Vamos parar de roubar!

O título acima é mais ou menos o resumo de um artigo publicado recentemente pelo site da revista inglesa The Economist, uma das mais prestigiadas no ramo dos negócios. O texto se refere à América Latina, com ênfase na situação atual do Brasil. A ideia central é que os problemas políticos tão comuns na região só têm chance de ser resolvidos pela iniciativa da própria população de cada país, sempre tão leniente em relação à corrupção. “Parem de roubar”, parece gritar o articulista (o texto não é assinado), refletindo sobre a relação direta entre os desvios dos políticos e governantes e a situação econômica aparentemente sem saída.

Reafirmando uma ideia que já comentamos aqui, a publicação inglesa comenta que as redes sociais estão tornando os cidadãos mais ativos politicamente, já que facilitam as mobilizações, o que acaba resultando num amadurecimento progressivos da nação. Transcrevo aqui alguns trechos do excelente texto (o original pode ser lido neste link):

“A corrupção é endêmica na América Latina. Os eleitores sempre toleraram os políticos que ‘roubam, mas fazem’ (epíteto que foi aplicado pela primeira vez a um governador de São Paulo nos anos 1940 – N.R.: referência a Ademar de Barros). Em sociedades desiguais, com serviços públicos rudimentares, os pobres eram gratos a governantes que os ajudavam. O boom das commodities nos anos 2000 trouxe riqueza a alguns desses políticos; parte dessa riqueza foi roubada.

“Muitos fatores estão por trás da crescente intolerância à corrupção. Existe uma classe média maior, que exige mais responsabilidade dos governantes e melhor qualidade nos serviços públicos. As redes sociais tornaram mais fácil a mobilização, e a sociedade civil está amadurecendo. Muitos países assinaram tratados internacionais de combate à corrupção e a favor de governos mais abertos. Além disso, surgiram leis internas de acesso à informação e penas mais duras contra os corruptos; no Brasil, sob o governo Dilma, juízes e procuradores ganharam mais independência e se tornaram mais profissionais, além de poderem contar com o reforço das delações premiadas.

“É fundamental que as atuais mobilizações contra a corrupção se traduzam em leis mais eficazes e instituições mais fortes. Dalton Dallagnol, jovem procurador brasileiro que estudou em Harvard e comanda a força-tarefa que investiga a Petrobrás, disse ao jornal argentino La Nación que o objetivo é ‘construir a cidadania, especialmente entre as pessoas de menor poder aquisitivo, para que entendam que o dinheiro roubado via corrupção deveria ser usado pelo Estado para atender às necessidades delas’.

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