TV pesa 1,9kg e tem 1mm de espessura

wallpaper TVNesta terça-feira, a LG demonstrou na Coreia o que chama de wallpaper TV. Isso mesmo: um TV para ficar pendurado na parede. É mais um exemplo do que se convencionou chamar de “produto-conceito”, mas desta vez o fabricante assegura que há planos concretos de colocá-lo no mercado. Levando ao extremo a ideia de flat screen, a LG conseguiu desenvolver um aparelho de 55 polegadas que mede somente 1mm de espessura e pesa 1,9kg! Para pendurá-lo na parede, usam-se imãs.

A tela vem com uma base metálica – como se vê na foto – e pode ser retirada facilmente. Como se trata de uma película orgânica (OLED), emite a própria luz e, portanto, não necessita de backlight. O evento faz parte da estratégia do grupo para a tecnologia OLED, como informou o site Korea Times. “A demanda está aumentando, e a partir de julho vamos aumentar bastante a produção”, afirmou Sang-Deog Yeo, presidente da LG Displays.

Como se sabe, os demais fabricantes continuam reticentes em relação à tecnologia de leds orgânicos. Mas Yeo fez questão de dizer: “Levamos dez anos para atingir eficiência (yield) na produção de LCDs, e agora somente um ano para chegar ao mesmo ponto com OLEDs. É o momento de promover mais essa tecnologia revolucionária.”

Automação sem fio: trocando de lado

O que você faria se fosse vendedor da Coca-Cola e recebesse um convite para vender Pepsi? Ou se, após anos promovendo a GM, tivesse que sair para, por exemplo, a Ford? Da Vivo para a Claro? Apple para Microsoft? É mais ou menos essa a situação de Mark Walters, que depois de quatro anos comandando a Z-Wave Alliance, acaba de pular para o outro lado: assumiu como “vice-presidente de desenvolvimento estratégico” da ZigBee.

Os dois consórcios, sediados nos EUA, são rivais ferozes. Dominam o mercado mundial de automação sem fio. Há controvérsias sobre qual dos dois é mais popular, mas sabe-se que o padrão Z-Wave é mais utilizado em automação residencial, enquanto ZigBee tem aplicações mais amplas. Minha colega Julie Jacobson, do site CE Pro, lembra que a ZigBee Alliance lançou há alguns meses sua versão 3.0, justamente para eliminar a confusão entre seus diversos protocolos.

Walters, com quem conversei durante a ExpoPredialTec 2014, tem justamente a missão de tornar esse padrão mais acessível. Deve saber tudo sobre o concorrente.

Business Tech, site para profissionais

Aproveitando a realização da InfoComm 2015, lançamos esta semana o site Business Tech, dedicado à cobertura do segmento de Pro AV, automação, integração e sistemas de controle para projetos corporativos. Na verdade, é um relançamento: Business Tech era o título de uma revista (e um site) que lançamos em 2003, quando esse mercado aparentemente ainda não estava maduro. Hoje, com profissionais mais qualificados e a internet em todos os lugares, além de dezenas de empresas atuando e inovando, o site volta ao ar.

A proposta é contribuir no desenvolvimento desse setor, com informação qualificada e uma cobertura constante das atividades dessas empresas. Pretendemos usar nossa experiência no segmento residencial para trazer aos integradores, fabricantes, distribuidores (e também aos usuários) conteúdos relevantes, que os auxiliem em seu trabalho. Conteúdos que compartilhamos com parceiros nacionais e internacionais, incluindo a própria InfoComm.

Apoios, críticas e sugestões, é claro, são muito bem-vindos.

Automação + Pro AV = sucesso

InfocommEsta semana, acompanhamos de perto a edição 2015 da InfoComm Brasil (Expo TecnoMultimedia), realizada em São Paulo. Cerca de 60 empresas demonstraram seus produtos e soluções para o segmento que se conhece genericamente como “Pro AV” – alguns preferem o termo “audiovisual”. Com a evolução dos recursos de automação, incluindo aí controles, processadores e distribuidores de sinal, esse mercado vem tendo grande impulso no Brasil, embora não seja novo.

Como vimos no evento, e confirmamos conversando com diversas empresas, nem a crise econômica que atinge o país serve para frear o entusiasmo do setor. É fácil perceber isso na postura de grupos internacionais, que miram no médio e longo prazo. Só neste ano, tivemos a entrada em cena das americanas AMX, uma das líderes mundiais em automação, através da Harman do Brasil; Extron, respeitadíssima em sistemas para distribuição e processamento de sinal; a japonesa TOA, em parceria com a paulistana Discabos; e a chinesa Wulian, uma força em sistemas sem fio. Todas participaram da InfoComm Brasil.

Além de marcas famosas no mundo inteiro (Epson, Sony, Philips, Panasonic, Casio, Kramer, NEC, Barco, Christie, Crestron, Shure, Audio Technica), foi interessante ver os estandes de brasileiras como AAT (caixas acústicas), Chiave (distribuidora da americana Key Digital), Munddo (automação), as gaúchas Gaia e Welsyn (telas e suportes para projetores) e a já citada Discabos, entre várias outras.

Com o trabalho iniciado no ano passado pela InfoComm, o profissional brasileiro vai se familiarizando com essas tecnologias, que vão muito além do home theater. Para vencer nessa área, são exigidos conhecimentos bem mais amplos, particularmente nas tecnologias que envolvem redes e integração. E um constante aperfeiçoamento técnico. Quem conseguir juntar tudo isso, com certeza irá longe.

Anatel define como será o “Bolsa Ginga”

Esta semana, a Anatel anunciou sua decisão sobre a distribuição de conversores de TV Digital aos cadastrados no programa Bolsa Família. São cerca de 14 milhões de famílias que a partir do ano que vem começarão receber os aparelhos gratuitamente – pelo menos, essa é a promessa. Após meses de negociação com fabricantes, operadoras e emissoras, ficou definido que a caixinha terá (para o governo) um custo em torno de 30 dólares, segundo leio no site Convergência Digital.

Só relembrando: a oferta gratuita foi a forma que o governo encontrou de evitar que o chamado switch-off (desligamento dos transmissores analógicos das emissoras) deixe milhões de casas sem sinal de TV. Isso fatalmente aconteceria se todo mundo tivesse que adquirir o conversor, cujo custo de mercado está próximo de 100 dólares. A má notícia é que o conversor gratuito não terá conexão à internet, apenas entradas USB e Ethernet, úteis caso o feliz recebedor tenha como comprar um modem de banda larga.

Em compensação, o Ministério das Comunicações exigiu que o aparelho traga embutido o firmware Ginga, para aplicações de interatividade como acesso a serviços públicos de saúde, previdência etc. Fica em suspenso como se dará o milagre de oferecer tais serviços sem uma conexão de internet. Assim como os bolsistas continuam sem saber quem pagará por suas antenas para captar o sinal digital das emissoras (sem antena, não há sinal).

Com tudo isso, Anatel e Ministério empurram com a barriga um problema que, na prática, ninguém quer resolver: devido ao ajuste fiscal, não há dinheiro para bancar a promessa demagógica de conversor gratuito para todas as famílias pobres. E, sem isso, dificilmente as emissoras concordarão em desligar seus transmissores correndo o risco de perder milhões de telespectadores. Afinal, elas vivem de audiência!

Em tempo: tudo que o governo não quer é que essa bomba estoure em 2018, ano das próximas eleições presidenciais.

Blu-ray 4K já tem as especificações

uhd-bd-logo-jpg

 

 

 

Na última terça-feira, a Blu-ray Disc Association – que reúne fabricantes de equipamentos e estúdios de cinema – anunciou ter concluído as especificações do Ultra HD Blu-ray Disc, formato que está prometido para o final do ano. Será o substituto natural dos discos atuais, assim como os TVs 4K deverão ocupar, daqui a alguns anos, o lugar que hoje pertence aos Full-HD.

Não há surpresas no comunicado, apenas a confirmação de que os membros da BDA querem, de fato, dar um salto de qualidade. São tantos os avanços incorporados no formato que chega a ser difícil crer que de fato seja lançado. Todas as empresas que participam da entidade (e que, portanto, têm o direito de usar a marca e o logotipo “Blu-ray”) concordaram com as especificações e se comprometem a adotá-las. Isso é importante porque existe na China um formato alternativo, que não é reconhecido pela BDA.

Segundo a entidade, os players BD UHD terão que ser compatíveis com os discos Blu-ray convencionais. E todas as ferramentas de certificação, replicação e autoração (assim se chama o complexo processo de legendagem e/ou dublagem, criação de menus e links que vêm no disco) serão padronizadas.

Tanto players quanto discos terão quer licenciados, ou seja, a BDA tem a pretensão (a meu ver, uma utopia) de controlar cada unidade colocada à venda – hoje, existem cerca de 10 mil títulos lançados em Blu-ray. O processo de licenciamento começa em julho, e é provável que na CES, em janeiro, vejamos demonstrações dos primeiros produtos BD UHD.

 

Programas em 4K chegam na Globosat

A programadora Globosat anunciou nesta segunda-feira o lançamento de seu aplicativo 4K para TVs Samsung. Estão sendo oferecidos conteúdos dos canais GNT, SporTV, Viva, +Globosat, Telecine e Off, produzidos com equipamento Ultra-HD. No cardápio, destaque para as séries Mundo Museu e Oficina Motor e documentários que ficam entre natureza e esportes radicais, como Himalaia, Expedição Islândia e Slackline. De filmes, por enquanto apenas um: Os Mercenários 3.

O aplicativo GlobosatPlay 4K funciona nos TVs lançados a partir de 2013 que permitam instalar o Evolution Kit, módulo mutlimídia da Samsung que se conecta à internet e processa as atualizações. Para TVs de outras marcas, o lançamento será nos próximos meses. A Globosat recomenda conexão de pelo menos 30Mbps para captar o sinal 4K com boa qualidade.

Energia? Seus problemas acabaram…

Tesla-PowerwallO fato que mais repercutiu recentemente, no mundo da tecnologia, foi a apresentação da Powerwall (foto), a “super bateria” da Tesla, empresa californiana que entrou para a história como inventora do carro elétrico de alta performance. O sul-africano Elon Musk, fundador e proprietário, é mais um ícone do Vale do Silício. No melhor estilo Steve Jobs, ele disse que já tinha vendido 38 mil unidades da bateria (em uma semana…). Faltaria, agora, apenas os investidores colocarem seu rico dinheirinho no projeto, coisa de uns US$ 2 ou 3 bilhões, para produzir o aparelho em escala industrial.

“Não estamos conseguindo atender os pedidos. Tudo saiu de controle, parece que se tornou um fenômeno viral…”, disse Musk num encontro com acionistas e representantes de fundos de investimento que, segundo o próprio, já lhe garantiram US$ 800 milhões para a missão.

Para quem não vem acompanhando: a Powerwall é uma bateria de íon-lítio que mede 1,30m de altura, pode ser pendurada na parede e armazenar 10kW/hora. Funciona conectada à rede de eletricidade convencional, ou a painéis solares ou eólicos, sendo acionada quando há queda de energia na casa. Seu preço ao consumidor é de US$ 3.500. A Tesla promete ainda uma versão para grandes empresas, com capacidade para 100kW/h.

Musk diz que sua criação terá, no futuro, a mesma importância dos celulares, que “libertaram” os usuários das redes fixas. “É uma grande solução, por exemplo, para comunidades distantes, onde a energia regular nem chega”. Tirando a empolgarão típica de um grande vendedor, a Powerwall é uma idéia perseguida no mundo inteiro. Japoneses e alemães, por exemplo, já lançaram produtos parecidos, mas não a esse preço.

Resta saber quanto há de verdadeira tecnologia na idéia. Ou se é apenas mais uma forma de arrancar dinheiro de investidores deslumbrados.

Quem é o “novo” telespectador

TV androidA Viacom, um dos maiores conglomerados multimídia do planeta, divulgou na semana passada um interessante estudo sobre as mudanças de comportamento dos usuários. O levantamento foi feito em 14 países (Brasil incluído), com um total de 10.500 entrevistas, e mostra como as pessoas acessam hoje seus conteúdos preferidos, como descobrem novos conteúdos e como se relacionam com suas diversas telas; incrível, mas o conceito de “segunda tela” parece que já ficou obsoleto.

A principal conclusão, nada surpreendente, é que a maioria continua dando prioridade aos conteúdos próprios da televisão, ainda que às vezes usando para isso a internet. “Nunca se assistiu tanta televisão”, resumiu Christian Kurt, vice-presidente da VMNI (Viacom International Media Network) e coordenador da pesquisa. “A questão é que agora precisamos redefinir o conceito de televisão.”

Nos próximos dias, daremos mais detalhes sobre a pesquisa, cuja íntegra, em inglês, pode ser lida aqui (há também um resumo disponível neste vídeo). Importante: o trabalho se limita a pessoas com idade entre 6 e 34 anos. Apenas para focar no mercado brasileiro, onde foram ouvidos 750 usuários, segundo a Viacom, notem que:

*Entre os brasileiros, 66% acham que a qualidade da programação em geral “nunca esteve tão boa”;

*Com o fenômeno das redes sociais, o assunto “televisão” é o mais comentado, segundo 78% deles;

*Esses entrevistados possuem, em média, cinco dispositivos para acessar conteúdos de vídeo, entre tablet, smartphone, computador, laptop, console de jogos, TV smart, iPod Touch, DVD player e aparelhos de streaming; não fica claro que aparelhos seriam esses, mas supõe-se dispositivos do tipo Apple TV e similares; a pesquisa não menciona “receptores de TV paga”, mas é óbvio que esse item está incluído;

*Para 71% dessas pessoas, os serviços de VoD são os mais utilizados, vindo a seguir os sites dos próprios canais (58%), os SVoD (serviços de assinatura on-line, com 56%) e os gravadores DVR (54%).

TV paga sofre com a economia

Até o ano passado, o segmento de TV por assinatura se destacava na paisagem: chegou a ter crescimento de 30% num único ano (2011) e quase repetiu a dose no ano seguinte (27%). Enquanto isso, a economia como um todo (o famoso PIB) ia girando em falso. Em 2014, enquanto o país cresceu perto de 0%, a venda de pacotes de TV ficou em 8%, ótimo resultado.

Mas 2015 traz uma nova realidade. A se manterem os números do primeiro trimestre, cenário mais provável, o crescimento ficará abaixo de 5% no ano. Foram apenas 188.297 assinaturas vendidas de janeiro a março, contra cerca de 435 mil no mesmo período do ano passado. Na verdade, a conta não é exata: esses números indicam o aumento geral do número de domicílios atendidos e registrados na Anatel, ou seja, o total de novas assinaturas menos aquelas que foram canceladas.

O problema é que houve uma retração no final do ano: o número de assinantes simplesmente diminuiu em dezembro (queda de 237.000 assinaturas) fenômeno completamente fora da curva. A média mensal, que era de aproximadamente 170.000, despencou para 124.000. E, nos primeiros três meses de 2015, foi de 62.000. Em março, havia menos famílias utilizando o serviço do que em novembro!

Europeus transmitem TV 4K ao vivo em HDR

HDR explainedEsta semana aconteceu a primeira demonstração de TV 4K ao vivo utilizando o código HDR (High Dynamic Range). Foi em Luxemburgo, no evento anual da operadora de satélites SES, hoje a maior da Europa. Em conjunto com a Samsung e a BBC, foi feita uma transmissão especial em resolução Ultra-HD no padrão europeu DVB, captada num TV Samsung.

O fato do sinal ser codificado em HDR é particularmente significativo. Como já explicamos aqui, esse é o processamento de vídeo padrão para a distribuição de conteúdos em 4K, a começar da Netflix, que já está adotando essa tecnologia em suas séries (por enquanto, é a única fonte desse tipo de sinal disponível no Brasil). A principal diferença em relação ao sinal 4K já conhecido está na amplitude do brilho: consegue-se captar pretos e brancos com maior profundidade, resultando em imagens mais contrastadas.

A imagem acima, montada pela Dolby, ilustra a ideia.

Para isso, o sinal precisa ser codificado de acordo com as normas compartilhadas por toda a indústria – fabricantes, produtores de conteúdo, emissoras, operadoras, provedores de internet. O receptor HDR deve ser capaz de identificar inclusive os metadados registrados no sinal. Uma norma a respeito foi recentemente divulgada pela CEA (Consumer Electronics Association); vejam aqui.

Estamos falando do futuro? Certamente. TVs compatíveis estão sendo lançados na Europa e nos EUA, e alguns modelos talvez cheguem ao Brasil no segundo semestre. Também para final do ano está previsto o lançamento dos players Blu-ray 4K. Quanto a transmissões de TV, aberta ou fechada, não há prazos. Emissoras e operadoras com certeza estão de olho em eventos como esse que aconteceu em Luxemburgo.

TV paga: pacotes menores e mais baratos

Uma das notícias mais importantes do ano, no segmento de tecnologia, foi a de que Verizon, maior operadora de telecom dos EUA, irá flexibilizar a venda de seus pacotes de serviço. É a primeira vez que um gigante do setor se dispõe a alterar a base que sustenta toda essa indústria: o assinante ganha mais opções no chamado bundling e não tem que necessariamente aceitar os canais que a operadora lhe impõe.

Os detalhes da notícia estão aqui, mas antes que os leitores tirem conclusões apressadas convém pensar um pouco sobre como funciona essa máquina de distribuição de conteúdos. O sistema de pacotes está na raiz da existência do mercado mundial de TV por assinatura. Para atender a uma quantidade crescente de usuários e manter uma oferta variada de conteúdos, com um mínimo de qualidade de áudio e vídeo e fluxo constante dos sinais, esse sistema é obrigatório.  Os investimentos em novos conteúdos e na infraestrutura de rede só podem ser bancados com uma receita regular, cobrada mensalmente dos assinantes.

O que a Verizon está propondo, na contramão das demais empresas do setor, é um pequeno ajuste dessa regra histórica. Nos pacotes convencionais, o usuário paga um valor X para ter acesso a determinados canais e serviços e recebe, como uma espécie de “contrapeso”, outros canais e serviços que não deseja. Não há como personalizar a oferta. O sistema trava se cada assinante puder fazer escolhas individuais. A Verizon está prometendo que seu sistema não irá travar, desde que os assinantes concordem em pagar um pouco mais para ter pacotes mais seletos.

Claro que isso tem a ver com a expansão dos serviços OTT, tipo Netflix. Estes são por natureza mais baratos e fáceis de gerenciar. Não lidam com sinais de TV aberta, nem com grandes catálogos de conteúdo; seu principal atrativo está nas séries, cujo volume de dados é limitado à quantidade de episódios. Não há sucessos recentes do cinema no Netflix. Para oferecê-los, a empresa teria que no mínimo triplicar a mensalidade.

Mas ninguém – nem mesmo os administradores desse tipo de serviço online – consegue prever o que irá acontecer nos próximos anos. Será que as pessoas vão abandonar o formato de pacotes? Conseguirão viver sem suas assinaturas? Num evento do setor realizado esta semana em Chicago (leiam aqui), estão sendo levantadas várias hipóteses. Mas, por enquanto, os pacotes ainda são sagrados.

HDMI 2.0a: atualização pela internet

No início de abril, o HDMI Forum divulgou as especificações da versão 2.0a, mais uma atualização nesse incrível mundo dos padrões de comunicação digital. Pelo texto oficial, aparelhos com esse conector terão a capacidade de receber e reproduzir conteúdos de vídeo gravados em 4K e codificados em HDR. Boa notícia: os TVs 4K atuais poderão ser atualizados pela internet, via firmware.

Como não há – ou melhor, há pouquíssimo – conteúdo em 4K disponível, menos ainda em HDR, o consumidor pode apenas imaginar como ficaria na sua sala uma imagem dessas. Teoricamente, a codificação HDR (High Dynamic Range) permite obter imagens com mais contraste e maior gradação de cores. A nova geração de câmeras profissionais Sony e Panasonic, exibidas na feira NAB na semana retrasada, por exemplo, traz esse aperfeiçoamento. Na CES, em janeiro, alguns fabricantes mostraram câmeras consumer desse tipo, mas que ainda não chegaram ao mercado.

Os TVs apresentados nos EUA pela Sony recentemente também são compatíveis com HDR, diz o fabricante. Essa codificação é similar àquela que já conhecemos, há décadas, da fotografia. Um sensor de altíssima capacidade analisa os sinais da cena e amplia a gama de cores e os níveis de contraste. Outros fabricantes farão o mesmo nos próximos meses. A diferença, mais uma vez, está na nomenclatura utilizada:

Sony – X-tended Dynamic Range

LG – Wide Color LED

Samsung – SUHD

E por aí vai. Já se sabe que o padrão HDMI 2.0 aumentou incrivelmente a capacidade de transferência de dados – quase o dobro da versão 1.4. O que os especialistas se perguntam é se alguém irá perceber a diferença na versão “a”. Vamos ter que aguardar para conferir.

Tecnologia, a serviço do crime

O conceito de pregões eletrônicos – que já existe há uns vinte anos na Europa, EUA e alguns países da Ásia – é o mais próximo a que já se chegou da perfeição em matéria de gastos públicos: os dados são exibidos na internet para que todos acompanhem, confiram, monitorem, e assim previnem-se desvios e acertos “por fora” entre as partes envolvidas.

Mas, claro, não estamos falando do Brasil. Por mais que se divulguem medidas para uma gestão pública “inteligente”, a toda hora surgem sinais indicando exatamente o contrário. Vejam esta notícia do site Convergência Digital: o TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu uma auditoria no Comprasnet, sistema eletrônico de compras públicas instalado pelo governo federal em 2010. Conclusão: irregularidades que somam R$ 4,6 bilhões!!!

A criatividade brasileira introduziu a figura do “coelho”, nome que se dá a uma empresa que entra no pregão apenas para apresentar uma proposta de valor muito baixo, de modo a excluir as concorrentes. A coelhice é combinada entre duas ou três, e uma delas sempre acaba vencendo a disputa. Parece que o TCU descobriu a farsa, tanto que está interpelando várias orelhudas.

Dias atrás, o mesmo site informou que o TCU bloqueou um outro pregão, este dos Correios, no valor de R$ 783 milhões, que visava à contratação de “serviços de rede IP”. Envolvidas: as operadoras Claro e BT Brasil (British Telecom). Enquanto a primeira apresentou proposta no valor de R$ 742,2 milhões, a segunda veio com R$ 136,1 milhões! Mesmo sem conhecer os detalhes, não é difícil imaginar que há algo errado com uma diferença dessas.

Pelo que diz o relator do processo no TCU, a BT seguiu o “manual de instruções” para quem participa de licitações públicas no Brasil: após vencer a disputa, “renegociou” os termos de sua proposta, que aumentou para R$ 742,5 milhões (os detalhes estão neste link).

Não há tecnologia que resista a esse tipo de criatividade.

TVs entram na era do Android

sony-android-tvTalvez seja apenas coincidência, mas no mesmo dia (ontem) em que a Sony anunciava, nos EUA, sua linha de TVs para 2015, com destaque para a plataforma Android TV, a Google comunicava que os TVs dessa marca produzidos antes de 2013 não poderão mais acessar o aplicativo YouTube. Como se recorda, a Sony foi um dos fabricantes que aderiram ao falecido Google TV (foto abaixo), anunciado como “revolução” anos atrás. LG e Samsung também apostaram na ideia a princípio, mas souberam cair fora a tempo.

Sony-Google-TV

 

O problema de quem faz parceria com a Google é estar sempre de mãos dadas com um gigante imprevisível. Embora na teoria utilize software aberto, a empresa usa e abusa do poder de promover “upgrades”, como gosta de chamar, sem avisar os parceiros. É impossível prever se o mesmo irá acontecer com o Android TV, que a Sony (assim como a Philips) decidiu adotar. O comunicado da Google cita também TVs e players Blu-ray da Panasonic, assim como consoles de videogame e quase toda a linha Apple. Todo mundo que possui um aparelho desses produzido até 2012 fica excluído do app YouTube; só conseguirá assistir aos vídeos via navegador, quando houver.

São dez os TVs Sony Android (foto maior), com tamanhos de 43 a 85 polegadas, disponíveis a partir de maio no mercado norte-americano e em alguns países europeus. No Brasil, a empresa passou por uma drástica reformulação no final do ano passado e, como os demais fabricantes, sente os efeitos da queda nas vendas. Ainda não há informação sobre quando (e se) os novos TVs sairão por aqui.

Chineses, indo e voltando

Enquanto a Lenovo – maior fabricante de computadores do mundo – corta custos no Brasil, a TCL – maior no setor de displays – busca expandir investimentos no país. São os grandes grupos chineses se tecnologia se movimentando.

Ainda não é oficial, mas a Lenovo deverá em breve desativar a fabricação de TVs com a marca CCE, da qual assumiu o controle em 2009. A empresa demitiu quase 2.500 funcionários em Manaus no ano passado, e agora está remanejando também a produção de PCs para Itu (SP) – detalhes aqui.

Como se sabe, os chineses jamais dão pistas do que pretendem fazer. Mas, pelo menos, o presidente do grupo TCL, Li Dong Sheng, abriu parte do jogo, na semana passada, em entrevista à agência Reuters. O TCL é dono de marcas como RCA, Alcatel e Thomson, além de fornecer displays até para a Samsung. Mr. Sheng disse que espera até o ano que vem construir fábricas no Brasil e na Índia, países onde as taxas de importação atingem números estratosféricos.

Com o mercado desaquecido como está, seria um investimento muito bem-vindo.

Arcam e a amplificação classe G

arcam

 

 

 

Com a multiplicação dos equipamentos digitais, a indústria de áudio teve que passar por uma intensa reciclagem nos últimos anos. A falsa polêmica sobre o que é melhor (digital ou analógico?) retardou o processo, mas era questão de sobrevivência: hoje, os principais fabricantes de amplificadores e processadores estão no universo digital. Uma das empresas que melhor vêm se saindo nessa adaptação é a inglesa Arcam, fundada em 1976 por dois estudantes da célebre Universidade de Cambridge (o nome da empresa é uma contração de Amplification & Recording Cambridge). Honrando a tradição britânica em áudio, a Arcam ficou conhecida por seus ótimos amplificadores e processadores lançados ao longo dos últimos vinte anos. Sua linha de receivers que chegou ao mercado internacional no início deste ano mantém a reputação.

Agora distribuídos no Brasil pela Audiogene, esses receivers são dos raros que adotam a amplificação classe G, que utiliza fontes de alimentação chaveadas automaticamente, de acordo com a demanda do sinal. Nessa configuração, uma fonte mantém a corrente o tempo todo e uma outra entra em ação quando o sinal requer tensão mais alta. Assim, sempre há uma reserva de energia para fornecer a potência necessária, com taxa de distorção baixíssima (0,02%). O modelo top de linha (AVR750) libera 100W em 7.1 canais ou 120W em estéreo.

A classe de amplificação não tem a ver necessariamente com o desempenho do aparelho, apenas com a configuração interna dos estágios de alimentação. A chamada “classe G” é mais comum em equipamentos profissionais. Para sistemas residenciais, costuma-se utilizar as classe AB e D. Mas o lançamento da Arcam pode significar uma nova tendência. Para entender melhor essas diferenças, sugiro aos leitores este artigo do especialista João Yazbek, proprietário da Advanced Audio Technology.

Receivers, cada vez mais poderosos

integra70

 

 

 

O segmento de receivers para home theater é um dos que mais vêm sendo afetados pela crise econômica. Muitos usuários ainda se deixam levar pela ilusão de que um conjunto integrado (os famosos “HT-in-a-box”, ou simplesmente HTB) pode proporcionar a mesma clareza sonora e/ou a mesma sensação de envolvimento de um sistema modular. E, quando o orçamento aperta, parece que essa ilusão cresce ainda mais.

No entanto, as boas marcas de receivers são responsáveis por alguns dos avanços mais importantes dos últimos anos. Quase todas são de origem japonesa: Onkyo, Yamaha, Denon, Marantz (as duas últimas pertencentes ao mesmo grupo D&M). Há cerca de dois anos, veio juntar-se a elas a Integra,  distribuída no Brasil pela Som Maior, que já tinha a Rotel, posicionada um pouco acima em termos de preço. Recentemente, foi lançada a britânica Arcam, sobre a qual falaremos no próximo post.

A Integra – que curiosamente pertence ao grupo Onkyo, mas com operações totalmente separadas – foi a primeira a lançar aqui receivers com o padrão de conexão HDBaseT, que une recursos de áudio, vídeo e automação, além de permitir o tráfego de sinal de energia pelo mesmo cabo. Agora, a empresa traz nada menos do que cinco modelos dotados do software Dolby Atmos, que amplia o impacto sonoro. Um desses novos aparelhos (mod. DTR-70.6) pode funcionar em até 11 canais de áudio, cada um com 135W de potência (além de dois canais para subwoofer).

Para quem tem uma sala a partir de 40m2, é uma excelente sugestão. A alternativa hoje para atingir potência nesse patamar, e com boa resolução sonora, seria um sistema de pré+power, com certeza bem mais caro.

Automação atrai até os gigantes

ibridge_lock_550Já se sabe que os grandes fabricantes de eletrônicos estão com os olhos voltados para o segmento de automação residencial. Comentamos o assunto aqui algumas vezes, principalmente quando nos referimos a eventos como IFA, CES e CEDIA Expo. Nas edições recentes dessas feiras, empresas como LG, Samsung, Sony, Philips e Panasonic mostraram como pensam atuar nesse setor.

Na semana passada, duas gigantes na produção de eletrodomésticos – as alemãs Bosch e Miele – anunciaram que também estão embarcando na tendência. A primeira se uniu ao consórcio Z-Wave para lançar paineis de parede sem fio, voltados à segurança de casas, escritórios e condomínios. Já a Miele apresentou, numa feira em Berlim, um forno de microondas que pode ser acionado até via celular, utilizando o software Azure, da Microsoft.

O fato de Apple, Google, a própria Microsoft e diversas operadoras de telecom (sem falar nas empresas especializadas em automação, como AMX, Crestron, Control4, Savant etc.) também estarem propondo soluções automatizadas vai na mesma linha. O principal problema é que ninguém até agora apresentou uma plataforma ao mesmo tempo aberta e confiável. Quase todas as empresas falam, por exemplo, em IoT (Internet das Coisas), mas sempre de modo abstrato, longe da compreensão do usuário leigo.

Não por acaso, a maioria dos consumidores está confusa – e também muitos profissionais do setor, como se vê neste artigo. O que todo mundo busca é praticidade e conveniência, a um custo razoável. Quem oferecer isso primeiro ganha o mercado. Vale a pena ficar de olho.