Maus ventos que vêm da China

6 de fevereiro de 2020

A crise do coronavírus é hoje a maior preocupação da indústria eletrônica, pelo risco – jamais calculado – de afetar os negócios em geral. Comentamos aqui dias atrás sobre o impacto nas feiras e congressos realizados na Ásia, onde normalmente as delegações chinesas são as mais numerosas. O próprio governo chinês já mandou cancelar os eventos programados para fevereiro; e ontem a AVIXA anunciou o adiamento da InfoComm China, que seria realizada no final de março.

Também ontem, a LG anunciou sua desistência da ISE (Integrated Systems Europe), que acontece semana que vem em Amsterdã, e do MWC (Mobile World Congress), no final do mês em Barcelona. Mesma atitude tomada pela chinesa ZTE. Empresários e executivos brasileiros com quem conversei nos últimos dias estão reconsiderando seus planos de viagem a esses e outros eventos, diante da constatação de que é impossível controlar o tráfego de pessoas entrando e saindo dos hotéis e pavilhões de exposição.

Em São Paulo, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) divulgou sondagem feita entre fabricantes do setor apontando que 52% deles já enfrentam problemas com o fornecimento de componentes e insumos vindos da China. A área mais afetada é a de TI (celulares, computadores, modems), que virtualmente deixa de funcionar sem as peças vindas de lá.

A avaliação geral é que, se a situação não se normalizar nos próximos vinte dias, as paralisações serão inevitáveis. Hoje, 42% de todos os componentes utilizados no Brasil vêm da China, onde muitas fábricas estão fechadas. 

Uma nota curiosa em relação ao MWC de Barcelona é que a organização do evento, além de reforçar as medidas usuais de limpeza e desinfecção, está recomendando aos visitantes que evitem o tradicional aperto de mãos na hora dos cumprimentos. É a política do no-handshake.

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