De HD para 4K: muito além da resolução

Por Marc Tayer*

Ultra-HD será o grande salto de alta qualidade em matéria de entretenimento nos próximos anos. Assim como o HD nos deu um ganho de quatro vezes na resolução de vídeo, em comparação com o padrão SD, UHD (ou “4K”) permite de novo quadruplicar a clareza da imagem. A expressão se referente a quase 4 mil pixels por linha.

Mais do que isso. UHD oferece a experiência visual realmente imersiva, com incrível detalhamento e cores vibrantes. Os ambientes domésticos serão preenchidos com verdadeiras paredes de vídeo curvas, exibindo imagens tão nítidas como se fosse as janelas da casa.

Mas o simples aumento da resolução pode não ser suficiente para que essa tecnologia seja bem aceita no mercado. Felizmente, alguns avanços estão convergindo para melhorar a proposta como um todo: cores mais bem definidas, maiores níveis de contraste entre pretos e brancos, taxas de transferência de dados mais altas e melhor processamento de áudio surround.

Esse “pacote” de benfícios pode dar ao consumidor maior retorno por seu investimento. Para aqueles que viveram o lento processo de adoção do HDTV no final dos anos 1990 e início dos 2000, é uma situação déjà vu. A tecnologia UHD precisa superar três obstáculos de mercado:

+ massa crítica de conteúdo

+ um novo ciclo de troca de equipamentos

+ e uma prodigiosa oferta de banda larga, uma comodity para a qual parece nunca haver oferta suficiente.

O conteúdo está chegando aos poucos, de forma consistente, e os preços dos displays estão caindo rapidamente. Ou seja, a disponibilidade de banda larga fica sendo o maior desafio. Vídeos em UHD normalmente são codificados entre 15 e 20 Megabits por segundo, usando o método de compressão HEVC. Taxas ainda mais alta são necessárias para conteúdos gravados a 60fps (quadros por segundo). A Netflix, por exemplo, recomenda 25Mbps.

No entanto, os consumidores só irão adotar UHD se perceberem o benefício real. O ganho na resolução exige telas maiores, ou então quando se olha telas pequenas muito de perto. Também é crucial que os provedores resistam à tentação de “comprimir demais” o vídeo, um péssimo hábito que economiza banda mas degrada o sinal.

Outro ponto importante está na reprodução das cores. O padrão HDTV utiliza um limitado espaçamento, definido pela ultrapassada Norma BT.709, o que compromete a qualidade “real” do sinal. UHD (junto com HEVC) permite adotar a Norma BT.2020, tornando as cores mais realistas e acuradas.

Como complemento, temos ainda a tecnologia HDR (High Dynamic Range), que pode facilitar a adoção do 4K permitindo que o usuário perceba mais contraste entre brancos e pretos profundos.

Ainda assim, precisamos de um verdadeiro “big bang” de conteúdos em UHD, semelhante ao que aconteceu com HDTV entre 2004 e 2007. Ainda são poucos os canais de TV que exibem esse tipo de sinal, e nos EUA as operadoras parecem uma esperar os passos da outra para tomar a iniciativa. Enquanto isso, os próprios consumidores podem se tornar uma força produtiva, gerando conteúdos em 4K – com câmeras portáteis que já estão na faixa dos 500 dólares – para exibir no YouTube, Vimeo, Facebook etc.

*Artigo publicado originalmente no site Multichannel. Para ler na íntegra, em inglês, clique aqui.

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