Archive | fevereiro, 2011

A força das palavras

“Nenhuma ferramenta pode ajudar mais o País a sair da miséria do que a Educação”. Pode até ser mero marketing, mais uma vez, mas não há como deixar de registrar o contraste entre o primeiro discurso da presidente Dilma e as centenas de falas de seu antecessor. Pode-se até afirmar que “nunca antes neste país” um sucessor (no caso, sucessora) fez um contraponto tão claro. Se Dilma vai ou não transformar essas palavras em ações concretas, é impossível saber. Mas, pelo menos, ela não se vangloria de ser ignorante, como fazia Lula, ensinando com isso que é preciso, sim, estudar e estimular a educação de qualidade, valorizar os professores e os livros, coisas que Lula vivia desprezando enquanto fazia seus acordos de botequim.

Para quem atua na área de tecnologia, também foi interessante ouvir da presidente que a inclusão digital é prioridade, assim como o Plano Nacional de Banda Larga. Educação, tecnologia, inclusão… Que as palavras não se percam ao vento…

Mais uma vítima do varejo

Falando em mercado americano, esta semana se confirmou a falência da rede especializada Ultimate Electronics, que tinha 64 lojas espalhadas por 15 estados. Fundada em 1968, é mais uma vítima da crise 2008/09 e da rápida mudança tecnológica: não soube se adaptar à convergência digital, nem conseguiu montar um bom esquema de e-commerce. Com dívidas estimadas entre 100 e 500 milhões de dólares, não tinha mesmo como sobreviver.

O site CE Pro, especializado em análises do varejo de eletrônicos, fez um interessante levantamento mostrando quais as empresas que mais perdem com a quebra da Ultimate, ou seja, os fornecedores que ficaram com o “mico” de ter entregue toneladas de equipamentos à rede sem receber o pagamento correspondente. Vejam alguns deles:

Sony – US$ 4,7 milhões de prejuízo

Monster Cable – US$ 2,3 milhões

Klipsch – US$ 1,8 milhão

Mitsubishi – US$ 1,6 milhão

Toshiba – US$ 1,4 milhão

Omnimount – US$ 913 mil

Yamaha – US$ 772 mil

EUA: 3D, enfim, está no ar!

No último fim de semana, os americanos tiveram o privilégio de assistir à decisão do seu campeonato de futebol (Super Bowl) em 3D. E neste domingo vai ao ar, oficialmente, o canal 3D da DirecTV, exibindo conteúdos das emissoras Sony, Discovery e IMAX (esta produz documentários em 3D para cinema e agora também para televisão). O 3Net – nome do novo canal – foi anunciado no começo do ano passado, na CES 2010, e é considerado o primeiro grande teste para a tecnologia 3D. Promete levar conteúdo 3D 24 horas por dia.

Segundo o site especializado TV Technology, até agora foram vendidos no mercado americano menos de 700 mil televisores 3D. Mesmo com algumas atrações já sendo levadas ao ar desde julho (como o canal de esportes ESPN e alguns filmes convertidos de 2D para 3D), o público não parece sentir-se atraído pela novidade.

As três emissoras garantem ter feito muito investimento na produção de conteúdo original, que continua sendo a grande queixa dos usuários de TVs 3D. Vamos ver se agora decola.

No país da fraude

Outro dia, via na TV a história de um homem que “vendia” empregos no serviço público. Cobrava R$ 4 mil de suas vítimas para conseguir vagas sem necessidade de concurso. Vários caíram nessa, o que vem provar que o brasileiro tem uma capacidade inabalável de tentar levar vantagem em tudo, sempre. O tal trambiqueiro foi preso, mas acho que as “vítimas” também deveriam ser; afinal, sabiam que aquilo era trambique. Ou não?

Lembrei dessa história ao ler a notícia de que provedores já estariam oferecendo conexões de banda larga por conta da Telebrás, sem estarem autorizados por esta. A denúncia partiu do próprio presidente da empresa, Rogerio Santanna (leia aqui os detalhes), advertindo que ninguém ainda pode comercializar essas linhas. As fraudes vêm acontecendo, segundo ele, em Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão e Rio Grande do Norte.

Quem caiu nessa merece.

Isso é que é coragem!

Impressionantes as declarações de Stephen Elop, novo CEO da Nokia, reconhecendo que a situação da empresa é grave. “Nossa plataforma está pegando fogo”, disse ele num memorando aos executivos da empresa que, nesta quinta-feira, vazou pela internet. Amanhã (sexta), Elop deve anunciar um acordo com a Microsoft pelo qual a empresa finlandesa simplesmente abre mão de seu sistema operacional Symbian para adotar o Windows Mobile corrigindo: Windows Phone 7. Ao mesmo tempo, negocia com a Google para passar a usar também o Android em alguns modelos de smartphone.

Elop, contratado da própria Microsoft há cerca de cinco meses, usou palavras fortes para descrever a situação da Nokia, que por enquanto ainda é líder no segmento de celulares. Comparou a empresa a um homem sobre uma plataforma de petróleo pegando fogo. “E a Nokia ainda jogou mais gasolina sobre essa plataforma. O primeiro iPhone saiu em 2007, e até agora não temos nem um produto que chegue sequer perto. O Android saiu há dois anos e acaba de tomar nossa liderança. É inacreditável. Vamos ter muito trabalho para transformar esta empresa”.

Leiam aqui a íntegra do memorando, em inglês. Pelo jeito, muitas cabeças vão rolar na Finlândia.

Os tablets e os impostos

Essa história da Apple ir ao governo brasileiro pedir redução dos impostos sobre os tablets está meio esquisita. É evidente que a tributação brasileira é vergonhosa, não apenas para produtos eletrônicos, mas para quase tudo. Mas, se alguém na Apple imaginou que o atual governo iria se sensibilizar e fazer cair, por decreto, o preço do iPad, deve ter delirado. Segundo o site Convergência Digital, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que recebeu a vice-presidente da empresa americana, Catherine Noveli, de fato trabalha para reduzir os impostos sobre produtos de informática (inclusive tablets), mas apenas para aqueles fabricados no Brasil. A ideia, claro, é incentivar a produção no país e a consequente criação de empregos. O que se discute é ampliar a isenção de PIS e Cofins para os fabricantes, além de eliminar totalmente o IPI, como foi feito, por exemplo, com produtos de linha branca.

E a Apple, convenhamos, não é das empresas mais propensas a investir numa fábrica brasileira. Vai muito bem, obrigado, com sua operação na China, de onde espalha todos os seus produtos pelo mundo, com muita competência, aliás. Já comentamos aqui que Steve Jobs nem quis ouvir quando o governador do Rio, Sergio Cabral, acenou com a possibilidade de incentivos para montar produtos da Apple no Rio, lembram-se? E há também aquela história (enrolada) do empresário Eike Batista querendo montar aparelhos da empresa aqui, junto com os chineses. Sei não…

De qualquer modo, este governo parece convencido de que apoiar o setor de tecnologia só pode trazer ganhos ao país. A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica), que nesse ponto é muito mais atuante que a Eletros, está se mobilizando em Brasilia e até já “nomeou” um deputado (Beto Albuquerque, PSB-RS) com essa missão. O plano é embarcar tudo na medida provisória 517, que já estipula alguns benefícios para o setor e deve ser votada em breve pelo Congresso. Único problema: com o governo tendo que apertar gastos, falar em isenção tributária é quase uma heresia. Vamos ver como a presidente Dilma irá administrar todos os interesses envolvidos.

Foi dado o primeiro passo

Tivemos ontem a primeira reunião do grupo que está organizando o Programa de Aperfeiçoamento em Sistemas Eletrônicos Residenciais, que começa em março. Depois de várias conversas, finalmente o grupo está formado e começa a trabalhar. A ideia é oferecer aos profissionais brasileiros do setor uma série de cursos cobrindo as principais áreas da tecnologia que têm a ver com projetos residenciais: áudio, vídeo, acústica, automação, elétrica, cabeamento. Teremos ainda módulos voltados às novas tecnologias e ao marketing do segmento. O currículo – que está disponível no site www.homexpert.com.br – foi montado como uma base para dar ao profissional condições de, pelo menos, exercer sua atividade com mais segurança e competência.

A revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que apoia e dá suporte a essa iniciativa, irá divulgar regularmente as atividades do Programa, inclusive através de suas mídias online; aliás, a maior parte dos trabalhos será desenvolvida mesmo via internet, e os participantes poderão acessar no site uma série de conteúdos de aprendizado extremamente valiosos.

Um dos diferenciais desse programa é a certificação a ser concedida aos participantes que cumprirem todas as etapas, a saber: assistir às aulas de todos os módulos (serão quatro durante o ano) e passar por uma avaliação técnica final, diante dos instrutores. A certificação “Home Expert” passará então a ser uma espécie de cartão de visita do profissional, como já acontece nos EUA e em alguns países da Europa, onde o conceito de aperfeiçoamento contínuo é muito valorizado.

Bem, voltaremos ainda a falar muito desse assunto aqui. As inscrições já estão abertas. Ao site, portanto.

Frases para descontrair

Como muitos leitores gostam das frases postadas neste blog, tomo a liberdade de sugerir algumas novas, agora reunidas na seção “Frases Bem-humoradas“. Conforme a disponibilidade, vamos acrescentando outras, aos poucos. Para a maioria dos problemas cotidianos, penso eu, rir continua sendo o melhor remédio. Mas não se iludam: entre um riso e outro, os autores também nos fazem pensar – e muito. Boa diversão!

As lições do Egito

As últimas notícias que chegam do Egito, enquanto escrevo, indicam que o ditador Mubarak já está fora da capital (Cairo), temendo uma possível invasão de sua residência oficial. Mais de 1 milhão de pessoas caminham em direção ao palácio do governo, e nessas condições tudo pode acontecer – até porque parece que o exército já não reprime mais as manifestações.

Pergunta: de quem é a culpa por tudo isso? Resposta óbvia: do ditador, claro, que há 30 anos não larga o poder, num dos países mais populosos da África e dos mais importantes do mundo, do ponto de vista geográfico e estratégico. Resposta não tão óbvia, mas cada dia mais visível: das redes sociais.

Sim, mesmo com o governo local cortando as comunicações, o movimento que havia começado há duas semanas, logo após a derrubada do ditador da Tunisia (outro país árabe da África e também estratégico, pela sua proximidade com a Europa), ninguém conseguiu conter o fluxo de informações via Twitter, Facebook, YouTube e demais mídias online. Espalhadas pelo mundo inteiro, as redes se encarregaram de espalhar – através de textos, fotos e vídeos – o que estava acontecendo no Egito. Contribuem assim para o colapso de mais uma ditadura. E mais: populações de outros países da região, igualmente vítimas de ditadores corruptos, já se manifestam, mobilizadas pela mesma comunicação via redes online. “Quem será o próximo”? É a pergunta que se fazem os analistas: Jordania? Iêmen? Arábia Saudita? Quem sabe até Irã?

“Quanto mais eles bloqueiam, mais nós evoluímos”, disse um ativista ao site americano IDG News Service, que explica em detalhes como os egípcios se organizaram para driblar as restrições e expandir seus protestos. Como mostra brilhantemente Cristina de Luca neste artigo, a internet não é boa nem má. E todos os governos atuais sabem disso. A questão é como cada um tenta controlar o fluxo de informações, coisa que, felizmente, parece que Mubarak não conseguiu.