
Na semana passada, estive em Los Angeles, a convite da Harman, para conhecer por dentro a história da JBL. Ao lado de jornalistas de vários países, participamos das celebrações dos 80 anos dessa marca cuja linha do tempo praticamente se confunde com a do mercado de áudio.
Pudemos visitar a sede da empresa em Northridge, bairro da cidade que é muito usado como cenário de filmes e séries (ficou famoso também como epicentro do terrível terremoto de 1994). Já estive ali em 1998, quando o prédio abrigava uma das fábricas da JBL; hoje, ali funcionam centros de pesquisa & desenvolvimento, estúdios e laboratórios para teste de produtos.

Para marcar os 80 anos, a empresa montou ali uma exposição com vários dos produtos lançados pela JBL nessas oito décadas (na foto ao alto, o histórico Paragon, o primeiro sistema de áudio estéreo, lançado em 1957). Pudemos ver, inclusive, uma réplica do D130 (acima), primeiro alto-falante produzido em escala industrial em 1946, desenhado pelo próprio James Bullough Lansing, engenheiro e fundador cujas iniciais deram nome à empresa.
Lansing morreu em 1949, mas um dos motes da comemoração foi justamente mostrar que seu legado continua vivo – embora seus herdeiros não façam mais parte da administração (a JBL foi adquirida pela Harman em 1969). Mais detalhes aqui.
Além da sede, pudemos visitar instalações importantes onde os produtos JBL estão presentes. Foi o caso do BMO Stadium, uma arena multiuso que serve de sede para o time de futebol Los Angeles F.C., onde o sistema de som foi todo projetado e instalado pela JBL.
Conhecemos ainda o Estúdio Larrabee, igualmente equipado com produtos JBL, onde já gravaram artistas como Beyoncé, Elton John, Eminem e Justin Timberlake. É um dos estúdios mais requisitados da cidade que, como sabemos, abriga milhares de músicos. Curiosidade: foi fundado na década de 1960 pela cantora Carole King (do clássico “It’s Too Late”) e seu então marido Gerry Goffin.
Uma herança de qualidade
Durante a visita a Northridge, conhecemos parte dos principais executivos da JBL e pudemos ver de perto alguns deles “colocando a mão na massa”. Um dos mais importantes é Chris Hagen, chefe da área de Engenharia e Design, que nos deu uma excelente entrevista sobre temas como o legado de J.B.Lansing, o impacto da AI na indústria de áudio e a velha polêmica analógico vs digital.
Fiz a Hagen a mesma pergunta de quando entrevistei engenheiros de outros fabricantes importantes, como B&W, Sonance e Paradigm, por exemplo: qual é o segredo para uma marca permanecer tanto tempo atraindo consumidores do mundo inteiro? Sua resposta foi bem prgamática:
“Mesmo quando estamos pensando sobre o futuro do áudio, não deixamos de olhar para a herança da marca. Fazemos questão de que todas as pessoas que participam do desenvolvimento de nossos produtos tenham a mesma mentalidade. Temos equipes no mundo inteiro, e a preocupação com a qualidade é o foco de todos, qualquer que seja o produto ou a faixa de preço. Queremos que todos sintam orgulho de pertencer a esta família”.
