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Com a cabeça na nuvem

Apesar de toda a badalação em torno da tal nuvem, ainda não me convenci de sua utilidade. Especialistas não se cansam de recomendar que embarquemos nessa onda (alguns, até, argumentando que não há escapatória). E, no entanto, quando se analisa a realidade, há mais registros de problemas do que de soluções.

Para quem chegou agora (ou tem andado “nas nuvens” ultimamente, em termos de informação): nuvem (do inglês “cloud”) é o nome genérico dos serviços de armazenamento de dados. Lá, você e sua empresa podem colocar todos os seus arquivos, que eles estarão sempre à disposição, via internet. A vantagem seria não ter que manter grandes estruturas para bancos de dados, economizando espaço físico e não precisando trocar de computador a toda hora. O mesmo vale para os programas: é possível acessá-los remotamente, apenas quando necessário, poupando a memória de computadores e servidores.

Seria lindo se não fosse a matemática: quanto mais pessoas e empresas usam a nuvem, mais ela fica congestionada; e, portanto, o acesso àqueles seus preciosos dados deixa de ser tão simples quanto prometia. Pode-se aumentar a capacidade de armazenamento, mas esta é finita.

Um estudo recente publicado na Coreia (hoje o país com a melhor rede de banda larga do planeta) mostra que a disseminação dos dispositivos portáteis, e agora dos Smart TVs, complica ainda mais as coisas. “A nuvem é um pré-requisito para o sucesso desses aparelhos”, diz o pesquisador Park Min-seong, do Instituto de Desenvolvimento da Sociedade da Informação (KISDI), sediado em Seul. “Os fabricantes precisam se entender com os provedores, caso contrário esses aparelhos não vão funcionar”.

No Brasil, como em todos os países onde a banda larga ainda é uma ficção, o conceito de nuvem torna-se inviável, pelo mesmo motivo matemático: quanto mais acessos, mais lentas as conexões. Mesmo em alguns smart TVs que testamos, às vezes os aplicativos travam devido à instabilidade das redes. Claro, a tendência é que estas sejam ampliadas. Mas esse parece ser o típico caso em que é preciso ver para crer. Somente quando tivermos banda larga estável e disponível para a maioria dos usuários é que será possível falar em nuvem.

Enquanto isso, melhor ficar aqui embaixo mesmo.

Orlando Barrozo

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige a revista HOME THEATER, fundada por ele em 1996, e os sites hometheater.com.br e businesstech.net.br. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

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  • Há muitos anos, quando o assunto "Nuvem" começava a ser discutido e surgiam coisas como o GMail e seu gigantesco armazenamento, eu dizia que nunca confiaria em manter meus email apenas nos servidores de uma empresa. Hoje meu e-mail fica exclusivamente na Nuvem, só faço download dos anexos que preciso para trabalhar.

    O fato é que há serviços que só fazem sentido online, e o email está nesta categoria. Por outro lado, quando se trata de funções que podem ser realizadas totalmente off-line, continuo descrente da tal nuvem. É muito interessante poder sincronizar dados com um servidor online e poder acessar seus arquivos de qualquer lugar, mas tornar o online o armazenamento principal é ir longe demais. Existe e continuará a existir uma infinidade de recursos que são melhores se realizados dentro de sua máquina pessoal. O armazenamento continuará a se expandir e carregar terabytes de informação no bolso não será problema no futuro. (Imagina só, uma revolução tecnológica no armazenamento e baterias poderia tornar a Nuvem obsoleta, hahaha).

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