Rock in Rio em 4K e Dolby Atmos

queenCerca de 1.000 assinantes da NET puderam assistir, na semana passada, à primeira transmissão de um evento ao vivo em resolução 4K com áudio Dolby Atmos. A iniciativa, mais uma vez, partiu da Globosat, que adquiriu equipamentos 4K para a Copa do Mundo e desde então vem fazendo experiências nessa linha.

No caso do Rock in Rio, a transmissão exigiu um megaesforço. Um estúdio de mixagem com Dolby Atmos foi montado para receber, via rede de fibra óptica, o sinal enviado pelas equipes na Cidade do Rock. A ideia era levar os sinais de áudio e vídeo até a central da Globosat, na Barra da Tijuca, de onde foram transmitidos para alguns assinantes pré-selecionados. Além da parte técnica, foi necessário negociar com cada um dos artistas; entre os que concordaram em ter suas imagens registradas em 4K, Queen, Metallica e Paralamas.

Técnicos da Globosat e da Dolby acompanharam a transmissão utilizando um equipamento doméstico, com home theater 5.1 mais 4 caixas acústicas de teto, como se recomenda numa configuração Dolby Atmos. Carlos Watanabe, diretor da Dolby na América Latina, garante que foi a primeira experiência do gênero no mundo. O site Tela Viva dá mais detalhes.

Smart TVs precisam ser mais smart

Não chega a ser propriamente novidade, mas uma pesquisa divulgada esta semana nos EUA reforça a sensação de que os TVs apelidados “smart” não são tão inteligentes assim. A consultoria Strategy Analytics estudou a atitude dos usuários em diversos países e concluiu que, para muitos, mesmo com o acesso à internet, o TV está deixando de ser o aparelho mais importante.

“Para o consumidor, o que interessa é a interface”, resumiu a responsável pelo estudo, Taryn Tulay, dizendo que o acesso aos recursos dos TVs continua “complicado”. Ou, pelo menos, mais complicado do que em outros aparelhos que ganham popularidade, especialmente tablets e smartphones. “Estes superam de longe os TVs em termos de velocidade, facilidade de uso e tempo de resposta”, diz ela. E, como boa parte dos dispositivos portáteis já oferece conteúdos de televisão, os fabricantes vão ter que acrescentar mais recursos para conquistar os consumidores.

Aquilo que se convencionou chamar de “experiência do usuário” passa a ser um desafio para quem produz TVs, até porque bem poucos conseguem identificar diferenças de imagem entre uma marca e outra. Como já ensinava Steve Jobs, os excessos precisam ser eliminados, tornando o uso do TV mais simples e agradável. É um desafio também para as operadoras de TV paga, cujos menus, na maioria dos casos, dificultam – em vez de facilitar – o acesso aos conteúdos.

Canais pagos brigam fora do campo

uefa-champions-league-16-septemberA propósito de um comentário que fizemos aqui dias atrás, sobre a disputa pelos direitos de transmissão de eventos esportivos na TV por assinatura, esta semana o clima esquentou. Uma enxurrada de torcedores/assinantes se manifestou pelas redes sociais contra as operadoras Net, Claro e Sky, que não estão transmitindo os jogos da Champions League, a grande liga européia que reúne os clubes de futebol mais importantes do planeta.

Em resposta, as operadoras jogaram a culpa na Turner, gigante americana que é dona do canal EI Max, antigo Esporte Interativo, o único que tem os direitos do torneio. A alegação é que a Turner está pedindo muito para liberar o sinal às três operadoras, que somadas representam cerca de 80% dos domicílios atendidos. Os jogos só podem ser vistos por assinantes da Oi e da GVT, além de outras menores, ou então pela internet, no próprio site do EI, com as limitações habituais do streaming ao vivo (tratamentos, distorções e outros problemas que tornam uma transmissão de futebol inassistível).

Sentindo-se atingida, a Turner publicou em jornais e em seu site um comunicado sob o título Como Assistir à Champions. A empresa diz que é “totalmente falsa” a afirmação de que o preço é alto (não são revelados os valores) e que vinha negociando normalmente com todas as operadoras quando, “misteriosamente, algumas delas desistiram dos acordos”. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o diretor do canal, Edgar Diniz, insinuou que o motivo seria uma declaração do diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, durante o Congresso da ABTA, no início de agosto, que reproduzimos aqui na época. A frase “há loucos à solta“, ironia sobre a inflação nos custos dos direitos esportivos, teria feito Net e Sky recuarem da negociação com a Turner.

Vale lembrar que a Globosat, maior programadora do país, é dona do SporTV e uma espécie de “cliente preferencial” das operadoras. Mas o episódio é revelador. Já aconteceu em 2012, quando a Fox lançou seu canal de esportes com marketing extremamente agressivo, numa longa negociação com as principais operadoras. Como se sabe, na TV paga brasileira, esporte lembra imediatamente duas marcas: SporTV e ESPN. Ambas estão há mais de vinte anos na área. Hoje, dividem a audiência com o Fox Sports, o que é ótimo para o assinante. Na teoria, a chegada de um quarto canal também seria muito bem-vinda.

Só há um porém. A Turner fez uma aposta talvez alta demais, pagando pela Champions League quase o dobro do que pagava a ESPN. Era inevitável que quisesse recuperar esse investimento cobrando mais das operadoras. Mas, nesse segmento, os contratos se baseiam no número de assinantes. Por isso, Net e Sky pagam mais; na verdade, pagam um valor unitário mais baixo, porque o valor total é dividido pela quantidade de assinaturas. Mas o desembolso é sempre maior. Coisa de gente grande.

A Fox também insistiu o quanto pôde. A Turner não terá como fazer diferente, pois os donos da Champions exigem que seus jogos sejam vistos pelo maior número possível de torcedores. É a lei do mercado.

TV para ricos, TV para pobres

10804kcomparisonO colega Samuel Possebon, com o brilhantismo de sempre, resumiu esta semana o que se discute – já há algum tempo – nos bastidores do mercado de televisão. Na cobertura do IBC, um dos principais eventos da área, que aconteceu em Amsterdam, ele mostrou no site Teletime inúmeros detalhes técnicos, recheados com depoimentos dos principais executivos do setor. E, neste artigo, analisa algo que interessa a todos: como será a televisão do futuro.

Estamos falando de um futuro bem próximo. No Brasil, milhões de famílias ainda nem têm acesso à TV digital; nem governo nem emissoras sabem como se dará, na prática, a transição do atual padrão analógico, como mostramos recentemente aqui. Mas essa TV digital corre o risco de já nascer obsoleta. Isso tem a ver com algo que também já comentamos: os atrasos e indecisões do governo, devidos, em grande parte, às tentativas de fazer uso político dessa mídia. Detalhes sobre isso aqui, aqui e aqui.

Na TV aberta, o governo é dono do espectro, repartido entre as emissoras pelo regime de concessão. Mas o futuro da TV passa pela internet, e aí a influência política torna-se muito mais difusa. Como lembra Samuel em seu texto, no IBC, um evento destinado a discutir televisão, deu-se mais ênfase à internet! E não é coincidência. Aconteceu também no nosso SET Expo, realizado em São Paulo no mês passado.

Para prestar um serviço melhor, inclusive com multiprogramação e qualidade de imagem mais avançada, a TV aberta vai precisar de mais espectro. Já a internet, em suas várias modalidades de vídeo, depende apenas de largura de banda. É consenso entre os especialistas que o UHD, por exemplo, tem muito melhor condições de avançar pela internet do que pela televisão. Mesmo a TV por Assinatura ainda reluta em investir nesse padrão, enquanto Netflix, Amazon, YouTube e outros serviços já o adotaram.

Nesse quadro, tudo indica que a TV aberta continuará existindo como “mídia popular”, para atender a imensa maioria da população em países como o Brasil. E a IPTV será cada vez mais relevante em termos de conteúdo premium e qualidade de áudio e vídeo. Simplesmente, não há alternativa.

Tecnologia para saúde está em alta

technology1Das 25 empresas consideradas mais inovadoras do mundo, sete se dedicam à saúde. Ou, mais precisamente, a desenvolver tecnologias que auxiliem as pessoas em seus cuidados físicos e mentais. A pesquisa é da respeitadíssima Technology Review, revista mantida pelo MIT (Massachussets Institute of Technology), dos EUA; acessem neste link a versão em português. Todo ano eles publicam um ranking das empresas focando no quesito “inovação”. A lista de 2015 acabou de ser publicada (vejam aqui).

Curiosamente, na relação das 25 primeiras só entram dois fabricantes de produtos ao consumidor (Xiaomi e Apple, esta a 16a. colocada). Mas sete delas atuam no segmento de saúde: Ilumina e Counsyl (que produzem dispositivos para testes de DNA), Juno (que desenvolve testes para tratamento de tumores), OvaScience (especialista em fertilidade), AliveCor (soluções em cardiologia), Gilead e Amgen (laboratórios farmacêuticos).

Marcas conhecidas do público – Google, Netflix, Amazon – também estão no ranking, que é liderado pela Tesla (fabricante de carros elétricos). Já comentamos aqui o tema tecnologia voltada à saúde, segmento crescente em países como EUA e Alemanha, onde o envelhecimento da população é uma realidade tão irreversível quanto no Brasil.

Para quem atua em projetos residenciais, especialmente com automação, instalar dispositivos que auxiliem pessoas idosas e/ou doentes é uma grande oportunidade de mercado. Toda família tem – ou terá em breve – que lidar com problemas desse tipo. E recursos para isso não faltam. Cabe ao profissional de tecnologia conhecê-los e mostrá-los aos usuários.

Blu-ray 4K, cada vez mais perto

samsung bluray 4KNa IFA, encerrada esta semana em Berlim, a Samsung exibiu sua versão do player Blu-ray 4K – a Panasonic tinha feito o mesmo na CES, em janeiro. A diferença é que, enquanto os japoneses o tratavam como “protótipo”, os coreanos falam em lançar no aparelho no início de 2016. Já têm até um preço estimado: em torno de 500 dólares nos mercados americano e europeu.

Para esses e outros fabricantes, não há mais dúvidas de que o mercado para 4K existe. Vide as vendas crescentes de TVs desse tipo pelo mundo afora (detalhes aqui). Só que não adianta lançar um player se não há discos para tocar nele. A Samsung diz estar resolvendo o problema através de acordos com produtoras de cinema. Seu player virá acompanhado de um pacote de filmes em 4K da Fox: Exodus: Deuses e Reis, X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, Wolverine, Planeta dos Macacos: O Confronto, A Culpa é das Estrelas, Tiras: Só que Não, Mulheres ao Ataque, Quarteto FantásticoKingsman: Serviços Secretos.

WD

 

Sim, é pouco, e a própria Fox anunciou na feira que está preparando mais. A parceria envolve também a Western Digital (WD), fabricante de dispositivos de memória como o My Passport, que agora pode ser adquirido em versão UHD, com capacidade de 1 Terabyte. Ao adquirir o aparelho, o consumidor já recebe os filmes pré-gravados. Mas só poderá assisti-los num TV Samsung. A qualidade, dizem todos, será a mesma do Blu-ray, inclusive com a codificação HDR, que melhora o contraste e a reprodução de cores.

O player UBS-K8500, da Samsung, tem design curvo para acompanhar os TVs dessa marca e, segundo o fabricante, será o primeiro com saída HDMI 2.0a, necessária para trafegar sinais HDR.

Comunicação no táxi, uma nova mídia

Arriving-Now-uber-600Enquanto no Brasil os políticos fazem demagogia proibindo o Uber, em outras partes do mundo já estamos num outro patamar dessa evolução irreversível. Essa empresa – que tem sede nos EUA – acaba de lançar em Nova York uma revista… isso mesmo, impressa. Taxistas deixam os exemplares à disposição dos clientes, que podem levá-la para casa ao final do trajeto. Uma espécie de “revista de bordo”.

E qual é a novidade? Trata-se de uma das empresas mas inovadoras do mundo financiando uma publicação, digamos, tradicional. A revista trata de eventos que acontecem pela cidade, funcionando como guia cultural e de serviços. Foi lançada a propósito de um evento de moda e está recheada de anúncios relacionados ao tema. Sim, eles poderiam oferecer o mesmo tipo de conteúdo pelo celular; supostamente, todo usuário do Uber possui celular, certo? Mas optaram por uma revista. Vejam aqui os detalhes.

É o que alguns especialistas estão chamando smart marketing, a capacidade de combinar as duas linguagens (impressa e digital) para atingir o público da forma mais conveniente. Poucos têm dúvidas de que é esse o caminho para a sobrevivência dos produtores de conteúdo.

E, apenas para atualizar o comentário, a Folha de São Paulo, neste domingo, traz interessante reportagem sobre taxistas da capital paulista que decidiram enfrentar a concorrência do Uber com criatividade e melhores serviços. Leiam aqui. Ótimo assim. Nada como uma boa concorrência.

Lenovo cria o “super tablet”

Lenovo YOGA-Tab-3-8Como vem acontecendo todos os anos, os produtos mais comentados da IFA 2015 são os novos smartphones da Samsung, linha Galaxy S6 Edge+. Junto com eles, os Xperia (Sony). Os modelos com tela maior dessas linhas cumprem quase perfeitamente as funções de um tablet. Mas nenhum, pelo que se viu até agora, supera o Yoga Tab 3.0 Pro (foto), da chinesa Lenovo.

Talvez seja até injusto chamar de tablet. O aparelho vem com projetor embutido que gera imagens HD de até 70 polegadas. Mais: quatro alto-falantes embutidos e processador Dolby Atmos. O efeito sonoro multidimensional também pode ser obtido, diz a Lenovo, com fone de ouvido. O novo Yoga tem tela de 10,1″, do tipo Quad, e vai custar US$ 499 no mercado americano, onde está previsto para desembarcar em novembro.

Esportes na TV: a guerra dos direitos

Durante a feira da ABTA, no mês passado, um dos temas debatidos foi a atual disputa pelos direitos de eventos esportivos, principalmente internacionais. É interessante o telespectador (assinante) acompanhar o assunto, porque tem a ver diretamente com a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras e pelos canais de TV paga.

Já comentamos aqui o caso de eventos como a Champions League, que a cada ano cresce em audiência, inclusive no Brasil. A ESPN, que transmite o torneio há mais de uma década, perdeu os direitos para o EI Max (antigo Esporte Interativo), canal que agora pertence à gigante americana Turner. O fato foi anunciado em maio, e até agora, prestes ao início da chamada fase de grupos, onde entram os clubes mais populares, a Turner não conseguiu vender a atração para nenhuma das grandes operadoras. Quem quiser assistir terá que recorrer à internet, no site do EI Max.

“Há loucos à solta”, ironizou o diretor geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, durante debate na ABTA, referindo-se à atitude da Turner – e também da Discovery, outra gigante americana que recentemente pagou uma fortuna pelo canal Eurosport, um dos principais da Europa. Os volumes de dinheiro envolvidos são astronômicos, como mostramos neste artigo. No entanto, além de ser uma guerra financeira (a Turner pagou pela Champions o dobro do que pagava a ESPN), o caso ilustra bem a transformação que está acontecendo no negócio de televisão como um todo.

Estudo divulgado há alguns dias pelo ConsumerLab da Ericsson confirma que os brasileiros conectados passam 36% de seu tempo online assistindo a conteúdos sob demanda (a média mundial é de 35%). Para os fãs de futebol, jogos ao vivo são ainda mais tentadores. Se um evento como a Champions League está disponível na internet, ainda que por um TV Smart, a migração é fatal. O problema preocupa emissoras e operadoras em todo o mundo: quem vai segurar essa audiência?

Leds reproduzem luzes. E sons.

led bulbAinda na IFA 2015, a Sony está estreando sua linha de áudio 2015, com destaque para players e fones de ouvido HiRes e os incríveis alto-falantes sem fio Bulb Speaker. Começando por estes. Vejam na foto: o falante está dentro da lâmpada, por mais que o termo esteja em desuso; esta é rosqueada no soquete, como de hábito, e tanto luzes quanto sons podem ser acionados por um pequeno controle sem fio, ou pelo smartphone (via app). O controle utiliza sensor de comunicação NFC (Near Field Communication), que funciona por aproximação, como nos celulares que transferem imagens para a tela do TV.

Simples, não? O produto já foi lançado no Japão, onde custa o equivalente a 200 dólares (neste vídeo, muito bem produzido, tem-se uma ideia de como se usa).

walkmanEm áudio, a principal novidade da Sony é a aposta nos players digitais HiRes, aproveitando inclusive a marca Walkman, de tantas glórias passadas. A empresa adotou esse padrão de áudio de alta resolução, que teoricamente “recupera” a densidade das gravações musicais na era da internet. Junto, estão sendo demonstrados na IFA os primeiros fones de ouvido da empresa com cancelamento digital de ruído. Os players Walkman top de linha serão comercializados numa caixa, acompanhados do fone.

Panasonic, enfim, entra no mercado de OLED

panasonic-tx-65cz950-oled-tv_-640x427-cSerá aberta ao público nesta sexta-feira a IFA 2015. Infelizmente, desta vez não estamos em Berlim para conferir, mas já deu pra perceber que um dos principais lançamentos é o primeiro TV OLED da Panasonic. Com crise e tudo, a empresa anuncia o lançamento para outubro no mercado europeu (provavelmente março na América do Norte). O modelo que está impressionando os visitantes da IFA é o CZ950, com 65 polegadas e tela curva.

Com certeza, não será barato. Além de OLED e 4K, tem certificação THX e é o primeiro TV Panasonic com HDR (High Dynamic Range). Como já explicamos aqui, esse processamento amplia os níveis de contraste e profundidade das cores. Está sendo adotado pelos principais fabricantes em seus TVs top de linha, muitos deles também em demonstração na IFA. A Panasonic informou que esse TV é comandado pelo chip Master Drive, que analisa em tempo real as informações de brilho, nitidez e saturação de cores, e que também equipa seus TVs 4K LED-LCD.

A fama conquistada pela empresa japonesa na produção de TVs de plasma se mantém, apesar das mudanças no mercado. Vários especialistas estão considerando o CZ950 o melhor TV dos últimos anos. Talvez seja cedo para afirmar isso, mas o problema desses TVs tão avançados é: quem vai conseguir colocá-los no mercado a um preço mais razoável?

Para saber, teremos de aguardar. Enquanto isso, vejam este vídeo do site americano Digital Trends mostrando o primeiro OLED Panasonic.

PlayStation made in Manaus, mais barato

A Sony confirmou nesta quarta-feira que lança em outubro uma versão do console PlayStation 4 produzida em Manaus. Custará 35% menos que o modelo importado pela empresa (o preço anunciado é de R$ 2.600). Lembremos que no lançamento, em 2013, causou ira nos usuários porque custava R$ 4.000. A versão 500GB está saindo por US$ 400 na Amazon.

Curiosamente, no mesmo dia o blog internacional da Sony publicou as especificações do PS4 versão 3.0, que está em fase e tem lançamento previsto para sair no final do ano. A atualização (vejam os detalhes aqui) visa, entre outras coisas, fidelizar os usuários da rede PS Plus, que hoje é a maior máquina de vendas da Sony.

No mundo dos privilégios

Como já se sabia, a crise econômica pegou forte no segmento de aparelhos eletrônicos. A disparada do dólar e a queda no varejo colocam as empresas em alerta e ameaçam toda a cadeia produtiva ligada ao setor. Necessitando terrivelmente cortar seus gastos, o governo decidiu acabar com a desoneração seletiva, política adotada nos últimos anos que reduziu impostos sobre alguns produtos. Caso clássico, e muito comentado na época, foi o de tablets, celulares e notebooks, que ganharam fortes incentivos. Não por acaso, o país bateu recordes nas vendas desses produtos entre 2012 e 2014.

Corta agora para a realidade de 2015. E para a reação quase automática de alguns empresários nessas horas: pedir proteção ao governo. Em nota oficial, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica) ataca duramente a decisão de retirar a isenção de 9,25% no PIS/Cofins para esses itens. A chamada “Lei do Bem”, criada ainda no governo Lula, premia as empresas que produzem os aparelhos no Brasil; ao retirá-la, claro, incentiva-se o contrabando (a importação oficial também fica prejudicada pela cotação do dólar).

Coisas de um país em crise. No texto, a Abinee apela para o Congresso, que poderá derrubar a decisão, usando argumentos como “inclusão digital” e “condenar o país ao atraso”. Como tantos outros segmentos da economia, o de eletrônicos é atingido pela tentativa do governo de corrigir, aos trancos, os erros da política econômica que vêm sendo cometidos pelo menos desde 2008, e contra os quais raros foram os empresários que se manifestaram. Foi um tempo de privilégios estendidos aos amigos do poder, alguns deles (só alguns) hoje presos pela Operação Lava Jato. Tempo que espera-se tenha passado.

Ilustro o raciocínio com uma frase que ouvi de José Félix, presidente da América Móvil, dona das operadoras Net, Embratel e Claro (vale lembrar que esse setor também está criticando o governo pelo ajuste fiscal mal ajambrado). “Querem que a gente venda TV por assinatura a famílias que mal conseguem sobreviver. Deveriam se preocupar em dar educação, saúde e saneamento a essas pessoas.”

Em tempo: Félix, que se saiba, não pediu nenhum privilégio ao governo.

 

Cinema brasileiro ataca

regina-case-e-michel-joelsas-em-cena-de-que-horas-ela-volta-1421924986955_956x500Que Horas Ela Volta?, filme dirigido por Anna Muylaert e estrelado por Regina Casé, é uma das grandes surpresas do momento. A crítica americana adorou, o que é o primeiro (e importantíssimo) passo para concorrer aos prêmios internacionais no final do ano. Tem tudo para ser o representante brasileiro no Oscar, e Regina é cotada entre as melhores atrizes; já ganhou o Festival Sundance (vejam o trailer).

Em meio a tanto lixo exibido por aí, é legal ver um filme falado em português, e que trata da realidade do país, fazendo sucesso. Assim como esse filme, obras-primas como Central do Brasil, Cidade de Deus e Tropa de Elite, apenas para citar os mais famosos, atraíram filas nos cinemas, estouraram no mercado de locação e ganharam prêmios pelo mundo. Dezenas de outras produções nacionais vêm sendo feitas, algumas inclusive com financiamento estrangeiro, gerando empregos e valorizando a cultura do país.

O problema é o oportunismo que, infelizmente, campeia no setor. Nos bastidores, alguns tentam “se arrumar”, como dizia um velho personagem de Chico Anysio. O Canal Brasil, da TV paga, 24 horas por dia dedicadas ao cinema nacional, acaba de lançar uma campanha publicitária sob o título “Casa do Cinema Brasileiro”. Num dos vídeos, um lobo mau vestindo os trajes de Jack Sparrow, personagem da série americana Piratas do Caribe, tenta derrubar uma casa identificada com o logotipo do canal (vejam o vídeo aqui). Mensagem: o cinema americano é o inimigo, a tentar destruir o que se faz, a duras penas, por aqui.

É engraçado e, ao mesmo tempo, patético. Mais ou menos como pedir às pessoas que não usem a internet porque esta é dominada pelos americanos; ou acusar o Google disso ou daquilo, enquanto se usa freneticamente seus serviços (incluindo as buscas e o YouTube). O cinema americano (assim como o francês, o italiano ou espanhol) jamais foi “inimigo” do cinema brasileiro, muito menos cabe no papel de lobo mau.

Por trás dessa ideia está o jogo de interesses pelas verbas da Ancine, que saem por baixo das mesas de Brasilia. Esse dinheiro sai dos impostos que a população paga, direto para os bolsos de produtores e seus amigos aparelhados. Lá, aliás, não existe nem um porquinho.

4K ou não 4K: questão de detalhe

RGBW_Main_1Sem querer, ou talvez nem tanto, a CEA (Consumer Electronics Association) acabou provocando uma saia justa entre os dois maiores do setor. A Samsung anunciou que, a partir de agora, irá identificar seus TVs top de linha com o logotipo “4K Ultra HD”, oficializado pela CEA, para mostrar que se trata do verdadeiro Ultra HD, diferenciando-os assim dos LG.

As imagens acima são do blog internacional da Samsung. De fato, seguindo ao pé da letra as normas, divulgadas no ano passado, os TVs 4K da LG (linha UF6800) não se enquadrariam na definição, porque utilizam um tipo diferente de painel. Seus pixels são os chamados RGBW, que alguns definem como “led branco”: contêm subpixels de quatro cores (vermelho, verde, azul e branco), enquanto os demais fabricantes adotam o RGB convencional. Por isso, a LG não está autorizada a usar o tal “logo oficial”; oficialmente, a empresa informa que “não quis participar do grupo que administra a tecnologia 4K na CEA.”

Que diferença isso faz? Teoricamente, o subpixel branco é adicionado a cada pixel. O número total de pixels continua sendo o mesmo: 3.840 na horizontal x 2.160 na vertical, totalizando 8,29 milhões. Mas o tamanho dos pixels não pode ser aumentado; portanto, os quatro pixels ocupam o mesmo espaço de três num painel RGB. Segundo a Samsung, isso significa perda de 25% na performance de cada pixel, o que faz sentido, matematicamente.

Mas há outra explicação. O subpixel branco é formado com o “sacrifício” de uma das três cores primárias. Na verdade, não são quatro pixels porque o processador de imagem elimina o verde ou o azul conforme a necessidade da imagem que chega ao painel. A defesa da LG é que o subpixel branco amplia os níveis de brilho e reduz o consumo de energia.

Sem dúvida, é estranho que outros fabricantes não tenham adotado essa solução, já que os painéis RGBW têm custo de fabricação mais baixo. Também esquisito que a CEA, que afinal que representa a maioria dos fabricantes, não o tenha recomendado.

A favor da LG, no entanto, há um estudo publicado pelo site DisplayMate, extremamente detalhista e conceituado, que analisou os painéis RGBW em TVs OLED. Sim, estes são muito mais avançados do que os LED-LCD, mas o site afirma que os subpixels brancos “facilitam o gerenciamento da gama de cores e melhoram o balanço de branco” (a íntegra do estudo, em inglês, pode ser vista aqui, inclusive com os respectivos gráficos de medição do sinal).

Justiça dos EUA condena o Uber

Nesta terça-feira, um tribunal da Califórnia deu ganho de causa a três motoristas que trabalharam no serviço Uber e agora querem receber “seus direitos”. Lá, não existe FGTS, férias remuneradas etc., mas toda empresa é obrigada a garantir, por exemplo, assistência médica a seus funcionários. O juiz Edward Chen decretou que não apenas os três, mas todos os que já exerceram o trabalho de webtaxistas (como é chamado o pessoal do Uber) têm esse direito.

É a primeira decisão judicial do gênero, e com certeza coloca em xeque o conceito, tão defendido atualmente, de liberdade ampla e irrestrita na internet. Se eu executo um trabalho e recebo por isso, tenho então o direito de exigir benefícios como os de um trabalhador regular (leia-se: com contrato ou carteira assinada)? No caso, quem irá me pagar esses adicionais? A pessoa que me contratou? Está lançada a polêmica – aliás, mais uma envolvendo o Uber.

A sentença (que ainda permite recurso) sai no momento em que estão caindo, mundo afora, quase todas as fronteiras trabalhistas, com cada vez mais gente optando pelo home office. Muitas empresas vêm adotando também o chamado BYOD (do inglês, bring your own device), aquela situação em que o funcionário utiliza o próprio computador (celular, tablet). Como remunerar o período extra que cada um passa trabalhando? Esse profissional pode utilizar informações confidenciais da empresa quando estiver fora? Como saber se ele está trabalhando mesmo?

São perguntas que ouviremos com maior frequência a partir de agora.

 

Netflix: ataque de hackers em 4K

breaking badAté que não demorou muito: já foi detectado o primeiro ataque de hackers ao serviço 4K do Netflix. A notícia, divulgada pelo site especializado 4k.com, ainda não foi confirmada pela empresa (esta se negou a comentar o assunto), mas as evidências são difíceis de negar. O primeiro episódio da famosa série Breaking Bad, convertida para resolução Ultra-HD, vazou para a internet neste fim de semana e foi acessado por um site do tipo torrent cracker. Esse tipo de site coordena as atividades de diversos outros, cuja especialidade é compartilhar conteúdos não autorizados.

O problema, claro, não é a distribuição irregular do episódio em si, mas o fato de hackers terem conseguido invadir o Netflix, que é considerado um dos serviços mais protegidos do mundo. Desde abril do ano passado, quando começou a veicular House of Cards em 4K, a empresa tem investido muito em sistemas de encriptação. Por natureza, essa categoria de arquivo é dificílima de copiar.

O serviço 4K do Netflix, que oferece várias outras séries, utiliza a versão mais recente (2.2) do HDCP (High Bandwidth Content Protection), criada exatamente para prevenir a pirataria de conteúdos em Ultra Alta Definição.

Ainda segundo o 4k.com, um outro site de compartilhamento (Torrent Freak) informou que os hackers utilizaram a conexão HDMI, ou seja, com HDCP e tudo.

 

CES 2016 vai limitar visitantes

CESSerá mais complicado obter um ingresso para ver a CES em 2016. O evento mais concorrido da indústria eletrônica, que acontecerá em Las Vegas de 6 a 9 de janeiro próximo, terá mais restrições à entrada de público, por motivos de logística e segurança. A CEA (Consumer Electronics Association) anunciou que, em 2015, foi batido o recorde histórico de visitantes: 176.676 pessoas. O número, claro, inclui todo mundo que trabalha no evento, como jornalistas e executivos das empresas expositoras. Mas a entidade não quer que se repita.

“Não dá para acomodar tanta gente”, diz Karen Chupka, vice-presidente da CEA, como que admitindo os problemas que se repetem a cada ano. A CES se tornou a maior feira realizada nos EUA, país onde há praticamente um trade show por semana. Ocupa as instalações de quatro hotéis de Las Vegas, além do grandioso Convention Center. Falta comida, o sistema de transporte público torna-se caótico, as filas para taxi consomem horas e até a rede de comunicações dentro dos pavilhões – essencial, por exemplo, para a mídia – fica estrangulada, o que é no mínimo estranho no maior evento de tecnologia do planeta. Parece que até a prefeitura da cidade andou reclamando…

Solução: limitar as inscrições a “profissionais da indústria”, embora ninguém explique quem merece entrar nessa categoria. Há rumores de que tudo não passa de estratégia de marketing, para aumentar o apetite dos expositores. Pode ser. A CEA já anunciou que o evento em 2016 terá dois pavilhões a mais: para tecnologias voltadas às áreas de beleza e cuidados com as crianças (baby care). Onde vai caber tanta gente?

Globo quer discutir 4K

Ainda sobre o Congresso da SET, que se realiza esta semana em São Paulo, um dos momentos marcantes foi o Fórum de Negócios sobre o futuro da televisão brasileira. Como se sabe, o país está em vias de iniciar o processo de switch-off e ainda estão no ar (sem trocadilho) inúmeras dúvidas. No evento, o diretor de tecnologia da Rede Globo, Raymundo Barros, foi quem levantou o tema para discussão.

Barros acha que não se pode pensar em TV Digital sem levar em conta a chegada da Ultra Alta Definição. “Estamos atrasados: nem as emissoras nem o governo sabem como serão as transmissões em 4K”, disse ele, propondo que se inicie o quanto antes um debate sobre o assunto. “As novas plataformas de distribuição de conteúdo já são em UHD. Até 2018, a maior parte da produção da Globo será nessa tecnologia.”

De fato, o próprio Fórum SBTVD, formado por emissoras e fabricantes, não sabe como conduzir a questão, que naturalmente passa por grandes investimentos e uma nova regulamentação. Barros estima que, em 2016, o número de TVs 4K instalados no Brasil será próximo do que eram os TVs HD em 2007, quando começaram as transmissões digitais. A diferença é que, na época, as empresas já tinham seu planejamento para a mudança.

A situação econômica certamente não ajuda: todas as emissoras vêm cortando custos, demitindo inclusive profissionais da área técnica, e algumas suspendendo investimentos. Por sinal, uma das notícias mais comentadas do SET Expo foi o rompimento entre a Band e a empresa de pesquisas GfK, concorrente do Ibope. O motivo seria a situação financeira da emissora (mais detalhes aqui).