Automação: quem sabe o que é?

Menos de 30% dos usuários que têm banda larga em casa sabem onde encontrar produtos de automação residencial. A pesquisa foi feita nos EUA pela empresa Parks Associates, que acrescenta: aumentou de 22% para 36% a proporção dos que desejam esse tipo de produto. Por lá, calcula-se em 9% as residências que já possuem, por exemplo, sistemas de iluminação inteligente (lembrando: o universo é o dos que possuem banda larga).

No Brasil, claro, não há estatísticas do gênero. Mas, como no mercado americano, as principais marcas de automação não estão entre as mais conhecidas pelo consumidor, mesmo o de classe A/B. Este, em geral, associa o tema com internet e marcas como Google, Apple e Microsoft. E, quando pensam em comprar, buscam uma loja do tipo C&C ou Leroy Merlin, não uma especializada em tecnologia.

O que fazer para mudar isso? Segundo a Parks, só existe uma forma: os fabricantes têm que aparecer mais e explicar claramente os benefícios da automação, que não são poucos.

Olimpíada, também em realidade virtual

<> on September 3, 2014 in New York City.

Mais uma notícia que combina tecnologia e esportes. Segundo o site especializado BT Report, a rede americana NBC fechou acordo com a Samsung para gravar partes dos Jogos Olímpicos do Rio em VR (realidade virtual, ou “realidade aumentada”). Serão, ao todo, 85 horas de conteúdo registrado nesse formato, que só poderá ser visto através do receptor Gear VR (foto); os interessados precisarão se cadastrar e obter a autenticação. Entre as competições transmitidas em VR estão jogos de basquete, ginástica, atletismo e boxe, além das cerimônias de abertura e encerramento. Não serão transmissões ao vivo, provavelmente um dia de atraso, mas ainda assim essa pode ser considerada mais uma façanha tecnológica.

A tecnologia VR vem sendo muito comentada: será apenas moda passageira, ou tem futuro? Fabricantes como Sony, Samsung, HTC, Microsoft e Apple já lançaram, mas até agora seu uso tem sido restrito. As aplicações são inúmeras: medicina, educação, segurança, games, arquitetura, varejo. Talvez a Olimpíada ajude a fazer decolar, dependendo da qualidade da experiência.

Áudio sem fio com padrão high-end

Pode soar um sacrilégio para os audiófilos, mas é fato que até os fabricantes de equipamentos high-end estão se voltando para soluções sem fio. Marcas como Bose, B&W e Sennheiser já colocaram no mercado internacional, por exemplo, fones de ouvido wireless, como desempenho que nada fica devendo aos convencionais. E a francesa Devialet causou enorme impacto no ano passado, com o lançamento do Phantom, primeiro sistema de áudio portátil sem fio dessa categoria (vejam aqui o teste que fizemos).

sonusPelo visto, esses e outros fabricantes não vão ficar nisso.  Semana passada, a italiana Fine Sounds – dona de marcas como McIntosh e Acoustic Research – apresentou o aparelho ao lado: um “sistema” de áudio sem fio que leva uma marca respeitadíssima (Sf16s, de Sonus Faber). O design é propositalmente anos 50, mas a peça traz cinco falantes e funciona em redes Wi-Fi, só que com processamento Play-Fi (da DTS) para áudio de alta resolução.

Claro, nada dessas coisas custa barato. O preço sugerido do Sf16s, que terá série limitada (apenas 200 unidades por ano), é de aproximadamente 10.000 euros.

As empresas mais inteligentes do mundo

Innovation-ball-IISaiu uma das listas mais aguardadas de todo ano: as 50 empresas mais inteligentes (smart) do mundo, segundo a publicação Technology Review, mantida pelo MIT (Massachussets Institute of Technology). Vale a pena ver porque indica para onde sopram os ventos da inovação. Pode até ser que, daqui a anos, algumas delas nem estejam mais por aí, mas é fato que se aperfeiçoaram em inovar e, com isso, conquistar mais clientes. Alguns comentários sobre elas:

*Amazon lidera a lista, da qual não faz parte a Apple (16colocada em 2015). Há explicações e especulações. A empresa de Cupertino já não consegue inovar na mesma velocidade de antes, diz o site da Forbes. Além disso, perdeu espaço na China, onde praticamente foi proibida pelo governo.

*Já a Amazon, além de ser há cerca de 15 anos o site de compras mais acessado do mundo (o que exige inovar sempre…), tornou-se referência também como central de armazenamento de dados para corporações. Nos últimos dois anos, ganhou milhares de pequenos clientes corporativos ao redor do mundo. E criou um sistema de entregas por drones que, para muitos, é o futuro do e-commerce.

*Na lista das 50 smart, seguem-se Baidu, gigante chinesa de buscas; Ilumina, maior do mundo na área de sequenciamento de DNA; Tesla Motors, dos carros e baterias elétricos; Aquion (armazenamento de energia); Mobileye (sistemas inteligentes para segurança de veículos); 23andMe (quase faliu, mas conseguiu se recuperar graças a um ousado marketing direto: vende testes de DNA ao consumidor final); Alphabet, criada pela Google em 2015 para promover pesquisas sobre novas tecnologias; Spark Therapeuticals, espécie de consórcio entre laboratórios para desenvolver soluções em terapia genética; e a chinesa Huawei (10colocada), gigante das redes digitais.

Netflix, também na TV paga?

A Comcast, maior operadora de TV paga dos EUA, anunciou mais um serviço no mínimo polêmico. Seus assinantes poderão acessar diretamente o Netflix, no mesmo menu onde hoje acessam centenas de canais. As duas empresas vinham negociando há anos, segundo The Wall Street Journal, e agora chegaram a um acordo para a próxima geração de receptores da Comcast, chamada X1 (a mesma que comentamos aqui anteontem).

Talvez não pareça grande coisa à primeira vista, mas a realidade é que o Netflix cresce no mundo inteiro, menos no mercado americano. O acordo com a Comcast lhe dará acesso a cerca de 60 milhões de usuários; muitos, talvez, já tenham o hábito de entrar no Netflix, mas ainda assim são duas concorrentes que se unem.

Esporte move a indústria de TV

A um mês da Olimpíada Rio 2016, o mercado de televisão – emissoras, operadoras, produtoras, provedores de vídeo online – analisa com carinho o impacto do esporte no setor. Comentamos dias atrás sobre a iniciativa da Globosat, junto com NET/Claro, de transmitir o evento em 4K (vejam os detalhes), mas o fenômeno é muito mais amplo.

DisplayPort-ridDurante a Euro 2016, que termina esta semana na França, uma experiência está sendo coordenada pelo IBC (International Broadcast Center), que centraliza em Paris a cobertura do torneio. O sinal vindo dos estádios é enviado em 4K, via fibra óptica, ao IBC e ali convertido para exibição em monitores que utilizam o conector DisplayPort, em vez do HDMI. A diferença não é banal: esse conector é de código aberto e, portanto, não são pagos royalties a nenhum consórcio, ao contrário do que se exige no HDMI.

A médio e longo prazo, significa a possibilidade de se transmitir conteúdos 4K em larga escala, a custo mais baixo (detalhes, no site Display Daily). Não sabemos se isso será feito também na Olimpíada, mas é fato que um evento desse porte é uma enorme oportunidade. Na semana passada, durante a feira e congresso da ABTA, em SP, circulamos uma edição especial da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL dedicada ao evento, e um dos destaques foi justamente a força dos conteúdos esportivos para mover o mercado de TV (aberta e fechada).

Sobre a Olimpíada: com todos os problemas de organização e segurança que estamos vendo, do ponto de vista tecnológico o evento tem tudo para ser um novo paradigma. Serão milhares de horas de conteúdo produzido, a maior parte em HD, com 22 canais de TV paga e dezenas de canais online (só da Globosat, 40) transmitindo diversas competições ao vivo, simultaneamente. Haverá ao todo 306 provas, de 42 modalidades, em 37 locais diferentes. Os sinais serão transmitidos do Rio para 206 países, com audiência estimada em 2 bilhões de pessoas, muitas das quais não estarão vendo pela TV, mas em dispositivos móveis.

Segundo a Globo, a rede de fibra óptica utilizada chega a incríveis 370km; cabos submarinos levarão o sinal 8K ao Japão (sempre é bom lembrar: tudo isso é um “ensaio” para os japoneses, que farão a Olimpíada de 2020). Apenas na cidade do Rio de Janeiro, estará funcionando uma rede Wi-Fi com 8 mil pontos de acesso, para atender turistas, atletas, delegações, profissionais que trabalhem nos Jogos, jornalistas e, claro, o público em geral entre 5 e 21 de agosto.

Nos próximos dias, falaremos mais sobre “esporte na TV”, e o que esse tipo de conteúdo produz atualmente, no mundo inteiro, em termos de dinheiro, empregos, audiência e disputas políticas.

LED, OLED e o futuro dos displays

lg-signature-oled-g6-4-1500x1000Entre os especialistas em displays, uma das grandes apostas do momento é: será que a tecnologia de diodos orgânicos (OLED) consegue crescer e desbancar a de cristais líquidos (LCD)? A maioria dá de barato que a primeira é tecnicamente superior, por vários motivos (detalhes aqui), mas há dúvidas quanto a seu “teste de resistência”. Alguns já comentaram problemas ligados a superaquecimento e a perda de desempenho após determinado tempo de uso contínuo.

Na semana passada, durante o evento CE Week, realizado em Nova York (é uma espécie de prévia da CES, embora esta só vá acontecer em janeiro), os adeptos do OLED comemoraram. O TV 4K Signature, da LG, foi escolhido “King of TV”, no Value Electronics Shootout. Nessa “competição”, realizada há 13 anos, os organizadores reúnem modelos similares numa sala diante dos visitantes, todos profissionais da área, e fazem os ajustes utilizando a mesma fonte de sinal; desta vez, 80 experts votaram. Eis os competidores e seus respectivos preços sugeridos nos EUA:

LG OLED 65″ G6P – US$ 7,999

Sony LED-LCD 75″ X940D – US$ 5,999

Samsung LED-LCD 78″ KS9800 – US$ 9,999

Vizio LED-LCD 65″ RS-65B2 – US$ 5,999

Todos são 4K e compatíveis com sinais HDR (os três primeiros podem sair no Brasil este ano). O OLED venceu pelo terceiro ano consecutivo, o que mostra a convicção dos votantes (detalhes sobre o processo de escolha podem ser encontrados aqui). Mas talvez isso não seja suficiente para o sucesso da tecnologia. Há um esforço de coreanos e japoneses para incentivá-la, como se vê aqui, mas falta combinar com os chineses, que continuam inundando o planeta de TVs LCD.

Sua TV também vai para a nuvem

xfinityUm dos fatos mais marcantes do Congresso da ABTA, que aconteceu esta semana em São Paulo, foi a apresentação da Comcast, maior operadora americana de TV por assinatura. Diante de centenas de profissionais do mercado brasileiro, Mark Muehl, vice-presidente da gigante, mostrou como funciona a plataforma X1, a primeira que oferece serviços e conteúdos de TV paga pela nuvem.

Talvez seja interessante indicar aqui o link para o vídeo produzido pela própria Comcast, antes de comentar a ideia. Muitos com quem conversei durante o Congresso acham que esse é o caminho: nossa “TV do futuro” estará bem longe de casa, ou seja, na nuvem. A plataforma X1 (que nos EUA é comercializada como Xfinity) propõe que você, como assinante, nem precisa ter um receptor ligado ao TV, como hoje. Todos os dados sobre os canais e seus programas, conteúdos para demanda, gravador, histórico, sites etc. etc. etc. ficarão armazenados na operadora, podendo ser acessados a qualquer momento pelo usuário autorizado, utilizando o aparelho que quiser (seu smartphone, por exemplo).

“Nosso sistema é completamente destravado, não precisamos deixar nada instalado na casa do cliente”, sintetizou Muehl em sua apresentação. “Além de podermos oferecer mais serviços, seremos capazes de corrigir bugs na hora, 24×7. O sistema é tão inteligente que consegue identificar quando o usuário está presente na sala, ou quando é outra pessoa”.

O X1 foi pensado para permitir updates e aprimoramentos dos serviços sem aborrecer o usuário. Se quiser, este pode utilizar a própria voz para solicitar programas ou informações sobre o que está assistindo naquele momento. E, segundo Muehl, as 8 milhões de unidades até agora vendidas nos EUA já registraram 180 milhões de comandos por voz!

Alguém pode estar se perguntando por que a Comcast veio apresentar o produto no Brasil, se não opera aqui. Esse é atualmente um dos maiores grupos de mídia e telecom do mundo. Entre outras propriedades, controla a rede de TV NBC Universal, Dreamworks, os estúdios de cinema e os parques temáticos Universal; possui mais de 150 mil funcionários. Seria um dos poucos com cacife para investir no Brasil e causar preocupações a América Móvil e Telefônica. Ou, quem sabe, unir-se a um deles?

Para os interessados nos aspectos técnicos dessa plataforma, vale uma visita ao site da RDK, criadora do sistema, que foi desenvolvido pela Comcast em parceria com Cisco e Arris.

Por onde os jovens se informam?

As redes sociais derrotaram as mídias tradicionais, inclusive a televisão, como fontes de informação na preferência dos jovens. Pelo menos, é o que diz uma pesquisa internacional da Reuters, divulgada há duas semanas. Na faixa de 18 a 24 anos, 28% dos entrevistados disseram que se informam habitualmente pelas redes, especialmente Facebook (vejam o quadro abaixo), enquanto 24% citaram a TV. Foram ouvidas 50 mil pessoas, em 26 países (Brasil incluído).

O relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism, ligado à Universidade de Oxford, chama o fenômeno de “uma segunda onda de transformação” (disruption, no original) para a produção e distribuição de notícias. Fica claro que menos de 10% dos jovens aceitam pagar para se informar (a pesquisa não trata de outros conteúdos: será que esses mesmos garotos e garotas pagam para ver filmes, por exemplo?).

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Focando na parte que se refere ao Brasil, encontramos nada menos de 70% dos entrevistados respondendo que se informam (inclusive sobre as questões políticas) através das redes. Além do FB, são citadas WhatsApp, YouTube, Twitter e Instagram, pela ordem. As fontes mais utilizadas são G1, Globo News, UOL, Yahoo News e Record News.

Dois detalhes importantes: a pesquisa foi feita apenas entre moradores de áreas urbanas; 58% deles acreditam no que lêem e não acham que as notícias sejam influenciadas por interesses políticos ou econômicos.

Para quem quiser estudar melhor os dados, este é o link.

O mundo mágico dos pontos quânticos

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Ainda falando sobre TVs, a Samsung deve apresentar na semana que vem sua nova linha SUHD reforçando a aposta na tecnologia de pontos quânticos (Quantum Dots). Não é propriamente novidade (vejam este artigo), mas a empresa faz questão de deixar clara a diferença entre esses TVs 4K e os da concorrente LG. Num evento na última terça-feira, executivos da empresa detalharam o funcionamento dos aparelhos (foto), dando ênfase à compatibilidade com sinais HDR (High Dynamic Range) e à tecnologia QD (também chamada “nanocristais”), que elevam os níveis de contraste, a profundidade das cores e a luminosidade do painel (até 1.000 nits).

O anúncio está em linha com a orientação da matriz coreana, que promete no máximo em três anos o lançamento mundial dos TVs QLED; estes seriam um avanço da tecnologia QD. A Samsung garante que eles podem superar os OLED, hoje exclusividade da LG. Neste outro artigo, pode-se entender a polêmica entre os dois fabricantes.

Em tempo: a marca QD pertence à empresa californiana Nanosys, que aliás tem participação da Samsung. Daí porque os fabricantes de TVs não estão (ainda) autorizados a usá-la.

Panasonic dá um salto em TVs

DX900_hero-1200-80Esta semana, a Panasonic colocou à venda em sua loja virtual brasileira o TV TC-65DX900B, de 65″, que a empresa chama de “HDR Premium”. Esse aparelho foi exibido na CES, em janeiro, e saudado como um dos melhores do evento. É um lançamento mundial, grande aposta dos japoneses para seduzir os consumidores ainda saudosos do plasma (que deixou de ser produzido em 2013).

As especificações são realmente impressionantes. É um TV 4K certificado pela THX, com refresh de 120Hz, processador Quad-core, sistema operacional Firefox, um vistoso controle remoto com touchpad e – mais importante – backlight do tipo Local Dimming. Não por acaso, tem preço sugerido na faixa de R$ 26 mil. Também é compatível com sinais HDR (High Dynamic Range), exclusividade hoje dos TVs top de linha das principais marcas.

Antes de testá-lo, o que esperamos fazer em breve, aqui vão algumas observações que podem ser úteis. “UHD Premium” é uma nova categoria de TVs 4K, que já comentamos aqui, produzidos dentro de determinadas normas da UHD Alliance. “HDR” é um método digital de composição do sinal de vídeo, que envolve principalmente os níveis de contraste e profundidade de cores (nada a ver com “fotografia HDR”). Um TV pode ser HDR sem ser 4K, e vice-versa. E de nada adianta ser HDR se o conteúdo reproduzido não for criado dentro desses mesmos parâmetros. Este artigo traz mais detalhes.

Segundo a Panasonic, o DX900 é o primeiro TV 4K concebido com backlight Local Dimming, em formato honeycomb, chamado assim porque seu desenho lembra um favo de mel. Os diodos de led traseiros são posicionados de tal forma que se complementam, e não interferem entre si. A especificação é de 1.000 nits, sendo um nit equivalente à luz de uma vela acesa (candela) por metro quadrado; nos melhores TVs atuais, esse valor gira em torno de 400 nits. A Panasonic não informou quantos diodos são usados no painel, mas essa construção já indica um belo avanço (a maioria dos TVs utiliza backlight Edge-lit, menos eficiente).

Sempre com base em informações da empresa: para essa linha de TVs, foi desenvolvido um novo chipset chamado HCX+ (Hollywood Cinema eXperience Plus), capaz de processar cada sinal de entrada – mesmo que não seja HDR – e melhorar sua apresentação. Isso é feito acentuando as partes mais claras e mais escuras da imagem (ou seja, aumentando o contraste), aprofundando as tonalidades de cor (e suas gradações) e, ao mesmo tempo, regulando a intensidade de cada pixel.

Bem, mais detalhes podem ser encontrados no site da Panasonic Brasil. Vamos aguardar a chegada de um exemplar para teste, para detalharmos tudo aqui.

TV paga, de olho na “geração digital”

Sem Título-2Mais uma vez, pelo sexto ano consecutivo, produzimos uma edição especial da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL para ser distribuída aos visitantes da ABTA 2016 (ao lado, uma das reportagens). A Feira e Congresso da Associação Brasileira de TV por Assinatura acontece esta semana em São Paulo, em meio à crise econômica que reduziu em 4% a base de domicílios cadastrados, mas com boas notícias e algum otimismo por parte de empresários e executivos. Uma delas é esta.

De fato, o ambiente econômico está carregado, mas foi interessante ver uma empresa como a Oi tentando mostrar que os escândalos financeiros dos últimos anos não interferem nos planos de melhorar o atendimento. Sobre os escândalos, já comentamos aqui; talvez os leitores paulistas, que não são servidos pela empresa, desconheçam que para muitos brasileiros a Oi é a única opção em banda larga, devido a sua imensa rede herdada dos tempos da Brasil Telecom. Sua reação, portanto, é significativa.

Também impressiona o tom assumido pela América Móvil (NET/Claro), de apostar num evento como a Olimpíada, com uma cobertura grandiosa, considerando o que isso exige de investimento. “Decidimos manter a aposta nos Jogos, que são um marco para o país e para o mercado de TV paga”, anunciou o presidente do grupo, José Felix. “Não estamos mais crescendo a dois dígitos, mas não perdemos essa ambição”. Mais detalhes sobre a estratégia da empresa, neste artigo.

Num debate no primeiro dia da ABTA, Felix e outros executivos compartilharam a visão de que o usuário brasileiro “descobriu” a TV por assinatura e quer continuar com o serviço, embora momentaneamente muitos não estejam em condições de pagar a assinatura mensal. “A TV paga entrou no hábito das pessoas analógicas”, comentou Fernando Medin, VP do grupo Discovery. “Elas estão assistindo mais, e isso é muito positivo. Mas há uma geração de novos consumidores, que são digitais. Precisamos ver o apetite que eles têm, se querem um aplicativo para cada canal, ou para cada operadora.”

4K e o desafio dos smart TVs

Todos os fabricantes adotaram os smart TVs. Os números extraoficiais indicam que  mais da metade das vendas hoje seja de aparelhos conectados, e a tendência é que cheguem a 100% nos próximos dois anos. Mas continua sendo um desafio produzir e distribuir conteúdos usando essa plataforma. Dependendo da marca e modelo de TV, a comunicação entre os aparelhos (no caso, modem e display) nem sempre é tranquila.

Quando se pensa em conteúdos 4K, então, trata-se de outro mundo. No Brasil, a Globosat é a empresa que mais investe nessa tecnologia. Já fez experiências na Copa do Mundo, desfiles de carnaval e eventos musicais, como o Rock in Rio, e possui hoje um catálogo respeitável. Para acessá-lo, é preciso baixar no TV o aplicativo Globosat Play, e torcer para que os chips conversem bem entre si. A maior dificuldade está na falta de padronização. Os chipsets variam de um fabricante para outro, e às vezes o mesmo fabricante troca de fornecedor entre uma linha e outra de TVs, o que pode causar instabilidade do sinal.

Com os altos investimentos da Globo em tecnologia, que serão demonstrados mais uma vez nos Jogos Olímpicos, a equipe da Globosat está bem atualizada com esse mundo dos smart TVs. O contato é frequente com a indústria, embora muitos desenvolvimentos sejam feitos fora do Brasil. “Não temos a menor dúvida de que essa é a tendência”, diz Cassiano Fróes, gerente de New Media da Globosat. “É cada vez mais fácil para o usuário ter tudo integrado ao receptor de TV, sem ter que ficar acrescentando plugues e adaptadores”.

Como outros profissionais com quem já conversei, Fróes acha que as coisas caminham para que no futuro tenhamos a maior parte dos controles e softwares de TV num aparelho tipo tablet, ou smartphone, ficando o display apenas como “monitor” das imagens. O processador do TV ficará então encarregado “só” de trabalhar o sinal de vídeo, para dar conta de qualquer resolução que venha.

Mas, pensando bem, é um desafio e tanto!

Jogos Olímpicos chegando em 4K

Está confirmado que a NET e a Claro, agora atuando juntas, irão transmitir a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, no dia 5 de agosto, em resolução 4K. O esquema deve ser o mesmo que foi utilizado na Copa de 2014, quando alguns assinantes receberam o decoder 4K para degustação. Provavelmente, haverá outros eventos da Rio 2016 transmitidos em 4K, mas até agora a NET/Claro não nos confirmou.

Oi: uma série em oito temporadas

16 de fevereiro de 2008: naquele dia, publicamos aqui o primeiro comentário sobre  a crise da Oi, que agora acaba de entrar com pedido de recuperação judicial, o maior do gênero na história do país. Na lei brasileira, isso acontece quando uma empresa reconhece que não tem mais condições de pagar suas dívidas (no caso, cerca de R$ 60 bilhões). Com forte ajuda dos governos Lula e Dilma, o grupo conseguiu continuar atuando nestes oito anos, apesar de todos os indicadores apontarem para uma gestão financeira no mínimo irresponsável. E agora há o risco de que o prejuízo seja estendido aos seus assinantes, alguns dos quais não têm nem a opção de mudar de operadora.

É como uma dessas séries dramáticas cujas temporadas vão se renovando a cada ano, com personagens que entram, aprontam e saem ao sabor da inspiração dos roteiristas. No início de 2008, o governo Lula anunciava seu plano de transformar a então Telemar numa “supertele”, capaz de competir com as gigantes Telefônica, América Móvil e DirecTV, inclusive em outros países. Alguns detalhes estavam no texto Para Onde Vão Nossos Bilhões?, publicado naquele dia.

Nesses pouco mais de oito anos, citamos aqui várias vezes o chamado “escândalo da BrOi”, com auxílio de sites especializados que a todo momento acrescentavam detalhes macabros da trama. Lembro particularmente do post Um Jantar de R$ 12 Bilhões, baseado numa reportagem de Elvira Lobato na Folha de São Paulo, que descrevia um encontro entre Lula e dois acionistas da empresa para sacramentar o desvio.

Outros comentários sobre o tema que saíram aqui: De R$2 para R$ 12 Bilhões (17/11/2008); O Novo Embrulho da Oi (14/07/2010); BNDES Continua Sendo Mãe (12/03/2013) e Banco dos Grandes Grupos (11/08/2010), este um microensaio sobre o papel do BNDES na política que depois seria apelidada de “bolsa-empresário”); Buraco Sem Fundo na Telefonia (07/02/2014); e o mais recente Troca de Multas por Investimentos da Oi. Pode Isso?, de autoria do pesquisador Dane Avanzi.

Dois jornalistas de alto calibre contribuíram nos últimos dias para elucidar detalhes da “série”: Elio Gaspari, em A Oi e os Delírios da Privataria, que saiu na Folha e em O Globo; e Samuel Possebon, do portal Teletime, com A Oi e os Interesses dos Controladores. O mesmo Teletime, aliás, fez nos últimos anos vários editoriais alertando sobre os problemas financeiros do grupo.

BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, fundos de pensão… o leitor tem aí um painel de como foram conduzidas as políticas públicas nos últimos anos. E entender melhor por que a Oi está chegando a esse ponto. Com 1,2 milhão de assinantes de TV paga e quase 50 milhões de usuários de celular, a crise da empresa é uma ameaça ao consumidor. E, infelizmente, um atentado ao contribuinte. 

Para quê um Ministério da Tecnologia?

Na linha do comentário anterior, cito aqui um precioso artigo do ex-ministro das Comunicações, Juarez Quadros, publicado no site Convergência Digital, detalhando o histórico da Coreia do Sul no campo de telecom. Não é necessário repetir o fenômeno desse pequeno país asiático que, ao final da 2a. Guerra, era um dos mais pobres do mundo, e hoje é uma potência. Profundo conhecedor do tema, Quadros mostra como os coreanos do sul chegaram ao que hoje se chama “Ministério da Ciência, Tecnologia e Planejamento Futuro” (MSIP) e que atua em conjunto com o “Ministério da Economia do Conhecimento” (MKE).

Parece ficção científica, mas é como se definem por lá as políticas públicas ligadas a essas áreas. O MKE resultou da fusão, em 2008, dos ministérios de Informação & Comunicação e de Comércio, Indústria & Energia. Há ainda uma agência reguladora, a Korean Communications Commission (KCC), vinculada à Presidência, nos moldes da americana FCC; e um Comitê Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTC), que define as políticas públicas.

A troca de frequente de siglas e atribuições não impediu que a Coreia do Sul saísse de uma renda per capita africana (da ordem de US$ 67) para a de hoje (US$ 28 mil), uma das mais altas do mundo. Ao contrário, os coreanos foram aperfeiçoando seu sistema de gestão e planejamento em telecom, hoje modelar. Os detalhes estão no artigo original, mas o que mais chama atenção é que tudo se baseia no aperfeiçoamento contínuo do sistema educacional, para o qual a tecnologia é fundamental (98% dos lares coreanos estão conectados à internet).

É triste afirmar isso, mas no Brasil ainda estamos na era Flintstone, a discutir a necessidade de uma agência reguladora, vítima nos últimos anos de esfacelamento via ingerências políticas. Mais: cientistas de alto calibre unem-se num movimento para questionar a fusão dos ministérios (no caso, Comunicações com Ciência & Tecnologia) como se a questão fosse meramente semântica – onde estavam todos eles durante toda a última década e o que fizeram para combater o aparelhamento político são duas questões em aberto.

TV e telecom na arena dos políticos

O governo Temer começou com polêmicas diversas, para todos os gostos, e algumas delas envolvem o setor de telecom. A unificação dos ministérios de Comunicações e de Ciência e Tecnologia parece racional, do ponto de vista administrativo, mas esbarra – como também aconteceu no Ministério da Cultura – na falta de visão do futuro e no corporativismo. Essas áreas nunca foram estratégicas no Brasil, embora as Comunicações tenham passado por revoluções nos governos militares e, mais tarde, no governo FHC. Já Cultura, Ciência e Tecnologia sempre foram tratados como temas acessórios.

Embora seja por definição provisório, com duração de no máximo 18 meses, o governo Temer tenta promover mudanças que exigem muito mais do que articulações políticas. E um símbolo dessa dificuldade é a disputa em torno do controle da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), transformada em verdadeira arena nas últimas semanas. Em pleno processo de impeachment, a presidente Dilma nomeou um novo presidente para o órgão, cujas credenciais técnicas são no mínimo discutíveis. Ao assumir, Temer o demitiu – desconsiderando o fato de que o mandato na estatal é de quatro anos; um ministro do STF suspendeu a demissão, que agora precisa ser confirmada (ou anulada) pelos demais juízes.

Como se vê, um imbroglio típico da política brasileira. Idealizada para ser uma espécie de redentora da TV pública no Brasil, a EBC foi tomada de assalto pelo governo do PT e se transformou em campeã de audiências judiciais. Os novos governantes promovem uma caça às bruxas que paralisa as poucas atividades da estatal. Caberia uma discussão elevada sobre qual deve ser o papel do Estado no financiamento e fiscalização das atividades de comunicação e cultura. Mas o clima não está para tanto. Os participantes não parecem nem um pouco preocupados com algo tão relevante para o país.

O artigo do colega Samuel Possebon, do site Converge.com, que republicamos aqui, é até agora um dos raros textos sensatos sobre a questão da EBC e os riscos envolvidos na disputa política. Não concordo com todos os argumentos, mas vale a pena ler e refletir a respeito.

Como em todas as demais polêmicas relacionadas ao governo Temer, é muito importante se informar antes de sair atirando via redes sociais, hoje a mídia mais usada. Nem tudo é o que parece, ou muito pelo contrário.

Celular ligado: perigo à vista!

Nomophobia-CoupleNão é de hoje que existem teorias sobre os males causados pelo uso intensivo do celular. Mas o hábito é mais forte, e poucas pessoas parecem preocupadas. Ao contrário, parte dos usuários já é considerada “nomofóbica”, ou seja, demonstra medo ou ansiedade com a possível falta de seu celular. Se você acha loucura, veja este site, que entre outras informações a respeito da doença, promove um “teste” para saber se você se encaixa na categoria.

Os sintomas apontados são diversos. Há aqueles que tremem só de pensar que seu celular pode ser perdido ou roubado, outros entram em depressão quando ficam muito tempo sem o aparelho. E, nesse mundo de Deus, veja só, ainda há 1 bilhão de desafortunados que não têm um! Isso mesmo: dos 7 bilhões de habitantes do planeta, “apenas” 6 bilhões possuem. Diz o site que é de 4,5 bilhões o número de mortais que contam com um vaso sanitário, quer dizer, 1,5 bilhão prefere usar o celular em vez de você sabe o quê.

Bem, assista a este vídeo que eles prepararam. Dá uma boa ideia dos riscos envolvidos. E continue usando seu celular o tempo todo, se for capaz. Abaixo, uma rápida transcrição dos pontos mais importantes:

*Na média, as pessoas passam 4,7 horas por dia olhando para seu celular. Somando as horas passadas em frente ao computador, isso resulta no aumento dos casos de miopia.

*Nos EUA, na década de 1970, um quarto da população sofria desse problema; hoje, são 50%. Na Ásia, é ainda pior: de 80% a 90% das pessoas têm algum problema de visão por causa disso.

*Se você está usando um celular agora, sua coluna vertebral está sendo submetida a um peso equivalente ao de uma criança de 8 anos.

*No jogo Candy Crush, o jogador atinge objetivos que acabam recompensando o cérebro com pequenas quantidades de dopamina. Por sua vez, esse hábito acaba desenvolvendo no cérebro um “vício compulsivo” (compulsion loop), que os cientistas associam ao mesmo processo causado pela nicotina e pela cocaína.

*O uso contínuo do celular também pode afetar o sono. As frequências luminosas azuis da tela alteram o ritmo circadiano (ciclo biológico das 24 horas do dia), o que pode levar a doenças como diabetes, cancer e obesidade.

*Segundo pesquisadores de Harvard, pessoas que utilizam o celular nas duas horas antes de dormir têm mais dificuldade em produzir melatonina, hormônio responsável pela regulação dos ciclos do sono.

No mundo da sinalização digital

Começou neste fim de semana a edição 2016 da InfoComm, em Las Vegas, mais uma vez com um festival de demonstrações das mais avançadas tecnologias em displays. Se a edição brasileira já foi marcante nesse aspecto (vejam aqui), a InfoComm International é excepcional por reunir quase todos os fabricantes, que aproveitam o evento para mostrar como dominam a área.

Vamos acompanhar daqui as inovações, mas algumas já podem ser destacadas. Não são produtos direcionados ao segmento consumer, mas vale a pena prestar atenção porque frequentemente o setor audiovisual profissional cria soluções que chegam, mais tarde, às residências. Nas feiras ISE (Integrated Systems Europe), realizada em fevereiro, e DSE (Digital Signage Expo), que aconteceu em março, boa parte das empresas fizeram prévias do que estão desenvolvendo.

OLED LG SDIUm bom exemplo vem da LG, fortíssima no setor de displays profissionais, que está introduzindo a tecnologia OLED em aplicações de sinalização digital. Um de seus produtos mais elogiados é o display 4K Dual-view, de 75″, exibido em formatos plano e curvo (acima), que vem com upscaler, media player, processador de áudio e alto-falantes embutidos, além de um software que permite dividir a tela em várias “janelas”.

Abaixo, outra solução da empresa coreana: display de sinalização para teto. Nos próximos dias, mostraremos aqui outros produtos que podem estar indicando como será o futuro dos TVs.

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