Amazon já tem sua “smart home”

Uma boa polêmica está surgindo entre os profissionais americanos de AV e automação residencial, após o lançamento do programa Custom Home Services, da todo-poderosa Amazon. A gigante da internet anunciou que irá cadastrar integradores certificados pela CEDIA e colocá-los como “sugestão” aos clientes que acessarem sua página Smart Home Services. A parceria dará à CEDIA e seus mais de 2.700 associados uma visibilidade jamais sonhada. “Era uma oportunidade boa demais para ser desperdiçada”, comentou o atual presidente da CEDIA, Dennis Erskine. 

Mas nem todo mundo por lá está satisfeito. Numa raivosa carta publicada no site CE Pro, a “bíblia” do segmento, um dos mais respeitados profissionais do país, Chuck Schneider, acusa a Amazon de querer “destruir” o segmento especializado. “Vocês querem transformar suas lojas em cabines de drive-thru como as que vendem big macs”?, pergunta ele aos colegas, antes de listar uma série de experiências semelhantes que já viveu. No passado, diz, operadoras como DirecTV, Nextel e Sirius tentaram se aproximar dos integradores e os abandonaram.

Schneider acrescenta que, assim como acabou com as livrarias físicas, a Amazon está destruindo todo tipo de varejo, citando os exemplos de Sears e  Toys R’ Us (brinquedos), ambas falidas, além da Best Buy – esta seria um “paciente já na UTI”. Ele coloca em dúvida a honestidade da Amazon para lidar com o atendimento ao cliente final, e pergunta: “Será que vão financiar os serviços dos instaladores? Como será feito o pagamento? Quando os clientes reclamarem, quem terá a responsabilidade de atendê-los”?

Para quem quiser ler a carta na íntegra, em inglês, aqui está

Já se sabe que a plataforma Alexa, da Amazon, está revolucionando o setor de eletrônicos. Baseada em comandos por voz e redes sem fio facílimas de instalar e operar, certamente terá impacto sobre o negócio de instalações profissionais. A ilustração acima ironiza a situação:

“Alexa, por que você quer trabalhar com os instaladores da CEDIA”?

“Para oferecer uma experiência melhor aos nossos clientes hoje… e acabar com eles amanhã”. 

Aplicativos agora terão de pagar ICMS

Uma das atividades mais corriqueiras no Brasil é a criação de impostos. Basta uma canetada! Mais um exemplo foi dado dias atrás pelo Confaz, órgão que reúne os secretários de Fazenda de todos os estados. Suas excelências decidiram instituir a cobrança de ICMS sobre a comercialização de aplicativos, jogos eletrônicos, softwares e serviços de streaming, com entrada em vigor a partir de abril de 2018.

As controvérsias são inevitáveis, assim como as ações judiciais. Basta lembrar, como diz este advogado ouvido pelo site especializado Teletela, que alguns desses serviços já recolhem ISS, o que parece ser mais justo, pois não se trata de “mercadorias”.

A Oi e suas tenebrosas transações

Apenas complementando o comentário da semana passada sobre a situação da operadora Oi:

Vários gabinetes de Brasilia estão envolvidos na busca de uma saída que não seja a intervenção do governo. Um consenso está longe, e qualquer decisão será passível de contestação judicial. Vale a pena ficar de olho nas transações políticas. O lobby a favor da empresa (ou seja, a favor de que a Anatel jogue o pagamento da dívida para daqui a 20 anos!!!) é coordenado pelo ex-deputado e senador (PMDB) Helio Costa, que tem certa força no Congresso. Pode garantir bons votos a Temer em sua luta para se manter no cargo.

O conselho de administração da operadora anunciou um plano de investir até R$ 7 bilhões por ano, sendo que R$ 2,5 bi viriam dos acionistas, os mesmos que tentam não pagar a dívida com a Anatel. Difícil acreditar. Esta reportagem dá mais detalhes. 

Para quem não se lembra, Helio Costa era ministro das Comunicações quando o governo Lula aprovou mudança na legislação para beneficiar a Oi (antiga Brasil Telecom, depois Telemar) com financiamentos do BNDES, Banco do Brasil e Caixa. Comentamos o caso aqui algumas vezes na época. Vejam neste link

Oi está a um passo da intervenção

Como se previa, não houve mesmo acerto entre acionistas e credores da Oi, apesar da intermediação do governo. A intervenção pode ser oficializada a qualquer momento. Na última terça-feira, empresário Nelson Tanure, maior acionista individual da empresa, conseguiu reunir uma “bancada” de congressistas para conversar pessoalmente com o presidente Temer. A ideia era que o governo autorizasse aliviar a dívida da Oi com a Anatel, que já passa dos R$ 11 bilhões (a dívida total é superior a R$ 65 bi). Nada feito. Seria um péssimo sinal para todo o mercado.

O problema é que Tanure controla o Conselho de Administração e não abre mão disso. A empresa já recebeu diversas propostas de compra, como relata o jornal O Globo, mas em todas o empresário teria que se afastar – e, claro, se responsabilizar pela quitação da dívida. Na última reunião de acionistas, o clima esquentou e o diretor financeiro acabou se demitindo (ou sendo demitido).  

Sim, do desesperado governo Temer tudo se pode esperar. Mas a intervenção, admitida esta semana até pelo ministro das Comunicações, talvez ajude a acalmar os credores, pois seria uma espécie de blindagem contra as pressões de Tanure e demais acionistas (vejam esta análise detalhada do colega Samuel Possebon). O risco é que, ao intervir, o governo seja obrigado a colocar dinheiro numa empresa que, embora endividada, possui a maior rede do país e atende mais de 40 milhões de usuários. Talvez não haja outra saída, como fica claro aqui.

Dolby Vision: qual é a vantagem?

LG, Philips e Sony são, por enquanto, os fabricantes que aderiram ao padrão Dolby Vision de TVs. No Brasil, até agora somente a primeira lançou modelos com essa compatibilidade, que significa um passo além do polêmico HDR (High Dynamic Range). Digo “polêmico” porque esse tipo de processamento, já explicado aqui algumas vezes (vejam este post), comporta variações não devidamente padronizadas. 

Já o Dolby Vision é um só, e por ele a Dolby cobra royalties, o que certamente afasta alguns fabricantes – Samsung e Panasonic, por exemplo. Sua principal vantagem sobre HDR é que a imagem é analisada quadro a quadro, através de metadados (informações codificadas que acompanham o sinal e que devem ser lidas pelo decoder dentro do TV). A especificação mais importante, no caso, é a chamada profundidade de cor (color depth), medida em bits. Em Dolby Vision, trabalha-se com 12-bit, o que se traduz em 20% mais gradações de cores.

Ainda não tivemos oportunidade de fazer um teste comparativo entre HDR e Dolby Vision, mas o site inglês Tech Radar se encantou com o padrão Dolby, descrevendo seu uso “mais puro” da luz, maior detalhamento e sutileza das cores. O problema é que, se há poucos conteúdos codificados em HDR, há menos ainda em D.Vision. As séries Daredevil, Luke Cage e Marco Polo são algumas opções do Netflix, para quem quiser conferir. 

Recentemente, foram lançados no mercado internacional os primeiros discos Blu-ray UHD com Dolby Vision, com títulos como Despicable Me 2 (Meu Malvado Favorito), La La Land e o excelente Hacksaw Ridge (Até o Último Homem). Curiosamente, apenas o player LG UP970 e os top de linha da chinesa Oppo (estes considerados os melhores do mundo) possuem decoder Dolby Vision. 

Para desconsolo de muita gente, não há perspectivas de lançamento do Blu-ray UHD no Brasil, embora essa continue sendo a melhor fonte de imagem (vejam aqui). O jeito é apelar para a internet.

Sport TV inicia transmissões 4K (em Portugal)

O canal de TV paga Sport TV, de Portugal (nada a ver com o SporTV brasileiro) acaba de inaugurar um serviço regular com transmissões em UHD. Estreou neste domingo, com o clássico entre Porto x Sporting, e fica em operação até o final do ano sem custo para os assinantes das três principais operadoras locais. É o primeiro canal do gênero em Portugal, e um dos primeiros na Europa, começando com partidas das ligas portuguesa (NOS) e espanhola (La Liga).

É um modelo que tende a ser seguido também no Brasil, dada a força dos eventos esportivos para atrair (e fidelizar) assinantes de TV. Esse tipo de conteúdo é impossível de ser oferecido no formato OTT em operação regular e com boa qualidade de áudio e vídeo (não estou falando aqui das transmissões piratas). Nas negociações com clubes e federações, emissoras e  programadoras já incluem os direitos para TV fechada e internet (fixa e móvel), e a tendência é que esta última seja cada vez mais valorizada.

Embora tenha perdido parte dos direitos do Campeonato Brasileiro para a Turner (Esporte Interativo) a partir de 2019, a Globo continua sendo a rede mais bem posicionada para oferecer conteúdo 4K. Vimos no último Rock in Rio a altíssima qualidade da cobertura, similar à da Olimpíada 2016, em parceria da Globosat com a NET/Claro. Não é fora de cogitação esperar que nos próximos meses alguma partida da Série A seja oferecida em UHD, e já se sabe que esse padrão será adotado na cobertura da Copa de 2018, na Rússia.

Quanto a ter um canal dedicado, provavelmente será necessário esperar mais. A base de aparelhos 4K já instalados é estimada hoje em 1,5 milhão. Com o aumento nas vendas a partir deste final de ano e até a Copa, vamos começar a ter, de fato, um mercado UHD. Ou, pelo menos, é o que se prevê. 

Para entender melhor as fake news

Imperdível o documentário exibido na semana passada pela Globo News, e disponível no Globosat Play (este o link), sob o excelente título “Fake News: Baseado em Fatos Reais”. Vale ver e rever, para tentar entender um dos fenômenos mais complexos do mundo atual, e que atinge todos os segmentos da sociedade. Os repórteres viajaram por vários países, entrevistando estudiosos e também pessoas envolvidas na criação e produção de notícias falsas. Descobriram que um dos “núcleos” fica numa pequena cidade da Macedônia, país pobre do sul da Europa, e é mantido por um grupo de adolescentes cujas armas são apenas o computador e uma boa conexão de internet. O depoimento de um deles é antológico.

Curioso lembrar que, embora o fenômeno tenha explodido mundialmente com a campanha eleitoral americana do ano passado (e a consequente eleição de Trump), nós, brasileiros, estávamos anos à frente em 2013/14. Na época dos protestos que tomaram as ruas, cresceram os sites de conteúdo político e/ou racial que espalham notícias falsas e acusações. Com a força das redes sociais, a prática viralizou, sustentada por políticos, partidos, igrejas, sindicatos, empresas e entidades nem sempre identificadas. Sua influência foi decisiva na eleição de 2014, tendo Marina Silva como maior vítima (e aqui não vai qualquer juízo sobre a candidata em si).

Se Obama, em 2008, foi o primeiro político famoso a usar a internet como instrumento de campanha (o que, aliás, foi comentado aqui neste blog),  os brasileiros – políticos, marqueteiros, comunicadores – vêm dando aula de fake news, como mostramos neste outro post, de 2012. Por isso, com licença dos leitores, reproduzo aqui um trecho do comentário que tem tudo a ver com o momento atual:

Cabe ao cidadão leitor, telespectador ou internauta cobrir-se de cuidados, mais ou menos como fazemos todos ao passar por uma rua escura. Desconfiar, sempre, daquilo que se ouve e se lê; procurar fontes diversas para se atualizar sobre cada assunto; comparar opiniões divergentes. Não é fácil hoje em dia, com a overdose de informações a que somos submetidos. Mas é a única maneira de não se perder no laranjal.

Faltou combinar com os russos…

Visitando São Paulo na semana passada, o fundador e CEO da Kaspersky Labs, Eugene Kaspersky, deu uma interessante entrevista ao site TecMundo. Foi curioso porque, nos últimos dias, a empresa – sem dúvida uma das mais inovadoras no segmento de segurança online – vem sendo acusada de “espionagem a favor da Rússia”. 

No mesmo dia em que saiu a entrevista, circulou pela internet um banner nada sutil da McAfee, grande concorrente da Kaspersky: “O FBI aconselha remover Kaspersky por suspeita de ligação com espiões russos. Proteja-se com McAfee”. Não foi só isso. A rede Best Buy suspendeu as vendas de software da marca, sob a mesma alegação. De fato, autoridades americanas lançaram a acusação após ser confirmado que hackers russos atuaram durante a campanha eleitoral do ano passado – até pouco tempo atrás, o governo Trump negava (detalhes aqui).

Eugene Kaspersky é russo e sua empresa tem sede em Moscou, embora com escritórios em mais de 30 países. Atende uns 400 milhões de clientes, entre eles pessoas físicas, governos, entidades e grandes empresas que dependem da segurança em suas redes. Recentemente, fechou contrato para fornecer software às Forças Armadas do Brasil

Bem humorado, Eugene negou as acusações, mas acha que não há muito a fazer diante das notícias divulgadas. “Eles não têm provas, todas essas notícias são falsas”, diz. Talvez nunca se saiba.

Congresso de Automação chama palestrantes

Seguindo um padrão que é comum em eventos internacionais de tecnologia, a Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) está fazendo chamada de temas para seu Congresso HABITAR 2018. Será a 16a. edição do tradicional evento, agora integrado à TecnoMultimídia InfoComm, programada para São Paulo nos dias 22 a 24 de Maio.

São três os temas gerais do Congresso:

  • Casa conectada e Internet das Coisas
  • Utilizando a tecnologia em função das novas tendências em habitação
  • Conforto, saúde e bem-estar nas edificações

Dentro dessas áreas, podem se candidatar profissionais de todo o país, submetendo temas à aprovação da Aureside para palestras de até 45 minutos. Importante: as apresentações não podem incluir conteúdo comercial, nem citar produtos ou marcas. O foco é nos conceitos técnicos e sua aplicação nos projetos. Detalhes neste link.

A união entre Aureside e InfoComm pode ser extremamente produtiva para os profissionais da área (e também para os usuários), pois mira especialmente a questão crucial do aprimoramento e atualização técnica. Como de hábito, nossas revistas HOME THEATER & CASA DIGITAL e BUSINESS TECH MULTIMÍDIA estão no apoio.

Sky deve mesmo ser vendida

A imprensa internacional divulgou esta semana: a AT&T decidiu mesmo vender sua participação da Sky, que faz parte do grupo DirecTV. E já negocia com três candidatos à compra. Pelo que se diz nos bastidores, o motivo não é regulatório, mas financeiro.

Pela lei brasileira, como já explicamos aqui, não é permitido que um mesmo grupo controle uma operadora (no caso, a Sky) e uma programadora de TV paga. Por isso, a Superintendência do Cade já recomendou veto à autorização para a DirecTV incorporar a Time Warner. O Conselho deve dar sua decisão final nos próximos meses. Em comunicado, a direção da AT&T contesta os argumentos do Cade.

Mas a questão financeira parece mais decisiva. Para fechar a compra nos EUA, a AT&T teve que se endividar. Há quem diga que foi um erro pagar US$ 85,4 bilhões pela TW. Agora, o grupo precisa de pelo menos US$ 8 bi!!! A saída seria vender as operações da DirecTV na América Latina – Brasil, Argentina, Venezuela, Chile e Colômbia são os maiores mercados. 

Os três possíveis compradores seriam os grupos Telefônica (Espanha), Liberty Global (Inglaterra) e Millicom (Luxemburgo). Mais detalhes aqui.

4K HDR, quase obrigatórios nos TVs

Meses atrás, comentamos sobre as dificuldades para os fabricantes de TVs chegarem a um acordo sobre a implantação do padrão 4K (vejam aqui). Embora todos os grandes façam parte da UHD Alliance, que determina as normas para equipamentos e conteúdos, nem todos seguem as regras. Pior: não deixam isso claro para o consumidor, o que é fatal, principalmente agora que começam a surgir mais conteúdos codificados em HDR.

A primeira dúvida: “4K” e “HDR” não são a mesma coisa, embora isso transpareça na publicidade e nos sites de compra. 4K (UHD) refere-se à resolução de imagem, quatro vezes mais alta que Full-HD. HDR (High Dynamic Range) é um processo de gravação que consegue captar faixa dinâmica mais larga, ou seja, pretos mais profundos e brancos mais claros do que vemos habitualmente (a imagem acima é apenas uma ilustração). O sinal codificado em HDR deve ser reproduzido por um display (TV ou projetor) compatível. É possível fazer uma gravação em HDR sem a resolução 4K: a imagem terá mais contraste e cores mais definidas do que em Full-HD (2K).

Mas 4K é uma tendência irreversível: a maioria das pessoas que vêem não quer voltar ao padrão 2K. E a indústria conta com esse fator para aumentar as vendas de TVs 4K, como aliás já vem acontecendo desde 2015. É provável que daqui a dois ou três anos nem sejam mais fabricados TVs Full-HD.

A questão é que nem todos os TVs 4K são iguais, justamente por causa do HDR. Os modelos top de linha das principais marcas reproduzem conteúdos HDR, mas todas também oferecem opções mais baratas 4K (SDR). O consumidor pode se perguntar até que ponto compensa o investimento (a diferença média é de 30%). Se a quantidade de conteúdos em 4K ainda é pequena, menor ainda o número de filmes e séries gravados em HDR. 

Só que isso pode mudar. Sugestão: procurar assistir, nas lojas, a imagens do mesmo filme (ou série) com e sem HDR. Se você perceber a diferença, é porque vale a pena.

Em tempo: num próximo post, falaremos dos TVs com Dolby Vision, que é similar ao HDR.

O som que vem da própria tela

Neste fim de semana, a Sony iniciou no Brasil a pré-venda de seu TV OLED de 65″ (mod. XBR-65A1E). O preço sugerido (R$ 22.999) é cerca de 20% mais alto que o equivalente da LG (mod. 65E7P). Vimos a apresentação oficial do aparelho, em junho (confiram neste vídeo), e deu pra perceber que se trata de um produto especial. Não tanto pela imagem, que é similar ao da concorrente (aliás, o painel da Sony é fornecido pela LG), mas por um original recurso sonoro, chamado Acoustic Surface.

Em vez dos alto-falantes tradicionais, que vêm montados nas laterais ou embaixo da tela, nesse TV os drivers estão embutidos na parte traseira; um falante maior, para graves, se apoia no painel, em forma de cavalete. Os falantes vibram, dando a sensação de que os sons saem da própria tela. Curioso é que a própria LG demonstrou algo parecido na última CES, com o nome Crystal Sound (vejam neste vídeo), mas por enquanto não trouxe ao Brasil.

Outro detalhe do TV Sony é o sistema operacional Android, com navegação diferente dos LG (WebOS) e Samsung (Tizen). Ainda não recebemos o aparelho para teste, mas o excelente site americano Rtings.com fez uma avaliação detalhada, que pode ser conferida aqui

Vale a pena lembrar que Philips e Panasonic também lançaram TVs OLED em alguns países e, no Brasil, a LG já anuncia uma linha nova (detalhes aqui).

Câmera 8K estreia em grande estilo

A Sony está apresentando esta semana, no evento IBC, que acontece em Amsterdã, a primeira câmera de vídeo 8K para produção de televisão. Isso mesmo: 8K!!! Ao contrário de protótipos demonstrados em eventos pelo mundo afora nos últimos anos, esta começa a ser vendida em outubro em alguns países. A câmera UHC-8300, específica para o segmento broadcast, foi desenvolvida em conjunto com a NHK, emissora estatal japonesa que lidera o desenvolvimento do padrão 8K, com previsão de lançamento oficial na cobertura da Olimpíada de 2020, a ser realizada em Tóquio.

Pelas descrições de sites especializados internacionais que cobrem o IBC, o aparelho é um prodígio de tecnologia. Utiliza três chips para captação de imagem em 8K (7.680 x .4320 pixels); cada chip registra uma das cores primárias (vermelho, verde, azul), que são combinadas por um processador.

É bom lembrar que as primeiras câmeras desse tipo foram testadas em 2012, durante a Olimpíada de Londres, e vêm sendo aprimoradas na cobertura de grandes eventos nos últimos anos. A UHC-830 é a primeira que também trabalha em HDR (High Dynamic Range), com maior nível de contraste, e também a primeira que permite transmissão ao vivo pela internet, segundo a Sony. Mais detalhes no site internacional da Sony Pro.

Para quem adora produzir seus próprios vídeos, talvez seja interessante citar que recentemente a Nikon lançou o modelo D850, que grava em 4K. Para promover o produto, a empresa encomendou ao fotógrafo Lucas Gilman um vídeo do gênero time-lapse, com imagens de natureza captadas na Islândia. É um espetáculo. Gilman fotografou imagens com a máxima resolução dessa câmera (45.7 Megapixels), que tem também um timer embutido para esse tipo de produção. Vale a pena ver, mesmo sabendo que para apreciar as imagens em toda a plenitude seria necessário contar com um display 8K, que ainda não temos. 

InfoComm, agora com nome novo

O board da InfoComm International decidiu mudar de nome. AVIXA, acrônimo para Audiovisual and Integrated Experience Association, é como será chamada a partir de agora a entidade, que até hoje não se definia como “associação”. Parece um minúsculo detalhe, mas a mudança tem a ver com a revolução das novas tecnologias. Fundada em 1939 e atualmente com cerca de 5.400 membros, há muitos anos a InfoComm deixou de cuidar apenas de áudio e vídeo, seus tópicos fundamentais naquela época. A convergência digital e as soluções integradas de automação e comunicação impõem uma postura diferente.

Como disse, em comunicado oficial, o atual CEO David Labuskes, a chamada “experiência audiovisual” atinge muito mais pessoas, e com uma enorme variedade de recursos, tanto de uso pessoal quanto profissional. “Fomos compelidos a abraçar uma nova identidade para refletir os interesses de nossos filiados, que hoje representam uma comunidade muito mais diversificada”.

Na prática, além do nome, pouca coisa irá mudar, informa o site oficial. As famosas feiras internacionais que a entidade promove continuarão sendo chamadas “InfoComm”, inclusive a TecnoMultimídia, que tem edições no Brasil (maio), México (agosto) e Colômbia (novembro). Permanecem com a marca as feiras InfoComm India (setembro) e Dubai (dezembro), além da mais famosa, a InfoComm USA (a próxima será em junho, em Las Vegas). A AVIXA se mantém como proprietária das feiras ISE (Integrated Systems Europe), com edições na Rússia (novembro) e na Holanda (fevereiro).

Também serão mantidos os programas educacionais da InfoComm, que atraem profissionais do mundo inteiro, as certificações e a definição de padrões técnicos para ajuste e controle dos equipamentos, em cooperação com entidades como o ANSI (American National Standards Institute), que criou as normas ANSI Lumens, entre outras.

Aqui, mais detalhes sobre a mudança de nome. Assistam também a este vídeo.

TV QLED: primeiro teste pra valer

A edição de setembro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL traz entre seus destaques o primeiro teste que fizemos de um TV com painel de pontos quânticos, o Samsung QLED de 65″ (mod. Q9F). Para complementar o trabalho, nossa equipe produziu um vídeo detalhado sobre o aparelho, analisando não apenas a qualidade de imagem (impressionante!), mas também a rapidez de processamento e navegação. Assistam aqui.

Esse teste, exclusivo, mantém nossa proposta de avaliar regularmente os melhores TVs do mercado, como mostram outros vídeos que fizemos ao longo dos últimos meses. Nem sempre há tempo e condições de estudar um aparelho tão detalhadamente. Este ano, nossa equipe já avaliou TVs top de linha das marcas LG, Sony e TCL, entre outros produtos, e já estamos recebendo novos modelos, que sairão nas próximas edições.

Duas observações importantes. Como é inevitável a pergunta (“qual deles é o melhor”?), vale a pena comentar que praticamente não há diferenças de desempenho entre eles. Todos são modelos de última geração, o que significa o uso de processadores mais eficientes para dar conta de tantos recursos que hoje os fabricantes embarcam nos TVs.

Sim, os OLED (até o momento, testamos apenas os da LG lançados no início do ano) continuam sendo superiores em termos de contraste, item que consideramos o mais importante para analisar a qualidade da imagem. Mas os LED-LCD evoluíram muito; sei que essa tecnologia tem “inimigos” ferrenhos, desde os tempos do plasma… A própria LG mantém em linha excelentes modelos desse tipo.

E agora temos os QLED, que são um avanço do LCD e conseguem ir além na questão do contraste, níveis de brilho e luminosidade realmente notáveis. Além da Samsung, a Semp TCL também está adotando os painéis de pontos quânticos. Voltaremos ao tema aqui em breve.

Uma outra importante reflexão, especialmente para quem está em vias de comprar um TV novo: como é difícil fazer a escolha na loja, diante de tantos modelos!!! Se há pouquíssimas diferenças na imagem, convém experimentar o aparelho, digo, seu controle remoto e as facilidades de navegação. Na era multimídia, isso passa a ser um diferencial inegável. Recomendo a experiência numa loja especializada, que tenha show-room dedicado e usando vários tipos de conteúdo (filmes, séries, desenhos, esportes, documentários), com cenas escuras e/ou de ação e alternando as fontes de sinal (DVD, Blu-ray, TV paga, TV aberta, smartphone, videogame).

Se após esses procedimentos você ficar satisfeito, pode comprar.

Vendas de TVs cresceram 30,5%

A imagem de uma UTI, que ouvi recentemente de um empresário, talvez seja a melhor para descrever a economia brasileira nos últimos anos. Foram tantas notícias ruins entre 2013 e 2016 que uma leve recuperação, confirmada pelos dados mais recentes, é para ser comemorada. O IBGE registrou aumento de 1,4% no consumo das famílias no segundo trimestre, algo que não se via há quase três anos. Ajudou muito a liberação do FGTS, mas a própria inflação em queda – com salários agora reajustados pela inflação passada – é fator positivo. “Há mais dinheiro nas mãos das famílias”, comentou ao Valor Econômico a coordenadora do IBGE, Rebeca Palis.

Junte-se a isso a redução dos juros e do desemprego, ainda que não nos níveis desejados, e aumentam as razões para otimismo. No mesmo Valor Econômico, a competente jornalista Claudia Safatle relata que o governo Temer, com todos os defeitos que conhecemos (e são muitos), é o primeiro que consegue aprovar uma série de reformas importantes em pouco tempo. Vale a pena, por alguns instantes, deixar de lado a sujeira da corrupção e fazer login no site para ler.

Para o setor eletroeletrônico, o aumento do consumo com certeza é uma boa notícia. A previsão oficial, divulgada pela Eletros, é de atingir este ano a marca de 9,5 milhões de televisores, o que representaria uma alta de 12,3% sobre o tenebroso 2016, quando a queda foi de 11% (2015, quando o tombo foi de 37%, continuará sendo um marco negativo histórico na indústria). De janeiro a junho, foram vendidos 5,2 milhões de TVs, ou 30,5% mais que no primeiro semestre do ano passado. O setor como um todo vendeu 18,5% mais nesse período (detalhes aqui).

Detalhe importante: no caso dos TVs, está pesando muito também a migração induzida pelas transmissões digitais em São Paulo e Distrito Federal, duas das maiores praças do país.

Com perdão do trocadilho, parece que voltamos à respirar sem ajuda de aparelhos – no caso, com a ajuda deles.

Amazon ajuda a reduzir desemprego no Brasil

Depois de cinco anos atuando no Brasil somente na venda de livros, a Amazon enfim decidiu expandir seus negócios. Está contratando profissionais de diversas áreas (interessados podem ver aqui) e, em silêncio como sempre fez, desenha sua estratégia. À Folha de São Paulo, o country manager Alex Szapiro disse apenas que “não vamos ficar só em livros”, dando a pista de que a sede atual, que ocupa quatro andares no ponto mais valorizado da capital paulista, em breve será aumentada em 50%. 

No mercado, há uma série de apostas sobre quais empresas brasileiras a Amazon irá adquirir nessa estratégia de crescimento: Magazine Luiza, B2W (Submarino), Saraiva e Mercado Livre estão entre as mais votadas. Uma coisa é certa: depois de pagar US$ 13 bilhões pela rede varejista Whole Foods, segunda maior dos EUA, dinheiro não será problema para a Amazon.

Em tempo: Jeff Bezos, o genial criador da empresa que mais cresce no mundo atualmente, anunciou nesta 6a feira que irá construir uma nova sede, e não será em Seattle, onde funciona desde o início. Curioso é que a notícia sai às vésperas da inauguração da nova sede da Apple, uma de suas maiores rivais, prevista para setembro. A galáctica construção, que pode ser apreciada neste vídeo, foi o sonho final de Steve Jobs. Talvez mr. Bezos pense em criar algo ainda mais galáctico. 

Música por streaming, cada vez mais forte

Pesquisa divulgada na CEDIA, que aconteceu esta semana nos EUA, revela um aspecto interessante do atual mercado de eletrônicos: cresce fortemente a demanda por música de alta resolução (HiRes). Segundo o NPD Group, no primeiro semestre deste ano as vendas de aparelhos desse tipo aumentaram 77% nos EUA; na pesquisa por unidades vendidas, o salto foi ainda maior: 118%.

A pesquisa classifica como HiRes as seguintes categorias: soundbars, fones de ouvido estéreo, players digitais (que acessam a internet), caixas acústicas sem fio, amplificadores e receivers capazes de reproduzir arquivos em alta resolução. Entre todos, o item que mais cresceu no período foi o dos fones estéreo, com vendas 64% mais altas que no primeiro semestre de 2016. Isso tem uma explicação: a quantidade de fones colocados no mercado subiu 127%, e os preços médios caíram 14%. Mesmo assim, ainda são produtos quatro vezes mais caros que os fones comuns.

Receivers e amplificadores representam a maior fatia (58%) do mercado HiRes, seguidos pelas soundbars com 24%. São os itens de maior valor unitário, destacando-se as marcas Yamaha, Denon, Onkyo, Marantz e Sony, nessa ordem.

Projetos: como fazer tudo funcionar?

Aproveitando a deixa da automação, recomendo a leitura deste artigo, traduzido no site da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial). Foi escrito por Helen M. Heneveld, especialista em segurança de redes, e tem tudo a ver com o atual momento do mercado. A autora se dirige aos fabricantes de produtos para automação, clamando para que resolvam a questão da INTEROPERABILIDADE. Esse verdadeiro palavrão é o que dificulta a adoção dos sistemas automatizados por um número maior de pessoas.

De fato, é incrível, mas o mercado conhecido como ‘home automation’ existe há mais de 25 anos e já conta mais de 160 diferentes protocolos de comunicação!!! Assim como há regras no trânsito, nas empresas, nos condomínios etc., Heneveld acha que também deveria haver para os fabricantes de equipamentos e desenvolvedores de softwares e aplicativos. Seria muito mais lógico e produtivo que os milhares de produtos lançados obedecessem a um critério de interação, mínimo que seja, proporcionando que mais consumidores fossem beneficiados.

Ela menciona um evento chamado Techomex, que propõe justamente uma convergência desses segmentos no sentido de tornar os produtos “interoperáveis” e, portanto, mais fáceis de instalar e de usar. Uma de suas frases resume o pensamento: “Não podemos educar os clientes para serem interoperáveis. Por isso, devemos ter produtos que o sejam”.

Que os deuses da indústria eletrônica a ouçam.