Falta de informação é o pior do caso Sony

20 de setembro de 2020

 

A grande notícia da semana passada, talvez do ano, foi a decisão da Sony de deixar o mercado brasileiro. Num comunicado vago, a empresa informou que está fechando sua fábrica de Manaus, onde produz TVs, aparelhos de som e câmeras, e demitindo todos os 220 funcionários locais. A fábrica continuará operando até março, e o atendimento aos clientes se estenderá até meados de 2021, quando a Sony do Brasil se transformará, na prática, numa importadora.

A empresa não quis prestar mais informações, nem nomear um porta-voz que pudesse tirar as muitas dúvidas remanescentes. Já na segunda-feira (14) em que foi distribuído o comunicado, vimos centenas de usuários se manifestando pelas redes sociais – alguns lamentando a triste notícia, outros querendo saber como ficará o suporte a produtos recém-adquiridos. 

O mais estranho foi que, três dias antes, a Sony havia enviado press-release sobre uma nova TV 8K (mod. Z8H, de 75″) que, pelas descrições, é uma das mais avançadas que a empresa já lançou no país (detalhes aqui). No material enviado, nenhuma menção ao fechamento da fábrica. Questionada, sua assessoria de imprensa não informou como será a distribuição desse produto, que é importado e atualmente está à venda somente na loja virtual da Sony.

Até este momento, não sabemos se essa e as demais TVs Sony que estão em linha continuarão sendo produzidas até março, ou se já será interrompida a distribuição às lojas; se (e como) será mantida a garantia de 1 ano dos produtos vendidos a partir de agora; que orientação será passada às assistências técnicas relativamente a peças de reposição e recepção de aparelhos com defeito; se serão mantidas as equipes de atendimento; e assim por diante. Encaminhamos essas perguntas à empresa e estamos aguardando o retorno.

O caso de aparelhos importados é ainda mais complicado. Não se sabe se serão feitas demonstrações da nova Z8H (foto acima), nem onde, já que dificilmente alguém irá comprar um produto que custa cerca de R$ 30.000 sem vê-lo funcionando antes. Já solicitamos um exemplar para teste.

Conversando com revendedores e ex-funcionários da Sony, a impressão que se tem é que a decisão de sair do Brasil foi tomada às pressas, sem maior planejamento, já que todas essas questões precisariam ter sido pensadas com a devida antecedência. É quase inacreditável que uma empresa lance um produto premium três dias antes de anunciar sua saída do mercado. Os consumidores fãs da marca têm todo o direito de se sentirem inseguros.

Enfim, vamos aguardar por mais informações. E também analisar os impactos que essa dura decisão terá sobre o mercado e o país. Nada disso, no entanto, tira o brilho das inúmeras inovações lançadas pela Sony em seus 74 anos de existência, sendo 48 deles no Brasil (confiram aqui uma lista). 

2 Replies to “Falta de informação é o pior do caso Sony”

  1. Maurício disse:

    E a Sony desiste da “Venezuela”

Deixe uma resposta