Três anos atrás, enquanto o mundo se desesperava diante de uma epidemia, o segmento de TVs experimentava níveis inéditos de crescimento. A explicação logo apareceu: retidas em suas casas, muitas famílias passaram a investir em TVs, computadores e demais itens que lhes permitissem aproveitar melhor as horas vagas e embarcar no home office (curioso que muitos adoraram e, hoje, nem pensam em voltar ao trabalho presencial).

Foi um período curto, apenas alguns meses, mas para a indústria eletrônica ajudou a salvar um ano que todos temiam ser desastroso. Segundo a Eletros (Associação Brasileira dos Fabricantes de Eletroeletrônicos), o setor teve 18 meses seguidos de queda nas vendas entre 2021 e 2022, devido principalmente a dois fatores: a alta dos juros, que dificulta os financiamentos ao consumidor, e as incertezas da economia.

Fechando o balanço do primeiro semestre de 2023, enfim uma boa notícia: o setor começa a se recuperar. “Ainda não dá pra dizer que iniciamos uma retomada pós-pandemia, mas pelo menos os números agora são animadores”, diz o presidente da Eletros, Jorge Nascimento. Segundo ele, as vendas de eletroeletrônicos – incluindo TVs, áudio, linha branca, ar-condicionado e eletroportáteis – atingiram a marca de 44,02 milhões de unidades, contra 39,07 milhões no primeiro semestre de 2022.

VENDAS DE TVs CRESCERAM 19%

Falta muito ainda para voltar ao patamar dos primeiros seis meses de 2019 (portanto, pré-pandemia), quando a soma foi de 47,13 milhões de unidades. Mas não deixa de ser um alento. Falando especificamente sobre TVs, Nascimento diz que esse foi o setor que mais cresceu no período: 19%, com 5,27 milhões de unidades vendidas.

Conferindo os dados mais recentes da Eletros (que podem ser vistos neste link), vê-se que o mês de janeiro foi excelente, com 1,023 milhão de televisores produzidos em Manaus, quase empatando com os 1,057 milhão de 2019 e superando em 52% os números de 2022. Em fevereiro, o aumento foi menor (21%), mas ainda assim animador, já que nos três anos anteriores houve queda.

Já uma estatística da GfK, consultoria alemã que monitora o segmento de eletrônicos, mostra que os números mais altos de produção não se traduzem em maior faturamento para a indústria. Comparando maio de 2023 com maio de 2022, os pesquisadores anotaram que o número de unidades vendidas cresceu 6%, mas a receita dos fabricantes caiu 1%.

O GfK fez outra pesquisa, focando nos TVs de resolução mais alta. Em 4K, o número de unidades vendidas em maio último foi 19,9% superior ao de um ano antes, enquanto o faturamento gerado por essas vendas foi de 9,1%. E, na categoria 8K, que ainda representa volumes mínimos, nota-se uma boa expansão: 66,2% a mais de TVs vendidas, faturando 38,5% a mais que em maio de 2022.

A indústria agora aposta (na verdade, torce para) que os juros de fato caiam no segundo semestre e cheguemos a vendas no mínimo iguais às do ano passado, que superaram a série histórica registrada a partir de 2019. Setembro, outubro, agosto e novembro de 2022 foram, pela ordem, os meses em que mais se venderam TVs no Brasil desde aquele saudoso ano pré-Covid.

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