4G de graça: acredite se quiser

14 de maio de 2014

Enquanto a Anatel prepara o leilão da faixa de 700MHz, previsto para agosto, a área econômica do governo faz as contas, prevendo arrecadar cerca de R$ 8 bilhões. Parte das frequências será usada pelas emissoras de TV para digitalizar seus canais analógicos, e parte ficará com as operadoras de celular para as futuras redes 4G, como já comentamos aqui.

A novidade é que as teles agora não querem mais pagar por esse valioso espectro. Num evento sobre redes no Rio, o Sinditelebrasil – que as representa – defendeu que o leilão não seja “arrecadatório”, ou seja, que as frequências lhes sejam entregues de graça. Simples assim. “Apelamos no sentido de fazermos um leilão que contemple mais a sociedade do que a arrecadação do Estado”, disse o diretor-executivo da entidade, Eduardo Levy.

Até há pouco tempo, as teles ainda alimentavam esperanças de convencer a Anatel a ratear o custo de implantação das redes 4G, para não terem que bancar a correção das já famosas interferências sobre o sinal de TV digital. Não deu certo: o governo perfila-se ao lado das emissoras. Agora, vem o argumento de que as teles “já pagaram” pela faixa de 2,5GHz (a rede 4G que funciona em algumas cidades).

É talvez sua última cartada nessa disputa (vejam aqui o vídeo). Se a conta sair por menos de R$ 8 bi, elas já estarão no lucro. Vamos ver se o governo Dilma, com suas finanças esfareladas, aceita esse jogo.

Um comentario para “4G de graça: acredite se quiser”

  1. José Claudio disse:

    Esse Eduardo Levy perdeu uma grande oportunidade de ficar calado ao afirmar uma besteira dessas: “Apelamos no sentido de fazermos um leilão que contemple mais a sociedade do que a arrecadação do Estado”. E as operadoras possuem esse tipo de pensamento em relação à sociedade? Querem é o lucro fácil. Os Juizados Especiais Civeis estão lotados de processos contras essas teles por má prestação de serviço. Veja se eles querem melhorar? Preferem pagar o valor das condenações (que são uma verdadeira ninharia) ao investir em qualidade, já que neste segundo caso, o custo é muito maior.

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