Internet das Coisas gera disputa entre consórcios

Um grupo de gigantes da tecnologia – Microsoft, Intel, Cisco, Samsung e Qualcomm, entre outras – anunciou esta semana a criação da Open Connectivity Foundation. É o primeiro consórcio dedicado a normatizar o mercado de IoT (Internet das Coisas). A ideia é estabelecer protocolos “abertos”, que todos os fabricantes possam usar, não importando aspectos como sistema operacional, família de chips etc. Na teoria, qualquer pessoa poderia assim criar um novo dispositivo, ou aplicativo, para conectar aos que as empresas do grupo produzem. Não é bem novidade, vejam esta entrevista.

Digo “na teoria” porque essas mesmas empresas já participam de outros consórcios e o problema da padronização continua. Aliás, é o mesmo que afeta, por exemplo, os segmentos de Ultra HD (vejam aqui) e de comunicação sem fio, apenas para citar dois exemplos. Numa rápida pesquisa, encontramos nada menos do que oito consórcios voltados à IoT: Thread, Open Internet, AIOTI, IPSO, LoRa, Allseen, Industrial Internet e o próprio IoT Consortium, além dos já antigos Zigbee e Z-Wave.

Alguém aposta em um deles?

Ninguém tem solução para a banda larga

Como já havia ocorrido no caso da Condecine, que comentamos aqui semanas atrás, o Palácio do Planalto mandou negociar com as operadoras de telecom sobre a polêmica das franquias de banda larga fixa. Não se sabe se a ideia vinga, considerando o descrédito do governo atual, mas de qualquer modo o Ministério das Comunicações se empenha em buscar uma saída menos conflituosa – o problema é que ninguém enxerga essa saída.

O ministro André Figueiredo confirmou que está pouco familiarizado com o tema, ao afirmar que o Código de Defesa do Consumidor “impede a possibilidade de imposição de novas condições contratuais que gerem prejuízos ao consumidor sem anuência prévia”. Não é isso que se discute: só se pode alterar um contrato com a concordância das partes, determina outro Código, o Civil. O ministro disse ainda que os usuários mais afetados pelas franquias são uma minoria; de fato, e é justamente essa minoria que está se mobilizando nas redes para impedir a cobrança extra (detalhes, neste link).

Figueiredo também criticou o presidente da Anatel, João Rezende, por afirmar que a era da chamada “internet ilimitada” (que na prática nunca existiu) chegou ao fim. Na verdade, Rezende já vem dizendo isso pelo menos há dois anos, em meio a críticas sobre o desleixo de muitas operadoras (quase todas), cujo marketing publicitário criou essa ideia irreal. Banda larga sem limites é uma ficção, algo como o direito à privacidade na internet ou a promessa de sol 365 dias por ano.

A melhor prova disso é que já existem os pacotes das operadoras, e o assinante é obrigado a escolher um deles quando faz sua assinatura. A polêmica só surgiu agora por um descuido da Vivo (vejam o post anterior); Amos Genish, presidente da operadora, é um dos mais revoltados com a política do governo (ou a falta de) no setor. Até então, ninguém havia se incomodado, nem mesmo durante as controvertidas discussões para adoção do Marco Civil da Internet. Infelizmente, como tanto acontece no Brasil, muita gente acaba fazendo alarde sem se informar devidamente.

A propósito, o site Teletime publicou um excelente levantamento sobre a questão das franquias, comparando o Brasil com outros países. Vale a pena conferir os dados.

Disney pode comprar a Netflix

netflixdisney_600x400Bastou uma nota assinada por um consultor financeiro de Nova York, especialista no setor de entretenimento, para detonar a boataria: a Disney, maior conglomerado de mídia do planeta, estaria negociando para assumir o controle da Netflix, a empresa que mais cresce nesse segmento.

Na verdade, ambas já trabalham muito em conjunto. Mas a Disney, financeiramente, está num mau momento. Seu CEO, Thomas Staggs, acaba de pedir demissão após o balanço de 2015 revelar a perda de nada menos do que 7 milhões de assinantes. Procura-se então um novo executivo-chefe, e este poderia ser Reed Hastings, fundador e atual presidente da Netflix, informa o site da revista Fortune.

Os dados mais recentes indicam que a Netflix já tem mais de 60 milhões de assinantes em todo o mundo e que caminha para 150 milhões até o final da década. Nos EUA, serviços concorrentes – como Amazon, Hulu e HBO – não conseguem lhe fazer sombra, embora seu modelo de negócio (séries originais e filmes não recentes à vontade, via assinatura de custo baixo) esteja sendo muito copiado.

Já existem até valores em discussão: a Disney pagaria algo em torno de US$ 100 bilhões, não tudo necessariamente em dinheiro, repassando a Hastings e demais executivos um percentual sobre as vendas de assinaturas; além disso, colocaria na rede da Netflix seus famosos personagens de animação e os conteúdos da ESPN.

É muito dinheiro, claro, mas não custa lembrar que foi exatamente assim que a Disney atraiu Steve Jobs e adquiriu a produtora de desenhos animados Pixar, em 2006. Jobs ficou mais bilionário do que já era, e a turma do Mickey evitou a expansão de uma grande concorrente.

A história pode se repetir agora.

Franquias: operadoras podem se complicar

O comentário abaixo havia sido publicado aqui na sexta-feira 15; nesta segunda, a Anatel divulgou duas medidas aparentemente contraditórias. Primeiro, determinou (não proibiu) que as operadoras, por 3 meses, não reduzam a velocidade da conexão de banda larga fixa quando o usuário ultrapassar seu suposto “limite de dados”. Depois, o presidente da agência, João Rezende, comentou que a chamada “conexão ilimitada” não é mais possível, ou seja, não há como impedir que as prestadoras de telecom façam a redução. Enquanto isso, o movimento se amplia nas redes sociais contra a postura das empresas. Atualizamos aqui de acordo com a situação de momento. Como dissemos, a discussão está apenas no começo.

A polêmica em torno da cobrança adicional pelas franquias de dados de internet está apenas começando. A Vivo, principal defensora da ideia, já tem um belo abacaxi para administrar: seu vídeo publicitário veiculado na semana passada ganhou rapidamente uma sátira, mostrando que os usuários não vai aceitar passivamente a mudança.

A questão é complexa mesmo. Quem usa muito celular já sabe como funciona: cada pacote admite determinada quantidade de dados; quando se ultrapassa, a velocidade cai ou, então, a tarifa sobe. A ideia agora é estender esse esquema de cobrança às redes de banda larga fixa. Legalmente, não há como impedir, se isso estiver no contrato original. Na verdade, é o que já fazem há anos as principais operadoras. O erro da Vivo foi ter anunciado que seus novos planos incluirão um teto a partir do qual a velocidade será reduzida. Quem assinar um plano desses não terá do que reclamar depois.

Segundo a Anatel, o sistema de franquias pode ser praticado, desde que seja claramente explicado ao assinante, inclusive através de página na internet. Mas isso não convence os usuários, especialmente aqueles que utilizam grande quantidade de dados. Daí porque começou uma campanha online, que até sexta-feira passada teria colhido 350 mil assinaturas, segundo o Movimento Internet sem Limites, criado no Facebook.

Esse debate, que agora chega ao Brasil, já aconteceu em vários países. Tem a ver com a chamada neutralidade de rede, mas só até certo ponto. Não há como impedir que a operadora, “dona” da estrutura de comunicação, reduza a velocidade da conexão a partir de determinado ponto. A discussão internacional é de que essa seria a forma mais justa de oferecer o serviço: quem usa mais paga mais.

Embora o Ministério das Comunicações tenha solicitado à Anatel que evite abusos, na prática a agência não tem como fazê-lo. E cada operadora adota a política que julga mais conveniente (a Vivo, por exemplo, terá que fazer alguma concessão se quiser manter seus clientes agora tão insatisfeitos). Tim e Algar são duas que não querem adotar as franquias, garantindo que não bloqueiam acessos nem reduzem velocidades. A Tim, aliás, tenta aproveitar essa polêmica toda para reforçar sua imagem de “transparência”, como diz seu presidente Rodrigo Abreu, segundo o site Inova.jor.

Mas, como dissemos no início, a discussão está apenas começando.

Vem aí a TV Digital 3.0

ATSC-3No Brasil, mal começamos o processo de transição da TV analógica para a digital. Culpa da política. Enquanto isso, os americanos já discutem como passar da TV Digital para a próxima geração tecnológica, que eles estão chamando de Next-Gen TV, ou ATSC 3.0. ATSC, como se sabe, é o nome do padrão atual deles, que em alguns aspectos se equipara ao nosso ISDB-T e ao europeu DBV-T. Esta semana, as duas principais entidades do setor entregaram uma petição à FCC (Federal Communications Commission), agência reguladora a quem cabe definir as normas em telecom e broadcast. E a sugestão é interessante.

Trata-se de um padrão de transmissão totalmente baseado nos protocolos da internet. As emissoras ficariam autorizadas a distribuir seus sinais de TV aberta via IP, inclusive em resolução 4K, podendo adicionar canais, interatividade, multicast, compartilhamento de dados, canal de vendas e até serviços públicos de saúde, segurança, defesa civil etc. O padrão é tecnicamente tão avançado que já prevê, por exemplo, a transmissão de áudio Dolby Atmos!

A recepção poderia ser feita via antenas internas, em casas e edifícios, mas também em veículos; e o sinal, retransmitido em redes Wi-Fi para dispositivos móveis. Importante: não seria um padrão obrigatório, como hoje; cada emissora poderá escolher como e quando entrar nessa nova rede. Para captar o sinal, o usuário precisará adquirir um TV compatível. Mas quem quiser pode continuar com seu equipamento atual, pois o sinal ATSC 3.0 permite conversão para o padrão convencional.

Os detalhes da Next-Gen TV estão neste artigo, traduzido do site Twice. Importante lembrar que as duas entidades citadas (outras já estão aderindo) têm interesse comercial evidente na mudança. São elas a CTA (Consumer Technology Association, antiga CEA), que representa os fabricantes; e NAB (National Association of Broadcasters), constituída basicamente de emissoras e produtoras de conteúdo.

No primeiro caso, abre-se um novo segmento de negócios, com os TVs Next-Gen, voltados ao maior mercado consumidor do mundo. Quanto às emissoras, a petição se enquadra na estratégia de ampliar a distribuição de programas via web; a cessão de direitos às operadoras de TV paga tende a ser uma gigantesca fonte de receitas.

Deveremos ter mais novidades a partir desta 2a feira, durante a convenção da NAB, em Las Vegas.

LG e Samsung podem atuar juntas

TCL+8800S+IFA+2015+Promo+shotÉ difícil acreditar, mas existe uma possibilidade de que os dois maiores fabricantes mundiais de TVs se unam por uma causa comum: enfrentar a concorrência chinesa. A notícia saiu na semana passada no site Korea Times, que deu destaque a uma declaração do CEO da LG Displays, Han Sang-beom, citando a Samsung. É talvez a primeira vez em que um executivo de um dos grupos menciona o nome do concorrente em público. Para quem entende a disputa coreana, esse detalhe tem um tremendo peso!

Mr. Han falava durante encontro de CEOs com o ministro do Comércio, em Seul. “A Samsung vai se juntar a nós”, disse, referindo-se aos esforços em torno da tecnologia OLED. Até agora, a LG se mantém solitária nesse segmento, que de certa maneira é desdenhado pela concorrente. Todos concordam que OLED é o futuro, mas a Samsung acha que o investimento ainda não se paga.

Só que há uma ameaça mais forte: os chineses já estão produzindo TVs OLED e começando a inundar o mercado local. Daí a preocupação do governo coreano, que criou incentivos para a LG construir duas novas fábricas e concorda fazer o mesmo com a Samsung. Segundo o Korea Times, esta já solicitou a fornecedores os equipamentos necessários para ter sua própria unidade de produção de OLED. “Achávamos que não era viável comercialmente, mas agora estamos revendo nossos planos”, disse Park Dong-geun, CEO da Samsung Displays, sem dar mais detalhes.

Mr. Park não citou a concorrente. Mas, pelo menos, admitiu a possibilidade.

NET com Claro, Vivo com GVT

Neste fim de semana, começou a campanha da América Móvil para comunicar a união entre as marcas NET e Claro. Juntando as duas, são quase 100 milhões de usuários de telefone, TV e banda larga. É bom lembrar que a Claro herdou a imensa rede da antiga Embratel, adquirida pelo grupo mexicano em 2005; a Embratel continua atuando em serviços de telefonia e redes, especialmente para empresas.

A partir de agora, clientes de NET e Claro vão começar a receber os mesmos tipos de ofertas e serviços conjugados. O grupo tem metas agressivas em toda a América Latina (leia-se: não deixar espaço para Vivo/Telefônica nem DirecTV/Sky/AT&T). E a crise brasileira, que afeta particularmente a Claro, é um desafio e tanto para a equipe de José Felix, presidente do América Móvil, que comandou a NET nos bons tempos do mercado.

Só para se ter uma ideia: em 2015, o número de celulares em uso no país caiu 8% (de 280 para 257 milhões), a primeira queda desde que essa tecnologia existe; e o número de domicílios com TV paga, que em 2014 era de 19,6 milhões, passou para 19,1. Como os acessos a banda larga aumentaram (de 24 para 25,5 milhões), conclui-se que menos gente está usando as redes; mas quem usa o faz com maior intensidade. Ou seja, é o refluxo da chamada Classe C, que fez o setor disparar entre 2008 e 2013. Mais detalhes podem ser vistos no site da consultoria Teleco.

Curiosamente, a junção NET/Claro acontece em paralelo com a incorporação da GVT pela Vivo, que somam cerca de 80 milhões de assinantes. A concentração é inevitável, num setor que exige tantos investimentos, e a longo prazo. Sobra pouco espaço para os concorrentes.

Notícias da hora: pague para ler

blendleBlendle é como se chama um novo aplicativo de notícias, baseado em material produzido por grandes jornais e revistas. O conceito é simples, mas radical: se você não quer mais (ou não pode) pagar por uma assinatura de seu jornal ou revista, pague por alguns conteúdos (artigos, notícias, reportagens). Pague individualmente, para cada assunto que quiser ler, mas pague.

Os idealizadores do Blendle são jovens holandeses, liderados por Alexander Klöping, jornalista, apresentador e empreendedor de apenas 29 anos. Começaram um ano atrás, revendendo conteúdos de publicações de lá, e agora, com financiamento de dois grupos de mídia (Wall Street Journal e o alemão Axel Springer, partem para a internacionalização. Já contam com cerca de 10 mil assinantes, mas a versão beta já é dirigida a mais de 25 mil ao redor do mundo.

Segundo reportagem da Advertising Age, bíblia do marketing e da publicidade (a tradução está aqui), eles já conseguiram atrair para o projeto grifes como The New York Times, Fast Company, Financial Times, Bloomberg, Time e a própria AdAge, que se dispõem a “vender notícias no varejo” (e que outra denominação se pode usar?).

Cadastrando-se no Blendle, você pode adquirir um artigo que lhe interessa pagando na hora, via cartão, PayPal ou algo do gênero, como se faz no Uber ou na Amazon. Os preços variam entre US$ 0,09 e US$ 0,40 para os conteúdos de revistas, e de US$ 0,19 a US$ 0,39 para os de jornais. Cada publicação decide quanto quer cobrar, ficando com 70% da receita.

Ou seja, o Blendle calcula que possa sobreviver recebendo apenas 30% de US$ 0,09 (o que dá US$ 0,03, hoje equivalente a 11 centavos de real) para cada texto de uma Businessweek, por exemplo. Devem imaginar que muita gente aceite pagar, ou não montariam uma equipe para manter o sistema funcionando.

Confesso que torço para que esse tipo de iniciativa dê certo. Klöpping diz que a maioria das pessoas, a partir de um estímulo inicial, acaba procurando mais conteúdos para comprar; como o valor unitário é baixo, a ação é intuitiva, quase automática. Mais: se não gostar do que leu, você pode pedir seu dinheiro de volta. Não sei como se aplicaria, na prática, este último recurso. Mas não custa tentar. Já me cadastrei.

Netflix reduz a oferta de filmes e séries

Oferecer menos para ganhar mais. Assim pode ser resumida a nova estratégia da Netflix, segundo um relatório divulgado na semana passada pela AdvancedMedia, agência de consultoria em marketing e mídia. Em pouco mais de dois anos, o serviço reduziu em 34% (de 1.609 para 1.197) o número de séries disponíveis, que são, de longe, seu principal atrativo para os assinantes; e a oferta de filmes caiu quase 50%, de 6.494 para 4.335 títulos.

Existem duas explicações, dizem os consultores. A primeira é que o custo dos direitos sobre os conteúdos vem aumentando expressivamente, conforme cresce a audiência de serviços concorrentes do Netflix; nos EUA, os dois principais são Amazon e Hulu. Já comentamos aqui que um dos maiores desafios dos provedores de vídeo online, inclusive Netflix, é fechar as contas. O conceito é cobrar pouco pela assinatura, mas se o número de usuários se expande torna-se mais complicado então manter a estrutura de rede. No fundo, é um dilema que afeta toda a internet.

Mas a segunda explicação talvez seja mais decisiva: reduzindo a oferta de títulos, diminui-se a quantidade de dados trafegando pela rede e minimizam-se os “gargalos” que alguns assinantes enfrentam. Segundo o estudo, os administradores do Netflix estão renegociando os direitos na compra de séries, preferindo pagar aquelas que atraem mais público. E, enquanto isso, esperam a estreia de mais produções próprias como House of Cards e Orange is the new black. Algumas delas estão neste link.

Foxconn e Sharp: qual é o futuro?

sharpConfirmada a aquisição da Sharp Corporation pela taiwanesa Foxconn (aquela mesma que produz iPhones e iPads para a Apple), executivos da indústria começam a se perguntar o que vem por aí.

Apenas atualizando: os dois grupos negociavam há pelo menos dois anos, e o acordo só não havia saído ainda pela influência do governo japonês. Fizeram de tudo para evitar a venda a um outro país, ainda mais sendo a China, rival histórica em diversos conflitos regionais. Mas, no final, a única forma de evitar seria o próprio governo colocar dinheiro na Sharp, o que foi descartado. E o Foxconn acabou levando, aliás pagando menos (US$ 3,5 bilhões) do que sua oferta inicial (US$ 6 bi), por 66% das ações.

Vale acrescentar que o negócio envolve toda a Sharp Corporation, que é (ainda) a maior fabricante mundial de displays LCD e, no Japão, tem forte presença nos segmentos de linha branca, celular e painéis solares. Com tantos prejuízos nos últimos anos (mais de US$ 10 bilhões, segundo os balanços oficiais), continua sendo uma potência. Os taiwaneses estão comprando nada menos do que 103 anos de história tecnológica.

Terry Gou, CEO do Foxconn, anunciou no sábado que pretende manter a marca Sharp e investir na sua expansão internacional. A maior parte da diretoria será substituída até junho. Será dada prioridade ao desenvolvimento de displays OLED para TVs, smartphones e tablets, tecnologia na qual a Sharp possui uma série de patentes mas – por falta de dinheiro – não vinha conseguindo utilizá-las.

Pode estar nascendo assim um novo gigante.

Mais um gênio se vai…

andy-groveNesta segunda-feira, morreu Andy Grove, reconhecido como um dos homens mais importantes na história da tecnologia. A morte foi anunciada oficialmente hoje, no site oficial da Intel, empresa que ele ajudou a transformar numa usina de inovações. Só para se ter uma ideia, Marc Andreessen – criador do Netscape e cérebro por trás de diversas empresas que dominam o setor atualmente – escreveu no Twitter: “Foi o melhor administrador que o Vale do Silício já viu e que provavelmente jamais verá.”

Grove, que nasceu na Hungria e conseguiu fugir de lá em 1956, após enfrentar a dureza do nazismo e do comunismo, fundou a Intel em 1968, em sociedade com Gordon Moore e Robert Noyce, este o coinventor do microprocessador (ambos aparecem com ele na foto da parede; Grove é o de bigode). Grove ocupou a presidência da Intel de 1979 a 2004, período em que a empresa se transformou na maior fabricante mundial de chips. Idolatrado por figuras como Steve Jobs e Bill Gates, foi ainda conselheiro de várias corporações. E escreveu pelo menos dois livros obrigatórios no mundo do marketing e do empreendedorismo: “High Output Management” (de 1995) e “Só os Paranóicos Sobrevivem” (96), este um clássico (este texto antigo dá algumas pistas sobre seu estilo de gestão).

8K e realidade virtual nos Jogos Olímpicos

RioA Olimpíada Rio 2016, evento que o mundo inteiro aguarda com expectativa, tem tudo para entrar na História. Problemas de organização, infraestrutura deficiente e custos inflacionados são esperados, e a conta será paga pela população brasileira. Não vou falar sobre os aspectos esportivos, dos quais conheço muito pouco, mas com certeza na área de tecnologia serão dados enormes saltos (sem trocadilho) no evento.

Na semana passada, a OBS (Olympic Broadcasting Services), empresa contratada pelo Comitê Olímpico Internacional para cuidar de todas as transmissões em rádio e TV do evento, divulgou um detalhado relatório sobre as inovações tecnológicas que serão adotadas nos Jogos. Será literalmente a maior Olimpíada de todos os tempos, com 42 modalidades disputadas em 32 locais diferentes (não apenas no Rio), e atletas representando 206 países; uma outra empresa, chamada Atos, será responsável pela distribuição dos dados referentes às competições, e promete fazer isso em tempo real para cerca de 6 bilhões de pessoas.

Voltando à OBS, os sinais serão transmitidos de cada estádio ou ginásio para uma central, localizada na Barra da Tijuca, e daí enviados para as emissoras que adquiriram os direitos, em 220 países. Serão mais de 7 mil horas de transmissão ao vivo, com vídeo em HD (1080i) e áudio em surround 5.1 canais. Além das competições, haverá câmeras espalhadas por vários pontos do país, produzindo imagens ilustrativas com essa mesma qualidade.

Mas esses serão os sinais, digamos, oficiais. Em paralelo, equipes da rede japonesa NHK estarão em ação para captar imagens olímpicas em resolução 8K (Super Hi-Vision). Pouquíssima gente terá acesso a esses sinais, pois os receptores 8K só são vendidos hoje no Japão, e a preços da ordem de US$ 130 mil!!! A tecnologia 8K SHV atinge resolução 16 vezes mais alta que o atual Full-HD: 7.680 x 4.320 pixels. E, como já aconteceu na Copa 2014, os japoneses usarão transmissores de “áudio 3D”, com 22.2 canais.

Segundo a OBS, serão registradas 130 horas de conteúdos desse tipo, mas não de todas as modalidades, somente natação, judô, atletismo, futebol e basquete – além, é claro, das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos. Para algumas emissoras, será fornecido também sinal 4K, convertido a partir do 8K (downconverted).

Vale lembrar que o Japão decidiu “pular” o padrão 4K nas transmissões de televisão, apostando que vale mais a pena investir no 8K. Seu plano é usar a Rio 2016 como plataforma para lançar oficialmente as transmissões em 8K na Olimpíada de 2020, que será realizada em Tóquio.

camera 360

 

Outra novidade que será testada nos Jogos do Rio é a realidade virtual (VR). Usando óculos 3D, o usuário poderá assistir às competições como se estivesse “dentro do estádio”, ao lado dos atletas. Serão usadas câmeras do tipo 360 graus como essa da foto, que também foram testadas na Copa de 2014 e nos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia (2014), e de Lillehammer (Noruega), este ano.

Skype, fora dos TVs smart

skype

 

 

Quem tem um TV com acesso à internet já deve ter notado a chamada: a partir de junho, não será mais possível fazer ligações de vídeo via Skype usando esses TVs. É uma decisão muito discutível da Microsoft, que em 2011 comprou a empresa fundada em 2003 pelo sueco Niklas Zennström e pelo dinamarquês Janus Friis. Um ano antes, o serviço – primeiro a desafiar o domínio das operadoras telefônicas – estava sendo usado por mais de 600 milhões de pessoas mundo afora.

Na época, a compra – estimada em US$ 8,5 bilhões – foi tida como “uma loucura” do ex-CEO da Microsoft, Steve Ballmer, que três anos depois perdeu o cargo. Hoje, com dezenas de concorrentes (como Hangouts, FaceTime, Messenger, Viber, GoToMeeting e Uberconference, entre outros – veja aqui), o Skype não tem o mesmo apelo. Ainda assim, é muito útil a quem, por exemplo, tem parentes vivendo longe de casa e quer mantê-los em contato com a família toda. Foi, aliás, o que motivou todos os fabricantes a integrar o aplicativo em seus TVs smart.

Em comunicado divulgado na semana passada, a Microsoft anunciou que irá interromper o suporte ao Skype via TV, “convidando” os usuários residenciais a partir para a integração com serviços como Office e OneDrive. Quer dizer que não haverá mais atualizações e o aplicativo começará a travar; já para usuários corporativos, o Skype for Business seria aprimorado. Ou seja, a MS aposta que as pessoas estarão dispostas a pagar pelo uso de vídeo e que mais empresas se interessarão em adotar vídeo como ferramenta comercial.

Segundo o site especializado TechHive, a Microsoft tem pesquisas informando que a maioria das pessoas não quer se comunicar via tela grande para preservar a confidencialidade de seus contatos; tablet, notebook e principalmente smartphone seriam os meios preferenciais para isso. Vamos ver agora o que os fabricantes de TVs colocarão no lugar do Skype.

Business Tech 2 (e a caminho do 3)

CAPA BUSINESS TECH_CAPA BUSINESS TECHSaiu na última semana de fevereiro a edição #2 da revista BUSINESS TECH, que cobre o segmento de tecnologia corporativa. A revista, que tem circulação trimestral (impressa e eletrônica), conta com o apoio institucional da InfoComm e tem quatro grandes marcas como “apoiadoras”: Casio, Crestron, Kramer e TOA/Discabos. Outras empresas estão se unindo ao projeto, que na verdade vai muito além do que oferece uma revista.

Trata-se da primeira publicação multimídia do setor: a equipe que produz a revista é a mesma que faz o site businesstech.net.br; este, por sua vez, é replicado diariamente através das redes sociais (Facebook, Twitter e Linked In), e também por uma newsletter, enviada por email a milhares de profissionais da área. Acesse por este link. Com tudo isso, os conteúdos ganham muito mais visibilidade, assim como as empresas que divulgam seus produtos. E que, mais do que nunca, precisam navegar nesse mundo multimídia.

Estamos agora trabalhando na edição #3, que irá circular em maio e será distribuída durante a Expo TecnoMultimedia InfoComm Brasil, que acontecerá em São Paulo. A revista é “media partner” da feira, assim como da própria InfoComm e seu programa de cursos para profissionais brasileiros.

Previsões, apenas previsões…

Todo início de ano aparecem na mídia centenas de artigos do tipo “as principais tendências do mercado”. São especialistas – bem, alguns nem tanto – dando palpites sobre o futuro e, literalmente, viajando no tempo. Nós aqui mesmo às vezes nos dedicamos a esse agradável esporte, que é prever como o mundo irá evoluir. No caso da tecnologia, erramos com frequência. Mas somos insistentes.

A colega Julie Jacobson, do excelente site americano CE Pro, produziu recentemente uma brincadeira interessante com as previsões, dela mesma e de seus colegas, entre eles alguns dos mais competentes dos EUA. Entrando no clima, reproduzimos aqui o que eles imaginam será mais importante no mercado A/V este ano. Agora, algumas de suas previsões dos últimos quatro anos. Confiram:

2012

Sistemas de segurança automatizados

Luzes de led

Reprodução de áudio pelo computador

Comandos por voz e gestos

Nuvem

2013

Redes residenciais com características de empresa

Fones de ouvido

Áudio sem fio

Cortinas e persianas motorizadas

TV Ultra HD

2014

Áudio de alta resolução

Automação de baixo custo (vendida até em supermercados)

Sistemas de monitoramento pela nuvem

Sensores pela casa toda

Fechaduras eletrônicas

2015

Produção de vídeos em casa

Sistemas de entretenimento imersivos (com áudio e vídeo mais envolventes)

Maior uso da automação

Casa inteligente e segura

Redes em nuvem

Como “matar” marcas de peso

Nesta quinta-feira, a operadora Vivo comunicou oficialmente o fim da marca GVT. A empresa (originalmente, Global Village Telecom), fundada em 2000, foi adquirida no ano passado pelo grupo espanhol Telefônica, que então decidiu unificar todas as suas operações sob a marca “Vivo”. Segundo o comunicado oficial, no dia 15 de abril a marca GVT deixa de existir e todos os seus clientes serão automaticamente transferidos para a Vivo (mais detalhes aqui).

Aguarda-se também para os próximos meses a “fusão” entre as marcas Net, Claro e Embratel, do grupo mexicano America Móvil. Ou seja, duas dessas marcas irão “morrer”. Esse é um processo recorrente – e irreversível – do capitalismo, especialmente em tempos de crise. Empresas se unem, geralmente uma assumindo o controle, e buscam concentrar suas estruturas e investimentos. A própria Telefônica fez isso com a TVA. Para que esse processo dê certo, é fundamental unificar o marketing. E marcas tradicionais podem ser vitimadas.

Vejam o caso da Motorola. A empresa entrou para a história, nos anos 1970, ao produzir o primeiro telefone celular. Derrubada pela Apple e pelas marcas asiáticas, entrou em crise e foi comprada pela Google – seus acionistas ainda se saíram bem, pois o negócio, em 2011, girou em torno de US$ 12,5 bilhões. Mas a Google só fez piorar as coisas, com suas ideias alucinantes. Acabou repassando a Motorola à chinesa Lenovo, em 2014, por “apenas” US$ 3 bi, ou seja, com US$ 9,5 bi de prejuízo.

Agora em janeiro, durante a CES, confirmou-se o que muitos já previam: a Lenovo irá “matar” a marca, que parece mesmo ter se tornado velha, e lançar os smartphones “Moto”, mais avançados, e “Vibe”, mais baratos. Até quando essas marcas existirão?

Telecom: sumiram R$ 90 bilhões?

Entre os anos de 2001 e 2015, o governo federal arrecadou cerca de R$ 90 bilhões no setor de telecomunicações (telefonia, internet e TV por assinatura). São os chamados “fundos setoriais”, que as empresas têm de recolher: Fistel (Fundo de Fiscalização dos Serviços de Telecomunicações), Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações) e Funttel (Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações). Dá cerca de R$ 6 bi por ano. Some-se a Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento do Cinema e do Audiovisual), que incide sobre a comercialização de filmes, shows, programas de TV etc. em todas as mídias e que representa algo em torno de R$ 1,2 bilhão por ano. Os números são do site Telesíntese.

A decisão da Justiça Federal de suspender o recolhimento da Condecine está causando no setor uma polêmica que há muito tempo não se via. As operadoras estavam há anos brigando nos tribunais para reduzir essas taxações. A crise econômica, ironicamente, lhes deu a oportunidade: em dezembro, a presidente Dilma assinou medida provisória aumentando a alíquota da Condecine; a gritaria aumentou e foi concedida uma liminar em favor das empresas. Liminar essa que o governo agora tenta derrubar. O debate foi bem explicado pelo colega André Mermelstein, do site Teletime.

Por trás da controvérsia, estão duas velhas questões: a disputa entre Estado e iniciativa privada (simbolizada nos impostos mais altos do planeta) e o financiamento público aos produtores de cinema e vídeo. Com a crise, as empresas perdem faturamento e o governo arrecada menos; ambos, então, lutam por mais recursos, o que é plenamente compreensível – caberá à Justiça decidir quem tem razão.

O problema da Condecine é mais complexo. Não à toa, os ministros da Cultura e das Comunicações vêm procurando conversar mais com as operadoras, como relata o site converge.com. Pelo visto, bateu o desespero diante de dois lobbies tão atuantes. Os produtores não querem abrir mão da Condecine, que foi uma “conquista” deles quando tomaram o poder na Ancine a partir da aprovação da chamada Lei do Cabo (2012). Sob o pretexto de incentivar a produção de conteúdo nacional, distribui-se dinheiro aos “suspeitos de sempre”.

Já os tais R$ 90 bi, que pela lei deveriam ser usados para melhorar a infraestrutura de telecom no país, parece que evaporaram; na prática, foram surrupiados pelo Ministério da Fazenda para cobrir pedaladas e rombos fiscais (apenas 7% desse total foi de fato reinvestido no setor).

Parecem duas coisas diferentes – Condecine e fundos – mas são apenas duas faces da mesmíssima moeda: a privatização do Estado em benefício de grupos seletos. É justo lembrar que essa prática não começou no governo Dilma, mas na década de 80 (Sarney), foi interrompida por Collor, voltou à meia-força com FHC e ganhou peso com Lula. Como bem lembrou o cineasta Hector Babenco, que aliás nunca pediu dinheiro público para seus filmes, a suspensão da Condecine será uma “catástrofe” para esses amigos do poder. Mas talvez faça bem à sociedade brasileira.

Apple vs FBI: por que isso é importante

apple_fbi-600x300Há muito não se travava na Justiça uma batalha tão decisiva quanto essa da Apple contra o FBI pela proteção à privacidade dos usuários. Mostrando que aprendeu bem com seu mentor e antecessor Steve Jobs, o CEO da empresa californiana, Tim Cook, agiu rapidamente para passar aos seus milhões de clientes a imagem de que a Apple sempre irá defendê-los.

Para quem não está acompanhando, um resumo: na semana retrasada, o FBI conseguiu de um juiz federal uma ordem para que a Apple ajude a destravar um iPhone que pertencia a Syed Farook, tido como responsável pelo ataque terrorista que em dezembro matou 14 pessoas na cidade de San Bernardino. Os agentes querem verificar os contatos de Farook, morto pela polícia e suspeito de ligações com o Estado Islâmico. Mas a Apple se recusa a liberar o código de destravamento, alegando que isso abriria precedente para que o FBI acesse todos os demais iPhones existentes (vejam os detalhes neste link).

No mesmo dia em que saiu a ordem judicial, Tim Cook publicou no site da Apple uma “mensagem aos clientes”, na qual explica que concordar com o pedido do FBI seria abrir uma backdoor – em informatiquês, algo como “escape”, ou “armadilha”, que permite a invasão de um sistema criptografado. “Não temos nenhuma simpatia por terroristas”, escreveu Cook. “E temos grande respeito pelos profissionais do FBI.  Mas o que eles estão pedindo é que criemos um novo sistema operacional. Isso colocaria em risco todos os nossos usuários, cujos dados poderão ser violados” (leiam aqui a íntegra da mensagem).

A questão é interessante por vários aspectos. Se a ordem do juiz for confirmada pela Suprema Corte, a Apple simplesmente não terá alternativa a não ser acatar o pedido das autoridades. Talvez os usuários de iPhones fiquem satisfeitos com a postura da empresa, mas na prática todo mundo sabe que “abrir” o aparelho é a única maneira de descobrir as conexões do terrorista morto. O que o FBI irá fazer de posse dessa backdoor, não há como saber. Mas quem está preocupado com isso, é porque tem outras intenções. Ou não?

Por fim, dois detalhes que não devem passar em branco. Em sua mensagem, o CEO da Apple em nenhum momento afirma que “não irá cumprir” a ordem do juiz; ele apenas diz que isso seria perigoso para os usuários, e sugere que todos se unam para “refletir” a respeito. Outra curiosidade: gigantes da tecnologia – Google, Microsoft, Facebook e outras – divulgaram comunicado defendendo que “empresas de tecnologia não devem ser obrigadas a criar backdoors”; garantiram também que estão “comprometidas a auxiliar as autoridades e zelar pela segurança de seus clientes”. Mas não citaram o caso Apple. E Bill Gates, o “pai de todos” na matéria, defende a posição do FBI.

TV aberta x TV paga: uma decisão polêmica

Uma estranha decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foi rebatida nesta quarta-feira. Estava para ser liberado o licenciamento conjunto das redes SBT, Record e Rede TV para as operadoras de TV paga, seguindo orientação do Superintendente do Cade, Eduardo Rodrigues. Mas a relatora Cristiane Schmidt votou contra, e agora o projeto terá de ser rediscutido, como informa o site Telesíntese.

Em resumo: as três redes querem poder negociar em conjunto para ceder seu sinal às operadoras, enquanto Globo e Band já negociam em separado. Com a TV analógica, isso não acontece: todos os canais devem ser distribuídos gratuitamente. Mas, no mundo digital, a legislação permite que as emissoras cobrem pelo sinal. Negociando em conjunto, as três teriam maior poder de barganha, o que – na opinião da relatora – seria uma ameaça não à Net ou à Sky, mas às pequenas e médias operadoras.

Na verdade, esse item da lei sempre foi polêmico, porque coloca as emissoras numa posição questionável: além de faturar com a publicidade que as sustenta, elas podem impor condições à TV paga; podem até impedir que seu sinal seja veiculado, embora seja difícil imaginar que alguma delas venha a cometer essa insanidade.

“Concorrentes não podem se juntar só para fixar preços”, ensinou a conselheira Cristiane, como se fosse necessário relembrar um dos mais consagrados anátemas do capitalismo. Sabe-se lá por que, a direção do Cade estava querendo autorizar a irregularidade.