Brasil pode ter seu Fórum UHD

Reunida em São Paulo nesta segunda-feira, a diretoria da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) anunciou a proposta de criação de um fórum para UHD no país. Estavam presentes representantes de várias outras entidades ligadas ao setor: ABERT e ABRATEL (redes de TV abertas), ABTA (TV paga), Eletros (fabricantes de TVs) e BRAVI (produtoras independentes).

O futuro fórum seria uma evolução natural do mercado. Cerca de dez anos atrás, foi criado o Fórum SBTVD justamente para coordenar a implantação da TV de alta definição, hoje uma realidade em diversas regiões. Não se sabe ainda o que acontecerá com o padrão UHD, nem na TV fechada e menos ainda na aberta. Mas já comentávamos em 2015 uma queixa da Rede Globo quanto à indefinição sobre a introdução desse padrão no Brasil. “Estamos atrasados”, dizia então o diretor de tecnologia da emissora, Raymundo Barros (vejam aqui).

Segundo a atual presidente da SET, Liliana Nakonechnyj, as estimativas para 2020 são de que existirão no mundo 450 milhões de domicílios com TV UHD (4K). Além disso, há a gigantesca quantidade de dados (23 milhões de terabytes) circulando a cada mês via dispositivos móveis, e como se sabe as emissoras hoje distribuem seus programas também pela internet. Serão dois problemas (no mínimo) a serem resolvidos de forma integrada: o uso do espectro de frequências para TV aberta e a disponibilidade de banda para IPTV.

A proposta da SET é criar um grupo de trabalho com as demais entidades a partir dos modelos já adotados no Japão (onde existe o NexTV Forum) e nos EUA (Ultra HDTV Forum). Cada setor está sendo convocado a indicar dois representantes, com o grupo sendo completado por especialistas das universidades e centros de pesquisa. O primeiro workshop sobre o tema será organizado durante a SET Expo 2017, que acontece em São Paulo de 21 a 24 de agosto.

A morte do Windows Vista

Com vídeo de esclarecimento, nota de pesar e tudo mais, foi declarada oficialmente nesta terça-feira a extinção do Windows Vista, um dos produtos mais badalados (na época do lançamento) e talvez o mais criticado de todos os tempos. A Microsoft anunciou o fim das atualizações e do suporte ao sistema operacional, após dez anos de incríveis idas e vindas. Aqui, o comunicado oficial, no site internacional da empresa.

Na verdade, a Microsoft deixou de sequer mencionar o Vista em seus boletins, blogs, sites etc. a partir de 2012, quando foi lançado o Windows 8. O Vista já era então o sistema mais mal avaliado pelos especialistas, que apontavam problemas básicos em sua concepção: excesso de demanda sobre o processador, o que resultava em irritante lentidão; interfaces gráficas difíceis de acompanhar (pelo menos para o usuário médio, não o nerd); incompatibilidade com os padrões DRM, hoje obrigatórios na internet. Muitos consumidores que eram fãs da Microsoft jamais perdoaram a empresa por abandonar o consagrado XP, até hoje a versão mais popular do Windows.

Em seu livro Os Visionários, no capítulo sobre Bill Gates, conto parte da história da criação do Windows, ideia que acabou sendo a maior responsável pelo êxito da Microsoft. Antes das “janelas”, só se trabalhava com textos sobre a tela escura. Steve Jobs chegou a acusar Gates de lhe ter roubado o conceito visual, mas o fato é que a MS impôs o Windows ao mercado, e… bem, o resto todo mundo sabe.

Enfim, o passamento do Vista nem será notado, já que – segundo o site ZD Net – apenas 0,7% dos computadores atuais ainda mantêm o jurássico sistema. O site, aliás, fez o réquiem ao produto, com uma galeria de fotos que pode até ser engraçada aos olhos de hoje. É, na verdade, uma sucessão de problemas que estressou muita gente ao longo desses dez anos.

Reproduzo ao lado uma das imagens, que sintetiza a própria história do Vista. Foi, provavelmente, aquela que mais se repetiu nas telas dos usuários até hoje. Que descanse em paz!

Google quer “comprar” a LG Display

Numa pequena amostra de como evoluem os negócios no mundo da tecnologia, vem esta notícia bombástica do jornal Korea Times: a Google Inc teria oferecido US$ 880 milhões para ficar com a divisão de displays do grupo LG. Saiu uma semana depois que a Apple comunicou acordo com a Samsung para fornecimento de 70 milhões (você não leu errado) de painéis OLED para equipar os novos iPhone que vêm aí.

Se for verdade, o acordo Google-LG terá muito mais impacto na indústria. Não seria bem uma aquisição, mas um aporte de capital para ajudar a LG a construir uma nova fábrica de displays OLED, que a Google usaria nos novos smartphones flexíveis Pixel, prometidos para este ano. Permitiria também a produção de painéis maiores, para TV, a custo mais baixo que os atuais. 

LG-Google vs. Samsung-Apple: sem dúvida, daria mais uma bela disputa de mercado?

De quebra, também nesta mesma segunda-feira a Foxconn, de Taiwan, anunciou oferta para assumir o controle da divisão de chips da Toshiba (detalhes aqui). Esta notícia, porém, acaba virando um rodapé, diante do alcance das outras duas.

Emissoras vs operadoras: guerra de informações

Basta dar um Google e digitar, por exemplo, a palavra “Simba” para ver que está ocorrendo uma guerra de informação – e desinformação – entre emissoras de TV abertas e operadoras de TV paga em torno da questão do sinal digital. Aos telespectadores, de pouco adianta neste momento tentar saber o que acontece nos bastidores; as decisões podem mudar de uma hora para outra, e os sites ditos “especializados” divulgam o que lhes convém. Uma exceção é a coluna de Daniel Castro no UOL, que fez um bom resumo da história.

Oficialmente, a Vivo/GVT é a única operadora autorizada a transmitir para seus assinantes os sinais das redes Record, SBT e Rede TV. Quem mora na Grande São Paulo e assina NET/Claro, Sky ou Oi só tem acesso àqueles canais se tiver uma antena de TV aberta e um televisor com receptor digital. Só que não. Usuários de DTH (TV via satélite) conseguem captar os sinais em posições diferentes da grade. Em algumas localidades, a mudança sequer foi percebida. Será preciso esperar mais para saber até que ponto as pessoas sentem falta dos três canais – que, aliás, alugam boa parte de seus horários a igrejas e empresas de televendas.

Nos últimos dias, a polêmica entre emissoras e operadoras ganhou espaço na mídia quase como se fosse caso de polícia. Telejornais das três levaram ao ar “reportagens” denunciando, por exemplo, que o atendimento da Sky é campeão de reclamações, incluindo depoimentos de supostos assinantes decididos a cancelar seus pacotes. As operadoras, por sua vez, colocaram na tela comunicados sobre a intransigência das redes abertas, que “de repente” teriam decidido cobrar por algo que sempre foi gratuito.

A Simba – empresa formada pelas três emissoras para negociar acordos com as operadoras – divulgou que somente a Vivo aceitou conversar. Mas, na sexta-feira, dez dias após o desligamento “oficial” dos transmissores analógicos, informava através de alguns sites que a operadora espanhola teria voltado atrás e que, agora, a Net/Claro é que se tornou mais flexível. Com exceção da Sky, que emitiu nota para dizer que não aceita negociar, as operadoras só falam oficialmente através de sua entidade representativa, a ABTA (vejam o site).

Para se ter ideia de como o assunto é tratado na mídia, vejam o que saiu no site Último Segundo, do iG, sob a manchete “Operadoras Net, Claro, Sky e Embratel perdem mais de 1 milhão de assinantes”: “…assinantes estão optando por cancelar o serviço de TV pago, dando preferência ao conteúdo nacional e de boa qualidade oferecido pela Record, RedeTV! e SBT, gratuitamente“. Vale a pena repetir: “conteúdo nacional e de boa qualidade”!!!

Curiosa foi a atitude da Band, que assim como a Globo já tem acordo antigo com as operadoras (o grupo também é dono de serviços de TV por assinatura): seu departamento de Jornalismo (!!!) foi acionado para produzir conteúdos contra as concorrentes, como se vê aqui. Revela, inclusive, que a Simba pede às operadoras o valor de R$ 15 por assinante, ou seja, a Sky – que segundo a Anatel tem atualmente 2 milhões de clientes em SP – teria de lhes pagar R$ 30 milhões. Repassaria esse valor aos assinantes? Vejam dados atualizados sobre o mariet-share de cada operadora.

Mais notável ainda, como lembra o colega Samuel Possebon, é que toda essa confusão resulta de uma falha na própria legislação: as operadoras não poderiam ter cortado os sinais sem avisar os assinantes com 30 dias de antecedência. Mas foram obrigadas a isso por uma notificação da Anatel (leiam e vejam se conseguem entender o imbroglio). E agora?

70 anos de áudio, vídeo e amigos

A lista de assuntos para comentar é grande neste início de abril. Mas uma empresa que completa 70 anos recebendo parabéns dos clientes não se vê a toda hora. Por isso, quero saudar aqui as irmãs Duarte (Eliana, Fernanda e Patricia), que estão celebrando, com justiça, o 70o aniversário da Raul Duarte, a mais tradicional loja de áudio e vídeo da capital paulista. 

Para quem não conhece a história, Raul Duarte (foto) foi pioneiro na venda de equipamentos de áudio no Brasil. Apaixonado por música, conseguiu transmitir seus conhecimentos a clientes de sua primeira loja, no centro velho da cidade – clientes esses que foram se tornando também amigos. Trazia equipamentos e também discos de primeira linha, que fazia questão de ouvir antes de entregar aos clientes. Foi ainda pioneiro naquilo que hoje se conhece como “pós-venda”. Não se contentava apenas em vender, queria sempre ter certeza de que seus clientes/amigos estavam satisfeitos.

Esse trabalho seguiu com seu filho Cassiano e, mais tarde, com as três netas, que hoje comandam o negócio com a mesma dedicação. Não por acaso, filhos e netos daqueles primeiros clientes do “seu” Raul ajudam a manter esse legado: continuam sendo até hoje clientes e amigos da família. Onde estiver agora, ele deve sentir-se orgulhoso.

Mídias digitais agora são questionadas

Não foi por acaso que o maior site do país lançou, na semana passada, uma “carta aberta” a seus anunciantes. Após os últimos acontecimentos envolvendo o Google, o pessoal do UOL achou por bem marcar posição em defesa da qualidade de conteúdo como principal valor da comunicação online.

Resumindo a história: em março, alguns dos maiores anunciantes globais (marcas como Coca Cola, AT&T, Johnson & Johnson, L’Oreal, HSBC) suspenderam a veiculação de campanhas no Google e no YouTube alegando que seus anúncios estavam aparecendo junto a conteúdos de cunho extremista, racial e/ou violento. Imediatamente, a direção do Google (também dona do YouTube) emitiu um pedido de desculpas, prometendo rever suas políticas de controle. Só que o estrago já estava feito.

Nas semanas seguintes, o boicote ao dois sites ganhou adesões em vários países. Também serviu para reacender a disputa entre as mídias digitais e os meios tradicionais de comunicação e publicidade, como TV, rádio e veículos impressos (este texto explica bem o caso). Até o momento em que escrevo, o Google ainda não apresentou alternativas satisfatórias para resolver o problema.

O caso ligou um alerta, talvez tardio, entre agências e profissionais de comunicação pelo mundo afora. Até agora, a publicidade online vinha derrubando, um a um, os pilares do setor, com a oferta de anúncios baratos e que podem ser acessados instantaneamente por milhões de internautas. Muitos anunciantes acreditaram. A crise, como bem mostra esta análise da agência Bloomberg, pode deflagrar uma reversão da tendência.

A carta aberta do UOL apresenta um dos lados do debate. A produção de conteúdo relevante e confiável é (ou deveria ser) a base de toda comunicação. Qual anunciante quer ter sua marca associada, por exemplo, a um vídeo produzido por extremistas que contém ameaças a determinado grupo racial ou religioso? Ou a fotos pornográficas? Ou a artigos pregando o ódio? Ou a acusações sem fundamento?

O problema é que, no mundo atual, vale a métrica dos cliques e dos compartilhamentos. Nenhum site, nem o todo-poderoso Google, ou o Facebook (e nem o próprio UOL), tem o poder de controlar essas veiculações, ainda mais quando prioriza o faturamento e o número de acessos. Custa bem mais caro apostar na qualidade, em vez da quantidade, produzindo textos, fotos e vídeos consistentes e fundamentados.

Talvez a perda de anunciantes de peso faça os grandes sites repensarem o modelo. Mas não custa lembrar que sempre foi assim na história da comunicação: violência, sexo, mentiras, preconceitos, tudo isso “vende jornal”, como diz o jargão. Por que na internet alguém achou que seria diferente?

4K pode não ser bem 4K

Interessante estudo acaba de ser divulgado pela consultoria internacional IHS, focado no mercado de tecnologia. Embora esteja crescendo a produção de conteúdos em 4K, continuam sendo bem poucos aqueles que chegam até o consumidor, mesmo os que já investiram num TV dessa categoria. O motivo seria a dificuldade na distribuição, que por enquanto só pode ser pela internet. Em quase todos os países, as redes de banda larga não suportam o tráfego desse material.

A pesquisa aponta que mesmo os serviços campeões em streaming – Netflix, YouTube, Amazon e (nos EUA) Hulu – não apresentam suas séries e filmes com a resolução que anunciam (3.840 x 2.160 pixels). A IHS defende que a única mídia em que efetivamente se tem conteúdos 4K é a de discos físicos (Blu-ray), que começaram a ser lançados em alguns países no ano passado; mesmo assim, a quantidade de títulos ainda é muito baixa (este site é um dos mais atualizados a respeito).

Curioso é que os pesquisadores dizem ter verificado a infraestrutura da Netflix e da Amazon para conferir se estão preparadas para o 4K, e garantem que sim. Ambas, além de comprarem conteúdos dos estúdios e das produtoras de TV, também financiam produções próprias, que hoje estão sendo captadas em 4K. Filmes de cinema são convertidos para reprodução em equipamento doméstico, em duas modalidades: os registrados no padrão de cores DCI-P3 (4.096 x 2.160) saem em formato de tela 1.90:1, enquanto os que foram filmados em Cinemascope (4.096 x 1.760) passam para 2.39:1 (tela mais larga).

Ainda segundo a IHS, provedores como Amazon e Netflix estão investindo pesado em processamento de sinal, pressionados pelo crescimento do mercado 4K. Mas é uma aposta de longo prazo: esses serviços dependem das redes de banda larga, e um filme em 4K consome quatro vezes mais dados (no mínimo) para ser transferido até a casa do assinante. A saída, prevê a consultoria, é inevitável: quem quiser essa qualidade de imagem terá de pagar mais. Os detalhes estão neste link.

Por enquanto, ninguém tem coragem de assumir que 4K, no caso, não é bem 4K.

Uber, GPS e os nossos cérebros

Usando muito o Uber ultimamente, percebi algo em comum entre muitos motoristas: eles simplesmente não sabem aonde estão indo. Ligam o GPS, habitualmente num aplicativo do tipo Waze, e “desligam” a cabeça. Vai daí que quando o app está com problema os “ubeiros” não sabem o que fazer, cabendo então ao passageiro explicar-lhes o caminho.

OK, a vida não está fácil pra ninguém, mas é justo cobrar um mínimo conhecimento sobre as ruas da cidade, pelo menos de alguém que se dispõe a trabalhar transportando pessoas por aí. Mas talvez o problema seja mais comum do que se imagina. Segundo a conceituada revista científica americana Nature, notícia replicada em vários sites na semana passada (leiam aqui), um estudo feito por cientistas britânicos com 24 voluntários mostrou que, usando GPS, o cérebro desliga o hipotálamo e o córtex pré-frontal. Essas são as regiões que nos controlam, respectivamente, a memória e a tomada de decisões.

Os cientistas ligaram sensores às cabeças dos voluntários, com estes em simuladores percorrendo virtualmente as ruas do bairro Soho, em Londres. Com GPS desligado, o sistema registrou intensa atividade dos neurônios, atividade essa que desaparecia ao ligar o navegador.
 
Será que, portanto, nossos cérebros deixam de funcionar quando não são solicitados? Sim, diz o coordenador da pesquisa, Hugo Spiers. Mas, não apenas isso: quando o navegador falha, o cérebro fica “perdido” por falta de uso. Para quem ficou curioso, este é o link original onde colhi a notícia.
 
Não chega a ser surpresa para quem leu Mentes Superficiais – O que a Internet está Fazendo com Nossos Cérebros, livro publicado em 2011 pelo pesquisador Nicholas Carr, e cujo título é autoexplicativo. A inatividade dos neurônios (quando eles existem) parece endêmica, também, entre pessoas que se valem da internet para espalhar tantas mentiras, “denúncias” e aberrações que se tem visto. Pelo visto com os motoristas ingleses, e muitos do Uber e similares, o que o GPS está fazendo, boa coisa não é. 

Samsung quer “abrir” marca QLED

Embora convidado, não pude estar presente ao evento de lançamento mundial dos TVs QLED, da Samsung, no início de março. Na verdade, foram dois eventos: um em Paris, para a imprensa internacional, e outro em Nova York, para os americanos, ambos com o objetivo de demonstrar a superioridade dessa tecnologia sobre os displays orgânicos (OLED).

O tema já foi explorado inúmeras vez (vejam os links ao final deste texto), mas pelo visto não se esgotará tão cedo. Após adquirir, no ano passado, a fabricante americana QD Vision, que detém a patente Quantum Dot (os chamados “pontos quânticos”), a Samsung busca consolidar esse avanço entre os especialistas, a maioria deles aparentemente convencidos de que os OLED são mais eficientes.

Na verdade, não é a única que utiliza QD; Sony e LG, entre outras, também têm seus painéis de nanocristais, outro nome para a mesma tecnologia. A diferença pode estar na capacidade de combiná-la com o processamento HDR (High Dynamic Range) e com a geração de luz traseira (backlight) dentro do display. São recursos que ajudam a compensar a deficiência natural dos TVs LCD em lidar com os níveis de contraste, problema que não acontecia nos plasmas e também não ocorre no OLED.

Dentro de sua estratégia para fazer decolar o QLED, a Samsung decidiu liberar o uso dessa marca a qualquer fabricante. Seria uma forma de diminuir as dúvidas na cabeça do consumidor, já que é facílimo confundir “OLED” e “QLED”. Num encontro com revendedores na semana passada em sua sede de New Jersey, executivos da empresa coreana confirmaram que pretendem abrir os códigos de metadados usados em seus TVs para reprodução de conteúdos gravados em HDR. Assim, outras marcas poderiam adotar a identificação “HDR 10 Plus” sem ter que pagar royalties, e a memorização por parte dos consumidores seria facilitada.

É preciso agora ver se os demais fabricantes concordam (a LG certamente não!). As linhas de TVs Samsung QLED, previstas para chegar nas próximas semanas aos principais países, e ao mercado brasileiro em junho, incluem modelos de 55″, 65″, 78″ e 88″, com um suporte especial para montagem na parede (foto). A linha Q9, mais avançada, utiliza backlight Direct LED, com maior quantidade de leds para iluminar os pixels. 

Vale a pena ver estes outros tópicos sobre o assunto:

Por trás dos pontos quânticos

O mundo mágico dos pontos quânticos

HDR: mais um enigma

LCD, ainda correndo atrás do OLED

LED ou OLED, qual é o melhor?

TV Digital: corrida contra o tempo

Nesta quarta-feira 29, devem ser desligados os transmissores analógicos das redes de TV aberta, consumando o chamado switch-off em grande parte do estado de São Paulo. Isso é o que diz o cronograma. Mas, faltando três dias, não é possível afirmar que assim será. Continua a disputa de bastidores entre representantes do governo, das emissoras e das operadoras de telefonia celular, estas ansiosas para colocar no mercado as novas linhas 4G, que utilizarão as frequências na faixa de 700MHz ocupadas pelos canais analógicos.

A situação é tão confusa que ninguém sabe ao certo quantas famílias serão afetadas – tudo que se tem no momento é suposição, ou “estimativa”. À primeira vista, quem possui TV paga não tem muito que se preocupar: Net/Claro, Sky, Vivo e demais operadoras se incumbem de digitalizar o sinal das redes abertas. Mas, nesta semana, surgiu um ruído. A Net/Claro, que detém 58% do segmento, anunciou não ter chegado a um acordo com as redes Record, SBT e RedeTV, que querem cobrar pela distribuição de seus sinais. Ou seja, seus assinantes ficarão sem esses canais – como adiantamos aqui semanas atrás. Só conseguirão captar as três redes utilizando antenas e receptores digitais à parte.

O colega Fernando Lauterjung, do site Tela Viva, contou os detalhes dessa disputa. Mas a confusão vai além. As emissoras só aceitam desligar os transmissores analógicos quando (e se) pelo menos 93% dos domicílios estiverem sendo atendidos, ou seja, com receptor de TV e antena compatíveis. Pelos cálculos disponíveis, isso não acontecerá antes de maio, quando o governo diz que pretende finalizar a entrega dos kits às famílias de baixa renda, que no Estado somam perto de 2 milhões.

Além da perda de audiência para as emissoras, o desligamento do sinal analógico – se ocorrer – pode significar sérios prejuízos ao governo, cuja popularidade, como se sabe, já não é lá essas coisas. Alguém consegue imaginar o que é, numa família pobre, ficar de repente sem TV? Veremos a partir do dia 29?

Selo de referência para os profissionais

Junto com a 6a edição da revista BUSINESS TECH, lançada na semana passada, a Event Editora começou a divulgar o selo “Seja Pro AV”, que a partir de agora será utilizado em todas as nossas mídias. A ideia, inspirada em iniciativas anteriores e também em exemplos internacionais, é motivar o mercado – especialmente num momento de retomada após o terremoto econômico – a buscar novas oportunidades de negócio baseadas na profissionalização e na especialização. 

Antes de explicar melhor, algumas palavras sobre essa nova edição da BUSINESS TECH, que buscamos consolidar como um “projeto multimídia”, e não apenas como mais uma publicação. Juntando o talento de nossos colaboradores ao apoio de algumas empresas e a fontes de prestígio no Exterior (como os sites CE Pro, Corporate Tech Decisions, Commercial Integrator e AV Network), estamos produzindo conteúdos qualificados para quem trabalha no mercado de tecnologia. Isso inclui tanto integradores e projetistas quanto gerentes de TI e administradores de redes, nas quais as letras “A” e “V” ganham cada vez mais importância. Vejam aqui os principais assuntos da BUSINESS TECH 6.

Por que um “projeto multimídia”? BUSINESS TECH foi pensada como uma integração de mídias, um fenômeno da comunicação no mundo atual. Conforme mudam os comportamentos de usuários e profissionais, evoluem os parâmetros para avaliar o impacto das ações de marketing e/ou comunicação. Não cabe mais pensar “apenas” na mídia impressa (jornais, revistas, catálogos, folhetos), nem se trata de adotar as mídias digitais (sites, blogs, newsletters, redes sociais, aplicativos, vídeos) excluindo o que se fez até hoje. O segredo está em combinar tudo isso de acordo com cada produto, cada momento e cada orçamento.

 

Voltando ao conceito do selo Seja Pro AV, a ideia é reforçar a necessidade de aperfeiçoamento e atualização entre os profissionais brasileiros, tão condicionados a oferecer “produtos” em vez de “serviços”. E destacar a relevância dessa atividade para quem compra e usa equipamentos eletrônicos. Assim como médicos, engenheiros, economistas e diversas outras categorias de profissionais, a capacitação técnica é um processo contínuo, exercido no dia a dia. 

Contem todos conosco para isso!

Novas marcas no segmento high-end

Poucas pessoas ficam sabendo, e o volume de vendas continua sendo pequeno, mas o segmento de áudio/vídeo high-end a toda hora tem novidades. Nesta semana, a distribuidora AV Group realizou evento em São Paulo para apresentar as linhas 2017 de suas marcas: Revel (foto), Mark Levinson, Lexicon e JBL Synthesis, todas pertencentes ao Grupo Harman. Aproveitou para reforçar sua parceria com a Lutron (sistemas de iluminação automatizada) e lançar duas novas marcas do mesmo padrão: as americanas Screen Innovations (telas de projeção) e Wolf (projetores), esta do mesmo grupo da REL (subwoofers high-end), que a AV Group já vem comercializando há alguns meses.

Como se vê, todas marcas destinados a usuários exigentes e sem problemas na conta bancária (mais detalhes aqui). A AV Group surgiu da união entre Filipe Ribeiro e Lourenço Roldão, dois empresários vindos do segmentos de home theater e automação, e obteve um acordo interessante com a Harman. O gigantesco grupo americano, que recentemente foi adquirido pela Samsung, mantém à parte sua divisão de produtos de luxo, vendida apenas em canais especializados. Chris Robinson, executivo do grupo, esteve no evento para explicar que a Samsung pretende preservar essa estrutura, focando possíveis alterações em suas outras linhas de negócio.

Com essas novidades, o fã brasileiro de soluções high-end – seja em áudio, vídeo ou automação – não pode se queixar da falta de opções. Só nos últimos meses, chegaram as marcas Luxul (redes), Aavik (áudio modular) e Blue Sound (áudio sem fio), todas distribuídas pela Som Maior; Milesight (redes) e Basalte (painéis de controle), da Audiogene, entre várias outras. 

Fabricantes AV, agora dentro da Abinee

Na última quarta-feira, foi lançada oficialmente a Pro AV BR, associação entre empresas do segmento de áudio/vídeo profissional, a maioria fabricantes de grandes marcas internacionais. O grupo havia surgido em novembro último, como comentamos aqui, para tentar unir esforços pela ampliação e profissionalização desse segmento. Agora, transforma-se em “grupo setorial” da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), com muito mais estrutura e potencial de realizações (vejam aqui os detalhes).

Na pauta do “Grupo Setorial Áudio, Vídeo e Conectividade Profissional”, seu nome oficial, estão a realização e/ou participação em eventos de tecnologia, criação de programas educacionais para profissionais e atuação junto a outras entidades para reivindicação de medidas governamentais que interessem ao setor. Parcerias com InfoComm, AES, SET e CEDIA já são discutidas. E o grupo, hoje com 13 empresas, pretende crescer com a adesão de outros fabricantes.

De nossa parte, só podemos desejar sucesso à iniciativa, que apoiamos desde as primeiras conversas. Todo mercado precisa de entidades representativas fortes e atuantes.

Switch-off: mais pressão sobre o governo

Se já é complicado quando se tem no governo técnicos responsáveis e competentes, imaginem agora! A novela do switch-off da TV analógica – que está no ar, aliás, desde 2007 – é estrelada por atores e roteiristas mais preocupados com seus compromissos políticos e/ou financeiros. E o atual do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, é apenas mais um a somar numa lista em que brilharam, anos atrás, Helio Costa, Paulo Bernardo e Ricardo Berzoini. Todos eram políticos, só isso, lixando-se para o futuro tecnológico do país.

Na próxima semana, Kassab terá de decidir sobre o enésimo adiamento (ou não) do prazo para desligamento dos transmissores analógicos na praça de São Paulo, a mais importante (comercialmente) do país. As pressões se intensificaram nos últimos dias. Se optar pelo consenso entre os segmentos do mercado, Kassab terá que apagar do calendário a data estipulada (29 de março), por inviável. Chutaria para julho, talvez, mas há quem aposte em algo como setembro…

Na semana passada, a Abert, que representa as emissoras, oficializou sua posição pelo adiamento. Se confirmada a data de 20/03, diz o comunicado, cerca de 900 mil famílias ficarão sem sinal de televisão. A justificativa é que não há tempo para distribuir os kits gratuitos conforme o planejado (vejam aqui os detalhes). Descobriu-se agora que o mínimo de 93% de domicílios, exigido pelas emissoras no início do cronograma, não se aplica a São Paulo e às outras 38 cidades paulistas programadas. Faltam apenas 7%, mas isso na prática corresponde a mais de 1 milhão de residências. Nenhuma emissora quer perder esses telespectadores, por um dia que seja.

Por trás de tudo está a disputa com as operadoras, que tentam garantir, o quanto antes, a liberação das frequências para poderem lançar seus novos serviços de celular 4G; de quebram, buscam repassar ao governo a conta da distribuição dos receptores.

A Anatel bate o pé pelo 29/03, mas sem a menor força política – e a esta altura também sem argumentos técnicos aceitáveis, já que participou de todo o processo. E Kassab, a quem cabe a palavra final, está de olho em sua campanha para o governo do Estado em 2018. 

Para quem se interessa pelo tema, uma boa leitura é este artigo de Samuel Possebon, do site Converge.com. 

Grupo da Polk compra Denon, Marantz

Nesta quarta-feira, foi oficializada a venda da holding D+M para o grupo californiano Sound United. Dono de marcas conhecidas no segmento de áudio (Polk, Definitive Technology), o grupo agora engloba outras três de peso: Marantz, Denon e Boston Acoustics. Todas têm atualmente distribuição no Brasil, mas curiosamente através de importadores diferentes. Ainda não se sabe como esses acordos irão evoluir.

Um dos líderes mundiais em receivers para home theater, o D+M vinha tentando crescer no segmento de áudio portátil, mas aparentemente não teve fôlego. Já o Sound United é hoje um dos maiores fornecedores de alto-falantes do mercado americano, além de forte também em wireless. A sinergia entre ambos, portanto, é total. 

Não foram revelados valores sobre a transação, mas Kevin Duffy, atual CEO do Sound United, continuará à frente dos negócios. O grupo é uma divisão da DEI Holdings, que atua também nos segmentos de segurança eletrônica e monitoramento remoto. Foi comprado em 2011 pelo fundo de investimentos Charlesbank. Já o D+M tem sede no Japão e passou por uma série de reestruturações nos últimos anos. Também pertence a um fundo de investimentos japonês, que pelo visto agora abre mão do negócio.

Estas são as distribuidoras das marcas no Brasil:

Denon e Definitive Technology – Chiave, de Florianópolis

Marantz – Audiogene

Polk Audio – Disac

Boston Acoustics – Impel

YouTube TV quer ir além do Netflix

Ainda é cedo para dizer se a nova plataforma da Google para TV irá decolar. Mas há boas razões para crer que o YouTube TV vai incomodar muitas forças estabelecidas no mercado de mídia. A começar do fato de ser baseado no maior database do planeta, com mais de 1 bilhão de usuários ativos, dos quais a empresa sabe literalmente tudo. No mundo do big data, isso não é pouco.

No plano apresentado nesta terça-feira, YouTube TV é apresentado como um “canal” independente, com mensalidade de 35 dólares, oferecendo cerca de 40 canais, incluindo os principais da TV americana atualmente. O assinante vai poder escolher canais adicionais, pagando um pouco mais, além de gravar seus programas preferidos, que ficarão armazenados “na nuvem” do YouTube.

Bem, é mais ou menos isso que oferecem hoje no Brasil serviços como Now e o próprio Netflix. O desafio é fazê-lo sem as travas de uma banda larga deficiente, com guia de programação ágil e atualizado e, claro, qualidade de imagem HD (no mínimo). Mesmo nos EUA, as tentativas lançadas até agora patinam: SlingTV, da fabricante de satélites Dish; DirecTV Now, da AT&T; e PlayStation Vue, da Sony. Especula-se que Amazon e Facebook, entre outros, planejam suas respectivas plataformas OTT com conteúdos de TV ao vivo.

Se há alguém atualmente em condições de disputar esse jogo pra valer, é o pessoal da Google. Ao site especializado Business Insider, o executivo Neal Mohan, responsável pela programação do YouTube, lembrou que o grupo analisa sua plataforma de TV há três anos. Nesse tempo, vem coletando bilhões de dados sobre seus usuários, a maioria formada por pessoas que não gostam da TV tradicional. “Temos uma enorme quantidade de informações para trabalhar, no sentido de criar uma experiência valiosa, e sem falhas”, disse Mohan, cutucando os concorrentes.

Aqui mesmo no Brasil, tivemos esta semana uma pequena amostra de como seria esse mundo online na TV. Um jogo de futebol (Coritiba x Atlético, clássico paranaense) foi suspenso quando descobriram que seria transmitido ao vivo pelo YouTube. Pressionados pela emissora que detém os direitos de TV, cartolas da Federação simplesmente não deixaram a partida acontecer; após intensas negociações, finalmente o jogo foi liberado para YouTube e Facebook, indicando que se trata de um caminho sem volta. Se grande parte do público prefere assistir na internet (leia-se: no smartphone, tablet, notebook etc), é inútil tentar impedir.

Não por acaso, duas das primeiras marcas contratadas pela YouTube TV são Fox Sports e ESPN, fontes contínuas de material ao vivo. E, como lembra outro analista citado pelo Business Insider, Google hoje é uma máquina de publicidade, que pode levar seu modelo de anúncios para a plataforma TV online. Pode ser pouco hoje, mas assim era o AdSense quando nasceu, no início da década passada. E vejam no que se transformou. 

Os TVs que chegam em 2017

Na edição de fevereiro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que trouxe a cobertura da CES 2017, mostramos alguns dos TVs previstos para chegar ao mercado brasileiro ao longo do ano. Claro, tudo depende dos ventos da economia, que nos últimos dois anos sopraram contra. Mas os fabricantes estão tentando ao máximo finalizar os produtos em Manaus, para reduzir os custos, e o dólar relativamente estável é um sinal animador. Não há ainda prazos nem preços definidos, mas é possível traçar aqui um panorama das principais marcas.

Samsung – A aposta é nos painéis de pontos quânticos, que a empresa chama de QLED e que já comentamos aqui. Virão em tamanhos de 55″, 65″, 77″ e talvez 88″. Serão todos 4K com HDR10, e pelo menos um deles terá painel de backlight Local Dimming, item essencial para o desempenho de um TV LCD.

LG – Ainda não está decidido se a linha OLED Signature, a mais elogiada da CES, virá mesmo ao mercado brasileiro. São os TVs mais finos entre os anunciados para este ano, com 2,57mm de espessura, daí o apelido wallpaper, simbolizado pela letra W. O fabricante informou ainda que será o único TV compatível com os quatro padrões atuais de HDR. 

Panasonic – A entrada no segmento OLED não foi só para impressionar. A empresa decidiu mesmo que este ano terá uma linha à parte de TVs com painel orgânico, embora o foco principal continue sendo nos LED-LCDs de alto desempenho. Serão compatíveis com HDR10, Dolby Vision e HLG, este previsto para servir, no futuro, às transmissões de TV em 4K, segundo o site 4k.com.

Sony – Também entra no mercado de OLED, com um modelo de 56″ (os outros tamanhos ainda não foram definidos). Na linha LED-LCD, haverá modelos 4K de 55″, 65″ e 77″, todos com HDR, um backlight mais avançado e um inédito sistema de áudio propagado a partir da própria tela.

TCL – Associada no Brasil à Semp, a gigante chinesa com um modelo 4K HDR curvo, com Local Dimming e painel de pontos quânticos, que chega às lojas a partir de março. Um belo diferencial: por enquanto, será o único que já vem com tecla específica no controle remoto para o aplicativo Globo Play.

Obs.: a primeira versão deste texto informava erroneamente que o app Globo Play era exclusivo da Semp TCL. Na verdade, pode ser encontrado também em outras marcas de TVs.

HDR: mais um enigma?

Mais do que outros setores da economia, a indústria eletrônica parece adorar enigmas. Já se perdeu a conta das polêmicas relacionadas à adoção de padrões de áudio, vídeo e automação. Betamax vs VHS, nos anos 1970/80, e Blu-ray vs HD-DVD, cerca de dez anos atrás, talvez sejas as mais famosas. Nesta segunda década do século 21, o mercado – incluídos aí os próprios fabricantes – se debate em torno da implantação do vídeo Ultra HD, que entre outras discussões traz uma nova sigla para ser decorada e entendida: HDR.

Embora já tenhamos tratado do assunto aqui e aqui, esse tipo de processamento merece constantes revisões. Por ser baseado em código aberto, e portanto livre de royalties, deveria ser mais simples. Só que não. High Dynamic Range, conceitualmente, é um tipo de tratamento do sinal de vídeo em que se consegue maior dinâmica entre pontos claros e escuros. Isso é feito durante a captação das imagens, que são codificadas e só podem depois ser reproduzidas em equipamentos compatíveis com HDR.

Na comparação com o sinal convencional (genericamente identificado como SDR – Standard Dynamic Range), a diferença é imensa. As imagens ganham em clareza e profundidade, as cores se tornam mais intensas. Seria ótimo, não fossem as benditas siglas usadas para denominar esse tipo de inovação, que só servem para confundir. Aquilo que foi lançado em 2014 como HDR é, na verdade, um conceito que pode se desdobrar em versões distintas.

Como de costume, a indústria se dividiu. E quem se aproveita disso é uma produtora de firmware, a Dolby, a mesma que já nos deu os processamentos de áudio Dolby Surround, Dolby Digital e mais recentemente Dolby Atmos. As demonstrações e análises mais recentes indicam que o Dolby Vision supera a versão inicial do HDR; esta, aliás, ganhou o apelido HDR10 porque, teoricamente, aumenta em dez vezes o nível de luminosidade aplicada a um sinal de vídeo. 

Nessa disputa, o maior fabricante de TVs do mundo (Samsung) coloca-se do lado do HDR10, enquanto os demais tendem ao Dolby Vision. Mas nada está decidido, até porque este último implica em pagamento de licenças que certamente ainda exigirão muita negociação. No Brasil, a LG foi a primeira a lançar TVs 4K compatíveis com os dois tipos de processamento; Sony e Philips por enquanto estão com a Dolby. 

Ainda falaremos muito sobre o tema.

Emissoras se agitam na disputa digital

O colega Mauricio Stycer publica na Folha de São Paulo deste domingo um resumo da verdadeira novela em que se transformou a transição brasileira para a TV Digital. Este é o link para o artigo. Há nos bastidores uma disputa interessante entre emissoras abertas e operadoras de TV paga, que vai além daquela outra que comentamos aqui alguns dias atrás. Basicamente, é um duelo 4×4: de um lado, Record, Band, Rede TV e SBT; de outro, Claro/Net, Sky, Oi e Vivo.

As redes querem fazer valer seu direito de cobrar para ceder o sinal transmitido pelas operadoras – algo que nem a Globo pleiteia (porque não precisa). O assunto está no Cade, mas agora, com a proximidade do switch-off em São Paulo, ganha novas proporções. Toda operadora é obrigada, por lei, a oferecer os canais abertos a seus assinantes, sem cobrança adicional, mas até isso hoje está sendo questionado.

O faturamento das emissoras vem caindo ano a ano, e não há sinal de que vá se recuperar tão cedo. A audiência da TV aberta, como se sabe, nunca mais voltará a ser aquela de dez anos atrás. A própria Globo sofre com essa mudança de comportamento do telespectador. Mas, ao contrário das demais, investe em novas tecnologias, compra de direitos, exportação de seus conteúdos e no fortalecimento da Globosat, seu braço para o segmento de TV paga e multimídia.

O problema das redes abertas é que a maior parte de suas grades hoje está tomada pelo aluguel irregular de espaço, principalmente às igrejas e aos canais de televendas. Acabaram desenvolvendo uma interessante versão do velho dilema do ovo e da galinha: com programação sofrível, afastam os telespectadores; sem audiência, não têm publicidade e não podem melhorar sua produção. Investem quase nada em conteúdos próprios e contam com a conivência da Anatel e do Ministério das Comunicações (há limites para alugar horários a terceiros).

Nenhuma emissora admite que se, por exemplo, a Net tirar de seu guia de programação a Rede TV, poucos assinantes irão perceber! Mas essa é a realidade.