TV Digital: switch-off fica para 2023…

Como se previa, saiu nesta 2a feira a portaria do Ministério das Comunicações adiando o prazo do switch-off, desligamento dos transmissores de TV analógica. A cidade-piloto de Rio Verde (GO), onde o cronograma deveria ter começado em novembro, fica agora com a data de 15/02; Brasilia vai para outubro; São Paulo e Rio aparecem com data de 2017, e todas as demais para 2018.

O documento saiu no Diário Oficial da União, mas do ponto de vista prático não tem  a menor importância: tudo depende ainda de um decreto a ser assinado pela presidente da República, que não tem data marcada. Daí porque o texto é vago e disperso, anulando outras cinco portarias anteriores do mesmo Minicom. Saiu apenas porque pressão é grande por parte das operadoras de celular 4G, que no ano passado pagaram R$ 5,85 bilhões pelas frequências da faixa de 700MHz, hoje ocupada pelos canais de TV analógicos (UHF). Ela têm toda a pressa do mundo.

Dentro do próprio governo, a data de 15/02 provoca risos… O pessoal de Rio Verde não deve ter grandes esperanças. No mercado, a ideia em discussão é fazer logo o switch-off em São Paulo, Rio e Brasilia, onde há maior interesse econômico (representam quase metade dos usuários do país), e deixar o restante para uma segunda etapa. Assim, essas regiões metropolitanas receberiam primeiro as novas redes de 4G. As emissoras concordam e já dão como certo que o cronograma só se completará por volta de 2023.

Mas essa é mais uma encrenca política, entre tantas, que o governo terá de administrar.

OLED Panasonic, feito pela LG

Retomando aqui as atrações da última CES, vamos comentar sobre a tecnologia OLED, que continua sendo uma espécie de “menina dos olhos” da indústria eletrônica. Já sabemos que a LG é a única grande fabricante investindo pesado nesses painéis orgânicos. Lançou alguns modelos de ótima qualidade em vários países e, na Coreia, está construindo a maior fábrica de OLED do mundo. A maioria dos demais parece não apostar, ou acha que o custo (ainda alto) não vale o investimento.

Quase todos os especialistas confirmam que esses TVs superam de longe os LED-LCDs, embora ainda haja dúvidas, por exemplo, em relação à durabilidade dos painéis, que precisará ser testada na prática – e isso leva alguns anos. Na CES, mais uma vez, a LG reinou soberana no campo dos TVs OLED, com a mais variada linha do evento. Ao contrário de alguns de seus modelos LED-LCD, os OLED contam com a homologação da Ultra HD Alliance, que comentamos na semana passada. São, portanto, TVs OLED 4K, uma combinação que – pelo menos na teoria – parece hoje insuperável.

LG oledOs modelos G6 e E6 (acima), exibidos em Las Vegas, além de um novo tipo de vidro (apenas 2,57mm de espessura), são os primeiros com painel que a empresa chama de Pixel Dimming: cada pixel que forma a imagem é controlado individualmente. Nos painéis atuais, são usados dois tipos de backlight: Edge-Lit, com leds nas bordas; e Local Dimming, com grupos de leds iluminando determinadas zonas do painel. Naturalmente, estes últimos apresentam melhor desempenho, mas o desafio dos fabricantes está no custo-benefício: quanto mais leds existirem, maior a quantidade de luz sobre os pixels.

No caso de TVs OLED, não há necessidade de backlight: cada led (portanto, cada pixel) emite luz própria, de intensidade bem mais alta. O que a Panasonic exibiu na CES, com razoável repercussão entre os experts, foi um TV OLED (mod. 65CZ950) cujo painel é fornecido pela mesma LG. Já tinha sido mostrado na IFA, em setembro, mas agora a empresa japonesa garante que não é apenas protótipo; chega ao mercado internacional por volta de abril (vejam a foto).

pana oled-A diferença para o concorrente coreano estaria, diz a Panasonic, no tipo de processamento de sinal, baseado em normas da THX e desenvolvido em conjunto com produtoras de Hollywood. O conceito, com nome comercial de 4K Pro, é adotar na produção desse TV recursos profissionais de correção de cores.

Taxi sem motorista está chegando

Was8763944Em tempos de Uber, com toda a polêmica que esse serviço já está causando mundo afora, a GM anunciou nos EUA uma experiência audaciosa. Vai financiar uma rede de taxis sem motorista na cidade de Austin, Texas. A gigante dos automóveis já colocou US$ 500 milhões no serviço Lyft, concorrente do Uber, mas no Salão do Automóvel de Detroit informou que a ideia é montar uma “rede controlada” de carros comandados a distância e que atinjam velocidade máxima de 30km/hora. Os veículos serão versões mais avançadas de modelos como Volt e Chevy, com eletrônica totalmente digital. “Se a pessoa estiver cadastrada no Lyft, o carro irá reconhecê-la antes mesmo de abrir a porta”, promete o presidente do serviço, John Zimmer, entrevistado pelo New York Times. “O carro já chega no endereço do solicitante com tudo ajustado, inclusive suas músicas preferidas para ouvir no caminho até o destino”.

Austin foi escolhida para esse projeto-piloto porque já é uma das cidades tecnologicamente mais desenvolvidas do mundo. Ali já estão instaladas empresas de primeira linha no setor, como Dell, Astrotech, Sonic Healthcare, Visa, Crytech, 3M, AMD, Qualcomm etc. Quase todo mundo que reside ou trabalha em Austin sabe (tem certeza) de que o futuro dos transportes passa por serviços de inteligência, com redes compartilhadas na linha do Uber e do Lyft. Dificilmente haverá na cidade algum protesto de taxistas contra a ideia.

Fabricantes se adaptam à nova realidade

Nesta quinta, o grupo TPV, dono das marcas Philips e AOC, anunciou que está fechando sua fábrica de monitores em Jundiaí (SP), onde trabalham cerca de 600 pessoas, e transferindo a produção para Manaus. Lá, deverão ser contratados 250 para aumentar o contingente atual de 800 funcionários, diz a empresa em comunicado.

É mais um efeito da recessão que cortou quase pela metade as vendas de eletrônicos entre 2014 e 2015. Curiosamente, a mesma Philips havia anunciado na semana passada que passa a produzir monitores de vídeo 4K em Manaus (detalhes aqui). Esse, no entanto, ainda é um mercado de nicho. Todos os fabricantes estão tendo que se adaptar à nova realidade, imposta pela economia. Esta tabela, atualizada até dezembro último, mostra como vem sendo a evolução do segmento de TVs no país, conforme os dados oficiais da Suframa.

Conselhão e os fundos de telecom

Não deixa de ser curioso que o governo tenha convidado o presidente da América Móvil, José Felix, para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que volta a se reunir no próximo dia 28, exatamente no momento em que se volta a discutir a questão dos fundos de telecomunicações. Felix, como quase todos os principais executivos do mercado, sempre foi crítico do mau uso desse dinheiro, já denunciado neste blog. Terá ele chance de mudar alguma coisa fazendo parte do “conselhão”?

Para quem não se lembra, o Conselho foi criado na época de Lula presidente (chegou a ter quase 100 integrantes). A ideia era reunir representantes de variados setores de atividade para refletir e apresentar sugestões ao governo. Já lá se vão 13 anos… Lembro de um conhecido, então executivo importante, que foi convidado, participou de duas ou três reuniões e diz que nunca conseguiu sequer trocar palavra com alguém do governo. Serviu, quando muito, para fazer espuma e roubar tempo de quem precisava trabalhar.

Não por acaso, o Conselho caiu em desuso após o Mensalão e demais denúncias de corrupção; com Dilma, nem houve mais encontros protocolares. Agora, que o governo precisa atrair os empresários, alguém surgiu com a genial ideia de reativá-lo. Faz lembrar a frase de um velho político mineiro: quando não se quer resolver um problema, basta convocar uma reunião.

Piadas à parte, um bom tema para discussão no grupo seria a gatunagem em cima do Funtel (Fundo Nacional de Telecomunicações) e do Fistel (Fundo de Incentivo ao Sistema de Telecomunicações. Denúncia do Tribunal de Contas da União, revelada ontem, indica que o desvio desses recursos – recolhidos a partir de cada conta de telefone, internet ou TV por assinatura para pelos usuários – é um dos mais “escandalosos” já apurados pelo órgão. Os dados do Tesouro e da Anatel a respeito não batem, e a diferença não é pequena. Os dois fundos foram criados, há quase vinte anos, para financiar investimentos na infraestrutura de telecom mantida pelo governo. Só que o dinheiro recolhido (há cálculos de que ultrapassa R$ 80 bilhões) foi surrupiado pelo Tesouro para outras finalidades.

Enquanto isso, os planos de expansão da banda larga e da TV Digital, para citar apenas dois, vivem sendo adiados por falta de dinheiro.

Japoneses estão na encruzilhada

Notícia desta quinta-feira no The Wall Street Journal revela detalhes de uma negociação para compra da Sharp Corporation pela taiwanesa Hon Hai (Foxconn). Negócio de US$ 5,3 bilhões. Um grupo de investimentos japonês, chamado INC (Innovation Network Corp), já tinha oferecido US$ 3 bi, mas os acionistas da Sharp relutam. A diferença em dinheiro é significativa, mas há pressões até do governo para que o grupo seja mantido em mãos japonesas. Uma decisão está prevista para dia 04/02.

É uma encruzilhada. Ceder o controle para um grupo de Taiwan bate forte no coração nipônico, até por razões históricas, ainda que a Hon Hai prometa não trocar a diretoria da Sharp. Ao mesmo tempo, os resultados financeiros são preocupantes. Em maio passado, a Sharp negociou um acordo com dois grandes bancos (Mitsubishi e Mizuno) para receber cerca de US$ 4 bilhões, dívida que deveria ser paga agora em fevereiro. Mas o ano fiscal, que fecha em março, aponta para um prejuízo na casa de US$ 1,5 bi. Como pagar?

Vale a pena ficar atento aos desdobramentos. Se os japoneses toparem ser incorporados pelo “inimigo”, outros acordos semelhantes virão.

Em tempo: a chinesa HiSense já adquiriu o controle da marca Sharp no mercado americano de TVs. Detalhes, aqui.

Audiência na favela? Quem mede?

Recém-instalada no Brasil, a gigante alemã GfK, especializada em pesquisas de audiência e análise de mercado, está começando a entender como as coisas funcionam aqui. Concorrente direta do Ibope, que reinou soberano durante décadas no setor de medição de audiência de TV, a GfK emitiu nota ontem desmentindo notícia do UOL sobre um suposto assassinato numa favela do Rio.

A nota, porém, não teve grande valia. O site confirmou com outras fontes que um morador da favela foi assassinado, com um tiro na cabeça, quando concordou que um funcionário da GfK instalasse em sua casa um aparelho medidor de audiência. O atirador seria um traficante que atua na região, onde – como em tantas outras localidades do país – impera o “gatonet”. O fato teria ocorrido em maio do ano passado, provocando a demissão do diretor da empresa no Brasil, Ricardo Monteiro.

Em tempo: para convencer emissoras a comprar seu serviço de pesquisas, uma das ofertas da GfK foi justamente a medição em favelas, prática que o Ibope recusa por motivos de segurança.

OTT: contra e a favor

Como em outros países, o setor de tecnologia no Brasil se divide: parte é a favor de maior regulação sobre as empresas de internet, parte é contra. Alguns, radicalmente. Documento divulgado na semana passada pela Abinee defende que os chamados serviços OTT continuem desregulamentados, estimulando o crescimento da chamada “economia digital”. Como se sabe, instituir regras sobre empresas como Google, Netflix, Facebook etc. é uma reivindicação das operadoras de telecom e TV por assinatura, inclusive com ações junto ao Congresso e ao governo para obter isonomia tributária.

Quem está com a razão? Essa discussão, que ainda vai longe, é oportuna diante da crise econômica, em que todo mundo busca preços mais baixos (um dos trunfos dos serviços OTT). Durante a CES, no início do mês, a Netflix anunciou sua expansão global para mais de 190 países (hoje está em 60), tendo como modelo justamente o Brasil. O site Tela Viva detalhou o anúncio. Bate com a notícia do colunista do UOL, Ricardo Feltrin, de que o serviço já fatura mais no país do que o SBT, segunda emissora de TV aberta.

Aliás, o presidente da Netflix, Reed Hastings, chegou a dizer que está nascendo uma nova rede global de TV pela internet. “Você não precisa mais ver anúncios entre os programas”, proclamou, ideia que certamente causa desespero no meio publicitário.

E, então, Netflix é a solução? Vamos regulamentar ou desregulamentar? De que lado você está?

Blu-ray 4K: o que se pode esperar

the martianComo dissemos no post anterior, os players Blu-ray 4K foram atração na CES 2016. O lançamento comercial está previsto para este primeiro trimestre, e expectativa é grande. Samsung e Philips, por exemplo, anunciaram no evento que o preço poderia ser inferior a 400 dólares. Isso equivale, em média, a três vezes o que se paga atualmente no mercado americano por um modelo DVD com upscaling para 4K (que está longe de ser a mesma coisa). Na verdade, ambas – assim como a Panasonic, que também demonstrou sua versão – aguardavam a repercussão das demos na CES para decidir exatamente o que fazer. E continuam aguardando, para ver se os estúdios de cinema cumprem a promessa de colocar à venda boa quantidade de títulos compatíveis.

Perdido em Marte, ficção científica de Ridley Scott estrelada por Matt Damon (e indicada ao Oscar), é a primeira dessas produções que foi rodada em 4K e está chegando ao varejo (vejam aqui o trailer). Na Amazon, pode ser encomendado por US$ 30, e claro que com os impostos de importação esse custo pode subir bastante. Mas vale como referência inicial. Outros títulos prometidos (aqui, um resumo da lista) são lançamentos do cinema no primeiro semestre 2015 e alguns mais antigos. Será um bom começo, se de fato acontecerem.

O que está intrigando muitos especialistas é a falta de informação sobre esses discos. Na teoria, sabe-se que um disco Blu-ray 4K tem muito maior capacidade; a especificação é de no mínimo 66GB, chegando até 100GB, contra máximo de 50GB do Blu-ray que usamos hoje. Mas não estão sendo divulgados, pelo menos até agora, os detalhes técnicos das gravações, embora se saiba que os discos devem seguir as normas da UHD Alliance e da Consumer Technology Association, incluindo processamento de cores mais refinado (Wide Color Gamut), codec HEVC (para captar também sinal 4K da internet) e áudio 7.1 canais; vejam aqui essas normas no original.
Sem Título-1Em tempo: a própria Amazon abriu neste fim de semana as pré-vendas do player Samsung Blu-ray 4K (mod. UBD-K8500, foto), por US$ 399.

CES e o futuro da tecnologia

78-SUHD-TV-360Infelizmente, este ano não estivemos na CES de Las Vegas. Mas, repassando o material enviado por algumas empresas e a intensa (embora fragmentada) cobertura da mídia, é possível tirar algumas conclusões. Há um enorme esforço da indústria para convencer os consumidores a adotarem a tecnologia 4K. Mas, na prática, ainda são poucos os que de fato percebem os reais benefícios. Isso só deve ficar claro quando tivermos à disposição uma boa (mesmo) oferta de conteúdos em 4K, com preço acessível.

A maior novidade da CES 2016 foi a confirmação, já esperada, do lançamento do formato Blu-ray 4K. Discos e players dessa categoria estão previstos para chegar ao mercado americano e aos principais países da Europa em março. Ninguém, no entanto, falou em preço até agora. Três estúdios (Warner, Sony e Fox) apresentaram na CES uma série de títulos, incluindo sucessos recentes do cinema, em demonstrações que deixaram extasiados os visitantes do evento. Mas essas empresas ainda não sabem até que ponto é vantajoso investir nos novos discos e sua altíssima capacidade de memória; ou ceder aos encantos da internet (leia-se: principalmente Netflix) e seus preços baixos.

Enquanto isso, os fabricantes vão despejando TVs 4K no mercado mundial, numa enorme variedade de tamanhos e estilos. Os players Blu-ray 4K também fizeram sucesso na CES, mas por enquanto somente a Samsung anunciou data para lançamento: abril. Panasonic e Philips ainda estudam a data mais apropriada, enquanto LG e Sony dizem que não pretendem entrar nesse mercado tão cedo.

Enfim, teremos que aguardar mais. Nos próximos dias, comentaremos melhor o assunto e outras tendências vistas na CES. Por enquanto, fiquem com nosso hot site.

Começando de novo

Amigos leitores, cá estamos de novo, começando mais um ano e tentando, na medida do possível, nos conectar com tudo (ou quase) que acontece no mundo da tecnologia, especialmente áudio & vídeo. Pelos relatos disponíveis, a maioria teve um 2015 difícil e torce para que 2016 seja bem melhor. Mas não basta torcer. Teremos todos que pensar e trabalhar muito mais. O excesso de notícias ruins às vezes contamina a atmosfera, tornando mais complicado discutir novos projetos ou novas oportunidades de negócio. E elas existem. Estamos nos propondo este ano a falar menos de problemas, e mais de soluções.

De início, então, um ótimo ano para quem nos lê. E ao trabalho.

Sobre assuntos como economia, política, comunicação, confiram nossas opiniões e sugestões na seção Jeitinho Brasileiro.

Sobre o tema principal deste blog, quero começar o ano, com licença, advogando em causa própria. Este 2016 marcará os 20 anos da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL (antes, somente “Home Theater”), que lançamos em maio de 1996. Ainda falávamos de videocassete, CD e projetor de 3 tubos, entre outros avanços da época, quando iniciamos essa jornada. Foram, até agora, 236 edições impressas, mensais e consecutivas, além de uma série de especiais, mais o anuário “Home Theater Best”, que vem sendo publicado regularmente desde 2001.

Lembro com carinho da “Som Três”, revista mensal que fez a cabeça de muita gente, comandada nos anos 1970 pelo grande jornalista Mauricio Kubrusly, e de “Video News” e “Audio News”, que ajudamos a criar nos anos 80/90. Vem à mente uma série de outras iniciativas que ficaram pelo caminho, assim como tantos exemplos de publicações americanas e europeias que nos servem de inspiração. Infelizmente, o Brasil não é um país de leitores.

Isso, de qualquer forma, não impede nossas comemorações. Não é a toda hora que se fazem 20 anos. E, no caso de uma revista especializada num país com tantos problemas, o esforço é ainda mais gratificante. Estamos orgulhosos e só podemos agradecer a leitores, anunciantes, fornecedores, apoiadores e parceiros, além de prometer que – com ou sem crise – continuaremos nessa jornada.

Bye bye, 2015!

Aos prezados leitores deste blog, um pedido desculpas pela falta de atualizações destas últimas semanas. Uma série de contratempos acabou prejudicando o trabalho, neste ano que chega ao fim tão tumultuado quanto começou, lembram-se? Espero que todos consigam recarregar as respectivas baterias nas próximas duas semanas, como tentaremos fazer nós, e voltar em 2016 com mais energia e criatividade. O blog retorna à ativa no dia 11 de Janeiro.

A todos, um ótimo Natal e um Ano Novo pleno de boas notícias!

Vai que cola outra vez…

Uma das notícias mais importantes da semana passada foi o fechamento do serviço Mega Filmes HD, um dos mais ativos da pirataria brasileira. Na operação chamada Barba Negra (não sei como nem por que são escolhidos esses nomes…), a Polícia Federal prendeu sete pessoas acusadas de dirigir o site e interrogou outras cinco. Na pacata cidade de Cerquilho, interior de São Paulo, foi preso um casal que, pelas informações disponíveis, mantinha o serviço funcionando a partir de sua casa. Ali, os agentes apreenderam nada menos do que 150 mil arquivos de vídeo que eram comercializados ilegalmente pela internet. Entre eles, havia até filmes que nem foram lançados nos cinemas…

O casal faturava cerca de R$ 70 mil mensais; e as investigações continuam. Segundo o Estadão, o Mega Filmes HD era o maior site de filmes piratas da América Latina: em apenas 12 dias, em outubro, um único filme – a comédia brasileira Vai que Cola – foi acessada ali por mais de 350 mil pessoas. Como se sabe, o Brasil está entre os campeões mundiais do segmento. Os 50 maiores sites piratas do país tiveram 1 bilhão de acessos entre fevereiro e julho últimos.

O episódio mostra que esses serviços são coisa de quadrilha muito bem organizada, certamente com ramificações também fora do país. Mais do que música ou software, a distribuição ilegal de filmes que ainda não chegaram aos cinemas exige tecnologia avançada, e que é cada vez mais aprimorada. Mas, como nos demais casos (e vale também para drogas, armas etc.), a pirataria só existe quando há conivência dos usuários. Se os visitantes daqueles 50 sites agissem de modo mais digno, os criminosos perderiam sua fonte de renda.

Tristemente, muitos deles devem estar entre os que participam de passeatas contra a corrupção, votam em políticos como os citados no comentário anterior e/ou pedem a volta dos militares!

Ameaça às emissoras de políticos

O que há de comum entre políticos como Aécio Neves, Fernando Collor, Jader Barbalho, José Sarney, Edison Lobão, Tasso Jereissati e Agripino Maia? Vocês provavelmente já viram esses nomes envolvidos em escândalos de corrupção. Fora isso, eles são também “empresários de comunicação”. Emissoras de rádio e TV em vários estados são de sua ilustre propriedade, e o uso que fazem delas dispensa maiores comentários.

Pois agora, por iniciativa do Ministério Público Federal, estão sendo investigados. A intenção é nada menos do que cassar as licenças de funcionamento das emissoras que pertencem a 32 deputados e oito senadores, o que é expressamente proibido pela Constituição. Os senhores parlamentares não poderiam, se a lei fosse respeitada, sequer ser sócios de empresas que recebam concessão de radiodifusão. O motivo é simples: é o próprio Congresso que autoriza, ou seja, caso típico de legislar em causa própria.

Bem, nada disso é novidade. Há décadas se sabe como funcionam essas concessões. Presidentes e seus ministros de Comunicações vêm seguidamente desrespeitando essa legislação, coisa que em país sério levaria também a punições severas. Alguém pode então questionar por que, afinal, essa prática seria extinta agora. Claro, será uma batalha longa e penosa. O MPF promete levar a questão adiante, mas para isso precisa do apoio de todas as pessoas e entidades que se preocupam com a democracia (sim, é disso que estamos falando). Provavelmente essas notícias não sairão no rádio nem na televisão, mas para isso existem as outras mídias.

Essa é uma causa que vale a pena compartilhar. A lista dos parlamentares donos de empresas de mídia está nesta reportagem da Folha de São Paulo.

E vejam este pequeno histórico sobre o assunto, de autoria do veterano jornalista Alberto Dines, que denuncia as irregularidades.

 

Anatel mostra mais transparência

Nesta sexta-feira, a Anatel fugiu de seus hábitos e divulgou os números oficiais dos mercados de telefonia, banda larga e TV por assinatura, com dados individuais das prestadoras de serviço. Até agora, isso parecia um tabu na agência reguladora, como se fosse proibido informar ao distinto público quanto cada empresa vende. Não se sabe se é efeito da recessão, mas o fato é que agora podemos saber melhor a participação de cada grupo econômico nos serviços.

Focando na TV paga, como se esperava o panorama é sombrio. De março a setembro, o total de domicílios atendidos caiu quase 300 mil. Significa muito mais, porque essa é a soma de todas as famílias que deixaram o mercado, menos as novas assinaturas vendidas. A maior parte da redução aconteceu no segmento de DTH (TV via satélite), liderado pelas operadoras Sky, Claro, Oi e GVT. Já na TV a cabo, houve pequeno aumento (cerca de 100 mil domicílios), assim como na modalidade FTTH (fibra óptica), que saltou de 111 mil para 153 mil.

Na estatística por empresa, quase todas têm hoje menos assinantes do que no início do ano; a exceção é a Telefonica/Vivo, que como se sabe absorveu a GVT. Somadas, ambas tinham 1,729 milhão de assinantes em março, agora têm 1,836 milhão. O trio NET+Claro+Embratel soma 10,133 milhões (perdeu 133 mil), enquanto a Sky passou de 5,684 milhões para 5,607. Os dados completos estão neste link.

Internet das Coisas: onde mora o perigo

Talvez seja o assunto mais comentado hoje entre especialistas em tecnologia: IoT (sigla em inglês para “Internet das Coisas”). Com os aparelhos cada vez mais conectados, entre si e com hubs ou servidores na nuvem, esse mundo – que estava só na ficção científica – parece mais próximo. Quase todos os fabricantes afirmam estar desenvolvendo produtos para essa era em que será possível interligar, literalmente, tudo.

Bem, seria ótimo se fosse assim tão simples. Acaba de sair um estudo pioneiro da empresa russa Kaspersky, uma das líderes mundiais em segurança digital, mostrando que os aparelhos criados para IoT, pelo menos alguns deles, não são seguros; aliás, podem ser facilmente invadidos. Os técnicos da empresa usaram produtos que já estão à venda, como o pen-drive Chromecast, da Google, que promete acesso rápido e prático à internet e a possibilidade de transferir todo tipo de arquivo entre aparelhos diferentes. Testaram ainda uma câmera de segurança da marca Philips, dessas que servem para monitorar o quarto do bebê; uma cafeteira smart, outra maquininha que está se tornando comum; e um sensor eletrônico para portas e janelas.

Todos os produtos avaliados foram descritos como “inseguros”. No caso do Chromecast, conseguiram invadi-lo a distância com uma simples antena Wi-Fi. No teste da câmera de segurança, foi possível até roubar a senha do usuário e acessar seus emails!

Para tranquilidade (ou não?) dos consumidores que gostam de coisas baratas, a Kaspersky informou ter entrado em contato com os quatro fabricantes e que todos concordaram em retirar seus produtos de circulação. A exceção foi a Google: a versão 2015 do Chromecast continua apresentando os mesmos problemas.

TVs UHD, mas que não são bem UHD…

pseudo fig7Meses atras, saiu a notícia de que havia no mercado internacional falsos TVs 4K (detalhes aqui). Normal: existem dezenas de marcas descartáveis, a maioria chinesas, e só as aceita quem quer. Mas a tecnologia 4K é mesmo complicada. Embora haja diversos modelos à venda, ainda não existe uma padronização definitiva, e nada garante que um aparelho adquirido hoje será compatível com os sinais que estarão disponíveis daqui a um ano (leiam sobre a questão das patentes envolvidas).

Agora, um site alemão acaba de prestar um ótimo serviço aos usuários, publicando um teste comparativo de laboratório, e detalhado, sobre TVs 4K (Ultra HD) e seus equivalentes 2K (Full HD). Publicamos aqui uma tradução quase literal do trabalho, que merece ser lida com atenção.

Mas este vídeo, produzido pela mesma equipe, vai ainda mais longe. Com imagens dinâmicas tem-se uma compreensão melhor do processo tecnicamente chamado “contagem de pixels”, pelo qual aquilo que parece ser nem sempre é. Segue a tradução das legendas do vídeo:

Comparação entre painéis UHD
O painel RGBW LCD reduz o detalhamento e exibe um verde sem saturação. Em seguida aos subpixels verdes, as linhas diagonais são interrompidas.
No caso dos pixels vermelhos, não existe qualquer estruturação; painéis RGBW OLED apresentam o mesmo problema.
A linha do pixel, ou “estrutura de resolução horizontal 100%”, é muito reduzida no painel RGBW LCD; a resolução UHD fica comprometida.
Não há quase nenhum contraste visível nos detalhes em verde, nas frequências mais altas, usando o TV LCD RGBW; as cores estão sem brilho nem saturação.
A estrutura dos pixels vermelhos se perde completamente, tanto nos painéis RGBW OLED quanto LCD; um resultado satisfatório aparece somente em RGB LCD.
Na análise checkerboard, usada normalmente para verificação de contraste, a estrutura de cada pixel só é visível em RGB LCD e RGBW OLED. Em RGBW LCD, há menos subpixels e, portanto, não se consegue reproduzir a estrutura. A resolução é insuficiente para captar os detalhes em UHD.
No checkerboard verde, não se consegue reproduzir a largura de 1 pixel no painel RGBW LCD.
Na análise individual dos pixels, tem-se bom resultado em RGB LCD e RGBW OLED, mas eles aparecem largos demais em RGBW LCD, que utiliza até 5 subpixels ao mesmo tempo.
Já no teste checkerboard 2×2, a reprodução deve ser boa num TV UHD, já que a resolução da fonte de sinal seja Full-HD. Na verdade, a estrutura no painel RGBW está criando uma área maior para os campos brancos do que para os pretos. 
Usando apenas o canal vermelho, a estrutura de pixel 2×2 se perde totalmente no painel RGBW LCD.
A grade preta sobre fundo branco deve reproduzir bem num TV UHD, pois representa a resolução Full-HD. No entanto, os detalhes horizontais são filtrados no RGBW LCD.
A filtragem é ainda mais forte no canal verde do RGBW LCD.
No canal azul, a filtragem é melhor.
Agora, a questão da legibilidade das letras: a leitura de “e” e “w”, em particular, fica comprometida.
pseudo fig5
Vejam o vídeo e leiam o artigo.
É a primeira vez que se publica algo do gênero sobre 4K.

Globo ataca também na internet

g1_globoplay_2Como será a televisão do futuro, ninguém sabe (algumas pistas, neste artigo). Mas, se há no Brasil alguém preparado para isso, chama-se TV Globo. Na semana passada, a emissora anunciou o serviço Globo Play, que permite acessar sua programação, ou partes dela, pela internet. Se você quiser ver agora o que está no ar, só precisa clicar!

“Não adianta ter o conteúdo se ele não chegar às pessoas”, explicou, no evento de lançamento, o diretor-geral da Globo, Carlos Schroder. “Há uma mudança permanente nos hábitos, e temos que nos atualizar na forma de entregar os conteúdos”. Schroder revelou dados de pesquisas da emissora: 38% dos domicílios, hoje, possuem banda larga; 34% dos entrevistados disseram que assistem a vídeos online; e um capítulo da novela Verdades Secretas, por exemplo, assistido na TV por 145 milhões de pessoas, teve nada menos do que 190 milhões de visualizações na web.

Esse formato de distribuição, chamado simulcast, pode ser o padrão daqui a alguns anos. Os programas ao vivo terão que estar disponíveis também online; no caso da Globo, a maneira de controlar tudo é uma tecnologia baseada em GPS, que bloqueia o acesso fora de determinada área. Quem está em São Paulo, por exemplo, só conseguirá ver a programação que é exibida na cidade. A Globo sabe que precisa preservar seu modelo de afiliadas. E terá de investir muito para proteger seu sinal, considerando a alta capacidade dos piratas.

Também nesta terça-feira, a Globo anunciou uma experiência inovadora: um “capítulo zero” da nova novela Totalmente Demais está sendo transmitido pelo Globo Play (e também pelo serviço Gshow). A novela estreia oficialmente na próxima segunda, mas foi escrita e produzida uma espécie de “esquenta”, com cerca de 10 minutos de duração, reunindo os principais nomes do elenco. Assistam aqui.

Estamos nos tornando obsoletos?

obsolescChamo a atenção dos leitores para este artigo, que trata de um tema polêmico já abordado neste blog: a questão da obsolescência programada dos aparelhos eletrônicos. Basicamente, seria um grande “complô” entre os fabricantes para lançarem produtos de vida útil curta, de tal modo que o consumidor sinta frequentemente o impulso de trocá-los. Sabe-se que essa prática não se restringe aos eletrônicos, e existe certa lógica no raciocínio, por mais que pareça cruel. Mas o articulista vai mais fundo na análise.

Talvez por influência do pessoal da informática, fanático por atualizações, o consumidor em geral acaba se tornando obcecado por novos modelos de celular, tablet, TV e por aí vai. Produtos que antes consumiam uma década em pesquisa e desenvolvimento, hoje são descontinuados apenas um ano e meio depois de chegarem ao mercado. E quem não tem o modelo mais recente arrisca-se a ser chamado de “cidadão obsoleto”, ou algo do gênero.

De quem é a culpa?