Alguns leitores comentaram os posts da semana passada sobre TVs OLED e RGB, estranhando que a maioria dos fabricantes não dê muita importância à questão da luz azul e o mal que pode causar aos olhos. Sem dúvida, um tema interessante e atual, considerando o tempo médio que as pessoas hoje passam diante de suas telas (de todos os tamanhos).

Já comentamos o assunto aqui (vejam), mas com telas cada vez maiores e mais brilhantes o problema tem se agravado. Não é bem verdade que os fabricantes não enfrentam a questão; quase todos criaram nos últimos anos recursos para o usuário reduzir a incidência dos raios azuis em suas TVs. Mas é difícil saber até que ponto isso é pra valer ou apenas marketing.

Sabe-se que o olho humano é, sim, mais sensível à radiação azul, porque ela inibe a produção de melatonina, aumentando a fadiga visual, afetando o ciclo circadiano e piorando a qualidade do sono. Os efeitos são mais severos para quem utiliza telas muito brilhantes ou quem, mesmo com telas menos agressivas, passa muitas horas seguidas diante a radiação dos leds.

Idem para quem cultiva o nada saudável hábito de usar monitor em ambiente escuro. Quem faz isso e ainda não experimentou a sensação de olhos secos – a chamada “síndrome da lágrima seca” – pode esperar que ela virá daqui a alguns anos.

 

Como controlar a luz azul

Importante lembrar que isso vale para todas as telas, não apenas a TV. É um perverso efeito colateral dos leds, que em todas as TVs à base de backlights apresentam forte incidência da luz azul. Esses efeitos podem ser suavizados com o uso de elementos RGB, como nas novas TVs Hisense, LG e Samsung exibidas na CES, em janeiro. Mas isso ainda terá de ser verificado na prática.

Todos os estudos indicam que telas OLED levam vantagem nesse quesito, exatamente por algo que geralmente se aponta como sua maior deficiência: o brilho reduzido. Leds orgânicos não suportam brilho intenso por muito tempo, pois o aumento de tensão elétrica tende a degradar sua composição – aqui, uma explicação detalhada.

 

 

 

Mas, quando se trata de LED, MiniLED e seus derivados, não há muita escapatória, especialmente ao assistir conteúdos HDR, em que a dinâmica de brilho exige mais dos nossos olhos. Alguns recursos introduzidos pelos fabricantes nos últimos anos ajudam a amenizar os danos:

*Redução automática do brilho em ambientes com menos iluminação;

*Ajustes do tipo Eye Comfort (os nomes variam entre as marcas), com certificação de laboratórios especializados, como TÜV e Eyesafe;

*Redução do uso de fósforo nos filtros de luz; esse material é usado para revestir os leds azuis e, com isso, gerar luz branca.

Em tempo: tudo que relatamos aqui se refere ao uso “prolongado”, não eventual, de telas com backlight de leds. E o usuário pode fazer a sua lição de casa, deixando o controle de brilho de sua TV numa posição intermediária (nunca no máximo) e utilizando o Modo Padrão (ou Cinema). Ajuda também manter uma iluminação suave, com luminárias indiretas, atrás da tela.

A propósito, este artigo que publicamos ontem dá boas dicas sobre o assunto.

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

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