Olimpíada em 40 canais. Ou mais.

ginasticaA Olimpíada Rio 2016 começou nesta quarta-feira, e é possível ter uma ideia de como acontece um evento desse porte na era da comunicação instantânea. Em março, já tínhamos informações sobre como funcionaria o esquema técnico da cobertura, que pela primeira vez une TV e internet em tempo real. Mas eram apenas planos. Agora, podemos ver na prática.

Quem tem um decoder NET da nova geração, por exemplo, pode acessar pela TV os 40 canais especiais do SporTV Play dedicados aos Jogos. NET e Globosat decidiram se unir nesse trabalho e, assim, o sinal que inicialmente só poderia ser acessado pela internet entra também na rede da operadora. A promessa da Globosat é manter no ar, durante todo o período dos Jogos, os sinais gerados pela OBS (Olympic Broadcasting Services) com som ambiente (sem narração), para quem quiser acompanhar imagens de suas modalidades favoritas. Segundo a NET, alguns destaques do evento vão entrar também na grade do Now, ou seja, o assinante poderá revê-los a qualquer momento.

A atual geração de decoders já é híbrida: pode receber tanto os sinais de TV quanto os de internet. E, por ser patrocinadora dos Jogos (através da Embratel, que adquiriu os direitos ainda em 2010), a NET/Claro consegue explorar melhor as possibilidades da comunicação digital, conciliando banda larga e redes 3G e 4G (mais detalhes aqui).

Estes Jogos Olímpicos serão, ao mesmo tempo, um acontecimento histórico e um desafio de tecnologia, pois com certeza haverá explosão de tráfego nas competições mais importantes. Imaginem uma final de futebol entre Brasil x Argentina, ou a disputa do ouro nos 100m rasos com o fenômeno Usain Bolt. Todo mundo vai querer ver.

Displays OLED, em vários estilos

LG-Arched-OLED-Display-1024-1024x768E, já que falamos tanto nos últimos dias sobre TVs LED-LCD com resolução 4K HDR, vale a pena lembrar a evolução da tecnologia de painéis orgânicos (OLED). Na verdade, todo o esforço dos fabricantes de LCD hoje é para se equiparar em qualidade de imagem ao OLED, que por enquanto não foi superado. Os TVs Quantum Dots, também chamados “pontos quânticos”, ou “nanocristais”, são os que mais se aproximam em contraste e profundidade de cores.

Como se sabe, OLED é uma tecnologia ainda em evolução e que sofre com o fato de somente um fabricante, até agora, estar investindo forte: a LG. Por melhor que seja o desempenho, historicamente essa solidão não é um bom sinal. Os exemplos mais conhecidos são os do videocassete Betamax, da Sony, que era considerado superior ao VHS mas acabou perdendo a disputa quando a empresa ficou sozinha (década de 80); e o HD-DVD, da Toshiba, que pela mesma razão foi superado pelo Blu-ray (2008).

Em tecnologia, quase nada é possível de se fazer sem o apoio de um grupo de empresas, geralmente na forma de consórcio, colaborando para avançar nas inovações e no grau de conhecimento do público. Sabe-se, por exemplo, que o processo de fabricação dos painéis orgânicos é complexo e oneroso; o custo certamente cairia se houvesse mais empresas desenvolvendo. Fala-se ainda que a performance dos displays tende a cair com o uso contínuo, mas ainda é cedo para afirmar isso.

Bem, seja como for, está prestes a ser lançada no Brasil a linha HDR da LG (notícias nas próximas semanas). Em alguns países, já estão à venda modelos de 55″, 65″ e 77″, planos e curvos. Mas o que mais nos chama a atenção é a evolução dos painéis orgânicos na área de sinalização digital (digital signage), como mostra este link. Foram considerados os melhores da última InfoComm, em Las Vegas, onde houve demonstrações em vários formatos: curvos (côncavos e convexos, como na foto acima), stretched (mais largos), pendurados em suportes móveis, em videowalls e até em dual-view (imagens em 4K exibidas dos dois lados da tela).

O link traz também um vídeo sobre o aeroporto de Seul, onde houve a “estreia oficial”.

Integradores: como superar a crise?

A crise econômica talvez oculte uma realidade que, no entanto, é cada vez mais visível para quem está atento ao segmento de sistemas AV. Com orçamentos mais restritos, é natural que os usuários – tanto em empresas quanto em residências – levem mais em conta o fator “preço”. Mas cresce a necessidade de profissionais mais bem preparados (especializados de verdade) para desenvolver novos nichos de mercado e atender um público mais bem informado e, portanto, mais exigente.

Pesquisa recente do site americano CE Pro, voltado a profissionais dessa área, enumerou uma série desses nichos que vale a pena observar. É bom lembrar que, com a crise de 2008, o mercado americano sofreu um choque, do qual não mais se recuperou. Quase todos os prestadores de serviço, assim como a maioria dos fabricantes e importadores, trabalha hoje com margens mais enxutas do que até 2007. Reduziram os postos de trabalho, passaram a atender menos clientes e a selecionar melhor as marcas que vendem e/ou instalam.

Mas muitos dos que perderam o emprego, ou tiveram que fechar as portas, partiram para novas especialidades, ou seja, buscaram se reinventar. Sem dúvida, isso é mais fácil quando se tem uma boa base educacional e, no caso americano, uma “reserva de cultura” voltada à tecnologia e à inovação. Infelizmente, nada disso existe no Brasil. Ainda assim, é útil analisar os subsegmentos de mercado surgidos a partir dessa reinvenção e apontados pelo site. São atividades que o integrador, até hoje limitado aos projetos de áudio&vídeo (quando muito automação), pode aprender e oferecer a seus clientes.

*Amplificadores (boosters) de sinal de celular

*Gravadores digitais (DVR) para entretenimento e segurança

*Móveis, suportes, pedestais e assentos para salas de home theater

*Especificação e instalação de caixas acústicas embutidas

*Configuração, instalação e programação de servidores multimídia

*Lifts e suportes para projetores e telas

*Projeto e instalação de sistemas multiroom AV

*Sistemas AV para áreas externas

*Aspiração central

*Cabeamento estruturado

*Redes sem fio

*Centrais digitais de telecom (com e sem fio)

*Controles de acesso, alarmes e câmeras IP

*Iluminação por leds (interna e externa)

*Cortinas e persianas motorizadas

*Proteção de equipamentos eletrônicos

*Integração de eletrônicos e eletrodomésticos

*Campainhas e fechaduras eletrônicas

*Gerenciamento remoto da casa

*Software para design de projetos

*Manutenção de redes e cabos elétricos

*Sistemas de home care para pessoas com dificuldades de locomoção

 

Novos negócios da China

Enquanto na China o Uber está se fundindo com (leia-se: “sendo incorporado por”) seu maior concorrente local, negócio de US$ 25 bilhões, nos EUA a Vizio, hoje a marca de TVs mais vendida no país, anuncia que foi adquirida pela chinesa LeEco (US$ 2 bilhões).

Já comentamos aqui sobre os investimentos chineses em tecnologia na Índia, no Japão, EUA etc., sem falar do Brasil, mas é espantoso como empresas jovens do país rapidamente se tornam multinacionais, como nos dois casos acima. LeEco e Didi Chuxing, esta a nova dona do Uber, foram fundadas em 2012! Na lista das 50 empresas mais inteligentes do mundo, divulgada recentemente pela revista Technology Review, ligada ao MIT, aparecem nada menos do que 5 chinesas  (contra 3 japonesas, 1 alemã e 1 coreana).

Investidores chineses estão comprando startups em Israel, e atacam avidamente no Vale do Silício, onde já conquistaram 80% da Lumileds (divisão de iluminação inteligente da Philips), entre diversas startups. Diz a revista Fortune que eles preferem comprar empresas pequenas, ou em dificuldades, e depois levá-las para a China, com suas tecnologias, para conquistar o maior mercado do mundo.

Pelo visto, esse é o futuro.

Sony mira segmento premium em TVs

sonyxd94overview-1lJulho foi o mês dos lançamentos no mercado de TVs. Depois de LG e Samsung, a Sony apresentou nesta terça-feira sua linha 2016, em que se destaca a série XBR Z, com modelos de 75″ e 100″. Isso mesmo: a empresa decidiu de vez abandonar a “guerra de preços” mantida nos últimos anos com as marcas coreanas, e focar no segmento premium, somente com telas grandes.

Até pouco atrás, esses aparelhos seriam chamados “UHD Premium”, denominação criada pela UHD Alliance para identificar os TVs mais avançados. Mas a Sony, como outros fabricantes, decidiu não se alinhar com as normas da entidade. O que se vê este ano é que cada empresa adota sua própria nomenclatura, e isso ajuda a confundir mais as coisas. Vamos tentar clarear um pouco.

A linha Z da Sony oferece imagens 4K com processamento HDR (High Dynamic Range) aliado a um novo painel de backlight, que a empresa batizou Master Drive. Esse painel faz toda a diferença, pois funciona de modo semelhante aos Local Dimming, que já comentamos aqui. Nestes, os leds internos são em maior quantidade e comandados por um processador de última geração, que aciona os diodos conforme os requisitos de cada quadro de imagem, em tempo real. As áreas mais escuras da tela recebem menos luz, permitindo visualizar melhor os detalhes; e as áreas mais claras têm luz mais intensa, ressaltando os contrastes.

Aparentemente, é a mesma técnica utilizada pela Samsung, da qual falamos aqui na semana passada. Não por acaso, os TVs Sony Z9D (foto acima) estarão entre os mais caros do mercado (chegam em outubro). Mas já estão em algumas lojas os outros modelos 4K da marca. O mais avançado – que estamos aguardando para teste – é o XBR-X935D, de 65″, que não traz o painel Master Drive, mas já inclui HDR com os novos processadores da Sony (outro item que faz muita diferença na reprodução de imagens 4K).

Curiosamente, a Sony está explorando mais a sigla XBR, que durante anos foi sinônimo de TVs de alto desempenho. Todos esses TVs 4K utilizam essa denominação. O único inconveniente é a possível confusão com “HDR”, que naturalmente é uma sigla de domínio público. Para realçar as qualidades de seus TVs, a Sony ainda acrescenta algo denominado “XDR Pro” (Extended Dynamic Range Pro), variação para o que a Samsung chama de “HDR 1000”. Refere-se, como já explicamos aqui, à luminosidade do painel: 1.000 nits (ou candelas por metro quadrado), sendo “candela” (do latim “vela”) igual à luz de uma vela.

Bem, o melhor de tudo isso é que o consumidor brasileiro, mais uma vez, está tendo acesso à melhor tecnologia da atualidade em TVs. Vale lembrar o que publicamos aqui recentemente sobre os novos modelos da Panasonic e da LG. Sim, continua existindo o problema de falta de conteúdo: Netflix, Globo Play e Globosat Play são, por enquanto, as fontes disponíveis. E na Olimpíada a Globo promete boas transmissões em HDR. Para quem está interessado, convém caprichar na banda larga.

Como é o sinal HDR da Globo

Augusto de Valmont (Selton Mello) *** Local Caption *** Cap. 04 – Cena 17: Augusto ( Selton Mello ) sai do quarto de Cecília ( Alice Wegmann ) e caminha na direção do quarto de Mariana ( Marjorie Estiano ), que fica perto do seu.

Os privilegiados que já têm em casa um TV compatível com sinal HDR podem conferir desde segunda-feira, no aplicativo Globo Play, a primeira produção desse tipo exibida no mundo. Mais uma façanha da Globo, com Ligações Perigosas, minissérie que adapta a história clássica, escrita em 1782, para o ambiente da alta sociedade carioca dos anos 1920.

Segundo Paulo Rabelo, diretor de tecnologia da Globo, pela primeira vez estão sendo usadas câmeras HDR (a emissora comprou 50 delas). Essas câmeras registram as imagens num formato bruto, que a Globo chama de RAW, que consegue captar muito mais nuances, texturas e contraste. “O nível de detalhamento da imagem em HDR obriga a mais cuidados na produção, inclusive nos detalhes de maquiagem, cenários, roupas e cores”. O segredo está em usar também processadores HDR na pós-produção: o sinal é transferido para essas ilhas, e daí liberado na resolução desejada, que pode ser UHD ou Full-HD. Em breve, a Globo estreia sua segunda produção com essa qualidade: Dupla Identidade.

“A plataforma Globo Play nos ajuda nesse tipo de experiência, porque não é possível transmitir essa qualidade de sinal em rede”, diz Rabelo. “É preciso ter um receptor de TV compatível e também uma conexão de banda larga de pelo menos 30 Megabits reais por segundo”. A Globo calcula que 400 mil usuários já baixaram o app Globo Play em TVs smart. “Sem dúvida que a oferta de conteúdos em 4K agrega na audiência como um todo”, acrescenta Rabelo.

Como comentamos ontem, HDR deve ser agora a “bola da vez” em TVs, mais até do que 4K. Enquanto esta tecnologia trata especificamente de resolução (quatro vezes mais pixels do que em Full-HD), HDR significa um tratamento mais refinado de cada pixel. “O impacto será muito grande sobre toda a cadeia, desde a captação, pós-produção e distribuição, além dos ajustes finos dos TVs que o consumidor poderá fazer em casa”, nos disse Rabelo.

Embora LG e Sony já tenham anunciado o lançamento desses TVs, por enquanto somente Samsung e Panasonic estão à venda. E a Globo fechou parceria com a marca coreana para começar a oferecer conteúdos em 4K HDR.

As novas tendências da tecnologia

Como faz todo ano nesta época, a CTA (Consumer Technology Association), antiga CEA, acaba de divulgar seu relatório sobre a evolução do mercado de tecnologia, que também aponta as principais tendências. Um comitê da entidade coleta os dados junto a fabricantes, distribuidores, integradores, revendedores etc. e seus diagnósticos passam a ser referência para muita gente.

Os detalhes podem ser vistos em português neste artigo. Destaco aqui, por exemplo, que drones e wearables (chamados no Brasil de “vestíveis”, ou todo tipo de dispositivo de uso junto ao corpo, incluindo relógios, pulseiras, fones, medidores de exercícios e por aí vai) são as duas categorias de produtos com maior crescimento previsto. A CTA estima também boas perspectivas para itens de automação caseira, como luzes inteligentes, sensores, câmeras IP.

Dois detalhes interessantes. Smartphones continuam sendo o produto mais vendido, mas isso deve mudar a partir de 2017, pois as pessoas estão mantendo seus aparelhos por mais tempo, ou seja, demoram mais para trocar. E a venda de tablets começou a cair em 2015; a tendência continua este ano.

Em tempo: os números são válidos apenas para os EUA, mas as tendências, diz a CTA, se aplicam ao mercado internacional.

HDR, a nova batalha dos TVs

capa2A edição de julho da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL traz um teste exclusivo com um dos TVs Sony 4K HDR (mod. XBR-65X905C), de 65″. Já havíamos avaliado um modelo da Samsung (UN65JS9000G), lançado no ano passado, e aguardamos agora os novos HDR LG e Panasonic. Como já comentamos aqui, trata-se mesmo de uma nova geração de TVs, comprovando que 2016 está sendo o “ano do HDR”.

Não por acaso, tivemos na semana passada um evento da LG para apresentar os seus, o mesmo acontecendo com a Samsung esta semana e com a Sony na próxima. É interessante notar que, como ocorreu no passado com os 4K, nem todos os TVs HDR são iguais. Já é costume: a indústria acaba confundindo o consumidor, que ainda nem se habituou ao 4K. Mas assim é o mercado.

HDR (High Dynamic Range) é um tipo de captação em que se explora ao máximo a amplitude do sinal. A câmera consegue registrar os tons mais escuros e os mais claros e também maior variedade de cores. Aliando isso à resolução 4K (3.840 x 2.160 pixels), é possível obter níveis de detalhamento muito superiores. Os novos TVs são projetados para se comunicar com a fonte de sinal e “entender” se a imagem foi captada em HDR. Só que isso tudo depende do processamento do sinal nesse trajeto, até chegar à tela.

No evento da Samsung, conversamos com Paulo Rabelo, diretor de tecnologia da TV Globo, que nos explicou como a emissora está conseguindo produzir minisséries em HDR; a primeira que está no ar é Ligações Perigosas (detalhes aqui). Não via sinal de TV, mas pelo aplicativo Globo Play. Ou seja, é uma transmissão online, sujeita às condições da rede utilizada em cada casa. A questão de como o conteúdo é produzido e distribuído torna-se crucial para quem investe num TV desse padrão. Vamos falar muito ainda a respeito.

Voltando aos TVs, a Samsung identifica seus novos TVs como HDR 1000, uma referência à intensidade luminosa de 1.000 nits, contra menos de 500 dos TVs 4K anteriores; de novo, um particularidade técnica que merecerá um post à parte. São sete modelos, com tamanhos de 49″ a 88″, a maioria de tela curva, numa faixa de preço bem acima dos 4K já lançados, que continuam em linha.

Em tempo: a Samsung aposta no HDR como opção aos TVs OLED, que por enquanto somente a rival LG oferece no Brasil. Já a LG promete se manter nos dois segmentos.

Executivos contra um candidato

Pela primeira vez, a política americana atinge de fato o setor de tecnologia. Nesta terça-feira, um grupo de 145 executivos distribuiu “carta aberta” colocando-se contra o candidato a presidente Donald Trump. Espera-se que outros se adicionem à lista nas próximas semanas.

Entre os signatários estão CEOs, fundadores ou diretores de marcas conhecidas, como Google, Facebook, Apple, Sun, Flickr, Qualcomm, Bitly, Tumblr, MIT, Twitter, eBay, Reddit, Zinga, Seagate, Wikipedia, Instagram etc., a maioria deles atuando em empresas do Vale do Silício. Claro, não falam em nome de suas corporações, e sim em caráter pessoal. Mas isso, no contexto, acaba sendo secundário. O pessoal do Vale sempre teve fama de alienado. Manteve um silêncio suspeito mesmo na época do 11 de Setembro e quando os EUA invadiram o Iraque. Agora, sentem de perto o perigo.

Vale citar um trecho da carta: “Donald Trump dá declarações erráticas e contraditórias. Seu desrespeito por nossas instituições políticas e legais é uma ameaça àquilo que atrai as empresas a empreender e crescer. Arrisca-se a distorcer os mercados, reduzir as exportações e a criação de empregos. Somos contra sua candidatura divisionista e queremos um candidato que abrace os ideais em que foi construída a indústria de tecnologia americana: liberdade de expressão, abertura aos novos empreendimentos, igualdade de oportunidade, investimentos públicos em pesquisa e infraestrutura e respeito à lei”.

A íntegra da carta e os nomes dos que assinaram podem ser lidos, em inglês, aqui.

TV paga: como reconquistar os assinantes?

Um dos debates mais interessantes no último Congresso da ABTA, algumas semanas atrás em SP, foi sobre as formas de trazer de volta a chamada Classe C para o mercado de TV por assinatura. Foi essa camada da população que fez crescer o setor entre os anos 2008 e 2012, chegando a taxas de 30% ao ano. A expansão se deu principalmente através do serviço DTH (TV por satélite). Com a crise a partir de 2013, esse foi o segmento mais atingido (Sky e Claro perderam mais de 1 milhão de assinantes).

No Congresso, foi apresentada uma pesquisa da consultoria Plano CDE que mostra como a TV paga se tornou importante para muitos brasileiros. Até pelos hábitos criados pela TV aberta, grande parte das famílias tem no aparelho uma espécie de “janela” para a ascensão social. “Em cidades médias e na periferia das metrópoles, ir ao shopping já representa um custo alto”, comparou Mauricio de Almeida Prado, coordenador da pesquisa. “Há poucos equipamentos de lazer, e a televisão acaba sendo um dos mais baratos”.

O estudo concluiu que, para 77% das pessoas, assistir televisão é a principal atividade de entretenimento; sair para caminhar e ir à igreja, por exemplo, foram hábitos citados por apenas 23% dos entrevistados. Os pesquisadores perguntaram também sobre os benefícios que o consumidor percebe na TV paga, e esta foi definida como “opção de cultura” por 79% e como “agregadora da família” por 74%. Nas famílias com filhos, outra resposta interessante: 72% disseram sentir-se mais seguros com a família em casa. “Muitos têm receio do que os filhos vêem na internet e acham que na TV paga isso é mais controlado”, acrescentou Prado.

Mais: é maior o número de torcedores que, devido à violência, deixaram de ir aos estádios para acompanhar os jogos pela TV. Outros se sentem mais animados a viajar depois de assistir aos programas turísticos. Os próprios acontecimentos políticos, cobertos em detalhe pelos canais jornalístico, fizeram mais pessoas passarem horas diante da TV. Também houve quem citasse os canais de culinária como incentivo a uma vida mais saudável. “Muita gente não tinha referências sobre cultura, gastronomia, decoração etc., e isso lhes dá uma percepção de igualdade competitiva”.

Presente ao debate, o diretor geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, lembrou que os canais adaptaram suas programações para atender a esse novo público, que passou a ter assinatura no início da década. “Nada disso aconteceu por acaso”, disse ele. “Antes, a TV aberta era de massa e a TV fechada era para as classes A/B. De certa forma, o mercado brasileiro antecipou o que acontece hoje nos EUA, com pacotes mais acessíveis. Foi a maneira que encontramos para atender à Classe C”.

Os dez anos da TV Digital no Brasil

No último dia 29, completaram-se dez anos da criação do SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital), que tanta polêmica causou na época. Para não se indispor com as emissoras, que lhe davam apoio (já estava “no ar” o escândalo do Mensalão), o então presidente Lula aceitou a proposta de adaptar o padrão japonês ISDB-T, e não os padrões europeus (DVB-T) e americano (ATSC). Até hoje há quem questione a decisão, mas o fato é que foi uma decisão mais política do que técnica, e todo mundo teve que se adequar (digitando no campo de busca ao lado a sigla “SBTVD”, há um vasto histórico a respeito).

Num relato detalhado sobre o processo de implantação do SBTVD, o Ministério das Comunicações divulgou que o ISDB-T foi adotado por 16 países além de Brasil e Japão. E cita um estudo da UIT (União Internacional de Telecomunicações) informando que 60 países já completaram o ciclo de seus padrões de TV digital, enquanto 59 vivem a fase de transição, como é o caso do Brasil; outros 19 definiram o padrão, mas ainda não o implantaram, enquanto 70 nem fizeram a escolha.

É interessante analisar os gráficos da UIT (vejam aqui). Na América do Sul, a Colômbia é o único país que já concluiu a implantação de seu padrão de TV digital. Na mesma lista, estão EUA, Canadá, toda a Europa Ocidental, Austrália, Japão e até alguns sem tanto poder econômico, como Marrocos e Mongolia. Ao lado do Brasil na “transição”, encontramos Rússia, Índia, Irã, México, Indonésia e a maioria dos africanos.

A data 29 de junho se refere à assinatura do decreto 5820/06, que determinou as características do padrão digital brasileiro:

*Sinal de alta definição (1.920 x 1.080 pixels em processamento entrelaçado)

*Possibilidade de transmissão via dispositivos móveis (em baixa definição)

*Capacidade de multiprogramação (faixa de 6MHz, que comporta até quatro sinais simultâneos pelo mesmo canal)

*Interatividade (utilizando o middleware Ginga)

Como se sabe, apenas os dois primeiros itens foram cumpridos. Ainda assim, o sinal de alta definição não está disponível em todo o país, porque exige torres de retransmissão que as emissoras não querem financiar (e o governo não tem orçamento para isso).

Na verdade, a TV digital começou mesmo no país no dia 2 de dezembro de 2007, quando usuários paulistanos que possuíam um TV compatível puderam assistir à transmissão do Fantástico em alta definição, além de um discurso do presidente. Lembro bem que era um domingo à noite e a revista HOME THEATER reuniu num hotel da cidade um grupo de profissionais do mercado para acompanhar aquele momento histórico (os detalhes podem ser conferidos aqui).

O calendário original previa que exatamente no último dia 30 de junho estariam desligados todos os transmissores analógicos, com todas as cidades passando a receber apenas sinal digital. Agora, a data-limite é 2023 (aqui, o calendário oficial). E nem o site oficial do DTV está sendo atualizado…

E por que atrasou? Quando se pergunta nos bastidores do mercado, há uma variedade de respostas, mas todas convergem para um mesmo diagnóstico: o cronograma não tinha como ser cumprido. Foi mais ou menos o que se passou com as obras para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos: todos sabiam que os prazos eram inviáveis, mas posaram para fotos junto dos políticos e assinaram embaixo do decreto governamental.

TVs que não precisam da TV

vizioEm lojas dos EUA, já é possível encontrar televisores com a função Google Cast. Essa é a plataforma smart da Google, que dá acesso não apenas à internet mas a uma infinidade de serviços da empresa. Pode parecer banal, mas alguns desses aparelhos foram pensados para romper com um dos hábitos mais arraigados entre os consumidores: assistir aos canais de TV.

Na pratica, Google Cast é um “serviço na nuvem”, não algo que fique embutido no TV. E isso faz toda a diferença. O aparelho vai buscar os conteúdos no servidor Google, como se faz com qualquer dispositivo móvel. Só que seu processador é mais rápido e eficiente que o de um smartphone, por exemplo. É o caso dos novos TVs 4K da marca Vizio (foto), hoje uma das mais vendidas no mercado americano. Eles não têm controle remoto: vêm com um tablet que faz todo o serviço (detalhes, aqui).

Uma das vantagens dessas configurações é que o TV deixa de ser um TV propriamente dito, transforma-se num monitor. Todo o acesso aos canais é feito pela web. No caso dos Vizio, não existe nem menu… Segundo o fabricante, isso libera o TV para cuidar “apenas” do trabalho de processar o sinal de vídeo. Por sinal, esses modelos são compatíveis com sinais 4K HDR (High Dynamic Range), que podem ser captados da internet ou de um player Blu-ray 4K.

O recurso Google Cast na verdade está integrado em todos os TVs que utilizam sistema operacional Android, como os da Sony, Philips e Semp Toshiba lançados no Brasil. Essas empresas preferiram adotar o sistema Google em vez de desenvolverem plataformas próprias, como fizeram Samsung, LG e Panasonic. Se foi ou não uma boa decisão, só saberemos mais tarde. Fato é que agora estão presas aos caprichos da gigante de buscas.

globoplayOutra forma de ver as coisas é pensar que a Globo, por exemplo, está ampliando o acesso a seus programas através do aplicativo Globo Play, atitude já adotada por várias grandes redes de televisão em outros países. Portanto, essa nova modalidade de televisor faz muito sentido. Como diria o astronauta, é só um primeiro passo para a televisão que teremos no futuro. Mas, que passo!

Final da Euro, também em 4K

A Globosat confirmou hoje que a decisão da UEFA Euro, domingo, entre França e Portugal, será transmitida ao vivo em resolução 4K. O sinal será gerado via internet para quem baixar o aplicativo Globosat Play 4K e tiver uma boa conexão de banda larga (pelo menos 30Mbps reais). As imagens poderão ser vistas em TVs das marcas Samsung, Sony e LG. No caso das duas primeiras, precisam ser modelos lançados a partir de 2014; para TVs LG 4K, há uma “pegadinha”: baixa-se o app Globosat 4K Live (diferente do Play 4K); e o TV deve ter o sistema operacional WebOS nas versões 2.0 ou 3.0.

Automação: quem sabe o que é?

Menos de 30% dos usuários que têm banda larga em casa sabem onde encontrar produtos de automação residencial. A pesquisa foi feita nos EUA pela empresa Parks Associates, que acrescenta: aumentou de 22% para 36% a proporção dos que desejam esse tipo de produto. Por lá, calcula-se em 9% as residências que já possuem, por exemplo, sistemas de iluminação inteligente (lembrando: o universo é o dos que possuem banda larga).

No Brasil, claro, não há estatísticas do gênero. Mas, como no mercado americano, as principais marcas de automação não estão entre as mais conhecidas pelo consumidor, mesmo o de classe A/B. Este, em geral, associa o tema com internet e marcas como Google, Apple e Microsoft. E, quando pensam em comprar, buscam uma loja do tipo C&C ou Leroy Merlin, não uma especializada em tecnologia.

O que fazer para mudar isso? Segundo a Parks, só existe uma forma: os fabricantes têm que aparecer mais e explicar claramente os benefícios da automação, que não são poucos.

Olimpíada, também em realidade virtual

<> on September 3, 2014 in New York City.

Mais uma notícia que combina tecnologia e esportes. Segundo o site especializado BT Report, a rede americana NBC fechou acordo com a Samsung para gravar partes dos Jogos Olímpicos do Rio em VR (realidade virtual, ou “realidade aumentada”). Serão, ao todo, 85 horas de conteúdo registrado nesse formato, que só poderá ser visto através do receptor Gear VR (foto); os interessados precisarão se cadastrar e obter a autenticação. Entre as competições transmitidas em VR estão jogos de basquete, ginástica, atletismo e boxe, além das cerimônias de abertura e encerramento. Não serão transmissões ao vivo, provavelmente um dia de atraso, mas ainda assim essa pode ser considerada mais uma façanha tecnológica.

A tecnologia VR vem sendo muito comentada: será apenas moda passageira, ou tem futuro? Fabricantes como Sony, Samsung, HTC, Microsoft e Apple já lançaram, mas até agora seu uso tem sido restrito. As aplicações são inúmeras: medicina, educação, segurança, games, arquitetura, varejo. Talvez a Olimpíada ajude a fazer decolar, dependendo da qualidade da experiência.

Áudio sem fio com padrão high-end

Pode soar um sacrilégio para os audiófilos, mas é fato que até os fabricantes de equipamentos high-end estão se voltando para soluções sem fio. Marcas como Bose, B&W e Sennheiser já colocaram no mercado internacional, por exemplo, fones de ouvido wireless, como desempenho que nada fica devendo aos convencionais. E a francesa Devialet causou enorme impacto no ano passado, com o lançamento do Phantom, primeiro sistema de áudio portátil sem fio dessa categoria (vejam aqui o teste que fizemos).

sonusPelo visto, esses e outros fabricantes não vão ficar nisso.  Semana passada, a italiana Fine Sounds – dona de marcas como McIntosh e Acoustic Research – apresentou o aparelho ao lado: um “sistema” de áudio sem fio que leva uma marca respeitadíssima (Sf16s, de Sonus Faber). O design é propositalmente anos 50, mas a peça traz cinco falantes e funciona em redes Wi-Fi, só que com processamento Play-Fi (da DTS) para áudio de alta resolução.

Claro, nada dessas coisas custa barato. O preço sugerido do Sf16s, que terá série limitada (apenas 200 unidades por ano), é de aproximadamente 10.000 euros.

As empresas mais inteligentes do mundo

Innovation-ball-IISaiu uma das listas mais aguardadas de todo ano: as 50 empresas mais inteligentes (smart) do mundo, segundo a publicação Technology Review, mantida pelo MIT (Massachussets Institute of Technology). Vale a pena ver porque indica para onde sopram os ventos da inovação. Pode até ser que, daqui a anos, algumas delas nem estejam mais por aí, mas é fato que se aperfeiçoaram em inovar e, com isso, conquistar mais clientes. Alguns comentários sobre elas:

*Amazon lidera a lista, da qual não faz parte a Apple (16colocada em 2015). Há explicações e especulações. A empresa de Cupertino já não consegue inovar na mesma velocidade de antes, diz o site da Forbes. Além disso, perdeu espaço na China, onde praticamente foi proibida pelo governo.

*Já a Amazon, além de ser há cerca de 15 anos o site de compras mais acessado do mundo (o que exige inovar sempre…), tornou-se referência também como central de armazenamento de dados para corporações. Nos últimos dois anos, ganhou milhares de pequenos clientes corporativos ao redor do mundo. E criou um sistema de entregas por drones que, para muitos, é o futuro do e-commerce.

*Na lista das 50 smart, seguem-se Baidu, gigante chinesa de buscas; Ilumina, maior do mundo na área de sequenciamento de DNA; Tesla Motors, dos carros e baterias elétricos; Aquion (armazenamento de energia); Mobileye (sistemas inteligentes para segurança de veículos); 23andMe (quase faliu, mas conseguiu se recuperar graças a um ousado marketing direto: vende testes de DNA ao consumidor final); Alphabet, criada pela Google em 2015 para promover pesquisas sobre novas tecnologias; Spark Therapeuticals, espécie de consórcio entre laboratórios para desenvolver soluções em terapia genética; e a chinesa Huawei (10colocada), gigante das redes digitais.

Netflix, também na TV paga?

A Comcast, maior operadora de TV paga dos EUA, anunciou mais um serviço no mínimo polêmico. Seus assinantes poderão acessar diretamente o Netflix, no mesmo menu onde hoje acessam centenas de canais. As duas empresas vinham negociando há anos, segundo The Wall Street Journal, e agora chegaram a um acordo para a próxima geração de receptores da Comcast, chamada X1 (a mesma que comentamos aqui anteontem).

Talvez não pareça grande coisa à primeira vista, mas a realidade é que o Netflix cresce no mundo inteiro, menos no mercado americano. O acordo com a Comcast lhe dará acesso a cerca de 60 milhões de usuários; muitos, talvez, já tenham o hábito de entrar no Netflix, mas ainda assim são duas concorrentes que se unem.

Esporte move a indústria de TV

A um mês da Olimpíada Rio 2016, o mercado de televisão – emissoras, operadoras, produtoras, provedores de vídeo online – analisa com carinho o impacto do esporte no setor. Comentamos dias atrás sobre a iniciativa da Globosat, junto com NET/Claro, de transmitir o evento em 4K (vejam os detalhes), mas o fenômeno é muito mais amplo.

DisplayPort-ridDurante a Euro 2016, que termina esta semana na França, uma experiência está sendo coordenada pelo IBC (International Broadcast Center), que centraliza em Paris a cobertura do torneio. O sinal vindo dos estádios é enviado em 4K, via fibra óptica, ao IBC e ali convertido para exibição em monitores que utilizam o conector DisplayPort, em vez do HDMI. A diferença não é banal: esse conector é de código aberto e, portanto, não são pagos royalties a nenhum consórcio, ao contrário do que se exige no HDMI.

A médio e longo prazo, significa a possibilidade de se transmitir conteúdos 4K em larga escala, a custo mais baixo (detalhes, no site Display Daily). Não sabemos se isso será feito também na Olimpíada, mas é fato que um evento desse porte é uma enorme oportunidade. Na semana passada, durante a feira e congresso da ABTA, em SP, circulamos uma edição especial da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL dedicada ao evento, e um dos destaques foi justamente a força dos conteúdos esportivos para mover o mercado de TV (aberta e fechada).

Sobre a Olimpíada: com todos os problemas de organização e segurança que estamos vendo, do ponto de vista tecnológico o evento tem tudo para ser um novo paradigma. Serão milhares de horas de conteúdo produzido, a maior parte em HD, com 22 canais de TV paga e dezenas de canais online (só da Globosat, 40) transmitindo diversas competições ao vivo, simultaneamente. Haverá ao todo 306 provas, de 42 modalidades, em 37 locais diferentes. Os sinais serão transmitidos do Rio para 206 países, com audiência estimada em 2 bilhões de pessoas, muitas das quais não estarão vendo pela TV, mas em dispositivos móveis.

Segundo a Globo, a rede de fibra óptica utilizada chega a incríveis 370km; cabos submarinos levarão o sinal 8K ao Japão (sempre é bom lembrar: tudo isso é um “ensaio” para os japoneses, que farão a Olimpíada de 2020). Apenas na cidade do Rio de Janeiro, estará funcionando uma rede Wi-Fi com 8 mil pontos de acesso, para atender turistas, atletas, delegações, profissionais que trabalhem nos Jogos, jornalistas e, claro, o público em geral entre 5 e 21 de agosto.

Nos próximos dias, falaremos mais sobre “esporte na TV”, e o que esse tipo de conteúdo produz atualmente, no mundo inteiro, em termos de dinheiro, empregos, audiência e disputas políticas.