TV aberta x TV paga: uma decisão polêmica

Uma estranha decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foi rebatida nesta quarta-feira. Estava para ser liberado o licenciamento conjunto das redes SBT, Record e Rede TV para as operadoras de TV paga, seguindo orientação do Superintendente do Cade, Eduardo Rodrigues. Mas a relatora Cristiane Schmidt votou contra, e agora o projeto terá de ser rediscutido, como informa o site Telesíntese.

Em resumo: as três redes querem poder negociar em conjunto para ceder seu sinal às operadoras, enquanto Globo e Band já negociam em separado. Com a TV analógica, isso não acontece: todos os canais devem ser distribuídos gratuitamente. Mas, no mundo digital, a legislação permite que as emissoras cobrem pelo sinal. Negociando em conjunto, as três teriam maior poder de barganha, o que – na opinião da relatora – seria uma ameaça não à Net ou à Sky, mas às pequenas e médias operadoras.

Na verdade, esse item da lei sempre foi polêmico, porque coloca as emissoras numa posição questionável: além de faturar com a publicidade que as sustenta, elas podem impor condições à TV paga; podem até impedir que seu sinal seja veiculado, embora seja difícil imaginar que alguma delas venha a cometer essa insanidade.

“Concorrentes não podem se juntar só para fixar preços”, ensinou a conselheira Cristiane, como se fosse necessário relembrar um dos mais consagrados anátemas do capitalismo. Sabe-se lá por que, a direção do Cade estava querendo autorizar a irregularidade.

Um enrolado negócio de US$ 6 bilhões

sharpNesta quinta-feira, o conselho diretor da Sharp Corporation finalmente concordou em aceitar a proposta feita pela taiwanesa Foxconn: cerca de US$ 6 bilhões para assumir o controle do grupo. As negociações vinham desde o ano passado, e nas últimas semanas o mercado concluiu que esse era o melhor caminho para salvar a marca japonesa e seu enorme patrimônio. Mas faltava a concordância do board, que teve uma importante ajuda do governo japonês, interessado em estancar essa agonia.

Infelizmente, diz o The Wall Street Journal, se esqueceram de um “pequeno” detalhe: o Foxconn pode voltar atrás. Há uma lista de aproximadamente 100 dos chamados “itens de contingência”, o que é comum nesse tipo de negócio. Além dos US$ 6 bilhões, os taiwaneses teriam que assumir dívidas que somam mais US$ 3,1 bi, o que não tinha ficado claro antes. Assim, o negócio pode não ser concretizado: a diretoria do Foxconn pediu mais tempo para pensar.

O acordo com a Foxconn foi confirmado pelo ministro da Indústria do Japão, Motoo Hayashi. Reproduzo abaixo os principais itens da reportagem do WSJ, baseada em “fontes próximas ao assunto”, como eles costumam identificar. Quem escreveu foram três correspondentes do jornal no Japão, que geralmente são muito bem informados:

“… Embora o Foxconn tenha prometido resolver a pendência rapidamente e fechar o negócio, essa reviravolta é simbólica de como são complexas as negociações quando um investidor estrangeiro deseja adquirir o controle de um grupo japonês, em disputa com setores do governo local, que formaram um fundo para que o país não perca uma de suas marcas mais veneradas.

“O negócio vem sendo observado de perto, não apenas por suas implicações políticas (o Japão costuma proteger suas empresas contra tentativas de compra por grupos estrangeiros), mas também porque marca o fim de uma geração tecnológica: fundada há 103 anos, a Sharp foi pioneira no desenvolvimento da televisão e das calculadoras de bolso; a Foxconn, que tem apenas quatro décadas de existência, cresceu e se tornou gigante de US$ 120 bilhões graças a sua eficiência na produção e montagem de smartphones.

“Até o mês passado, a Foxconn – que tinha o nome de Hon Hai Precision Industry – era vista na mídia japonesa como “azarão” na disputa pela Sharp, bem atrás do INC (Innovation Network Corp), fundo criado pelo governo local em 2009 com o objetivo de salvar empresas de tecnologia em dificuldades financeiras. Mas os executivos da Sharp foram convencidos pela Foxconn, particularmente por seu presidente e maior acionista, Terry Gou. Além de oferecer mais dinheiro, ele visitou pessoalmente as fabricas da Sharp no Japão, conversou com banqueiros e acionistas, e garantiu que não haveria demissões e que o controle da tecnologia permaneceria em mãos japonesas.

“Depois de longas negociações, que começaram em 2012, em 30 de janeiro último Gou se comprometeu também a manter a Sharp Corp intacta, ao contrário do INC, que pretende dividi-la em várias empresas. Mas o relacionamento entre  Foxcon e Sharp vem sendo turbulento, com os japonesas inclusive acusando Gou de “falsidade”, quando anunciou que tinha prioridade na compra.”

Apple pode ser concorrente do Netflix

A imprensa americana está divulgando que a Apple trabalha na produção de uma série em vídeo estrelada pelo cantor/produtor Dr. Dre. Teria o título de Vital Signs, com roteiro baseado na vida do artista, que saiu das ruas pobres de Los Angeles para se tornar astro do hip-hop (segundo a Forbes, foi o mais bem pago de 2014). O projeto é seguir o modelo Netflix: a série só poderá ser assistida através de dispositivos Apple, como iPhone, iPad, Apple TV e computadores Macintosh.

Claro que é um balão de ensaio, como já tivemos, no início de 2015, a notícia de que a empresa fundada por Steve Jobs lançaria um serviço próprio de streaming – projeto que acabou sendo engavetado. Mas faz sentido, porque os indicadores são de que o iTunes já não é mais o sucesso de antes. Em 2014, teve uma boa queda de vendas (ainda não há dados sobre 2015) e, afinal, o modelo de venda pura e simples de filmes e séries de TV tende a perder espaço (como já ocorreu no segmento de música). Há duas semanas, a Apple anunciou que não terá mais o serviço de gratuito de rádios online pelo iTunes, passando adotar o formato de assinaturas mensais (Apple Music).

Curioso também é que esse Dr Dre (cujo nome verdadeiro é Andre Young) foi o pivô de um processo judicial bilionário, que ainda corre na Justiça americana. O artista tinha assinado contrato em 2009 com a Monster, fabricantes de cabos, fones e equipamentos de som, para lançar os fones de ouvido “Beats by Dr. Dre”, que chegaram a fazer sucesso. Menos de dois anos depois, fundou uma empresa de nome Beats Eletronics e a vendeu para a Apple, em 2014, por US$ 3,2 bilhões – de quebra, Young tornou-se “CEO” da nova marca Beats by Dre. Ou seja, sócio da maior empresa do mundo. Nada mau!

Enfurecido, Noel Lee, fundador e presidente da Monster, que cansou de aparecer em fotos ao lado de Dre, quer agora uma indenizaçãoalegando que o cantor roubou dados técnicos estratégicos e não lhe pagou nem um centavo daqueles 3,2 bilhões.

Governo dos EUA incentiva OTTs

Tom Wheeler, diretor-geral da FCC (Federal Communications Commission), equivalente americana da nossa Anatel, anunciou na última segunda-feira o que muitos já previam: todo apoio aos serviços de vídeo online, conhecidos pela sigla OTT (over-the-top). O comunicado oficial propõe, por exemplo, “… derrubar as barreiras anticompetitivas e abrir caminho para softwares, dispositivos e outras soluções inovadoras concorrerem com os receptores que a maioria dos consumidores hoje aluga junto às operadoras.”

Não é uma mudança qualquer. A ser aprovada pela Comissão, a nova legislação permitirá que o usuário escolha entre ter um serviço de assinatura convencional, com a famosa caixinha (set-top box), e baixar aplicativos em seu TV, computador, tablet ou smartphone para ver os mesmos conteúdos. Na visão de Wheeler, todos os provedores de conteúdo – lá chamados MVPDs: Multichannel Video Programming Distributors – devem poder competir em igualdade de condições, tentando oferecer a melhor experiência ao usuário.

Pesquisa da FCC indica que uma família americana média paga 231 dólares por ano em serviços de TV, valor que vem subindo devido à falta de concorrência. A medida, se aprovada, não vai acabar com os atuais pacotes, nem forçar o cancelamento de assinaturas. E os conteúdos continuarão sendo bem protegidos – pelo menos, é o que promete Wheeler. Mas o acesso poderá ser feito via qualquer dispositivo, inclusive um TV Smart. E o consumidor poderá decidir o que lhe for mais conveniente.

Business Tech, a continuação

capa_central_3É mais ou menos como nas séries de cinema e televisão: encerrado o primeiro episódio, parte-se logo para o segundo com a proposta de fazer melhor. Nossa equipe está exatamente nessa fase da produção da Business Tech #2, que circula no final do mês. O #1 foi lançado em novembro, para surpresa de muitos que não acreditavam no projeto, apresentado em maio do ano passado, durante a feira TecnoMultiMedia InfoComm Brasil 2015. Agora, trabalhamos na edição de Fevereiro, mas já com um olho no #3, que sairá em maio próximo, a tempo para a edição 2016 da Feira.

Para quem não acompanhou, Business Tech é um projeto multimídia dedicado ao segmento de áudio/vídeo profissional e sistemas eletrônicos corporativos. Além da revista trimestral, que circula em versões impressa e eletrônica, o projeto envolve um website, uma newsletter e uma série de ferramentas de comunicações online, incluindo a distribuição de conteúdos via redes sociais. Procuramos levar informação qualificada aos profissionais desse mercado, com o apoio de marcas reconhecidas e que queiram ampliar sua visibilidade.

Quando se fala em “profissionais do mercado”, é preciso ampliar o conceito. Como se sabe, um projeto corporativo – seja numa escola, hospital, indústria, centro de convenções, sala de reunião ou de treinamento – exige a participação de vários especialistas. Trata-se de desenhar a área física, dimensionar a rede de cabeamento e comunicação, distribuição dos sinais (áudio, vídeo, voz e dados), controles, segurança, acústica etc. “Integrador” é a denominação genérica do profissional que reúne ou coordena tudo isso e que, portanto, precisa se manter atualizado com cada uma dessas tecnologias.

Business Tech – a revista e seus complementos multimídia – fala para esses profissionais, mas também para os usuários dessas tecnologias. Em alguns casos, eles são chamados CIO (do inglês chief information officer); em outros, são diretores ou gerentes de TI (do inglês IT = information technology); e há ainda o pessoal que realmente põe a mão na massa e trabalha no dia a dia com os equipamentos e sistemas integrados. São técnicos, cientistas, professores, médicos, engenheiros, arquitetos, construtores, consultores, administradores etc., que colhem os benefícios do uso da tecnologia e sabem, melhor do que ninguém, a importância dessas informações.

Todos são muito bem-vindos. Afinal, informação qualificada e confiável é a matéria-prima mais valiosa no mundo de hoje. E mais ainda no mundo corporativo. Comentários? Sugestões? Críticas? Troca de ideias? Este é o canal: [email protected].

TV 3D: agora é o fim?

3D TV

 

 

Saiu no site coreano ET News: Samsung e LG estão abandonando a produção de TVs 3D. A explicação é que o público já não se anima com esse recurso e que compensa mais destinar investimentos às tecnologias 4K e de realidade virtual. Nenhuma das duas empresas confirma oficialmente; as informações vêm de fornecedores, por exemplo, dos polêmicos óculos que afastam tantos usuários. Um representante da LG admitiu, porém, que a partir deste ano irá diminuir a produção de TVs 3D, até porque a quantidade de conteúdos nesse formato continua limitadíssima.

Faz sentido. As próprias fontes citadas concordam, como já comentamos aqui, que as imagens gravadas em 4K proporcionam tal nível de profundidade que às vezes podem ser confundidas com o 3D que se tem com os tais óculos. Agora, com aprimoramentos como HDR (High Dynamic Range) e WCG (Wide Color Gamut), veremos cada vez mais conteúdos envolventes, sem necessidade de óculos.

oculos ps4

 

Quanto à realidade virtual (VR), trata-se de outro segmento de mercado. Não tem tanto a ver com dispositivos como o da foto, cujo consumo comercial não deve ter grande expressão, mas com uma série de aplicações profissionais (medicina, por exemplo) e até científicas. Os fabricantes consideram esse um grande mercado potencial – bem maior que o 3D, enquanto este ainda depender de óculos.

Teles decidem ir à briga contra o governo

Tudo bem, no país das liminares nunca se tem garantia jurídica total. Mas, após uma intensa guerra de bastidores, as operadoras de telecom e TV por assinatura – hoje unidas num mesmo sindicato, o Sinditelebrasil – conseguiram nesta 3a. feira uma marcante vitória da Justiça. Um juiz de Brasilia concedeu liminar para livrar as empresas do pagamento da Condecine, taxa que serve para financiar os produtores de conteúdo nacional através da Ancine. É a primeira vez que se tem uma sentença desse tipo, desde que entrou em vigor a chamada Lei do SeAC, em 2011.

Claro, como toda liminar, esta pode ser derrubada a qualquer momento, mas o contexto hoje é bem diferente do que era quando a lei foi aprovada. As teles conseguiram convencer o juiz de que quem paga a Condecine, na prática, é o consumidor. Para cada celular ativado, por exemplo, a operadora precisa recolher à Ancine R$ 4,14 (o valor era de R$ 3,22 até outubro, quando a presidente Dilma Roussef autorizou reajuste). O recolhimento também é obrigatório quando a operadora monta uma estação rádio-base de banda larga fixa para atender a uma cidade de até 300 mil habitantes. São R$ 1.549 pagos por ano, por estação.

Somando tudo, a Ancine arrecadou em 2015 um total superior a R$ 900 milhões, somente até outubro (os dados do ano ainda não estão concluídos). Três anos atrás, houve um acordo entre as teles e o Ministério das Comunicações para que a Condecine fosse “embutida” no recolhimento do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), que rende ao governo cerca de R$ 5 bilhões por ano. Pela lei, esse dinheiro deveria ser reinvestido no setor, mas as pedaladas vêm roubando (qual seria a outra palavra?) mais de metade da quantia.

Agora, com a crise, as operadoras decidiram peitar o governo, principalmente depois que a presidente concedeu o reajuste. Pelo menos na opinião do juiz, não cabe aos usuários – via prestadoras de serviço – pagar essa contribuição, mas sim aos produtores de filmes e vídeos. O colega Samuel Possebon, do site Teletime, um dos que mais entendem do assunto no Brasil, destrinchou o tema neste artigo, mostrando que a decisão da Justiça pode ter várias consequências. Com certeza, a Ancine e o próprio Ministério irão recorrer. Justamente agora que ganhava corpo a ideia de sobretaxar Netflix, YouTube e outros serviços de vídeo online, o corte da Condecine causa pânico entre os produtores – especialmente aqueles que não conseguem (ou não querem) se sustentar sem verbas públicas.

Ainda vamos falar muito desse tema.

Blu-ray 4K, à venda a partir de hoje

sams bluray 4KA Samsung escolheu uma rede de lojas especializadas da área de Los Angeles para colocar à venda o primeiro player Blu-ray 4K (mod. UBD-K8500). Como antecipamos aqui, o aparelho (foto) chega junto com um primeiro lote de discos da distribuidora Fox, entre eles Perdido em Marte, sucesso atual nos cinemas, que foi filmado em 4K e já poderá ser assistido com a codificação HDR (High Dynamic Range).

A rede Video & Audio Center anunciou que terá o player nas prateleiras de suas quatro lojas nesta 6a. feira à tarde. O aparelho também toca discos Blu-ray convencionais, além de CDs e DVDs, fazendo upscaling para a resolução Ultra HD. Pode se conectar a redes Wi-Fi e acessar a internet via plataforma Smart da Samsung, embora um pouco limitada em relação às dos TVs Smart (são “apenas” 300 aplicativos). Preço de lançamento: US$ 399. Não foi anunciado, mas é quase certo, no entanto, que o produto estará à venda em outras lojas dos EUA na semana que vem.

Curiosamente, essa mesma rede de lojas anunciou parceria exclusiva com a LG para demonstrar, neste domingo, os novos TVs OLED 4K. Cerca de 150 clientes estão sendo convidados para assistir ao Super Bowl, a final do futebol americano, em telas de 65 e 77 polegadas que oferecem, sem dúvida, a melhor qualidade de imagem possível com a tecnologia atual.

Segurança de redes: a porta do Batman

obama amxUm pequeno escândalo estourou no final da semana passada no mundo da automação corporativa: aparelhos para controle de redes AV usados na Casa Branca e até nas Forças Armadas dos EUA contêm uma falsa porta de segurança, por onde hackers podem se aventurar. A denúncia partiu de uma empresa especializada da Áustria, que fez o estudo e apontou os responsáveis: a AMX, hoje maior fornecedora desse tipo de equipamento ao governo americano.

A notícia saiu no site Ars Technica e repercutiu em quase toda a mídia (não apenas a especializada). Claro que é assunto essencialmente técnico, mas as implicações políticas são de interesse público. O aparelho citado é um controlador da linha NetLinx, mod. NX-1200. Ao examiná-lo, técnicos da SEC Consult, que trabalha com redes, identificaram uma porta de comunicação que adiciona automaticamente uma conta privilegiada à lista de clientes com acesso autorizado. “Alguém com conhecimento de redes pode perfeitamente entrar por ali, reconfigurar um sistema inteiro e disparar ataques”, explicou um dos técnicos.

Verdade ou não, espalhou-se pânico entre centenas de empresas que também utilizam o aparelho. Para se ter ideia, a montagem acima saiu no site da CNN, fazendo o link com a já espinhosa questão da segurança nacional em tempos de internet: o presidente Obama e assessores estariam sendo “vigiados” por um aparelho desses!!!

Segundo o próprio site da AMX, entre os usuários do NX-1200 incluem-se nomes como 20th Century Fox, EDS, JD Edwards, Unilever, diversas universidades, hospitais e redes de hotéis ao redor do mundo – fora dezenas de órgãos governamentais. O estrago não seria pequeno se houvesse alguma invasão.

O problema maior, que a AMX até agora não esclareceu, é que a empresa foi avisada em março sobre a tal “porta secreta”, que tinha até um nome sugestivo: Black Window (“viúva negra”). A SEC, que havia solicitado correção da falha, esperou dez meses e, como não teve resposta, decidiu avisar oficialmente seus clientes e o mercado em geral. Em comunicado, AMX informou que havia instalado uma outra porta, chamada Batman, e que a denúncia não tem fundamento.

Mas o assunto continua sendo debatido entre profissionais da área.

Tendências para 2016: atenção, integradores

Como faz todo começo de ano, o site americano CE Pro apontou na semana passada as cinco principais tendências para 2016 em projetos eletrônicos residenciais. Quem puder ler o original, em inglês, com certeza vai acrescentar muito ao seu negócio e à forma de relacionamento com clientes e fornecedores. Nos próximos dias, publicaremos uma versão em português. Estou me referindo, é claro, a integradores e profissionais de projetos eletrônicos em geral. Com ou sem crise, estar informado e atualizado é cada vez mais essencial. Sim, são apenas tendências, não quer dizer que acontecerão de fato. Mas, partindo de especialistas como esses, e considerando que o mercado americano está aos poucos saindo de uma crise que devorou milhões de empregos, como a nossa agora, convém prestar atenção. Abaixo, um resumo:

1.Redes de baixa voltagem – É bom se preparar para o uso mais intensivo de equipamentos LV/DC (low-voltage/direct-current), que é como são alimentados todos os dispositivos de automação, roteadores, termostatos etc. Nos próximos anos, haverá uma enxurrada deles no mercado, sem falar (ainda) das baterias recarregáveis do tipo Powerwall, que vão demorar uns dois anos para atingir escala comercial. Isso combina com as redes elétricas PoE (Power over Ethernet), tendência que cresce em paralelo.

2.Distribuição de vídeo 4K – Pode parecer heresia falar disso no Brasil, onde nem o HD está totalmente implantado (vejam como está a transição da TV analógica), mas no Primeiro Mundo a distribuição de sinal com definição mais alta está em todas as conversas. Já não se discute mais se o 4K será realidade, apenas quando. E aqui não estamos falando da mera troca de display: está surgindo um ecossistema para dar suporte a essa tecnologia. Emissoras, produtoras de vídeo e estúdios de cinema já adotam 4K como rotina; serviços de streaming, como Netflix, YouTube e Amazon, estão aumentando a oferta de conteúdos em 4K; e ao longo deste ano teremos, enfim, os discos Blu-ray 4K.

3.De olho na porta – Já conhecem o Airbnb? Trata-se de um serviço online onde se pode alugar casas, apartamentos, vagas em pousadas, chácaras etc. diretamente com o proprietário. Existem similares, e todos crescem rapidamente, a ponto de já se desenvolver um subproduto: aumenta a demanda por sistemas de segurança eletrônicos, que podem ser um ótimo diferencial na hora de fechar um negócio como esse. Fechaduras e campainhas inteligentes, câmeras IP, cortinas e persianas elétricas e por aí vai.

4.Análise de áudio e vídeo – No caminho inverso da automação como conhecemos, devem surgir este ano os sistemas de análise de dados com base em informações de som e imagem. Microfones serão capazes de separar os sons e identificar, por exemplo, o choro de um bebê, o vazamento de um cano ou o barulho de um tiro; câmeras térmicas conseguirão detectar um rosto estranho, ou o risco de fogo. Parece coisa de espionagem.

5.Todo poder ao usuário – Essa não é nova: cada vez mais as pessoas querem ter controle sobre o que vêem e ouvem. Empresas como Crestron e Savant já oferecem dispositivos com essa finalidade, mas vem muito mais por aí. O segredo está na chamada “arquitetura” do sistema. Numa rede convencional, é complicado permitir que cada usuário altere as configurações na hora em que bem entende. A nuvem resolve o problema, centralizando todos os códigos de tal modo que, estando conectado, você tem mais poderes. Essa, aliás, é a palavra em inglês: empowerment.

Gigantes buscam energia sem fio

Já há alguns anos se fala em wireless charging, um conceito genérico para dispositivos que permitem a transmissão de energia por via magnética, sem necessidade de fios. Todo mundo que já ficou sem bateria no celular, notebook ou tablet sabe bem como essa é uma questão crítica; mais ainda hoje, com as pessoas querendo estar conectadas o tempo inteiro. Os cientistas sabem que é possível, sim, transmitir carga elétrica pelo ar, mas ainda não a custos comercialmente viáveis.

Nesta sexta-feira, o site Bloomberg Business revelou detalhes do plano da Apple para liderar esse segmento a partir do ano que vem. Citando fontes que não quiseram se identificar, a notícia diz que a Apple está trabalhando com parceiros, nos EUA e na Ásia, para lançar um sistema de recarga sem fio para iPhones e iPads em 2017. Lembra que Samsung, Sony e Google já colocaram algo do gênero no mercado, mas são soluções ineficientes: a quantidade de energia liberada depende muito da distância entre os aparelhos, o que acaba eliminando a vantagem da conveniência (fica mais prático usar o carregador tradicional ligado à tomada).

Se parece notícia velha, é porque a Apple registrou sua primeira patente para carregamento sem fio lá em 2010: era um processo de indução magnética a partir de um computador iMac; no ano passado, os primeiros iWatch da empresa vieram com recurso desse tipo, mas ainda exigindo distância curtíssima (alguns milímetros) para funcionar. Houve também uma tentativa de fazer a indução elétrica através da capa de alumínio do iPhone, usando ondas de RF, mas parece que não evoluiu.

wipowerBem, agora dois fabricantes importantes de chips – Broadcom e Qualcomm – estão anunciando novidades na área. Só pra variar, essa inovação por enquanto esbarra na multiplicidade de protocolos para fabricação dos aparelhos que permitiriam recarga elétrica sem fio (já são três padrões diferentes). Mesmo assim, a Broadcom informa ter desenvolvido o que chama de PMU (Power Management Unit), compatível com os três protocolos.

Já a solução da Qualcomm, chamada WiPower, seria baseada também num invólucro metálico do smartphone, com um chip interno se comunicando em frequência específica com a fonte de energia (não informa a distância necessária).

De qualquer forma, parece que estamos chegando perto.

Quem é que entende o Netflix?

narcosBarry Enderwick, um ex-executivo da Netflix, hoje consultor na área de mídia, escreveu há poucos dias que a maioria das redes de televisão americanas, e as empresas de mídia em geral, ainda não entenderam a verdadeiro revolução que está por trás desse serviço. Netflix, diz ele, não veio para competir com nenhum canal de TV, mas para “substituir” a própria televisão.

Exagero? Vamos lá. O artigo cita que o atual diretor de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, foi de certa forma arrogante ao afirmar que a série Narcos, se fosse exibida por uma emissora convencional, teria mais audiência do que Game of Thrones, hoje o maior sucesso da TV paga mundial. Narcos, como se sabe, é uma série bancada pela Netflix e só ali pode ser assistida. Sarandos não falou em números: a empresa não divulga quantas pessoas assistem a seus conteúdos. Por isso, logo foi contestado por dois executivos de emissoras, que acusam o serviço de “falta de credibilidade”.

O artigo original, em inglês, está aqui. Mas tomo a liberdade de reproduzir partes abaixo, lembrando que essa polêmica está apenas no início. Netflix é tão contestado nos bastidores da TV quanto é o Uber entre os taxistas, mas nada existe que possa ser feito a respeito. No entanto, é valioso analisar os dados utilizados pelos dois lados (o autor do texto claramente se coloca contra as redes de TV), e observar como estas planejam reagir.

“É interessante ver os executivos das redes de TV, ainda atrelados aos velhos métodos de medição, entrarem numa discussão do tipo o-meu-é-maior-que-o-seu. O que Sarandos fez foi simplesmente extrapolar a audiência do Netflix e tirar uma conclusão sobre o que isso significa para a audiência global. Mas esses caras não estão entendendo: só conseguem pensar em sucesso em termos de tamanho da audiência.

“O problema é que Netflix não é TV tradicional. As redes de TV, sim, precisam comprovar seus números e conhecer o perfil do público para poder cobrar dos anunciantes. Netflix não se baseia nesses critérios. Sua receita vem da venda de assinaturas, tanto faz se o público é mais jovem ou mais velho. Se esta ou aquela série é mais assistida por uma determinada faixa de pessoas, não faz diferença. Eles analisam se a série ou filme irá conquistar a atenção dos assinantes e levá-los a sugerir esse conteúdo a outros possíveis assinantes.

“Netflix não precisa que uma determinada série bata recordes de audiência.  Na prática, o serviço redefiniu o próprio conceito de “sucesso”. E está crescendo no mundo inteiro com conteúdos apropriados aos gostos individuais de seus assinantes.

“Graças ao uso inteligente dos dados dos usuários, Netflix está conseguindo não apenas produzir conteúdo original de boa qualidade, mas produzir uma incrível quantidade de conteúdos que estão disponíveis no mundo inteiro. Enquanto os executivos das redes discutem quem tem mais audiência na faixa de 18 a 49 anos (vejam aqui), Netflix está trabalhando em algo muito maior; não está tentando substituir este ou aquele canal, mas substituir a própria televisão.”

“Em tempo: infelizmente, não tenho mais nenhum vínculo, nem interesse financeiro, com a empresa Netflix.

TV Digital: switch-off fica para 2023…

Como se previa, saiu nesta 2a feira a portaria do Ministério das Comunicações adiando o prazo do switch-off, desligamento dos transmissores de TV analógica. A cidade-piloto de Rio Verde (GO), onde o cronograma deveria ter começado em novembro, fica agora com a data de 15/02; Brasilia vai para outubro; São Paulo e Rio aparecem com data de 2017, e todas as demais para 2018.

O documento saiu no Diário Oficial da União, mas do ponto de vista prático não tem  a menor importância: tudo depende ainda de um decreto a ser assinado pela presidente da República, que não tem data marcada. Daí porque o texto é vago e disperso, anulando outras cinco portarias anteriores do mesmo Minicom. Saiu apenas porque pressão é grande por parte das operadoras de celular 4G, que no ano passado pagaram R$ 5,85 bilhões pelas frequências da faixa de 700MHz, hoje ocupada pelos canais de TV analógicos (UHF). Ela têm toda a pressa do mundo.

Dentro do próprio governo, a data de 15/02 provoca risos… O pessoal de Rio Verde não deve ter grandes esperanças. No mercado, a ideia em discussão é fazer logo o switch-off em São Paulo, Rio e Brasilia, onde há maior interesse econômico (representam quase metade dos usuários do país), e deixar o restante para uma segunda etapa. Assim, essas regiões metropolitanas receberiam primeiro as novas redes de 4G. As emissoras concordam e já dão como certo que o cronograma só se completará por volta de 2023.

Mas essa é mais uma encrenca política, entre tantas, que o governo terá de administrar.

OLED Panasonic, feito pela LG

Retomando aqui as atrações da última CES, vamos comentar sobre a tecnologia OLED, que continua sendo uma espécie de “menina dos olhos” da indústria eletrônica. Já sabemos que a LG é a única grande fabricante investindo pesado nesses painéis orgânicos. Lançou alguns modelos de ótima qualidade em vários países e, na Coreia, está construindo a maior fábrica de OLED do mundo. A maioria dos demais parece não apostar, ou acha que o custo (ainda alto) não vale o investimento.

Quase todos os especialistas confirmam que esses TVs superam de longe os LED-LCDs, embora ainda haja dúvidas, por exemplo, em relação à durabilidade dos painéis, que precisará ser testada na prática – e isso leva alguns anos. Na CES, mais uma vez, a LG reinou soberana no campo dos TVs OLED, com a mais variada linha do evento. Ao contrário de alguns de seus modelos LED-LCD, os OLED contam com a homologação da Ultra HD Alliance, que comentamos na semana passada. São, portanto, TVs OLED 4K, uma combinação que – pelo menos na teoria – parece hoje insuperável.

LG oledOs modelos G6 e E6 (acima), exibidos em Las Vegas, além de um novo tipo de vidro (apenas 2,57mm de espessura), são os primeiros com painel que a empresa chama de Pixel Dimming: cada pixel que forma a imagem é controlado individualmente. Nos painéis atuais, são usados dois tipos de backlight: Edge-Lit, com leds nas bordas; e Local Dimming, com grupos de leds iluminando determinadas zonas do painel. Naturalmente, estes últimos apresentam melhor desempenho, mas o desafio dos fabricantes está no custo-benefício: quanto mais leds existirem, maior a quantidade de luz sobre os pixels.

No caso de TVs OLED, não há necessidade de backlight: cada led (portanto, cada pixel) emite luz própria, de intensidade bem mais alta. O que a Panasonic exibiu na CES, com razoável repercussão entre os experts, foi um TV OLED (mod. 65CZ950) cujo painel é fornecido pela mesma LG. Já tinha sido mostrado na IFA, em setembro, mas agora a empresa japonesa garante que não é apenas protótipo; chega ao mercado internacional por volta de abril (vejam a foto).

pana oled-A diferença para o concorrente coreano estaria, diz a Panasonic, no tipo de processamento de sinal, baseado em normas da THX e desenvolvido em conjunto com produtoras de Hollywood. O conceito, com nome comercial de 4K Pro, é adotar na produção desse TV recursos profissionais de correção de cores.

Taxi sem motorista está chegando

Was8763944Em tempos de Uber, com toda a polêmica que esse serviço já está causando mundo afora, a GM anunciou nos EUA uma experiência audaciosa. Vai financiar uma rede de taxis sem motorista na cidade de Austin, Texas. A gigante dos automóveis já colocou US$ 500 milhões no serviço Lyft, concorrente do Uber, mas no Salão do Automóvel de Detroit informou que a ideia é montar uma “rede controlada” de carros comandados a distância e que atinjam velocidade máxima de 30km/hora. Os veículos serão versões mais avançadas de modelos como Volt e Chevy, com eletrônica totalmente digital. “Se a pessoa estiver cadastrada no Lyft, o carro irá reconhecê-la antes mesmo de abrir a porta”, promete o presidente do serviço, John Zimmer, entrevistado pelo New York Times. “O carro já chega no endereço do solicitante com tudo ajustado, inclusive suas músicas preferidas para ouvir no caminho até o destino”.

Austin foi escolhida para esse projeto-piloto porque já é uma das cidades tecnologicamente mais desenvolvidas do mundo. Ali já estão instaladas empresas de primeira linha no setor, como Dell, Astrotech, Sonic Healthcare, Visa, Crytech, 3M, AMD, Qualcomm etc. Quase todo mundo que reside ou trabalha em Austin sabe (tem certeza) de que o futuro dos transportes passa por serviços de inteligência, com redes compartilhadas na linha do Uber e do Lyft. Dificilmente haverá na cidade algum protesto de taxistas contra a ideia.

Fabricantes se adaptam à nova realidade

Nesta quinta, o grupo TPV, dono das marcas Philips e AOC, anunciou que está fechando sua fábrica de monitores em Jundiaí (SP), onde trabalham cerca de 600 pessoas, e transferindo a produção para Manaus. Lá, deverão ser contratados 250 para aumentar o contingente atual de 800 funcionários, diz a empresa em comunicado.

É mais um efeito da recessão que cortou quase pela metade as vendas de eletrônicos entre 2014 e 2015. Curiosamente, a mesma Philips havia anunciado na semana passada que passa a produzir monitores de vídeo 4K em Manaus (detalhes aqui). Esse, no entanto, ainda é um mercado de nicho. Todos os fabricantes estão tendo que se adaptar à nova realidade, imposta pela economia. Esta tabela, atualizada até dezembro último, mostra como vem sendo a evolução do segmento de TVs no país, conforme os dados oficiais da Suframa.

Conselhão e os fundos de telecom

Não deixa de ser curioso que o governo tenha convidado o presidente da América Móvil, José Felix, para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que volta a se reunir no próximo dia 28, exatamente no momento em que se volta a discutir a questão dos fundos de telecomunicações. Felix, como quase todos os principais executivos do mercado, sempre foi crítico do mau uso desse dinheiro, já denunciado neste blog. Terá ele chance de mudar alguma coisa fazendo parte do “conselhão”?

Para quem não se lembra, o Conselho foi criado na época de Lula presidente (chegou a ter quase 100 integrantes). A ideia era reunir representantes de variados setores de atividade para refletir e apresentar sugestões ao governo. Já lá se vão 13 anos… Lembro de um conhecido, então executivo importante, que foi convidado, participou de duas ou três reuniões e diz que nunca conseguiu sequer trocar palavra com alguém do governo. Serviu, quando muito, para fazer espuma e roubar tempo de quem precisava trabalhar.

Não por acaso, o Conselho caiu em desuso após o Mensalão e demais denúncias de corrupção; com Dilma, nem houve mais encontros protocolares. Agora, que o governo precisa atrair os empresários, alguém surgiu com a genial ideia de reativá-lo. Faz lembrar a frase de um velho político mineiro: quando não se quer resolver um problema, basta convocar uma reunião.

Piadas à parte, um bom tema para discussão no grupo seria a gatunagem em cima do Funtel (Fundo Nacional de Telecomunicações) e do Fistel (Fundo de Incentivo ao Sistema de Telecomunicações. Denúncia do Tribunal de Contas da União, revelada ontem, indica que o desvio desses recursos – recolhidos a partir de cada conta de telefone, internet ou TV por assinatura para pelos usuários – é um dos mais “escandalosos” já apurados pelo órgão. Os dados do Tesouro e da Anatel a respeito não batem, e a diferença não é pequena. Os dois fundos foram criados, há quase vinte anos, para financiar investimentos na infraestrutura de telecom mantida pelo governo. Só que o dinheiro recolhido (há cálculos de que ultrapassa R$ 80 bilhões) foi surrupiado pelo Tesouro para outras finalidades.

Enquanto isso, os planos de expansão da banda larga e da TV Digital, para citar apenas dois, vivem sendo adiados por falta de dinheiro.

Japoneses estão na encruzilhada

Notícia desta quinta-feira no The Wall Street Journal revela detalhes de uma negociação para compra da Sharp Corporation pela taiwanesa Hon Hai (Foxconn). Negócio de US$ 5,3 bilhões. Um grupo de investimentos japonês, chamado INC (Innovation Network Corp), já tinha oferecido US$ 3 bi, mas os acionistas da Sharp relutam. A diferença em dinheiro é significativa, mas há pressões até do governo para que o grupo seja mantido em mãos japonesas. Uma decisão está prevista para dia 04/02.

É uma encruzilhada. Ceder o controle para um grupo de Taiwan bate forte no coração nipônico, até por razões históricas, ainda que a Hon Hai prometa não trocar a diretoria da Sharp. Ao mesmo tempo, os resultados financeiros são preocupantes. Em maio passado, a Sharp negociou um acordo com dois grandes bancos (Mitsubishi e Mizuno) para receber cerca de US$ 4 bilhões, dívida que deveria ser paga agora em fevereiro. Mas o ano fiscal, que fecha em março, aponta para um prejuízo na casa de US$ 1,5 bi. Como pagar?

Vale a pena ficar atento aos desdobramentos. Se os japoneses toparem ser incorporados pelo “inimigo”, outros acordos semelhantes virão.

Em tempo: a chinesa HiSense já adquiriu o controle da marca Sharp no mercado americano de TVs. Detalhes, aqui.

Audiência na favela? Quem mede?

Recém-instalada no Brasil, a gigante alemã GfK, especializada em pesquisas de audiência e análise de mercado, está começando a entender como as coisas funcionam aqui. Concorrente direta do Ibope, que reinou soberano durante décadas no setor de medição de audiência de TV, a GfK emitiu nota ontem desmentindo notícia do UOL sobre um suposto assassinato numa favela do Rio.

A nota, porém, não teve grande valia. O site confirmou com outras fontes que um morador da favela foi assassinado, com um tiro na cabeça, quando concordou que um funcionário da GfK instalasse em sua casa um aparelho medidor de audiência. O atirador seria um traficante que atua na região, onde – como em tantas outras localidades do país – impera o “gatonet”. O fato teria ocorrido em maio do ano passado, provocando a demissão do diretor da empresa no Brasil, Ricardo Monteiro.

Em tempo: para convencer emissoras a comprar seu serviço de pesquisas, uma das ofertas da GfK foi justamente a medição em favelas, prática que o Ibope recusa por motivos de segurança.