Os dilemas vividos anos atrás por usuários de CDs (com a chegada do MP3 e das plataformas de música digital) e depois DVDs (com Netflix e os serviços de streaming) atingem agora os gamers. O anúncio da Sony, no último dia 01, de que deixará de produzir jogos para o PlayStation em disco, está provocando polêmicas mundo afora.

A maioria das manifestações, inclusive de jogadores e criadores de jogos, parece desconhecer os avanços inevitáveis da tecnologia. Assim como as pessoas deixaram de comprar CDs e DVDs, o mesmo acontece agora com o gamemaníacos. Há uma infinidade de serviços online para abastecê-los com mídias virtuais.

A pá de cal, a meu ver, foi baixada quando fabricantes de TVs – a primeira foi a Samsung – começaram a inserir plataformas de games gratuitas em seus aparelhos. E, num requinte de crueldade, incluir nas propagandas e materiais promocionais o alerta de que “você não precisa mais de console para jogar”.

A principal queixa que vi até agora contra a Sony é de que não está respeitando os usuários que gostam de colecionar jogos, trocar com os amigos etc. Em seu comunicado, a empresa ressalvou que a medida só entrará em vigor em janeiro de 2028 e só afetará os jogos lançados a partir de então. Ou seja, continuarão sendo comercializados discos com os jogos atuais. Mas, pelo visto, ninguém acreditou.

Tudo agora dentro da TV

Como li num artigo do site Mediapost, especializado em mídia e entretenimento (vejam aqui), a tendência é mesmo essa: rechear as TVs com cada vez mais funções, tornando dispensáveis acessórios como consoles e players externos. Vale também para a onipresente set-top box, a caixinha pela qual recebemos os conteúdos de streaming. Já se sabe que o YouTube é o serviço de mídia mais acessado do mundo, inclusive pela tela de TV. É o que alguns chamam “TV do futuro”.

No momento em que os dois maiores fabricantes de games (Microsoft e Sony) inauguraram suas plataformas em nuvem, respectivamente em 2021 e 2023, já ficou claro que o console entraria em extinção. O recente anúncio de que a Microsoft estava demitindo 3.200 gerentes da divisão Xbox (confiram) veio acompanhado da notícia de que está testando um sistema de transferência DtD (Disc-to-Digital), reafirmando a estratégia.

Que impacto tudo isso terá para o mercado de games como um todo? Difícil antecipar. Certamente, muita gente perderá seus empregos. Mas é a sina de todas as empresas e profissionais que durante anos viveram no “mundo físico”. E não adianta chorar.

 

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

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