
Através do amigo Vinicius Bastos, da Quero Automação (vejam aqui), tomei conhecimento do relatório IMARC sobre o mercado mundial de automação residencial, com um bom destaque ao Brasil. Sediada em Nova York e atuante em mais de 100 países, IMARC é uma mega consultoria de marketing, gestão e inovação, que realiza pesquisas em vários segmentos de mercado.
O destaque para o Brasil vem do grande potencial de crescimento atribuído pelos pesquisadores do IMARC ao setor de casas inteligentes no país. O gráfico abaixo dá uma ideia:

Ou seja, de uma receita total de US$ 2.68 bilhões em 2024, podemos chegar a US$ 6.68 bi em 2033, o que significaria um crescimento médio de 10,7% ao ano (os números de 2025 ainda não foram fechados).
O estudo se apoia em dados como este: em 2025, o número de dispositivos conectados em uso no Brasil chegou a 27,1 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Internet das Coisas. Com a adoção crescente de tecnologias conectadas, diz o relatório, os consumidores brasileiros se tornam mais propensos a investir na casa inteligente.
Crescimento bem acima do PIB
Claro que, na prática, não é bem assim que o mercado funciona. IMARC informa ter pesquisado as vendas de uma lista enorme de produtos smart, organizados por segmento: áudio/vídeo, eletrodomésticos, segurança/controle de acesso, dispositivos para controle de temperatura, lâmpadas/dimmers/sensores de iluminação e presença (vejam aqui).
Como esse tipo de relatório é produzido para venda a clientes da consultoria, ficamos sem saber os números referentes a cada segmento. Mas fui ao Chat GPT para confrontar os dados e encontrei números um pouco mais cautelosos.
Com base em dados do IBGE, a penetração do conceito smart home no Brasil beirava 11% em 2024, com estimativa de chegar a 19,7% em 2028. Já os números de vendas me parecem mais realistas: US$ 2.97 bilhões em 2024 e US$ 5.93 em 2033, crescimento de 7,85% ao ano.
De qualquer forma, já será um avanço importante, bem acima do PIB médio dos últimos anos. Consultorias mais conhecidas (GWI, Statista e Mordor, por exemplo) alertam para barreiras estruturais do país, como custo dos produtos e baixo nível de conhecimento do consumidor. Mesmo assim, dá para ser otimista com outros fatores.
Poucos países do mundo têm, por exemplo, a disponibilidade de energia do Brasil. E energia é um fator crucial quando se fala em uso intensivo de dispositivos smart. O aquecimento da construção civil também pode ajudar a impulsionar os projetos de casa inteligente para além dos gadgets sem fio que hoje são vendidos em qualquer esquina.
E, como lembra bem o Vinicius, há o efeito dos carros elétricos, cujos preços começam a cair com as montadoras chinesas entrando no país. “Quem compra um carro elétrico passa a interagir com painéis de controle”, diz ele. “Essa experiência é similar ao que oferecemos em casas e escritórios automatizados, o que gera uma demanda natural”.

Orlando, boa noite.
Crescer é diferente de lucrar.
As projeções da IMARC Group indicam que o mercado brasileiro de automação residencial pode crescer entre 8% e 10% ao ano até 2033 — ritmo muito acima do PIB nacional médio da última década.
Para o empresário do setor, isso parece excelente notícia.
Mas crescimento de mercado não significa automaticamente aumento de lucro.
O segmento de Smart Home opera em uma cadeia híbrida: hardware importado, software embarcado, integração técnica, instalação, pós-venda e, cada vez mais, serviços recorrentes. Esse modelo mistura margens diferentes, riscos cambiais, capital de giro elevado e exposição tributária relevante.
Com a regulamentação trazida pela Lei Complementar 214/2025, a lógica de tributação sobre bens e serviços tende a se tornar ainda mais sensível à forma como a empresa estrutura sua operação. Separar produto de serviço, revisar precificação e entender crédito tributário deixará de ser detalhe contábil e passará a ser estratégia de sobrevivência.
Além disso, o setor enfrenta:
Pressão de importações e câmbio
Competição de soluções plug-and-play
Consumidor mais sensível a preço
Crescimento que exige capital de giro estruturado
A grande pergunta para os empresários não é quanto o mercado vai crescer? Mas sim:
Como transformar esse crescimento em margem sustentável?
Smart Home está deixando de ser nicho.
Agora, vence quem tiver gestão.
Abs.
Valeu, Dinaldo. Obrigado por mais esta contribuição. Sem dúvida, todos esses fatores precisam ser bem analisados pelos empreendedores do mercado. Abs