Europeus transmitem TV 4K ao vivo em HDR

HDR explainedEsta semana aconteceu a primeira demonstração de TV 4K ao vivo utilizando o código HDR (High Dynamic Range). Foi em Luxemburgo, no evento anual da operadora de satélites SES, hoje a maior da Europa. Em conjunto com a Samsung e a BBC, foi feita uma transmissão especial em resolução Ultra-HD no padrão europeu DVB, captada num TV Samsung.

O fato do sinal ser codificado em HDR é particularmente significativo. Como já explicamos aqui, esse é o processamento de vídeo padrão para a distribuição de conteúdos em 4K, a começar da Netflix, que já está adotando essa tecnologia em suas séries (por enquanto, é a única fonte desse tipo de sinal disponível no Brasil). A principal diferença em relação ao sinal 4K já conhecido está na amplitude do brilho: consegue-se captar pretos e brancos com maior profundidade, resultando em imagens mais contrastadas.

A imagem acima, montada pela Dolby, ilustra a ideia.

Para isso, o sinal precisa ser codificado de acordo com as normas compartilhadas por toda a indústria – fabricantes, produtores de conteúdo, emissoras, operadoras, provedores de internet. O receptor HDR deve ser capaz de identificar inclusive os metadados registrados no sinal. Uma norma a respeito foi recentemente divulgada pela CEA (Consumer Electronics Association); vejam aqui.

Estamos falando do futuro? Certamente. TVs compatíveis estão sendo lançados na Europa e nos EUA, e alguns modelos talvez cheguem ao Brasil no segundo semestre. Também para final do ano está previsto o lançamento dos players Blu-ray 4K. Quanto a transmissões de TV, aberta ou fechada, não há prazos. Emissoras e operadoras com certeza estão de olho em eventos como esse que aconteceu em Luxemburgo.

TV paga: pacotes menores e mais baratos

Uma das notícias mais importantes do ano, no segmento de tecnologia, foi a de que Verizon, maior operadora de telecom dos EUA, irá flexibilizar a venda de seus pacotes de serviço. É a primeira vez que um gigante do setor se dispõe a alterar a base que sustenta toda essa indústria: o assinante ganha mais opções no chamado bundling e não tem que necessariamente aceitar os canais que a operadora lhe impõe.

Os detalhes da notícia estão aqui, mas antes que os leitores tirem conclusões apressadas convém pensar um pouco sobre como funciona essa máquina de distribuição de conteúdos. O sistema de pacotes está na raiz da existência do mercado mundial de TV por assinatura. Para atender a uma quantidade crescente de usuários e manter uma oferta variada de conteúdos, com um mínimo de qualidade de áudio e vídeo e fluxo constante dos sinais, esse sistema é obrigatório.  Os investimentos em novos conteúdos e na infraestrutura de rede só podem ser bancados com uma receita regular, cobrada mensalmente dos assinantes.

O que a Verizon está propondo, na contramão das demais empresas do setor, é um pequeno ajuste dessa regra histórica. Nos pacotes convencionais, o usuário paga um valor X para ter acesso a determinados canais e serviços e recebe, como uma espécie de “contrapeso”, outros canais e serviços que não deseja. Não há como personalizar a oferta. O sistema trava se cada assinante puder fazer escolhas individuais. A Verizon está prometendo que seu sistema não irá travar, desde que os assinantes concordem em pagar um pouco mais para ter pacotes mais seletos.

Claro que isso tem a ver com a expansão dos serviços OTT, tipo Netflix. Estes são por natureza mais baratos e fáceis de gerenciar. Não lidam com sinais de TV aberta, nem com grandes catálogos de conteúdo; seu principal atrativo está nas séries, cujo volume de dados é limitado à quantidade de episódios. Não há sucessos recentes do cinema no Netflix. Para oferecê-los, a empresa teria que no mínimo triplicar a mensalidade.

Mas ninguém – nem mesmo os administradores desse tipo de serviço online – consegue prever o que irá acontecer nos próximos anos. Será que as pessoas vão abandonar o formato de pacotes? Conseguirão viver sem suas assinaturas? Num evento do setor realizado esta semana em Chicago (leiam aqui), estão sendo levantadas várias hipóteses. Mas, por enquanto, os pacotes ainda são sagrados.

HDMI 2.0a: atualização pela internet

No início de abril, o HDMI Forum divulgou as especificações da versão 2.0a, mais uma atualização nesse incrível mundo dos padrões de comunicação digital. Pelo texto oficial, aparelhos com esse conector terão a capacidade de receber e reproduzir conteúdos de vídeo gravados em 4K e codificados em HDR. Boa notícia: os TVs 4K atuais poderão ser atualizados pela internet, via firmware.

Como não há – ou melhor, há pouquíssimo – conteúdo em 4K disponível, menos ainda em HDR, o consumidor pode apenas imaginar como ficaria na sua sala uma imagem dessas. Teoricamente, a codificação HDR (High Dynamic Range) permite obter imagens com mais contraste e maior gradação de cores. A nova geração de câmeras profissionais Sony e Panasonic, exibidas na feira NAB na semana retrasada, por exemplo, traz esse aperfeiçoamento. Na CES, em janeiro, alguns fabricantes mostraram câmeras consumer desse tipo, mas que ainda não chegaram ao mercado.

Os TVs apresentados nos EUA pela Sony recentemente também são compatíveis com HDR, diz o fabricante. Essa codificação é similar àquela que já conhecemos, há décadas, da fotografia. Um sensor de altíssima capacidade analisa os sinais da cena e amplia a gama de cores e os níveis de contraste. Outros fabricantes farão o mesmo nos próximos meses. A diferença, mais uma vez, está na nomenclatura utilizada:

Sony – X-tended Dynamic Range

LG – Wide Color LED

Samsung – SUHD

E por aí vai. Já se sabe que o padrão HDMI 2.0 aumentou incrivelmente a capacidade de transferência de dados – quase o dobro da versão 1.4. O que os especialistas se perguntam é se alguém irá perceber a diferença na versão “a”. Vamos ter que aguardar para conferir.

Tecnologia, a serviço do crime

O conceito de pregões eletrônicos – que já existe há uns vinte anos na Europa, EUA e alguns países da Ásia – é o mais próximo a que já se chegou da perfeição em matéria de gastos públicos: os dados são exibidos na internet para que todos acompanhem, confiram, monitorem, e assim previnem-se desvios e acertos “por fora” entre as partes envolvidas.

Mas, claro, não estamos falando do Brasil. Por mais que se divulguem medidas para uma gestão pública “inteligente”, a toda hora surgem sinais indicando exatamente o contrário. Vejam esta notícia do site Convergência Digital: o TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu uma auditoria no Comprasnet, sistema eletrônico de compras públicas instalado pelo governo federal em 2010. Conclusão: irregularidades que somam R$ 4,6 bilhões!!!

A criatividade brasileira introduziu a figura do “coelho”, nome que se dá a uma empresa que entra no pregão apenas para apresentar uma proposta de valor muito baixo, de modo a excluir as concorrentes. A coelhice é combinada entre duas ou três, e uma delas sempre acaba vencendo a disputa. Parece que o TCU descobriu a farsa, tanto que está interpelando várias orelhudas.

Dias atrás, o mesmo site informou que o TCU bloqueou um outro pregão, este dos Correios, no valor de R$ 783 milhões, que visava à contratação de “serviços de rede IP”. Envolvidas: as operadoras Claro e BT Brasil (British Telecom). Enquanto a primeira apresentou proposta no valor de R$ 742,2 milhões, a segunda veio com R$ 136,1 milhões! Mesmo sem conhecer os detalhes, não é difícil imaginar que há algo errado com uma diferença dessas.

Pelo que diz o relator do processo no TCU, a BT seguiu o “manual de instruções” para quem participa de licitações públicas no Brasil: após vencer a disputa, “renegociou” os termos de sua proposta, que aumentou para R$ 742,5 milhões (os detalhes estão neste link).

Não há tecnologia que resista a esse tipo de criatividade.

TVs entram na era do Android

sony-android-tvTalvez seja apenas coincidência, mas no mesmo dia (ontem) em que a Sony anunciava, nos EUA, sua linha de TVs para 2015, com destaque para a plataforma Android TV, a Google comunicava que os TVs dessa marca produzidos antes de 2013 não poderão mais acessar o aplicativo YouTube. Como se recorda, a Sony foi um dos fabricantes que aderiram ao falecido Google TV (foto abaixo), anunciado como “revolução” anos atrás. LG e Samsung também apostaram na ideia a princípio, mas souberam cair fora a tempo.

Sony-Google-TV

 

O problema de quem faz parceria com a Google é estar sempre de mãos dadas com um gigante imprevisível. Embora na teoria utilize software aberto, a empresa usa e abusa do poder de promover “upgrades”, como gosta de chamar, sem avisar os parceiros. É impossível prever se o mesmo irá acontecer com o Android TV, que a Sony (assim como a Philips) decidiu adotar. O comunicado da Google cita também TVs e players Blu-ray da Panasonic, assim como consoles de videogame e quase toda a linha Apple. Todo mundo que possui um aparelho desses produzido até 2012 fica excluído do app YouTube; só conseguirá assistir aos vídeos via navegador, quando houver.

São dez os TVs Sony Android (foto maior), com tamanhos de 43 a 85 polegadas, disponíveis a partir de maio no mercado norte-americano e em alguns países europeus. No Brasil, a empresa passou por uma drástica reformulação no final do ano passado e, como os demais fabricantes, sente os efeitos da queda nas vendas. Ainda não há informação sobre quando (e se) os novos TVs sairão por aqui.

Chineses, indo e voltando

Enquanto a Lenovo – maior fabricante de computadores do mundo – corta custos no Brasil, a TCL – maior no setor de displays – busca expandir investimentos no país. São os grandes grupos chineses se tecnologia se movimentando.

Ainda não é oficial, mas a Lenovo deverá em breve desativar a fabricação de TVs com a marca CCE, da qual assumiu o controle em 2009. A empresa demitiu quase 2.500 funcionários em Manaus no ano passado, e agora está remanejando também a produção de PCs para Itu (SP) – detalhes aqui.

Como se sabe, os chineses jamais dão pistas do que pretendem fazer. Mas, pelo menos, o presidente do grupo TCL, Li Dong Sheng, abriu parte do jogo, na semana passada, em entrevista à agência Reuters. O TCL é dono de marcas como RCA, Alcatel e Thomson, além de fornecer displays até para a Samsung. Mr. Sheng disse que espera até o ano que vem construir fábricas no Brasil e na Índia, países onde as taxas de importação atingem números estratosféricos.

Com o mercado desaquecido como está, seria um investimento muito bem-vindo.

Arcam e a amplificação classe G

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Com a multiplicação dos equipamentos digitais, a indústria de áudio teve que passar por uma intensa reciclagem nos últimos anos. A falsa polêmica sobre o que é melhor (digital ou analógico?) retardou o processo, mas era questão de sobrevivência: hoje, os principais fabricantes de amplificadores e processadores estão no universo digital. Uma das empresas que melhor vêm se saindo nessa adaptação é a inglesa Arcam, fundada em 1976 por dois estudantes da célebre Universidade de Cambridge (o nome da empresa é uma contração de Amplification & Recording Cambridge). Honrando a tradição britânica em áudio, a Arcam ficou conhecida por seus ótimos amplificadores e processadores lançados ao longo dos últimos vinte anos. Sua linha de receivers que chegou ao mercado internacional no início deste ano mantém a reputação.

Agora distribuídos no Brasil pela Audiogene, esses receivers são dos raros que adotam a amplificação classe G, que utiliza fontes de alimentação chaveadas automaticamente, de acordo com a demanda do sinal. Nessa configuração, uma fonte mantém a corrente o tempo todo e uma outra entra em ação quando o sinal requer tensão mais alta. Assim, sempre há uma reserva de energia para fornecer a potência necessária, com taxa de distorção baixíssima (0,02%). O modelo top de linha (AVR750) libera 100W em 7.1 canais ou 120W em estéreo.

A classe de amplificação não tem a ver necessariamente com o desempenho do aparelho, apenas com a configuração interna dos estágios de alimentação. A chamada “classe G” é mais comum em equipamentos profissionais. Para sistemas residenciais, costuma-se utilizar as classe AB e D. Mas o lançamento da Arcam pode significar uma nova tendência. Para entender melhor essas diferenças, sugiro aos leitores este artigo do especialista João Yazbek, proprietário da Advanced Audio Technology.

Receivers, cada vez mais poderosos

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O segmento de receivers para home theater é um dos que mais vêm sendo afetados pela crise econômica. Muitos usuários ainda se deixam levar pela ilusão de que um conjunto integrado (os famosos “HT-in-a-box”, ou simplesmente HTB) pode proporcionar a mesma clareza sonora e/ou a mesma sensação de envolvimento de um sistema modular. E, quando o orçamento aperta, parece que essa ilusão cresce ainda mais.

No entanto, as boas marcas de receivers são responsáveis por alguns dos avanços mais importantes dos últimos anos. Quase todas são de origem japonesa: Onkyo, Yamaha, Denon, Marantz (as duas últimas pertencentes ao mesmo grupo D&M). Há cerca de dois anos, veio juntar-se a elas a Integra,  distribuída no Brasil pela Som Maior, que já tinha a Rotel, posicionada um pouco acima em termos de preço. Recentemente, foi lançada a britânica Arcam, sobre a qual falaremos no próximo post.

A Integra – que curiosamente pertence ao grupo Onkyo, mas com operações totalmente separadas – foi a primeira a lançar aqui receivers com o padrão de conexão HDBaseT, que une recursos de áudio, vídeo e automação, além de permitir o tráfego de sinal de energia pelo mesmo cabo. Agora, a empresa traz nada menos do que cinco modelos dotados do software Dolby Atmos, que amplia o impacto sonoro. Um desses novos aparelhos (mod. DTR-70.6) pode funcionar em até 11 canais de áudio, cada um com 135W de potência (além de dois canais para subwoofer).

Para quem tem uma sala a partir de 40m2, é uma excelente sugestão. A alternativa hoje para atingir potência nesse patamar, e com boa resolução sonora, seria um sistema de pré+power, com certeza bem mais caro.

Automação atrai até os gigantes

ibridge_lock_550Já se sabe que os grandes fabricantes de eletrônicos estão com os olhos voltados para o segmento de automação residencial. Comentamos o assunto aqui algumas vezes, principalmente quando nos referimos a eventos como IFA, CES e CEDIA Expo. Nas edições recentes dessas feiras, empresas como LG, Samsung, Sony, Philips e Panasonic mostraram como pensam atuar nesse setor.

Na semana passada, duas gigantes na produção de eletrodomésticos – as alemãs Bosch e Miele – anunciaram que também estão embarcando na tendência. A primeira se uniu ao consórcio Z-Wave para lançar paineis de parede sem fio, voltados à segurança de casas, escritórios e condomínios. Já a Miele apresentou, numa feira em Berlim, um forno de microondas que pode ser acionado até via celular, utilizando o software Azure, da Microsoft.

O fato de Apple, Google, a própria Microsoft e diversas operadoras de telecom (sem falar nas empresas especializadas em automação, como AMX, Crestron, Control4, Savant etc.) também estarem propondo soluções automatizadas vai na mesma linha. O principal problema é que ninguém até agora apresentou uma plataforma ao mesmo tempo aberta e confiável. Quase todas as empresas falam, por exemplo, em IoT (Internet das Coisas), mas sempre de modo abstrato, longe da compreensão do usuário leigo.

Não por acaso, a maioria dos consumidores está confusa – e também muitos profissionais do setor, como se vê neste artigo. O que todo mundo busca é praticidade e conveniência, a um custo razoável. Quem oferecer isso primeiro ganha o mercado. Vale a pena ficar de olho.

Áudio digital hi-fi, dos anos 70

iFi Retro Stereo 50 frontNão é pouca gente que tem saudades dos aparelhos antigos. Existe na internet uma série de sites e blogs dedicados ao assunto. O problema é que, na maioria dos casos, os itens sobreviventes só servem para ser olhados. Tristemente, não funcionam mais. E, no mundo digital de hoje, é raro alguém lembrar que existiram. Pois agora a empresa americana iFi decidiu satisfazer os fãs: colocou circuitos e componentes de última geração em peças de visual retrô.

A da foto, por exemplo, chama-se Retro Stereo 50: um integrado valvulado de 25W que, ao lado do amplificador classe A (incluindo estágio de phono), traz uma série de recursos digitais. Por trás da aparência de um Marantz anos 70, temos detalhes como um conversor DAC compatível com sinais PCM (de até 768kHz) e DSD (usado nos discos SACD); filtros para arquivos com taxa de amostragem de até 192kHz; ajuste de graves para fone de ouvido; entradas USB, coaxial e óptica; e capacidade para áudio sem fio, via Bluetooth ou NFC.

Até a prestigiada revista The Absolute Sound está saudando a novidade. Para formar o conjunto, a iFi lançou uma linha de caixas do tipo monitor que, não por acaso, lembra as JBL da mesma época.

TV digital: como se fosse novela

Em meio às idas e vindas da política e da economia, o governo federal anunciou na semana passada aquilo que deveria ser óbvio: caberá à Anatel coordenar a transição da TV analógica para o padrão digital. Digo “deveria”, porque até meses atrás o Palácio do Planalto relutava em deixar o assunto nas mãos da agência reguladora, como se esta não existisse. A questão agora é negociar o calendário do chamado switch-off com as grandes redes de televisão, a quem competirá fazer tudo funcionar.

Embora haja um cronograma já estabelecido, que prevê o desligamento de todos os transmissores analógicos até 2018, pouca gente no mercado acredita que isso seja factível. Vale lembrar que 2018 será ano de eleições presidenciais, e o sucesso ou fracasso da transição pode influenciar na campanha.

Há diversos pontos em aberto e, do ponto de vista político, a última coisa que o governo deseja é entrar em atrito com as emissoras. Só um exemplo: o Ministério das Comunicações tem o plano de distribuir gratuitamente conversores de TV digital a cerca de 12 milhões de cadastrados no Bolsa Família. De onde sairá o dinheiro para isso?

O excelente repórter Luis Osvaldo Grossmann, do site Convergência Digital, fez um interessante resumo dessa novela. Os personagens nem sempre aparecem claramente. E os capítulos mais emocionantes ainda estão por vir.

Mais ICMS na TV paga: sim ou não?

Está em andamento um intenso debate nos bastidores do mercado de TV por assinatura, que no futuro pode cair na cabeça dos usuários. Na ânsia infindável por aumentar sua arrecadação, os governos estaduais querem aumentar o ICMS que incide sobre as mensalidades. Dos atuais 10%, a ideia é subir a alíquota progressivamente, chegando a 25% em 2018.

O assunto está em discussão no Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), que é formado pelos secretários da Fazenda de todos os estados e presidido pelo ministro da Fazenda. Detalhe: nesse órgão, as medidas só são adotadas quando todos concordam. Segundo o site Tela Viva, a decisão pode sair nesta semana.

A ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) garante que o aumento não é necessário e, pior, pode levar muitos usuários a desistir de suas assinaturas. “No ano passado, o recolhimento tributário do setor crescer 13%, só com o aumento do número de assinantes”, diz Oscar Simões, presidente da ABTA, que tenta negociar um acordo com os governos estaduais.

Segundo Simões, se a ideia for aprovada pelo Confaz o valor das assinaturas terá aumento de 6,54% em 2016, 13,8% em 2017 e 22,22% em 2018. Mesmo que os números não venham a ser exatamente esses, sempre é bom lembrar que as empresas de telecom recolhem, a cada fatura, uma montanha de dinheiro ao governo federal, sob os títulos de Fistel, Funttel e Fust. No orçamento de 2015, esses valores somados chegam a quase R$ 10 bilhões, segundo o site especializado Telessíntese.

Dinheiro que, como sabemos, nunca é aplicado em telecom; vai direto para o Tesouro Federal, ajudando a financiar escândalos políticos.

Dolby Atmos: novidades no mercado

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A propósito de áudio, aos poucos o mercado brasileiro vai tendo acesso às novas soluções em Dolby Atmos, o software desenvolvido pela Dolby Labs para ampliar a sensação de envolvimento surround. Na semana retrasada, acompanhamos em São Paulo o lançamento da Definitive Technology, marca que pertence ao grupo californiano Sound United (também dono da Polk Audio). E uma das principais atrações foi o Módulo Atmos 60, que pode ser montado sobre a torre BP8060ST, como na foto.

Como já explicamos aqui, Dolby Atmos é, na teoria, uma ótima ideia. O som realmente se espalha melhor no ambiente, especialmente nas áreas altas, e isso em home theater pode fazer uma boa diferença. Para ser plenamente percebido, porém, o efeito requer a instalação de pelo menos uma caixa acústica no teto. Módulos como o A60, da Definitive, servem para simular essa sensação quando não é possível utilizar o teto. Parte das ondas sonoras é rebatida e volta para os ouvidos, complementando a ambientação surround.

A distribuidora Chiave, agora responsável pela marca americana no Brasil, promete um trabalho ativo de demonstração em lojas especializadas, o que sem dúvida é essencial para que os usuários percebam esses benefícios.

Importante: para reproduzir Dolby Atmos, é necessário contar com um receiver ou processador compatível. Já tínhamos no mercado modelos da Onkyo, Yamaha e da Denon, e agora estão saindo os da Integra, outra marca japonesa. Ou seja, é uma tendência que veio para ficar.

Áudio sem fio, a bola da vez

HEOSNo rastro dos dispositivos portáteis, os fabricantes de áudio estão embarcando no mundo sem fio. Até os do segmento high-end, que ainda há pouco tempo condenavam o não-uso dos cabos. Já citei aqui uma frase de Noel Lee, fundador da Monster Cable: “Tudo que se faz sem fio é possível fazer muito melhor com fio.”

O problema é que, na vida prática, nada supera os produtos wireless em termos de conveniência. Recentemente, a Denon demonstrou para revendedores, num evento em São Paulo, a linha HeOS (foto). São caixas acústicas portáteis e sistemas compactos que transmitem som de ótima qualidade para vários ambientes, usando a rede Wi-Fi da própria casa. Segundo a empresa, esse é o setor que mais cresce atualmente na indústria de áudio mundial: 121% no ano passado, contra 23% dos conjuntos integrados de home theater.

Uma das principais responsáveis por esse sucesso foi a empresa americana Sonos, que produz na China e vende nos principais países seus sistemas compactos para streaming de áudio sem fio. Hoje, detém cerca de 80% do mercado mundial. Quase três anos depois de lançado esse aplicativo, há uma corrida dos fabricantes para repicar o êxito nos países onde a Sonos ainda não está oficialmente presente, caso do Brasil.

HeOS significa Home Entertainment Operating System, ou seja, um sistema operacional (portanto, baseado em software) voltado à reprodução de áudio e vídeo em casa. Diz a Denon que os demais fabricantes erraram ao entrar nesse segmento, já que a Sonos é basicamente uma empresa de software. A japonesa preferiu adquirir um desenvolvedor e oferecer uma solução multiroom, totalmente sem fio. Cada membro da família pode, pelos seus tablets e/ou smartphones, controlar e ouvir música de modo independente, acessando os serviços de streaming disponíveis; ou transmitir arquivos pessoais pela casa, via USB ou entrada AUX. A distribuição é da Suonare.

Netflix agora vai “recomendar” TVs

netflix-recommended-tvMais uma ótima ação de marketing acaba de ser anunciada pela Netflix: um acordo com determinados fabricantes de TVs para “recomendar” seus modelos como “ideais para se ter a melhor experiência possível” ao acessar os conteúdos do serviço. A primeira a fechar esse tipo de parceria foi a LG. No mercado americano, as cinco linhas 4K dessa marca (LED e OLED) sairão agora com o logotipo ao lado.

Não é propriamente novidade. No ano passado, quando visitamos a sede da Netflix na Califórnia, ficou claro que as duas empresas trabalham em estreita cooperação. Na época, estavam chegando ao mercado brasileiro os primeiros TVs com sistema operacional WebOS, que a LG comprou e aperfeiçoou junto com técnicos da Netflix (aliás, a viagem foi a convite da LG).

Mas a empresa coreana não ficará muito tempo sozinha. A Netflix anunciou que já tem acordos semelhantes com a Sony (está demorando: isso foi anunciado na CES 2014) e com as chinesas Hisense, TCL e Insignia. Mais detalhes aqui.

Smartphone com áudio high-end

smartphoneNão é de hoje que as pessoas utilizam o smartphone como player de música. Também há inúmeras pesquisas mostrando que quem tem esse hábito já não se contenta com o som ardido e sem peso do MP3. Por causa disso, vêm aumentando expressivamente as vendas de fones de ouvido, os verdadeiros, não os tradicionais do iPod. Mas quem faz isso talvez precise rever seus conceitos: o problema não está nos fones, e sim no player.

Alguns fabricantes de smartphones perceberam, e estão tomando providências. A chinesa HTC, por exemplo, juntou-se à Harman Kardon para lançar no mercado internacional, no ano passado, a linha Sprint, que entre outros avanços reproduz áudio no formato FLAC (com amostragem de 192kHz a 24-bit). Esses aparelhos também utilizam um software chamado Clari-Fi, patente da Harman, que promete restaurar os dados perdidos em arquivos de áudio que sofreram compressão. A conferir.

Agora, a HTC anuncia um smartphone ainda mais avançado. O modelo One M9 foi exibido no último World Mobile Congress, em março, mas quase ninguém comentou que o aparelho acrescenta conversor digital/analógico DAC de 192kHz a 24-bit e faz streaming da internet com essa resolução. Usando um aplicativo (HTC Connect), o M9 também pode transferir as músicas para outros players via rede sem fio, inclusive em ambientes diferentes (multiroom).

Segundo o site especializado Twice, tudo isso é possível graças à nova geração de chips Snapdragon 618 e 620, da Qualcomm. Aguardemos agora a resposta da Apple e dos demais fabricantes de smartphones, que utilizam chips Intel.

O que vale mais: resolução ou contraste?

Nero3Comentamos aqui outro dia sobre as indefinições normativas da tecnologia Ultra-HD, e muitos leitores continuam com a clássica dúvida: vale a pena adotá-la agora ou é melhor esperar? A resposta (também clássica) é que o melhor é smpre buscar a tecnologia mais avançada que seu dinheiro possa pagar. Como disse um amigo recentemente, o futuro – adeus, não nos pertence!

Mas vale a pena lembrar uma conversa que tive com Máximo Zecchin, diretor da SIM2, fabricante de projetores e displays de alto padrão. Numa entrevista há cerca de dois anos, ele me explicou por que sua empresa não acreditava na tecnologia 4K. Na semana retrasada, em São Paulo, durante evento da distribuidora Som Maior, ele repetiu os mesmos argumentos. Garante que não tem a menor dúvida a respeito.

“UHD não passa de marketing dos fabricantes de TVs”, diz Zecchin. “Para o usuário, não faz a menor diferença. Ninguém assiste com a cara grudada na tela. E o suposto ganho de resolução não pode ser visto a partir de 3 ou 4 metros de distância.”

Mesmo sendo um dos fabricantes de ponta no segmento de projetores, a SIM2 até hoje não lançou um modelo 4K – nem pretende fazê-lo tão cedo. “Preferimos investir no aprimoramento de brilho e contraste, que são muito mais importantes para a qualidade da imagem”, diz Zecchin.

Um de seus lançamentos este ano, o projetor Nero 3 (foto), substitui as lâmpadas tradicionais por dispositivos de led, o que por si só já garante um nível de brilho muito mais alto. “Desenvolvemos um chip específico para comandar os leds e calibrar a luminosidade, além de um outro para regular a saturação de cores. Mesmo com uma imagem Full-HD, qualquer pessoa percebe a diferença.”

De fato, vimos isso de perto no evento – embora uma comparação pra valer tenha de ser feita com outro equipamento (projetor ou TV) ao lado. Detalhe interessante: o Nero 3 pode projetar imagens de 100 polegadas a uma distância de apenas 30cm da tela; para distâncias maiores, chega a 250″.

30 anos de automação

Outro “aniversário” que pode ser comemorado é o do segmento de automação residencial e predial, que surgiu timidamente na década de 1970 – como acessório do home theater – e tornou-se um mercado, digamos, independente no início dos 1980. O site CE Pro, que cobre como ninguém o assunto, alertou esta semana que, apesar da enorme evolução técnica, ainda estamos muito longe de algo que possa sequer lembrar uma “popularização”.

E talvez nunca cheguemos a isso. Os serviços de automação (leia-se: sistemas projetados, integrados, programados e customizados para as necessidades do usuário) são, por definição, um nicho de mercado. Jamais poderão ser um “produto de massa”. Nos EUA, como aqui, tudo começou com as lojas especializadas em áudio. Quando os magazines entraram nessa onda, elas viram a saída no home theater (áudio+vídeo). Mais tarde, tiveram que acrescentar outros produtos, como automação, para fugir da concorrência.

Hoje, empresas como Apple e Google são a maior ameaça. Vendem a (falsa) ideia de que tudo se resolve com um aplicativo… Mas, se uma coisa ficou clara nesses 30 anos, é que em tecnologia não existe milagre. Nenhum app é capaz de oferecer os recursos de um sistema de automação bem projetado, programado e instalado.

O problema é que isso exige especialização, e nem todos os profissionais se dispõem a buscá-la. Nos EUA também, mas em menor escala, muitos instaladores dão preferência às soluções mais fáceis de executar, em vez de aprender aquelas que melhor atendem as necessidades de seus clientes. Não por acaso, é grande por lá a queixa contra os magazines e suas “soluções prontas”.

Como bem lembra o CE Pro, é inútil. Quem tem essa postura está condenado a sumir do mapa. A saída: encontre o seu nicho e trabalhe bem com ele. Sempre haverá um.

800 gramas e uma revolução

martin cPoucos sites de tecnologia se deram ao trabalho de lembrar, mas foi num 3 de abril como hoje que aconteceu a primeira ligação telefônica com dispositivo móvel no mundo. Na época, 1973, ainda não se chamava “telefone celular”, mas seu inventor, Martin Cooper, que trabalhava na Motorola, sabia que estava fazendo história. Tanto que a primeira pessoa para quem ligou foi seu maior concorrente, Joel Engel, da Bell Labs. “Adivinhe de onde estou falando”, provocou Cooper. “Do meio da rua”.

Não era exagero. Cooper (foto caminhava pela 6a Avenida, em Nova York, rumo a uma entrevista coletiva onde apresentaria o DynaTac 8000X, que pesava quase 800 gramas. Sua maior dificuldade era falar e segurar o aparelho (com as duas mãos) ao mesmo tempo. Decidiu testar a novidade ali, pela enésima vez, em meio ao trânsito e aos prédios que, alguns temiam, bloqueariam o sinal.

Essa saga está contada em detalhes em meu livro “Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo através daTecnologia“, lançado em 2011. Cooper, naturalmente, foi um desses homens. Faz parte de uma galeria que inclui Steve Jobs, Bill Gates, Jeff Bezos, Akio Morita e vários outros. Parte da história é ilustrada em vídeos do YouTube, como este.

Em seu livro “Os Inovadores“, que saiu em 2014, o jornalista americano Walter Isacsson – biógrafo de Steve Jobs, Albert Einstein e Benjamin Franklin – lembra que inovações tecnológicas nunca são obra de uma pessoa só. Ao contrário, dependem decisivamente da colaboração, do trabalho em equipe e da troca (às vezes virtual) de informações. Isacsson não cita Cooper em seu livro, mais focado na evolução dos computadores – a meu ver uma grande injustiça, considerando que o celular se transformou num “computador de bolso”; mas essa é outra discussão.

Ao contrário de outros visionários, Cooper não faz propaganda de si próprio. Aos 86 anos, mantém um blog modesto e de vez em quando dá entrevistas sobre tecnologia e telecomunicações em geral. Admite que o apoio da cúpula da Motorola e o trabalho de dezenas de técnicos foram essenciais para o seu sucesso. Sem eles, não teríamos hoje os smartphones, cuja conta mais recente, publicada no site do jornal El País, já passa de 2,6 bilhões de terminais.