Archive | setembro, 2013

Tecnologia para senhoras e senhores

tourEste é o tipo de iniciativa que dificilmente veríamos no Brasil: devido ao grande sucesso no ano passado, a organização da IFA 2013 resolveu repetir o Guided Tour 60+. Trata-se de excursões guiadas pelos estandes, gratuitas, para as quais as pessoas se inscrevem. Tudo tem hora marcada, germanicamente, e o passeio dura duas horas. O detalhe é que só pode participar quem tem 60 anos ou mais.

Num segmento (o de tecnologia) em que quase tudo é dirigido aos jovens, ou adultos na faixa até 40 anos, é mais do que louvável alguém se preocupar com as pessoas mais velhas. Nada a estranhar, num país onde a população acima de 60 é quase tão numerosa quanto a dos abaixo de 18. Há décadas que o governo daqui dá atenção cuidadosa aos aposentados, mantendo programas de socialização e atendimento que em nada lembram as filas do INSS. O que a IFA está fazendo, portanto, é mais do que natural nesse ambiente.

Sem contar que os próprios expositores colaboram, reservando monitores especializados para explicar as inovações numa linguagem fácil para quem é leigo. Não que sejam bonzinhos: eles sabem que ali está um mercado consumidor de alto potencial, já que nessa faixa etária muita gente passa mais tempo dentro de casa.

Microsoft, em cima da hora

nokia-microsoft-partnershipE quando estávamos aqui em busca de notícias sobre os produtos a serem exibidos na IFA, em Berlim, do outro lado do Atlântico – na verdade, mais perto até do Pacífico, que banha a Costa Oeste dos EUA – era decidida boa parte do futuro da indústria eletrônica. Não estou exagerando. A compra da Nokia pela Microsoft, oficializada na segunda-feira à noite, embora fosse prevista, é um daqueles negócios que têm impacto sobre toda a cadeia: fabricantes, operadoras, fornecedores de conteúdo, desenvolvedores e, claro, consumidores.

O CEO da Microsoft, Steve Ballmer, foi feliz quando disse que o negócio é “um grande passo em direção ao futuro”. Faz lembrar a célebre frase “um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”, dita pelo astronauta Neil Armstrong em 1969, ao pisar na Lua. Se a façanha de Armstrong, embora extraordinária, mudou quase nada em nossas vidas, ouso dizer que a união Microsoft-Nokia pode transformar muita coisa. A começar por uma coincidência: será provavelmente a última grande decisão de Ballmer, que deixa o cargo no início de 2014.

stephen-elop-nokia-and-steve-ballmer-microsoft-640x430Talvez nem seja coincidência. Ballmer – que a maioria dos analistas considera um executivo medíocre – deve ter procurado fechar o negócio, calculado em US$ 7,17 bilhões, como uma espécie de “canto de cisne” para seus pouco mais de 15 anos à frente da Microsoft. E quem deve substituí-lo é Stephen Elop, que até ontem era… isso mesmo, CEO da Nokia. Elop já esteve ma MS e saiu, entre outros motivos, por desavenças com Ballmer (na foto, os dois juntos). Em matéria de carisma, simpatia e respeito dos funcionários (das duas empresas), dá de goleada neste.

Claro, é impossível fazer previsões seguras neste momento, até porque o nome de Elop nem foi ainda sacramentado pelo Conselho da Microsoft (embora ele tenha, entre seus apoiadores, um tal de Bill Gates). Mas podemos arriscar quais serão seus desafios, não necessariamente por ordem de importância:

*Consolidar a plataforma Windows Phone, que até agora patina (tem apenas 3,7% do mercado mundial), e torná-la tão atraente quanto Android e iOS;

*Acalmar os ânimos de parceiros históricos da Microsoft (como Samsung, LG e HTC), que continuam sendo concorrentes da Nokia; só lembrando: esse foi o mesmo problema da Google ao comprar a Motorola, em 2011, e até hoje causa conflitos.

*Decidir o que fazer com a Skype, que custou US$ 8,5 bilhões e é um sucesso mundial, só que não dá lucro;

*Tornar a gigantesca Microsoft mais ágil em suas decisões, para evitar derrotas como as dos segmentos de buscas (com o Bing) e de MP3 (com o player Zune);

*Eliminar as eternas desconfianças de usuários e desenvolvedores em relação ao Windows e suas instabilidades (suas versões Vista, 7 e 8 fracassaram) para, com isso, ganhar espaço no hoje decisivo segmento de aplicativos;

*Mudar a imagem envelhecida da Nokia, aprimorando o design de seus produtos; como diz o próprio presidente da empresa, Risto Siilasmaa, “este é um momento de reinvenção”.

A frase, aliás, vale para as duas empresas, que agora se tornam só. Se reinventar um gigante já é complicado, que tal reinventar dois? Tarefa para gigantes.

Na terra de Dick Tracy

130124_AppleiWatch10Quinze horas depois de sair de São Paulo, e com uma mala a menos, cá estou em Berlim para a cobertura da IFA 2013. Embora seja o sétimo ano seguido, esta cidade tem um clima que sempre entusiasma. Não falo do clima meteorológico, que a garota hoje está bem paulistana, mas das vibrações que estão no ar. Placas de divulgação sobre a IFA espalham-se desde o portão de chegada, no aeroporto, até o quarto do hotel, incluindo ruas e praças. Outdoors de alguns fabricantes que vão expor no evento competem com os cartazes sobre as eleições que ocorrerão na Alemanha no fim do mês.

Até este momento, apenas duas surpresas. A primeira, tristemente simbólica, foi constatar que o mundo está perdido mesmo… Sim, quando uma empresa aérea alemã perde a bagagem de vários passageiros (a minha incluída, naturalmente), significa que algo muito terrível está acontecendo no chamado Primeiro Mundo. Puseram a culpa no aeroporto de Cumbica, onde nosso avião demorou hora e meia para ser autorizado a decolar (“congestionamento na pista”, explicou o piloto), mas o problema ocorreu com pelo menos dez outras pessoas que pegaram a conexão Frankfurt-Berlim; alguns vinham de Jacarta, outros de Lisboa, Malta… então, o problema não foi brasileiro, certo?

A segunda surpresa foi ver que o produto mais comentado da IFA até agora não é nenhum TV de tela gigante, mas um relógio de pulso. Sim, o SmartWatch, anunciado pela Samsung (apesar da marca pertencer à Sony) e que, pelas descrições, realiza enfim o sonho de todos os homens da minha geração (bem, quase todos…) de ter um relógio igual ao do Dick Tracy. Quero ver se é bom mesmo. Mas só acredito se o bichinho fizer reaparecer minha mala.

A caminho de Berlim

ifa-berlin-1096-800x800Neste domingo seguimos para Berlim, onde a partir de terça-feira muito trabalho nos aguarda. A edição 2013 da IFA será aberta oficialmente na sexta, mas antes disso já teremos visto boa parte dos principais lançamentos e demonstrações. Será o sétimo ano consecutivo em que acompanharemos ao vivo o evento e mostraremos os detalhes, quase em tempo real, no site hometheater.com.br. E também aqui, claro. Fiquem ligados.

Controle remoto do futuro

Não é novidade que tablets e smartphones são usados para controlar inúmeros aparelhos. Quase todos os sistemas de automação, por exemplo, já trazem um aplicativo para iOS ou Android com essa finalidade: dispensam-se os controles remotos convencionais e passa-se a usar apenas iPhone ou iPad (ou seus equivalentes). Como esses aparelhos estão se tornando onipresentes, resolve-se assim o velho problema de ter vários controles na casa.

O mérito, mais uma vez, é da Apple, que ao criar o conceito de aplicativos (apps) deu ao mundo mais um segmento (bilionário) de mercado. As estatísticas oficiais dizem que já são mais de 300 mil apps para iPhone, sendo que um terço deles têm suas versões para iPad. No mundo do Android, os números são mais baixos, mas ainda assim na casa das dezenas de milhares. E crescendo. Os apps passaram a ser adotados por toda a indústria eletrônica e, consequência natural, por praticamente todos os setores da economia mundial. Geraram até um novo tipo de profissional, o desenvolvedor, cada vez mais requisitado e valorizado.

Nada mais natural, portanto, do que esta notícia: “Apple registra patente para transformar iPhone em controle remoto universal”. Foi na última quinta-feira. A empresa da maçã obteve a patente No. 8.519.820, concedida pelo U.S. Patent and Trademark Office (correspondente ao nosso INPI), para o que foi definido como “sistemas e métodos para salvar e restaurar cenas num sistema multimídia”.

Segundo o site Apple Insider, a descrição técnica da patente é a de um controle remoto capaz de se conectar, via software, não apenas com aparelhos de áudio e vídeo, mas com todos os dispositivos que possam ser acionados sem fio. É o caso de luzes, cortinas elétricas, ar condicionado, alarmes e um praticamente infinito etc. A palavra “cena”, no caso, se refere à possibilidade do software ser autoconfigurável, detectando sinais emitidos por outros aparelhos e salvando essas informações numa memória interna. Exemplo citado pelo site: o nível de volume de um amplificador é identificado pelo software como uma “cena”; se o usuário costuma manter o equipamento naquele volume, o controle armazena esse dado como referência para ajustar automaticamente toda vez que o aparelho for ligado.

O mesmo conceito se aplicaria aos ajustes de intensidade das luzes e do ar condicionado, abertura e fechamento de cortinas. Serviria também para alimentar o software com dados sobre as preferências dos usuários, permitindo oferecer a ele (ela) sugestões para assistir, gravar etc. E, claro, tudo isso viria acomodado num celular, após o download do aplicativo (como mostra o desenho abaixo).

patente apple