8K e realidade virtual nos Jogos Olímpicos

RioA Olimpíada Rio 2016, evento que o mundo inteiro aguarda com expectativa, tem tudo para entrar na História. Problemas de organização, infraestrutura deficiente e custos inflacionados são esperados, e a conta será paga pela população brasileira. Não vou falar sobre os aspectos esportivos, dos quais conheço muito pouco, mas com certeza na área de tecnologia serão dados enormes saltos (sem trocadilho) no evento.

Na semana passada, a OBS (Olympic Broadcasting Services), empresa contratada pelo Comitê Olímpico Internacional para cuidar de todas as transmissões em rádio e TV do evento, divulgou um detalhado relatório sobre as inovações tecnológicas que serão adotadas nos Jogos. Será literalmente a maior Olimpíada de todos os tempos, com 42 modalidades disputadas em 32 locais diferentes (não apenas no Rio), e atletas representando 206 países; uma outra empresa, chamada Atos, será responsável pela distribuição dos dados referentes às competições, e promete fazer isso em tempo real para cerca de 6 bilhões de pessoas.

Voltando à OBS, os sinais serão transmitidos de cada estádio ou ginásio para uma central, localizada na Barra da Tijuca, e daí enviados para as emissoras que adquiriram os direitos, em 220 países. Serão mais de 7 mil horas de transmissão ao vivo, com vídeo em HD (1080i) e áudio em surround 5.1 canais. Além das competições, haverá câmeras espalhadas por vários pontos do país, produzindo imagens ilustrativas com essa mesma qualidade.

Mas esses serão os sinais, digamos, oficiais. Em paralelo, equipes da rede japonesa NHK estarão em ação para captar imagens olímpicas em resolução 8K (Super Hi-Vision). Pouquíssima gente terá acesso a esses sinais, pois os receptores 8K só são vendidos hoje no Japão, e a preços da ordem de US$ 130 mil!!! A tecnologia 8K SHV atinge resolução 16 vezes mais alta que o atual Full-HD: 7.680 x 4.320 pixels. E, como já aconteceu na Copa 2014, os japoneses usarão transmissores de “áudio 3D”, com 22.2 canais.

Segundo a OBS, serão registradas 130 horas de conteúdos desse tipo, mas não de todas as modalidades, somente natação, judô, atletismo, futebol e basquete – além, é claro, das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos. Para algumas emissoras, será fornecido também sinal 4K, convertido a partir do 8K (downconverted).

Vale lembrar que o Japão decidiu “pular” o padrão 4K nas transmissões de televisão, apostando que vale mais a pena investir no 8K. Seu plano é usar a Rio 2016 como plataforma para lançar oficialmente as transmissões em 8K na Olimpíada de 2020, que será realizada em Tóquio.

camera 360

 

Outra novidade que será testada nos Jogos do Rio é a realidade virtual (VR). Usando óculos 3D, o usuário poderá assistir às competições como se estivesse “dentro do estádio”, ao lado dos atletas. Serão usadas câmeras do tipo 360 graus como essa da foto, que também foram testadas na Copa de 2014 e nos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia (2014), e de Lillehammer (Noruega), este ano.

Skype, fora dos TVs smart

skype

 

 

Quem tem um TV com acesso à internet já deve ter notado a chamada: a partir de junho, não será mais possível fazer ligações de vídeo via Skype usando esses TVs. É uma decisão muito discutível da Microsoft, que em 2011 comprou a empresa fundada em 2003 pelo sueco Niklas Zennström e pelo dinamarquês Janus Friis. Um ano antes, o serviço – primeiro a desafiar o domínio das operadoras telefônicas – estava sendo usado por mais de 600 milhões de pessoas mundo afora.

Na época, a compra – estimada em US$ 8,5 bilhões – foi tida como “uma loucura” do ex-CEO da Microsoft, Steve Ballmer, que três anos depois perdeu o cargo. Hoje, com dezenas de concorrentes (como Hangouts, FaceTime, Messenger, Viber, GoToMeeting e Uberconference, entre outros – veja aqui), o Skype não tem o mesmo apelo. Ainda assim, é muito útil a quem, por exemplo, tem parentes vivendo longe de casa e quer mantê-los em contato com a família toda. Foi, aliás, o que motivou todos os fabricantes a integrar o aplicativo em seus TVs smart.

Em comunicado divulgado na semana passada, a Microsoft anunciou que irá interromper o suporte ao Skype via TV, “convidando” os usuários residenciais a partir para a integração com serviços como Office e OneDrive. Quer dizer que não haverá mais atualizações e o aplicativo começará a travar; já para usuários corporativos, o Skype for Business seria aprimorado. Ou seja, a MS aposta que as pessoas estarão dispostas a pagar pelo uso de vídeo e que mais empresas se interessarão em adotar vídeo como ferramenta comercial.

Segundo o site especializado TechHive, a Microsoft tem pesquisas informando que a maioria das pessoas não quer se comunicar via tela grande para preservar a confidencialidade de seus contatos; tablet, notebook e principalmente smartphone seriam os meios preferenciais para isso. Vamos ver agora o que os fabricantes de TVs colocarão no lugar do Skype.

Business Tech 2 (e a caminho do 3)

CAPA BUSINESS TECH_CAPA BUSINESS TECHSaiu na última semana de fevereiro a edição #2 da revista BUSINESS TECH, que cobre o segmento de tecnologia corporativa. A revista, que tem circulação trimestral (impressa e eletrônica), conta com o apoio institucional da InfoComm e tem quatro grandes marcas como “apoiadoras”: Casio, Crestron, Kramer e TOA/Discabos. Outras empresas estão se unindo ao projeto, que na verdade vai muito além do que oferece uma revista.

Trata-se da primeira publicação multimídia do setor: a equipe que produz a revista é a mesma que faz o site businesstech.net.br; este, por sua vez, é replicado diariamente através das redes sociais (Facebook, Twitter e Linked In), e também por uma newsletter, enviada por email a milhares de profissionais da área. Acesse por este link. Com tudo isso, os conteúdos ganham muito mais visibilidade, assim como as empresas que divulgam seus produtos. E que, mais do que nunca, precisam navegar nesse mundo multimídia.

Estamos agora trabalhando na edição #3, que irá circular em maio e será distribuída durante a Expo TecnoMultimedia InfoComm Brasil, que acontecerá em São Paulo. A revista é “media partner” da feira, assim como da própria InfoComm e seu programa de cursos para profissionais brasileiros.

Previsões, apenas previsões…

Todo início de ano aparecem na mídia centenas de artigos do tipo “as principais tendências do mercado”. São especialistas – bem, alguns nem tanto – dando palpites sobre o futuro e, literalmente, viajando no tempo. Nós aqui mesmo às vezes nos dedicamos a esse agradável esporte, que é prever como o mundo irá evoluir. No caso da tecnologia, erramos com frequência. Mas somos insistentes.

A colega Julie Jacobson, do excelente site americano CE Pro, produziu recentemente uma brincadeira interessante com as previsões, dela mesma e de seus colegas, entre eles alguns dos mais competentes dos EUA. Entrando no clima, reproduzimos aqui o que eles imaginam será mais importante no mercado A/V este ano. Agora, algumas de suas previsões dos últimos quatro anos. Confiram:

2012

Sistemas de segurança automatizados

Luzes de led

Reprodução de áudio pelo computador

Comandos por voz e gestos

Nuvem

2013

Redes residenciais com características de empresa

Fones de ouvido

Áudio sem fio

Cortinas e persianas motorizadas

TV Ultra HD

2014

Áudio de alta resolução

Automação de baixo custo (vendida até em supermercados)

Sistemas de monitoramento pela nuvem

Sensores pela casa toda

Fechaduras eletrônicas

2015

Produção de vídeos em casa

Sistemas de entretenimento imersivos (com áudio e vídeo mais envolventes)

Maior uso da automação

Casa inteligente e segura

Redes em nuvem

Como “matar” marcas de peso

Nesta quinta-feira, a operadora Vivo comunicou oficialmente o fim da marca GVT. A empresa (originalmente, Global Village Telecom), fundada em 2000, foi adquirida no ano passado pelo grupo espanhol Telefônica, que então decidiu unificar todas as suas operações sob a marca “Vivo”. Segundo o comunicado oficial, no dia 15 de abril a marca GVT deixa de existir e todos os seus clientes serão automaticamente transferidos para a Vivo (mais detalhes aqui).

Aguarda-se também para os próximos meses a “fusão” entre as marcas Net, Claro e Embratel, do grupo mexicano America Móvil. Ou seja, duas dessas marcas irão “morrer”. Esse é um processo recorrente – e irreversível – do capitalismo, especialmente em tempos de crise. Empresas se unem, geralmente uma assumindo o controle, e buscam concentrar suas estruturas e investimentos. A própria Telefônica fez isso com a TVA. Para que esse processo dê certo, é fundamental unificar o marketing. E marcas tradicionais podem ser vitimadas.

Vejam o caso da Motorola. A empresa entrou para a história, nos anos 1970, ao produzir o primeiro telefone celular. Derrubada pela Apple e pelas marcas asiáticas, entrou em crise e foi comprada pela Google – seus acionistas ainda se saíram bem, pois o negócio, em 2011, girou em torno de US$ 12,5 bilhões. Mas a Google só fez piorar as coisas, com suas ideias alucinantes. Acabou repassando a Motorola à chinesa Lenovo, em 2014, por “apenas” US$ 3 bi, ou seja, com US$ 9,5 bi de prejuízo.

Agora em janeiro, durante a CES, confirmou-se o que muitos já previam: a Lenovo irá “matar” a marca, que parece mesmo ter se tornado velha, e lançar os smartphones “Moto”, mais avançados, e “Vibe”, mais baratos. Até quando essas marcas existirão?

Telecom: sumiram R$ 90 bilhões?

Entre os anos de 2001 e 2015, o governo federal arrecadou cerca de R$ 90 bilhões no setor de telecomunicações (telefonia, internet e TV por assinatura). São os chamados “fundos setoriais”, que as empresas têm de recolher: Fistel (Fundo de Fiscalização dos Serviços de Telecomunicações), Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações) e Funttel (Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações). Dá cerca de R$ 6 bi por ano. Some-se a Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento do Cinema e do Audiovisual), que incide sobre a comercialização de filmes, shows, programas de TV etc. em todas as mídias e que representa algo em torno de R$ 1,2 bilhão por ano. Os números são do site Telesíntese.

A decisão da Justiça Federal de suspender o recolhimento da Condecine está causando no setor uma polêmica que há muito tempo não se via. As operadoras estavam há anos brigando nos tribunais para reduzir essas taxações. A crise econômica, ironicamente, lhes deu a oportunidade: em dezembro, a presidente Dilma assinou medida provisória aumentando a alíquota da Condecine; a gritaria aumentou e foi concedida uma liminar em favor das empresas. Liminar essa que o governo agora tenta derrubar. O debate foi bem explicado pelo colega André Mermelstein, do site Teletime.

Por trás da controvérsia, estão duas velhas questões: a disputa entre Estado e iniciativa privada (simbolizada nos impostos mais altos do planeta) e o financiamento público aos produtores de cinema e vídeo. Com a crise, as empresas perdem faturamento e o governo arrecada menos; ambos, então, lutam por mais recursos, o que é plenamente compreensível – caberá à Justiça decidir quem tem razão.

O problema da Condecine é mais complexo. Não à toa, os ministros da Cultura e das Comunicações vêm procurando conversar mais com as operadoras, como relata o site converge.com. Pelo visto, bateu o desespero diante de dois lobbies tão atuantes. Os produtores não querem abrir mão da Condecine, que foi uma “conquista” deles quando tomaram o poder na Ancine a partir da aprovação da chamada Lei do Cabo (2012). Sob o pretexto de incentivar a produção de conteúdo nacional, distribui-se dinheiro aos “suspeitos de sempre”.

Já os tais R$ 90 bi, que pela lei deveriam ser usados para melhorar a infraestrutura de telecom no país, parece que evaporaram; na prática, foram surrupiados pelo Ministério da Fazenda para cobrir pedaladas e rombos fiscais (apenas 7% desse total foi de fato reinvestido no setor).

Parecem duas coisas diferentes – Condecine e fundos – mas são apenas duas faces da mesmíssima moeda: a privatização do Estado em benefício de grupos seletos. É justo lembrar que essa prática não começou no governo Dilma, mas na década de 80 (Sarney), foi interrompida por Collor, voltou à meia-força com FHC e ganhou peso com Lula. Como bem lembrou o cineasta Hector Babenco, que aliás nunca pediu dinheiro público para seus filmes, a suspensão da Condecine será uma “catástrofe” para esses amigos do poder. Mas talvez faça bem à sociedade brasileira.

Apple vs FBI: por que isso é importante

apple_fbi-600x300Há muito não se travava na Justiça uma batalha tão decisiva quanto essa da Apple contra o FBI pela proteção à privacidade dos usuários. Mostrando que aprendeu bem com seu mentor e antecessor Steve Jobs, o CEO da empresa californiana, Tim Cook, agiu rapidamente para passar aos seus milhões de clientes a imagem de que a Apple sempre irá defendê-los.

Para quem não está acompanhando, um resumo: na semana retrasada, o FBI conseguiu de um juiz federal uma ordem para que a Apple ajude a destravar um iPhone que pertencia a Syed Farook, tido como responsável pelo ataque terrorista que em dezembro matou 14 pessoas na cidade de San Bernardino. Os agentes querem verificar os contatos de Farook, morto pela polícia e suspeito de ligações com o Estado Islâmico. Mas a Apple se recusa a liberar o código de destravamento, alegando que isso abriria precedente para que o FBI acesse todos os demais iPhones existentes (vejam os detalhes neste link).

No mesmo dia em que saiu a ordem judicial, Tim Cook publicou no site da Apple uma “mensagem aos clientes”, na qual explica que concordar com o pedido do FBI seria abrir uma backdoor – em informatiquês, algo como “escape”, ou “armadilha”, que permite a invasão de um sistema criptografado. “Não temos nenhuma simpatia por terroristas”, escreveu Cook. “E temos grande respeito pelos profissionais do FBI.  Mas o que eles estão pedindo é que criemos um novo sistema operacional. Isso colocaria em risco todos os nossos usuários, cujos dados poderão ser violados” (leiam aqui a íntegra da mensagem).

A questão é interessante por vários aspectos. Se a ordem do juiz for confirmada pela Suprema Corte, a Apple simplesmente não terá alternativa a não ser acatar o pedido das autoridades. Talvez os usuários de iPhones fiquem satisfeitos com a postura da empresa, mas na prática todo mundo sabe que “abrir” o aparelho é a única maneira de descobrir as conexões do terrorista morto. O que o FBI irá fazer de posse dessa backdoor, não há como saber. Mas quem está preocupado com isso, é porque tem outras intenções. Ou não?

Por fim, dois detalhes que não devem passar em branco. Em sua mensagem, o CEO da Apple em nenhum momento afirma que “não irá cumprir” a ordem do juiz; ele apenas diz que isso seria perigoso para os usuários, e sugere que todos se unam para “refletir” a respeito. Outra curiosidade: gigantes da tecnologia – Google, Microsoft, Facebook e outras – divulgaram comunicado defendendo que “empresas de tecnologia não devem ser obrigadas a criar backdoors”; garantiram também que estão “comprometidas a auxiliar as autoridades e zelar pela segurança de seus clientes”. Mas não citaram o caso Apple. E Bill Gates, o “pai de todos” na matéria, defende a posição do FBI.

TV aberta x TV paga: uma decisão polêmica

Uma estranha decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foi rebatida nesta quarta-feira. Estava para ser liberado o licenciamento conjunto das redes SBT, Record e Rede TV para as operadoras de TV paga, seguindo orientação do Superintendente do Cade, Eduardo Rodrigues. Mas a relatora Cristiane Schmidt votou contra, e agora o projeto terá de ser rediscutido, como informa o site Telesíntese.

Em resumo: as três redes querem poder negociar em conjunto para ceder seu sinal às operadoras, enquanto Globo e Band já negociam em separado. Com a TV analógica, isso não acontece: todos os canais devem ser distribuídos gratuitamente. Mas, no mundo digital, a legislação permite que as emissoras cobrem pelo sinal. Negociando em conjunto, as três teriam maior poder de barganha, o que – na opinião da relatora – seria uma ameaça não à Net ou à Sky, mas às pequenas e médias operadoras.

Na verdade, esse item da lei sempre foi polêmico, porque coloca as emissoras numa posição questionável: além de faturar com a publicidade que as sustenta, elas podem impor condições à TV paga; podem até impedir que seu sinal seja veiculado, embora seja difícil imaginar que alguma delas venha a cometer essa insanidade.

“Concorrentes não podem se juntar só para fixar preços”, ensinou a conselheira Cristiane, como se fosse necessário relembrar um dos mais consagrados anátemas do capitalismo. Sabe-se lá por que, a direção do Cade estava querendo autorizar a irregularidade.

Um enrolado negócio de US$ 6 bilhões

sharpNesta quinta-feira, o conselho diretor da Sharp Corporation finalmente concordou em aceitar a proposta feita pela taiwanesa Foxconn: cerca de US$ 6 bilhões para assumir o controle do grupo. As negociações vinham desde o ano passado, e nas últimas semanas o mercado concluiu que esse era o melhor caminho para salvar a marca japonesa e seu enorme patrimônio. Mas faltava a concordância do board, que teve uma importante ajuda do governo japonês, interessado em estancar essa agonia.

Infelizmente, diz o The Wall Street Journal, se esqueceram de um “pequeno” detalhe: o Foxconn pode voltar atrás. Há uma lista de aproximadamente 100 dos chamados “itens de contingência”, o que é comum nesse tipo de negócio. Além dos US$ 6 bilhões, os taiwaneses teriam que assumir dívidas que somam mais US$ 3,1 bi, o que não tinha ficado claro antes. Assim, o negócio pode não ser concretizado: a diretoria do Foxconn pediu mais tempo para pensar.

O acordo com a Foxconn foi confirmado pelo ministro da Indústria do Japão, Motoo Hayashi. Reproduzo abaixo os principais itens da reportagem do WSJ, baseada em “fontes próximas ao assunto”, como eles costumam identificar. Quem escreveu foram três correspondentes do jornal no Japão, que geralmente são muito bem informados:

“… Embora o Foxconn tenha prometido resolver a pendência rapidamente e fechar o negócio, essa reviravolta é simbólica de como são complexas as negociações quando um investidor estrangeiro deseja adquirir o controle de um grupo japonês, em disputa com setores do governo local, que formaram um fundo para que o país não perca uma de suas marcas mais veneradas.

“O negócio vem sendo observado de perto, não apenas por suas implicações políticas (o Japão costuma proteger suas empresas contra tentativas de compra por grupos estrangeiros), mas também porque marca o fim de uma geração tecnológica: fundada há 103 anos, a Sharp foi pioneira no desenvolvimento da televisão e das calculadoras de bolso; a Foxconn, que tem apenas quatro décadas de existência, cresceu e se tornou gigante de US$ 120 bilhões graças a sua eficiência na produção e montagem de smartphones.

“Até o mês passado, a Foxconn – que tinha o nome de Hon Hai Precision Industry – era vista na mídia japonesa como “azarão” na disputa pela Sharp, bem atrás do INC (Innovation Network Corp), fundo criado pelo governo local em 2009 com o objetivo de salvar empresas de tecnologia em dificuldades financeiras. Mas os executivos da Sharp foram convencidos pela Foxconn, particularmente por seu presidente e maior acionista, Terry Gou. Além de oferecer mais dinheiro, ele visitou pessoalmente as fabricas da Sharp no Japão, conversou com banqueiros e acionistas, e garantiu que não haveria demissões e que o controle da tecnologia permaneceria em mãos japonesas.

“Depois de longas negociações, que começaram em 2012, em 30 de janeiro último Gou se comprometeu também a manter a Sharp Corp intacta, ao contrário do INC, que pretende dividi-la em várias empresas. Mas o relacionamento entre  Foxcon e Sharp vem sendo turbulento, com os japonesas inclusive acusando Gou de “falsidade”, quando anunciou que tinha prioridade na compra.”

Apple pode ser concorrente do Netflix

A imprensa americana está divulgando que a Apple trabalha na produção de uma série em vídeo estrelada pelo cantor/produtor Dr. Dre. Teria o título de Vital Signs, com roteiro baseado na vida do artista, que saiu das ruas pobres de Los Angeles para se tornar astro do hip-hop (segundo a Forbes, foi o mais bem pago de 2014). O projeto é seguir o modelo Netflix: a série só poderá ser assistida através de dispositivos Apple, como iPhone, iPad, Apple TV e computadores Macintosh.

Claro que é um balão de ensaio, como já tivemos, no início de 2015, a notícia de que a empresa fundada por Steve Jobs lançaria um serviço próprio de streaming – projeto que acabou sendo engavetado. Mas faz sentido, porque os indicadores são de que o iTunes já não é mais o sucesso de antes. Em 2014, teve uma boa queda de vendas (ainda não há dados sobre 2015) e, afinal, o modelo de venda pura e simples de filmes e séries de TV tende a perder espaço (como já ocorreu no segmento de música). Há duas semanas, a Apple anunciou que não terá mais o serviço de gratuito de rádios online pelo iTunes, passando adotar o formato de assinaturas mensais (Apple Music).

Curioso também é que esse Dr Dre (cujo nome verdadeiro é Andre Young) foi o pivô de um processo judicial bilionário, que ainda corre na Justiça americana. O artista tinha assinado contrato em 2009 com a Monster, fabricantes de cabos, fones e equipamentos de som, para lançar os fones de ouvido “Beats by Dr. Dre”, que chegaram a fazer sucesso. Menos de dois anos depois, fundou uma empresa de nome Beats Eletronics e a vendeu para a Apple, em 2014, por US$ 3,2 bilhões – de quebra, Young tornou-se “CEO” da nova marca Beats by Dre. Ou seja, sócio da maior empresa do mundo. Nada mau!

Enfurecido, Noel Lee, fundador e presidente da Monster, que cansou de aparecer em fotos ao lado de Dre, quer agora uma indenizaçãoalegando que o cantor roubou dados técnicos estratégicos e não lhe pagou nem um centavo daqueles 3,2 bilhões.

Governo dos EUA incentiva OTTs

Tom Wheeler, diretor-geral da FCC (Federal Communications Commission), equivalente americana da nossa Anatel, anunciou na última segunda-feira o que muitos já previam: todo apoio aos serviços de vídeo online, conhecidos pela sigla OTT (over-the-top). O comunicado oficial propõe, por exemplo, “… derrubar as barreiras anticompetitivas e abrir caminho para softwares, dispositivos e outras soluções inovadoras concorrerem com os receptores que a maioria dos consumidores hoje aluga junto às operadoras.”

Não é uma mudança qualquer. A ser aprovada pela Comissão, a nova legislação permitirá que o usuário escolha entre ter um serviço de assinatura convencional, com a famosa caixinha (set-top box), e baixar aplicativos em seu TV, computador, tablet ou smartphone para ver os mesmos conteúdos. Na visão de Wheeler, todos os provedores de conteúdo – lá chamados MVPDs: Multichannel Video Programming Distributors – devem poder competir em igualdade de condições, tentando oferecer a melhor experiência ao usuário.

Pesquisa da FCC indica que uma família americana média paga 231 dólares por ano em serviços de TV, valor que vem subindo devido à falta de concorrência. A medida, se aprovada, não vai acabar com os atuais pacotes, nem forçar o cancelamento de assinaturas. E os conteúdos continuarão sendo bem protegidos – pelo menos, é o que promete Wheeler. Mas o acesso poderá ser feito via qualquer dispositivo, inclusive um TV Smart. E o consumidor poderá decidir o que lhe for mais conveniente.

Business Tech, a continuação

capa_central_3É mais ou menos como nas séries de cinema e televisão: encerrado o primeiro episódio, parte-se logo para o segundo com a proposta de fazer melhor. Nossa equipe está exatamente nessa fase da produção da Business Tech #2, que circula no final do mês. O #1 foi lançado em novembro, para surpresa de muitos que não acreditavam no projeto, apresentado em maio do ano passado, durante a feira TecnoMultiMedia InfoComm Brasil 2015. Agora, trabalhamos na edição de Fevereiro, mas já com um olho no #3, que sairá em maio próximo, a tempo para a edição 2016 da Feira.

Para quem não acompanhou, Business Tech é um projeto multimídia dedicado ao segmento de áudio/vídeo profissional e sistemas eletrônicos corporativos. Além da revista trimestral, que circula em versões impressa e eletrônica, o projeto envolve um website, uma newsletter e uma série de ferramentas de comunicações online, incluindo a distribuição de conteúdos via redes sociais. Procuramos levar informação qualificada aos profissionais desse mercado, com o apoio de marcas reconhecidas e que queiram ampliar sua visibilidade.

Quando se fala em “profissionais do mercado”, é preciso ampliar o conceito. Como se sabe, um projeto corporativo – seja numa escola, hospital, indústria, centro de convenções, sala de reunião ou de treinamento – exige a participação de vários especialistas. Trata-se de desenhar a área física, dimensionar a rede de cabeamento e comunicação, distribuição dos sinais (áudio, vídeo, voz e dados), controles, segurança, acústica etc. “Integrador” é a denominação genérica do profissional que reúne ou coordena tudo isso e que, portanto, precisa se manter atualizado com cada uma dessas tecnologias.

Business Tech – a revista e seus complementos multimídia – fala para esses profissionais, mas também para os usuários dessas tecnologias. Em alguns casos, eles são chamados CIO (do inglês chief information officer); em outros, são diretores ou gerentes de TI (do inglês IT = information technology); e há ainda o pessoal que realmente põe a mão na massa e trabalha no dia a dia com os equipamentos e sistemas integrados. São técnicos, cientistas, professores, médicos, engenheiros, arquitetos, construtores, consultores, administradores etc., que colhem os benefícios do uso da tecnologia e sabem, melhor do que ninguém, a importância dessas informações.

Todos são muito bem-vindos. Afinal, informação qualificada e confiável é a matéria-prima mais valiosa no mundo de hoje. E mais ainda no mundo corporativo. Comentários? Sugestões? Críticas? Troca de ideias? Este é o canal: [email protected].

TV 3D: agora é o fim?

3D TV

 

 

Saiu no site coreano ET News: Samsung e LG estão abandonando a produção de TVs 3D. A explicação é que o público já não se anima com esse recurso e que compensa mais destinar investimentos às tecnologias 4K e de realidade virtual. Nenhuma das duas empresas confirma oficialmente; as informações vêm de fornecedores, por exemplo, dos polêmicos óculos que afastam tantos usuários. Um representante da LG admitiu, porém, que a partir deste ano irá diminuir a produção de TVs 3D, até porque a quantidade de conteúdos nesse formato continua limitadíssima.

Faz sentido. As próprias fontes citadas concordam, como já comentamos aqui, que as imagens gravadas em 4K proporcionam tal nível de profundidade que às vezes podem ser confundidas com o 3D que se tem com os tais óculos. Agora, com aprimoramentos como HDR (High Dynamic Range) e WCG (Wide Color Gamut), veremos cada vez mais conteúdos envolventes, sem necessidade de óculos.

oculos ps4

 

Quanto à realidade virtual (VR), trata-se de outro segmento de mercado. Não tem tanto a ver com dispositivos como o da foto, cujo consumo comercial não deve ter grande expressão, mas com uma série de aplicações profissionais (medicina, por exemplo) e até científicas. Os fabricantes consideram esse um grande mercado potencial – bem maior que o 3D, enquanto este ainda depender de óculos.

Teles decidem ir à briga contra o governo

Tudo bem, no país das liminares nunca se tem garantia jurídica total. Mas, após uma intensa guerra de bastidores, as operadoras de telecom e TV por assinatura – hoje unidas num mesmo sindicato, o Sinditelebrasil – conseguiram nesta 3a. feira uma marcante vitória da Justiça. Um juiz de Brasilia concedeu liminar para livrar as empresas do pagamento da Condecine, taxa que serve para financiar os produtores de conteúdo nacional através da Ancine. É a primeira vez que se tem uma sentença desse tipo, desde que entrou em vigor a chamada Lei do SeAC, em 2011.

Claro, como toda liminar, esta pode ser derrubada a qualquer momento, mas o contexto hoje é bem diferente do que era quando a lei foi aprovada. As teles conseguiram convencer o juiz de que quem paga a Condecine, na prática, é o consumidor. Para cada celular ativado, por exemplo, a operadora precisa recolher à Ancine R$ 4,14 (o valor era de R$ 3,22 até outubro, quando a presidente Dilma Roussef autorizou reajuste). O recolhimento também é obrigatório quando a operadora monta uma estação rádio-base de banda larga fixa para atender a uma cidade de até 300 mil habitantes. São R$ 1.549 pagos por ano, por estação.

Somando tudo, a Ancine arrecadou em 2015 um total superior a R$ 900 milhões, somente até outubro (os dados do ano ainda não estão concluídos). Três anos atrás, houve um acordo entre as teles e o Ministério das Comunicações para que a Condecine fosse “embutida” no recolhimento do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), que rende ao governo cerca de R$ 5 bilhões por ano. Pela lei, esse dinheiro deveria ser reinvestido no setor, mas as pedaladas vêm roubando (qual seria a outra palavra?) mais de metade da quantia.

Agora, com a crise, as operadoras decidiram peitar o governo, principalmente depois que a presidente concedeu o reajuste. Pelo menos na opinião do juiz, não cabe aos usuários – via prestadoras de serviço – pagar essa contribuição, mas sim aos produtores de filmes e vídeos. O colega Samuel Possebon, do site Teletime, um dos que mais entendem do assunto no Brasil, destrinchou o tema neste artigo, mostrando que a decisão da Justiça pode ter várias consequências. Com certeza, a Ancine e o próprio Ministério irão recorrer. Justamente agora que ganhava corpo a ideia de sobretaxar Netflix, YouTube e outros serviços de vídeo online, o corte da Condecine causa pânico entre os produtores – especialmente aqueles que não conseguem (ou não querem) se sustentar sem verbas públicas.

Ainda vamos falar muito desse tema.

Blu-ray 4K, à venda a partir de hoje

sams bluray 4KA Samsung escolheu uma rede de lojas especializadas da área de Los Angeles para colocar à venda o primeiro player Blu-ray 4K (mod. UBD-K8500). Como antecipamos aqui, o aparelho (foto) chega junto com um primeiro lote de discos da distribuidora Fox, entre eles Perdido em Marte, sucesso atual nos cinemas, que foi filmado em 4K e já poderá ser assistido com a codificação HDR (High Dynamic Range).

A rede Video & Audio Center anunciou que terá o player nas prateleiras de suas quatro lojas nesta 6a. feira à tarde. O aparelho também toca discos Blu-ray convencionais, além de CDs e DVDs, fazendo upscaling para a resolução Ultra HD. Pode se conectar a redes Wi-Fi e acessar a internet via plataforma Smart da Samsung, embora um pouco limitada em relação às dos TVs Smart (são “apenas” 300 aplicativos). Preço de lançamento: US$ 399. Não foi anunciado, mas é quase certo, no entanto, que o produto estará à venda em outras lojas dos EUA na semana que vem.

Curiosamente, essa mesma rede de lojas anunciou parceria exclusiva com a LG para demonstrar, neste domingo, os novos TVs OLED 4K. Cerca de 150 clientes estão sendo convidados para assistir ao Super Bowl, a final do futebol americano, em telas de 65 e 77 polegadas que oferecem, sem dúvida, a melhor qualidade de imagem possível com a tecnologia atual.

Segurança de redes: a porta do Batman

obama amxUm pequeno escândalo estourou no final da semana passada no mundo da automação corporativa: aparelhos para controle de redes AV usados na Casa Branca e até nas Forças Armadas dos EUA contêm uma falsa porta de segurança, por onde hackers podem se aventurar. A denúncia partiu de uma empresa especializada da Áustria, que fez o estudo e apontou os responsáveis: a AMX, hoje maior fornecedora desse tipo de equipamento ao governo americano.

A notícia saiu no site Ars Technica e repercutiu em quase toda a mídia (não apenas a especializada). Claro que é assunto essencialmente técnico, mas as implicações políticas são de interesse público. O aparelho citado é um controlador da linha NetLinx, mod. NX-1200. Ao examiná-lo, técnicos da SEC Consult, que trabalha com redes, identificaram uma porta de comunicação que adiciona automaticamente uma conta privilegiada à lista de clientes com acesso autorizado. “Alguém com conhecimento de redes pode perfeitamente entrar por ali, reconfigurar um sistema inteiro e disparar ataques”, explicou um dos técnicos.

Verdade ou não, espalhou-se pânico entre centenas de empresas que também utilizam o aparelho. Para se ter ideia, a montagem acima saiu no site da CNN, fazendo o link com a já espinhosa questão da segurança nacional em tempos de internet: o presidente Obama e assessores estariam sendo “vigiados” por um aparelho desses!!!

Segundo o próprio site da AMX, entre os usuários do NX-1200 incluem-se nomes como 20th Century Fox, EDS, JD Edwards, Unilever, diversas universidades, hospitais e redes de hotéis ao redor do mundo – fora dezenas de órgãos governamentais. O estrago não seria pequeno se houvesse alguma invasão.

O problema maior, que a AMX até agora não esclareceu, é que a empresa foi avisada em março sobre a tal “porta secreta”, que tinha até um nome sugestivo: Black Window (“viúva negra”). A SEC, que havia solicitado correção da falha, esperou dez meses e, como não teve resposta, decidiu avisar oficialmente seus clientes e o mercado em geral. Em comunicado, AMX informou que havia instalado uma outra porta, chamada Batman, e que a denúncia não tem fundamento.

Mas o assunto continua sendo debatido entre profissionais da área.

Tendências para 2016: atenção, integradores

Como faz todo começo de ano, o site americano CE Pro apontou na semana passada as cinco principais tendências para 2016 em projetos eletrônicos residenciais. Quem puder ler o original, em inglês, com certeza vai acrescentar muito ao seu negócio e à forma de relacionamento com clientes e fornecedores. Nos próximos dias, publicaremos uma versão em português. Estou me referindo, é claro, a integradores e profissionais de projetos eletrônicos em geral. Com ou sem crise, estar informado e atualizado é cada vez mais essencial. Sim, são apenas tendências, não quer dizer que acontecerão de fato. Mas, partindo de especialistas como esses, e considerando que o mercado americano está aos poucos saindo de uma crise que devorou milhões de empregos, como a nossa agora, convém prestar atenção. Abaixo, um resumo:

1.Redes de baixa voltagem – É bom se preparar para o uso mais intensivo de equipamentos LV/DC (low-voltage/direct-current), que é como são alimentados todos os dispositivos de automação, roteadores, termostatos etc. Nos próximos anos, haverá uma enxurrada deles no mercado, sem falar (ainda) das baterias recarregáveis do tipo Powerwall, que vão demorar uns dois anos para atingir escala comercial. Isso combina com as redes elétricas PoE (Power over Ethernet), tendência que cresce em paralelo.

2.Distribuição de vídeo 4K – Pode parecer heresia falar disso no Brasil, onde nem o HD está totalmente implantado (vejam como está a transição da TV analógica), mas no Primeiro Mundo a distribuição de sinal com definição mais alta está em todas as conversas. Já não se discute mais se o 4K será realidade, apenas quando. E aqui não estamos falando da mera troca de display: está surgindo um ecossistema para dar suporte a essa tecnologia. Emissoras, produtoras de vídeo e estúdios de cinema já adotam 4K como rotina; serviços de streaming, como Netflix, YouTube e Amazon, estão aumentando a oferta de conteúdos em 4K; e ao longo deste ano teremos, enfim, os discos Blu-ray 4K.

3.De olho na porta – Já conhecem o Airbnb? Trata-se de um serviço online onde se pode alugar casas, apartamentos, vagas em pousadas, chácaras etc. diretamente com o proprietário. Existem similares, e todos crescem rapidamente, a ponto de já se desenvolver um subproduto: aumenta a demanda por sistemas de segurança eletrônicos, que podem ser um ótimo diferencial na hora de fechar um negócio como esse. Fechaduras e campainhas inteligentes, câmeras IP, cortinas e persianas elétricas e por aí vai.

4.Análise de áudio e vídeo – No caminho inverso da automação como conhecemos, devem surgir este ano os sistemas de análise de dados com base em informações de som e imagem. Microfones serão capazes de separar os sons e identificar, por exemplo, o choro de um bebê, o vazamento de um cano ou o barulho de um tiro; câmeras térmicas conseguirão detectar um rosto estranho, ou o risco de fogo. Parece coisa de espionagem.

5.Todo poder ao usuário – Essa não é nova: cada vez mais as pessoas querem ter controle sobre o que vêem e ouvem. Empresas como Crestron e Savant já oferecem dispositivos com essa finalidade, mas vem muito mais por aí. O segredo está na chamada “arquitetura” do sistema. Numa rede convencional, é complicado permitir que cada usuário altere as configurações na hora em que bem entende. A nuvem resolve o problema, centralizando todos os códigos de tal modo que, estando conectado, você tem mais poderes. Essa, aliás, é a palavra em inglês: empowerment.

Gigantes buscam energia sem fio

Já há alguns anos se fala em wireless charging, um conceito genérico para dispositivos que permitem a transmissão de energia por via magnética, sem necessidade de fios. Todo mundo que já ficou sem bateria no celular, notebook ou tablet sabe bem como essa é uma questão crítica; mais ainda hoje, com as pessoas querendo estar conectadas o tempo inteiro. Os cientistas sabem que é possível, sim, transmitir carga elétrica pelo ar, mas ainda não a custos comercialmente viáveis.

Nesta sexta-feira, o site Bloomberg Business revelou detalhes do plano da Apple para liderar esse segmento a partir do ano que vem. Citando fontes que não quiseram se identificar, a notícia diz que a Apple está trabalhando com parceiros, nos EUA e na Ásia, para lançar um sistema de recarga sem fio para iPhones e iPads em 2017. Lembra que Samsung, Sony e Google já colocaram algo do gênero no mercado, mas são soluções ineficientes: a quantidade de energia liberada depende muito da distância entre os aparelhos, o que acaba eliminando a vantagem da conveniência (fica mais prático usar o carregador tradicional ligado à tomada).

Se parece notícia velha, é porque a Apple registrou sua primeira patente para carregamento sem fio lá em 2010: era um processo de indução magnética a partir de um computador iMac; no ano passado, os primeiros iWatch da empresa vieram com recurso desse tipo, mas ainda exigindo distância curtíssima (alguns milímetros) para funcionar. Houve também uma tentativa de fazer a indução elétrica através da capa de alumínio do iPhone, usando ondas de RF, mas parece que não evoluiu.

wipowerBem, agora dois fabricantes importantes de chips – Broadcom e Qualcomm – estão anunciando novidades na área. Só pra variar, essa inovação por enquanto esbarra na multiplicidade de protocolos para fabricação dos aparelhos que permitiriam recarga elétrica sem fio (já são três padrões diferentes). Mesmo assim, a Broadcom informa ter desenvolvido o que chama de PMU (Power Management Unit), compatível com os três protocolos.

Já a solução da Qualcomm, chamada WiPower, seria baseada também num invólucro metálico do smartphone, com um chip interno se comunicando em frequência específica com a fonte de energia (não informa a distância necessária).

De qualquer forma, parece que estamos chegando perto.

Quem é que entende o Netflix?

narcosBarry Enderwick, um ex-executivo da Netflix, hoje consultor na área de mídia, escreveu há poucos dias que a maioria das redes de televisão americanas, e as empresas de mídia em geral, ainda não entenderam a verdadeiro revolução que está por trás desse serviço. Netflix, diz ele, não veio para competir com nenhum canal de TV, mas para “substituir” a própria televisão.

Exagero? Vamos lá. O artigo cita que o atual diretor de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, foi de certa forma arrogante ao afirmar que a série Narcos, se fosse exibida por uma emissora convencional, teria mais audiência do que Game of Thrones, hoje o maior sucesso da TV paga mundial. Narcos, como se sabe, é uma série bancada pela Netflix e só ali pode ser assistida. Sarandos não falou em números: a empresa não divulga quantas pessoas assistem a seus conteúdos. Por isso, logo foi contestado por dois executivos de emissoras, que acusam o serviço de “falta de credibilidade”.

O artigo original, em inglês, está aqui. Mas tomo a liberdade de reproduzir partes abaixo, lembrando que essa polêmica está apenas no início. Netflix é tão contestado nos bastidores da TV quanto é o Uber entre os taxistas, mas nada existe que possa ser feito a respeito. No entanto, é valioso analisar os dados utilizados pelos dois lados (o autor do texto claramente se coloca contra as redes de TV), e observar como estas planejam reagir.

“É interessante ver os executivos das redes de TV, ainda atrelados aos velhos métodos de medição, entrarem numa discussão do tipo o-meu-é-maior-que-o-seu. O que Sarandos fez foi simplesmente extrapolar a audiência do Netflix e tirar uma conclusão sobre o que isso significa para a audiência global. Mas esses caras não estão entendendo: só conseguem pensar em sucesso em termos de tamanho da audiência.

“O problema é que Netflix não é TV tradicional. As redes de TV, sim, precisam comprovar seus números e conhecer o perfil do público para poder cobrar dos anunciantes. Netflix não se baseia nesses critérios. Sua receita vem da venda de assinaturas, tanto faz se o público é mais jovem ou mais velho. Se esta ou aquela série é mais assistida por uma determinada faixa de pessoas, não faz diferença. Eles analisam se a série ou filme irá conquistar a atenção dos assinantes e levá-los a sugerir esse conteúdo a outros possíveis assinantes.

“Netflix não precisa que uma determinada série bata recordes de audiência.  Na prática, o serviço redefiniu o próprio conceito de “sucesso”. E está crescendo no mundo inteiro com conteúdos apropriados aos gostos individuais de seus assinantes.

“Graças ao uso inteligente dos dados dos usuários, Netflix está conseguindo não apenas produzir conteúdo original de boa qualidade, mas produzir uma incrível quantidade de conteúdos que estão disponíveis no mundo inteiro. Enquanto os executivos das redes discutem quem tem mais audiência na faixa de 18 a 49 anos (vejam aqui), Netflix está trabalhando em algo muito maior; não está tentando substituir este ou aquele canal, mas substituir a própria televisão.”

“Em tempo: infelizmente, não tenho mais nenhum vínculo, nem interesse financeiro, com a empresa Netflix.