Baixa resolução também ajuda contra o vírus

19 de março de 2020

 

 

 

Nesta 5a feira, a Netflix anunciou que irá atender pedido da União Européia e reduzir o bit-rate (taxa de transferência de dados) dos conteúdos distribuídos no continente. É uma medida emergencial, já que o excesso de consumo de vídeo pressiona as redes e estas podem travar, num momento em que tudo precisa funcionar bem para garantir o combate ao coronavírus. Muita gente está trabalhando e estudando em casa, além de ter aumentado expressivamente o consumo de filmes, séries e desenhos animados pela internet. Netflix, como se sabe, é o campeão da modalidade, responsável por 12% de todo o tráfego da rede mundial.

Atualizando: nesta 6a, Amazon e YouTube concordaram em fazer o mesmo. A UE está solicitando que os consumidores europeus procurem consumir menos vídeo. No caso, a opção é deixar de assistir a conteúdos em HD, que consomem mais dados, e se contentar com a baixa resolução a que todos estávamos acostumados até outro dia. Faz parte de um quase “esforço de guerra”, que é como as autoridades europeias estão encarando a luta contra o vírus.

Não é para menos. O continente tem cerca de 450 milhões de habitantes e, nas últimas semanas, viu-se transformado no epicentro da crise – posto antes ocupado pela China. Enquanto os chineses anunciam orgulhosos terem finalmente controlado a expansão do vírus, os europeus choram seus mortos. Também nesta 5a feira, a Itália atingiu a trágica cifra de 3.405 vítimas fatais, superando a China, que parou em 3.245. Basta confrontar esses números com as respectivas populações dos dois países para se ver que a tragédia italiana é muito mais grave.

É quase certo que um controle mais efetivo das redes será necessário, não apenas na Europa mas também nos EUA e América Latina. Thiery Breton, diretor da UE, após conversar com Reed Hastings, fundador e CEO da Netflix, iniciou pelas redes sociais a campanha #SwitchToStandard Definition, para que todos passem a ver apenas conteúdos em resolução SD. Tomara que pegue.

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