Seis meses vivendo sem dinheiro

14 de outubro de 2020

Só recentemente me dei conta de que estou vivendo sem dinheiro há meses. Digo, sem dinheiro vivo, em espécie. Talões de cheque fazem parte do meu passado, definitivamente. E agora leio, na Folha de São Paulo, que não estou sozinho. Desde março, houve aumento de 6% nas transações com cartão. E a consultoria Euromonitor prevê que, na comparação com 2019, este ano registrará queda de 19% nos pagamentos com notas e moedas.

De fato, um dos consolos diante da pandemia é a possibilidade de se usar cartão (débito e/ou crédito) para quase tudo. Qualquer camelô ou vendedor de pipoca hoje tem a famosa maquininha, quando não o app que permite pagamentos pelo celular. E agora, com o Pix, novo sistema de transferências instantâneas anunciado pelo Banco Central, a tendência é que o dinheiro vivo perca mais espaço.

Num país tão desigual, é interessante pensar que nesses casos – celular e dinheiro eletrônico – a tecnologia é uma valiosa arma contra a desigualdade. Claro, exige-se que todos tenham conta bancária, o que infelizmente ainda não é possível (será, um dia?). Mas, com o surgimento dos bancos digitais – outra evolução tecnológica -, os caminhos são bem menos tortuosos e injustos do que estamos acostumados nos “bancões”. Menos mal.

Transações eletrônicas são mais rápidas e seguras, menos sujeitas a fraudes, que podem ser melhor rastreadas. Que sejam amplas, gerais e desburocratizadas, pois! Só aos burocratas e aos desonestos, aqueles que carregam dinheiro em malas e compram até apartamento em espécie, interessa manter um esquema em que se gasta uma nota, literalmente, para imprimir aberrações como a tal cédula de R$ 200.

E, afinal de contas, o lema deste blog é “tecnologia para tudo (e para todos)”. 

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