3D, a caminho do fim?

29 de setembro de 2014

Que a tecnologia 3D sempre teve seus detratores, todo mundo sabe. Mesmo com o sucesso arrasador de Avatar, primeira superprodução de Hollywood totalmente feita com equipamento 3D, não foram poucos os que questionaram a iniciativa. Vários outros filmes foram lançados depois, mas é inquestionável que a maior parte do público não gostou da experiência.

Se faltavam argumentos para fazer a indústria – fabricantes e estúdios – abandonarem de vez o 3D, não falta mais. Os números de bilheteria dos cinemas americanos no último verão comprovam: além de terem sido lançados menos filmes desse tipo, o faturamento total despencou. Em 2012, as produções em 3D representaram 53% de toda a bilheteria de verão (claro, estamos falando apenas de filmes americanos); no ano passado, o índice caiu para 42%; e agora, 39% (este site traz mais informações).

Desconsiderando o fato de que a safra de filmes deste ano está sendo classificada como uma das piores de todos os tempos, e isso afeta também os lançamentos em 2D, o fato é que a tecnologia 3D está em xeque. Durante a IFA, por exemplo, assim como já tinha ocorrido na CES, em janeiro, houve poucas demonstrações. A maioria dos TVs possui o recurso, mas são raros os vendedores que lembram esse detalhe a seus clientes. Também não faz diferença: ninguém vai comprar este ou aquele modelo por causa disso.

christie-6P-LasersNa feira anual da IBC (International Broadcast Conference), realizada há duas semanas em Amsterdam, o assunto foi um dos mais discutidos. Ninguém tem uma saída, a não ser aquela, já clássica, de que o 3D irá pegar quando não forem mais necessários óculos (as previsões mais otimistas para isso indicam 2016). Mas surgiu pelo menos uma possibilidade: a empresa americana Christie, uma das líderes mundiais em sistemas de projeção para cinemas, demonstrou na IBC o sistema Laser 6P (foto), que já havia sido apresentado na NAB, em abril.

Basicamente, os projetores dessa categoria utilizam seis feixes de laser, sendo três para cada olho, com as cores básicas (vermelho, verde e azul). Com a intensidade do laser, consegue-se um nível de brilho impossível de ser alcançado pelas outras tecnologias. Vale lembrar que a “falta de brilho” é uma das queixas mais frequentes de quem assiste a filmes em 3D, já que os óculos acabam “engolindo” boa parte da luz emitida pela tela.

Se o sistema da Christie for bem aceito (seu custo estimado chega quase ao dobro de um projetor convencional), pode ser que o 3D tenha uma saída. Vamos ter que esperar para saber.

7 Replies to “3D, a caminho do fim?”

  1. Rubens Pires disse:

    Com a sensação de profundidade que as imagens 4k proporcionam é quase certo que o 3D entrará em extinção…

  2. WALTER A. CARNEIRO disse:

    Eu defendo a tese de que o mercado do 3D tem três calcanhares de Aquiles: 01) Preços exorbitantes dos Blu-rays 3D nos lançamentos, tanto aqui quanto no mercado internacional; 02) Poucos filmes feitos em 3D nativo e que também não empolgam por falta de efeitos “pop out”, que é um interessante atrativo para o grande público (não para os revisores críticos detratores de plantão), porque assistir 120 minutos de um filme 3D só por causa da profundidade da imagem não tem muita graça mesmo, é cansativo além do que filmes em 3D só se justificam em produções com visual deslumbrante e muita ação que possa “envolver” o espectador imersivo no ato cinematográfico; 03) Sim, o 3D visto no cinema peca pela falta de brilho, principalmente produções com muitas cenas noturnas, mas que numa TV 3D de excelente qualidade (Plasma ou LCD/Leds) tal perda de brilho não costuma causar estranheza alguma por ser pequena nesse caso, menos ainda se a TV 3D for do tipo “passiva” (apesar da pequena perda de resolução percebida por alguns olhos menos treinados). Curiosamente algumas produções não estão sendo lançadas em Blu-ray 3D no mercado Americano, Canadense, Inglês e na maioria dos países europeus, mas são lançados sim em 3D em muitos mercados ditos 3º mundo (Brasil) e nos países Asiáticos, a exemplo do péssimo filme “NOAH+3D”, do ótimo “TRANSCENDENCE+3D” e muitos outros lançamentos recentes nesse formato…

  3. Rubens disse:

    Walter Carneiro, eu prefiro pensar que a coisa é muito mais simples: o 3D na televisão é muito ruim e sem graça, parecendo mais aqueles posters 3D vagabundos vendidos na região da Rua da Alfândega (no Rio) ou na 25 de Março (em São Paulo). Se ele se for, já vai tarde.

  4. Ricardo Maia disse:

    Em 2011 comprei uma TV LG 55 polegada com “cinema 3-D” (passiva) na empolgação e esperança de que, daquele tempo em diante, teríamos bom conteúdo á disposição.
    Lembro que a imprensa só falava em 3-D e ainda nos dava a opção de escolher entre 3-D ativo ou pasivo

    Naquele tempo nem se falava em TV 4 K.

    O tempo mostrou que a ganância dos fabricantes e do mercado econômico simplesmente “esqueceram” de investir em 3-D para agora oferecerem o 4 K.

    O que vai acontecer com quem resolver gastar e comprar uma TV 4 K ?

    Falta de conteúdo….

    E depois disso ?

    Vão lançar a TV 8 K (ja existe).

    E a história se repete….

  5. WALTER A. CARNEIRO disse:

    Prezado Rubens. Não querendo ser um “chato de galocha” ou teimoso inveterado pelo assunto, quero acreditar que é bem possível que o prezado colega não tenha tido a sorte que eu, e muitos outros mundo afora, tenho em possuir um TV de altíssima qualidade (no meu caso Plasma Panasonic 65VT50b, mas tem excelentes TVs de LCD/Leds 3D que impressionam muito) que nos brinda com uma imagem em 3D de fazer cair o queixo dos mais recalcitrantes detratores do formato. Eu tenho apenas 26 Blu-rays 3D, dentre os mais de 240 da coleção, devido ao alto preço dessa mídia, mas que me têm brindado com imagem deslumbrantes, efeitos 3D espetaculares de encher os olhos e que nos deixam a milhares de milhas de distância de sua estranha experiência com produtos suspeitos vendidos na Rua da Alfândega ou na 25 de Março de SP. Se você não gosta da experiência de visualizar imagens 3D via TVs que causam imersão no ato cinematográfico além do prazer imenso da visualização, tudo bem, é um direito seu. Talvez, apenas talvez você pertence a um seleto grupo de pessoas que não consegue visualizar imagens 3D em TVs com o necessário prazer e conforto visual e por isto desgosta da experiência. Muito bem, mas isto é um problema pessoal que ninguém pode reverter, infelizmente.

  6. branco disse:

    Realmente para usufruir de um bom 3d temos que saber regular a tv 3d como profundidade visão 3d e a maioria das pessoas não tem paciência pra isso. Eu tenho mais de 100 filmes 3d e confesso a vocês que pra ter a sensação, não
    de profundidade mas de que os objetos estão saindo da tela, só uns 20, principalmente os desenhos,animações e os
    filmes tem que estar em 1080p nativo. E com a tv 4k acredito que o 3d vai voltar com força por causa da clareza nas imagens e da altíssima resolução.

  7. Carlos disse:

    O efeito 3D sozinho em um TV não traz benefício algum. É como ligar um Blu Ray player ema TV e pronto. Nada de muito interessante se perceberá. Assistir 3D em casa, atualmente, com qualidade depende de home theter, cabo HDMI de alto padrão de velocidade e claro ajustar muito bem o TV. Mas, a maioria dos consumidores buscam é praticidade.

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