NET/Claro também entra na automação

Nos EUA, já se tornou comum as operadoras de telecom e TV paga oferecerem serviços adicionais aos assinantes. É uma tendência natural, já apontada por vários especialistas, considerando que essas prestadoras já estão “dentro” das residências. Fica muito mais fácil aproveitar a estrutura existente para agregar recursos de automação e segurança, por exemplo. Agora, a NET/Claro se torna a primeira no Brasil a lançar esquema semelhante, inicialmente apenas para clientes de São Paulo e Rio de Janeiro com bons planos de banda larga.

A operadora acaba de lançar o Smarthome, um pacote de serviços que pode ser expandido aos poucos, conforme o usuário e sua família descobrem as novas possibilidades. Conversei a respeito com Marcos Dyodi, diretor de marketing da empresa, que vem pesquisando esse segmento há anos, ele mesmo um entusiasta dessas inovações. “Já consigo monitorar o dia a dia do meu cachorro pelo celular”, cita ele, como exemplo. “Nossa ideia é desmistificar a tecnologia, mostrando ao cliente como ficou fácil acionar os recursos”.

Para entrar nessa área, a NET/Claro foi buscar a plataforma da americana alarm.com, que já atua no Brasil. Segundo Dyodi, a partir de um cadastramento prévio a operadora se encarrega de toda a instalação e configuração. O usuário pode escolher entre dois kits, sendo que o mais básico inclui central de controle, sensor de presença e sensor de porta ou janela; se quiser, pode solicitar mais sensores ou câmeras de segurança, pagando uma mensalidade (hoje, são R$ 99) adicionada à fatura normal de banda larga (NET Vírtua). Mais detalhes aqui.

Como dissemos, essa é uma tendência internacional. Nos EUA, por exemplo, as operadoras se apoiam nos serviços de empresas especializadas para prestar o atendimento na casa do assinante; e essa é uma possibilidade também aqui, já que os recursos de expansão (monitoramento, iluminação, controle de energia) praticamente não têm limites. Só a NET tem hoje cerca de 10 milhões de clientes, enquanto a Claro, com sua rede celular, atinge aproximadamente 50 milhões, segundo a consultoria Teleco.

Se 10% desse contingente se convencerem dos benefícios, já teremos um imenso mercado.

Walmart agora entrega de Uber

Será este um novo caminho para o varejo? Segundo o site americano Dallas News, a Walmart – maior rede varejista do planeta – está fazendo uma interessante experiência em algumas cidades: manda entregar as compras pelo Uber. O cliente pede pela internet e a loja mais próxima se encarrega do envio, em embalagem especial, cobrando uma taxa fixa de US$ 9,95. Só na região de Dallas, há 53 lojas da rede. Mas a ideia não é original: o esquema vem sendo usado por redes menores, que devem estar roubando clientes da gigante.

Na foto, um dos veículos utilizados. Se é para chamar atenção, difícil pensar em algo melhor, não?

Multimídia nas empresas, escolas e um longo etc.

 

Além da tecnologia usada na educação, que comentamos aqui na semana passada, a nova edição da revista BUSINESS TECH MULTIMÍDIA – que, aliás, está sendo distribuída no SET Expo – faz um interessante apanhado das inovações no segmento de Pro AV. E não apenas no Brasil: com base num levantamento feito pelo site americano Commercial Integrator, a edição mostra alguns dos projetores ganhadores do CI Integration Awards, prêmio mais respeitado da área atualmente.

Outros assuntos são as tendências apontadas na última InfoComm, realizada em junho nos EUA, como os novos dispositivos para colaboração audiovisual, de marcas como Crestron, Extron, Epson, BenQ, Leyard, Sony, Kramer e várias outras. Muitos deles já estão sendo usados no Brasil, mesmo com a crise econômica, o que comprova o dinamismo dessa indústria.

A versão digital da revista pode ser baixada gratuitamente aqui.

Tecnologia para os negócios da TV

Começou nesta 2a feira em São Paulo mais uma edição do SET Expo, Congresso e Feira da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão. Lá estão os maiores especialistas do país, e muitos estrangeiros, para discutir os rumos do segmento “televisão”. Hoje, mais do que nunca, esse setor do mercado está sendo analisado e até questionado. Como será a “TV do futuro”? Deixará de ter importância o papel das redes abertas? O que se pode esperar da TV por assinatura? Quando, afinal, teremos geração de sinal em resolução 4K? A internet vai mesmo predominar, ou ainda assistiremos ao surgimento de novas tecnologias que provoquem mais “revoluções”? E a interatividade? E o switch-off? E a segurança no tráfego de dados por vídeo?

Além de uma exposição com cerca de 400 marcas de equipamentos, a SET Expo atrai muitos produtores de conteúdo e desenvolvedores de software, categoria que hoje se mistura aos onipresentes ‘aplicativos’. E o Congresso da SET, já em sua edição #29, vai tentar responder todas as perguntas acima. Apenas para atiçar o aperitivo, eis aqui alguns dos tópicos da grade: TV por IP, Realidade Virtual, Games, Drones, HDR, Dolby Atmos, 8K, Big Data na TV, Internet das Coisas, Novos métodos para medição de audiência e… bem, vejam aqui a Programação.

Sportflix, esporte para os espertos

Nesta 6a. feira, a Globo divulgou oficialmente que não está negociando com a Sportflix, misteriosa marca mexicana que vem fazendo barulho na internet. Em notícia que se espalhou por vários sites e blogs, a maioria copiando o mesmo texto, a empresa anunciou uma revolução: pacotes de eventos esportivos internacionais com custo a partir de 20 dólares mensais (plano básico), sinal HD que pode (ou poderia?) ser acessado em qualquer dispositivo – e sem intervalos comerciais. Em destaque no site (vejam aqui), uma foto de Neymar com a camisa da seleção brasileira, junto com as de outros ídolos do basquete, tênis, box etc.

Seria o sonho de todo fã de esporte. Só que não: é uma bravata. Sportflix – não confundir com E-SportFlix, site brasileiro de jogos virtuais – se apresentou como “Netflix dos esportes”, mas se esqueceu de combinar com Globo, Fox, ESPN, Band e Turner (Esportivo Interativo), que hoje detêm os direitos para todas as competições esportivas transmitidas no Brasil.

A pegadinha, já utilizada tantas outras vezes, está no pré-anúncio do serviço, que começará (ou começaria) no próximo dia 30/08 em oito países: Brasil, Argentina, México, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália e Alemanha. Os interessados fazem um cadastro, com o qual a empresa já forma um belo mailing-list a ser vendido para seus parceiros. Coisa de gente metida a esperta. Matías Said, CEO da Sportflix, calcula que 400 mil pessoas irão se cadastrar até o final do ano, sendo que 20 mil já o fizeram (a empresa divulga que seu site possui 600 mil visitantes).

Num rasgo de ousadia, incluiu entre suas promessas até a Copa do Mundo e as Olimpíadas! Vejam abaixo trechos de uma entrevista de Said ao site TodoTVNews, que cobre o setor de TV.

(Em tempo: incrível como as pessoas acreditam em falsas promessas sem nem se darem ao trabalho de pensar. Vejam os comentários dos leitores neste site a respeito do assunto.)

Como funciona – Segundo Said, Sportflix é uma plataforma de streaming ao vivo, que pode ser acessada no mundo inteiro desde que o usuário abra uma conta e tenha uma conexão à internet. 

A questão dos direitos – Sportflix se identifica como um serviço de “retransmissão”, ou seja, não produz conteúdos e não é responsável pela captação do sinal. Simplesmente retransmite o que as emissoras levam ao ar. “Montamos nosso catálogo com base nos direitos que adquirimos junto a quem produz”, diz o executivo na entrevista. “Queremos levar os esportes mais populares a cada país”.

Conteúdos já acertados – Said dá os nomes, apesar dos desmentidos da Globo e Fox, ESPN e Turner, donas de alguns destes eventos: Grand Slams de tênis, NBA, NFL, NHL, UFC, Fórmula 1, Olimpíadas e Masters de golfe. No Futebol: Copa do Mundo, Championes League, Europa League, Libertadores, Copa Sul-americana, Copa América, Copa das Confederações, Copa do Rey (Espanha), FA Cup (Inglaterra), Copa Italia e os campeonatos nacionais desses países (mais França, Alemanha, Argentina e México).

Outros conteúdos – Vai apenas “cobrir” os eventos, não criar programação para antes nem depois do jogo ou da corrida. Não será uma rede de esportes, nem uma plataforma de jornalismo, garante Said.

O segredo – Segundo comentário da BBC, entre os eventos mencionados o mais barato hoje seria o Campeonato Argentino, pelo qual a Fox paga anualmente US$ 186 milhões à federação de futebol do país vizinho. “Esse valor se refere aos direitos de transmissão”, tentou explicar Said. “O que adquirimos são os diretos de retransmissão, muito mais baixos”. 

A conferir a partir do dia 30.

Tecnologia na escola: Brasil de Primeiro Mundo

Conheci na semana passada as instalações do Insper, hoje uma das instituições de ensino mais respeitadas do país. Com quase 10 mil alunos (o dobro de cinco anos atrás), virou referência internacional por implantar novos conceitos educacionais, estimulando a criatividade dos alunos e a interação com os professores. Estes deixam de ser meros ‘palestrantes’, transformando completamente a experiência do aprendizado. Para colocar isso em prática, a tecnologia revela-se fundamental.

Bem, antes de falar disso, é importante lembrar como nasceu o Insper. Um grupo de empresários de sucesso, com passagens por universidades americanas, decidiu trazer de lá o modelo que fez delas as melhores do mundo. Fizeram o investimento inicial, depois saíram em busca de outros como eles, que estivessem dispostos a doar recursos para o projeto. Embora cobre mensalidades altas, o Insper não tem fins lucrativos: toda a receita é reinvestida, inclusive para pagar alguns dos melhores professores do país.

No Insper, os alunos dedicam-se em tempo integral aos estudos, são desafiados a diversas atividades extra-aula e o grau de exigência não permite acomodação. Todos usam notebooks – aos que não podem comprar, a escola fornece – e compartilham seus trabalhos em rede. O layout das salas é pensado para facilitar a troca de conhecimentos, seja numa aula para 120 alunos, num seminário com convidados internacionais ou reuniões em pequenos grupos. 

Microfones e alto-falantes de teto, revestimentos acústicos, mesas com conexão de banda larga, projetores e telas convivem com lousas de giz revestidas de cerâmica, fornecidas por um fabricante americano. Um sistema de automação, acionado pelo próprio professor num tablet, comanda tudo. E uma equipe técnica especializada em AV e automação pode ser acionada a qualquer momento (manhã, tarde ou noite) caso surja algum imprevisto durante as aulas.

Detalhe que me chamou a atenção: embora seja uma escola de elite, hoje voltada às áreas de Economia/Administração, Direito e Engenharia, o Insper não faz distinção social. Qualquer jovem com curso médio completo pode se candidatar a uma vaga, mesmo que não tenha condições de pagar a mensalidade. Se demonstrar potencial nos testes (e isso envolve principalmente a capacidade de estudar e trabalhar em grupo), será matriculado. 

Sem hipocrisia: é claro que só consegue entrar quem possui uma boa base educacional anterior. Mas parece a escola dos sonhos de todo pai de família. Todas deveriam ser assim. Neste link, é possível fazer um tour virtual pelas instalações e entender melhor a filosofia do Insper.

Copa 2018 já começou para a indústria de TVs

 

 

 

Com um ano de antecedência, os fabricantes de TVs já se alinham para a disputa da Copa da Rússia. Evidentemente, não será um evento tão badalado quanto a do Brasil, mas a disputa entre as principais marcas promete. Lembremos que, em 2014, a Sony era um dos patrocinadores oficiais e investiu pesado no mercado brasileiro – logo em seguida, rompeu com a Fifa e reduziu seu marketing. Desta vez, seu lugar é ocupado pela chinesa HiSense, que nem atua aqui (pelo menos por enquanto).

Quase todos os fabricantes estão renovando suas linhas de TVs, de olho em três momentos decisivos: Black Friday, em novembro, Natal e Copa. Em termos promocionais, quem sai na frente é a Samsung: mesmo não sendo mais patrocinadora da Seleção (como várias outras marcas, afastou-se da CBF após os sucessivos escândalos), a empresa coreana contratou o técnico Tite, hoje uma das raras unanimidades nacionais. 

Já no quesito tecnologia, há muitas novidades. Havíamos antecipado algumas delas aqui, em fevereiro, e abaixo trazemos atualizações. Na faixa acima de 49 polegadas, quase tudo agora é 4K HDR, embora haja poucos conteúdos desse nível. Para quem for comprar, vale uma dica: verificar na loja como é a reprodução dos canais de TV aberta. O upscaling de HD para 4K passa a ser crucial na escolha.

Samsung – Acaba de lançar a linha QLED (detalhes neste vídeo) e também está enviando às lojas os TVs chamados Premium UHD, cujos tamanhos variam de 40″ a 82″, com telas planas e curvas. Em nossa sala de testes, estamos finalizando a avaliação de um QLED de 65″. 

LG – Além dos TVs OLED, que comentamos aqui e são sua grande aposta, a empresa está trazendo ao Brasil os modelos Nano Cell, cujo princípio de funcionamento é similar aos “pontos quânticos”: uma película com minúsculos elementos age sobre cada pixel acentuando as cores. Tamanhos: 49″, 55″ e 65″.

Semp TCL – A marca que mais vem crescendo no país aposta em algo além da qualidade de imagem: a velocidade do processador em seus TVs Android, como mostra este vídeo. Estão saindo em quatro tamanhos: 49″, 55″, 65″ e 75″. A exemplo das coreanas, adota 4K HDR como padrão, e também tem uma linha com painel curvo QLED. 

Sony – Seus top de linha atualmente são os TVs Z9D, de 75″ e 100″ (vejam o vídeo). Mas também lançou um TV Android mais acessível (65″) com novos processadores. Em outubro, deve sair seu OLED com “som que sai da tela” (este outro vídeo explica). 

Philips – Seu diferencial continua sendo o recurso Ambilight, agora renomeado Ambilux: as luzes traseiras se espalham por todo o painel, criando um efeito envolvente quando a sala está escura. A empresa também está lançando modelos 4K Android convencionais, de 43″, 49″ e 55″. 

Panasonic – Ainda não definiu seus lançamentos para o segundo semestre. 

Um novo escândalo na Oi?

O presidente da Anatel, Juarez Quadros, e sua equipe técnica precisam de apoio – de toda a opinião pública – em sua luta para não aliviar as contas da Oi. Um tenebroso script foi preparado pelos acionistas, e por parte dos credores, para obrigar o governo a cobrir o rombo da operadora, que já ultrapassa a casa dos R$ 64 bilhões.

Os ruídos a respeito desse potencial “novo escândalo” são ouvidos aqui e ali no mercado. Na última terça-feira, houve bate-boca intenso entre dirigentes da agência e representantes dos grupos Pharol, herdeiro da Portugal Telecom, e Societé Generale, francês mas liderado no Brasil pelo polêmico investidor Nelson Tanure. A repórter Miriam Aquino, do site TeleSíntese, fez um resumo da reunião. Os distintos acionistas querem que a Anatel abra mão das multas já aplicadas à Oi por falhas no atendimento e na cobertura, que totalizam mais de R$ 11 bilhões. E sugerem que o BNDES seja chamado, pela enésima vez, para ajudar a financiar a empresa!!!

Em entrevista ao site da revista Época Negócios, o presidente da operadora, Marcos Schroeder, mostrou o tamanho do problema. Foi apresentado à Anatel um plano de capitalização envolvendo investimentos de R$ 8 bilhões, mas os acionistas só querem entrar com R$ 2 bi; o restante viria de algum investidor ainda não encontrado. Enquanto isso, prossegue na Justiça a recuperação judicial da Oi, e acreditem: há um movimento no Congresso visando ajudar a empresa com dinheiro público.

A esta altura, é quase impossível calcular quanto dinheiro do contribuinte já foi jogado na Oi, entre BNDES, Banco do Brasil, Caixa e fundos de pensão, desde 2007, quando o ex-presidente Lula decidiu fazer dela uma “campeã”. Bancos, ex-funcionários e a já citada Anatel estão entre os credores listados no processo judicial, que até hoje não viram a cor do dinheiro. Lula, pelo menos, ganhou uma antena da Oi naquele sítio de seu amigo em Atibaia. 

Apple quer fazer seus próprios displays

O site coreano Digitimes revelou dias atrás o que pode ser um grande furo: a Apple estaria montando sua própria fábrica de displays, em Taiwan. A empresa encomendou os primeiros equipamentos de produção à coreana Sunic System, especialista no processo de vaporização chamado CVD (Chemical Vapor Deposition), utilizado na fabricação dos painéis orgânicos OLED. A estratégia seria diminuir a atual dependência de fornecedores como Samsung (no caso do iPad) e LG (Apple Watch), que na prática são concorrentes da Apple. 

Outro site asiático, o Taipei Times, informa que a Apple está ampliando a produção própria de painéis Micro-LED na localidade de Taoyuan, também em Taiwan, onde comprou, em 2014, a empresa LuxVue. Essa é uma tecnologia alternativa ao OLED, e bem mais barata. 

A volta de Amos Genish, via TIM

Até hoje não foi bem explicada a saída de Amos Genish do comando da Vivo, no final do ano passado, que até comentamos aqui. Fundador da GVT, negócio que transformou em bilhões, Genish vendeu a empresa ao grupo francês Vivendi, que a repassou à espanhola Telefônica, e esta foi buscá-lo a peso de ouro depois, quando decidiu unificar as duas marcas (Vivo e GVT) no Brasil. Tudo isso em dois anos! As explicações formais (“busca de novos desafios” e platitudes similares) não foram bem digeridas pelo mercado.

Pois agora Amos Genish está de volta, liderando uma nova fase da TIM. Foi chamado pelo mesmo grupo Vivendi, que acaba de assumir o controle da Telecom Italia. Tem o cargo de diretor-geral da empresa italiana, mas seu conhecimento do mercado brasileiro será muito útil. Há meses a TIM negocia para comprar a Oi, solução que seria um alívio para os credores da ex-super tele – a dificuldade é assumir uma dívida monstruosa, já de quase R$ 64 bilhões; seria ótimo também para o governo brasileiro, que ainda corre o risco de herdar esse típico abacaxi petista.

Outra especulação recente refere-se à Sky, que pertence ao grupo DirecTV, adquirido em 2015 pela AT&T, por sua vez candidata também a dona da Time Warner. Para a fusão ser confirmada no Brasil, a AT&T terá que se desfazer da Sky (detalhes aqui), o que abre a brecha para possível acordo com a TIM. 

Vale lembrar que, dos grandes grupos de telecom atuando no Brasil (os outros dois sendo Telefônica/Vivo e NET/Claro), o italiano é o único que ainda não atua no segmento TV, exatamente a especialidade da Sky, reforçada por sua nova estrutura de satélite. Os próximos meses dirão.

TV paga busca novos horizontes

Na mesma semana em que foi, finalmente, anunciado o acordo entre as emissoras de TV abertas e a operadora Vivo para recolocar o sinal de Record, SBT e Rede TV nas casas dos assinantes (vejam os detalhes), saiu o levantamento da Anatel relativo ao mês de maio: o número de domicílios com TV por assinatura diminuiu mais um pouco (1,39%), chegando a 18,64 milhões de assinantes. Considerando que em 2014 eram 19,6 milhões de famílias pagando pelo serviço, temos uma queda de 5,1% no setor, no maior país da América Latina.

O principal motivo, sem dúvida, é a crise econômica, que tem feito muita gente cancelar suas assinaturas. Problema bem brasileiro. Mas há uma transformação tecnológica (e de comportamento) que é mundial, como mostra recente pesquisa da Nagra, empresa suíça que fornece equipamentos e software para operadoras e programadoras. Entrevistando executivos do setor, os pesquisadores constataram que nada menos do que 84% deles consideram os provedores de conteúdo (Amazon, Netflix, Google etc.) seus “principais inimigos” – 54% deles citam também a pirataria de sinal.

As saídas vislumbradas por eles seriam basicamente três:

*Oferecer aos assinantes serviços inovadores, como realidade virtual e vídeo em 360o;

*Agregar mais conteúdos a suas plataformas móveis;

*Buscar parcerias com os tais “inimigos”.

Certamente, alguns leitores incluiriam na lista o item “baixar os preços”, mas é bom já ir avisando que essa alternativa está fora de questão. E a razão é simples: a conta não fecha. Pay-TV é uma brincadeira que custa caro. Não à toa, é um setor cada vez mais concentrado, com domínio dos grandes conglomerados de mídia, e estes precisam remunerar seus acionistas. Nunca é demais lembrar a velha máxima do capitalismo: não existe almoço grátis. Mesmo (ou principalmente) em tempos de crise.

TV do futuro começa aqui

Várias entidades se uniram em torno do “Projeto UHD”, que propõe uma coordenação para implantação no Brasil do novo padrão de televisão digital. Trata-se de uma tentativa de revitalização do Fórum UHD, criado no início do ano, que agora muda de nome.

Na primeira reunião do grupo, realizada semana passada em São Paulo, a presidente da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), Liliana Nakonechnyj, anunciou a composição dos cinco comitês encarregados da primeira etapa dos trabalhos: “Hábitos de Consumo, Negócios e Visão Sistêmica”, “Qualidade de Imagem e Som”, “Distribuição e Harmonização”, “Segurança” e “Comunicação e Marketing”. “Estamos fazendo um esforço em benefício da cadeia audiovisual”, disse Liliana. “Este grupo é para termos uma visão ampla do mercado tecnológico, que irá ajudar os negócios. Não serão trazidas para cá nenhuma particularidade de entidades, pois não existe um ‘dono’ do grupo. Estamos aqui para proporcionar a harmonização do setor no Brasil, em benefício de todos os envolvidos”.

Foi uma chamada clara à união dos setores envolvidos com a indústria de televisão e que nem sempre atuam em sintonia (sem trocadilho). Fazem parte do Projeto UHD, além da SET, a ABERT e a ABRATEL, que representam as emissoras abertas; ABTA (TV por Assinatura); ABINEE e ELETROS (fabricantes de equipamentos); e a BRAVI, que reúne grande parte das produtoras de TV e vídeo. Pelo cronograma definido, cada comitê será encarregado de  analisar a implantação do padrão UHD – que não tem data para ocorrer – dos pontos de vista técnico, que o grupo chama de “definição do estado da arte”; e de “equalização do conhecimento”, expressão usada para identificar o que muitos consideram mais importante em todo o processo: fazer com que toda a cadeia envolvida entenda bem o que significa essa mudança, antes que seja levada até o consumidor.

Como já comentamos algumas vezes, Ultra HD (o popular “4K”) é uma evolução natural do padrão de transmissão que está sendo massificado agora no Brasil, o chamado Full HD. Representa um aumento de quatro vezes na resolução da imagem, expressa em pixels: dos atuais 1.920 x 1.080 para 3.840 x 2.160. Nos fóruns internacionais, no entanto, a abrangência da sigla UHD vai muito além da resolução; aplica-se também ao padrão 8K, atualmente sendo testado, que dobra mais uma vez a quantidade de pixels: 7.680 x 4.320.

Ao contrário da revolução anterior, quando se passou do SD para o HD, o novo padrão é totalmente digital e se baseia na combinação entre os recursos puros de áudio e vídeo e os de computação. A transmissão de sinal agora tem de ser analisada não apenas em vista do espectro (pelo ar), mas explorando todas as possibilidades que a internet proporciona. Processamento do sinal, métodos de compressão, armazenamento, integração das mídias, interatividade, tudo isso terá de fazer parte, de alguma forma, das novas especificações.

Os japoneses pretendem estrear com UHD na Olimpíada de 2020, que será realizada lá. No Brasil, que agora realiza a sua transição da TV analógica para a digital, as apostas mais otimistas indicam o final da próxima década.

Harman/Samsung compra a inglesa Arcam

Para quem suspeitava que, ao ser adquirida pela Samsung, a Harman tiraria o pé do segmento high-end, uma surpresa: nesta segunda-feira, o grupo americano anunciou a aquisição da inglesa Arcam, fabricante de players, receivers, amplificadores e sistemas de áudio digital. A marca passa a fazer parte do portifólio Harman Lifestyle Audio, que já tem Revel, Mark Levinson e toda a linha automotiva do grupo. 

A incorporação pela Samsung, no ano passado, confundiu muita gente porque pensava-se que os coreanos – que pagaram US$ 8 bilhões – partiriam para uma ‘popularização’, que nunca é bem-vinda pelos fãs do áudio high-end. Aos poucos, foram surgindo mais informações sobre o negócio. Revelou-se que a Samsung queria mesmo o domínio sobre as mais de 6 mil patentes que a Harman detém, além de seu centro de desenvolvimento no Vale do Silício, voltado a Internet das Coisas, e sua divisão de áudio profissional, provavelmente a mais avançada da atualidade. São ao todo 27 mil funcionários, dos quais mais de 5 mil engenheiros! E ainda há vagas – vejam aqui

A lista das empresas mais “smart”

Saiu a nova edição das 50 Smartest Companies, a lista das empresas mais inovadoras do mundo, divulgada anualmente pelo MIT Technology Review, o site do Massachussetts Institute of Technology. É o mais respeitado estudo que se conhece sobre inovação (e, portanto, tecnologia), com números e análises detalhadas para justificar a posição de cada empresa no ranking.

Do setor eletrônico de consumo, temos na lista nomes mais do que conhecidos, como Intel (13o lugar), Apple (17o), Microsoft (27o), Foxconn (33o) e IBM (39o), além das onipresentes Amazon (3o), Google (5o), Facebook (23o) e Tesla (31o). Em primeiro lugar está a Nvidia, que começou fazendo chips para games e hoje avança nos segmentos de inteligência artificial e carros conectados.

Mas a maior revelação é que, das 50 empresas listadas, nada menos do que 10 vêm do setor de saúde: genética, biotecnologia ou medicamentos. A californiana Kite Pharma, por exemplo, nem estava na lista do ano passado e já aparece em 7o lugar. É uma das mais inovadoras em imunoterapia e combate ao câncer. A 23andMe, não por acaso também da Califórnia e dedicada à biotecnologia, era 7a em 2016 e agora salta para o 4o lugar, muito graças aos seus testes de DNA e estudos sobre fertilidade, depressão, Parkinson e Alzheimer.

Como se vê, tecnologia não é só consumo. Há uma revolução acontecendo no mundo da ciência, e é bom ficar atento. Todos nós vamos precisar disso algum dia. 

TV pela internet veio para ficar

Coincidência ou não, comentamos anteontem sobre os desdobramentos da fusão entre AT&T e Time Warner no Brasil (que ainda precisa ser aprovada pelo Cade e pela Anatel), e eis que hoje o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, aparece em entrevista à Folha de São Paulo anunciando os planos da operadora, que pertence à AT&T. Com as dúvidas sobre a fusão, nem mesmo se sabe se a Sky continuará existindo na forma atual; a AT&T talvez seja obrigada a revendê-la e, dependendo de quem seja o comprador, os tais planos podem virar pó.

De qualquer modo, o caminho geral parece traçado, não só para a Sky mas para todos os grupos de mídia: TV pela internet. Baptista anunciou que em 2018 a empresa lança no Brasil o DirecTV Now, serviço de streaming baseado em conteúdos dos canais lineares, ou seja, o assinante poderá ver seus canais preferidos (de filmes, esportes etc.) através de uma conexão de banda larga. Nem será necessário um decoder específico.

Será o custo mensal equivalente ao de uma Netflix? E será a conexão que temos hoje em casa suficiente para esse tráfego todo? São perguntas que só o tempo responderá. Mas, entre os especialistas, ninguém mais tem dúvidas. Pesquisa recente da consultoria Parks Associates mostrou que mais de 60% dos americanos já assinam pelo menos um serviço de streaming (claro, com Netflix em primeiro lugar). São pessoas que assistem menos a TV tradicional, ainda que continuem usando um TV comum.

Por lá, grupos como Fox, Disney e Time Warner estão se voltando para a internet como forma de compensar as perdas com os chamados cord-cutters, aqueles que tinham assinatura e cancelaram. Por aqui, o melhor exemplo vem da Globo: segundo o site especializado Mobile Time, que entrevistou 1.904 brasileiros que têm smartphone, o serviço Globo Play é um dos que mais crescem, inclusive na modalidade paga. Ainda é um formato deficiente, lento na navegação, mas com certeza será aperfeiçoado com o tempo; e o leque de conteúdos que oferece é quase imbatível (aqui, mais detalhes sobre os planos da Globo).

TV: novos conceitos de instalação

Na semana passada, começaram a chegar às lojas os TVs QLED, da Samsung. Como já comentamos aqui, a sigla tem alto potencial de confundir o consumidor, já que a LG aposta alto na tecnologia OLED. A diferença será de apenas uma letra?

Na edição de julho da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, estamos analisando os avanços dos TVs orgânicos, enquanto aguardamos um deles para teste (a Sony também está lançando, aliás com painel fornecido pela própria LG). Esta semana, recebemos da Samsung um QLED de 65″ para analisar em nossa sala de testes. Depois dessas avaliações, será possível explicar qual deles tem melhor desempenho.

Mas um detalhe que chama a atenção nessa linha QLED está nas possibilidades de instalação. Esses TVs têm painel curvo, mas que não necessariamente precisa ser montado sobre um móvel. Para quem quiser o TV na parede, há um suporte opcional – integrado à traseira do aparelho – que a Samsung chama de “No Gap”; a ideia é que com um movimento simples o próprio usuário consiga encostar o TV na parede, como se faz com um quadro.

Para montagem convencional, os TVs têm duas opções de base metálica; uma delas permite giro horizontal de até 35 graus. E a base embute um cabo óptico, quase invisível (foto), que liga o TV ao módulo One Connect, onde se concentram as conexões dos outros aparelhos na sala. 

Para essa linha de TVs, a Samsung criou também o Concierge, um sistema de atendimento 24 horas exclusivo para quem comprar um QLED. 

Time Warner e Sky, agora nas mãos do Cade

Os bastidores do mercado de mídia, que se agitaram nas últimas semanas com a disputa entre emissoras e operadoras de TV paga (detalhes aqui), ganham novo clima de suspense com a evolução do caso Time Warner Sky/AT&T. Pessoas que acompanham o assunto de perto revelam que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) está sofrendo pressão de todos os lados para vetar definitivamente a fusão – ou, pelo menos, neutralizar seus efeitos para o mercado brasileiro.

A questão é complexa em quase todos os países onde essas marcas existem. Em 2016, a AT&T – segunda maior operadora telefônica do mundo – fechou a compra da Time Warner, líder na produção e distribuição de conteúdo. Basta dizer que, segundo o The New York Times, após oito meses de discussão, e com um exército de advogados negociando, a fusão continua “no limbo”. 

No Brasil, a TW opera através de três marcas: Turner, Warner e HBO; já a AT&T havia assumido em 2015 o controle da DirecTV, que vem a ser dona da Sky (TV paga via satélite). Só que a chamada “Lei do SeAC” proíbe que uma operadora tenha mais do que 30% de participação numa emissora, produtora ou programadora com sede no Brasil.

Em nota técnica na semana passada, a superintendência do Cade pede que o caso seja declarado “complexo”, o que, no jargão do setor, significa um quase veto à fusão. Na verdade, a decisão final cabe aos membros do Conselho, composto por seis especialistas em concorrência, que não tem prazo para se manifestar. Mas a orientação da superintendência (um titular e dois adjuntos) raramente deixa de ser seguida. O que se comenta no mercado é que os conselheiros vêm sofrendo assédio mais forte nas últimas semanas, principalmente depois que a Anatel lavou as mãos e decidiu não decidir: só irá se pronunciar após a palavra final do Cade.

Anatel e Ancine, porém, já deixaram claro que consideram perigoso deixar que a AT&T avance em seus negócios no Brasil mantendo o controle “vertical” sobre três das principais fornecedoras de conteúdo. E a Abert, que representa boa parte das emissoras (seu presidente, Paulo Tonet, é vice da Globo), defende a mesma posição. Ou seja, é zero a chance do Cade autorizar a fusão. O que todo mundo deseja, a esta altura, é que sua decisão final saia rápido, acabando enfim com esse suspense.

Comando de voz chama até a polícia

O caso foi reportado por uma delegacia de Albuquerque, no estado do Novo México (EUA), e após publicação no site da rede ABC espalhou-se rapidamente, como é comum hoje em dia. Um dispositivo do tipo Google Home, com comando de voz, acionou a polícia local pelo famoso fone de emergência 911, após uma briga de casal. Eduardo Barros, morador da minúscula cidade de Tijeras, a 15km dali, estava ameaçando sua namorada e a filha dela com um revólver, e aos gritos; sem que ele percebesse, o aparelho captou quando Barros perguntou: Did you call the sheriffs? (“você chamou os tiras”?) Em poucos minutos, lá estavam dois policiais e até uma equipe da SWAT especializada em sequestros. Após horas de negociação, o agressor foi preso, a moça teve ferimentos leves e sua filha felizmente saiu ilesa. 

Segundo o delegado-chefe, Manuel Gonzalez (a região fica bem próxima da fronteira mexicana), foi o dispositivo smart que evitou uma tragédia. 

Em tempo: o site ABC News não conseguiu apurar se era mesmo um Google Home, Amazon Echo ou outra marca. Mas tinha, com certeza, comando de voz. 

“Casa sem fio” já vem pronta

Que tal comprar uma casa ou apartamento que já vem pronto para conectar tudo que você quiser? E sem fio? Essa ideia aparentemente avançada está causando polêmica nos EUA. Surgiu da Lennar, segunda maior construtora de condomínios do país, que começou a fazer publicidade usando o selo “Wi-Fi Certified Home Design”, de comum acordo com a Wi-Fi Alliance, consórcio de empresas que promove as soluções sem fio.

Seria o sonho de toda pessoa que constrói uma casa: dispensar todos os cabos e conectar seus aparelhos instantaneamente, com um ou dois cliques no celular ou, vá lá, num desses controles remotos ‘smart’. Basicamente, essa Lennar propõe que toda a infraestrutura (roteadores, sensores, pontos de acesso, transmissores de RF etc.) seja pré-instalada, como hoje se faz com as redes elétrica, hidráulica e de gás. Você teria uma “planta Wi-Fi” de sua casa, com a posição correta de todos os dispositivos de conexão, e jamais precisaria se preocupar com isso.

Sim, parece bom demais para ser verdade, dizem especialistas ouvidos pelo site CE Pro. “Se a moda pega, os construtores nem vão se preocupar mais em usar cabos nas suas obras”, ironizou Walt Zerbe, diretor da CEDIA, entidade que representa os integradores americanos. Seu argumento, mais do que lógico, é de que as transmissões sem fio – sendo Wi-Fi a mais usada e mais eficiente delas – funcionam muito bem para determinadas aplicações, mas falham em outras. Nessas redes, são comuns problemas como interferências de RF, sobrecarga de dados e aumento de ruídos provocados, por exemplos, por fornos de microondas. Sem falar no uso crescente de vídeo, que ainda não combina bem com Wi-Fi.

Em seu material promocional, a Lennar – que já tem até site em português, certamente de olho nos milhares de brasileiros que moram ou estão migrando para Flórida e adjacências – diz que as conexões Wi-Fi já são suficientemente robustas para evitar esses inconvenientes. A construtora trabalha em parceria com fornecedores de automação, áudio, iluminação etc., garantindo que tudo agora pode ser comandado numa arquitetura sem fio. Cabos de rede? Talvez uns dois ou três para a casa toda. “Quando precisar de mais velocidade, basta ao usuário trocar os AP (access points)”, explicou David Kaiserman, presidente da Lennar, ao CE Pro.

Alguém se arrisca?