Globo assume o papel de “media tech”

15 de fevereiro de 2021

Raymundo Barros, diretor de tecnologia do Grupo Globo, passa a acumular a diretoria executiva de Estratégia. Com quase 40 anos no Grupo, ele conhece como poucos o mercado brasileiro de televisão e a história da empresa. Participou de praticamente todas as inovações tecnológicas trazidas pela emissora desde os anos 1980, incluindo a transformação do jornalismo analógico, em que as reportagens eram feitas em filme, para a era digital multimídia. Passaram por ele também a introdução da TV de Alta Definição e as transmissões de grandes eventos ao vivo, primeiro em HD, depois em 4K.

A ascensão de alguém tão ligado à tecnologia sinaliza o reposicionamento da Globo como uma media tech, tendência entre as grandes redes de TV do planeta. Praticamente tudo que se produz hoje dentro da Globo se destina ao consumo multimídia, abrangendo todos os tipos de tela. Dominar as ferramentas digitais, inclusive para analisar quem é o “novo telespectador” e como ele consome conteúdo, é o plano.

Não há escapatória: as redes de TV que demorarem a promover essa transição serão alijadas do mercado. E não é exagero afirmar que os grandes concorrentes da Globo, hoje, já não são Record, SBT etc., mas sim Google/YouTube, Facebook, Amazon e Netflix.

No comunicado em que anunciou a nomeação, o presidente do Grupo Globo, Jorge Nóbrega, explica que Raymundo irá coordenar a criação de uma nova estrutura integrando Tecnologia, Planejamento Estratégico, um hub do grupo no Vale do Silício e uma área de Parcerias e Ecossistemas. Há ainda um setor de Parcerias Estratégicas e Distribuição, a cargo de Fernando Ramos, encarregado das negociações com plataformas digitais e fabricantes de TVs.

Estes, como já comentamos aqui, vêm sendo estimulados a introduzir em seus aparelhos a plataforma Globoplay, ampliando ainda mais o alcance da emissora num momento em que a TV tradicional (aberta e fechada) vem perdendo audiência.

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