Panasonic dá um salto em TVs

DX900_hero-1200-80Esta semana, a Panasonic colocou à venda em sua loja virtual brasileira o TV TC-65DX900B, de 65″, que a empresa chama de “HDR Premium”. Esse aparelho foi exibido na CES, em janeiro, e saudado como um dos melhores do evento. É um lançamento mundial, grande aposta dos japoneses para seduzir os consumidores ainda saudosos do plasma (que deixou de ser produzido em 2013).

As especificações são realmente impressionantes. É um TV 4K certificado pela THX, com refresh de 120Hz, processador Quad-core, sistema operacional Firefox, um vistoso controle remoto com touchpad e – mais importante – backlight do tipo Local Dimming. Não por acaso, tem preço sugerido na faixa de R$ 26 mil. Também é compatível com sinais HDR (High Dynamic Range), exclusividade hoje dos TVs top de linha das principais marcas.

Antes de testá-lo, o que esperamos fazer em breve, aqui vão algumas observações que podem ser úteis. “UHD Premium” é uma nova categoria de TVs 4K, que já comentamos aqui, produzidos dentro de determinadas normas da UHD Alliance. “HDR” é um método digital de composição do sinal de vídeo, que envolve principalmente os níveis de contraste e profundidade de cores (nada a ver com “fotografia HDR”). Um TV pode ser HDR sem ser 4K, e vice-versa. E de nada adianta ser HDR se o conteúdo reproduzido não for criado dentro desses mesmos parâmetros. Este artigo traz mais detalhes.

Segundo a Panasonic, o DX900 é o primeiro TV 4K concebido com backlight Local Dimming, em formato honeycomb, chamado assim porque seu desenho lembra um favo de mel. Os diodos de led traseiros são posicionados de tal forma que se complementam, e não interferem entre si. A especificação é de 1.000 nits, sendo um nit equivalente à luz de uma vela acesa (candela) por metro quadrado; nos melhores TVs atuais, esse valor gira em torno de 400 nits. A Panasonic não informou quantos diodos são usados no painel, mas essa construção já indica um belo avanço (a maioria dos TVs utiliza backlight Edge-lit, menos eficiente).

Sempre com base em informações da empresa: para essa linha de TVs, foi desenvolvido um novo chipset chamado HCX+ (Hollywood Cinema eXperience Plus), capaz de processar cada sinal de entrada – mesmo que não seja HDR – e melhorar sua apresentação. Isso é feito acentuando as partes mais claras e mais escuras da imagem (ou seja, aumentando o contraste), aprofundando as tonalidades de cor (e suas gradações) e, ao mesmo tempo, regulando a intensidade de cada pixel.

Bem, mais detalhes podem ser encontrados no site da Panasonic Brasil. Vamos aguardar a chegada de um exemplar para teste, para detalharmos tudo aqui.

TV paga, de olho na “geração digital”

Sem Título-2Mais uma vez, pelo sexto ano consecutivo, produzimos uma edição especial da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL para ser distribuída aos visitantes da ABTA 2016 (ao lado, uma das reportagens). A Feira e Congresso da Associação Brasileira de TV por Assinatura acontece esta semana em São Paulo, em meio à crise econômica que reduziu em 4% a base de domicílios cadastrados, mas com boas notícias e algum otimismo por parte de empresários e executivos. Uma delas é esta.

De fato, o ambiente econômico está carregado, mas foi interessante ver uma empresa como a Oi tentando mostrar que os escândalos financeiros dos últimos anos não interferem nos planos de melhorar o atendimento. Sobre os escândalos, já comentamos aqui; talvez os leitores paulistas, que não são servidos pela empresa, desconheçam que para muitos brasileiros a Oi é a única opção em banda larga, devido a sua imensa rede herdada dos tempos da Brasil Telecom. Sua reação, portanto, é significativa.

Também impressiona o tom assumido pela América Móvil (NET/Claro), de apostar num evento como a Olimpíada, com uma cobertura grandiosa, considerando o que isso exige de investimento. “Decidimos manter a aposta nos Jogos, que são um marco para o país e para o mercado de TV paga”, anunciou o presidente do grupo, José Felix. “Não estamos mais crescendo a dois dígitos, mas não perdemos essa ambição”. Mais detalhes sobre a estratégia da empresa, neste artigo.

Num debate no primeiro dia da ABTA, Felix e outros executivos compartilharam a visão de que o usuário brasileiro “descobriu” a TV por assinatura e quer continuar com o serviço, embora momentaneamente muitos não estejam em condições de pagar a assinatura mensal. “A TV paga entrou no hábito das pessoas analógicas”, comentou Fernando Medin, VP do grupo Discovery. “Elas estão assistindo mais, e isso é muito positivo. Mas há uma geração de novos consumidores, que são digitais. Precisamos ver o apetite que eles têm, se querem um aplicativo para cada canal, ou para cada operadora.”

4K e o desafio dos smart TVs

Todos os fabricantes adotaram os smart TVs. Os números extraoficiais indicam que  mais da metade das vendas hoje seja de aparelhos conectados, e a tendência é que cheguem a 100% nos próximos dois anos. Mas continua sendo um desafio produzir e distribuir conteúdos usando essa plataforma. Dependendo da marca e modelo de TV, a comunicação entre os aparelhos (no caso, modem e display) nem sempre é tranquila.

Quando se pensa em conteúdos 4K, então, trata-se de outro mundo. No Brasil, a Globosat é a empresa que mais investe nessa tecnologia. Já fez experiências na Copa do Mundo, desfiles de carnaval e eventos musicais, como o Rock in Rio, e possui hoje um catálogo respeitável. Para acessá-lo, é preciso baixar no TV o aplicativo Globosat Play, e torcer para que os chips conversem bem entre si. A maior dificuldade está na falta de padronização. Os chipsets variam de um fabricante para outro, e às vezes o mesmo fabricante troca de fornecedor entre uma linha e outra de TVs, o que pode causar instabilidade do sinal.

Com os altos investimentos da Globo em tecnologia, que serão demonstrados mais uma vez nos Jogos Olímpicos, a equipe da Globosat está bem atualizada com esse mundo dos smart TVs. O contato é frequente com a indústria, embora muitos desenvolvimentos sejam feitos fora do Brasil. “Não temos a menor dúvida de que essa é a tendência”, diz Cassiano Fróes, gerente de New Media da Globosat. “É cada vez mais fácil para o usuário ter tudo integrado ao receptor de TV, sem ter que ficar acrescentando plugues e adaptadores”.

Como outros profissionais com quem já conversei, Fróes acha que as coisas caminham para que no futuro tenhamos a maior parte dos controles e softwares de TV num aparelho tipo tablet, ou smartphone, ficando o display apenas como “monitor” das imagens. O processador do TV ficará então encarregado “só” de trabalhar o sinal de vídeo, para dar conta de qualquer resolução que venha.

Mas, pensando bem, é um desafio e tanto!

Jogos Olímpicos chegando em 4K

Está confirmado que a NET e a Claro, agora atuando juntas, irão transmitir a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, no dia 5 de agosto, em resolução 4K. O esquema deve ser o mesmo que foi utilizado na Copa de 2014, quando alguns assinantes receberam o decoder 4K para degustação. Provavelmente, haverá outros eventos da Rio 2016 transmitidos em 4K, mas até agora a NET/Claro não nos confirmou.

Oi: uma série em oito temporadas

16 de fevereiro de 2008: naquele dia, publicamos aqui o primeiro comentário sobre  a crise da Oi, que agora acaba de entrar com pedido de recuperação judicial, o maior do gênero na história do país. Na lei brasileira, isso acontece quando uma empresa reconhece que não tem mais condições de pagar suas dívidas (no caso, cerca de R$ 60 bilhões). Com forte ajuda dos governos Lula e Dilma, o grupo conseguiu continuar atuando nestes oito anos, apesar de todos os indicadores apontarem para uma gestão financeira no mínimo irresponsável. E agora há o risco de que o prejuízo seja estendido aos seus assinantes, alguns dos quais não têm nem a opção de mudar de operadora.

É como uma dessas séries dramáticas cujas temporadas vão se renovando a cada ano, com personagens que entram, aprontam e saem ao sabor da inspiração dos roteiristas. No início de 2008, o governo Lula anunciava seu plano de transformar a então Telemar numa “supertele”, capaz de competir com as gigantes Telefônica, América Móvil e DirecTV, inclusive em outros países. Alguns detalhes estavam no texto Para Onde Vão Nossos Bilhões?, publicado naquele dia.

Nesses pouco mais de oito anos, citamos aqui várias vezes o chamado “escândalo da BrOi”, com auxílio de sites especializados que a todo momento acrescentavam detalhes macabros da trama. Lembro particularmente do post Um Jantar de R$ 12 Bilhões, baseado numa reportagem de Elvira Lobato na Folha de São Paulo, que descrevia um encontro entre Lula e dois acionistas da empresa para sacramentar o desvio.

Outros comentários sobre o tema que saíram aqui: De R$2 para R$ 12 Bilhões (17/11/2008); O Novo Embrulho da Oi (14/07/2010); BNDES Continua Sendo Mãe (12/03/2013) e Banco dos Grandes Grupos (11/08/2010), este um microensaio sobre o papel do BNDES na política que depois seria apelidada de “bolsa-empresário”); Buraco Sem Fundo na Telefonia (07/02/2014); e o mais recente Troca de Multas por Investimentos da Oi. Pode Isso?, de autoria do pesquisador Dane Avanzi.

Dois jornalistas de alto calibre contribuíram nos últimos dias para elucidar detalhes da “série”: Elio Gaspari, em A Oi e os Delírios da Privataria, que saiu na Folha e em O Globo; e Samuel Possebon, do portal Teletime, com A Oi e os Interesses dos Controladores. O mesmo Teletime, aliás, fez nos últimos anos vários editoriais alertando sobre os problemas financeiros do grupo.

BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, fundos de pensão… o leitor tem aí um painel de como foram conduzidas as políticas públicas nos últimos anos. E entender melhor por que a Oi está chegando a esse ponto. Com 1,2 milhão de assinantes de TV paga e quase 50 milhões de usuários de celular, a crise da empresa é uma ameaça ao consumidor. E, infelizmente, um atentado ao contribuinte. 

Para quê um Ministério da Tecnologia?

Na linha do comentário anterior, cito aqui um precioso artigo do ex-ministro das Comunicações, Juarez Quadros, publicado no site Convergência Digital, detalhando o histórico da Coreia do Sul no campo de telecom. Não é necessário repetir o fenômeno desse pequeno país asiático que, ao final da 2a. Guerra, era um dos mais pobres do mundo, e hoje é uma potência. Profundo conhecedor do tema, Quadros mostra como os coreanos do sul chegaram ao que hoje se chama “Ministério da Ciência, Tecnologia e Planejamento Futuro” (MSIP) e que atua em conjunto com o “Ministério da Economia do Conhecimento” (MKE).

Parece ficção científica, mas é como se definem por lá as políticas públicas ligadas a essas áreas. O MKE resultou da fusão, em 2008, dos ministérios de Informação & Comunicação e de Comércio, Indústria & Energia. Há ainda uma agência reguladora, a Korean Communications Commission (KCC), vinculada à Presidência, nos moldes da americana FCC; e um Comitê Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTC), que define as políticas públicas.

A troca de frequente de siglas e atribuições não impediu que a Coreia do Sul saísse de uma renda per capita africana (da ordem de US$ 67) para a de hoje (US$ 28 mil), uma das mais altas do mundo. Ao contrário, os coreanos foram aperfeiçoando seu sistema de gestão e planejamento em telecom, hoje modelar. Os detalhes estão no artigo original, mas o que mais chama atenção é que tudo se baseia no aperfeiçoamento contínuo do sistema educacional, para o qual a tecnologia é fundamental (98% dos lares coreanos estão conectados à internet).

É triste afirmar isso, mas no Brasil ainda estamos na era Flintstone, a discutir a necessidade de uma agência reguladora, vítima nos últimos anos de esfacelamento via ingerências políticas. Mais: cientistas de alto calibre unem-se num movimento para questionar a fusão dos ministérios (no caso, Comunicações com Ciência & Tecnologia) como se a questão fosse meramente semântica – onde estavam todos eles durante toda a última década e o que fizeram para combater o aparelhamento político são duas questões em aberto.

TV e telecom na arena dos políticos

O governo Temer começou com polêmicas diversas, para todos os gostos, e algumas delas envolvem o setor de telecom. A unificação dos ministérios de Comunicações e de Ciência e Tecnologia parece racional, do ponto de vista administrativo, mas esbarra – como também aconteceu no Ministério da Cultura – na falta de visão do futuro e no corporativismo. Essas áreas nunca foram estratégicas no Brasil, embora as Comunicações tenham passado por revoluções nos governos militares e, mais tarde, no governo FHC. Já Cultura, Ciência e Tecnologia sempre foram tratados como temas acessórios.

Embora seja por definição provisório, com duração de no máximo 18 meses, o governo Temer tenta promover mudanças que exigem muito mais do que articulações políticas. E um símbolo dessa dificuldade é a disputa em torno do controle da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), transformada em verdadeira arena nas últimas semanas. Em pleno processo de impeachment, a presidente Dilma nomeou um novo presidente para o órgão, cujas credenciais técnicas são no mínimo discutíveis. Ao assumir, Temer o demitiu – desconsiderando o fato de que o mandato na estatal é de quatro anos; um ministro do STF suspendeu a demissão, que agora precisa ser confirmada (ou anulada) pelos demais juízes.

Como se vê, um imbroglio típico da política brasileira. Idealizada para ser uma espécie de redentora da TV pública no Brasil, a EBC foi tomada de assalto pelo governo do PT e se transformou em campeã de audiências judiciais. Os novos governantes promovem uma caça às bruxas que paralisa as poucas atividades da estatal. Caberia uma discussão elevada sobre qual deve ser o papel do Estado no financiamento e fiscalização das atividades de comunicação e cultura. Mas o clima não está para tanto. Os participantes não parecem nem um pouco preocupados com algo tão relevante para o país.

O artigo do colega Samuel Possebon, do site Converge.com, que republicamos aqui, é até agora um dos raros textos sensatos sobre a questão da EBC e os riscos envolvidos na disputa política. Não concordo com todos os argumentos, mas vale a pena ler e refletir a respeito.

Como em todas as demais polêmicas relacionadas ao governo Temer, é muito importante se informar antes de sair atirando via redes sociais, hoje a mídia mais usada. Nem tudo é o que parece, ou muito pelo contrário.

Celular ligado: perigo à vista!

Nomophobia-CoupleNão é de hoje que existem teorias sobre os males causados pelo uso intensivo do celular. Mas o hábito é mais forte, e poucas pessoas parecem preocupadas. Ao contrário, parte dos usuários já é considerada “nomofóbica”, ou seja, demonstra medo ou ansiedade com a possível falta de seu celular. Se você acha loucura, veja este site, que entre outras informações a respeito da doença, promove um “teste” para saber se você se encaixa na categoria.

Os sintomas apontados são diversos. Há aqueles que tremem só de pensar que seu celular pode ser perdido ou roubado, outros entram em depressão quando ficam muito tempo sem o aparelho. E, nesse mundo de Deus, veja só, ainda há 1 bilhão de desafortunados que não têm um! Isso mesmo: dos 7 bilhões de habitantes do planeta, “apenas” 6 bilhões possuem. Diz o site que é de 4,5 bilhões o número de mortais que contam com um vaso sanitário, quer dizer, 1,5 bilhão prefere usar o celular em vez de você sabe o quê.

Bem, assista a este vídeo que eles prepararam. Dá uma boa ideia dos riscos envolvidos. E continue usando seu celular o tempo todo, se for capaz. Abaixo, uma rápida transcrição dos pontos mais importantes:

*Na média, as pessoas passam 4,7 horas por dia olhando para seu celular. Somando as horas passadas em frente ao computador, isso resulta no aumento dos casos de miopia.

*Nos EUA, na década de 1970, um quarto da população sofria desse problema; hoje, são 50%. Na Ásia, é ainda pior: de 80% a 90% das pessoas têm algum problema de visão por causa disso.

*Se você está usando um celular agora, sua coluna vertebral está sendo submetida a um peso equivalente ao de uma criança de 8 anos.

*No jogo Candy Crush, o jogador atinge objetivos que acabam recompensando o cérebro com pequenas quantidades de dopamina. Por sua vez, esse hábito acaba desenvolvendo no cérebro um “vício compulsivo” (compulsion loop), que os cientistas associam ao mesmo processo causado pela nicotina e pela cocaína.

*O uso contínuo do celular também pode afetar o sono. As frequências luminosas azuis da tela alteram o ritmo circadiano (ciclo biológico das 24 horas do dia), o que pode levar a doenças como diabetes, cancer e obesidade.

*Segundo pesquisadores de Harvard, pessoas que utilizam o celular nas duas horas antes de dormir têm mais dificuldade em produzir melatonina, hormônio responsável pela regulação dos ciclos do sono.

No mundo da sinalização digital

Começou neste fim de semana a edição 2016 da InfoComm, em Las Vegas, mais uma vez com um festival de demonstrações das mais avançadas tecnologias em displays. Se a edição brasileira já foi marcante nesse aspecto (vejam aqui), a InfoComm International é excepcional por reunir quase todos os fabricantes, que aproveitam o evento para mostrar como dominam a área.

Vamos acompanhar daqui as inovações, mas algumas já podem ser destacadas. Não são produtos direcionados ao segmento consumer, mas vale a pena prestar atenção porque frequentemente o setor audiovisual profissional cria soluções que chegam, mais tarde, às residências. Nas feiras ISE (Integrated Systems Europe), realizada em fevereiro, e DSE (Digital Signage Expo), que aconteceu em março, boa parte das empresas fizeram prévias do que estão desenvolvendo.

OLED LG SDIUm bom exemplo vem da LG, fortíssima no setor de displays profissionais, que está introduzindo a tecnologia OLED em aplicações de sinalização digital. Um de seus produtos mais elogiados é o display 4K Dual-view, de 75″, exibido em formatos plano e curvo (acima), que vem com upscaler, media player, processador de áudio e alto-falantes embutidos, além de um software que permite dividir a tela em várias “janelas”.

Abaixo, outra solução da empresa coreana: display de sinalização para teto. Nos próximos dias, mostraremos aqui outros produtos que podem estar indicando como será o futuro dos TVs.

display teto SDI

 

TV paga dobra audiência em três anos

O número de residências com acesso à TV por assinatura não sobe, mas a audiência dos canais pagos nunca esteve tão alta. Uma pesquisa do Ibope Media, divulgada nesta sexta-feira pela ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), revela que no primeiro trimestre deste ano chegou a 2,2 milhões o total de pessoas sintonizadas nesses conteúdos; a audiência média era de 1,08 milhão de telespectadores em 2013. Vejam o gráfico:

grafico abta

Quem for verificar os dados oficiais da Anatel sobre venda de assinaturas pode se assustar. Com a crise, o total de domicílios atendidos era de 19,765 milhões em março do ano passado, e agora caiu para 18,952 milhões. Muita gente cancelou o serviço, ou não está conseguindo pagar a mensalidade. A maior queda se deu no segmento de satélite (DTH): eram 12 milhões de assinantes no primeiro trimestre de 2015, e este ano foram 10,9 milhões. As operadoras de cabo conseguiram aumentar sua participação, mas muito pouco (de 7,630 para 7,857 milhões), não incluídas aí as instalações com fibra óptica (FTTH), que somam 180 mil – estatísticas mais detalhadas estão no site da consultoria Teleco.

Tudo se explica, claro, pela economia: foi no DTH que se registrou o maior salto da TV paga no Brasil, nos hoje saudosos anos 2008-2012. A Classe C, e parte da Classe B, teve que dar um freio nas despesas domésticas. Mas, pelo visto, as programadoras não podem se queixar, pois estão roubando audiência da TV aberta. “O tempo de permanência do telespectador dos canais pagos vem crescendo a cada ano”, garante Roberto Nascimento, vice-presidente da Discovery e diretor da ABTA.

Junte-se a isso o fator mobilidade: operadoras e programadoras estão distribuindo cada vez mais seus conteúdos em plataformas móveis, e isso com certeza ajuda a manter a fidelidade do público.

Rio 2016: aquecimento tecnológico

jogosPelo menos no campo da tecnologia, a Olimpíada no Brasil promete boas novidades. Estamos produzindo material sobre o tema para as revistas HOME THEATER & CASA DIGITAL e BUSINESS TECH, e já se percebe que teremos um show talvez até melhor do que na Copa do Mundo.

Pra variar, quem lidera as iniciativas é a Globo, e em todas as plataformas: TV aberta, TV paga (via Globosat), internet, dispositivos móveis e o que mais houver em mídia. Só para se ter ideia, o SporTV terá nada menos do que 20 canais no ar, transmitindo praticamente todas as modalidades, não apenas as competições, mas bastidores, entrevistas etc. Além disso, terá 36 sinais diferentes rodando na internet, com conteúdos ao vivo!

Os Jogos Olímpicos serão também o primeiro grande teste da plataforma Globo Play, lançada pela emissora no ano passado, que dá acesso online a grande parte da programação da rede aberta. Agora, será criado o canal “Play nos Jogos” (OK, o nome não é lá muito original…), gratuito e com 24 horas de conteúdos sobre o evento. Serão conteúdos complementares aos da TV aberta, certamente aproveitando a enorme quantidade de material que a equipe da Globo – mais de 1.000 profissionais – estarão produzindo.

Segundo a emissora, algumas competições só poderão ser assistidas nas plataformas digitais, o que é natural, considerando que serão 42 modalidades, incluindo as estreantes (golfe e rugby, por exemplo). Como, quando e onde se consegue ver tudo? Mesmo os 20 canais do SporTV talvez não sejam suficientes. No canal “Play nos Jogos”, o usuário terá também acesso a um serviço de busca por atleta, país ou modalidade, para rever o que não conseguiu assistir.

Sem falar que, como já foi feito na Copa, a Globo trabalhará em cooperação com a NHK, do Japão, para fazer transmissões em resolução 8K das cerimônias de abertura e encerramento. Vamos acompanhar de perto esse trabalho para informar aqui.

TVs 4K: um “selo” de qualidade?

Está combinado: TVs, players Blu-ray e projetores 4K top de linha que forem lançados este ano poderão exibir o selo “Premium”, conforme comentamos aqui recentemente. Seria uma espécie de “certificado de qualidade” fornecido pelo consórcio UHD Alliance, formado pela maior parte dos fabricantes, estúdios de cinema, empresas de software e provedores de conteúdo online. A intenção é deixar claros para o consumidor os benefícios do padrão 4K (UHD), que vão além da resolução de imagem.

Sony4KHDRlogo

 

A criação do selo se baseia numa série de especificações que a entidade definiu para  identificar os produtos mais avançados (detalhes neste artigo). Uma ótima ideia, só que, mais uma vez, a indústria eletrônica se perde nas justificativas. Nesta segunda-feira, a Sony anunciou que não irá utilizar o tal selo, embora seus TVs 4K, apresentados num evento em Nova York, estejam entre os mais badalados da atual safra. Em vez disso, a empresa pretende usar o selo ao lado. O problema é que nem todos os TVs Sony seguem as especificações da Alliance; se todos usarem esse selo, como saber quais são top de linha? Nem a própria Sony tem a resposta.

Para amplificar a polêmica, outro fabricante importante – a Vizio, que é de origem chinesa mas tem sede nos EUA – comunicou que não concorda com os critérios da Alliance. A marca é hoje uma das mais vendidas do mercado americano e, portanto, sua posição não pode ser subestimada. Por trás de tudo, há ainda uma disputa por royalties: a Vizio, assim como Philips e LG, pagam a licença do software Dolby Vision; e a Dolby, nos bastidores, tem interesse em desestabilizar a Alliance, que defende o padrão concorrente HDR.

Nem os roteiristas de Hollywood conseguiram imaginar um roteiro mais confuso.

Whatsapp e o novo mundo da (falta de) privacidade

Não tive tempo de comentar aqui a polêmica decisão daquele juiz que suspendeu o Whatsapp por três dias – apenas um dia foi cumprido, suficiente para causar pânico geral. O nome do juiz, que meses atrás também havia mandado prender o vice-presidente do Facebook, não vem ao caso; talvez estivesse apenas querendo seus minutos de fama. Mas sua decisão é simbólica dos tempos atuais: o Estado insiste em tentar controlar a comunicação entre os indivíduos e, para isso, é capaz de usar os meios mais esdrúxulos.

O problema não é apenas brasileiro. Esta reportagem mostra que os governos, invocando “proteger” a sociedade, vivem criando meios de impedir o fluxo independente de informações. Em países como Cuba, China e Coreia do Norte, esse fluxo praticamente não existe, e nos EUA recentemente houve uma disputa entre a Apple e o FBI devido ao uso do iPhone por terroristas. É a velha história de culpar o carteiro: este não sabe o que está escrito na carta, assim como Whatsapp, Facebook, Apple etc. não conseguem mexer no conteúdo das mensagens que veiculam, que aliás são criptografadas.

Como estamos vendo na crise política, parece que muitas pessoas não conseguem entender que os tempos são outros. Não é mais possível, felizmente, direcionar a informação como se fazia antes. As mídias se fragmentam a ponto de cada indivíduo ser, por si só, produtor e distribuidor de conteúdo, e assim atingir o “seu” público. No fundo, é a sociedade moderna tentando se adaptar à vida conectada.

InfoComm Brasil agita a semana em SP

Nesta 3a feira, começa a Expo TecnoMultimedia – InfoComm Brasil 2016, que acontece pelo terceiro ano consecutivo em São Paulo. É hoje o evento mais importante para o segmento de Pro AV, que concentra a indústria de equipamentos e serviços para projetos corporativos e espaços públicos. Um setor que movimenta muito mais negócios do que o residencial e que, aos poucos, e apesar das dificuldades econômicas, vai se profissionalizando no país.

Este ano, são cerca de 50 expositores, incluindo marcas mundiais como Kramer, Casio, Panasonic, Crestron, Barco, BenQ, Harman/AMX, Christie, Epson; e brasileiras que vêm se destacando, como Discabos, Neocontrol, AAT, AMCP. Entre diversos produtos que serão demonstrados, já sabemos de projetores Laser Phosphor (para grandes espaços), sistemas de projeção mapeada, distribuição de áudio digital para shows e eventos, redes de vídeo 4K, sinalização digital e soluções para videoconferência, aulas e reuniões utilizando dispositivos sem fio.

CAPA-BUSINESS-TECH-#03-1Nossa publicação voltada a esse segmento, a revista BUSINESS TECH, está em sua terceira edição, que traz entre os destaques um interessante artigo de Vinicius Barbosa Lima sobre as novas necessidades do integrador profissional. Muitos tentam a migração da área residencial para a corporativa, mas acabam descobrindo que são quase dois mundos diferentes. Não só tecnologias distintas, mas os clientes (executivos de empresas) são mais exigentes e têm prazos mais rígidos. Vale a pena ler.

Aproveitando: BUSINESS TECH pode ser folheada em formato impresso convencional, mas também em sua versão eletrônica. Quem tiver interesse pode conferir aqui.

Turner está comprando a Band

Já se especulava no mercado há alguns meses, mas agora as negociações caminham para o final: o grupo Time Warner, através da Turner, está adquirindo o controle de 30% da Rede Bandeirantes de Rádio e TV. Com quase 50 anos de existência, a Band já chegou a ser a segunda rede do país, mas nos últimos anos vem perdendo anunciantes e – o principal – a confiança do mercado.

Pela legislação atual, um estrangeiro pode ter, no máximo, 30% do controle de uma concessionária de radiodifusão no Brasil. Se fosse possível, a Turner compraria 100%! O grupo americano – que é dono de vários canais pagos, tendo seu carro-chefe no Cartoon Networks (possui ainda TNT, CNN e outros) – decidiu há cerca de dois anos aumentar a aposta no mercado brasileiro. Comprou o ascendente Esporte Interativo (EI) e está provocando agito até dentro da Rede Globo.

Na semana passada, o EI anunciou ter fechado acordo para transmitir o Campeonato Brasileiro de Futebol, jóia do mercado publicitário, a partir de 2019, quando se encerram os contratos atuais da Globo. A especulação no mercado é que o EI está pagando nove vezes mais aos clubes… Nesse caso, as transmissões sairiam do SporTV e ficariam restritas aos canais EI (a Globosat manteria direitos apenas ao pay-per-view). Aqui, alguns detalhes sobre a investigação do Cade nessa questão. Vale lembrar que a Turner já comprou este ano a Champions League, antes tradicional na ESPN, dizem que também por uma fortuna.

O mercado de direitos esportivos para televisão é muito complexo para quem é de fora (aqui, publicamos uma boa explicação). Mas a entrada da Turner na TV aberta, se confirmada, tem efeitos e significados muito mais fortes do que a ação do EI. Apesar da família Saad possuir farto capital próprio, o fato é que a Band, como rede, se debate com a falta de conteúdo relevante. Opera hoje na semi-ilegalidade, já que aluga horários para igrejas diversas, o que é proibido aos concessionários de rádio e TV (conta com a conivência do Ministério das Comunicações e da Anatel, embora a empresa esteja sendo contestada na Justiça). Mantém apenas um programa de sucesso (o Masterchef), além de certo prestígio com o Jornal da Band.

O acordo com a Turner, segundo o site Yahoo, prevê que a empresa americana assumiria toda a parte artística, ficando a Band com o jornalismo. Novas notícias devem sair nos próximos dias.

Home vídeo, mercado em extinção?

Se em outros países há entusiasmo com a chegada de mais conteúdos em 4K, aqui as últimas notícias são péssimas para quem ainda cultiva o hábito da videoteca particular. O muito bem informado Blog do Jotacê informa que empresas importantes do setor estão simplesmente saindo do país. Uma delas seria a Paramount-Universal (união de duas marcas centenárias em Hollywood), que está transferindo sua distribuição para a SPHE (Sony Pictures). Já a Fox, que no Brasil vinha atuando em parceria com a Sony, passa ao controle da Warner. E a Disney entrega suas operações para a Cinecolor.

Nenhuma das empresas confirma, mas são três pancadas simultâneas num mercado que, como se sabe, vem despencando há alguns anos. As chamadas majors (leia-se: os estúdios de Hollywood) não lançam nada de relevante em DVD ou Blu-ray, espaço que agora é ocupado pela internet (incrível a quantidade de sites piratas) e pelos serviços VoD, especialmente o Now (Netflix é mais para séries). Lojas virtuais, como a DVD World, oferecem um vasto catálogo de filmes de arte e/ou raridades para colecionadores, pouca coisa mais.

E la nave vá…

Blu-ray 4K agora é pra valer

Sem Título-1Nesta segunda-feira, a UHD Alliance – consórcio de fabricantes e estúdios de cinema que apoiam o padrão Ultra High Definition (4K) de vídeo e televisão – certificou o primeiro player Blu-ray 4K, lançado no mês passado pela Samsung no mercado americano. Significa que a indústria decidiu mesmo dar impulso à produção e distribuição de discos de altíssima resolução, coisa que ainda estava em dúvida. Já havia certificação para streaming em 4K, mas como este depende da disponibilidade de banda a maioria dos especialistas acha que só mesmo os discos garantirão a entrega da qualidade prevista no UHD.

HO&A_037_UHDA_LOGO_FINAL_v6No início do ano, a UHD Alliance divulgou as especificações para TVs 4K (com o selo ao lado), sem mencionar os players. Parecia desnecessário especificar também estes, mas a nova decisão pode dar mais segurança aos consumidores, já que, em princípio, tudo será divulgado de forma transparente. Uma das preocupações da entidade é evitar mal-entendidos como o dos “TVs 3K”, que causaram polêmica mundial (no Brasil, o caso mais marcante foi o dos primeiros TVs 4K da LG, como relatamos aqui).

A entidade informou já ter certificado ao todo 30 modelos de players Blu-ray 4K, que devem ser lançados nos próximos meses no mercado internacional (o Brasil, com a crise atual, deve ficar fora disso ainda por algum tempo). Além da Samsung, estão previstos lançamentos da LG, Philips e Panasonic. Todos deverão portar o selo acima.

Eis aqui um resumo das especificações, pelas quais o usuário deve procurar quando for adquirir um aparelho 4K (seja player, TV ou projetor):

Resolução de imagem: 3.840 x 2.160 pixels

Processamento de cor: WCG (Wide Color Gamut), em 10-bit, padrão BT.2020

Processamento de vídeo: HDR (High Dynamic Range)

Decodificador H.265, também HEVC (High Efficiency Video Encoding), para descompressão de sinal da internet

Obs.: os aparelhos 4K também devem ter acesso direto à internet.

Para quem ainda não viu, aqui está um comparativo entre os TVs 4K e os Full-HD convencionais. Este outro teste também é interessante.

Startup americana compra a B&W

BWFoi confirmada nesta terça-feira a venda da inglesa Bowers & Wilkins para uma jovem empresa do Vale do Silício, a Eva Automation. Fundada há apenas dois anos, essa startup cresce rapidamente, apoiada por um fundo de investimentos chamado Formation 8, especialista no setor de tecnologia. Até agora, não foram revelados números do negócio, mas Joe Atkins, hoje o principal acionista da B&W, já pensava no assunto desde o ano passado.

Uma das líderes no segmento de áudio high-end, a B&W sofre como todos os seus pares a concorrência dos chamados “fabricantes de plástico”, com sistemas portáteis de baixo custo. Fundada há quase 100 anos, a empresa relutava em entrar nesse campo e, com isso, decepcionar seus devotados fãs. “Vamos ter que explicar isso a eles”, diz Atkins. “Com o tempo irão perceber que essa era a melhor solução para a empresa.”

De certa forma, esse acordo marca uma inversão no mundo atual: uma empresa centenária, com cerca de 1.100 funcionários e sólida reputação, é adquirida por uma micro desconhecida e com estafe de apenas 40 pessoas. Só não é surpresa para os investidores. Gideon Yu, presidente da Eva, era diretor financeiro do YouTube quando este foi comprado pelo Google, negócio estimado na época em US$ 2 bilhões. Depois, trabalho também no Facebook; hoje, é um dos golden boys do Vale.

Segundo Yu, a ideia é aproveitar o prestígio de uma marca consagrada para crescer nos segmentos de áudio e multiroom. Ao site de tecnologia da Bloomberg, ele prometeu que a marca B&W será seu carro-chefe. Curiosamente, Yu e Atkins só se conheceram há cerca de um mês.

Polêmica da banda larga vai longe

Prestes a deixar o governo, a presidente Dilma acena com a possibilidade de assinar um pacote de maldades, como costumam dizer as línguas ferinas de Brasilia. Já que não conseguiu viabilizar os apoios de que necessitava no Congresso, a quase ex-mandatária deixaria decretos-bomba para o sucessor. Uma das medidas seria a proibição, pura e simples, dos planos de franquia nos serviços de banda larga.

Certamente não será com decretos demagógicos que se irá melhorar a prestação de serviços de telecom, nem atingir tarifas mais justas. A polêmica, como já comentamos, deve se estender por um bom tempo. É bom que seja assim, pois dará chance das pessoas conhecerem os diversos lados da questão. O colega Samuel Possebon, um dos mais competentes do setor, analisou detalhadamente as motivações e implicações da portaria publicada pela Anatel suspendendo a aplicação de franquias por 90 dias (o conselho da Agência promete dar um parecer antes disso). No site Gizmodo, Felipe Ventura comenta reportagem do The Wall Street Journal relatando que a controvérsia também existe nos EUA. E ontem, na Folha de São Paulo, Julio Wiziack mostra os limites de dados das atuais franquias.

Vários outros artigos têm sido publicados, inclusive por gente da área técnica, sem falar das manifestações “políticas”, como da OAB, IDEC e entidades ligadas a internautas. Por mais que alguns (como é comum no Brasil) queiram simplificar as respostas, o caminho é se informar e não cair na armadilha da gritaria. Daqui do nosso cantinho, vamos tentando ajudar.