Na última 4a feira, fomos conhecer a primeira grande novidade da Samsung para este ano. Chama-se Spatial Signage 3D e é destinada ao mercado B2B: empresas, escolas, shoppings, restaurantes. Como se vê na foto, é uma espécie de vitrine dinâmica que permite exibir qualquer tipo de conteúdo em 3D.
Exibido pela primeira vez na CES, em janeiro, o produto fez ainda mais sucesso na ISE de Barcelona, em fevereiro, onde o público era quase 100% focado em soluções corporativas. “É uma tecnologia capaz de gerar impacto no ponto de venda e fortalecer a conexão com o consumidor”, definiu o diretor da divisão B2B da Samsung, Kauê Melo.
O display 4K tem 85″ no formato 16:9 (há versões também de 55″ e 32″) e foi pensado para uso na vertical, com espessura de 5cm e altura equivalente à de uma pessoa adulta. Seu processador consegue transformar imagens convencionais (2D) em tridimensionais, o que sem dúvida é uma ferramenta valiosa de sinalização digital. A Samsung fornece até uma plataforma em nuvem para gerenciamento das imagens (vejam o vídeo).
Adeus aos óculos 3D
Pelas imagens, talvez o leitor se pergunte se não é necessário usar óculos 3D diante de um display desses. Não, felizmente “aqueles óculos” estão extintos. Na mesma CES, a Samsung exibiu seu primeiro monitor gamer 3D autoestereoscópico, ou seja, que dispensa o uso de óculos para ter a experiência tridimensional (aqui, os detalhes). O próximo passo será a volta das TVs 3D, que chegaram a fazer sucesso há cerca de 15 anos, agora sem o incômodo acessório.
Mas, calma esse “próximo passo” ainda pode demorar anos. A própria Samsung não tem prazo para isso e, pelo que pesquisamos, outros fabricantes que desenvolvem tecnologias de vídeo 3D (como Sony, LG, Sharp e Panasonic) ainda estão longe desse estágio.
O maior desafio, do ponto de vista técnico, está na posição de visualização. Os displays da Samsung utilizam uma patente chamada 3D Plate (foto acima), uma camada óptica que envia feixes de luz simultâneos em várias direções. Aliado a isso, telas 3D possuem microcâmeras para rastreamento ocular do usuário. É esse conjunto que “engana” os olhos, criando uma sensação de profundidade.
Posição de visualização
Esse efeito tem ótimos resultados quando se está no sweet spot, o ponto ideal de visualização, bem de frente para a tela. Mas perde eficiência na visão lateral, porque isso exige rastrear vários pares de olhos ao mesmo tempo, e em altíssima velocidade.
É nisso que trabalham hoje os principais fabricantes. Não faz sentido lançar uma TV 3D em que o usuário precise estar sempre de frente, até porque na maioria das vezes não é uma pessoa sozinha que assiste. É preciso então aperfeiçoar a tecnologia de manipulação da luz, talvez com auxílio de IA, para atingir desempenho satisfatório.
As previsões mais otimistas indicam que poderemos ter TVs 3D no mercado daqui a cerca de cinco anos, no mínimo. Além do (caríssimo) aperfeiçoamento das telas, o mercado terá que resolver outra questão crucial: como produzir e distribuir conteúdos em 3D autoestereoscópico.
Já existe tecnologia para converter imagens 2D em 3D, mas como transmiti-las a milhões de receptores ao mesmo tempo? Antenas? Streaming? Emissoras e plataformas irão investir nessa capacidade? São muitas as interrogações.
