Música, agora no celular

Reportagem de Renato Cruz no Estadão do último sábado revela como está mudando o perfil do mercado brasileiro de música – seguindo, aliás, as tendências mundiais. Enquanto as vendas de CDs caíram para um terço do que eram em 2000, os downloads de música explodiram em 2007.

Vamos aos números. Em 2000, as gravadoras faturaram no Brasil em torno de R$ 900 milhões com a venda regular de discos. Esse número foi caindo ano a ano, chegando em 2007 a R$ 323 milhões. Ao mesmo tempo, o número de downloads (pagos ou não) só faz aumentar. O problema é que as gravadoras não ganham quase nada com isso, pois os sites pagos de música definitivamente não pegaram no Brasil – ao contrário dos EUA, por exemplo, onde o iTunes é campeoníssimo e já tem vários concorrentes.

Parece que não tem jeito mesmo: brasileiro quer tudo de graça e não se constrange em baixar músicas e filmes na internet, sem nem querer saber quem são os donos dos direitos. A propósito, uma observação que ilustra bem o caráter de nosso povo: se as vendas de CDs oficiais vem despencando, a quantidade de camelôs que se vêem nas ruas todos os dias parece que nunca para de crescer; e entre os principais produtos desses “comerciantes”, é claro, estão CDs e DVDs. Se há mais camelôs, é porque há mais gente comprando deles, certo?

Bem, mas isso é assunto para outro post. Voltando à questão dos downloads, um fenômeno interessante mostrado na reportagem é o crescimento dos celulares. A moçada cada vez mais baixa música direto para o celular, um setor onde, aí sim, as gravadoras podem lucrar. Nada menos do que 76% das compras virtuais de música em 2007 foram desse tipo; os outros 24% são os já tradicionais downloads da internet para o computador.

Conclusão: este é o futuro. Música no celular. É mais fácil e prático. Bem, ninguém aqui está discutindo bobagens como qualidade sonora, resposta de graves etc. Para essa galera, nada disso interessa. Esses são os novos tempos!

Para quem quiser ler o texto, aqui está o link.

Mais lenha na fogueira da Oi/BrT

Agora são as centrais sindicais, particularmente a CUT e a Força Sindical, que se rebelam contra o “negócio do ano”: a compra da Brasil Telecom pela Oi com verbas públicas, que comentei aqui na semana passada (leia abaixo).A Força informou que vai exigir da Oi o compromisso de não demitir nenhum funcionário após a fusão, se esta se concretizar, como quer o governo. “Ter demissão com dinheiro público é intolerável”, comentou o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva. As duas centrais pediram esclarecimentos sobre a transação ao BNDES, que está coordenando as negociações e de onde sairia a maior parte do dinheiro envolvido.

Segundo elas, o Banco garantiu que não haverá demissões, ao contrário, a nova empresa pretende contratar mais gente, para reforçar sua posição especialmente no mercado paulista, onde enfrentará as multinacionais Claro, Vivo e Tim. Além disso, o BNDES assegurou aos sindicalistas que os R$ 5,2 bilhões previstos para o financiamento não serão retirados de outros projetos de infra-estrutura que estão em andamento.

Dando um crédito de confiança de que as centrais sindicais estão sinceramente preocupadas com possíveis demissões (não dá para ter certeza disso), o fato é que o problema não é esse. Demissões, com certeza haverá, porque uma fusão dessas implica em reestruturação gerencial e reaparelhamento técnico – a menos que a idéia seja simplesmente tomar dinheiro do contribuinte e nada mais.

O problema, repito, é ir contra o interesse do consumidor, ao tirar de cena uma operadora (no caso, a BrT) que poderia tornar o mercado mais competitivo. O BNDES faria melhor se financiasse uma operação de reorganização da BrT para torná-la mais capaz de crescer e competir, com isso gerando mais empregos e melhores serviços.

Mas será que é esse o interesse do governo?

Para quem quiser entender melhor o mapa da telefonia celular no Brasil, recomendo o site www.teleco.com.br.

Darwin é o cara!

Continuo aprendendo muito com meu amigo Luiz Gravatá, jornalista, fotógrafo, blogueiro, agitador cultural, comunicólogo, etnólogo, mulherólogo… bem, deixa eu parar se não os elogios podem lhe subir à cabeça branca…
 
Gravatá tem, entre outras atividades, um dos blogs mais legais da internet brasileira, que se propõe a falar de tecnologia numa forma mais descontraída. É um verdadeiro banho de cultura e bom humor, artigos raros, como se sabe, hoje em dia no País. Num de seus últimos posts, ele recomenda o site “Great Books of The Western World”, onde estão compilados os trabalhos de dezenas de gênios da literatura mundial. A sugestão partiu de outro gênio, Millôr Fernandes, de quem, através de Gravatá, ganhei, autografado, o livro ´Todo Homem é Minha Caça´, dois anos atrás; não por mera coincidência, o colunista de Veja Diogo Mainardi lançou recentemente ´Lula É Minha Anta´, falando sobre vocês sabem quem…
 
Bem, o site indicado por Gravatá inclui ´A Origem das Espécies´, de Charles Darwin, um de meus ídolos, e o Gravatá vai fundo na história do homem, que se fosse vivo teria completado na semana passada (12/02) 199 anos. Só um detalhe que ressalta a genialidade de Darwin: o livro – que virou bíblia para cientistas, sociólogos, economistas e qualquer um que queira entender que diabos estamos fazendo aqui neste mundo – foi escrito por Darwin em apenas um dia!
 
Bem, passo abaixo o link para o blog do Gravatá, que traz muito mais a respeito, inclusive uma exposição que acontece agora no Rio sobre Darwin. E, é claro, recomendo o blog como fonte de informação e consulta constante para todos aqueles que queiram enriquecer seus conhecimentos – inclusive sobre tecnologia – sem perder o bom humor.
 
http://oglobo.globo.com/online/blogs/gravata/

Ponto extra continuará sendo cobrado

A Anatel deverá cancelar a norma que obriga as operadoras de TV paga a não cobrar pelo ponto extra de recepção, na residência do assinante. A norma, que consta do artigo 39 da resolução da Anatel sobre os direitos dos assinantes, deveria entrar em vigor em junho, mas a pressão das operadoras está fazendo o órgão repensar a idéia.
 
Segundo a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), 50% dos assinantes no Brasil mantêm pelo menos um ponto extra. Leio na Folha de S.Paulo que o recuo será explicado como “falha no texto da resolução”. A Anatel, em nota oficial, diz que nada está decidido, mas na prática sabe-se que está.
 
Na verdade, a confusão é entre ponto extra e ponto escravo, dois jargões da indústria de TV paga. O primeiro é aquele que exige a instalação de um segundo decoder para poder assistir aos programas em outro cômodo da casa, ou seja, enquanto sua esposa está vendo a novela na sala você pode assistir ao futebol no quarto (ou vice-versa). Ponto escravo é aquele em que o técnico da operadora simplesmente puxa um cabo do decoder, que está na sala, para um TV em outro cômodo, permitindo que duas pessoas compartilhem o mesmo sinal; neste caso, você e sua esposa são obrigados a ver o mesmo programa, ainda que em televisores diferentes.
 
Claro que não tem cabimento cobrar pelo ponto escravo, mas o ponto extra (que implica no uso de um segundo decoder) pode e deve ser pago à parte pelo assinante. Vejam a confusão que resulta de mais uma lei (no caso, norma técnica) mal escrita.
 
Para acessar o site da ABTA, clique aqui. http://www.abta.com.br/
Para acessar o site da Anatel, clique aqui. http://www.anatel.gov.br/

O fenômeno Tropa de Elite

Não costumo comentar aqui sobre filmes, mas é inevitável voltar ao fenômeno ´Tropa de Elite`, um dos mais inquietantes e provocativos dos últimos anos. Durante as duas últimas semanas, lendo a cobertura do importante Festival de Cinema de Berlim, achei que o filme não tinha a menor chance nessa competição. Praticamente toda a imprensa mundial – incluindo os influentes Variety e Le Monde, além dos principais jornais brasileiros – massacrou o filme, acusando-o de fazer a apologia da violência e de defender o preconceito contra as vítimas do crime, entre outras bobagens.

Bem, de duas uma: ou a chamada “grande imprensa” está perdendo sua influência, ou os profissionais de cinema estão querendo mesmo é provocar. ´Tropa de Elite´ ganhou o tão sonhado Urso de Ouro em Berlim e todo mundo teve que calar a boca, inclusive os críticos brasileiros que entraram nessa campanha.

Não sou crítico de cinema, e conheço bem poucos que vale a pena ler. Mas basta estar antenado com a situação do Brasil e do mundo para perceber que ´Tropa de Elite´ mexe com uma enorme ferida aberta na sociedade brasileira, que é o financiamento do tráfico de drogas pela classe média alta, que mantém seus consumidores. Em meio a tanto lixo cultural que vemos por aí, eis um filme que vale a pena ver, rever, comentar, debater e indicar.

Não vi os outros filmes que concorriam ao Festival, mas o pessoal de Berlim está de parabéns.

Agora é o fim, mesmo!!!

Na 6a. feira, os comentários circulando pela internet já eram de que a Toshiba iria jogar a toalha. O jornal norte-americano The Hollywood Reporter deu um furo mundial ao anunciar, em manchete, que a decisão estava tomada – era apenas questão de semanas para ser anunciada.
 
Mas no sábado a rede de televisão japonesa NHK deu a notícia no ar: executivos da Toshiba decidiram mesmo abandonar de vez o formato HD-DVD, diante dos prejuízos que a empresa vem acumulando ao subsidiar as vendas de players desse formato nos últimos meses. E neste domingo uma fonte da própria Toshiba, citada pela agência Reuters, confirmou tudo.
 
É, não tinha mais jeito. Depois que a Warner abandonou o barco, Paramount e Microsoft ameaçaram fazer o mesmo. Agora que três dos maiores revendedores do mundo (BestBuy, Wal-Mart e Netflix) também decidiram dar exclusividade ao Blu-ray, não restava mesmo alternativa à Toshiba.
 
Falta agora o anúncio oficial, mas será mera formalidade.

Para onde vão nossos bilhões?

Aliás, a forma como este governo vem administrando a área de telecomunicações em geral daria um belo livro de espionagem. Ou de mafiosos. Vejam o enrolado caso da compra da Brasil Telecom pela Oi. Todo dia a imprensa publica uma novidade cabeluda a respeito.
 
Claro que este não é o espaço adequado para detalhar o que está acontecendo. Sugiro aos interessados uma reportagem excelente de Daniela Moreira, que saiu esta semana no IDG Now (leia aqui). 

Há divergências entre os especialistas, mas o que importa – pelo menos a nós, consumidores e contribuintes – é o seguinte: o governo quer porque quer criar uma megaoperadora “brasileira” de telefonia, para competir em melhores condições com as multinacionais Telefonica (maior acionista da Vivo) e Telmex (dona da Claro e da Embratel). Para isso, armou um complicado esquema financeiro, em que os atuais donos da Oi (os grupos LaFonte e Andrade Gutierrez, este por sinal o maior financiador da campanha de Lula a presidente, e sócio do filho de Lula) receberiam dinheiro do BNDES para comprar a BrTelecom, que tem entre seus sócios o Citigroup e o megainvestidor Daniel Dantas.
 
Claro, não estamos falando de pouco dinheiro: o negócio todo passa da casa dos R$ 5,2 bilhões!!!
 
Bem, em qualquer país sério todo mundo acharia um escândalo usar dinheiro público para financiar uma operação como essa. Ainda mais considerando que os dois grupos beneficiados têm negócios com o governo (ou com o presidente e sua família) e que não estão propriamente entre os mais necessitados do País. Mas talvez seja ainda pior o fato de que se está dando um enorme passo atrás no processo de privatização das telecomunicações. Este teve suas falhas, com certeza, talvez até irregularidades – que o governo deveria investigar, mas não o faz.
 
Um dos erros foi justamente restringir a prestação do serviço de telefonia a duas ou três empresas, quando o consumidor deveria poder escolher entre cinco, seis ou dez! Em São Paulo, por exemplo, temos hoje três operadoras de celular (Claro, Vivo e Tim), com a perspectiva de entrada de uma quarta (Oi), que certamente ajudaria a melhorar os serviços e quem sabe baratear os custos. O que faz então o governo? Tenta concentrar ainda mais esse mercado, em vez de estimular a entrada de novos prestadores.
 
Pensando bem, usei lá em cima a palavra “escândalo”. Mas esta é insuficiente para definir o que está acontecendo.

Falta só um ano…

 Neste fim de semana, a rede de TV WNBC, dos EUA, exibe um documentário chamado “Get Ready for Digital TV”. É que daqui a exatamente um ano, em 18 de fevereiro de 2009, todas as emissoras americanos terão obrigatoriamente que interromper suas transmissões analógicas e passar a gerar somente sinal digital. As que não estiverem prontas para isso serão simplesmente tiradas do ar!
 
Pois é, lá essas coisas são pra valer. Há uma intensa campanha na mídia, sustentada em grande parte pelo governo, mas também pela indústria e pelas próprias emissoras, para informar ao consumidor como ele deve se preparar para essa mudança. Na verdade, esse processo teve início em 2003, quando as primeiras transmissões experimentais começaram em algumas cidades (como está acontecendo agora no Brasil) e foi fixada aquela data como o deadline final. Por sinal, também neste fim de semana, a FCC (equivalente à Anatel) está cortando todas as linhas de celular analógicas que ainda funcionam. A partir de agora, só celular digital.
 
Aqui, além de todos os problemas que já tivemos desde a fase de testes, quando se discutia qual dos três padrões era melhor (isso foi no já longínquo ano de 1998, ou seja, dez anos atrás), o início das transmissões está sendo problemático e a data fixada pelo governo para o final da transição (2016) parece coisa de ficção científica.
 
Aindo hoje, li na coluna de Sonia Racy no Estadão que o presidente Lula “determinou” que os fabricantes de celular incluam em seus novos aparelhos a capacidade de recepção do sinal de TV Digital. Ora, todo mundo sabe que esses modelos já existem e que custam mais caro do que um celular comum. Tem que ser assim. A demanda dos consumidores é que vai determinar, no futuro, quais aparelhos terão ou não esse recurso.
 
Só falta agora Lula e seu ministro das Comunicações dizerem, como no caso do conversor digital, que os fabricantes devem vender esse tipo de celular a R$ 100???

YouTube para crianças?

Falando em jovens, vejam que idéia legal teve a empresa Sesame Workshop, que detém os direitos da célebre série ´Vila Sésamo´. Leio no Tela Viva News que eles criaram uma espécie de rede virtual para crianças em idade pré-escolar. Usam as mesmas ferramentas do YouTube, como separação por assuntos e mecanismo de busca, só que num formato apropriado para essa faixa etária.
 
Os botões são grandes e a navegação é simplificada. Os pais podem ajudar na procura por temas de interesse dos filhos e estimulá-los a procurar tags como meio ambiente, jogos etc. A Sesame também criou a comunidade on-line Panwapa, que segundo André Mermelstein, do Tela Viva, seria uma espécie de Orkut para baixinhos. Estes podem criar personagens e trocar mensagens entre si, como já fazem milhões de adolescentes pelo mundo afora.
 
Resumo: as novas gerações estão começando cada vez mais cedo nessa brincadeirinha chamada tecnologia da informação.
 
Veja mais detalhes neste link.

A culpa não era dos estudantes

Este é o tipo de imbroglio que pode comprometer os responsáveis. Segundo a agência Associated Press, uma estatística divulgada em 2005 a respeito das perdas dos estúdios de cinema devidas à pirataria, foi manipulado pela MPAA (Motion Picture Asociation of America), a entidade que representa os estúdios.
 
A própria MPAA admitiu o erro. Três anos atrás, divulgou que 44% das perdas na venda de filmes deviam-se a downloads ilegais realizados por estudantes, que usavam as redes de banda larga das universidades norte-americanas. Lembro que, na época, a maioria dos especialistas aceitou os dados como naturais: afinal, o computador é hoje (e já era então) o principal passatempo dos estudantes nas horas de folga, ou até quando matam suas aulas.
 
Só que aqueles 44% eram, na verdade, 15%! A MPAA atribui a falha a “erro humano”, sem especificar o que isso significa (será que algum funcionário da entidade confundiu, sem querer, 15 com 44?). O caso repercutiu pesado nos meios universitários, já que a acusação passava a idéia de que todos os estudantes dedicavam-se a ficar baixando filmes ilegalmente. Mark Luker, vice-presidente da entidade Educause, que defende mais investimentos em educação, lembrou que a maioria dos estudantes não mora nas universidades; para ele, os tais prejuízos não passariam de 3%.
 
Nos EUA, onde já houve até gente presa por causa desse tipo de download, as universidades levam a sério o problema. Há hoje um grande esforço para criar mecanismos de controle nas redes usadas nas escolas. Sinceramente, não sei se esse controle é viável. Agora, culpar estudantes por um problema que é mundial – e envolve forças muito mais poderosas – francamente não dá…

No Rio, TV Digital só da Globo

A situação da TV Digital no Brasil continua mal parada. Se em São Paulo ainda há problemas com a recepção do sinal, no Rio a decepção pode ser maior ainda.
 
O governo confirmou o início das transmissões em abril, mas somente a Globo terá condições de fazê-lo (a data ainda não foi marcada). As demais emissoras não têm meios, nem equipamentos, nem pessoal, a esta altura, para gerar sinal digital com um mínimo de qualidade na capital fluminense.
 
O Ministério das Comunicações pretendia fazer no Rio uma festa igual à que houve em São Paulo no dia 2 de dezembro, com um pool de emissoras transmitindo pronunciamentos oficiais, mas o mais provável é que a Globo fique sozinha nessa iniciativa. Aliás, mesmo em SP, por pouco a emissora do Jardim Botânico não transmitiu a cerimônia com exclusividade, já que as demais não queriam arcar com os custos correspondentes. Agora, sabe-se por que.

Em SP, uma megaconvenção de vendas

    Não é a toda hora que se consegue reunir, num mesmo local, os maiores revendedores especializados do País para discutir o rumo de seus negócios e as tendências do mercado. Pois isso vai acontecer nos dias 3 a 5 de março, na cidade de Águas de Lindóia, por iniciativa da distribuidora Disac.
 
A empresa espera trazer à cidade balneária cerca de 250 revendedores, vindos de todas as partes do País, numa megaconvenção de vendas. Todos ficarão reunidos durante os três dias, no Hotel Vacance, para conhecer as novas linhas de produtos, participar de treinamentos e trocar idéias (o que sempre é produtivo).
 
Para quem não se lembra, a Disac já fez isso no ano passado, e o sucesso foi tão grande que decidiu repetir a dose este ano, com mais convidados e mais produtos para mostrar e demonstrar. Ou seja, o evento vai se tornando tradicional e entrando na agenda de todo mundo.
 
Parabéns às empresas que, como a Disac, têm iniciativas para unificar o mercado e promover o aperfeiçoamento dos profissionais.

Para os interessados, vale uma olhada no vídeo-convite, http://www.disac.com.br/convencao2008/video/ uma das novidades relacionadas ao evento, que promete mesmo ser muito original.

Lojas da Apple confirmadas no Brasil

 

Já está quase tudo certo para a inauguração da primeira loja Apple em São Paulo. A empresa californiana, que se transformou na principal grife da indústria eletrônica, fechou acordo com a rede Fast Shop para abrir duas lojas na capital paulista, nos shoppings Iguatemi e Market Place.
 
A primeira delas, no Iguatemi, deve abrir na segunda quinzena de março, seguindo o modelo de algumas que a Apple mantém nos EUA – embora não tão grande quanto a de Nova York (imagem acima), por exemplo. A empresa de Steve Jobs encara esse tipo de iniciativa como estratégica para reforçar a posição da marca como líder mundial em tendências tecnológicas.
 
Ao contrário da Samsung Experience, que funciona há mais de dois anos no Shopping Morumbi, também em São Paulo, as lojas da Apple não servirão apenas para degustação: vão, sim, vender toda a linha de produtos da empresa disponíveis no Brasil, e a preços competitivos com os dos demais varejistas.
 
Não, não tenho informação de que o iPhone estará à venda lá. Talvez o iTouch, que a meu ver é até um produto mais interessante.

Uma loja virtual especializada

Ponto para o pessoal de Porto Alegre que acaba de lançar o site www.plasmacenter.com.br. A proposta, inovadora, é manter uma loja virtual especializada em produtos para home theater e dar ao cliente um atendimento digno de loja especializada mesmo!
 
Detalhe: não vende produtos sem garantia, nem “made in Paraguai”. E você pode pedir orientação técnica detalhada na hora de fechar sua compra. E, por ser virtual, pode atender clientes em qualquer ponto do País.
 
Recomendo uma olhada nas ofertas e torço sinceramente para que dê certo. O mercado está precisando de mais iniciativas sérias e originais como esta.

Tudo mais simples, por favor

Interessante reportagem da revista norte-americana Electronic House mostra o que a indústria eletrônica está fazendo para tornar mais simples a vida dos usuários. Fugindo do lugar-comum da propaganda em torno da facilidade de operação (aliás, uma das expressões mais batidas do jargão técnico), o texto relata diversos casos de produtos que realmente inovam nesse aspecto.
 
Um dos melhores exemplos é o ajuste de imagem feito pelos fabricantes de TVs. Para exibi-los nas lojas, os TVs são ajustados com super-saturação, de modo a parecerem mais brilhantes que os concorrentes. Ao chegar em casa, porém, o consumidor que adquiriu aquele produto encontra uma imagem tão brilhante que, às vezes, nem consegue olhar para a tela. A empresa norte-americana Syntax-Brillian, que produz televisores com a marca Ölevia, criou um novo tipo de ajuste; basta apertar uma (só uma) tecla no controle remoto e o TV se ajusta automaticamente à iluminação ambiente.
 
Outra bela inovação nesse campo vem da THX, a célebre empresa criada por George Lucas nos anos 70 e que se tornou referência em áudio. A nova tecnologia lançada pela empresa (batizada de “Media Director”) permite que o TV ajuste automaticamente tanto o áudio quanto o vídeo, dependendo do tipo de programa que se esteja assistindo. Claro: filmes em Blu-ray exigem ajustes diferentes dos DVDs comuns. Uma constatação tão óbvia que cabe perguntar por que os fabricantes não pensaram nisso antes. Aposto que em breve a novidade estará disponível na maioria dos TVs.
 
Sempre defendi junto aos fabricantes a necessidade de simplificar tanto a operação e os ajustes como os próprios manuais de instrução. Infelizmente, são poucos os que de fato se preocupam com isso, mas é possível notar na indústria uma preocupação crescente com esse aspecto. Foi-se o tempo do timer do videocassete, que ninguém usava porque não conseguia programar. Não há mais volta: seja um TV ou um celular, um computador ou uma câmera, o mundo cada vez mais será dos aparelhos simples.
 
O consumidor com certeza vai agradecer.

Para quem quiser ler o texto na íntegra, aqui está o link:
http://www.electronichouse.com/article/coming_soon_self_calibrating_home_theaters/

Um ícone em crise

O Estadão desta 3a. feira publica que a Gradiente está pedindo mais um financiamento ao BNDES para ajudar a cobrir sua dívida, que seria de R$ 284 milhões. Parece que um fundo de pensões estatal iria assumir o controle da empresa, que segundo o texto simplesmente está sem vender nada há algum tempo (a fábrica de Manaus, onde trabalham 550 pessoas, está sem atividade desde agosto, e os funcionários em férias coletivas).
 
Para quem acompanha o mercado brasileiro de eletrônicos há quase 30 anos, é triste ler uma notícia como essa. A Gradiente se confunde com a História da indústria brasileira. Infelizmente, uma série de erros estratégicos ao longo de todos esses anos acabou levando à situação atual, e até ofuscando o fato de que a empresa foi pioneira em lançamentos como o CD, o receiver A/V e o próprio DVD. O fato de não possuir tecnologia própria certamente é um dos fatores responsáveis pela queda. Nos dias de hoje, ter que depender de terceiros para fornecimento de tecnologia é quase suicídio.
 
Voltaremos logo a este assunto, mas é importante lembrar também que, em seus mais de 40 anos de vida, a Gradiente acostumou-se a uma rotina de empréstimos governamentais que raramente acabam bem. Teve a benevolência de vários governos militares e, na era FHC, quando lhe faltou esse apoio, saiu em defesa de Lula e do PT. Foi premiada em 2003, com um empréstimo de R$ 100 milhões, que não evitou a crise atual.
 
Será que um novo empréstimo resolverá? Espero sinceramente que Eugenio Staub consiga reerguer sua empresa em bases sólidas, mas duvido que isso seja possível ancorando-se em dinheiro público.

Quando chegará o Ginga?

Pelo menos duas fontes do setor de televisão já me disseram que a tão aguardada interatividade digital não chega este ano na TV aberta. O Ginga, middleware escolhido pelo governo brasileiro para equipar os novos conversores (set-top-box), parece uma caixa preta – que nenhum fabricante pode (ou quer) destrinchar.
 
Primeira constatação: a maioria das emissoras não está preparada ainda para gerar sinal digital de boa qualidade. Não investiram em equipamentos de ponta, muito menos em técnicos capazes de operar esses equipamentos, o que exige muito treinamento, em alguns casos até mesmo levando esses profissionais para cursos no Exterior. A linha de crédito anunciada pelo BNDES para financiar a importação desses aparelhos continua apenas na promessa. O que não é de causar surpresa: os economistas que dirigem o banco sabem que esse tipo de empréstimo é de altíssimo risco. Se o dinheiro for mesmo liberado (no que não acredito), há o perigo de uma inadimplência colossal, já que a maioria das emissoras – Globo e Record talvez sejam as exceções – não consegue fechar suas contas.
 
Segundo ponto: a geração de sinal de TV via internet e via celular deve se popularizar muito mais rápido do que a transmissão convencional. As vendas de computadores não param de bater recordes, assim como as de celulares e as conexões de banda larga. Ou seja, vai ser muito mais fácil (e barato) utilizar a interatividade dessas mídias, e ninguém (ou muito pouca gente) vai querer esperar pelo tal Ginga, ou por qualquer outra ferramenta interativa para televisão aberta.
 
Terceiro: em qualquer lugar do mundo, interatividade custa caro. Alguém precisa pagar por ela. O único caminho, me parece, está na TV por assinatura. Fora disso, quem se habilitará a bancar essa brincadeira?

HDTV: um início complicado

Leio no UOL News que a Rede TV decidiu ser a primeira emissora do País a transmitir toda a sua programação em alta definição. Confesso que não sabia disso, até porque raramente assisto a essa emissora. Seria ótimo se pudesse ser verdade.
 
Mas a realidade é bem outra. A notícia diz que a emissora está enfrentando inúmeros problemas técnicos, com seguidas interrupções de sinal e falhas na qualidade da imagem que chega ao telespectador – inclusive aqueles que ainda têm equipamento analógico. A explicação seria que os funcionários ainda não dominam a tecnologia digital, levando-os a um grau de stress que beira a tensão nervosa.
 
O presidente da Rede TV, Amilcare Dallevo, que segundo a nota é engenheiro eletrônico e especialista nesse tipo de equipamento, decidiu que toda a programação seria levada ao ar em alta definição e não admite voltar atrás. Se for verdade, merece parabéns pela coragem. Mas também merece críticas pela ingenuidade: nem nos Estados Unidos ou no Japão, alguma emissora tentou fazer isso com apenas dois meses do início das transmissões.
 
Como sabemos, toda tecnologia nova leva tempo (e custa caro) para ser implantada e assimilada. No caso da Rede TV, o marketing acaba funcionando ao contrário, ou seja, além de não conseguir atrair novos telespectadores, a emissora ainda corre o risco de perder os atuais.

O Paraguai é aqui!

 

Na 1a. página do Estadão de hoje, uma foto muito ilustrativa: uma loja de Brasilia que vende produtos piratas!!! Pela foto, trata-se de um mega-camelô, com todos aqueles produtos que a gente encontra nas ruas de qualquer cidade grande.

Mas, por que a foto? Simples: é lá que uma funcionária do Palácio do Planalto se abastecia (ou abastece?) usando o tal cartão de crédito corporativo da Presidência da República. Você não leu errado. Segundo a matéria, o Portal da Transparência denunciou o uso irregular de mais essa mordomia, com o agravante que, entre as compras, incluem-se produtos piratas vindos do Paraguai – no caso, óculos de grife falsificados…

Pelo jeito, esse pessoal não aprende mesmo. O próprio presidente Lula já foi flagrado assistindo a uma cópia pirata do filme ´Filhos de Francisco`, lembram-se? Ministros e ministras já caíram porque exageraram na farra, depois que a imprensa os denunciou. E agora essa lama dos cartões corporativos!

Qual será a próxima que eles vão aprontar?

Para quem não viu a matéria, o link está aqui.

E para quem quiser ir mais fundo no assunto, a Folha de S.Paulo traz hoje outra matéria bem interessante: no governo do Estado de São Paulo, o uso dos tais cartões também já passou de todos os limites. Veja aqui.