Internet de 1 mega a R$35 não é vantagem

Por Ricardo Zee Berezin
No acordo assinado entre o governo e as operadoras na última quinta-feira (30/06), por conta do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), três das principais especificações quanto à oferta do serviço foram delimitadas: velocidade (1Mbps), limite de download mensal (300MB) e, enfim, preço (35 reais ao mês).
A primeira polêmica foi suscitada pela banda insuficiente a ser entregue. De fato, ela é superior ao que grande parte da população brasileira tem acesso. No entanto, esta continuará carente, pois só passará a ser contemplada com o devido investimento em infraestrutura. Prazos e montante quanto a isso, porém, ainda não foram detalhados. A previsão é que em três meses os novos planos comecem a ser oferecidos exclusivamente nas praças em que as operadoras já atuam, o que não é grande vantagem.
Portanto, a principal aspiração do PNBL – levar a internet para pessoas que ainda não a acessam – por enquanto parece uma realidade distante. A curto prazo, pode favorecer a redução dos valores cobrados pela banda larga nos centros em que já existe, mas, mesmo nesse caso, o impacto não deverá ser grande – e se assim for, será de maneira inversa. A Telefônica, por exemplo, disponível em quase todo o Estado de São Paulo, oferece, por 29,80 reais, acesso de 256 Kbps – taxa que equivale a 25% da do pacote que se comprometeu a vender ainda este ano. Mesmo para essa modesta banda, o limite de download mensal é de 10GB – 34 vezes maior que o pretendido pelo governo.
A empresa espanhola, no entanto, vende promocionalmente um plano de 1 Mbps por 39,90 reais, com consumo de dados ilimitado. Teoricamente, o abatimento deixaria de ser oferecido – a promoção era válida até a última quinta-feira (30/06) – mas, segundo a empresa, o preço especial se manterá por tempo ilimitado.
O Virtua, da Net, possui um pacote chamado Internet Popular. A velocidade é de 512 Kbps e a cota é de 10GB; sai por 29,80 reais. Funciona não só em São Paulo, mas também em Belo Horizonte e Porto Alegre, por exemplo. Já no Estados de Rio de Janeiro, Bahia, Amazonas, Mato Grosso do Sul, enfim, em quase todo o Brasil – pelo menos nas capitais – há o Velox, da Oi. Por 39,90 o cliente tem 1 Mbps e com franquia ilimitada. Mais dez reais e leva 2 Mbps.
Muitos foram pegos de surpresa com a quantia máxima de consumo mensal estipulada pelo governo. Os 300MB são equivalentes a cerca de 70 músicas ou dois vídeos de até 30 minutos com qualidade média – depois disso, o usuário terá de optar entre ter a velocidade de conexão reduzida ou pagar por megabyte adicional.
A questão, como se vê, é que essa quantia é bem inferior à média do mercado e poderá prejudicar a experiência do internauta. Outro problema a ser analisado é que, se a Oi e a Telefônica já oferecem planos superiores ao pacote que disseram que passarão a comercializar, como o acordo com o governo favorecerá a população?
Mais uma vez, deve-se destacar que a proposta do PNBL é fornecer banda larga a quem não a possui. Mas ainda não está claro como esse objetivo será alcançado – o Ministério das Comunicações só diz que sua meta é levar a internet rápida a todos os brasileiros até 2014. Em até 90 dias, a expectativa é que, quem já a tem em sua cidade, tenha uma opção a mais.
Essa opção, porém, é pouco atraente e poderá provocar um resultado inverso. Se ela não vier para adicionar e, sim, para substituir o pacote mais barato que as operadoras já vendem – o que não só é possível, como provável – a população estará trocando uma franquia ilimitada de dados por uma de 300MB. Tudo isso por um desconto de apenas 4 reais.
*Artigo publicado no IDG Now em 02/07/2011

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