
Ainda não foram anunciadas oficialmente as TVs 2026 das principais marcas, o que deve acontecer entre final de abril e início de junho. Mas já se pode prever uma disputa em torno de algo que tem pouco a ver com qualidade de imagem: o poder dos assistentes virtuais baseados em Inteligência Artificial Generativa (IAG).
Você já viu por aí e talvez até já tenha experimentado: Copilot (Microsoft), Claude (Anthropic), Gemini (Google), Perplexity, ChatGPT… através de acordos variados, fabricantes de TVs estão introduzindo esses chatbots em seus novos modelos, buscando atrair o consumidor pelo aspecto, digamos, futurista.
Respostas mais rápidas e elaboradas
Digo isso porque acho que levará ainda alguns anos até que tenhamos uma boa massa crítica de usuários desses recursos em TVs. Mas o apelo é inegável. Alguns modelos LG lançados no ano passado já traziam um aperitivo, com a introdução do Microsoft Copilot (vejam aqui). No final do ano, a Samsung anunciou que, além do Copilot, suas TVs ganharam também o Perplexity, chatbot que não pertence a uma big tech (mas foi, em parte, financiado por elas).
Durante a CES, em janeiro, TCL e Hisense também anunciaram inovações nessa linha, adotando ferramentas do Gemini, que é o chatbot do Google TV. Dois anos atrás, a IA convencional surgiu como tendência nas TVs; agora é natural que seus avanços sejam incorporados aos poucos.
A principal vantagem para o usuário é poder usar comandos mais complexos, seja por voz ou por texto, do que os meros “aumentar volume” ou “ligar Netflix”. Os chatbots são programados para identificar o contexto, por exemplo, se você está assistindo a um filme, futebol ou qualquer outro conteúdo, e em segundos fornecer respostas elaboradas sobre o que está sendo exibido.
Os riscos dos chatbots
Um aspecto importante, mas nem sempre informado, é que para executar todas essas tarefas a TV precisa contar com processadores mais eficientes. Embora os recursos de IA estejam se espalhando rapidamente por várias linhas, é ilusão achar que irão funcionar da mesma forma em todos os modelos.
Recentemente, causaram polêmica as queixas de alguns usuários americanos sobre potenciais riscos à privacidade com o uso mais intensivo dessas ferramentas. Alguns até se queixaram de não poder remover o chatbot da TV caso não queiram usá-lo, como no caso de TVs LG que trazem o Copilot previamente instalado (posteriormente, a LG liberou a remoção).
Essa é uma questão que ainda vai render muito. Teoricamente, todo dispositivo conectado à internet tem capacidade de coletar dados do usuário; no caso de uma TV, essa coleta é feita pelo próprio fabricante. Mas, com uma ferramenta de IA fornecida por outra empresa (no caso, a Microsoft), quem ficaria com esses dados? E o consumidor, será devidamente informado a respeito? E se ele não quiser que seus dados sejam usados?
Mostramos recentemente (vejam aqui) que são várias as controvérsias desencadeadas pelo uso indiscriminado – e ainda sem regulação – da IAG, que, como mencionamos neste post, vai se tornando cada vez mais onipresente em nossas vidas.
