Um artigo publicado recentemente no site americano Twice, destinado a revendedores e integradores especializados, me chamou a atenção. O título era mesmo chamativo: “O que significa uma Casa Inteligente em 2026?

O autor, Jason Turner, é CEO de uma fabricante de cortinas e persianas motorizadas e, por isso, defende que esses dois itens são cada vez mais importantes para definir uma casa “verdadeiramente” inteligente. Deixando esse aspecto em segundo plano, a síntese do artigo é que os fabricantes complicam as coisas, em vez de facilitá-las para permitir que mais famílias adotem o conceito Smart Home.

 

Como o mercado se divide

Vale a pena analisar. Segundo Turner, o mercado americano atual se divide entre usuários que compram uma Alexa e já acham que isso é automação; e outros que imaginam uma casa luxuosa em que tudo (luzes, temperatura, segurança…) se ajusta automaticamente. Logicamente, os primeiros são maioria, para quem a segunda opção é simplesmente inatingível.

Mas o mercado, de fato, explica Turner, está no meio termo. E aí é que talvez os profissionais da área (e muitos fabricantes) estejam perdendo oportunidades. A (auto)crítica é importante, a meu ver, porque se aplica tanto ao mercado americano quanto ao brasileiro.

Uma casa inteligente hoje não é aquela em que há dezenas de dispositivos smart. Não precisam ser muitos, o importante é que funcionem de forma integrada ao dia a dia da família, sem complicações. Como diz Turner, “a melhor tecnologia se torna invisível quando configurada corretamente”.

 

Mais importante que as aparências é a

infraestrutura montada para que o sistema

funcione quando for necessário

 

Com a evolução das tecnologias e as mudanças de estilo de vida, mais importante do que as aparências é a infraestrutura instalada na casa para permitir uma integração fluida. Turner acha que automação é (ou deveria ser) como encanamento, rede elétrica ou Wi-Fi, que funcionam exatamente quando o consumidor precisa. Não tem que ser futurista, e sim effortless, como se diz em inglês: “sem esforço”.

Bem, no caso do Wi-Fi não me arrisco a comparar EUA com Brasil, mas acho que o leitor entendeu o conceito…

Muitos devem se lembrar que há 10, 12 anos, quando se tornou mais comum o termo smart home, os fabricantes destacavam em seus produtos aspectos como controle por aplicativo, painéis cheios de ícones e botões com múltiplas funções. Hoje, a forma de acionamento não é tão importante, porque os sistemas podem ser configurados para agir quase que por conta própria.

 

Menos apps, mais automação

“Se o usuário precisa ficar abrindo apps ao longo do dia na sua ‘casa inteligente’, é porque está faltando alguma coisa”, resume o autor. De fato, minha experiência pessoal acionando dispositivos a partir do celular tem sido péssima, até porque meu celular já anda bem ocupado com várias outras atividades. Os sistemas de automação mais eficientes, independente de seu porte, se ajustam às rotinas da casa. Mais do que isso, aprendem com o uso contínuo.

Os sistemas mais populares – Amazon Alexa, Google Home e Apple HomeKit – atuam como centrais coordenando ações entre os dispositivos integrados, embora tenham poderes limitados. Na prática, servem como “complementos” dos sistemas de automação considerados high-end, como Savant, Crestron, Control4 e outros.

Estes carregam a parte mais complexa da infraestrutura. Na prática, a mais importante para garantir que o usuário perceba valor em seu investimento.

Para quem se interessar, este é o link para o artigo original.

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

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