Quem (pensa que) controla as redes?

18 de julho de 2020

Se alguém ainda tinha ilusões quanto a sua suposta privacidade online, deve ter perdido todas esta semana, após a notícia de que uma das maiores redes do mundo, o Twitter, foi invadida. As primeiras investigações apontam para cerca de 500 milhões de contas acessadas ilegalmente pelos hackers, incluindo as de celebridades como Barack Obama, Elon Musk, Kanie West e de empresas como Apple e Uber. Usando operações com bitcoin, os hackers teriam ainda levantado mais de 117 mil dólares (vejam detalhes aqui). 

Claro, não é o primeiro nem terá sido o último caso do tipo. Só que desta vez as suspeitas apontam para funcionários do próprio Twitter, devidamente remunerados por criminosos, numa ação que a empresa descreve como “engenharia social”. Dois jornalistas especializados, dos sites Vice e TechCrunch, revelaram ter entrevistado pessoas que participaram do esquema. Mas vai ser difícil provar alguma coisa. Este site traz muitos detalhes sobre as investigações.

O caso levanta novos temores sobre a forma como agem as empresas de mídia social e todas as demais que armazenam dados sigilosos de usuários. Até onde vai o sigilo, se funcionários dessas corporações têm acesso aos dados (e podem ganhar dinheiro com eles)? Todo mundo deve se lembrar das dezenas de discussões sobre invasão de privacidade nos últimos anos, que resultaram em uma série de regras como as encontradas no Marco Civil da Internet, aprovado em 2014 no Brasil, por sua vez inspirado em leis similares do Primeiro Mundo. Tudo isso corre o risco de virar pó conforme evoluírem as investigações desse Twittergate.

No caso em questão, pesa muito o fato de o Twitter ser a rede preferida de políticos como o presidente Donald Trump, que recentemente teve sua conta bloqueada por causa do conteúdo agressivo. E este é um ano de eleições presidenciais nos EUA. E já circulam suspeitas de que agentes russos tentam interferir na campanha eleitoral como fizeram em 2016. E uma das contas atacadas esta semana foi a do candidato Joe Biden, adversário de Trump. E… 

Não custa ressaltar que contas de pessoas famosas e de grandes empresas no Twitter, Facebook e demais plataformas sociais possuem segurança redobrada, por motivos óbvios. Mas, se essas empresas não conseguem garantir nem a privacidade de um político ou empresário importante, que dizer dos usuários comuns?

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