Não há mais dúvida: as telas grandes se tornaram o principal produto da indústria de TVs. Mesmo ainda restritas a uma minoria, o crescimento nas vendas dos modelos a partir de 85 polegadas não pode mais ser ignorado. Na mais recente atualização do nosso GUIA DE TVs 4K, que saiu na semana passada (vejam aqui), são nada menos do que 38 delas, de um total de 206 cobrindo toda a oferta disponível em 42″ ou mais.

A saber: 16 modelos de 85″, 6 de 86″, 1 de 97″, 5 de 98″, 6 de 100″, 1 de 110″, 2 de 115″ e 1 de 116″! Na comparação com seis meses atrás, quando foi feita a última atualização do Guia, houve um aumento de quase 50% se considerarmos também os tamanhos de 65″ e 75″. Quase todos foram lançados a partir de abril último, confirmando que 2025 foi mesmo o ano das telas grandes.

Isso reflete dois fenômenos: o aumento do poder de compra do consumidor brasileiro e o reposicionamento da indústria. No primeiro caso, não se pode deixar de notar que segmentos como automóveis, viagens e eletrônicos em geral também vêm experimentando expansão nas vendas. O que prova que a tal “crise” anunciada por boa parte dos economistas não era tudo aquilo…

 

A DANÇA DOS PREÇOS

Já em relação à indústria, incluindo fabricantes e varejistas, a questão prática é a margem de lucro. Vale mais a pena vender uma TV de 98″ que uma de 55″! Basta olhar a incrível queda de preços dessas TVs maiores ao longo do ano. Nas categorias QLED, LED e MiniLED (esta, a que mais cresceu em número de lançamentos), observamos quedas de preço da ordem de 50% em modelos de 75″, 85″ e 98″. Somente as OLED é que mantiveram valores similares aos do ano passado.

Dois ou três anos atrás, era impossível imaginar uma TV de 85″ custando menos de R$ 7 mil (Hisense); ou uma 65″ por pouco mais de R$ 3 mil (Samsung); ou, melhor ainda, uma 98″ na faixa de R$ 13 mil (TCL).

Vai ser interessante acompanhar como irão evoluir esses preços nos próximos meses, com a proximidade da Copa do Mundo. Por enquanto, para quem está pensando em trocar de TV, o GUIA DE TVs 4K pode servir de consulta para comparar preços e recursos antes de aproveitar as promoções de Natal.

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

3 thoughts on “Telas grandes ganham mercado

  1. Olá Orlando, espero que esteja bem.
    Com o jogo de tarifas dos USA, o cenário provocou novos mercados e o Brasil está na rota dessas oportunidades estratégicas das empresas de tecnologias, significa que são decisões assertivas.
    Diante dessa avalanche de novos produtos, uma coisa me preocupa, a gestão de qualidade desses produtos, antes tínhamos produtos de ciclo de vida de médio e longo prazo, sabemos que esse ciclo de vida desses produtos está reduzido.
    Qual a sua opinião com relação esse tópico do ciclo de vidas desses produtos, já que torna-se obsoleto e descartáveis em um curto prazo no ciclo de vida dos produtos?

  2. Com estes dados, confirma-se que será necessário melhorar muito a qualidade dos conteúdos disponibilizados na Internet, haja vista que, com telas maiores, o público consegue ver muito mais os “artifícios” (ruídos e distorções nos detalhes das imagens) da compressão digital dos vídeos de streaming.

    Mesmo com a extrema compressão digital dos vídeos e dos áudios que disponibilizam para o público, os streaming já estão no limita do uso das bandas, e a tendência é o público usar os streaming para notícias, esportes, curiosidades, memes… mas os conteúdos mais “importantes”, como filmes, documentários, shows musicais, concertos de música clássica e óperas, estão sendo cada vez mais baixados (download), do que assistidos por streaming. Uma prova disso, é o fato de os próprios serviços de streaming oferecerem a opção de download dos conteúdos.

    Até a DTV+ (nova TV Digital 3.0), tem a opção de fazer download de conteúdos. Tudo indica que Downaloda tornar-se-á um novo padrão de assistir vídeos em casa.

  3. Olá Dinaldo, grato pela mensagem. Acho que essa redução do ciclo de vida dos aparelhos já vem acontecendo há alguns anos e é inevitável. Conheço pessoas que trocam de celular todo ano. Inevitável também que apareçam mais produtos de qualidade baixa, apenas para atender a uma camada de público mais consumista. Falando de telas grandes, claro que é diferente. Ninguém vai ficar trocando a toda hora. Mas acho natural que pessoas que hoje têm uma TV de 55″, por exemplo, partam para tamanhos maiores nos próximos anos. Eventos como a Copa do Mundo sempre aceleram esse processo. Como o tamanho é o que mais impressiona o consumidor, ao ver que uma TV de 85″ hoje está custando quase o mesmo do que custava uma 65″ um ano atrás (ou até menos, dependendo de promoções), esse consumidor se verá mais tentado a optar pela TV maior. Abs

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *