Numa série especial sobre os 250 anos da independência americana, o site do The Wall Street Journal propôs que seus leitores apontassem as invenções que tiveram maior impacto em suas vidas. O espectro era amplo, considerando toda a História da humanidade. Mas o jornal apresentou duas métricas: invenções dos últimos 250 anos e que tenham autoria de americanos.

Mesmo deixando de fora o resto do mundo, a lista de 25 itens traz um panorama bem interessante das mudanças que todos temos vivido nas últimas décadas. Algumas façanhas datam ainda do século 19, mas seu impacto pode ser sentido em pleno século 21. E, claro, todas têm a ver com avanços científicos ou tecnológicos. Confiram abaixo e vejam se ficou faltando alguma coisa.

 

Lista cheia de polêmicas

Em tempo: o site não menciona, mas há grandes controvérsias em torno de algumas invenções atribuídas a americanos, como o avião, a televisão e o barco a vapor. Uma pesquisa mais acurada mostra que o mérito, de fato, seria de um brasileiro, um russo e um inglês, respectivamente. Essas polêmicas ficam para outro post.

1.INTERNET – Difícil fugir dessa escolha, considerando o que todos estamos experimentando há pelo menos 30 anos. Um único dado: a quantidade de dados transmitidos por segundo hoje é maior do que se transmitia por mês em 1990!

2.LÂMPADA ELÉTRICA – Outra escolha indiscutível. Criação genial de Thomas Edison, datada de 1879. Você sabia que tudo começou com um fio de bambu, escolhido após a equipe de Edison testar mais de 6 mil vegetais?

3.CIRCUITO INTEGRADO – Sim, sem ele não haveria a internet, primeira da lista, nem todos os outros dispositivos que o mundo inteiro utiliza hoje. A invenção, em 1958, rendeu Prêmio Nobel a Jack Kirby, da Texas Instruments, e Robert Noyce, da Fairchild, berço da Intel.

 

 

4.COMPUTADOR PESSOAL – Em meados dos anos 70, um jovem chamado Bill Gates propôs à IBM produzir computadores portáteis. “Quem precisa de um computador pessoal”? foi a resposta de Thomas Watson Jr, dono da empresa. Em 1976, a Apple lançou o primeiro.

5.AVIÃO – O WSJ jura que tudo foi obra dos irmãos Wilbur e Orville Wright. Seu primeiro vôo, de 12 segundos, foi em 1903. Um ano antes, o brasileiro Santos Dumont fizera algo parecido em Paris. Mas, para os americanos, isso não conta.

6.CORRENTE ALTERNADA (AC/DC) – A “Guerra das Correntes”, entre George Westinghouse e o sérvio Nikola Tesla, foi a maior polêmica tecnológica do final do séc. 19. Ganhou o americano, que patenteou a invenção, mas hoje a contribuição de Tesla é considerada mais relevante.

7.TELEFONE – Até pouco tempo atrás, era a primeira palavra que vinha à mente quando se falava de invenções. Talvez as pessoas tenham se esquecido dos tempos da ligação discada… mas tudo começou ali, com Graham Bell, em 1876.

8.SMARTPHONE – Hoje talvez até se dê mais valor ao iPhone,  invenção de Steve Jobs e sua equipe da Apple lançada comercialmente em 2007. De fato, segundo o WSJ, hoje um americano médio passa mais de 5 horas por dia usando um smartphone.

9.REFRIGERADOR – Para os leitores do WSJ, comida congelada e bem conservada é mais importante do que, por exemplo, vacinas e quimioterapias (vejam abaixo). Fato é que essa invenção de 1834, patenteada por Jacob Perkins, tornou-se quase tão imprescindível quanto a luz elétrica.

10.ENERGIA NUCLEAR – Aqui, outra polêmica. A descoberta aconteceu em 1938 pelos alemães Otto Hahn, Fritz Strassmann e Lise Meitner. Em 1942, o italiano Enrico Fermi construiu o primeiro reator. Mas os leitores do WSJ acham mais importante a construção da estação nuclear de Shippingport, em 1957, dedicada à geração de eletricidade para usos civis.

11.VACINA ANTI-PÓLIO – Até 1955, a poliomielite era uma das maiores tragédias mundiais, vitimando milhões de crianças. O pesadelo começou a ser controlado com a injeção desenvolvida pelo médico Jonas Salk; anos depois, o dr. Albert Sabin criou a vacina oral, que eliminou o vírus da maioria dos países.

 

 

 

12.AUTOMÓVEL – Embora os primeiros veículos tenham sido patenteados pelo alemão Karl Benz em 1886, há consenso de que foi Henry Ford em 1908, com a criação do Model T, o responsável pela produção em série de veículos confiáveis como os que existem hoje.

13.GPS – Interessante que uma invenção tão recente já faça parte da lista. A tecnologia de geoposicionamento era segredo de Estado nos tempos da Guerra Fria, até 1983, quando a queda de um avião da Korean Airlines levou o governo americano a autorizar seu uso comercial.

14.TELEVISÃO – Aí está ela. O WSJ ignora os feitos do russo Vladimir Zworykin (1923) e do escocês John Baird (1926), criadores da “televisão mecânica”, e dá o crédito apenas ao americano Philo Farnsworth, que fez a primeira apresentação pública do aparelho elétrico em 1927.

15.INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Era inevitável que aparecesse na lista, tendo em vista os acontecimentos dos últimos anos. Apesar de algumas experiências a partir da década de 1950, foi só neste século, com a evolução da computação, que a IA se tornou viável.

Outros itens da lista – que pode ser vista aqui – são a fibra óptica, o ar-condicionado, o laser e avanços da medicina como quimioterapia, ressonância magnética e a pílula anticoncepcional. Curioso que esses avanços na saúde sejam menos valorizados que os dispositivos eletrônicos.

 

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

3 thoughts on “Quais foram as maiores invenções

  1. Em plena era da internet, onde qualquer coisa pode ser pesquisada e verificada facilmente, o Brasil continua sendo o *UNICO* país em todo o planeta que ainda acredita que o aviao foi invencao de Santos Dumont (alguns, como a França, reconhecem Dumont como “Pai da Aviacao”, mas isso por causa do trabalho dele de promover a aviacao, nunca como “inventor”). Para isso o brasileiro usa argumentos facilmente refutaveis, como o falso “precisava de catapulta” (na verdade a catapulta so era usada quando os ventos eram fracos) e “nao teve testemunhas” (na verdade teve sim o testemunho de algumas pessoas, alem de documentacao por um jornal local, com foto).

    Da mesma forma, para dar seus pulinhos (o maximo foi de 2 a 3 metros de altura e 220m de distancia) o 14-Bis tambem so voou quando usou um declive. E por aí vai… Em 1908, quando ja faziam demonstracoes públicas, os Irmaos Wright faziam voos de DEZENAS de quilometros, enquanto os europeus sequer conseguiam voar 1 km…

    Enfim, ninguem mais reconhece Dumont como o inventor, apenas os brasileiros. Mesmo a FAI (Fédération Aéronautique Internationale, ou Federação Aeronáutica Internacional, responsavel por homologar façanhas de aviacao) hoje reconhece os irmãos Wrights como os primeiros aviadores.

  2. Por sinal, o texto possui um erro crasso, pois afirma que irmaos Wright fizeram seu primeiro voo em 1903, e que “*um ano antes*, o brasileiro Santos Dumont fizera algo parecido em Paris”. Na verdade o “voo” de Dumont (que sequer passou de 3m de altura) aconteceu em 23 de outubro de 1906, TRES ANOS depois do voo dos Wright.

  3. Olá Rubens, obrigado pelas observações. Essa polêmica sobre quem “inventou” o avião já dura mais de 120 anos e não deve ser esclarecida tão cedo. Num levantamento recente junto a especialistas de vários países, a BBC chegou à conclusão de que ninguém pode levar esse crédito individualmente (bit.ly/3R9ks4Y). Santos Dumont chegou a Paris em 1892 e ali passou a fazer várias experiências, ganhando enorme popularidade na França até seu vôo de 1906, no Campo de Bagatelle, quando seu aeroplano percorreu 220 metros, tendo sido fotografado, filmado, publicado na imprensa e registrado pela Federação Aeronáutica Internacional. O feito dos irmãos Wright em 1903 não foi documentado, porque eles o fizeram escondido com medo de perder a patente. O que se sabe é baseado apenas nos relatos de ambos e de poucas testemunhas, que tiveram várias disputas judiciais para garantir a patente. A Revista da Unifa, ligada à FAB, cita até Leonardo da Vinci como autor dos primeiros estudos sobre o aeroplano, além de vários cientistas e pesquisadores. Não sei quais são suas fontes, mas o fato é que há várias versões. Cada um acredita na que quiser. Abs

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