Jornais buscam alternativas ao leitor eletrônico

Por Shira Ovide e Geoffrey A. Fowler

Editoras americanas de jornais e revistas estão se sentindo ameaçadas pelo lançamento do Kindle, o leitor eletrônico (e-reader) da Amazon.com que promete substituir a mídia impressa. E saem em busca de alternativas. Algumas editoras negociam alianças com fabricantes de eletrônicos que se proponham a lançar aparelhos concorrentes do Kindle, só que de acordo com as necessidades da imprensa.

    A maior queixa contra a “leitor portátil” da Amazon é a forma como a maior loja virtual do mundo está tentando vender o produto: agindo como intermediária na venda de assinaturas e controlando os preços. Outra reclamação dos editores é que o formato do Kindle não prevê a inserção de publicidade, limitando assim a principal fonte de renda da mídia impressa.

    Além disso, eles se queixam de que o custo do Kindle (US$ 359) impede a popularização do formato. Só para se ter uma idéia, o Wall Street Journal é o segundo jornal mais popular entre os usuários do aparelho, logo atrás do New York Times. E, no entanto, tem apenas 15.000 assinantes, contra uma circulação impressa de 2 milhões de exemplares por dia. A revista Fortune, cuja tiragem está na casa dos 866 mil exemplares, não conta com mais de 5.000 assinantes “eletrônicos”.

    Uma das principais cadeias de jornais e revistas dos EUA, a Hearst Corp (que publica os diários San Francisco Chronicle e Houston Chronicle e revistas como a famosa Cosmopolitan) associou-se à empresa FirstPaper para criar um software que dê suporte ao download de conteúdos de seus veículos. A idéia é produzir algum tipo de aparelho com tela grande e compatível com anúncios.

    O jornal USA Today, assim como o inglês Financial Times, fecharam acordo com a empresa Plastic Logic, que criou (e deve lançar em 2010) um tablet do tamanho de uma folha de papel carta cuja tela pode exibir páginas de livros, jornais e revistas. O aparelho utiliza a tecnologia da E-Ink Corp, a mesma por trás do Kindle, só que oferecendo aos editores a possibilidade de publicar também anúncios.

    A própria Apple, ao que se comenta, prepara um aparelho desse tipo, o que é visto com grande entusiasmo pelo mercado editorial. E a News Corp, que publica o The Wall Street Journal, estuda a possibilidade de investir num concorrente para o Kindle. Por trás de todas essas ações está a esperança de encontrar um mecanismo de distribuição que amplie o número de leitores e aumente a receita pela distribuição de notícias, dizem os editores.

    A discussão gira em torno de como cobrar pelo conteúdo eletrônico. Editores que começaram a distribuir seus conteúdos gratuitamente na internet agora se mostram arrependidos. E enxergam nos displays móveis – como smartphones e e-readers – uma chance de convencer o consumidor a pagar pelo contéúdo digital. “Esse canal pode ser tão revolucionário quanto foi a própria internet”, diz Rob Grimshaw, diretor de web do Financial Times.

    Executivos da Sony negam-se a comentar, mas sabe-se que a empresa também negocia com jornais e revistas uma parceria para fornecer conteúdo à nova versão do seu Reader, aparelho sem fio já à venda no mercado americano, mas que por enquanto só permite acesso a livros.
 
*Publicado no The Wall Street Journal em 05/05/2009

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