Começando de novo

Amigos leitores, cá estamos de novo, começando mais um ano e tentando, na medida do possível, nos conectar com tudo (ou quase) que acontece no mundo da tecnologia, especialmente áudio & vídeo. Pelos relatos disponíveis, a maioria teve um 2015 difícil e torce para que 2016 seja bem melhor. Mas não basta torcer. Teremos todos que pensar e trabalhar muito mais. O excesso de notícias ruins às vezes contamina a atmosfera, tornando mais complicado discutir novos projetos ou novas oportunidades de negócio. E elas existem. Estamos nos propondo este ano a falar menos de problemas, e mais de soluções.

De início, então, um ótimo ano para quem nos lê. E ao trabalho.

Sobre assuntos como economia, política, comunicação, confiram nossas opiniões e sugestões na seção Jeitinho Brasileiro.

Sobre o tema principal deste blog, quero começar o ano, com licença, advogando em causa própria. Este 2016 marcará os 20 anos da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL (antes, somente “Home Theater”), que lançamos em maio de 1996. Ainda falávamos de videocassete, CD e projetor de 3 tubos, entre outros avanços da época, quando iniciamos essa jornada. Foram, até agora, 236 edições impressas, mensais e consecutivas, além de uma série de especiais, mais o anuário “Home Theater Best”, que vem sendo publicado regularmente desde 2001.

Lembro com carinho da “Som Três”, revista mensal que fez a cabeça de muita gente, comandada nos anos 1970 pelo grande jornalista Mauricio Kubrusly, e de “Video News” e “Audio News”, que ajudamos a criar nos anos 80/90. Vem à mente uma série de outras iniciativas que ficaram pelo caminho, assim como tantos exemplos de publicações americanas e europeias que nos servem de inspiração. Infelizmente, o Brasil não é um país de leitores.

Isso, de qualquer forma, não impede nossas comemorações. Não é a toda hora que se fazem 20 anos. E, no caso de uma revista especializada num país com tantos problemas, o esforço é ainda mais gratificante. Estamos orgulhosos e só podemos agradecer a leitores, anunciantes, fornecedores, apoiadores e parceiros, além de prometer que – com ou sem crise – continuaremos nessa jornada.

Bye bye, 2015!

Aos prezados leitores deste blog, um pedido desculpas pela falta de atualizações destas últimas semanas. Uma série de contratempos acabou prejudicando o trabalho, neste ano que chega ao fim tão tumultuado quanto começou, lembram-se? Espero que todos consigam recarregar as respectivas baterias nas próximas duas semanas, como tentaremos fazer nós, e voltar em 2016 com mais energia e criatividade. O blog retorna à ativa no dia 11 de Janeiro.

A todos, um ótimo Natal e um Ano Novo pleno de boas notícias!

Vai que cola outra vez…

Uma das notícias mais importantes da semana passada foi o fechamento do serviço Mega Filmes HD, um dos mais ativos da pirataria brasileira. Na operação chamada Barba Negra (não sei como nem por que são escolhidos esses nomes…), a Polícia Federal prendeu sete pessoas acusadas de dirigir o site e interrogou outras cinco. Na pacata cidade de Cerquilho, interior de São Paulo, foi preso um casal que, pelas informações disponíveis, mantinha o serviço funcionando a partir de sua casa. Ali, os agentes apreenderam nada menos do que 150 mil arquivos de vídeo que eram comercializados ilegalmente pela internet. Entre eles, havia até filmes que nem foram lançados nos cinemas…

O casal faturava cerca de R$ 70 mil mensais; e as investigações continuam. Segundo o Estadão, o Mega Filmes HD era o maior site de filmes piratas da América Latina: em apenas 12 dias, em outubro, um único filme – a comédia brasileira Vai que Cola – foi acessada ali por mais de 350 mil pessoas. Como se sabe, o Brasil está entre os campeões mundiais do segmento. Os 50 maiores sites piratas do país tiveram 1 bilhão de acessos entre fevereiro e julho últimos.

O episódio mostra que esses serviços são coisa de quadrilha muito bem organizada, certamente com ramificações também fora do país. Mais do que música ou software, a distribuição ilegal de filmes que ainda não chegaram aos cinemas exige tecnologia avançada, e que é cada vez mais aprimorada. Mas, como nos demais casos (e vale também para drogas, armas etc.), a pirataria só existe quando há conivência dos usuários. Se os visitantes daqueles 50 sites agissem de modo mais digno, os criminosos perderiam sua fonte de renda.

Tristemente, muitos deles devem estar entre os que participam de passeatas contra a corrupção, votam em políticos como os citados no comentário anterior e/ou pedem a volta dos militares!

Ameaça às emissoras de políticos

O que há de comum entre políticos como Aécio Neves, Fernando Collor, Jader Barbalho, José Sarney, Edison Lobão, Tasso Jereissati e Agripino Maia? Vocês provavelmente já viram esses nomes envolvidos em escândalos de corrupção. Fora isso, eles são também “empresários de comunicação”. Emissoras de rádio e TV em vários estados são de sua ilustre propriedade, e o uso que fazem delas dispensa maiores comentários.

Pois agora, por iniciativa do Ministério Público Federal, estão sendo investigados. A intenção é nada menos do que cassar as licenças de funcionamento das emissoras que pertencem a 32 deputados e oito senadores, o que é expressamente proibido pela Constituição. Os senhores parlamentares não poderiam, se a lei fosse respeitada, sequer ser sócios de empresas que recebam concessão de radiodifusão. O motivo é simples: é o próprio Congresso que autoriza, ou seja, caso típico de legislar em causa própria.

Bem, nada disso é novidade. Há décadas se sabe como funcionam essas concessões. Presidentes e seus ministros de Comunicações vêm seguidamente desrespeitando essa legislação, coisa que em país sério levaria também a punições severas. Alguém pode então questionar por que, afinal, essa prática seria extinta agora. Claro, será uma batalha longa e penosa. O MPF promete levar a questão adiante, mas para isso precisa do apoio de todas as pessoas e entidades que se preocupam com a democracia (sim, é disso que estamos falando). Provavelmente essas notícias não sairão no rádio nem na televisão, mas para isso existem as outras mídias.

Essa é uma causa que vale a pena compartilhar. A lista dos parlamentares donos de empresas de mídia está nesta reportagem da Folha de São Paulo.

E vejam este pequeno histórico sobre o assunto, de autoria do veterano jornalista Alberto Dines, que denuncia as irregularidades.

 

Anatel mostra mais transparência

Nesta sexta-feira, a Anatel fugiu de seus hábitos e divulgou os números oficiais dos mercados de telefonia, banda larga e TV por assinatura, com dados individuais das prestadoras de serviço. Até agora, isso parecia um tabu na agência reguladora, como se fosse proibido informar ao distinto público quanto cada empresa vende. Não se sabe se é efeito da recessão, mas o fato é que agora podemos saber melhor a participação de cada grupo econômico nos serviços.

Focando na TV paga, como se esperava o panorama é sombrio. De março a setembro, o total de domicílios atendidos caiu quase 300 mil. Significa muito mais, porque essa é a soma de todas as famílias que deixaram o mercado, menos as novas assinaturas vendidas. A maior parte da redução aconteceu no segmento de DTH (TV via satélite), liderado pelas operadoras Sky, Claro, Oi e GVT. Já na TV a cabo, houve pequeno aumento (cerca de 100 mil domicílios), assim como na modalidade FTTH (fibra óptica), que saltou de 111 mil para 153 mil.

Na estatística por empresa, quase todas têm hoje menos assinantes do que no início do ano; a exceção é a Telefonica/Vivo, que como se sabe absorveu a GVT. Somadas, ambas tinham 1,729 milhão de assinantes em março, agora têm 1,836 milhão. O trio NET+Claro+Embratel soma 10,133 milhões (perdeu 133 mil), enquanto a Sky passou de 5,684 milhões para 5,607. Os dados completos estão neste link.

Internet das Coisas: onde mora o perigo

Talvez seja o assunto mais comentado hoje entre especialistas em tecnologia: IoT (sigla em inglês para “Internet das Coisas”). Com os aparelhos cada vez mais conectados, entre si e com hubs ou servidores na nuvem, esse mundo – que estava só na ficção científica – parece mais próximo. Quase todos os fabricantes afirmam estar desenvolvendo produtos para essa era em que será possível interligar, literalmente, tudo.

Bem, seria ótimo se fosse assim tão simples. Acaba de sair um estudo pioneiro da empresa russa Kaspersky, uma das líderes mundiais em segurança digital, mostrando que os aparelhos criados para IoT, pelo menos alguns deles, não são seguros; aliás, podem ser facilmente invadidos. Os técnicos da empresa usaram produtos que já estão à venda, como o pen-drive Chromecast, da Google, que promete acesso rápido e prático à internet e a possibilidade de transferir todo tipo de arquivo entre aparelhos diferentes. Testaram ainda uma câmera de segurança da marca Philips, dessas que servem para monitorar o quarto do bebê; uma cafeteira smart, outra maquininha que está se tornando comum; e um sensor eletrônico para portas e janelas.

Todos os produtos avaliados foram descritos como “inseguros”. No caso do Chromecast, conseguiram invadi-lo a distância com uma simples antena Wi-Fi. No teste da câmera de segurança, foi possível até roubar a senha do usuário e acessar seus emails!

Para tranquilidade (ou não?) dos consumidores que gostam de coisas baratas, a Kaspersky informou ter entrado em contato com os quatro fabricantes e que todos concordaram em retirar seus produtos de circulação. A exceção foi a Google: a versão 2015 do Chromecast continua apresentando os mesmos problemas.

TVs UHD, mas que não são bem UHD…

pseudo fig7Meses atras, saiu a notícia de que havia no mercado internacional falsos TVs 4K (detalhes aqui). Normal: existem dezenas de marcas descartáveis, a maioria chinesas, e só as aceita quem quer. Mas a tecnologia 4K é mesmo complicada. Embora haja diversos modelos à venda, ainda não existe uma padronização definitiva, e nada garante que um aparelho adquirido hoje será compatível com os sinais que estarão disponíveis daqui a um ano (leiam sobre a questão das patentes envolvidas).

Agora, um site alemão acaba de prestar um ótimo serviço aos usuários, publicando um teste comparativo de laboratório, e detalhado, sobre TVs 4K (Ultra HD) e seus equivalentes 2K (Full HD). Publicamos aqui uma tradução quase literal do trabalho, que merece ser lida com atenção.

Mas este vídeo, produzido pela mesma equipe, vai ainda mais longe. Com imagens dinâmicas tem-se uma compreensão melhor do processo tecnicamente chamado “contagem de pixels”, pelo qual aquilo que parece ser nem sempre é. Segue a tradução das legendas do vídeo:

Comparação entre painéis UHD
O painel RGBW LCD reduz o detalhamento e exibe um verde sem saturação. Em seguida aos subpixels verdes, as linhas diagonais são interrompidas.
No caso dos pixels vermelhos, não existe qualquer estruturação; painéis RGBW OLED apresentam o mesmo problema.
A linha do pixel, ou “estrutura de resolução horizontal 100%”, é muito reduzida no painel RGBW LCD; a resolução UHD fica comprometida.
Não há quase nenhum contraste visível nos detalhes em verde, nas frequências mais altas, usando o TV LCD RGBW; as cores estão sem brilho nem saturação.
A estrutura dos pixels vermelhos se perde completamente, tanto nos painéis RGBW OLED quanto LCD; um resultado satisfatório aparece somente em RGB LCD.
Na análise checkerboard, usada normalmente para verificação de contraste, a estrutura de cada pixel só é visível em RGB LCD e RGBW OLED. Em RGBW LCD, há menos subpixels e, portanto, não se consegue reproduzir a estrutura. A resolução é insuficiente para captar os detalhes em UHD.
No checkerboard verde, não se consegue reproduzir a largura de 1 pixel no painel RGBW LCD.
Na análise individual dos pixels, tem-se bom resultado em RGB LCD e RGBW OLED, mas eles aparecem largos demais em RGBW LCD, que utiliza até 5 subpixels ao mesmo tempo.
Já no teste checkerboard 2×2, a reprodução deve ser boa num TV UHD, já que a resolução da fonte de sinal seja Full-HD. Na verdade, a estrutura no painel RGBW está criando uma área maior para os campos brancos do que para os pretos. 
Usando apenas o canal vermelho, a estrutura de pixel 2×2 se perde totalmente no painel RGBW LCD.
A grade preta sobre fundo branco deve reproduzir bem num TV UHD, pois representa a resolução Full-HD. No entanto, os detalhes horizontais são filtrados no RGBW LCD.
A filtragem é ainda mais forte no canal verde do RGBW LCD.
No canal azul, a filtragem é melhor.
Agora, a questão da legibilidade das letras: a leitura de “e” e “w”, em particular, fica comprometida.
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Vejam o vídeo e leiam o artigo.
É a primeira vez que se publica algo do gênero sobre 4K.

Globo ataca também na internet

g1_globoplay_2Como será a televisão do futuro, ninguém sabe (algumas pistas, neste artigo). Mas, se há no Brasil alguém preparado para isso, chama-se TV Globo. Na semana passada, a emissora anunciou o serviço Globo Play, que permite acessar sua programação, ou partes dela, pela internet. Se você quiser ver agora o que está no ar, só precisa clicar!

“Não adianta ter o conteúdo se ele não chegar às pessoas”, explicou, no evento de lançamento, o diretor-geral da Globo, Carlos Schroder. “Há uma mudança permanente nos hábitos, e temos que nos atualizar na forma de entregar os conteúdos”. Schroder revelou dados de pesquisas da emissora: 38% dos domicílios, hoje, possuem banda larga; 34% dos entrevistados disseram que assistem a vídeos online; e um capítulo da novela Verdades Secretas, por exemplo, assistido na TV por 145 milhões de pessoas, teve nada menos do que 190 milhões de visualizações na web.

Esse formato de distribuição, chamado simulcast, pode ser o padrão daqui a alguns anos. Os programas ao vivo terão que estar disponíveis também online; no caso da Globo, a maneira de controlar tudo é uma tecnologia baseada em GPS, que bloqueia o acesso fora de determinada área. Quem está em São Paulo, por exemplo, só conseguirá ver a programação que é exibida na cidade. A Globo sabe que precisa preservar seu modelo de afiliadas. E terá de investir muito para proteger seu sinal, considerando a alta capacidade dos piratas.

Também nesta terça-feira, a Globo anunciou uma experiência inovadora: um “capítulo zero” da nova novela Totalmente Demais está sendo transmitido pelo Globo Play (e também pelo serviço Gshow). A novela estreia oficialmente na próxima segunda, mas foi escrita e produzida uma espécie de “esquenta”, com cerca de 10 minutos de duração, reunindo os principais nomes do elenco. Assistam aqui.

Estamos nos tornando obsoletos?

obsolescChamo a atenção dos leitores para este artigo, que trata de um tema polêmico já abordado neste blog: a questão da obsolescência programada dos aparelhos eletrônicos. Basicamente, seria um grande “complô” entre os fabricantes para lançarem produtos de vida útil curta, de tal modo que o consumidor sinta frequentemente o impulso de trocá-los. Sabe-se que essa prática não se restringe aos eletrônicos, e existe certa lógica no raciocínio, por mais que pareça cruel. Mas o articulista vai mais fundo na análise.

Talvez por influência do pessoal da informática, fanático por atualizações, o consumidor em geral acaba se tornando obcecado por novos modelos de celular, tablet, TV e por aí vai. Produtos que antes consumiam uma década em pesquisa e desenvolvimento, hoje são descontinuados apenas um ano e meio depois de chegarem ao mercado. E quem não tem o modelo mais recente arrisca-se a ser chamado de “cidadão obsoleto”, ou algo do gênero.

De quem é a culpa?

HDMI: “A coisa vai ficar pior”

A frase acima foi dita por Jeff Boccaccio, presidente da DPL Labs, empresa americana de consultoria que mantém um respeitado sistema de certificação de equipamentos de áudio/vídeo, especialmente cabos e conectores. Falando a uma plateia de especialistas na semana passada, Boccaccio – que também é colaborador do site CE Pro – comentou a quantidade de problemas que vêm sendo registrados em sistemas conectados pelo padrão HDMI; infelizmente, esse é o mais usado, hoje, no mundo inteiro.

“A coisa só vai piorar”, exclamou mr. Boccaccio, lembrando o conhecido trocadilho do plug-and-pray. Para quem não está familiarizado, essa é a brincadeira que se faz entre instaladores quando se vêem diante de uma rede HDMI. Em lugar do plug-and-play (“ligar e funcionar”) decantado pela indústria, surge uma enorme interrogação, sintetizada na expressão plug-and-pray (“ligar e rezar para que funcione”).

A preocupação faz mais sentido no momento em que surge uma nova codificação para sinais de vídeo, chamada HDR (High Dynamic Range). Supostamente, trata-se de um tratamento mais refinado do sinal digital, que ganha muito em contraste e profundidade de cores. “Podem acreditar: as variações na escala de cores são tão espetaculares que parecem imagens em 3D”, disse Boccaccio. Mas isso, adverte, quando cabos e conectores conseguem transportar o sinal em sua integridade. “Vamos precisar de toda a largura de banda especificada para HDMI, ou seja, 18 Gigabits por segundo”, garante ele.

O problema é que, já nos sistemas atuais, onde se trabalha com taxas em torno de 10 Gbps, essas redes não estão dando conta. Sinais UHD, por exemplo, estão sendo transmitidos com menos intensidade de cores do que em Full-HD. “Não se iludam: quando seus sistemas instalados começarem a carregar sinais HDR, os cabos não vão suportar”, preveniu o especialista, citando os testes que sua empresa vem realizando.

Em suma, o que estamos assistindo atualmente, nos poucos serviços que se identificam como tal, não é 4K. Talvez não se perceba quando estão conectados apenas um TV (ou projetor) e uma fonte de sinal. Mas a diferença fica clara quando se fala de redes. Ainda não estamos preparados para a era do UHD.

Mais uma operadora? Não tão cedo…

Um dos efeitos perversos da crise econômica brasileira é o de retardar decisões sobre investimento. E um setor particularmente afetado é o de telecom. As conversas de bastidor, envolvendo inclusive grandes fundos internacionais, esfriam quando se olha para Brasilia. O consenso é que, por enquanto, não há muito o que fazer. Além de conversar, é claro.

Os grupos Telecom Italia (Tim), TMar e Pactual (controladores da Oi) discutem uma possível fusão, aparentemente a única saída para as duas operadoras, hoje “espremidas” pelas gigantes América Móvil e Telefônica/Vivo. O caso da Oi é bem mais complicado, por causa de suas ligações com a Portugal Telecom – mais detalhes aqui. Há até um investidor russo na história.

Já a americana AT&T, que no ano passado assumiu o controle da DirecTV e tinha planos ambiciosos para o Brasil (onde comanda a Sky), parece ter congelado essa ideia. A Sky está sendo uma das mais atingidas pela inadimplência na TV por assinatura, até porque lidera o segmento DTH (satélite), que vinha sustentando o crescimento desse setor nos últimos anos. Boatos já indicam que o grupo pensa vender a Sky Brasil, mas o projeto da AT&T continua sendo entrar na telefonia celular, só que não agora.

Por ordem da matriz mexicana, a Claro desabilitou quase 1 milhão de assinantes de celular pré-pago no último trimestre (julho a setembro), além de sofrer impacto semelhante ao da Sky na TV por assinatura. O grupo América Móvil mandou segurar as contas.

E, por fim, a Nextel foi colocada à venda. O grupo NII Holdings já se desfez de suas operações no México e em três países sul-americanos, e busca comprador para o braço brasileiro, que acumula prejuízos. Nos EUA, o NII está em recuperação judicial, com dívidas de quase US$ 6 bilhões. Mais detalhes aqui.

Tudo isso em meio à alta do dólar, que afeta todo mundo. Invista-se com um barulho desses.

YouTube, agora um canal de TV

Na próxima quarta-feira (28), entra no ar nos EUA o YouTube Red, anunciado como o “canal de TV do YouTube”. Mesmo que você não goste, ou não tenha o hábito de assistir a vídeos ali, esse lançamento pode ter grande influência na sua vida. Ou, pelo menos, na vida de seus filhos. A aposta da Google, dona do YouTube, é que milhões de jovens adoram produzir e compartilhar seus próprios vídeos. Agora, terão um canal só para eles. E aceitarão pagar por isso.

O Red vai cobrar assinatura mensal na faixa de 10 dólares. Se apenas 10% das pessoas que acessam os vídeos ali concordarem em pagar, a empresa terá uma receita extra em torno de US$ 4 bilhões! Mais do que isso: o canal estará aberto para exibir vídeos de qualquer pessoa. E irá pagar por produções originais exclusivas. Num momento em que os jovens fogem da televisão tradicional (e mesmo da internet tradicional), essa pode ser uma grande sacada. A conferir.

TVs a laser: sobrou para quem comprou

mitsubishi-l75-a96-75-inch-1080p-3d-laservue-television-15081-MLB20094315742_052014-FLembram-se dos TVs LaserVue? Falamos sobre eles aqui algumas vezes. Eram TVs de retroprojeção, com painel óptico usando laser em lugar dos antigos raios catódicos. Foram lançados em 2008 e deixaram de ser fabricados em 2012 (mais detalhes aqui). Pois, na semana passada, a filial americana da Mitsubishi, dona da marca LaserVue, teve que aceitar uma inédita decisão judicial em favor dos poucos usuários que adquiriram esses TVs.

Segundo o site Twice, consumidores californianos se uniram numa ação judicial contra a empresa, devido aos defeitos dos TVs. Começou com um revendedor da marca que recebeu diversas queixas de clientes, principalmente sobre falhas no dispositivo óptico (os diodos de laser simplesmente queimavam…). Apesar da garantia em vigor, o fabricante parou de fornecer peças em 2012, e a revenda não tinha o que fazer.

A Justiça ordenou que a Mitsubishi reembolse todos os consumidores que comprovarem ter comprado um LaserVue (para isso, eles precisam se inscrever através de um site). Mas John Prawat, o tal revendedor que liderou a disputa,ainda não está satisfeito: quer ele também ser indenizado, por danos morais. A decisão final sai em novembro.

Olimpíada 2016 terá recorde de canais

Aquelas imagens fantásticas que vemos em toda Olimpíada poderão ser exibidas novamente, no ano que vem, em pelo menos 20 canais de televisão. Só a Globosat prepara 16 deles, dedicados 24 horas por dia à cobertura dos jogos. Em princípio, não haverá transmissão em 4K – o Comitê Olímpico Internacional acha que não há demanda para isso. A preocupação do COI é que a cobertura do evento seja o mais ampla possível, chegando até a locais onde não há televisão. Para isso, o trunfo é criar um canal oficial dos Jogos Olímpicos, mas online.

No entanto, quem sabe a Globosat consiga repetir a proeza do Rock in Rio, quando exibiu shows em 4K (e com áudio Dolby Atmos). No caso da Olimpíada, apesar de ser um evento muito mais complexo, há condições técnicas para isso pelo menos nas cerimônias de abertura e de encerramento. Recentemente, Guilherme Saraiva, diretor de novas tecnologias da empresa, confirmou o acordo com as operadoras NET e Claro HDTV para levar ao ar 16 canais em HD durante o evento; não falou em 4K, mas sabe-se que na Globo trabalha-se com essa possibilidade. Não para TV aberta.

Embora já esteja utilizando equipamentos 4K em novelas e minisséries, a cúpula da Globo não acredita que esse padrão seja viável em sinal aberto. A Globosat vem sendo estimulada a fazer experiências com 4K visando o mercado de pay-TV e até já produz alguns programas com essa qualidade. Muitos, aliás, podem ser assistidos via internet, usando o aplicativo Globosat Play 4K (vejam como funciona, neste vídeo). A aposta é que irá aumentar a oferta de conteúdos em 4K, mas na internet, não na TV linear.

Como mostramos neste artigo, faz todo sentido.

Panasonic reduz seu mercado de TVs

pana ceatecDurante a CEATEC, feira internacional de tecnologia que aconteceu no Japão no início do mês, a Panasonic – que tinha um dos maiores estandes do evento – anunciou uma mudança de estratégia para o mercado brasileiro. A repórter Denise Neuman, do jornal Valor Econômico, que estava presente, relatou as palavras do presidente da Panasonic do Brasil, Michikazu Matsushita: crescer com menos TVs e mais linha branca, além de apostar no segmento B2B (soluções para empresas).

A intenção, segundo ele, é diminuir a participação na linha marrom, que sempre foi o forte da Panasonic aqui, e ao mesmo tempo aproveitar o potencial de refrigeradores, lavadoras, fogões etc. Há três anos, o grupo abriu fábrica para isso na cidade de Extrema (MG), com incentivos do governo mineiro. “É um mercado com muito potencial”, diz Matsushita. “A penetração de máquinas de levar nas casas é de apenas 40%”.

Ele valoriza os ganhos de escala com a produção nacional, lembrando que sua capacidade de oferecer produtos diferenciados da concorrência é muito maior do que, por exemplo, em TVs, segmento em que os aparelhos são muito similares. A Panasonic foi uma das primeiras do setor eletroeletrônico a investir em tecnologias de redução do consumo de água e energia, ainda no final do século passado (vimos isso de perto no Japão, vejam aqui). E Matsushita acha que suas geladeiras e lavadoras podem atrair o consumidor por aí.

Saem os primeiros TVs com Dolby Vision

A marca americana Vizio, cujos produtos são inteiramente fabricados na China, é a primeira a lançar TVs com o logotipo “Dolby Vision”. Essa é a versão da Dolby para a tecnologia HDR (High Dynamic Range), desenvolvida para proporcionar mais contraste e maior intensidade na reprodução das cores. Como explicado aqui meses atrás, ainda há indefinições sobre o uso da codificação HDR, embora Samsung e LG, por exemplo, já tenham anunciado TVs com esse recurso. Enquanto isso, a Dolby se antecipou com a patente Dolby Vision, demonstrada no estande da Vizio, semana passada, na CEDIA Expo, em Dallas.

Basicamente, funciona sob o mesmo princípio: um algoritmo atua sobre o sinal de vídeo, ampliando a faixa dinâmica, o que resulta em mais contraste e maior profundidade de cores. A Vizio está lançando dois modelos – na verdade, um de 65″, para os mortais (preço sugerido: US$ 5.999 no mercado americano), e outro para milionários (120″, a US$ 129.999). São também os primeiros TVs com comunicação Wi-Fi a/c, bem mais rápida que a geração atual (Wi-Fi n). Os painéis, do tipo QD (Quantum Dot), são fornecidos pela Nanosys/3M.

A Dolby também anunciou na CEDIA que fechou acordo com a Warner para lançar uma série de filmes codificados em Dolby Vision, para serem baixados pela internet, como Homem de Aço, Júpiter e Mad Max; e que o mesmo deverá acontecer em breve com a Netflix.

Rede 4G só dura metade do tempo

Reportagem do jornal O Globo cita levantamento feito pela empresa britânica Open Signal, que teria pesquisado a qualidade das conexões 4G no Brasil. Bingo: o sinal das quatro principais operadoras fica indisponível mais da metade do tempo. Em 16% das vezes, os usuários não conseguem acessar nem o sinal 3G, caindo nas redes antigas (Edge e GPRS).

Apenas como curiosidade, diz o jornal, na Coreia o 4G está disponível em 95% do tempo, no Japão 86% e no México, 64%. A consultoria Teleco faz um mapeamento desse serviço no Brasil e no mundo (vejam aqui).

Blu-ray 4K chega mesmo este ano

panasonic-bluray2A Panasonic confirmou na CEATEC, feira de tecnologia que aconteceu semana passada no Japão, o lançamento do primeiro player Blu-ray para discos 4K. Chega em novembro ao mercado japonês, mas convém não se animar muito: a empresa anunciou que produzirá poucas unidades e que o preço final estará na casa de US$ 3.300!

Os visitantes da feira puderam ver de perto o aparelho (mod. DMR-UBZ1), embora ainda sem demonstração. É diferente daquele que havia sido mostrado na CES, em janeiro. A Samsung também chegou a exibir um protótipo na IFA, com previsão de lançamento em 2016. Já a Panasonic garante que colocará pelo menos 500 unidades nas lojas japonesas a partir do próximo dia 15, mesmo sabendo que quase não existem discos Blu-ray 4K. Além de tocar discos convencionais, o player possui memória interna de 3Terabytes, que permite gravar sinal de TV em 4K (no Japão, já existem canais transmitindo conteúdos desse tipo).

Não por acaso, a Panasonic exibiu em seu estande três modelos de filmadora 4K e uma nova linha de cabos HDMI, compatíveis com taxa de transferência (bit-rate) de 18Gbps.

Apple, Google e as marcas mais valiosas

brandsSaiu nesta terça-feira a versão 2015 do ranking Interbrand, que todo ano indica as marcas mais valiosas do mundo. Das dez primeiras, nada menos do que seis são do setor tecnológico, com Apple e Google em primeiro e segundo lugar, respectivamente. Mais uma demonstração, se é que era necessário, de como a tecnologia se tornou importante na vida das pesssoas.

Para se ter uma ideia, até cinco anos atrás a líder do ranking era a Coca-Cola, hoje terceira colocada. Na virada do milênio, dominavam a lista marcas como McDonald’s, Gillette, Marlboro, Colgate e Avon (as três últimas nem mais figuram entre as 100 Global Brands). Interbrand é uma consultoria pertencente ao grupo americano Omnicom. O ranking foi criado na década de 1970 e acabou virando referência para todo o mercado publicitário e financeiro. Estar entre as 100 significa valorização para qualquer empresa, assim como cair no ranking provoca quase sempre queda no valor das ações.

Oficialmente, são três os critérios de escolha: faturamento, grau de influência e fidelidade do consumidor. Só entram empresas abertas e com cobertura global: pelo menos 30% das vendas têm que vir de países diferentes daquele onde fica a sede, e é necessário estar presente em pelo menos três continentes. Além de Apple (com valor de mercado estimado em US$ 170 bilhões, 43% mais que no ano passado) e Google (US$ 120 bilhões), outras marcas tecnológicas indicadas são Microsoft (4° lugar), IBM (5°), Samsung (7°) e Amazon (10°) – esta pela primeira vez atinge o “top ten”.

Entre as marcas de eletrônicos de consumo, seguem-se Intel (14°), HP (18°), Facebook (23°), eBay (32°), Canon (40°), Philips (47°), Sony (58°), Panasonic (65°), Adobe (68°), Paypal (97°) e Lenovo (100°). Vejam aqui a lista completa, com o valor de mercado atribuído a cada marca.

Vale notar que a Volkswagen caiu quatro pontos em relação ao ano passado (35° lugar), e deve cair bem mais em 2016, após os recentes escândalos. Marcas valem muito, mas precisam ser bem cuidadas.