Por maiores e melhores investimentos em P&D

Por José Hernani Arrym Filho

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende comentou recentemente sobre os importantes avanços conquistados no Brasil em seu setor, principalmente quanto à pesquisa básica desenvolvida pelas universidades e seus pesquisadores. Destacou também o incremento de publicações afins e do número de mestres e doutores (11 mil no ano passado).

Rezende reforçou aspectos relevantes sobre pesquisa e desenvolvimento (P&D) empresarial. Os incentivos fiscais, conforme a Lei do Bem, somaram R$ 2,7 bilhões entre 2006 e 2008. O dispêndio das empresas em P&D, que ficou estacionado em 0,5% do PIB entre 2006 e 2008, subiu para 0,54% em 2009 e pode chegar a 0,56% no final de 2010, contra os 0,65% definidos como meta no Plano de C&T. O dispêndio federal foi de 0,36% do PIB em 2006, 0,40% em 2008, 0,44% em 2009 e, possivelmente, será de 0,46% em 2010. O gasto estadual foi de 0,14% em 2006 para 0,20% do PIB em 2008, idem em 2009 e tem estimativa semelhante para 2010.

Sem menosprezar tais conquistas, mas analisando-as amplamente, vemos que ainda estamos muito aquém dos países desenvolvidos. Finlândia, Suécia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e EUA estão no topo da lista dos que mais investem em P&D (em relação ao PIB de 2008): 4,0%, 3,7%, 3,4%, 3,3%, 3,0% e 2,8%, respectivamente. Neles, a maior parte do investimento é feita pelas empresas e não pelo setor público, ao contrário do que acontece no Brasil.

Além disso, nosso país reduziu sua participação no orçamento mundial de P&D de 0,41% em 2008 para 0,38% em 2009. Hoje, temos apenas cinco entre as mil empresas que mais investem no setor no mundo: Vale, Petrobras, Embraer, CPFL e Totvs, conforme pesquisa de Booz&Company. Com este nível, estamos nos transformando somente em um grande mercado para outras economias explorarem e suprirem.

A conclusão real é que a situação no Brasil é bastante desafiadora e para mudá-la temos que ultrapassar – em muito – o tamanho atual dos investimentos de P&D e ao mesmo tempo melhorar a sua composição e qualidade. Como fazer isso? A receita não é simples: criar um verdadeiro “PAC para a Inovação e Competitividade”, com reforço imediato do Ministério da Ciência e Tecnologia, revendo e aperfeiçoando seu propósito, posicionamento, orçamento, estrutura organizacional e quadro de servidores.

Por outro lado, o ambiente macroeconômico precisa se tornar mais atraente, considerando a redução da taxa de juros e do spread bancário, o aumento da taxa de poupança doméstica, a diminuição da carga tributária. Ao mesmo tempo, é fundamental informar as empresas sobre as várias alternativas hoje disponíveis para potencializar a inovação (por exemplo, a Lei do Bem, que precisa ser aperfeiçoada e ter seu acesso muito mais democratizado).

Para os que não esperam acontecer, a inovação é entendida como um sistema (pessoas, ambiente, processos e tecnologias) indutor de vantagens competitivas verdadeiras e duradouras, que permite criar e aproveitar grandes oportunidades – as quais, aliás, estão em alta em nosso país. Somente com a Olimpíada, a Copa do Mundo e a exploração do pré-sal serão investidos cerca de US$ 137 bilhões. Este é, sem dúvida, um novo ambiente, que será explorado por quem tem competência.

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José Hernani Arrym Filho e Alfonso Abrami são sócios da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas. O texto foi publicado em 28/01/2011 no jornal Brasil Econômico.

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