Smart Home: moda ou tendência?

Story_Image_Smart_Home.0.0.0Vários estudos têm sido divulgados nos últimos meses sobre o segmento de casas conectadas. Novos produtos surgem a todo momento, inclusive nas redes de varejo, a custo mais acessível, permitindo que mais pessoas os conheçam e experimentem. No entanto, algumas pesquisas apontam que, mesmo no mercado americano, ainda há muitas dúvidas entre os consumidores sobre o conceito smart home e os benefícios que proporciona.

No Brasil, a crise econômica compromete qualquer tipo de análise de médio prazo. Quando a prioridade passa a ser preço, todos os outros fatores envolvidos numa compra desse tipo ficam prejudicados. Um bom exemplo está na iluminação por leds. É consenso que esses dispositivos são mais eficientes, confiáveis e duram mais. Só que, na loja, ao constatar que as lâmpadas tradicionais custam quatro ou cinco vezes menos, o comprador deixa de lado esses atrativos.

No mundo da tecnologia, cada vez fica mais claro que a integração entre os aparelhos é um caminho sem volta. Facilita a vida do consumidor, potencialmente reduz o desperdício e o consumo de energia, e simplifica também os processos de produção, resultando em custos mais baixos. Apesar de todo o alarde em torno da Internet das Coisas (IoT), que ainda é uma solução incipiente (há sérias questões de segurança e confiabilidade na maioria dos produtos), é fato que essa será a grande revolução tecnológica nos próximos anos.

Para ilustrar, repasso aqui um gráfico produzido pela consultoria americana McKinsey, com o sugestivo título There’s No Place Like (a Connected) Home – tradução: “Não existe lugar como uma casa (conectada)”. Eles entrevistaram cerca de 3 mil famílias para verificar até que ponto o conceito smart home está sendo compreendido e quais as dificuldades para sua adoção. Vale a pena conferir a produção em formato gif (vejam o link), mas destaco alguns tópicos:

“Muitos consumidores ainda não entendem o valor dos produtos conectados, e mesmo os early adopters (que já compraram) vêm tendo experiências às vezes frustrantes.

“As áreas da casa onde recursos smart estão sendo mais usados são: eficiência energética, entretenimento, controle de acesso, segurança, conectividade e agendamento de tarefas.

“Recursos como controle por voz e inteligência artificial, em que os aparelhos ‘aprendem’ as rotinas da casa, são muito bem-vindos pelos usuários.

“O número de casas conectadas nos EUA, que era de 17 milhões em 2015, subiu para 22 milhões no ano passado e deve chegar neste a 29 milhões.

“O usuário médio de dispositivos smart enfrenta dificuldade para conectá-los, pois as interfaces são complexas, e isso acaba levando-o a desistir.

“Boa parte das marcas não consegue se diferenciar perante o usuário, o que resulta em margens muito baixas para estimular novos investimentos. E estes precisam ser maiores na comunicação com o público para explicar os benefícios dos produtos”.

Sobre o mesmo assunto, recomendo estas leituras:

Integradores: como superar a crise?

Hiperconvergência, um novo conceito nas empresas

Automação: quem sabe o que é?

Cuidado para não ser engolido

Como ter em casa uma rede à prova de futuro

Governos contra as redes sociais

linkedin

 

 

Há quem se queixe das redes sociais, especialmente o Facebook, pela quantidade incrível de bobagens que espalham. O case das fake newsque já comentamos aqui – é o episódio mais recente, mas quase todo dia um “especialista” aparece para criticar a forma como as pessoas utilizam essas ferramentas. O que só vem comprovar algo que Aristóteles já sabia: o ser humano é mesmo um bicho complicado, seja por meios analógicos ou digitais.

Bem diferente, no entanto, é a atitude de certos governos, de querer controlar as redes. No Brasil, isso acontece com razoável frequência, quando se vê um juiz determinando a suspensão do serviço por um ou dois dias. Quem usa WhatsApp sabe bem o que isso significa. Para sorte dos brasileiros, a atitude não é (ou ainda não foi) encampada pelo poder executivo. Não deve ser por falta de vontade, mas melhor assim.

Vejam o que acaba de acontecer na Rússia: o órgão federal responsável pelas comunicações simplesmente proibiu a continuidade do Linked In, a rede de contatos profissionais que tem servido, entre outras coisas, para as pessoas se recolocarem no mercado. Este site conta parte da história. O camarada Putin exige que toda empresa de tecnologia mantenha no país banco de dados de seus usuários, permitindo que o governo russo acesse quando quiser. Lá, isso é lei. O Linked In, hoje pertencente à Microsoft, se recusou.

Aconteceu o mesmo com outros cerca de 1.200 sites, muitos deles (mas nem todos) dedicados à pornografia. O Russian Prosecution Service, pelo visto uma versão atualizada da KGB, foi quem divulgou os dados (detalhes aqui), provocando a esperada reação de entidades que defendem a liberdade digital e os direitos humanos. Sendo a Rússia um dos países que mais perseguem opositores do governo, nada há para se estranhar.

Eletrônicos devem crescer mais em 2017

Apesar da incerteza provocada pela eleição de Donald Trump, e não é para menos, a CTA (Consumer Technology Association), que reúne as maiores empresas do setor, divulgou durante a CES seu relatório anual sobre as perspectivas da indústria eletrônica. O conteúdo do Consumer Technology Sales and Forecasts (aqui, no original) é baseado quase que totalmente no comportamento do consumidor americano, mas serve de referência para o mercado global, exceção feita à China.

Itens como TVs 4K, smartphones e os chamados DPAs (assistentes pessoais digitais) são apontados como principais responsáveis pelo crescimento nas vendas de eletrônicos. A CTA coloca ênfase particular no que chama de “tecnologias emergentes”, uma gama que inclui todos os produtos para smart homes: sensores, alarmes, detectores, fechaduras, cortinas, dimmers, termostatos. Trata-se de um mercado estimado em 29 milhões de unidades vendidas em 2017 (63% mais do que em 2016).

DPAs e tudo que se refere a IoT (Internet das Coisas) crescerão 52%, enquanto os TVs 4K – que em três anos venderam 18,6 milhões de unidades – terão expansão de 51% (15,6 milhões de aparelhos ao longo deste ano). Há ainda os gadgets, como óculos VR, que até agora somavam 1,5 milhão de unidades e devem chegar a 2,5 milhões; os drones de uso doméstico – pela lei americana, são assim considerados os modelos que pesam até 250 gramas -, que chegarão a 2 milhões até dezembro; e os wearables, incluindo relógios de pulso, medidores de corrida etc.

Mas o relatório da CTA mostra também que o grosso do faturamento da indústria eletrônica continuará vindo dos produtos tradicionais. Cinco deles responderão por 48% das vendas este ano. Vejam:

Smartphones – 185 milhões de unidades, US$ 55.6 bilhões em vendas;

TVs – 39 milhões de aparelhos, resultando em receitas de US$ 17,8 bilhões (não inclui 4K);

Tablets – 59 milhões e US$ 16 bi, respectivamente (as vendas começaram a cair em 2016);

Laptops – Estabilizam em 27 milhões, equivalentes a US$ 15,6 bilhões;

Desktops – Continua a tendência de queda: 6,7 milhões e US$ 3,9 bilhões em 2017.

Netflix, iTunes, Spotify: mais um imposto

Quem paga assinatura de sites de notícias, provedores de internet, serviços de streaming, monitoramento ou quem compra músicas e filmes online deve ficar atento: a partir deste mês de janeiro, as prefeitura estão autorizadas a cobrar ISS sobre uma série de atividades que ainda estavam isentas. O “avanço” foi determinado pelo Congresso em dezembro e, embora possa ser vetado pelo presidente da República, poucos acreditam que isso aconteça.

Na verdade, o projeto de lei que atende pelo nome de SCD 15/15 não impõe a cobrança; simplesmente autoriza os municípios a arrecadar de 2% a 5% na prestação de serviços como processamento de dados, vigilância e venda ou locação de conteúdos de áudio, vídeo e texto por mídias digitais. Só ficou fora a TV por assinatura, que já é taxada. Mas estão dentro Netflix, Google, Spotify, iTunes e todos os similares.

A cobrança passa então a ser local, de acordo com a cidade onde vive o usuário. Como a maioria das prefeituras está quebrada, dificilmente algum prefeito irá perder essa oportunidade.

Fizeram a nova jabuticaba sob a justificativa de colocar ordem no mercado de internet. Para quem não sabia (eu, por exemplo), existe há tempos no Brasil uma lei regulamentando o ISSQN (Impostos sobre Serviços de Qualquer Natureza), que – como indica o próprio nome – pode servir para tudo. Faltavam os serviços de vídeo digital; agora não faltam mais.

Pura nobreza em vinil

mark-levinson-no515-ces-renderingEsta é para os que continuam amando a música analógica, que o poeta Paul Simon cantou como still crazy after all these years. A Mark Levinson, uma das marcas nobres do áudio, aproveitou a CES 2017 para anunciar o lançamento de seu primeiro player de vinil. Embora já comemorando 45 anos de existência, a empresa – pertencente ao grupo Harman, recentemente adquirido pela Samsung – até hoje focou em amplificadores e prés, tendo lançado alguns que se tornaram referência no segmento high-end. O toca-discos No.515, exibido numa sala reservada do Hotel Venetian em Las Vegas, apresenta detalhes de construção que certamente farão vibrar os audiófilos, como o chassi em sanduíche de alumínio com MDF acabado em vinil; os pés em polímero antivibração; prato e braço feitos de aço, com ajuste vertical on-the-fly, para maior estabilidade. E por aí vai.

Mais detalhes estão no site oficial da Harman. Não se assustem com o preço sugerido: US$ 10.000. É isso mesmo!

Por trás dos pontos quânticos

qledAos poucos, vamos revelando mais detalhes sobre os produtos exibidos na CES 2017, que aconteceu semana passada. Como se sabe, o evento atrai para Las Vegas uma enorme quantidade de jornalistas (atualmente, muito mais blogueiros) dedicados à tecnologia. E as empresas sabem que, estando presentes, ganharão um espaço na mídia que jamais alcançariam por outros meios.

Por isso, sempre vale a recomendação: nem tudo que se publica sobre a CES significa “lançamento”, embora a maior parte dos sites e blogs não deixem isso claro. Existem inúmeros balões de ensaio, ou mesmo protótipos, que as empresas exibem apenas para testar as reações e depois abandonam. E, nesse ponto, são valiosíssimas as opiniões de especialistas que dão consultoria à indústria e frequentemente divulgam suas impressões.

Um deles é Ken Werner, “fera” no segmento de displays. É interessante analisar suas observações, por exemplo, sobre a disputa entre as duas atuais tecnologias para produção de TVs: LED e OLED. Embora já tenhamos comentado o tema aqui à exaustão (vejam este post, de dois anos atrás), sempre há o que aprender com técnicos como Werner. Tomo a liberdade de uma tradução livre de artigo recente que ele publicou no site Display Daily:

“A denominação adotada pela Samsung para sua nova linha de TVs (QLED) certamente irá causar mais confusão junto ao público. A empresa já fez isso no passado, quando chamou seus TVs LCD de “LED TVs”; até hoje há pessoas acreditando que se trata de duas coisas diferentes.

“Só para deixar mais claro: a arquitetura dominante até então era um painel LCD iluminado internamente por lâmpadas fluorescentes (CCFL); a Samsung decidiu substituí-las por leds, só que montados numa das bordas (Edge-lit), algo que já era usado em laptops, mas não em TVs grandes. Continuavam sendo LCDs, e a qualidade de imagem não era necessariamente melhor que nos displays tradicionais. Mas os leds permitiram construir painéis mais finos, e a Samsung criou uma campanha de marketing para convencer as pessoas de que estes eram TVs “premium”.

“Como distinguir entre os dois tipos de aparelho? Lembrem-se que na época a própria Samsung ainda fabricava TVs de plasma… A solução de marketing foi brilhante: chamar os novos simplesmente de “LED TVs” (sem mencionar que eram LCDs). Funcionou, e a Samsung tomou conta do mercado.

“A mesma Samsung vem produzindo excelentes TVs de LED 4K chamados “SUHD”, que utilizam painéis Quantum Dots (QD), ou seja, de pontos quânticos. Só que o nome SUHD causa nova confusão entre usuários e até revendedores. Em 2016, a Samsung adquiriu a empresa responsável pela criação desses novos painéis, a QD Vision, que detinha a patente chamada “QLED”.

“Esses painéis têm estrutura semelhante à dos OLEDs, só que em vez de leds orgânicos os QLEDs utilizam leds convencionais. E continuam necessitando de backlight. Os produtos demonstrados na CES 2017 foram muito bons, mas será que são mesmo melhores que os OLED? Teremos que aguardar para saber a resposta”.

Outras opiniões de Werner podem ser vistas no site de sua empresa, a Nutmeg Consultants. Acrescento apenas que a Samsung faz críticas aos TVs OLED – defendidos principalmente por sua rival LG – com base no fato de que o desempenho dos leds orgânicos se deteriora com o uso contínuo. Como se trata de uma tecnologia recente, ainda não foi possível verificar isso na prática. Mas os QLED terão de passar pelo mesmo teste do tempo.

Está chegando o HDMI 2.1

Antes do que se esperava, acaba de ser divulgada a atualização do padrão de conectores HDMI. Se a mudança da versão 1.4 para 2.0 foi considerada “uma revolução” (vejam como foi), esta agora não deve chegar a tanto. Mas antecipa alguns bons passos. A nova especificação (HDMI 2.1), oficializada esta semana pelo HDMI Forum, vai muito além das necessidades da resolução Ultra HD e do processamento HDR, já comentados aqui. Oferece nada menos do que 48 Gigabits na transferência dos sinais, quase três vezes mais que a versão atual (18GB).

Essa capacidade é compatível com sinais 8K60, que na prática ainda não existem nas redes (o Japão está fazendo as primeiras experiências). A denominação “8K60” se refere à resolução, 16 vezes mais alta que a atual Full HD, e à frequência de leitura do sinal (60Hz). Segundo o HDMI Forum, será possível agora trabalhar também com sinal 4K120: resolução Ultra HD e frequência de 120Hz.

Muita siglas e números para memorizar? Sim, essa é a essência da indústria eletrônica, com suas periódicas atualizações. Se vai emplacar ou não, é outra história. Muitas regiões do mundo ainda lutam para implantar HD, como estamos vendo na novela da transição brasileira da TV analógica para a digital (vejam aqui). Mesmo profissionais experientes nem se acostumaram ao uso de 4K, e agora terão de correr atrás do 8K…

Para registro, eis os cinco principais mandamentos do HDMI 2.1:

*Resolução e frequência mais altas, para reproduzir inclusive imagens em movimento com maior eficácia;

*Processamento HDR em todo o trajeto do sinal, correspondendo a níveis mais altos de brilho, contraste, saturação de cores e detalhamento;

*Cabos e conectores compatíveis com material transmitido nas versões anteriores 1.4 e 2.0;

*Capacidade de processamento de áudio baseado em objetos, como Dolby Atmos, DTS-X e similares;

*Modos variáveis de renovação de tela (refresh rate), tendo em vista o segmento de games de alta resolução e suas necessidades de imagens fluidas e com níveis mais controlados de lag (tempo entre o acionamento no controle, ou joystick, e a visualização).

Os detalhes completos da nova especificação podem ser acessados aqui, em inglês. Fiquem ligados para as traduções que publicaremos nas próximas semanas.

Ano Novo, CES e o que vem por aí

mercedes-benz-31Amigos e leitores, cá estamos de volta após a parada regulamentar do final de ano. A esperança é que 2017 seja melhor, bem melhor, que seu antecessor. Vamos torcer (e trabalhar) para isso, desejando o melhor a todos.

Como todos os anos, esta primeira semana do ano é também a semana da CES, que acontece em Las Vegas. Desta vez, estamos acompanhando o evento à distância; lá está nosso bravo Julio Cohen, que nos envia notícias direto dos estandes. Pelo que se tem visto, o grande assunto do evento é a realidade virtual (VR), com seus já famosos óculos 3D que acessam imagens em 360 graus e trazem alto-falantes expandindo o envolvimento sonoro. A badalação em torno dessa tecnologia é enorme; só falta ver como as empresas – e falamos de gigantes como Google, Samsung, Intel, Microsoft – irão transformá-la num mercado de verdade.

Outro tema onipresente na CES 2017 é o áudio sem fio. Caixas acústicas Bluetooth já conseguem reproduzir som de boa qualidade (OK, nem tão boa assim…) em qualquer ambiente onde estejam. Aparentemente, pode-se levá-las até a uma ilha deserta. E já são mais de 300 marcas!!!

Na área de TVs, repete-se a disputa entre LED e OLED para conquistar a atenção da mídia e dos visitantes da CES. De um lado, a LG – hoje dominante no campo dos painéis orgânicos – ganha a companhia das japonesas Sony e Panasonic. Ambas demonstram em Las Vegas protótipos de displays OLED que propõem uma espécie de simbiose entre som e imagem (detalhes, aqui). Curiosidade: as duas empresas têm acordos com a própria LG para fornecimento dos painéis. Ou seja, no fundo é tudo uma coisa só.

De seu lado, a Samsung reafirma que não aposta na tecnologia orgânica e apresenta grande variedade de TVs LED-LCD, adotando oficialmente a marca “QLED”. São os tais pontos quânticos (QD, ou Quantum Dots), nanopartículas que permitem extrair o máximo de cada pixel, em termos de cores. A inovação é da empresa americana QD Vision (atual Color IQ), adquirida recentemente pela Samsung.

Vamos analisar melhor essas novidades nos próximos dias.

Apple agora muda o mercado de cinema

Várias fontes indicam que está para acontecer uma pequena revolução no mundo do cinema. Em discussão, a chamada “janela” entre o lançamento dos filmes nos cinemas, vídeo, TV e internet. Durante décadas, prevaleceu a ideia de que era preciso atingir o máximo de bilheteria antes que as pessoas pudessem ver os filmes em casa. Era assim na época do VHS e, depois, do DVD. Na maioria dos casos, um filme só chegava ao mercado de vídeo pelo menos seis meses após o lançamento nos cinemas. Com isso, os estúdios faturavam duas ou três vezes mais. Só que a internet virou esse mercado de cabeça para baixo.

Na semana passada, foram reveladas negociações entre a Apple e alguns dos maiores estúdios de cinema. Fox, Warner e Universal agora admitem reduzir (ou até eliminar) as janelas para permitir o lançamento dos filmes no iTunes. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a empresa fundada por Steve Jobs apressou as conversas para não dar espaço a concorrentes como Google, Amazon e Netflix, que não por acaso tiveram a mesma ideia. A proposta é reduzir a janela dos atuais 90 dias para duas semanas, cobrando um valor extra pelo streaming.

Basicamente, é o modelo de sucesso criado pela própria Apple para o segmento de música, mas que os estúdios de cinema nunca aceitaram. No entanto, em todo o mundo as receitas das redes exibidoras vêm caindo continuamente, como mostra este outro site. E há ameaças no ar. Meses atrás, Sean Parker, um dos gênios fundadores do Napster, anunciou a criação de um serviço de VoD chamado Screening Room, no qual os usuários poderiam assistir aos filmes em casa no mesmo dia da estreia nos cinemas. No mesmo dia!!!

Numa época em que aplicativos e serviços online tomam conta dos negócios, é bom não arriscar.

Aplicativo para controlar os políticos

No emaranhado político-policial brasileiro, fica cada vez mais claro que a participação dos cidadãos de bem é fundamental. Sem ela, como já diziam os filósofos gregos, os governantes e os poderosos em geral não vêem limites para sua delinquência. E a tecnologia está para dar uma força. Dificilmente teríamos a faxina de hoje se não fossem a internet e as redes sociais.

Agora, por exemplo, existe um aplicativo que permite acompanhar melhor – e, portanto, fiscalizar – as votações das leis no Congresso, assembleias e câmaras municipais, o andamentos das obras públicas, seus financiamentos e repasses. Chama-se Govern e foi criado pela empresa brasileira Leapps, especializada em serviços digitais. Foi criado há alguns meses, ganhou força na época das eleições e  agora, por motivos óbvios, está conquistando mais adeptos.

É um primeiro passo. Que venham outros.

Atualizando: sobre o mesmo assunto, comentamos neste link a polêmica sobre as chamadas fake news (“notícias falsas”) que vêm circulando pelas redes sociais.

Supermercado do futuro já está aí

Consagrada por sua loja online que levou à falência milhares de estabelecimentos mundo afora, a Amazon acaba de inaugurar uma… sim, uma loja física. Fica em Seattle, e para quem não pode ir até lá agora este vídeo é uma boa ilustração. A Amazon Go é uma grocery (vende apenas alimentos, por enquanto). Seus idealizadores, após quatro anos de pesquisas, imaginam que serão assim os supermercados no futuro – e talvez não demore muito. Não há filas. Ninguém precisa passar no “caixa” para pagar as compras. Usa-se o conceito que a própria Amazon inventou lá no século passado (1996) e que hoje é copiado pelo Uber, Netflix e os negócios mais bem sucedidos do e-commerce mundial.

Na Amazon Go, o consumidor pega os produtos que quiser e vai embora, sem que nenhum funcionário se importe. Basta que tenha uma conta aberta previamente no site, com o respectivo número do cartão de crédito. Passando o pacote pelo smartphone já cadastrado, pronto: está registrada a compra.

Por enquanto, em fase beta, somente funcionários da Amazon (que tem sede na mesma cidade) podem utilizar. Mas o plano é abrir ao público no início de 2017. Logo virão outras, por todo o país, vendendo de tudo no mesmo sistema. Adeus, filas no caixa.

Filmes offline, uma “nova” opção

Lembram-se de quando fazíamos downloads? Parece que foi há séculos… Com todo mundo conectado o tempo todo, o hábito de “baixar” filmes, séries e músicas acabou ficando em segundo plano. Parece que houve uma opção natural pelo streaming, que não exige aqueles zilhões de megabytes armazenados aqui e ali. Pois a Netflix acaba de lançar seu serviço de, isso mesmo, downloads. É gratuito (para quem é assinante, claro), e já oferece séries badaladas – como Narcos e Stranger Things – para assistir em qualquer dispositivo móvel offline, ou seja, mesmo quando não está conectado à internet.

Gratuito? Claro, nada é gratuito. Você vai precisar de uma boa conexão de banda larga, além de um bom tablet ou smartphone (iOS 8.0 ou Android 4.4.2). Um episódio de 60 minutos irá consumir cerca de 280MB em definição standard (440MB em HD). Só é possível baixar através do aplicativo, sem possibilidade de copiar os conteúdos de um aparelho para outro. E cada filme ou série tem um prazo-limite para ser assistido.

Mais do que nunca, a Netflix busca fidelizar seus assinantes, num momento em que surgem concorrentes por todo lado, inclusive a própria televisão. Vamos ver como os assinantes reagem.

Semp Toshiba dá lugar à Semp TCL

tclTerminou em agosto uma das mais longas parcerias entre empresas de países diferentes na indústria eletrônica: a brasileira Semp e a japonesa Toshiba se separaram, após esta decidir que não pretende mais investir no segmento de TVs (continua sendo gigante em outros setores). Não foi uma surpresa para a Semp, indústria familiar fundada em 1942 e que havia se unido aos japoneses em 1977. Logo em seguida, anunciou seu novo parceiro: o grupo chinês TCL, também gigante na produção de painéis de TV.

Estivemos na semana passada na sede da empresa, em Cajamar (SP), para entre outras coisas conhecer os primeiros produtos resultantes desse acordo. A partir de agora, o consumidor irá encontrar TVs de três marcas pertencentes ao grupo: Semp, TCL e Toshiba (a Semp manteve o direito de uso da marca no país). Alguns modelos já estão nas lojas, e no começo de 2017 chegam outros mais avançados.

Há alguns anos o TCL estudava sua entrada no mercado brasileiro, onde já atua com aparelhos de ar condicionado e celulares. Trata-se do maior fabricante de displays da China, e terceiro do mundo, com a vantagem de produzir seus próprios painéis. O TCL é dono de marcas como Alcatel e Thomson, e na China é forte em eletrodomésticos, um de seus objetivos também para o Brasil. “A parceria com a Semp será estratégica para a expansão dos nossos negócios no Brasil, e até para entrada de outras marcas chinesas no país”, diz o vice-presidente Farris Xie.

Já para a Semp, que viveu tempos difíceis de reestruturação nos últimos anos, era fundamental aproveitar a oportunidade de se unir a um grupo sólido e com tecnologia própria. “Estamos muito otimistas”, diz Ricardo Freitas, CEO da nova joint-venture. “Começando pelo setor de TVs, pretendemos crescer muito com as três marcas, para no futuro pensar nos outros segmentos”.

LCD, ainda correndo atrás do OLED

panasonic-dx900-v1-471320Já comentamos aqui várias vezes – vejam este post, por exemplo – a corrida dos fabricantes de TVs LCD para alcançar o desempenho dos displays orgânicos (OLED). Não é fácil, dada a diferença nativa entre as duas tecnologias. Mas um novo passo acaba de ser anunciado no Japão: a Panasonic revelou que conseguiu desenvolver um painel de cristal líquido, do tipo IPS, capaz de produzir níveis de contraste 600 vezes mais altos que um display LCD comum.

pana-novo-lcdO segredo seria a inclusão de células para modulação da luz emitida pelo backlight (vejam o desenho ao lado). Essas células atuariam junto a cada pixel, regulando individualmente a intensidade luminosa, o que evitaria o fenômeno conhecido como “flutuação de preto” (quando as partes mais escuras da tela sofrem vazamento de luz).

Bem, essa não é a única diferença entre LCD e OLED. Mas, sem dúvida, a questão do contraste é o que mais incomoda nos TVs convencionais, principalmente quando se tem um ambiente escuro. Mesmo com os enormes avanços dos últimos anos (e não foram poucos), ainda é possível notar os tais vazamentos; na verdade, cada pessoa reage de modo diferente ao problema (algumas nem percebem). Nos OLED, o vazamento não acontece.

Durante os Jogos Olímpicos, fizemos testes com o atual TV top de linha da Panasonic, mod. DX900, de 65″ (foto maior), inclusive captando imagens dos jogos em HDR transmitidas pela Globosat, com um decoder especial da NET (vejam o vídeo). Ficou claro que a intensidade de luz era maior que nos outros modelos, resultando em cores muito mais brilhantes – às vezes, até em exagero. Não era um painel IPS, como o do modelo agora anunciado no Japão, mas um do tipo VA: a principal diferença é que os IPS apresentam melhor ângulo de visão.

Esse novo aparelho, a princípio voltado para o segmento profissional (não residencial), tem lançamento previsto para janeiro no Japão.

CES 2017 reforça medidas de segurança

O clima é tenso, o medo da violência está no ar, a campanha eleitoral foi a pior de todos os tempos, e o resultado final deixou claro que o país está dividido. Não estamos falando do Brasil, mas dos EUA, claro. Amigos brasileiros, que vivem lá há anos, relatam que nunca se sentiram tão mal. Depois da crise financeira de 2008, está (ou estava) em curso uma lenta recuperação, que agora ninguém sabe se irá continuar.

É nesse ambiente que será realizada a 50a. edição da CES, em janeiro. Como já informamos aqui, estão previstas diversas comemorações, mas nesta quarta-feira a Consumer Technology Association anunciou algo mais sério: serão necessárias medidas extras de segurança. O visitante poderá entrar nos recintos da feira com no máximo duas bolsas, cada uma com até 45cm. Peças com rodas não serão permitidas. Detectores de metais serão espalhados por todos os pavilhões. E, claro, irá aumentar o número de agentes, não só nas instalações da CES, mas em toda a cidade de Las Vegas, que nessa época do ano fica mais congestionada do que nunca.

Business Tech completa seu primeiro ano

capa-bt5Acaba de ser lançada a 5a. edição da revista BUSINESS TECH, dedicada ao segmento de Pro AV e sistemas eletrônicos para empresas. Como sua irmã mais velha HOME THEATER, que este ano chegou ao 20o. aniversário, a revista procura incentivar o aperfeiçoamento técnico dos profissionais e dos usuários de tecnologia – neste caso são também profissionais na compra e gerenciamento de redes e espaços corporativos.

Esta 5a. edição traz como destaques a importância da certificação técnica para integradores, projetistas e demais categorias atuantes no segmento Pro AV; o crescimento do vídeo nas redes das empresas, que agora se vêem diante de novos desafios tecnológicos; a montagem de salas de reunião mais dinâmicas, inclusive com participantes online; as novas soluções em videoconferência; e a competição de mercado entre os projetores tradicionais e os modelos a laser.

Como media partner da InfoComm International, BUSINESS TECH busca ampliar o mercado Pro AV com informação atualizada e qualificada. Os conteúdos são produzidos por especialistas brasileiros e estrangeiros, inclusive consultores da própria InfoComm. Parte do material está disponível em tempo real, no site businesstech.net.br, complementando os conteúdos da revista, que circula em versões impressa e digital.

Para fazer o download, ou solicitar a edição impressa, basta se cadastrar gratuitamente, neste link.

Fabricantes criam associação no Brasil

Associação Brasileira de Fabricantes de Áudio, Vídeo e Conectividade Profissional: este é o nome da nova entidade fundada por representantes de algumas das maiores marcas internacionais de equipamentos eletrônicos. A Pro AV Brasil, como é chamada, se propõe a trabalhar pelo aperfeiçoamento técnico dos profissionais brasileiros de áudio, vídeo, automação e sistemas eletrônicos, e também a educar os usuários a buscarem mais qualidade nos projetos, não apenas preços mais baixos. São oito as empresas fundadoras: Audio Technica, Barco, Christie, Crestron, Epson, Extron, Harman e Kramer. Mas a ideia é reforçar o grupo com a adesão de outros fabricantes, nacionais e internacionais. Já houve conversas, por exemplo, com a Abinee, visando criar um grupo setorial dentro da estrutura dessa que é a maior entidade da indústria eletrônica no pais. Vejam mais detalhes aqui.

Globo vs Netflix: começo da batalha

Em entrevista à Folha de São Paulo, na semana passada, o diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, deixa claro que a Netflix é o inimigo a ser batido. Enquanto a maioria das operadoras trata o assunto apenas em off (algumas sequer admitem mencionar o nome do site americano), a Globosat – que fornece os conteúdos às operadoras – não esconde a natureza da batalha. Segundo Pecegueiro, está para sair uma versão VoD do Telecine Play, que irá oferecer justamente o tipo de programa em que a Netflix fraqueja: filmes recentes. Seria um acordo com as produtoras de Hollywood, que assim ganhariam muito em exposição, reduzindo sua dependência em relação à Netflix (mais detalhes aqui).

Até hoje, a Globosat mantinha o discurso de que jamais iria bater de frente com as operadoras. Net/Claro, Vivo/GVT e Oi respondem pelo grosso do faturamento da programadora, que detém alguns dos canais de maior audiência e/ou apelo comercial (SporTV, Multishow, Telecine…). Quase todos esses canais já podem ser acessados online, gratuitamente, mas apenas pelos assinantes de uma operadora. Agora, a ideia é deixar que qualquer um acesse, pagando à própria Globosat uma assinatura mensal baixa, como acontece na Netflix. Ao jornal, Pecegueiro diz que a Globosat não vai “atropelar” a aliança que mantém com as operadoras.

Será curioso ver o modelo proposto pela Globo, que já lançou o Globo Play (para conteúdos da rede aberta – leiam aqui) e que prevê serviços de VoD similares em esportes (Premiere), shows (Multishow) e até séries nacionais, conteúdos que a Globo domina como poucas redes no mundo. Curiosamente, a entrevista saiu às vésperas da estreia de 3%, primeira série produzida pela Netflix no Brasil. Semanas atrás, o fundador da empresa americana, Reed Hastings, deu entrevista à própria Folha de SP citando suas negociações para exibir conteúdo da Globo. “Eles não licenciam conteúdo para a Netflix, nos vêem como concorrentes, o que é justo”, disse ele. “É como dois times competindo”.

Esse campeonato está apenas começando.

Samsung, Harman e o futuro dos carros

cylindrical-pcA notícia de que a Samsung irá assumir o controle do grupo Harman, confirmada nesta 2a feira, surpreende pelos valores envolvidos. A colaboração entre os dois grupos não é nova (acima, foto do ArtPC Pulse, desktop de formato cilíndrico, lançamento recente no mercado asiático). Mas, em qualquer circunstância, US$ 8 bilhões é muito dinheiro. No caso, significa 28% a mais do que vale oficialmente a empresa americana, considerando a cotação de suas ações na última 6a feira. É o tipo do negócio em que o mercado fica se perguntando se não há alguma pegadinha por trás.

Como já aconteceu algumas vezes entre grandes corporações, a iniciativa da Samsung pode ser considerada no mínimo ousada. Só para citar dois casos: Google-Motorola e Microsoft-Nokia. Também foram acordos bilionários, que no médio prazo revelaram-se fracassados.

O que teria levado a Samsung a fazer oferta tão irrecusável? As duas hipóteses mais plausíveis: havia um concorrente em ação e era necessário impedi-lo; ou a direção do grupo coreano precisava de uma medida tão impactante para neutralizar as consequências da crise com os smartphones Galaxy Note 7, cuja fabricação foi suspensa.

Se, ao ler “concorrente”, você pensou na Apple, a dedução é lógica. Ninguém no mundo atual ameaça mais a supremacia da maçã do que a Samsung. Mas a segunda possibilidade é, por enquanto, a preferida dos analistas de mercado. Seja como for, se o negócio for concretizado, será um passo e tanto para os coreanos dominarem o concorridíssimo segmento de carros conectados e, por tabela, também o de IoT.

Para outros, é uma surpresa também o próprio fato da Samsung comprar uma empresa tão grande como a Harman, fundada em 1953. Embora alguns sites a reconheçam “apenas” como fabricante de sistemas automotivos (hoje, quase 70% das receitas do grupo vêm desse setor), a Harman é o maior fabricante mundial de alto-falantes, com sua marca JBL ou fornecendo para outras marcas. É fortíssima em sistemas de áudio profissional e instalações gigantes, como estádios, arenas etc. Possui nada menos do que 8 mil engenheiros de software! Além disso, adquiriu em 2014 a AMX, que produz sistemas de automação (seu maior cliente é o governo americano) e vem crescendo na área de nuvem e tecnologias móveis. Recentemente, alterou sua identificação da antiga Harman International para “Harman Solutions”. Seu faturamento anual é de US$ 6,9 bilhões. Mais detalhes aqui.

“A compra faz todo sentido para nós”, disse à agência Reuters o CEO da Samsung Electronics, Young Sohn. “Chegamos à conclusão de que não temos mais por onde crescer de forma orgânica, ou seja, simplesmente atuando em nosso segmento”.