CES, uma senhora de 50 anos

A próxima edição da CES, em janeiro, vai marcar os 50 anos do evento, que começou em 1967. Anos atrás, montamos um hot site especial (que pode ser visto aqui) para contar essa história, cheia de curiosidades e de fatos marcantes para quem gosta de tecnologia. No primeiro ano, foram registrados 17.500 visitantes, mais ou menos 10% do que se tem atualmente. A CES foi palco para lançamento de preciosidades como o videocassete (1975), o Laserdisc (1979), CD (1982), DVD (1996), Blu-ray (2002) e praticamente todas as inovações que não foram criadas pela Apple (a empresa se recusa a participar).

Para festejar a data, a CTA (Consumer Technology Association) planeja o “maior evento de todos os tempos”, com 3.800 expositores espalhados por quatro pavilhões, além de suítes de três grandes hotéis de Las Vegas. Fotos e vídeos das 49 edições anteriores serão exibidas pelos corredores, e cada visitante poderá circular com botons indicando quantas vezes já esteve na Feira. Será também produzido um documentário especial contando a história da CES, a ser exibido a partir de junho.

Quem tem planos de ir já pode se preparar neste link. Ou ver este vídeo.

Banda larga ultra rápida? Nem tanto…

Após fazer muito barulho no lançamento, dois anos atrás, a Google decidiu suspender os investimentos em seu projeto Fiber, que prometia oferecer banda larga ultra rápida. Na semana passada, o blog oficial da empresa anunciou uma “pausa” nas operações, embora garantindo que o serviço continuará nas 12 cidades americanas onde já está implantado (ou em vias de).

Não há muitas explicações, mas sites especializados comentam que as pressões dos investidores têm aumentado. A Google Inc. instituiu o hábito de criar empresas para desenvolver projetos futuristas, como é o Fiber, sem muita preocupação com o retorno financeiro de curto prazo. Mas parece que agora não é mais assim. Há necessidade de mostrar aos donos do dinheiro que a empresa não joga dinheiro fora!

No ano passado, o grupo promoveu uma reestruturação exatamente com esse objetivo. A parte lucrativa – buscas e publicidade, mais o YouTube – ficou de um lado, e todas as startups foram agrupadas num segundo bloco, sob controle de uma holding chamada Alphabet. Estão nesse guarda-chuva a Nest (automação), Google Glass (realidade virtual), Calico (tecnologias para saúde), Google Ventures (investimentos em outras empresas) e o cultuado X Lab, que se dedica a pesquisas em novas tecnologias.

Segundo o jornal The Washington Post, a maioria desses negócios dá prejuízo, porque – na visão mais pessimista – “produzem coisas que ninguém quer comprar”. No caso do projeto Fiber, chamou a atenção dos especialistas quando a empresa anunciou que construiria redes de 1 Gigabit por segundo, o que significa 40 vezes mais que a do Netflix, hoje a mais rápida do planeta. Montou a primeira delas na cidade de Kansas City, seguiu para outras cidades, mas o fato é que foi um trabalho ocioso – talvez audacioso demais, ou no mínimo precipitado.

Além da estrutura física, à base de fibra, há um custo alto para convencer as famílias a adotarem o Fiber e abrir mão dos serviços tradicionais de banda larga. Para seduzi-los, a empresa começou a oferecer seu próprio de TV, com HBO, ESPN etc., tendo assim que pagar os respectivos direitos. Além de tudo isso, está tendo que brigar na Justiça contra operadoras como AT&T e Comcast, que são donas dos pontos de acesso.

Assim, nem o Google aguenta.

Tecnologia, até na hora do sono

bedroomVem aí mais uma edição da CES, a feira de tecnologia mais importante do mundo, e desta vez será especial mesmo. O evento foi lançado em 1967 e, portanto, completa 50 anos em 2017. Estão sendo preparadas diversas comemorações, das quais falaremos nas próximas semanas. E, como vem acontecendo já há alguns anos, a CTA (Consumer Technology Association) continua ampliando a área de exposição para atrair novos segmentos de mercado.

Essa estratégia é interessante, por um lado, pois consolida a CES como aquilo que seus criadores sonharam lá atrás: um show de inovação. Não se trata mais, apenas, de áudio e vídeo, mas de tudo que interessa aos usuários de tecnologia: games, IoT, drones, internet, comunicação, brinquedos, saúde/esportes e por aí vai. Para se ter ideia, criaram agora uma espécie de “pavilhão do sono”, ou Sleep Tech Marketplace, um espaço dedicado a produtos e serviços que têm a ver com esse saudável (e indispensável) hábito do ser humano.

“Nada mais adequado do que lançar essa ideia em Las Vegas, que é a cidade que nunca dorme”, comentou brincando o presidente da CTA, Gary Shapiro, ao anunciar a iniciativa. Pode até haver um ato falho nessa definição: Las Vegas é conhecida como “cidade do pecado” (sin city); a “que nunca dorme” é Nova York (como diz a velha canção de Frank Sinatra). Mas Shapiro se refere a um crescente mercado de tecnologia para cuidados com a saúde em geral, incluindo medidores de pressão e temperatura do corpo, controles de luz, camas e colchões especiais (como na foto), alarmes silenciosos, fones, revestimentos e um enorme etc.

É um setor tão expressivo que lá já existe uma National Sleep Foundation, naturalmente com lugar de destaque na CES 2017. “Lidamos com todas as tecnologias que podem ajudar as pessoas a dormir melhor e, portanto, ter uma vida mais saudável”, diz o presidente da entidade, David Cloud. Se depender dele, ninguém irá dormir no evento, com tanta novidade para se ver, ainda mais sendo em Las Vegas.

Mercado americano e a dança das mídias

Quase ao mesmo tempo, duas notícias com impacto direto nos mercados de mídia e entretenimento americanos e, portanto, mundiais. Na 6a feira, foi confirmada a venda do grupo Time Warner à AT&T, operadora de telecom que já detém o controle da DirecTV (TV paga). E, no fim de semana, The Wall Street Journal – que dificilmente erra nessas coisas – deu um furo mundial ao anunciar um acordo entre  a rede de TV CBS e a Google Inc., que está criando um serviço pago de streaming para distribuir conteúdos das emissoras (negocia ainda com NBC, ABC e Fox).

São iniciativas que vão demorar para ter efeito prático. A primeira, inclusive, pode ser desfeita pela FCC (a Anatel dos EUA), porque há dúvidas sobre se um grupo de telecom (no caso, AT&T) pode controlar uma produtora de conteúdo. No ano passado, o órgão vetou a venda da TW à Comcast; a legislação do país não é específica sobre esse tipo de negócio, e a decisão será, antes de tudo, política. De qualquer modo, os dois acordos podem ser enquadrados na verdadeira revolução que atinge o segmento de mídia no mundo inteiro.

Como bem lembrou o colega Renato Cruz, em seu blog sobre tecnologia, as emissoras vêm continuamente perdendo audiência, enquanto as teles, só em 2015, tiveram queda de 8% no faturamento com chamadas de voz (no caso de celular, o tombo foi de 50% – salve Whatsapp). Recentemente, a Yahoo!, ícone da internet pré-Google, foi comprada pela Verizon, outra tele gigante. Ou seja, operadoras querem deter o controle do conteúdo, hoje de posse das emissoras, que precisam exibir essa produção a mais pessoas, que por sua vez se afastam da grade linear e mergulham na internet. Tudo faz sentido.

Só para ficar mais claro: a Time Warner é dona de Warner (cinema e TV), Turner (CNN, Cartoon, TNT e, no Brasil, Esporte Interativo) e HBO. Entre as maiores teles, destacam-se:

AT&T – Ainda a maior do mundo, em faturamento;

Verizon – Maior dos EUA em celular;

Comcast – Dona da NBCUniversal e da AOL.

Em tempo: outro brilhante colega, Samuel Possebon, analisou a venda da Time Warner sob o ponto de vista brasileiro. Afinal, a AT&T controla a Sky, que pertence à DirecTV. Mas aqui, diz ele, dificilmente negócios como esses irão sair tão cedo, porque a legislação protege mais as emissoras (leiam seu artigo).

Caixa acústica ou luminária de led?

sony-glass-sound-speaker-02Oito anos depois, a Sony está lançando em alguns países (não no Brasil) um produto que deve atrair muita atenção. Na verdade, é uma adaptação da ideia original, que vimos no Japão em 2008, ainda como protótipo. Chamava-se Sountina (vejam o post da época) e seu preço internacional era estimado em 10 mil dólares!!!

Agora, por US$ 800, ainda é um produto caro. Mudou de nome, tamanho e de conceito. Chama-se Glass Sound Speaker e é, literalmente, de mesa – como se vê na foto (a original tinha mais de 2m de altura). O som não é lá grande coisa, como espinafrou o rigoroso site Consumer Report, mas em compensação a caixa foi adotada até pelo MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York) como “símbolo” do novo design de eletrônicos.

Basicamente, é um cilindro de vidro finíssimo montado sobre estrutura metálica, com um tweeter no topo e um woofer na base. Dentro, há um filete de leds imitando uma lâmpada incandescente, o que sem dúvida dá um belo efeito visual. Este vídeo mostra em detalhes.

Empresa de games compra a THX

Nesta segunda-feira, foi confirmada a venda da THX – uma das marcas de maior prestígio no mundo de áudio/vídeo – para a Razer, emergente desenvolvedora de games e periféricos para computador. Não foram revelados detalhes financeiros, mas o site especializado Twice informou que as duas empresas continuarão funcionando em separado, apesar da possibilidade de lançarem produtos em conjunto.

A THX planeja expandir sua oferta de certificações para vídeo e internet, além de lançar programas para fabricantes de fones, caixas acústicas sem fio, receptores de TV digital e realidade virtual. Esta última área foi destacada pelo CEO da empresa, Ty Ahmad-Taylor. “Os games estão evoluindo para isso, e queremos sempre proporcionar a melhor experiência audiovisual”, disse ele, ao explicar o acordo com a Razer.

O fundador e presidente da Razer é Min-Liang Tan, 38 anos, nascido em Singapura e recentemente votado entre os dez líderes mais influentes do mundo em tecnologia. Fundou a empresa na Califórnia há pouco mais de dez anos e ficou bilionário. THX, fundada pelo cineasta George Lucas em 1983, é mais uma marca tradicional que se rende ao mundo digital.

Netflix tem que refazer as contas

Pego aqui carona no Gizmodo Brasil para analisar melhor o fenômeno Netflix. Na semana passada, o site publicou uma lista de filmes considerados clássicos que ainda estão disponíveis no serviço – “ainda”, porque podem ser retirados do catálogo a qualquer momento, a  julgar pelo que a empresa tem feito no mercado americano. A oferta teria sido reduzida pela metade, sendo que apenas 31 filmes do ranking Top 250 do IMDB (bíblia digital do cinema) continuam sendo oferecidos por lá.

Como se sabe, filmes não são o forte do Netflix; o que mais impressiona no serviço é a quantidade de séries de TV, cujas temporadas podem ser assistidas inteiras, ou cada episódio avulso, com dois ou três cliques, a um custo mensal bem razoável. A estratégia da empresa é investir cada vez mais em séries originais, como Narcos e House of Cards, evitando os draconianos contratos para compra de direitos junto aos estúdios de cinema.

O problema é que, para isso, há necessidade de muito, muito dinheiro. Meses atrás, o site The Richest publicou uma lista das dez séries mais caras do Netflix: a campeã seria Sense8, com custo de US$ 100 milhões por temporada; Narcos até que fica barato: US$ 25 milhões a cada ano (recentemente, a empresa anunciou que está produzindo mais duas temporadas de Narcos, com direção do mesmo José Padilha, mas sem Wagner Moura). Somando o orçamento das dez produções, teríamos um gasto anual de US$ 480 milhões!!!

Vários analistas financeiros, especialmente nos EUA, já apontaram que a Netflix é deficitária (este é um deles), o que é difícil de confirmar. Apesar de seus cerca de 80 milhões de assinantes mundo afora, que pagam em média 15 dólares por mês, os custos para manter a rede funcionando com agilidade o tempo todo são elevadíssimos. Já explicamos parte da história aqui, aqui e aqui.

Essa é provavelmente – fora a questão dos direitos – a principal razão para diminuir o número de filmes, dando prioridade às séries exclusivas.

OLED agora também vem da Turquia

vestel_oled_2Certas pessoas resistem a aceitar a globalização como algo inevitável. Seria uma “trama do capitalismo”, destinada a fortalecer ainda mais os países ricos e, claro, sufocar os pobres de todo o mundo. Deixando de lado o simplismo de tal explicação, certos fatos que encontramos no dia a dia do mundo tecnológico dão o que pensar. Como este: começam a ser vendidos em alguns países da Europa TVs sofisticadíssimos produzidos na Turquia!

Isso mesmo. Duas empresas do país – Vestel e Arcelik -, que até agora só atuavam localmente, começaram a distribuir seus aparelhos em outros países. Também fornecem para outras marcas, em regime de OEM, uma delas sendo simplesmente a Philips, tão conhecida de todos. Na última IFA, realizada em setembro, a alemã Grundig exibiu seus primeiros TVs OLED, fornecidos pela Arcelik, mais famosa por seus eletrodomésticos, que por sua vez também participou do evento com estande próprio (detalhes aqui).

Já a Vestel é hoje a maior fabricante europeia de TVs e participa todos os anos da IFA. Segundo o site OLED-Info, as duas empresas turcas estão entrando forte no segmento OLED, aquele mesmo onde gigantes como Sony e Samsung não querem entrar. O segredo aí é associar-se aos melhores parceiros na produção dos painéis orgânicos, cuja fabricação é muito complexa. Aliás, na IFA também foram demonstrados TVs OLED de outras marcas, como a coreana LG, a alemã Loewe, a chinesa Skyworth e a japonesa Panasonic, além da própria Philips.

O mesmo site informa que a Foxconn, gigante chinesa que acaba de assumir o controle da Sharp, irá investir cerca de US$ 1,8 bilhão na produção de painéis OLED, tanto para TVs quanto para abastecer seu maior cliente, uma tal de Apple.

Bem, se tudo isso acontecer mesmo, o mercado será bem agitado nos próximos anos. É a tal globalização!

50 anos de áudio high-end

p9-productO excelente site Society of Sound, mantido pela Bowers & Wilkins e fonte contínua de boas gravações musicais, mostrou na semana passada o lançamento do P9 Signature (foto), fone de ouvido que a marca britânica escolheu para comemorar seus 50 anos de vida. Não é – nem poderia ser – um produto comum. Por isso, vale a pena comentar aqui. Começa com uma construção inovadora, em alumínio; os dois lados são desacoplados, o que resulta em menos vibrações, e os drivers são angulados de forma a colocar a música à frente da cabeça, e não nas laterais como estamos acostumados. E o acabamento é em couro italiano Saffiano, com uma técnica especial de aplicação, mesmo material utilizado no case de transporte.

Na verdade, o “produto de aniversário” oficial da B&W havia sido lançado em julho: é a caixa acústica 3D, novo exemplar da série 800 (no Brasil, a distribuição oficial é da Som Maior). O evento está merecendo uma série de comemorações este ano, inclusive o lançamento de um livro capa-dura contando toda a história, que começou em 1966, quando John Bowers começou a fabricar caixas na cidade de Worthing, sul da Inglaterra. Bowers faleceu em 1987, mas sua filosofia de trabalho é seguida até hoje.

Recentemente, como divulgamos aqui, a B&W foi adquirida pela Eva Automation, da Califórnia, que provavelmente irá aproveitar o enorme know-how dos ingleses para crescer no segmento de caixas sem fio.

Samsung e a questão das baterias

bateria

 

 

 

O estrago provocado pelos defeitos nos smartphones Galaxy ainda precisará ser medido. Nesta sexta-feira, a Samsung divulgou que estima prejuízos da ordem de US$ 5,3 bilhões, mas esse valor pode ser maior diante das repercussões. O Departamento de Transportes dos EUA decidiu que, a partir do sábado 15, será proibido usar os modelos Galaxy Note 7 em todos os vôos dentro do país. Por lá, a própria Samsung já iniciou uma campanha de fidelização de seus clientes, que inclui o pagamento de 75 dólares a cada um que aceite trocar o Note 7 por outro da mesma marca.

A maioria dos especialistas concordou com as explicações iniciais da empresa, de que o problema estava na bateria do Note 7. Só que os primeiros aparelhos que explodiram utilizavam baterias fabricadas pela própria Samsung, através de sua subsidiária SDI. Estranhamente, após o recall, usuários que trocaram seus smartphones defeituosos voltaram a registrar estampidos e até fumaça nos modelos novos. Nestes casos, as baterias eram da fornecedora chinesa Amperex (mais detalhes aqui).

Ou seja, há boas chances das baterias serem inocentes e haver outro tipo de defeito. Uma equipe de engenheiros da empresa foi destacada para identificar as causas das explosões, mas até a tarde desta sexta-feira não havia tido sucesso. A possibilidade de sabotagem não está descartada.

Outro site especializado, o ZD Net, mostra que as baterias usadas em quase todos os smartphones (não só da Samsung) são do tipo lithium-íon, em que as cargas elétricas circulam através de um líquido volátil e altamente inflamável. A solução apontada é trocá-las por baterias solid-state, em que a energia é transmitida de forma mais estável. Imagina-se que todos os fabricantes devam estar agora pensando em algo assim.

Mercado de TVs 4K cresce, mas…

Em seu tradicional estudo sobre o mercado mundial de TVs, a consultoria britânica IHS indica que o segmento Ultra HD (4K) vai continuar crescendo, mas com algumas ressalvas. A previsão é saltar de 55 milhões de unidades vendidas este ano para 112 milhões em 2020, quando 100% dos modelos acima de 50″ serão 4K. Só que isso acontecerá às custas da queda de preços, resultando em faturamento menor para os fabricantes.

Claro, o consumidor não tem nada a ver com isso. Mas é com esse tipo de previsão que as indústrias planejam seus negócios. Exemplo: a pesquisa TV Sets Market Tracker, da IHS, diz que grande parte dos TVs 4K não será compatível com a codificação HDR, principal avanço tecnológico dos últimos anos. Como já comentamos aqui, somente os modelos top de linha conseguem reproduzir esse tipo de sinal, que é encontrado ainda em poucas gravações do Netflix. Algumas séries da Globo também são gravadas em HDR, mas o aplicativo Globo Play ainda não está plenamente desenvolvido.

Paul Gagnon, diretor da IHS, acha que falta muito para que o consumidor perceba os reais benefícios do HDR; no Brasil, podemos dizer que mesmo o 4K ainda não foi assimilado. Os próprios fabricantes parecem confusos ao divulgar esses avanços. Devido à diferença de custos de fabricação, criaram categorias diferentes de TVs 4K (com e sem HDR), nem sempre deixando isso claro para os usuários. Agora, se fala até em dois tipos diferentes de HDR!!!

Como explicar tudo isso na prática?

Governo não sabe o que fazer com a Oi

O governo federal montou um “grupo de trabalho” para analisar a situação da Oi, que deve mais de R$ 65 bilhões na praça e entrou na Justiça com pedido de recuperação judicial. Do grupo, fazem parte representantes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, todos credores da empresa, além da Anatel e da Advocacia Geral da União, já que a Oi também tem altas dívidas em tributos e multas relacionadas à má prestação de serviços.

Em paralelo, outro grupo dentro do governo discute com possíveis interessados em comprar a operadora. Os dois principais candidatos, hoje, são o fundo Societé Generale, do empresário Nelson Tanure, a portuguesa Pharol (herdeira da Portugal Telecom), que hoje detém parte das ações da Oi, e o investidor egípcio Naguib Sawiris, dono da maior operadora da África (Orascom) e ligado ao investidor Naji Nahas, que por sua vez é amigo pessoal do presidente Michel Temer.

A lista de credores da Oi é tão extensa (vai de Itaú e Citibank até pessoas físicas que algum dia compraram ações) que é praticamente impossível chegar-se a um acordo em que todos saiam satisfeitos. E, embora o governo diga o contrário, também não se vê como surja uma solução sem colocar mais dinheiro público. O novo presidente da Anatel, Juarez Quadros, propõe um plano imediato para intervenção na empresa, mas ainda não tem apoio no restante do governo.

Samsung pode acabar com a linha Galaxy

Têm sido agitadas as últimas semanas na Samsung. No mundo inteiro. Depois da bomba (literalmente) que foi a notícia de smartphones que explodem, a empresa vive um verdadeiro inferno astral. E, sendo uma das gigantes do mundo digital, tudo que se relaciona a seus produtos acaba repercutindo mais, e muito rápido.

Nesta segunda-feira, a Samsung pediu oficialmente aos usuários que desliguem seus aparelhos Galaxy Note 7, devido ao risco de explosão, cuja causa até agora não foi explicada. Para complicar, hoje (3a) divulgou em comunicado que irá descontinuar a produção desse modelo. Mas talvez nem isso seja suficiente: os prejuízos são tão grandes que já se fala em simplesmente eliminar a marca Galaxy, um dos maiores sucessos dos últimos anos.

Vale lembrar que duas semanas atrás saíram notícias sobre explosões também de máquinas de lavar da marca coreana, ou seja, o problema não é exatamente com as baterias dos celulares.

Em meio à queda nos valor das ações (fora os danos à marca), cabeças devem estar rolando nos corredores da empresa, especialmente nos países que já registraram incidentes, como EUA, Austrália e China. A ira dos usuários pode ser constatada nas redes sociais, e é algo que nenhum SAC é capaz de gerenciar. O Galaxy 7 foi lançado há cerca de dois meses, configurando o caso mais grave de defeito de fabricação na história da indústria eletrônica.

Seria o caso de perguntar o que é pior neste momento: ser usuário de um smartphone Samsung, ou ser executivo da empresa?

Reviravolta na Telefônica

Com certeza, é uma das notícias mais surpreendentes da temporada: neste fim de semana, o grupo Telefônica anunciou a saída de Amos Genish, presidente da empresa no Brasil e que comandou o processo de fusão entre Vivo e GNT. Será substituído a partir de janeiro por Eduardo Navarro, executivo que fez carreira no grupo. O próprio Genish anunciou a decisão nesta segunda-feira em conferência com analistas de mercado, dando a entender que tudo estava planejado, mas não é o que se comenta nos bastidores.

Fundador da GVT em 1999, ele articulou a compra da empresa pelo grupo francês Vivendi e, depois (2014), sua venda aos espanhóis; estes o convidaram então para comandar a operação brasileira, que abrange telefonia (fixa e celular), banda larga e TV por assinatura. Fica impossível não relacionar sua saída à crise que se instaurou na Telefônica/Vivo em junho último, quando a diretora de Marketing Cris Duclós foi afastada em meio a denúncias de desvio de dinheiro (ela está processando a empresa).

Por cláusula contratual, Genish não pode agora trabalhar em outra empresa do setor de telecom (permanecerá no Grupo, como presidente de um “Comitê de Estratégia”). Mas garante que não iria mesmo para um concorrente: quer “investir em novos desafios”. Estranho, para alguém com tantos poderes e que acaba de trocar toda a diretoria do grupo. Seu maior desafio seria fazer a Vivo dar certo.

Mais canais nos TVs smart

Gradativamente, os canais de TV por assinatura – que por definição são pagos – vão se espalhando pelas novas mídias (gratuitas). Assim como comentamos ontem sobre a expansão mundial do Netflix, no Brasil alguns dos principais programadores procuram ocupar espaços no universo digital. Globosat é um dos mais ativos nessa estratégia. Agora, proprietários de TVs smart da LG também podem acessar conteúdos do Telecine Play pela plataforma WebOS, exclusiva dessa marca. Pelo app, pode-se assistir a filmes de grandes estúdios com áudio original, e sem custo extra. A conferir qual será o cardápio.

A mesma Globosat já oferece seu app para TVs smart, de várias marcas, além do Globosat 4K, que por enquanto tem poucos conteúdos. Através deles, é possível assistir a boa parte dos programas já exibidos em canais como Globo News, SporTV e Multishow – cada um com seu “canal dentro do app”. Outras programadoras – como Turner e HBO – lançaram aplicativos próprios, que podem ser baixados em qualquer dispositivo, inclusive TVs. No fundo, todas querem expandir seu alcance, atingindo públicos que não necessariamente estão diante de um TV ou têm uma assinatura.

No limite, essa prática significa “independência” do usuário em relação aos pacotes das operadoras, isto é, aquele usuário que não faz questão de assistir a programas ao vivo. No mercado americano, esse conflito – que lá foi apelidado de cord cutting – já se estabeleceu, como já explicamos neste artigo, até porque a oferta de serviços de TV online é muito maior (Netflix, Amazon, Hulu etc). Aqui, a força das operadoras ainda parece imbatível.

Netflix abre as asas sobre a TV

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O acordo anunciado na semana passada entre a Netflix e a Liberty Global, um dos maiores grupos de televisão do mundo, não é propriamente uma surpresa. Três semanas atrás, o serviço de internet havia fechado parceria com a Comcast, maior empresa do setor nos EUA, e a partir deste mês entra em vigor o contrato firmado com a Walt Disney em 2012: somente através do Netflix será possível aos americanos assistir às produções dos estúdios Disney, Marvel, Lucasfilm e Pixar, pertencentes ao grupo.

Somando tudo, não é pouca coisa. Já houve notícias de que Reed Hastings, fundador e CEO da Netflix, iria assumir a presidência da própria Disney, mas talvez sejam exageros. Fato é que sua empresa parece mesmo decidida a se expandir. Informa o site Investopedia, especializado em finanças, que após atingir a saturação em seu próprio país, com mais de 50 milhões de assinantes, Hastings montou um plano de ampliação feroz para cobrir nada menos do que 180 países; além disso, está investindo cada vez mais em produções próprias, e que tenham apelo multi-região, incluindo elenco não americano, como Narcos (que já tem mais duas temporadas sendo rodadas) e Sense8.

Porém, e sempre existe um porém, o mesmo site lembra que as ações da Netflix continuam sendo um problema. A queda este ano foi de 15%, e o número de assinantes adicionados ficou em 1,5 milhão (contra 2 milhões previstos em balanço). Manter uma operação global desse porte custa muito, muito caro; e produzir séries do mesmo nível de Narcos e Marco Polo, também. O crescimento mundial do serviço depende fundamentalmente da expansão das redes de banda larga, que é complicada em muitos países, e também da mudança nas normas de regulação (exemplo: como ficará a Europa em função do Brexit).

Mas, pelo menos, apetite não falta!

TVs: mais testes exclusivos

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Para quem ainda viu, um lembrete: a edição de setembro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL traz os detalhes do teste exclusivo que nossa equipe fez durante os Jogos Olímpicos, avaliando as transmissões do SporTV em 4K. Recebemos um decoder especial, instalado pela NET, para acessar o canal 804, que transmitiu as duas cerimônias (abertura e encerramento) e algumas competições em 4K HDR. Foi uma oportunidade única, pois não se sabe quando haverá outras transmissões desse tipo. Deu para perceber que os níveis de brilho e contraste são mesmo excepcionais (este vídeo mostra um pouco do trabalho).

Nos testes, utilizamos dois TVs compatíveis com 4K HDR: Panasonic DX900B e Samsung KS9000, ambos de 65″. Aproveitando, estamos publicando também na edição de setembro o teste completo do TV Panasonic (aqui, um vídeo apresentando o produto). Aliás, os dois aparelhos estão certamente entre os melhores da atualidade (o teste do Samsung sai na edição de outubro).

E, completando o serviço, montamos um quadro comparativo das quatro marcas de TVs 4K mais avançadas (as outras duas são LG e Sony) e suas respectivas características. Certamente será útil para quem está pensando num upgrade de TVs neste final de ano.

Para ver a versão digital da revista, é só entrar aqui. E fazendo o download do aplicativo, que é grátis, é possível ainda acessar edições anteriores.

Indústria pressiona o governo Temer

Reportagem da Folha de São Paulo na última sexta-feira revela que os fabricantes de aparelhos eletrônicos e as operadoras de telefonia estão pressionando o governo federal a acabar com a obrigatoriedade do software Ginga instalado nos TVs produzidos no país. O excelente repórter Julio Wiziack apurou que a Eletros – entidade do setor – enviou carta a ministros pedindo o fim da exigência, que começou em 2012. Na época, comentamos aqui a polêmica e a inocuidade da medida: na era da internet, não faz sentido embutir um software nos TVs, pois qualquer pessoa tem acesso a aplicativos conforme suas necessidades.

Pode parecer detalhe, mas essa questão envolve bilhões de reais. O Ginga é obrigatório nos receptores de TV digital que terão de ser distribuídos gratuitamente às famílias de baixa renda, conforme o cronograma de switch-off da TV analógica (detalhes aqui). E a tarefa de distribuí-los é das operadoras de telefonia celular, que irão herdar as atuais frequências de UHF, leiloadas em 2014. Cabe a elas investir nisso e repassar os aparelhos aos usuários que não tenham condições financeiras de adquirir um TV digital. A conta, diz o jornal, seria de R$ 2,2 bilhões.

Os governos Lula e Dilma fingiram o tempo todo que queriam adotar o Ginga, para não desagradar empresas de software e setores das universidades interessados. Até que não seria má ideia. O governo poderia criar serviços mais do que bem-vindos, em áreas como previdência, FGTS, agendamento de consultas no SUS, ações trabalhistas etc. Só que, para isso, seria necessário adotar o Ginga em todos os órgãos públicos e integrar seus sistemas, o que demanda altos investimentos. Além disso, boa parte dos serviços já é acessível hoje via celular, que é um meio de comunicação mais rápido e eficiente.

Como o governo Temer adotou a política de eliminar tudo que lembre o PT (vide o que está sendo feito na EBC), a indústria procura aproveitar a oportunidade para acabar com o Ginga; segundo o presidente da Eletros, o software encarece cada TV em R$ 50. Na verdade, o Ginga nunca existiu de verdade; já nasceu morto.

Projetores, na era do 4K

sim2-cinemaquattroNa próxima semana, acontece em Dallas a edição 2016 da CEDIA Expo, principal evento dedicado a integradores de sistemas residenciais. E uma das atrações prometidas é a disputa pelo mercado de projetores de alto padrão. “Disputa”, porque até agora a Sony estava praticamente sozinha no segmento de projetores 4K, com seus excelentes (e caros) modelos SXRD.

A novidade é a introdução do chip UHD da Texas Instruments, dona da patente DMD (Digital Mirror Device), usada nos projetores DLP. Sony e Epson estão entre os poucos grandes fabricantes que até hoje não aderiram a essa tecnologia, lançada nos anos 1990, preferindo se fixar no LCD; desde 2004, a Sony mantém no mercado também os SXRD, criados para competir com os DLP. Como é uma patente exclusiva, outros fabricantes não podem utilizar esse chip. Em 2015, foi lançado o primeiro SXRD 4K (vejam aqui).

Com o novo chip 4K DLP, abriu-se uma nova frente de mercado. Gigantes como Barco, Christie, DPI, Panasonic, BenQ e SIM2 agora também estão nesse segmento. Além de mais avançado, esse chip é mais barato que as versões anteriores, desenvolvidas para o segmento de cinema; permitem a produção até de projetores “populares”, na faixa de 1.000 dólares (preço americano); só como comparação, o mais recente SXRD da Sony é cotado em US$ 10.000.

Na CEDIA, será demonstrado também o Cinemaquattro, da italiana SIM2, com três chips DLP 4K e brilho especificado em 10.000 ANSI Lumens, mostrado na foto acima.