Um novo cenário na TV por assinatura?

19 de maio de 2014

attdirec-642x401O anúncio da aquisição da DirecTV pela AT&T, nos EUA, ocorrido neste domingo, já teve duas consequências: fez cair as ações da America Móvil, maior empresa de telecom da América Latina, e atiçou os especialistas a imaginarem novos cenários para os próximos anos no setor de telecom. O Brasil, maior país do continente, é peça-chave nessas projeções.

A queda das ações (8%, nesta segunda-feira) pode certamente ser revertida nos próximos dias ou semanas. A mexicana America Móvil, do bilionário Carlos Slim, é dona de três grandes marcas atuantes no Brasil: Net, Embratel e Claro. Lidera com folga o setor de TV por assinatura e é a que mais vem crescendo no país. Seus poderes não podem jamais ser desprezados. E ações, como se sabe, sobem e descem conforme os humores do mercado.

Apesar de tudo isso, não é a toda hora que dois gigantes se unem. No caso, a AT&T, segunda maior operadora telefônica dos EUA, que já tem 116 milhões de clientes de celular, está acrescentando a sua carteira 20 milhões de assinantes americanos da DirecTV, além de outros 18 milhões espalhados pela América Latina. Dificilmente o setor será o mesmo a partir desse acordo.

Como comentamos aqui recentemente, a tendência de concentração no mercado de telecom é irreversível, no mundo inteiro. Somente grandes grupos econômicos têm condições de bancar os investimentos necessários para manter funcionando a “máquina” que sustenta hoje uma operação multimídia. Nesse contexto, como ficará, por exemplo, a situação da brasileira Sky, subsidiária da DirecTV e, portanto, agora pertencente à AT&T? Mero palpite: sairá fortalecida, porque poderá acelerar seu projeto de banda larga, limitando o espaço para o crescimento das concorrentes.

As primeiras declarações dos executivos da AT&T e da DirecTV após o anúncio da aquisição confirmam que seus olhos crescem quando analisam o mercado latinoamericano, especialmente o brasileiro (vejam este artigo). O potencial de expansão é enorme, e não seria surpresa se o grupo decidisse, por exemplo, participar do próximo leilão de telefonia 4G, previsto para agosto, ficando com uma fatia do que está reservado para Oi, Vivo, Claro e Tim.

Há quem diga também que a AT&T prepara ofertas para adquirir a francesa Vivendi (dona da GVT) ou a Telecom Italia (TIM), uma das duas. O grupo ainda detém uma parcela equivalente a US$ 5 bilhões na America Móvil e agora pretende vendê-la, fazendo caixa para as novas aquisições. E isso é apenas o começo.

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