, com a recepção de TV digital aberta nos celulares, foi enxergada como uma vantagem pelos consumidores. Apesar de ainda essa audiência não ser medida, também representa um potencial de ampliar o faturamento, pois pode trazer para a televisão espectadores que estão fora de casa.
A interatividade também tem potencial de aumentar receita, com serviços como comércio eletrônico via televisão e publicidade diferenciada.
*Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo, em 23/08/09.

Por Renato Cruz*

O software de interatividade Ginga é a única tecnologia genuinamente nacional da TV digital nipo-brasileira, que estreou no País em 2 de dezembro de 2007. Até agora, não está disponível comercialmente. Mas, depois de meses e meses de resistência e contratempos, está finalmente pronto, com a norma publicada, os produtos desenvolvidos e a adesão das emissoras, que começaram a ver no Ginga uma maneira de aumentar a receita e de enfrentar a concorrência dos serviços interativos, como a internet.

“Consideramos a interatividade como um conteúdo que será tão importante em alguns anos como o vídeo o e o áudio são hoje para nossos telespectadores”, afirmou Raymundo Barros, diretor de Engenharia da TV Globo São Paulo. “Entendemos a interatividade com uma excelente ferramenta para aumentar a atratividade de nossos conteúdos.”

Pouca gente viu (já que os equipamentos com o Ginga completo ainda não estão no mercado), mas as grandes redes já têm interatividade no ar. A Rede Globo, por exemplo, transmite uma aplicação que acompanha a novela “Caminho das Índias”, que traz informações que são como extras de DVD.

“Temos cinco redes e pelo menos cinco empresas de software que já desenvolvem aplicações interativas”, afirmou Frederico Nogueira, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que reúne emissoras, indústria e governo. “Em setembro, deve chegar ao mercado o primeiro televisor com receptor embutido e o Ginga.”

A especificação técnica do Ginga foi finalizada em abril. A publicação da norma demorou bastante porque, entre outros problemas, os pesquisadores brasileiros descobriram que a primeira versão do software exigia o pagamento de royalties internacionais pouco antes do lançamento da TV digital no Brasil, há quase dois anos. As emissoras testam conversores com o Ginga completo de fabricantes como LG, Tecsys e Visiontec.

Vinte e duas cidades brasileiras já têm transmissões de TV digital, o que equivale a uma população de 57 milhões de pessoas. Segundo as estimativas do Fórum, foram vendidos cerca de 1,6 milhão de receptores de TV digital, o que inclui conversores, televisores com receptor integrado, televisores portáteis, receptores para computador e celulares com recepção digital.

Apesar de o Fórum não divulgar dados separados por tipo de equipamento, a mobilidade foi, até agora, o principal atrativo da TV digital brasileira, com uma procura maior de celulares e receptores para computador do que de conversores. Cresce o número de modelos de aparelhos de TV com receptor embutido, o que deve acelerar a adoção.

“Esperamos que, em 2010, sejam vendidos 1 milhão de TVs e conversores com interatividade”, afirmou David Britto, diretor técnico da TQTVD, empresa especializada em software para TV digital. Esses equipamentos podem ser ligados em redes de banda larga ou modems de celular de terceira geração (3G), permitindo que o espectador envie informações para a emissora.

Quando a TV digital foi lançada no País, o principal atrativo era a alta definição, que oferece uma qualidade de imagem maior do que a analógica, adequada para os televisores de tela grande de LCD ou plasma. Acontece que esse tipo de aparelho ainda é inacessível para a maior parte da população, que não viu vantagem na adoção da tecnologia.

A ênfase na alta definição foi uma opção dos radiodifusores, pois, entre as características da TV digital era a que trazia potencial de mudança no mercado. Logo eles perceberam, no entanto, que a alta definição exige um investimento que não se traduz em aumento de receita publicitária. “A alta definição não traz essa oportunidade”, reconhece Nogueira, do Fórum SBTVD.

A mobilidade, com a recepção de TV digital aberta nos celulares, foi enxergada como uma vantagem pelos consumidores. Apesar de ainda essa audiência não ser medida, também representa um potencial de ampliar o faturamento, pois pode trazer para a televisão espectadores que estão fora de casa.

A interatividade também tem potencial de aumentar receita, com serviços como comércio eletrônico via televisão e publicidade diferenciada.

*Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo, em 23/08/09.

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