OK, o mundo do futebol é mesmo uma sujeira só. Sou de uma geração que teve o privilégio de ver em campo jogadores e equipes “românticas”, como gostam de dizer os saudosistas. Gente que se orgulhava de vestir uma única camisa durante toda a carreira e encarava o esporte como misto de profissão e prazer. Isso, é claro, não existe mais. Deixar de lado o saudosismo não quer dizer, no entanto, que se deva aceitar passivamente a canalhice e a hipocrisia. O que estamos assistindo agora, nos preparativos para a Copa de 2014, pode ser enquadrado nas duas categorias.

Sei, este não é um blog de esportes, mas parece inevitável fazer o link. Já li em algum lugar que a Copa vai trazer grandes avanços para a tecnologia brasileira!!! Então, vamos lá. Sábado passado, pela primeira vez a Globo deu reportagem falando mal de Ricardo Teixeira, o homem que todo mundo adora odiar (assista aqui). O ar está cheio de especulações sobre um acordo da Globo com a CBF, e a emissora vinha sendo criticada por não divulgar nada contra o homem. Talvez tenha sido apenas para disfarçar, sei lá…

Pior do que isso é constatar que toda a mídia – talvez com exceção da Folha de São Paulo e do canal ESPN – está embarcando nessa. Corre nos bastidores que Teixeira já fez acordo com o Estadão para ter uma “cobertura isenta” em São Paulo (nas outras capitais, nem precisa…) O jornal mais tradicional do país contaria assim com a boa vontade dos patrocinadores da CBF. Se for verdade, lamento pelo passado do jornal e também pelos colegas que lá trabalham.

Não vão mais poder, por exemplo, desvendar as maracutaias envolvendo a construção superfaturada de estádios, dos quais o do Corinthians é apenas um exemplo. Nem criticar ministros, governadores, prefeitos, parlamentares e juízes que se vendem em troca de ingressos para jogos da Seleção ou passagens em trens e aviões da alegria oferecidas pela CBF. Muito menos comentar a venda de ingressos falsos, a compra de mega-apartamentos com dinheiro suspeito e os acertos para venda de direitos de transmissão de jogos. Para quem ainda não viu, este vídeo traz boas pistas.

Terão de se curvar ao todo-poderoso.

 

1 thought on “Inimigo público número 1

  1. É triste constatar que, além de agentes públicos brasileiros (parlamentares e administradores, principalmente), agora também veículos tradicionais da imprensa acabam se curvando ao poderio econômico da CBF, em troca de favores. É o fisiologismo da política ingressando na “vida privada”. Adeus imprensa livre e independente. O que nos resta? Que país é esse (parafraseando Renato Russo), em que nem a impresa é “livre” (leia-se: independente). Não diferimos muito da Venezuela, nesse aspecto: lá, cala-se a imprensa pelo medo e a opressão; cá, pelo dinheiro e poder. Triste, lamentável. Penso que a sociedade organizada não deveria se limitar a ficar resmungando. Uma boa ideia é a aquela que consta do teu blog, em outro post, em que os britânicos deram uma aula de cidadania. Quem sabe, nós brasileiros, deixamos a futilidade e a frivolidade um pouco de lado e utilizamos a internet como instrumento de cidadania? Que tal começarmos com um levante contra a Copa e Ricardo Teixeira? Basta que transformemos nossa indignação em AÇÃO. Basta de remungar… devemos agir, sob pena de nos transformarmos em uma República de Bananas, nada diferente de outras republiquetas do hemistério sul. Abraço do leitor indignado.

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