Celular 4G: procuram-se operadoras

24 de junho de 2014

Um grande vôo da alegria saiu de Brasilia nesta segunda-feira rumo a Nova York e Londres. No comando, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, com a missão de convencer operadoras que ainda não atuam no Brasil a participarem do leilão do celular 4G, marcado para agosto. As indecisões do governo em relação ao tema acabaram assustando as grandes operadoras que dividem o gigantesco mercado brasileiro de telefonia e banda larga. Vivo (cujo controle é espanhol), Tim (italiano), Claro (mexicano), Oi (português, com um dedo do BNDES e dos fundos de pensão) e GVT (francês) – por motivos diversos – relutam a disputar segundo as regras definidas pela Anatel.

O assunto é necessariamente polêmico. Em março, dois repórteres da Folha de São Paulo revelaram que o Ministério da Fazenda estava interferindo na questão do leilão visando aumentar o valor das frequências na faixa de 700MHz. Com a revelação, conseguiu-se justamente o contrário: o interesse das operadoras diminuiu, a ponto de o SinditeleBrasil, que as representa, ter sugerido que as frequências lhes fossem concedidas “gratuitamente”.

Se a missão chefiada por Paulo Bernardo obtiver sucesso e atrair para o Brasil grandes operadoras americanas, europeias e/ou asiáticas, será uma façanha. Com regras mal explicadas, ingerências políticas de todo tipo e em meio a uma campanha eleitoral, há quem aposte que, se o leilão de fato acontecer em agosto, já será lucro. Resta saber para quem.

2 Replies to “Celular 4G: procuram-se operadoras”

  1. Rubens Pires disse:

    É este governo produzindo mais atraso para o Brasil e,depois de quase 12 anos de retrocesso diz que agora,se reeleito,vai implementar mudanças que não fez durante mais de uma década de (des)governo…

  2. WALTER A. CARNEIRO disse:

    Políticos, com raríssimas exceções, são assim mesmo: só se lembram de anunciar melhorias sociais e tecnológicas nas vésperas das eleições, para depois implementarem apenas as ações que lhes tragam algum benefício imediato (propinas e semelhantes), independente se tais ações são importantes ou não para o país. Eu também acho que as frequências 4G deveriam ser liberadas de graça para as operadoras atuais, e depois cobrar delas serviços de primeiro mundo e preços civilizados desse mesmos serviços, ao contrário do que ocorre hoje. Mas daí, e a “propinazinha” de cada dia como é que fica?

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