5G Broadcast: este é o nome da tecnologia, atualmente em testes, que permite sintonizar sinal de digital TV aberta através de dispositivos móveis. Esta semana, o Ministério das Comunicações anunciou parceria com a Rohde & Schwarz, empresa alemã que é referência mundial em equipamentos eletrônicos de medição, para avaliar se o sinal de TV transmitido em 5G tem robustez e estabilidade para ser usado no país.
Os testes começaram em Curitiba, na sede da Rede CNT, que instalou uma estação de transmissão 5G cujos sinais podem ser captados em celulares, tablets etc. Técnicos da Anatel e da Claro acompanham o trabalho. O objetivo é verificar se esses sinais causam interferência nas redes móveis.
Eventos ao vivo na telinha
A principal diferença do 5G Broadcast para o sistema 5G convencional é que se trata de uma transmissão de via única: o usuário recebe o sinal, como na TV aberta, mas não pode interagir com a emissora. Para quem está acostumado a fazer streaming, compras, redes sociais, internet banking e tantas coisas mais pelo smartphone, sob demanda, pode parecer estranho. Mas é um avanço e tanto!
5G Broadcast pode ser muito útil, por exemplo, para assistir a um evento ao vivo na telinha – pense num jogo de futebol, por exemplo. Ou para receber alertas em emergências como uma enchente. Sempre é bom lembrar que, nesses casos, a atual infraestrutura de internet é insuficiente. Se milhões de pessoas tentarem acessar um conteúdo ao mesmo tempo, a rede simplesmente desaba.
Esteja onde estiver, você pode acessar os sinais de áudio e vídeo com muito mais clareza e rapidez do que acontece hoje, quando tudo depende da estabilidade da rede. E com a vantagem de ser gratuito: não é necessário usar o plano de dados de sua operadora.
Smartphones com antena e chip DTV+
Segundo a Anatel, o Brasil possuía em janeiro último cerca de 60 milhões de receptores 5G em funcionamento, mais de 4X o que havia em 2022. Só em janeiro, foram mais de 1,8 milhão de linhas adicionadas; nesse ritmo, chegaremos ao final do ano com 80 milhões de usuários, ou seja, um mercado gigantesco.

Para viabilizar a TV ao vivo para tanta gente, serão necessários novos modelos de smartphone, com antena de TV embutida e chip DTV+. E terá de haver algum tipo de acordo entre as três partes interessadas: emissoras, fabricantes e operadoras. Há uma série de implicações técnicas e mercadológicas, sobre as quais falaremos num próximo post.
Curioso é que a tecnologia 5G Broadcast havia sido proposta no início das discussões técnicas sobre a TV 3.0. Mas as emissoras e o Fórum SBTVD, que coordenaram os estudos, preferiram focar no ATSC 3.0 americano e deixar a questão das transmissões móveis para mais tarde.
