Áudio de alta resolução. Será?

21 de setembro de 2013

high res audio formatsEstá no ar mais uma polêmica envolvendo audiófilos, MP3 e a indústria eletrônica. Durante a IFA, a Sony anunciou o lançamento de uma linha de equipamentos de áudio com performance high-end, incluindo players, receivers, caixas acústicas, fones de ouvido e até um conversor DAC modular (mais detalhes aqui). Esta semana, a CEA (Consumer Electronics Association) oficializou o início do que parece ser uma campanha de marketing em defesa do HRA.

Essa nova sigla, mais uma entre tantas no jargão tecniquês, refere-se a High Resolution Audio. É como a entidade propõe que sejam chamados, a partir de agora, os aparelhos para reprodução de música que fujam das limitações do MP3 e proporcionem uma “experiência auditiva mais próxima da gravação original.” Por mais belas que sejam essas palavras, a iniciativa nada mais é do que um apelo para que usuários do mundo inteiro passem a escolher melhor a música que ouvem. Só que isso exige, além de bons ouvidos, um bom investimento em players, amplificadores, caixas (ou fones) etc. E aí a campanha bate de frente com o mercado, que hoje – feliz ou infelizmente – busca mais conveniência do que qualidade.

A campanha tenta convencer o consumidor fazendo analogia com os conteúdos de vídeo. Da mesma forma que HD significa “alta definição” de imagem, claramente superior ao padrão anterior (SD), HRA seria “alta resolução” de som. Só que vídeo e áudio são conteúdos bem diferentes. Mesmo um observador leigo dificilmente irá confundir uma imagem HD com uma SD. É consenso entre os especialistas que quem se acostuma com essa qualidade de imagem não aceita dar um passo atrás – voltar a assistir a filmes ou TV no padrão standard. Já com música, são poucas as pessoas que conseguem discernir entre MP3 e FLAC, só para citar um dos formatos de alta resolução existentes.

Segundo a Sony, o formato HRA abrange gravações com frequência e taxa de amostragem superiores às do CD (44,1kHz, 16bit). Os padrões do mundo high-end começam em 48kHz e chegam até 192kHz, em 24bit, e o HRA seria compatível com todos os arquivos de música situados dentro dessa faixa. Problema: iTunes, Amazon, Pandora e outros serviços de música fornecem pouquíssimos arquivos com essa qualidade, que na prática se traduz em melhor detalhamento sonoro. E isso porque arquivos gravados dessa forma são muito mais pesados e, portanto, demoram para carregar (quanto mais para download).

Independente dos números, basta olhar para a tela e conferir as diferenças. Em música, não basta ter um bom fone de ouvido, ou um excelente conjunto de caixas. E, para a maioria das pessoas, isso nem faz diferença.

11 Replies to “Áudio de alta resolução. Será?”

  1. WALTER ANDRADE CARNEIRO disse:

    Possuo um equipamento de áudio/vídeo considerado padrão: Caixas Kappa, Alpha e Delta (Infinity), receiver Onkyo (TX-NR906 vintage) e Denon, vários players da Sony e Pioneer vintage (CD 338ESD, DVDs, BDs) Panna (BD3D) e OPPO (BDP 103), TV 65VT50b, Sub Velodyne (SPL1200R), e outros. Assim sendo, pela minha experiência de mais de 45 anos com áudio posso me dar ao luxo de discordar, e muito, da necessidade de termos Players com amostragem sonora de áudio superior a 96Kz (96/24bits), o que daria uma resposta de frequência entre, digamos, 10hz>44.000hz com uma dinâmica sonora próxima dos 115dbs. Primeiro de tudo: toda gama sonora “instrumental” audível não passa dos 15.000hz, exceto seus armônicos “audíveis e inaudíveis” que podem ultrapassar os 20.000hz, sendo esse limite de 20Kz exclusivo para ouvidos de ouro de pessoas jovens até os 30 anos, talvez… É sabido que uma dinâmica de 115 dbs exibiria toda a beleza de uma execução musical, como se ao vivo fosse, mas quem fabrica caixas audiófilas que conseguem reproduzir toda essa dinâmica com baixa distorção efetiva? E a que preço, heim? Assim posto, posso afirmar que um equipamento padrão como o que eu tenho é mais do que muitas pessoas “sensatas” teriam disposição de investir para ter o “melhor” som que o seu dinheiro pode pagar sem ao menos terem condições de perceberem todas as “nuances” sonoras que um excelente equipamento de áudio (superior ao aqui relacionado) pode proporcionar, privilégio esse para poucos endinheirados e amantes do bom som, por assim dizer; motivo pelo qual eu acho que esse tipo de “marketing” não vai sensibilizar tanta gente assim que justifique o investimento. Quem já se acostumou com o áudio “compactado” com perdas dificilmente perceberia alguma diferença significativa na comparação com um áudio mais elaborado na sua apresentação, e se perceber corre-se o risco de não dar a mínima para o fato.

  2. Rubens disse:

    Concordo com o Walter Andrade, todo esse marketing nao vai sensibilizar muitas pessoas…

    Eu, por exemplo, nao me sensibilizei. Alem disso, eu sou um que ja me acostumei ao MP3, muito mais pela comodidade: um unico pendrive lotado de musicas me acompanha durante uma viagem inteira, e mesmo em casa eu nao preciso ficar trocando CDs, muito menos trocando de faixas em um mesmo CD… Nao quero outra vida.

  3. Cláudio disse:

    100 por cento correto, mas o sentido humano e o que faz a diferença.Se a pessoa nao esta a fim nao percebera. Mas sensibilidade e tudo, uma vez sendo ativado esses sentidos eles começam a evoluir,e se nao houver nenhuma patologia
    realmente o detalhamento as nuançes dentro da música surgem como magica e impressionante. Como e bom ouvir tudo
    o que a música pode te oferecer.

  4. Cláudio disse:

    Orlando obrigado pelas informações sobre alac e flac foram de grande valia.

  5. olimpio disse:

    Todos que fizeram estes comentários necessitam aprender ouvir melhor.Não sabem nada de qualidade sonora.

  6. sidney schmeiske mendes disse:

    Eu parcialmente concordo com as colocações anteriores. Realmente o formato MP3 atende a maioria das aplicações como dockstations, som automotivo, iPods, etc. Mas a coisa muda de figura quando ouvimos Mp3 em sistemas de som de alta performance como por exemplo um Jeff Rowland, Classé ou um McIntosh. Tenho essa ultima marca em casa com caixas B&W 802 Diamond e noto uma diferença terrível entre MP3 e um CD 44.1 khz. A mesma gravação MP3 que no Iphone é agradável de se ouvir no sistema McIntosh/B&W parece desfocada e sem detalhamento com um som àspero e arenoso. Falta alguma coisa.

  7. Thadeu disse:

    Avanço tecnológico vai acontecer independente de nossas opiniões. O HRA aparece justamente no revival do analógico vinil ( Brasil e lá fora), uma vez que os CD e o MP3 sempre estiveram inferiores no que tange à resposta de frequência e alta distorção de players (THD) comparados com a execução de aparelhos HIFI antigos analógicos, porém muito mais práticos e fáceis de se fazer uso, transportar,etc.. Acredito que todas as tecnologias circularão e conviverão muito tempo nas diversos tribos, como o relógio automático de pulso ao lado do digital quartzo. Aliás, meus melhores vinis (audição), com exceção dos Beatles, são uma combinação do analógico com o digital: fita de rolo =>mesa equalizadora digital=>master=> prensagem (bolachão) analógica, que apareceram nos anos 80, no início do CD e declínio do vinil.

  8. WALTER CARNEIRO disse:

    Thadeu, existe um grande mal entendido com relação ao “revival” do LP (Vinyl). Eu tive uma coleção de 700 LPs, sendo apenas 50 que eu classificaria como “quase audiófilos”. Minha cápsula era uma fabulosa Shure V15-IV, e o prato um Technics “direct drive” adequado ao uso. Apesar de tudo isto eu achava o som vinílico excelente, muito bom mesmo, exceto pelos ruidos, chiados, clics, pops, e outras anomalias que apareciam com o tempo, independente do meu zelo com eles. Naquela época eu tinha uns 4 LPs cujas bases dos “masters” eram totalmente digitais, e eu não gostava do som desses LPs, sem dinâmica, graves ausentes, presença excessiva nos médios e agudos, sem espacialidade, sem nada. Resumindo: hoje em dia os novos LPs não exibem o tão sonhado som “puramente analógico” visto que todas as gravações modernas, transferidas para esses LPs, tem como “masters” produto puramente digital. Quem disser que está ouvindo maravilhas desses novos LPs, comparados com a mesma gravação em CD, está emitindo um parecer “ilusório” para ficar bonito na foto…, exceto se a comparação for com gravações idênticas pelo padrão “DSD-Lossless” (SACD – para pouquíssimos afortunados, que não conseguiu desbancar ainda o CD), que num sistema igual ao seu pode revelar surpresas próximas de um verdadeiro som analógico.

  9. Gostaria de saber se já existe equipamento no formato HRA,
    saudações

    Orlando W Dantas

  10. Orlando Barrozo disse:

    No Brasil ainda não, xará. Nos EUA, a Sony já lançou. Veja aqui: http://discover.store.sony.com/High-Resolution-Audio/. Abs

  11. Audiófilo disse:

    O olimpio fez o melhor comentário até agora. Parabéns! Realmente as pessoas precisam aprender a ouvir antes de postar tanta besteira. Cheguei a ler num site famoso que o Aúdio de Alta Resolução era bobagem, certamente deve ser um daqueles que ouve um som num micro system Sony e acha o máximo de qualidade sonora.

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