Dolby Atmos e a polêmica do surround

24 de agosto de 2014

dolby-atmos-surround-diagram-700O lançamento dos primeiros aparelhos com processamento Dolby Atmos vem causando polêmica entre os especialistas internacionais. Já li desde artigos apontando uma “nova revolução no mundo do áudio” até aqueles que não perceberam diferenças marcantes em relação aos codecs já conhecidos. Embora haja experimentos mais ousados, os processadores que haviam chegado ao mercado até agora eram capazes de produzir, no máximo, 11.2 canais.

Considerando que o Atmos promete inacreditáveis 64 canais, não causa surpresa a diversidade de opiniões. Como sempre acontece quando surge uma nova tecnologia, antes de emitir opiniões convém estudar (e principalmente ouvir) bastante. Ainda não tivemos oportunidade de avaliar o receiver TX-NR838, da Onkyo, que está sendo lançado no Brasil pela distribuidora Disac, o primeiro dessa nova geração. Parece que Denon, Marantz e Integra também vão chegar aqui até o final do ano. Enquanto isso, temos de tomar por base a análise de experts que estiveram presentes, por exemplo, o lançamento oficial do Atmos, promovido pela Dolby em Nova York, em junho (detalhes aqui).

A princípio, a diferença mais importante em relação aos outros codecs é que o Atmos não se baseia no número de canais e, sim, na quantidade de alto-falantes existentes na sala, seja um cinema para 500 pessoas ou o living de uma casa comum. Para cada falante (128, no total), o produtor do filme pode direcionar um som diferente – na forma de metadados -, e todos esses sons são preservados na mixagem final. O filme codificado em Atmos virá com algoritmos que localizam esses falantes na sala, quando reproduzido em aparelhos compatíveis. Caso não haja 128 falantes, o sistema recalcula a distribuição dos sons necessária àquele ambiente (este vídeo ilustra bem a ideia).

O conceito é ter sons se propagando pela sala o tempo todo durante o filme. Claro, isso já pode ser feito hoje, com simuladores surround, alguns deles de ótima qualidade. Mas, nesses casos, os sons originais não foram ordenados para isso; trata-se de uma manipulação artificial. Com Atmos, e é claro que ainda estamos falando em teoria, os filmes terão uma nova configuração acústica. O resultado será tão eficiente quanto mais alto-falantes você tiver em sua casa.

Quem viver – ou quem tiver paciência – ouvirá.

6 Replies to “Dolby Atmos e a polêmica do surround”

  1. Rubens Pires disse:

    Putz!128 falantes,isso não tem como custar pouco…

    Sua casa vai se tornar uma casa-falante…

    Pior que eu estou feliz com meu 5.1 e acho que o que traz envolvimento mesmo é a imagem perfeita…

  2. Mário Freitas disse:

    Realmente isso não vai ficar barato.
    Eu com meus 9.2 canais, já tá de bom tamanho.
    Tudo isso prá encarecer os receivers.

  3. olimpio disse:

    Pirotecnia da Dolby.logo logo a DTS vem e derruba,Alias o DTS HD Master já é ótimo e muito nítido

  4. WALTER A. CARNEIRO disse:

    Todo esse “rebu” diz respeito mais à tentativa de restauração do fator “ambiência sonora”,isto é, trazer para um ambiente fechado a sensação do som ao vivo. Mas será que para atingirmos esse nobre objetivo sonoro são necessários tantos alto-falantes assim? Para uma experiência doméstica, no mundo real do consumidor padrão, concordo com a maioria de que 7.1 até 11.2 canais já está prá lá de excelente para desfrutarmos de uma boa experiência sonora com filmes, porque para audição musical “high resolution” os canais traseiros não são tão importantes assim; devem ajudar tão-somente para simular a reflexão dos sons frontais, o que já é bastante agradável para a melhoria do tal palco sonoro. Afinal de contas, dificilmente ouvimos música executada ao vivo sentados no meio da banda ou da orquestra, mas sempre na frente dos executantes, e é essa sensação auditiva que deve ser preservada na reprodução eletrônica numa sala dedicada ao áudio/vídeo, de boa qualidade. Muito mais canais, ou alto-falantes, só fazem sentido numa grande sala de cinema, mas onde , quase sempre, estragam tudo com sons hiper amplificados de doer os ouvidos, graves raquíticos ou exagerados e agudos estridentes e super distorcidos. Alguém aí discorda?

  5. Orlando Barrozo disse:

    Olá Walter, acho que você tem razão, em parte. Realmente, num ambiente doméstico não há necessidade de tantas caixas acústicas. Mas o conceito me parece um pouco mais amplo: é a ideia de reproduzir com a maior fidelidade possível o som que se ouve num cinema ou num show. Nesses locais, existem caixas espalhadas por todos os lados, de forma que o público se sente envolvido. A “novidade” é que agora eles estão colocando caixas também sobre as cabeças das pessoas, o que na teoria faz aumentar ainda mais o envolvimento. Com o Atmos, quem quiser vai poder reproduzir esse efeito em sua casa. A questão da qualidade final de áudio depende tanto do nível dos equipamentos quanto dos ajustes feitos por quem está operando; isso vale para todos os lugares, em casa, no cinema, no teatro etc. Abs e obrigado pelos comentários. Orlando.

  6. Mauricio Vasconcelos disse:

    O conceito é interessante, sem dúvida, porém ainda mais interessante é a premissa de vender novos receivers e MUITO mais caixas acústicas aos consumidores residenciais que já estavam “acomodados” com seu 5 ou 7.1. É a indústria se reinventando, sempre.

Deixe uma resposta