Conheça os TVs do futuro

Por Orlando Barrozo* 

        Não é mais novidade que a TV está mudando. A chegada das transmissões digitais significa uma revolução, que aos poucos irá entrando na sua casa. E não estamos falando da programação; esta já mostra uma cara diferente, mas só em alguns horários. A revolução mais visível está chegando no design dos televisores; ou, como querem alguns, na forma como cada telespectador irá usar a TV.

        Da TV 3D às telas ultrafinas, dos displays que atendem aos gestos do usuário às telas super-largas como as de cinema, o ano de 2009 está cheio de novidades em TVs. Algumas delas foram vistas na última CES, em janeiro, e você pode conferi-las no hot site www.hometheater.com.br/ces09.

        A inovação mais badalada (e que pode chegar ao mercado brasileiro ainda neste primeiro semestre) é o TV de LED: o display é finíssimo, chegando a medir 2 a 3mm de espessura, com maior brilho e menor consumo de energia. Mas as transformações da nova geração de TVs vão muito além. A principal delas talvez seja o acesso direto à internet, que agora irá dispensar o computador. Os novos TVs da Sony, LG, Panasonic e Samsung trazem essa capacidade – e talvez cheguem ao mercado brasileiro este ano. Mas tem muito mais vindo por aí. Confira:

 

OLED

        Apresentados pela primeira vez em 2007, os TVs de tela orgânica (Organic Light-emitting Diode) foram uma sensação. Muitos achavam que iriam rapidamente dominar o mercado. Mas não é bem assim. Com o tempo, viu-se que o custo de produção desses aparelhos em escala comercial é muito alto. A Sony, única até agora que lançou um modelo (de 11”), vem exibindo protótipos maiores em feiras internacionais, mas não fala em novos lançamentos. LG e Samsung já demonstraram telas OLED de 27” e 31”, mas também não têm planos imediatos de colocá-los no mercado. Tecnicamente, os displays OLED apresentam diversas vantagens sobre plasmas e LCDs. São mais finos, oferecem maior potencial de brilho e intensidade de cores e consomem menos energia. Mas os custos de fabricação, ainda mais em tempos de crise, devem retardar sua evolução.

 

TV 3D

        Vários fabricantes estão na corrida para lançar o primeiro televisor capaz de reproduzir imagens Full-HD em 3D. Como ainda não há uma padronização, existem sistemas diferentes em desenvolvimento (mais detalhes aqui). Basicamente, a imagem original sofre um pequeno atraso, de modo que o olho direito e o esquerdo percebam imagens ligeiramente diferentes. Todos os sistemas 3D conhecidos exigem o uso de óculos especiais; somente os da Philips e da LG dispensam esse acessório, mas só podem ser apreciados quando se fica exatamente na frente da tela. Outros fabricantes – como Panasonic, Sony e Mitsubishi – vêm demonstrando seus protótipos (com óculos) em eventos internacionais, mas o lançamento comercial ainda esbarra na falta de conteúdos em 3D. Quem parece mais adiantada é a Panasonic, que na última CES demonstrou um plasma Full-HD de 103” reproduzindo imagens em 3D da Olimpíada de Pequim e desenhos animados da Disney. A empresa diz que desenvolveu um processo de gravação em Blu-ray, no qual as duas imagens – a do olho direito e a do esquerdo – são em resolução 1080p.

 

AS MÃOS, NO LUGAR DO CONTROLE REMOTO

        Desde o lançamento do videogame Wii, da Nintendo, ficou claro que era viável dotar um display de sensores de movimento, permitindo que o usuário comande o aparelho com gestos. Na última CES, a Toshiba fez as primeiras demonstrações públicas do que chamou Spatial Motion Interface. Trata-se de um display 3D dotado de um sensor de movimentos e de um processador interno. Com base nos gestos de quem está à frente do TV, o processador move as figuras na tela (este é um vídeo que mostra o efeito). O produto, no entanto, ainda deve demorar a chegar ao mercado.

 

TV A LASER

        O uso do laser para gerar imagens de alta definição vem sendo pesquisado há anos, mas com poucos resultados práticos. Quando a Mitsubishi anunciou, na CES 2008, que tinha desenvolvido um TV desse tipo, todos os especialistas se espantaram – a empresa manteve essas pesquisas em segredo, sem compartilhar com ninguém, o que é arriscado hoje em dia (o fabricante acaba ficando sozinho e arcando com todos os custos de desenvolvimento). Na verdade, o produto foi mostrado para poucas pessoas, e a repercussão foi mínima. Somente na CEDIA Expo, em setembro passado, o LaserVue (nome comercial do TV a laser) pôde ser visto por todos os visitantes, chamando atenção pelo alto índice de brilho das imagens, mas com resolução muito inferior à dos plasmas e LCDs já conhecidos (veja o vídeo que fizemos no evento). Um modelo de 65” foi lançado em algumas lojas dos EUA no final do ano, ao preço de US$ 7 mil, sem sucesso. A crise econômica pode ter atrapalhado, mas o fato é que a TV a laser foi uma decepção. Hoje, pode-se afirmar que essa tecnologia é uma completa incógnita.

 

TV DE CÉLULA

        Um dos maiores fabricantes mundiais de chips, a Toshiba apresentou no ano passado uma nova linha de semicondutores baseados em células. Ao contrário dos chips convencionais, as células podem ser reprogramadas, ou seja, para inserir novos recursos não há necessidade de trocar o aparelho, apenas fazer a atualização do software. Chips desse tipo já equipam, por exemplo, os novos consoles PlayStation 3. No caso dos TVs, a maior vantagem será a velocidade de processamento. Segundo a Toshiba, o “Cell-TV” é capaz de identificar e processar instantaneamente os sinais vindos de várias fontes diferentes – diversas emissoras, por exemplo. Os TVs atuais, mesmo os digitais, levam dois ou três segundos nesse processo. Assim, será possível sintonizar até 48 canais diferentes na mesma tela, numa nova modalidade de streaming.

       

TV COM iPOD

        Conexões do tipo USB e entrada para cartão de memória serão cada vez mais comuns nos TVs daqui por diante. É a convergência digital chegando à sala de estar! Levando esse conceito ao extremo, a JVC apresentou na CES ´09 um TV com entrada para iPod. Essa é uma tendência, mas apenas uma. O usuário vai ganhar mais opções para ligar qualquer tipo de aparelho ao seu TV: câmera, filmadora, notebook, pen-drive, MP3 player e até celular. A idéia é simplificar a reprodução dos conteúdos que a própria pessoa produz, como vídeos domésticos ou de viagens, fotos da família e imagens baixadas da internet ou recebidas por e-mail. Alguns TVs com entrada USB já estão à venda no Brasil.

 

TELA DE CINEMA

        Em fevereiro, a Philips apresentou oficialmente o “Cinema 21:9”, primeiro TV de uso doméstico com tela super-wide. A proporção de 2.39:1, mais larga que a dos TVs widescreen convencionais (16:9, ou 1.77:1), replica a relação de aspecto (aspect ratio) das telas de cinema, feitas para

reproduzir os filmes em todos os seus detalhes. Hoje, ao ver um filme em DVD ou Blu-ray, o usuário acaba perdendo parte do impacto da imagem, ainda que possua um TV de 50” ou 60”. Esses TVs são do tipo 16:9 e, como a largura do filme é maior, o TV precisa compactar a imagem para fazê-la caber nas dimensões da tela. Isso é feito de duas formas: cortando as laterais da imagem, ou reduzindo a altura, o que resulta em tarjas pretas no alto e em baixo da tela. Com os TVs super-wide, o problema deixa de existir. O primeiro modelo apresentado pela Philips é um LCD de 56”. 

*Publicado originalmente em fevereiro de 2009, na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL.

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