O problema é o aluno? Ou a escola?

13 de junho de 2011

Sem querer, a garota Jannah, de 15 anos, que criou uma comunidade no Facebook para reunir seus colegas de classe, prestou um excelente serviço: despertou a discussão em torno do despreparo das escolas diante da evolução tecnológica. Jannah estuda no Colégio Ph, de classe média alta, um dos mais conceituados do Rio de Janeiro. Em março último, ela achou uma boa ideia criar na rede um grupo para compartilhar com seus colegas os temas que todos deveriam estudar. Muitos aderiram. Na semana passada, Jannah foi chamada pela diretora, que a advertiu duramente, diante de dois professores. “Disseram que, se ela não apagasse a página, eu poderia ser presa por crime cibernético”, relatou sua mãe, que registrou queixa na polícia e está processando a escola por danos morais (leia a história aqui).

Em sua defesa, o colégio alegou que apenas seguiu sua “linha pedagógica” e que a garota usava o logotipo da instituição e veiculava material didático sem autorização. Ou seja, a preocupação de seus responsáveis não é exatamente com o ensino, nem com a forma como seus alunos estão absorvendo o que lhes é ensinado, mas sim com o uso não autorizado de seu material. É bem típico das escolas brasileiras caracterizar seus estudantes em “alunos-problema”, quando na verdade elas e seus professores é que são o problema. Se no ensino público o cenário é de desolação, pela falta de estrutura e apoio dos governantes, nas escolas particulares – mesmo aquelas que se dizem campeãs de aprovação nos vestibulares (como é o caso do Ph) -geralmente o que manda é o interesse comercial.

Já comentei aqui sobre o escritor canadense Don Tapscott, autor de best-sellers como Wikinomics, A Hora da Geração Digital e Capital Digital. Tanto em suas palestras quanto em seu site, e também em seus dois livros mais recentes (Grown Up Digital e Macrowikinomics, ainda não traduzidos em português), ele analisa o problema escola vs. tecnologia citando dezenas de educadores que conseguiram vencer esse falso dilema. Seriam ótimas leituras para os responsáveis pelo Ph e outras escolas brasileiras que queiram, mesmo, ajudar a formar seus alunos. Em vez de proibir o uso de uma ferramenta poderosa como o Facebook, esses educadores defendem que a escola aprenda  – isso mesmo: aprenda – a entender como pensam e agem os estudantes de hoje.

Convenhamos: isso é bem mais complicado do que simplesmente chamá-los de “alunos-problema”.

Um comentario para “O problema é o aluno? Ou a escola?”

  1. RENATO MANOEL disse:

    Na verdade, o problema, pra mim, começa na instituição chamada “Família” (embora não esteja na pergunta tema), pois toda a civilização tem sua base nela. A partir de um momento em que algum imbecil sem o que fazer resolveu que a melhor coisa é a liberdade disso, liberdade daquilo, faço o que quero, quando quero, onde quero e com que quero, o mundo ficou caótico em todas as áreas. A falta de NÃO, de LIMITES e etc, criou um mundo sem regras no qual filhos, com todas as manias não resolvidas pelos pais, vão passar parte do dia com professores que cada vez mais tem o atributo de pais substitutos.

    O que acontece? Esses mini indivíduos quebram escolas ameaçam professores e seus próprios coleguinhas de classe. A escola (algumas) e os professores (alguns), por sua vez não estão nem aí, há não ser com a mensalidade e um de seus subprodutos – o salário.

    E quando você tem uma sociedade que parece se irritar quando você têm um nível melhor de cultura e esta ainda valoriza o “agente sabemos”, o “nós vai”, o “pobrema” e tantos erros que agente escuta por aí, o ciclo se repete. Qual o problema em se ter um tempo de aula na escola somente de LEITURA e INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS? Por que não fazer com que essas modalidades reprovem caso o aluno não seja bem sucedido nelas? Sim, reprovem! Um indivíduo que lê e enterpreta bem, não tera dificuldade alguma com enunciados matemáticos, dados geográficos, textos históricos e etc…

    Mas não, eles (pais, escolas, professores) estão criando uma nação de profissionais de telemarketing sem especialidade em nada (vá numa agência de emprego em dia que o anúncio é para esta vaga e comprove o que estou dizendo). E depois ainda reclamam que diversos setores têm de importar mão de obra, pois aqui não tem.

    Agora mesmo estou escrevendo este texto, ouvindo vários disparos de tiros, provavelmente da polícia atrás de traficantes aqui onde moro.

    É este tipo de sociedade que pais imbecis, professores e escolas incompetentes e com má vontade estão criando!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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