Archive | março, 2011

Maria “Gerson” Bethania!!!

Essa história do blog da cantora Maria Bethania, a polêmica do momento na internet, é daquelas que só acontecem mesmo no Brasil. Já comentei aqui algumas vezes sobre a questão do financiamento governamental à cultura. Parece que é um vício bem tupiniquim: parafraseando o clássico de Milton Nascimento e Fernando Brant, “todo artista tem de ir aonde o governo está”.

Para quem não acompanhou a história, Bethania solicitou, através da Lei Rouanet, autorização do governo para captar no mercado R$ 1,3 milhão para financiar seu blog. Na semana passada, o Ministério da Cultura aprovou o pedido. Significa que a empresa (ou empresas) que financiar o tal blog poderá deduzir esse valor de seu imposto de renda. Ou seja, nesse caso o governo deixaria de arrecadar R$ 1,3 milhão. Como quase tudo neste país, essa lei, por mais bem intencionada que seja, vem servindo às tramoias comuns quando se trata da relação entre artistas (ou “agentes culturais”, como eles gostam de ser chamados) e os governantes de plantão. O governo Lula bateu todos os recordes nesse campo, financiando cantores, escritores, cineastas etc., todos, é claro, ardorosos defensores das políticas petistas.

Antes que me acusem de “terrorismo”, lembro que isso também aconteceu nos governos Sarney, Collor e FHC, mas em escala muito menor. No caso de Bethania, como em tantos outros, não há a menor justificativa. Talvez nem os maiores fãs da cantora aprovem! A Lei de Incentivo à Cultura (famosa como “Lei Rouanet”) foi criada para estimular produtores culturais que não tenham condições de financiar seu trabalho – e existem milhares deles pelo país afora. Será esse o caso da irmã de Caetano Veloso? Falando sério, alguém acredita que Bethania teria dificuldade para levantar o dinheiro junto a seus patrocinadores? Mais ainda: um blog custa R$ 1,3 milhão? Deve ser o blog mais fantástico do mundo…

Por acaso, li hoje no blog de Ricardo Noblat, que o blog de Bethania terá até assessoria de imprensa e que seu coordenador, Hermano Viana, irá receber R$ 10 mil mensais. Assim é fácil roubar dinheiro público.

O terremoto e as indústrias

As notícias que chegam do Japão são desencontradas em relação à situação das unidades de produção de eletrônicos. A maioria das fábricas importantes fica longe da região afetada pelos terremotos e pelo tsunami, mas os efeitos colaterais de uma tragédia desse porte fatalmente acabam sendo sentidos.

Uma das empresas mais atingidas foi a Sony, que tem nada menos do que sete unidades nas regiões de Miyagi, Fukushima e Saitama, bem junto ao epicentro do caos. Em Miyagi, por exemplo, são fabricados discos Blu-ray, fitas magnéticas, cartões de memória, dispositivos ópticos e semicondutores a laser; em Fukushima, próximo da usina nuclear que quase foi pelos ares, estão duas fábricas de baterias. Também o prédio administrativo da Sony em Tagajyo, município pertencente à província (lá eles chamam “prefeitura”) de Miyagi, foi abalado pelo terremoto e teve de ser evacuado. Todas essas unidades estão fechadas desde sexta-feira, quando houve os primeiros tremores. Além disso, a empresa fechou outras unidades para mobilizar seus funcionários na ajuda às vítimas.

Nesta quarta, a Sony enviou comunicado oficial à Comissão de Fiscalização da Bolsa de Valores informando que avalia a situação em outras quatro fábricas, cujas operações estão temporariamente suspensas. E que está calculando os prejuízos para comunicar aos acionistas.

Outra empresa atingida pelos desastres foi a D&M Holdings, proprietária das marcas Denon e Marantz, cuja fábrica em Shirakawa, próximo a Fukushima, permanecia fechada nesta quarta-feira. Ali, não houve propriamente danos; o problema é que essa unidade fica numa região de acesso mais complicado, onde várias estradas foram interditadas e o serviço de trens interrompido, além de haver falta de água e energia, segundo a empresa.

Há relatos também de que unidades de produção de chips da Toshiba e da Texas Instruments foram afetadas e tiveram que suspender o trabalho, assim como de fabricantes menos conhecidos por aqui, como UMC, Elpida e a taiwanesa TSMC. Analistas acreditam até que os preços dos chips podem sofrer aumento nos próximos meses devido à queda na produção. Por sua vez, a Panasonic informou que sua fábrica de baterias em Sendai foi totalmente destruída pelo tsunami e que alguns funcionários da fábrica de câmeras digitais AVC, em Fukushima, ficaram feridos.

Não é fácil. Por mais preparado que o Japão estivesse, uma catástrofe como essa vai demorar para ser esquecida.

Igreja será a salvação?

Ao ler um artigo na revista americana CE Pro, sob o irônico título “Igrejas são a salvação do integrador”, lembrei de uma conversa que tive, anos atrás, com o dono de uma empresa paulista de projetos eletrônicos corporativos. Bem, primeiro é bom explicar a que se refere o artigo. Nos EUA, o chamado mercado HOW (Houses of Worship) é uma mina de dinheiro há anos, alimentada pela enorme quantidade de donativos que os “fiéis” depositam nos templos quase todos os dias – muito mais do que no Brasil, embora nosso país esteja crescendo nesse ranking. E os integradores de sistemas eletrônicos americanos encontram nesse segmento um dos que foram menos afetados pela recessão econômica dos últimos anos.

Para se ter ideia, uma pesquisa da revista Commercial Integrator revelou que 95% dos integradores americanos fizeram pelo menos duas instalações em igrejas ou templos no ano passado. E não foram projetos básicos: 16% deles ficaram acima da casa dos US$ 250 mil. Para atrair e manter a atenção dos fiéis, bispos e pastores sabem que precisam investir em novas tecnologias – de áudio, vídeo, ar-condicionado e por aí vai. Apesar da crise, a maioria (62%) dos integradores diz que este ano deve faturar ainda mais do que em 2010. É, em suma, um segmento altamente profissionalizado, que atende aos mais de 50 mil templos existentes no país.

Lembrei-me do integrador brasileiro porque ele, há cerca de dez anos, tentava me explicar a razão de o Brasil, mesmo com a explosão das igrejas evangélicas, não possuir ainda um mercado comprador para sistemas eletrônicos. Claro, ninguém pode esperar que tenhamos aqui nos números dos EUA. Mas, segundo esse profissional, o mercado aqui existe, sim, mas com características completamente distintas. Além dos valores serem mais baixos, quase todo o dinheiro que circula nesses ambientes é ilegal e/ou circula por baixo dos panos. Se, nos EUA, cada templo é, na prática, uma empresa (e, portanto, precisa prestar contas ao fisco), aqui a maioria – talvez todas – simplesmente manipula a seu bel-prazer os dízimos de suas vítimas, digo, de seus fiéis. Sem qualquer fiscalização, muito menos prestação de contas, torna-se um risco prestar qualquer tipo de serviço para esses clientes, digamos, muito especiais. A chance de entregar e não receber é altíssima. E quando se fala em documentar o negócio (via contrato de prestação de serviços, por exemplo), os bispos fogem como o diabo da cruz (com o perdão do trocadilho).

Temos aí, portanto, mais uma história para a coleção de particularidades bem brasileiras que inibem a profissionalização do mercado. Mesmo com toda reza do mundo, aqui a igreja está longe de ser a salvação.

O futuro, desenhado em displays

Um vídeo simplesmente espetacular, produzido pela empresa americana Corning e que está no YouTube, mostra o futuro por um ângulo que, acho, nem todo mundo está enxergando: o do vidro. A Corning é um dos maiores fabricantes mundiais desse material que, embora nem sempre percebamos, faz parte do dia a dia de quase todo mundo. E, na indústria de tecnologia, um dos maiores desafios é justamente descobrir tipos de vidro mais sensíveis, que possam ser usados em novas aplicações. Uma das mais complexas é a de displays para TVs de tela grande – nos de tela pequena, já vêm sendo usados materiais sintéticos que suprem bem as exigências.

Lembro que, em 1998, visitando uma fábrica dos TVs Wega nos EUA, me mostraram como eram produzidos os enormes vidros usados nos aparelhos de tubo CRT – o painel de vidro era o componente mais pesado (um TV daqueles, com 38″, pesava mais de 100kg). Um dos problemas dos TVs LCD é que, para torná-los mais leves (e, portanto, com menor custo de manuseio e transporte), os fabricantes substituíram o vidro por painéis de resina plástica que não têm os mesmos níveis de brilho nem de sensibilidade. Mais recentemente, conseguiu-se produzir painéis de vidro ultrafinos, como vi na fábrica da Sharp, no Japão. Mas aí o problema passa a ser outro: como manipular um material tão sensível? Cortado em placas com quase 3m de largura, necessárias para um TV de 60″, por exemplo, e com espessura de apenas alguns milímetros, o risco de quebrar ou trincar o vidro sobe consideravelmente, resultando em taxas de perda que muitas vezes o fabricante não quer (ou não pode) assimilar.

Bem, tudo isso para dizer que ninguém ainda descobriu um substituto à altura para o vidro, como mostra o vídeo da Corning, que pode ser acessado neste link. A questão é saber se todas aquelas aplicações mostradas no vídeo irão mesmo se tornar realidade – algumas já estão aí no mercado, para quem quiser ver. Confiram!

Sofrimento de Primeiro Mundo

Vendo e revendo as impressionantes imagens de destruição no Japão, um dos sentimentos que me vieram foi: “E se fosse aqui?” Claro, o Brasil (felizmente) não está localizado numa região sujeita a terremotos daquela magnitude. Mas a forma como os japoneses se organizam e se preparam para essas eventualidades é admirável. Se lá um fenômeno como esse (terremoto + tsunami) causa alguns milhares de vítimas fatais, o que aconteceria num país como o nosso, onde uma chuva de meia hora às vezes provoca o caos? Segundo um especialista que ouvi pelo rádio neste fim de semana, o terremoto de janeiro de 2010 no Haiti, por exemplo, foi dez vezes mais fraco do que este no Japão; e, no entanto, matou mais de 500 mil haitianos. O mesmo ocorre em países como Chile, Peru, Nicarágua, Turquia e outros também sujeitos a fortes tremores de terra. Quantos brasileiros já morreram nas seguidas enchentes dos últimos anos? E pior: o que fizeram nossos governantes para evitá-las?

Nas duas vezes em que estive no Japão, pude ver de perto alguns detalhes do esquema de prevenção contra terremotos e tufões, incluindo o uso da mais moderna tecnologia de construção civil. Até o momento em que escrevo, há mistério sobre o que de fato aconteceu na usina nuclear de Fukushima, atingida violentamente na sexta-feira. Mas pode-se ter certeza de que, não fosse a disciplina e alta capacidade de planejamento do povo e das autoridades japonesas, muitos dos prédios que vimos balançar naquele dia estariam hoje reduzidos a escombros.

Pode ser um pequeno detalhe, mas é simbólico: três dias depois da tragédia japonesa, entre as centenas de fotos e vídeos que vimos na televisão e na internet, não apareceu uma cena sequer de violência ou de saques, como é comum do lado de cá. Não tenho dúvidas de que os japoneses darão ao mundo mais uma lição de coragem, organização e solidariedade, para reconstruir o que a natureza destruiu. Já fizeram isso algumas vezes nos últimos séculos (é, de longe, o país mais vitimado por terremotos – sem falar nas guerras e na humilhação suprema de ser o único país, até hoje, atingido por duas bombas atômicas).

Entre as muitas imagens que me chamaram atenção nos últimos dias, destaco as deste link, que mostra tomadas aéreas feitas antes e depois do terremoto. Tomara que nunca tenhamos que fazer esse tipo de foto no Brasil.

A importância do aperfeiçoamento

E, falando em evento, nunca é demais lembrar a importância da atualização e do aprimoramento técnico profissional. Todo dia leio na imprensa notícias sobre a falta de mão de obra qualificada no Brasil, um problema que testemunhamos de perto há anos. Já perdi a conta das vezes em que me pediram indicação para determinadas vagas, inclusive algumas muito bem remuneradas, e os possíveis candidatos simplesmente não existiam (ou não apareciam). Como já comentei aqui, a raiz do problema está no descaso com que vem sendo tratada, há décadas, a educação de base. De pouco adianta fazer uma boa faculdade se a pessoa não teve um aprendizado sólido anterior.

Infelizmente, a maioria prefere viver reclamando da falta de oportunidades, quando na verdade elas estão ao alcance da mão, exigindo apenas um pouco mais de esforço. No caso específico do segmento de áudio, vídeo e sistemas eletrônicos residenciais, ainda é comum ler e ouvir profissionais queixando-se da concorrência dos magazines, um fenômeno que é quase tão antigo quanto o próprio mercado. Aqui mesmo, neste blog, volta e meia alguém protesta contra a ‘falta de apoio ao revendedor especializado’, como se esse fosse um problema exclusivo do Brasil e não uma característica da indústria como um todo (e não apenas a indústria eletrônica). Outro dia, trocando emails com um amigo que possui loja nos EUA, chegamos à mesma conclusão: lá, onde a crise hoje é muito mais feroz do que aqui, as grandes redes (WalMart, BestBuy, Target etc.) impõem aos fabricantes suas condições de negociação – e é natural que assim seja, pois possuem a maior parte dos canais de atendimento ao consumidor.

Ao revendedor especializado cabe descobrir seus nichos, entender as particularidades de sua cidade ou região e oferecer um serviço diferenciado, conquistando o cliente pela força do relacionamento e do trabalho customizado, coisa que nenhum magazine pode oferecer. Como fazer isso? Não existe uma fórmula mágica, até porque não estamos falando de receitas prontas. Cada um deve descobrir a sua. É com esse objetivo, entre outros, que estamos preparando o Programa de Certificação “Home Expert”, que terá início no próximo dia 28. A ideia é fornecer elementos técnicos e mercadológicos para que cada empresa ou profissional especializado aprenda a executar esse trabalho melhor do que o faz atualmente.

As informações detalhadas estão no endereço http://www.homexpert.com.br. Quem não quiser ficar para trás nesse mercado precisa aproveitar essa e as outras oportunidades de aperfeiçoamento que aparecerem.

Encontro para se atualizar

Esta semana acontece em São Paulo mais uma edição do WebExpo Forum, um dos principais eventos do país na área de internet e novas tecnologias. Como de hábito, recomendo a todos, não só pela utilidade dos temas abordados, mas também pelo nível dos participantes. Deve ter muita coisa interessante, principalmente para pequenas e médias empresas, que são as que mais têm a ganhar com essas inovações todas.

TV pública, no Brasil, é assim

Estudo recente do Departamento de Comunicação da Universidade de Nova York (NYU) levantou a situação das emissoras públicas de televisão em 15 países do Primeiro Mundo. A íntegra do documento está aqui, para quem quiser saber os detalhes, mas o que me parece mais significativo – para nós, do Terceiro Mundo – é comparar a maneira como o tema é encarado aqui e lá.

Só para ilustrar, vejam alguns tópicos que preocupam os pesquisadores NYU:

*Na maioria dos países pesquisados, os canais públicos são vistos como muito importantes para informar a população e ajudá-la a cobrar melhores serviços do governo;

*As emissoras públicas devem se manter, tanto quanto possível, distantes dos governantes e dos anunciantes, principalmente em relação aos conteúdos que levam ao ar; as que conseguem isso são as mais confiáveis, para o público em geral;

*É importante que as TVs públicas sejam monitoradas por órgãos (conselhos) independentes e prestem contas regularmente de seus serviços.

Enquanto isso, no Brasil, pela enésima vez o Tribunal de Contas da União está apontando irregularidades na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), aquela que foi criada no governo Lula sob inspiração do ex-ministro Franklin Martins. A denúncia, agora, envolve “uso de documento falso e favorecimento” numa licitação para contratar serviços de digitalização de arquivos. E quem foi a favorecida? A Tecnet, onde trabalha Claudio Martins, filho do ex-ministro.

É para essas coisas que serve a TV Pública, certo?

Coreanos brigam pelo 3D

Acabo de escrever um livro sobre determinados personagens da História da tecnologia (o lançamento será em abril), e uma das coisas que ficam claras ao estudar o assunto é que toda inovação só se transforma em sucesso de mercado quando há uma padronização. E esta pressupõe algum tipo de entendimento entre os fabricantes, que são os detentores das patentes. O DVD talvez seja o melhor exemplo: foi um êxito mundial porque todas empresas concordaram em seguir as normas definidas pelo antigo DVD Consortium. Já o Blu-ray foi seriamente prejudicado pela “guerra” com o HD-DVD, lembram-se? Agora, parece que o mesmo se repete com a tecnologia 3D.

Segundo o site Korea Real Time, os dois maiores fabricantes de TVs da atualidade – as coreanas Samsung e LG – estão em lados opostos na evolução dessa tecnologia. A LG acaba de lançar comercialmente na Ásia os TVs que utilizam processamento de imagem FPR (Film-Patterned Retarder), exibidos num evento em São Paulo na semana passada (devem sair aqui em breve). Basicamente, aplica-se sobre a tela uma película especial com sensores que se comunicam com óculos polarizados do tipo passivo (sem bateria), bem mais leves e mais baratos. Segundo a LG, esse processo permite até mesmo assistir às imagens deitado no sofá, como muitos gostam de ver televisão. A empresa acrescentou esse detalhe a sua campanha publicitária, ao lançar o produto na Coreia. E foi nisso que o pessoal da Samsung se pegou para criticar a concorrente.

“O efeito 3D simplesmente não funciona quando se está deitado”, comentou Kim Hyun-suk, vice-presidente da empresa. “Ao contrário, faz a pessoa ficar ainda mais tonta”. Num comunicado, a LG retrucou: “De fato, isso é verdade quando se trata de óculos ativos. Perde-se o efeito tridimensional quando se vira a cabeça. Mas a tecnologia FPR é uma evolução do 3D. Com ela, o usuário continua percebendo o efeito, independente do ângulo em que estiver olhando a tela”.

Quem está com a razão? Provavelmente, teremos que esperar algum tempo para ter certeza. O fato é que toda vez que empresas líderes em tecnologia divergem dessa forma quem sai prejudicado é o consumidor.

Prêmio Nobel para o WikiLeaks

Acabo de ler o livro “Inside WikiLeaks”, escrito por Daniel Domscheit-Berg, que durante cerca de dois anos foi o braço direito de Julian Assange na direção do que ele próprio chama de “o site mais perigoso do mundo”. Os dois brigaram no final do ano passado, justamente quando o WikiLeaks passou a atrair a atenção mundial devido aos documentos secretos do governo americano. Um sucesso-relâmpago, que agora pode ganhar o Prêmio Nobel da Paz, para o qual acaba de ser indicado por um deputado da Noruega.

Berg abandonou o barco em setembro e em janeiro já lançava o livro, que conta os bastidores dessa verdadeira aventura (a imprensa já divulgou que Assange vendeu a Steven Spielberg os direitos para a produção de um filme a respeito). Se num site, jornal ou revista tradicionais já é difícil saber quem tem razão nesse tipo de briga, mais ainda num projeto como o do Wikileaks, que só existia (o site não está sendo atualizado e ninguém a essa altura sabe se irá continuar) porque suas atividades eram mantidas em regime semi-secreto.

Pelo que conta Berg, seu ex-colega – que na verdade foi o fundador do site – está longe de ser o democrata que a imprensa vem pintando. Além de não admitir contestações dentro da equipe, jamais prestou contas do dinheiro recebido através de inúmeras doações pelo mundo afora. Berg o acusa, entre outras coisas, de ser “racista”, defender o nazismo e de não cumprir os compromissos, inclusive financeiros, assumidos com seus parceiros e colaboradores. Suas atitudes paranoicas chegaram a tal ponto que praticamente todos os que o ajudavam acabaram saindo, incluindo o pessoal técnico que mantinha o site ativo – daí por que o WikiLeaks não conseguiu se sustentar, embora ainda possua milhares de documentos secretos por divulgar.

Vai saber… O fato é que Berg e os demais dissidentes lançaram o OpenLeaks, que segundo ele pretende resgatar o espírito original que Assange teria desrespeitado: servir de plataforma para a divulgação de informações de interesse público que a mídia tradicional normalmente não publica, atuando com a máxima transparência e isenção. Como o WikiLeaks no início, o site está aceitando voluntários.

Ah! Sim. Assange, que está em vias de ser extraditado para os EUA (onde responderia por crime de espionagem) ou para a Suécia (foi processado por estupro), prometeu processar Berg e os demais. Será que isso será incluído no roteiro de seu filme?

Filmes, também no Facebook

Em sua luta desesperada para encontrar novas formas de distribuição de conteúdo, Hollywood está lançando mais uma arma: a Warner anunciou ontem que os usuários do Facebook poderão baixar diretamente o filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight), pagando em créditos do próprio site. É a primeira experiência do gênero, com um detalhe que diz muito sobre a força das redes sociais: a direção do Facebook nada tem a ver com o projeto. A ideia foi da própria Warner, que diz já ter uma lista de outros títulos pronta para lançar no mesmo esquema, se este der certo. No sistema de créditos, o Facebook fica com 30% da receita. Nos EUA, o usuário paga 30 créditos (equivalente a 3 dólares) para “alugar” o filme, ou seja, assisti-lo via streaming por um período de até 48 horas. Enquanto assiste, ele pode continuar usando normalmente os serviços da rede, como postar comentários, atualizar suas mensagens e comunicar-se com seus “amigos”.

Vai ser interessante acompanhar a evolução dessa experiência. Com sua fantástica audiência (mais de 600 milhões de usuários em todo o mundo, segundo os dados oficiais), o Facebook pode se transformar no maior canal de distribuição de filmes do planeta. Segundo a empresa de pesquisas com.Score, somente em janeiro último mais de 42 milhões de vídeos foram assistidos pelo site, com uma média de 15,4 minutos para cada usuário (já é o sexto site de vídeos mais visitado).

Conservadores por natureza, os estúdios de Hollywood estão tendo que se virar para compensar a queda nas vendas de discos. Segundo The New York Times, já foi decretada a “morte” do DVD, ainda que o Blu-ray esteja longe de atingir os mesmos volumes de vendas e locação. Portanto, tudo que puder ser feito para atrair o consumidor a comprar ou alugar filmes, seja em que plataforma for, é válido. A Warner, aliás, é a mais criativa nesse aspecto: desde o mês passado, colocou no ar seu aplicativo para iPad e iPhone permitindo ver alguns filmes até mesmo com extras, como nos discos. Segundo li no The Wall Street Journal, essa alternativa não se restringe ao iTunes: mesmo no Brasil, onde a loja não funciona, é possível baixar o “app” para ver “Batman” e “A Origem”, por exemplo.

Não sou muito fã de ver filmes em telas pequenas, mas eis aí outra ideia que pode pegar. Vamos acompanhar.

Feiras, para todo mundo ir

Vai ser no próximo dia 16 de março o lançamento oficial do Salão Casa Digital, que acontecerá em julho, como parte da PredialTec, principal feira de automação residencial do país. Os organizadores planejam montar ambientes simulando uma casa de verdade (sala, cozinha, banheiro etc.) integrados com as mais modernas tecnologias. Estamos apoiando com entusiasmo e torcendo para que dê certo. O mercado precisa de eventos assim. Mais detalhes, no site www.predialtec.com.

Recebo também notícias sobre a BITS (Business IT South America), que será nos dias 10 a 12 de maio em Porto Alegre. A promoção é da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul e da Hannover Fairs, que representa no Brasil a Deutsche Messe, organizadora da CeBit, maior feira de tecnologia da Europa, que aconteceu esta semana em Hannover. Informações detalhadas em www.bitsouthamerica.com.br.

As tendências em 3D

Vimos esta semana os novos TVs 3D da LG, que utilizam óculos passivos (sem bateria). São óculos mais leves e bem mais baratos, parecem aqueles de cinema. Segundo a empresa, com isso o preço final dos TVs deve cair bastante – até porque a LG está ampliando sua linha de produção em Manaus e construindo mais três fábricas no Brasil (uma de TVs, uma de linha branca e uma de ar-condicionado). Os ganhos de escala quando se trabalha dessa forma são imensos.

Tecnicamente, não percebi muita diferença entre os dois tipos de imagem 3D (vejam aqui um vídeo). Mas os óculos, sem dúvida, são mais confortáveis; eu, que uso óculos normal, gostei das lentes 3D que podem ser sobrepostas, o que causa bem menos irritação do que ter de usar dois óculos, um por cima do outro. Apesar de muita gente reclamar, esse acessório continuará sendo indispensável por um bom tempo para quem quiser ver imagens tridimensionais – os TVs 3D sem óculos, que vimos em feiras no Exterior, ainda vão demorar. Mas o maior problema da tecnologia 3D ainda é a falta de conteúdo. Passando por Nova York no último fim de semana, procurei filmes desse tipo e encontrei quase nada – alguns desenhos animados, um ou outro documentário, e só. Trouxe um, com imagens fantásticas do Grand Canyon. Mas, convenhamos, é muito pouco.

O que pode mudar esse mercado é o lançamento das filmadoras e smartphones 3D. Panasonic, Sony e Samsung, além da própria LG, devem lançar esse tipo de aparelho no Brasil ainda no primeiro semestre. Com a possibilidade de fazer suas próprias gravações em 3D, talvez o consumidor se anime. É o que lhe resta.

Nossos ilustres demagogos

Enquanto cuidam de aumentar o próprio salário e ainda têm a cara de pau de dizer que o auxílio-moradia é insuficiente, nossos nobres deputados e senadores arrumam tempo para fazer demagogia. Vejam a proposta de Rodrigo Rollemberg (PDB-DF): emenda constitucional tornando a inclusão digital um dos direitos sociais do cidadão (assim como já são educação, saúde, moradia, segurança… todas essas coisas que, como sabemos, o brasileiro tem de sobra).

O ilustre senador se diz incomodado com o fato de estudantes pobres, negros e moradores de regiões menos desenvolvidas não terem acesso à internet. E acha (isto é, afirma) que isso será resolvido transformando esse direito em obrigação constitucional do Estado. Será que alguém ainda cai nesse tipo de conversa? Como me disse um amigo advogado, se dependesse de leis o Brasil seria o melhor país do mundo, pois elas existem aos montes, e para todos os gostos. Afinal, para aprovar uma lei basta saber usar essa infinita demagogia, que é marca registrada de nossos políticos.

E os pobres, negros e demais brasileiros, que já não têm educação, saúde, moradia, segurança – estes ficarão também sem internet.

Os novos TVs de LED

Meu colega Alex dos Santos testou um dos primeiros TVs LCD da Panasonic, que é, entre os grandes fabricantes, aquele que mais investe no plasma. É um aparelho bem interessante, com 42 polegadas, Skype embutido e até recursos de interatividade, que a Globo e o SBT já estão colocando no ar. Deem uma olhada neste vídeo.

De fato, com a introdução dos painéis de led, a tendência de crescimento dos LCDs é irreversível, como aliás confirma esta nova pesquisa da DisplaySearch, divulgada nos EUA. Os modelos convencionais devem ficar mesmo para os nichos mais populares, em que a questão da qualidade de imagem é menos importante do que o preço, enquanto os LED-LCDs vão disputar o segmento top. No mundo inteiro, houve uma inversão na participação de mercado entre os dois tipos de TV: um ano atrás, os leds representavam apenas 9% das vendas mundiais de LCD; hoje, representam 62%. Precisa dizer mais?

Bem, muitos me perguntam sobre as diferenças entre TVs LED-LCD e plasmas. A reportagem de capa da edição de março da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL trata justamente desse tema polêmico. Depois de analisar uma infinidade de modelos, de várias marcas, nos últimos dois anos, continuo achando que os plasmas são mais eficientes em dois aspectos primordiais: contraste e tempo de resposta. O melhor teste é ver um filme de ação com cenas escuras. O LCD ainda não conseguiu se equiparar ao plasma nesses dois quesitos.

Mas atenção: com os painéis de LED, a diferença diminuiu bastante. E há a questão da espessura. As telas ultrafinas realmente têm um charme especial, e dificilmente veremos plasmas com menos de 2cm, como já acontece com os LED-LCDs. Como nos velhos TVs de tubo, a tecnologia de plasma exige uma certa profundidade interna para produzir imagens claras.

Aliás, uma dica para quem for comprar TVs de tela ultrafina: muito cuidado no transporte e no manuseio. Já ouvi relatos de pessoas que receberam em casa TVs rachados! Claro são aparelhos extremamente sensíveis, que exigem normas especiais da transportadora. Nos casos que ouvi, a loja trocou o aparelho. Mas também há usuários que não sabem cuidar de seu patrimônio. Cuidado: um TV desses deve ser tratado como uma joia.

Kodak contra a parede

Mais um símbolo do capitalismo está em dificuldades. E agora parece que a coisa é séria. A Kodak, que meses atrás anunciou o enterro do filme Kodachrome (leia aqui), está sendo forçada a se oferecer no mercado a um possível comprador. A pressão vem de acionistas minoritários, que segundo The Wall Street Journal estão inconformados com a desvalorização da empresa nos últimos anos. Desde 2004, houve apenas um ano (2007) sem prejuízo, a ponto de a respeitada agência de classificação de risco Standard & Poors ter esta semana rebaixado a empresa em seu ranking para investidores. O maior problema é que a Kodak não conseguiu se recuperar das perdas decorrentes da digitalização, que acabou com o filme fotográfico de celulóide, nem criar um novo modelo de negócio na era digital. O atual CEO, Antonio Perez, está sendo pressionado a colocar a empresa à venda antes que as cotações caiam mais ainda.

É isso: o capitalismo é muito bom – mas só quando dá lucro.

R$ 150 mil em 25 minutos!

Havia um corre-corre nos bastidores do evento da LG, hoje de manhã. Motivo: para esta noite, encerrando a festa, a empresa contratou ninguém menos do que o ex-presidente Lula, que fará uma palestra prevista para 25 minutos. Além dos convidados tradicionais (empresários, clientes, fornecedores), a assessoria da empresa se desdobrava para atender mais de 600 jornalistas que pretendiam cobrir o acontecimento. Vai ser a primeira fala pública de Lula depois de sair do governo. Entre os colegas que cobriam o evento, perguntavam-se coisas como “será que ele vai aguentar falar só por 25 minutos”? Ou: “Será que vai dar palpite no governo Dilma”? Ou ainda: “Será que vai chegar sóbrio”?

Fato é que Lula está cobrando, segundo se comentava, R$ 150 mil pelos tais 25 minutos de presença, um cachê nada desprezível. Fazendo aqui as contas, concluí que um trabalhador, ganhando o novo salário mínimo, levaria mais de 22 anos para receber o mesmo valor.

600 lançamentos em um ano!

Acabo de chegar do evento Digital Experience 2011, promovido pela LG hoje em São Paulo. Além de demonstrar uma série de produtos – de home theater à linha branca – a empresa coreana chama atenção pela ousadia: serão cerca de 600 lançamentos ao longo de 2011, segundo Humberto De Biase, novo diretor de marketing, que fiquei conhecendo lá. “O movimento que vimos no ano passado, com a classe C passando a consumir mais, não se esgotou com a Copa do Mundo”, nos disse ele. “São pessoas que estão tendo a oportunidade de elevar o seu padrão de vida, e esse processo continua. Nosso papel é oferecer a elas os produtos que precisam para ter mais conforto e entretenimento em suas casas”.

Entre esses produtos, os que achei mais interessantes foram o tablet Optimus Tab (foto), o primeiro que vem com câmera 3D embutida; um sistema de home theater que a empresa chama de “Real 3D Sound” (projeta o som para cima, aumentando a sensação de envolvimento); e a enorme quantidade de aplicativos para TVs do tipo smart, que acessam a internet. A LG está sendo, entre todos os fabricantes, a mais agressiva nas parcerias com fornecedores de conteúdo para TVs conectados. A lista já inclui algumas revistas da Editora Abril, o jornal O Estado de S.Paulo, os portais UOL, iG e Terra, a loja de venda de músicas Sonora e a Microsof, com o Windows Live Messenger. “E vem mais por aí”, me garantiu Daniel Almeida, gerente de plataformas multimídia da empresa, que não quis revelar quais serão os próximos parceiros.

Vimos ainda alguns produtos que tinham sido exibidos na IFA, em setembro, e na CES, em janeiro. Caso dos TVs NanoLED, mais finos do que os atuais, e dos TVs 3D com óculos passivo, que deverão custar menos que os convencionais (o óculos ativo utiliza bateria e é bem mais caro). E vimos também uma demonstração do Smart Upgrader, que apesar do nome não ser lá muito feliz para o público brasileiro deve fazer sucesso: é uma caixinha, quase do tamanho de um maço de cigarros, que pode ser conectada (via HDMI) a qualquer televisor para conectá-lo à internet. Qualquer mesmo: nem precisa ser um TV LG.

Vejam neste vídeo uma pequena demonstração do TV 3D com óculos passivo.

E por falar em gente séria…

Um escândalo a denúncia de Mario Cesar Carvalho, repórter da Folha de São Paulo, de que um sociólogo, funcionário da Secretaria de Segurança do Estado, vendia dados confidenciais obtidos através de seu cargo. O tal sociólogo prestava consultoria a empresas, o que, como se sabe, é proibido por lei. Pior: tinha acesso a dados sigilosos, cuja divulgação, segundo ele mesmo afirmou, na maior cara de pau, é vetada “para não alarmar o público”.

Menos mau que o cidadão foi demitido algumas horas depois da notícia ser divulgada. Mas, ainda assim, é um escândalo: o cara alegou que foram seus superiores (quem?) que lhe sugeriram abrir uma empresa de consultoria, já que seu salário era baixo. Quantos mais haverá por aí na mesma situação?