
Saiu o último levantamento trimestral da JustWatch sobre o mercado brasileiro de streaming. Nos últimos três meses de 2025, consolidou-se a liderança do Amazon Prime Video com o serviço mais utilizado pelos brasileiros, mantendo 21% das preferências.
O gráfico acima é praticamente igual ao de novembro, que media os dados do trimestre JUL-AGO-SET. Com duas pequenas (mas importantes) diferenças. Netflix caiu mais um ponto percentual e, agora, está encostado no Disney+; e Paramount+ subiu um ponto, mantendo a sétima posição, só que agora colado no Globoplay.
Vai ficando claro que a política de preços do Netflix tem efeito direto no comportamento do consumidor. Usei o ChatGPT para checar as variações no valor das assinaturas das principais plataformas ao longo dos últimos anos e… bingo: embora ofereça mais séries e produções próprias, o Netflix não está conseguindo conquistar (nem mesmo manter) assinantes como acontecia na década passada. Confiram:
| SERVIÇO | 2023 | 2024 | 2025 |
| Prime Video | R$ 14,90 | R$ 19,90 | R$ 19,90 |
| Netflix | R$ 39,90 | R$ 44,90 | R$ 46,90 |
| Disney+ | R$ 33,90 | R$ 43,90 | R$ 46,90 |
| HBO Max | R$ 27,90 | R$ 39,90 | R$ 44,90 |
| Globoplay | R$ 27,90 | R$ 32,90 | R$ 39,90 |
| Apple TV+ | R$ 14,90 | R$ 21,90 | R$ 29,90 |
| Paramount+ | R$ 14,90 | R$ 18,90 | R$ 19,90 |
Os valores da tabela são aproximados, refletindo os planos padrão de cada plataforma, sem anúncios. Como apontávamos já em 2024, a liderança do Netflix no Brasil chegou a 33% em 2019 e veio caindo gradativamente, até os atuais 19%. O aumento no valor de suas assinaturas até que não foi alto de 2023 para 2025 – “apenas” 17%, contra 100% do Apple TV+, por exemplo.
Mas notem que em todos os anos a assinatura padrão do Netflix foi a mais cara, sendo hoje igual à do Disney+, e isso deve estar contando muito nas escolhas do assinante.
Streaming não é só filmes e séries
Evidentemente, além do preço da assinatura, pode haver várias explicações para essas alterações de um ou dois pontos percentuais entre dois trimestres. A meu ver, conta muito a relevância dos títulos lançados, e aqui é preciso distinguir entre qualidade artística e repercussão mercadológica.
Títulos como Game of Thrones e Stranger Things se beneficiam de bombásticas campanhas de marketing, embora seu público-alvo seja bem segmentado. Outros, como Adolescência e This Is Us, conquistaram audiência basicamente pelo boca a boca.
Outro fator que prejudica o Netflix é que vários concorrentes oferecem pacotes “casados”, com conteúdos diversos, especialmente esportes: ESPN (no Disney+), Premiere (Globoplay e Prime Video), SporTV (Globoplay) e Champions League (HBO Max).
Vamos ver como os números evoluem ao longo deste ano, que apresenta novos desafios para o Netflix: Copa do Mundo catalisando as audiências no primeiro semestre e eleições no segundo. São conteúdos que o Netflix não tem como incluir em seu cardápio.
Aproveito para recomendar aos leitores visitarem periodicamente nosso Guia de Streaming, que já conta com mais de 950 resenhas de séries, a cargo do especialista Paulo Gustavo Pereira.
