Archive | maio, 2014

Eletrônicos: o dilema da simplicidade

technology-121537790148_xlargeUm problema que sempre acompanhou a evolução tecnológica, e persiste ainda hoje, está na operação dos aparelhos. Muita gente investe alto em produtos de sonho, mas acaba utilizando apenas uma ínfima parcela dos recursos oferecidos, simplesmente porque não consegue se familiarizar com eles. Isso acontece com TVs, equipamentos de áudio high-end, computadores e também celulares, hoje os eletrônicos mais comuns.

Já ouvi de vários fabricantes esta explicação: para baratear os produtos, seria possível excluir alguns recursos, incluindo as chamadas “perfumarias”, como leds luminosos e teclas redundantes; mas a maior parte dos consumidores rejeita aparelhos excessivamente simples, que não chamam atenção ou que tenham “apenas” os recursos necessários no dia-a-dia. Como sair desse dilema?

Qualquer pesquisa com usuários irá apontar que a maioria quer aparelhos fáceis de operar e ajustar, o que parece razoável. Mas esse desejo esbarra em outro, muito comum no ser humano, que reside na satisfação de possuir um produto bonito, inclusive para mostrar aos amigos conforme a ocasião. Deve haver teorias psico-sociais a respeito.

Pensei em tudo isso outro dia, ao conversar com um amigo sobre a questão da automação residencial. No mundo inteiro, e no Brasil também, têm sido lançados aparelhos minúsculos que, segundo seus idealizadores, tornam a automação mais fácil. Munidos de um software específico, há dispositivos que permitem controlar as luzes de uma sala, abrir/fechar portas, regular o ar condicionado etc. – e que custam uma fração do valor cobrado por um sistema de automação. Este, entre outras características, exige um projeto e a instalação de uma central de controle, devidamente programada.

Será que soluções simples e baratas demais funcionam? Com certeza, têm alguma utilidade. E são uma espécie de porta de entrada para a automação mais ampla. Muitas lojas anunciam uma soundbar como “sistema de home theater”, escondendo do consumidor o fato de que aquilo é apenas uma simulação de efeitos sonoros; pode cumprir essa tarefa com eficiência, mas será sempre um simulador, baseado em software, não em qualidade de áudio.

O mesmo pode ser dito, em certa medida, das soluções “milagrosas” em automação residencial. Como tudo em eletrônica, há uma avalanche de produtos chineses prometendo maravilhas a baixo custo, e uma quantidade enorme de usuários mal informados achando que levam vantagem em adquiri-los. Pode até ser. Mas quem age assim perde o direito de reclamar depois. Afinal, tudo que é melhor tem seu preço. E quem não paga na entrada quase sempre acaba pagando (mais) na saída.

TV 3D, também pela internet

toystory3d1Proprietários de TVs Panasonic da linha Viera 2014 já podem (pelo menos nos EUA) acessar o serviço 3DGO!, que oferece conteúdos em 3D pela rede de banda larga. Pra variar, basta baixar um aplicativo, abrir uma conta e começar a navegar. A cobrança é por título e, embora a oferta não seja muito grande ainda, a Sensio Technologies, empresa canadense dona da patente, garante que irá aumentar em breve.

A Panasonic é a primeira fabricante de grande porte que fecha acordo para oferecer o 3DGO! em seus TVs smart (há também os da marca Vizio). O aplicativo é, por enquanto, o único que permite trafegar conteúdos 3D de alta definição pela internet. O material é enviado, via streaming, em dois canais de vídeo – daí a necessidade de banda larga robusta – e decodificado dentro do TV. A qualidade final é semelhante à de um filme em Blu-ray. O acesso é por demanda, ao custo de 8 dólares por título.

Desde o ano passado, a Sensio já distribui por esse sistema uma série de filmes e desenhos da Disney, Universal e Paramount, seus principais “clientes”. Entrando no site, encontram-se títulos como Frozen, Shrek 3, Enrolados, As Aventuras de Tin Tin, Thor, O Estranho Mundo de Jack, Transformers, Capitão América, Alice no País das Maravilhas (de Tim Burton), Tron, Jurassic Park, Procurando Nemo, Carros, A Invenção de Hugo Cabret e a trilogia Toy Story, entre outros. Há ainda documentários na linha National Geographic.

Por ora, não há informações sobre o lançamento do 3DGO! no Brasil.

Mercado de projetores continua crescendo

corporate-projectorsParece ser um fenômeno mundial: mais famílias e empresas estão adquirindo projetores. A estatística mais recente da PMA (Pacific Media Associates), agência de pesquisas de mercado especializada no assunto, indica que no primeiro trimestre do ano foram vendidos no mundo mais de 2 milhões de aparelhos, o que significa aumento de quase 15% sobre os dados de um ano atrás. Além da China, o território onde esse crescimento vem sendo mais notado é a nossa América Latina.

Não foram divulgados dados específicos sobre cada país, apenas sobre as diversas categorias de projetores. Por exemplo, nos EUA é o segmento educacional que está puxando as vendas, com milhares de escolas adotando os modelos short-throw, que podem ser utilizados até a 30cm da tela, economizando muito espaço na sala de aula. Na América Latina, a ênfase é nos projetores digitais, para salas de cinema, o que tem a ver com a expansão dos shopping-centers.

Para o Brasil, utilizo como referência os dados mais recentes que nos foram passados por outra empresa de pesquisas dos EUA, a Futuresource. No último trimestre de 2013, o país continuava sendo o maior mercado do continente, com 56.285 projetores vendidos, contra 47.972 do México, segundo colocado, e 7.124 da Argentina, de um total de 187.738 aparelhos. Darren Taylor, analista de pesquisas, diz que provavelmente neste primeiro semestre de 2014 tenham aumentado as vendas através do varejo especializado em T.I., por causa da Copa do Mundo (bares, clubes e restaurantes). Mas ainda não há dados oficiais a respeito.

B&O, agora com distribuição no Brasil

bang-olufsen-beovisionA marca dinamarquesa Bang & Olufsen, celebrada no mundo inteiro pelo design de seus equipamentos, agora passa a ter distribuição oficial no Brasil. O grupo decidiu mudar sua estratégia de ter apenas uma loja no país, voltada ao consumidor de alta renda, e fechou acordo com a distribuidora Disac, que será responsável pela importação, vendas, marketing e suporte da marca. A primeira loja deve ser inaugurada em agosto, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.

TVs, players, caixas acústicas e fones de ouvido Bang & Olufsen estão entre os mais cultuados, não apenas pelos fãs de tecnologia mas principalmente pelos adeptos do design. A empresa é obsessiva em seus cuidados com as linhas geométricas e o acabamento e, diferentemente da Apple, por exemplo, é raríssimo ver outras marcas que conseguem copiá-la (das que conheço, a alemã Loewe é a que chega mais perto). Naturalmente, são produtos para um público refinado e com conta bancária recheada.

Até agora, a B&O chegava oficialmente ao Brasil através do Grupo Montenapoleone, que representa várias marcas internacionais de móveis e artigos de design e atua basicamente em São Paulo. Com a Disac, haverá um trabalho mais amplo de distribuição: além da loja paulistana, serão construídas outras cinco pelo país. O grupo dinamarquês decidiu também promover uma readequação de seus preços (seu atual TV de 40 polegadas custa, nos EUA, mais de 8 mil dólares), o que é essencial para conquistar os chamados países emergentes.

Curiosamente, a notícia foi divulgada na mesma semana em que a B&O anunciou o lançamento de seu primeiro TV 4K (vejam este vídeo).

TV Digital vs 4G: um novo estudo

Na disputa entre emissoras de TV e operadoras de telefonia em torno das frequências de UHF (700MHz) a serem transformadas em celular 4G, surgiu uma terceira força, aparentemente com poder de tercius: a indústria. Nesta quarta-feira, a Abinee divulgou estudo da PUC-RJ que desmente as análises anteriores, divulgadas pela SET (emissoras) e pela GSMA (teles), sobre possíveis interferências entre os dois tipos de sinal. O novo documento simplesmente diz que não há risco, desde que os receptores sejam equipados com um filtro.

“Os estudos apontaram que, mesmo nas eventuais situações desfavoráveis, a convivência entre os dois sistemas é sempre possível, desde que aplicadas técnicas de mitigação”, diz a Abinee, numa linha que combina com a adotada até agora pela Anatel. A Agência já preparava o leilão das frequências – por enquanto previsto para agosto – quando surgiram os questionamentos de emissoras e operadoras. Cada um a seu modo, e usando critérios próprios, os dois setores alertavam para a possibilidade de interferências quando as redes estiverem funcionando, o que seria de fato inconcebível.
Segundo a Anatel, problemas podem acontecer em áreas com topografia desfavorável, mas mesmo esses casos seriam solucionados com os tais filtros. Apesar do baixo risco, a Agência decidiu promover nova consulta pública (que vai até 3 de junho) para que todos possam se manifestar; o próximo passo seria divulgar o edital definitivo e marcar a data do leilão. Vamos ver se o cronograma se cumpre.
Vale lembrar que, pelas regras atuais, todos os custos da implantação da rede 4G, incluindo a chamada mitigação das interferências, cabe às operadoras de celular. A conferir se elas realmente aceitarão esse ônus. Outro detalhe é que o já citado filtro precisa vir embutido no receptor, ou seja, quem está comprando agora um TV digital ou um celular 4G pode ter problemas para usá-los no futuro, já que não trazem o componente.

Tentando explicar a barbárie

Homem armado entra numa escola e metralha crianças dentro da sala de aula. Assaltante em fuga é apanhado, espancado e acorrentado a um poste. Pessoas se reúnem na madrugada para apreciar (e aplaudir) motoristas que disputam um racha, até que um deles perde o controle da direção e atropela a plateia na calçada. Estudantes de Medicina organizam trote em que os calouros são forçados a se arrastar, nus, sobre poças de lama, enquanto alguns veteranos urinam sobre suas cabeças. Mulher é linchada por quase duas horas por cerca de 100 pessoas, que a confundiram com outra cujo retrato falado havia sido divulgado em um site.

São cenas brasileiras, tiradas do noticiário das últimas semanas. Sempre que acontecem, surgem as mais diversas teorias para explicar as possíveis motivações. Há tempos deixou de ser adotado o surrado paradigma de que miséria e pobreza é que são responsáveis pelas tragédias urbanas. E a ladainha da ausência do Estado, de tão antiga e repetida, aparece conforme as conveniências político-eleitorais de quem fala ou escreve. Uma das teses da hora é culpar a mídia: segundo uma pesquisadora da USP, na maioria das vezes a violência acontece após a imprensa explorar exageradamente um caso desses.

Nas entrelinhas, está dito que bastaria a mídia não dar tanta importância a tiroteios, linchamentos e trotes violentos para que caísse a frequência de tais barbaridades. É um argumento oportuno para quem enxerga inimigos em todo jornal, revista, site ou emissora que não lhe seja favorável. Políticos corruptos, por exemplo, têm aí um belo ponto a defender: é a mídia, em sua insaciável busca de sensacionalismo, que faz crescerem os índices de violência.

Faz lembrar as teses de um passado nem tão distante, quando se atribuía aos filmes – depois aos desenhos e aos videogames – a culpa pela violência entre os jovens. Roy Rogers, Stallone e até o Picapau foram irremediavelmente condenados. Surgiram teses, tratados e livros sem fim para dizer aos pais que seus filhos iriam se transformar em raivosos bandidos se continuassem expostos à sanha maligna de seus super-heróis. Pois é, escapamos por pouco.

Que presidentes, governadores, prefeitos e parlamentares, ou mesmo juízes, combatam o “excesso de liberdade” da mídia, é até compreensível. Afinal, eles e seus financiadores só têm a perder quando as notícias circulam sem travas. A tragédia se configura quando filósofos, sociólogos, educadores e até jornalistas adotam o mesmo discurso, o que tristemente vem se tornando cada vez mais comum.

Sim, é triste, mas não surpreendente. Revela que há mais laços do que parece entre esses “intelectuais” (lamento, as aspas aqui são mais do que necessárias) e a elite política que tomou conta do país. A barbárie verdadeira está neles.

Quando os leões se unem

cableComentamos aqui outro dia sobre a concentração no mercado de TV por assinatura, mas na verdade o que se percebe é uma movimentação global dos grandes grupos de mídia tentando consolidar suas áreas de influência. Vejam a notícia, divulgada no fim de semana, de que a AT&T, segunda maior operadora de telecom dos EUA, estaria comprando a DirecTV, segunda no segmento de TV via satélite. Negócio de US$ 40 bilhões!!!

As autoridades americanas ainda estão para confirmar se aprovam a fusão entre a Comcast, líder entre as operadoras, e a Time Warner, segunda colocada. É um caso tão flagrante de concentração (imaginem no Brasil, por exemplo, a Net comprando a Sky…) que a maioria dos experts aposta que será vetado pelos órgãos de defesa da concorrência. Ainda assim, serve para mostrar o perigo iminente: quando dois leões se unem, não sobra para ninguém.

Voltando à AT&T, a possível incorporação da DirecTV certamente teria impacto no Brasil, já que esta última é proprietária da Sky. Especula-se que entraria no negócio a Dish, arqui-rival da DirecTV, que ficaria com as operações da empresa na América Latina, deixando para a AT&T apenas a parte americana do grupo.

São apenas especulações, mas num momento em que se discute a chamada neutralidade da internet acordos desse tipo soam como bomba atômica. Como esperar neutralidade quando um só grupo detém tamanho poder? É o que perguntam empresas como a Netflix, por exemplo. E nosso suado marco civil, eivado de “pegadinhas” que ainda vão render muita discussão, teria de ser virado do avesso.

Para quem quiser entender melhor esse processo todo, sugiro uma olhada no site Teletime e sua cobertura da Cable 2014, maior evento do setor, que aconteceu semana passada em Los Angeles.

Com fio ou sem fio, eis a questão

sharp wisaWiSA (Wireless Speaker and Audio) é um padrão, lançado em 2012, para transmissão e recepção de áudio sem fio. Demorou, mas finalmente um grande fabricante – a japonesa Sharp – decidiu apostar na novidade, criada pela empresa americana Summit Semiconductor. A ideia é que aparelhos sem fio, inclusive celulares, possam reproduzir som de melhor qualidade, bem próximos do high-end.

Pois a Sharp garante que conseguiu, com seu player SD-WH1000U (foto), demonstrado em Nova York há duas semanas. Diante de revendedores compreensivelmente incrédulos, técnicos da empresa japonesa montaram o aparelho num sistema que incluía amplificador Krell e um par de caixas acústicas Platinum 200, da britânica Monitor Audio. Entre player e power, foi colocado um adaptador wireless da própria Sharp. A comunicação utilizou rede Wi-Fi de 5GHz. Segundo o site CE Pro, a maior parte dos presentes mostrou-se admirada com a qualidade do áudio, reproduzindo música em 96kHz/24-bit, padrão que agora é denominado HRA (High Resolution Audio).

O player da Sharp tem preço sugerido de US$ 4.999 no mercado americano (o adaptador sai por $999), mas quem tiver um par de caixas padrão WiSA também pode apreciar o resultado, sem necessidade de adaptador. A reprodução, aliás, também pode ser feita em surround 7.1, a partir de discos Blu-ray ou SACD. Infelizmente, ainda são poucas as opções, no entanto. Até agora, somente a dinamarquesa Bang & Olufsen lançou um conjunto de caixas sem fio para essa finalidade.

Vamos ver se outros grandes da indústria irão se animar.

TV paga sobe na audiência

Levantamento divulgado no fim de semana pelo site Notícias da TV, do jornalista Daniel Castro, revela que vem subindo acima da média a audiência dos canais pagos no Brasil. Na medição de março, foram 7,2 pontos, que projetados para o país inteiro equivalem a 4,2 milhões de telespectadores por dia. A marca anterior, de 6,9 pontos, havia sido alcançada em 2006, na época do horário eleitoral; agora, mesmo sem ter começando ainda a campanha, parece que mais gente sintoniza os canais fechados, e numa proporção ascendente.

Só para lembrar: o último levantamento da Anatel informa que em março existiam 18,4 milhões de domicílios atendidos por alguma operadora de TV paga; cada ponto de audiência significa 1% disso, ou seja, cerca de 184 mil residências. Como se sabe, desde sempre a campeã de audiência na TV por assinatura vem sendo a Globo, com seu sinal aberto, já que muita gente compra seu pacote simplesmente para ter uma imagem de melhor qualidade. Diz a tradição que o número de assinantes ligados na Globo sempre é maior do que todos os canais pagos somados.

Chacrinha princ__gallefullPois outra novidade apontada pelo site é que essa realidade está mudando: dona Globo já não é mais tão soberana. No ano passado, perdeu essa “disputa”, o que significa que mais pessoas estão descobrindo as atrações oferecidas pelas operadoras (as outras redes abertas nem entram no ranking). A partir de janeiro último, a diferença começou a subir em favor dos canais pagos: de 0,16 ponto (teoricamente, uns 30 mil domicílios) para 1,87 em fevereiro (344 mil), saltando para 2,17 (cerca de 400 mil) em março.

Antes que os inimigos da Globo saiam comemorando, vale lembrar outra estatística interessante: o canal pago que mais cresce é o Viva, da Globosat, cuja programação é toda voltada a reprises da emissora do Jardim Botânico. Ou seja, o público não deve estar gostando mesmo é dos programas atuais; prefere ficar com os velhos campeões de audiência, na base do vale-a-pena-ver-de-novo.

Brigando por espaço nas lojas

Young couple in consumer electronics store looking at latest televisionCerta vez, um executivo da indústria me disse que, da forma como está estruturado o comércio brasileiro, a maioria das redes de varejo são meras “imobiliárias”, que alugam espaço para seus fornecedores. Exageros à parte, é fato que os fabricantes de eletrônicos vivem em permanente guerra por espaço dentro das melhores lojas. Não sei como são feitos os acordos, mas a figura do “promotor de vendas”, que representa a marca, tornou-se mais visível (e certamente mais importante) do que a do próprio vendedor.

Com a força do comércio online, a maioria dos fabricantes de eletrônicos passou a vender diretamente, o que para o consumidor seria, em princípio, um bom negócio. O problema é que a internet, nesse caso, funciona no máximo para concluir a compra, jamais para escolher o produto com os cuidados recomendáveis. Nos últimos anos, seguindo a receita da Apple (sempre ela), algumas marcas investiram também em lojas próprias, com resultados – até onde se sabe – variados. Uma das medidas anunciadas no início do ano pelo CEO da Sony, Kazuo Hirai, para enfrentar a sequência de prejuízos foi justamente fechar grande parte de suas lojas físicas espalhadas pelo mundo.

Agora, a empresa japonesa anuncia uma decisão que vai na direção contrária: abrir 350 pontos de venda dentro de lojas da rede americana BestBuy, aproveitando a marca “Sony Experience”. A ideia seria utilizar esses espaços para promover produtos top, como TVs, câmeras e players 4K, além do PlayStation 4. Segundo o site Digital Trends, a Samsung já faz isso desde o ano passado, só que em 1.400 lojas(!!!) da mesma rede; na última sexta-feira, a empresa coreana anunciou que agora serão “apenas” 500 lojas.

A conclusão é que os principais nomes da indústria ainda não sabem como atingir o consumidor. Fazem “experiências”, provavelmente a custos altíssimos, que talvez pudessem ser canalizados para melhorar, por exemplo, o atendimento pós-venda, eterna queixa dos usuários (e aqui não estou me referindo apenas ao Brasil, é um problema mundial). Quanto teria custado equipar 1.400 lojas tidas como premium e, depois, desequipar 900 delas? Alguém deve ter esses números.

InfoComm Brasil está chegando

Aguardada há anos por muitos profissionais do mercado, que habitualmente visitam o evento nos EUA, acontece em São Paulo na próxima semana a InfoComm Brasil. Aqui, o nome da feira ganha o acréscimo “TecnoMultimedia”, que de certa forma remete ao segmento de tecnologia não só brasileiro mas latinoamericano. Em agosto e novembro, haverá outras duas edições (México e Colômbia); todas são organizadas pela empresa AVI Latinoamerica, com sede na Colômbia, através de acordo com a Infocomm/EUA.

Bem, para os brasileiros o que importa é que o evento – feira e congresso – aconteça e traga muitas novidades, tanto em termos de produtos demonstrados quanto em relação ao próprio conceito que genericamente se define como “tecnologia corporativa”. Infelizmente, ao longo dos anos esse setor no Brasil foi muito instável, entre outras razões devido à praga da informalidade. Agora, pela primeira vez se tenta profissionalizá-lo; para isso, sem dúvida, é fundamental o bom uso da marca “InfoComm”, respeitada no mundo inteiro.

Pelas informações disponíveis, mais de 60 empresas irão expor na TecnoMultimedia InfoComm Brasil, incluindo marcas de peso como Barco, Bose, Epson, Kramer, Extron, Biamp, NEC, Audio Technica e Shure, entre outras. Além disso, gigantes do mercado de consumo – LG, Philips, Samsung e Sony – participarão mostrando suas linhas de equipamentos para uso profissional e/ou comercial. LG e Samsung, por exemplo, prometem exibir seus videowalls de 55 polegadas, em que a junção entre as telas tem apenas 3,5mm; a LG tem ainda uma linha de monitores profissionais gigantes 4K, enquanto a Sony possui ótimas soluções em sistemas de projeção, monitores e videoconferência.

O programa de palestras também é bem interessante, com tópicos como “Vantagens do Padrão HDBaseT”, “Convergência de Sistemas Audiovisuais em Edifícios Inteligentes”, “Distribuição de sinal HDMI em Grande Escala” e “Check-list para Verificação de Sistemas AV”, entre outros (mais detalhes aqui). Algumas empresas terão ainda horários determinados para apresentar seus cases, o que sempre é interessante para o profissional da área.

Enfim, mais um evento de tecnologia que merece ser apoiado. Lá estaremos.

Como salvar o capitalismo dos capitalistas

recessionA discussão começou há cerca de cem anos, quando os bolcheviques tomaram o poder na Rússia, mataram o czar e sua família e implantaram o regime comunista, supostamente inspirado nas teorias de Karl Marx. Bem, até aí não estou contando nenhuma novidade. Mas agora, 25 anos após a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, a revista inglesa The Economist – para muitos, um baluarte do capitalismo – faz uma interessante revisão desse perene conflito entre os que se dizem “de direita” e “de esquerda”; ou, se preferirem, entre comunismo e capitalismo.

Reproduzo abaixo trechos do artigo, que mostra como os interesses capitalistas também interferem nos países ditos comunistas. Antes, uma breve observação sobre esse dualismo que soa tão arcaico. Nem direitistas nem esquerdistas parecem sentir-se confortáveis em se autonomear como tais; ambos os grupos tomam as respectivas classificações como ofensas. No entanto, usam e abusam dos dois adjetivos quando querem criticar os do outro lado. Assim, “direita” e “esquerda” acabam se tornando pejorativos, quando deveriam ser, suponho, meras classificações. Que, por sinal, nos dias que correm são cada vez mais difíceis de distinguir.

Bem, noto que o tema dá margem a outro artigo, que prometo tentar escrever mais à frente. Por ora, fiquemos com os ingleses, e sua imbatível verve, para explorar os vários aspectos da histórica rivalidade. Bom proveito.

“Enquanto caía o regime de Viktor Yanukovych na Ucrânia, manifestações contra ele podiam ser vistas em frente a One Hyde Park, condomínio de luxo na região oeste de Londres. O alvo dos protestos era Rinat Akhmetov, o homem mais rico da Ucrânia e defensor do antigo regime.

“O conturbado estado ucraniano há tempos é dominado por oligarcas. Mas as relações entre políticos e empresários se espalham pelos países emergentes, como Índia, Turquia, China e Brasil. No dia 5 de março, o presidente chinês Xi Jinping prometeu agir “sem piedade” contra a corrupção. No ano passado, 182 mil funcionários públicos foram punidos, um aumento de 40 mil sobre 2011.

“Como nos Estados Unidos no início do século 20, uma nova classe média está se fortalecendo, em escala global. As pessoas querem políticos que não pensem apenas em seus bolsos, e empresários que disputem os mercados sem favorecimento. Trata-se de uma revolução, para salvar o capitalismo dos capitalistas.

Rent-seeking” é como os economistas chamam um tipo especial de negócio: aquele que só é possível através de bons contatos políticos. Pode variar da pura e simples corrupção à falta de competição, a falhas na legislação e à transferência de patrimônio público para empresas a preço subestimados.

“Pessoas com bons relacionamentos já fizeram fortunas dessa maneira, desde quando os órgãos encarregados da regulação ganharam poderes para emitir licenças e autorizar contratos lucrativos para seus amigos. Nos EUA, esse sistema atingiu seu ápice no final do século 19, levando a um longo esforço contra os barões do empresariado. Leis antitruste atingiram até o monopólio do petróleo, então nas mãos de John D. Rockefeller.

“Nos países emergentes, o último quarto de século foi excelente para os aproveitadores (rent-seekers). O aumento dos preços dos imóveis enriqueceu os incorporadores, que precisam de aprovação para seus projetos. A expansão das commodities inflou o valor das minas e dos campos de petróleo, que invariavelmente passam por algum tipo de controle do Estado. Algumas privatizações descambaram em monopólios. Na China, por exemplo, um terço dos bilionários são membros do Partido.

“O capitalismo baseado na exploração da renda não é apenas injusto, mas também ruim para o crescimento de um país no longo prazo. Recursos são desviados;  estradas precárias frequentemente são obra do compadrio. A concorrência é reprimida. Novas empresas enfrentam barreiras maiores, diante de concorrentes melhor conectados junto aos governos. Esse tipo de capitalismo, quando ligado às finanças da política, é determinante no florescimento da corrupção.

“A revista The Economist montou uma base de indicadores para aferir a extensão do capitalismo de compadrio entre as nações ao longo do tempo. Podem-se identificar setores que são particularmente dependentes dos governos – como mineração, petróleo, gás, bancos e cassinos – e também rastrear, pelos indicadores, a riqueza dos bilionários em relação ao tamanho da economia de cada país. A ideia não é determinar que certos países são mais corruptos do que outros, mas apontar que a escala das fortunas tem a ver com setores mais suscetíveis ao tráfico de influência.

“Os países ricos também sofrem do problema, mas no mundo emergente o poder dos mais ricos é duas vezes mais alto. Ucrânia e Rússia são os dois piores casos – muitas privatizações beneficiaram empresários ligados aos poderosos. E o crescimento da Ásia também permitiu o surgimento de magnatas em setores com forte influência do compadrio político.

“Nota-se que esses relacionamentos suspeitos estão sendo mais vigiados atualmente. Governos que realmente se preocupam com a riqueza de seus países sabem que precisam fazer os mercados funcionarem melhor e fortalecer instituições que os regulem. Brasil, Hong Kong e Índia aumentaram os controles antitruste. O presidente do México, Enrique Peña Nieto, tenta quebrar os carteis da mídia e das telecomunicações. E a China também está atacando seus feudos.

“Uma segunda razão para conter as relações incestuosas entre políticos e empresários é que os incentivos podem estar mudando. A porcentagem de negócios geridos por bilionários do rent-seeking nos países emergentes, que era de 76% em 2008, caiu para 58% hoje. Em parte, essa é uma evolução natural. Conforme se enriquecem, as economias ficam menos dependentes de comodities e infraestrutura.  

“Também é motivo para otimismo o fato de que os incentivos aos políticos estão mudando. O crescimento diminuiu, o que exige reformas no sentido de abrir a economia. Países cujos governos tentam enfrentar esses interesses, caso do México, acabam ganhando a simpatia dos investidores.

“Claro, há muito mais a ser feito. Os governos precisam ser mais assíduos ao regular monopólios, promover a concorrência, punir funcionários corruptos e garantir a transparência dos negócios perante o público. O boom que gerou uma nova espécie de magnata criou também seu nêmesis: uma nova classe média urbana, com melhor nível de educação, que paga impostos e exige mudanças. Isso é algo que os políticos e os autocratas não podem correr o risco de ignorar.”

Clique aqui para ler a íntegra do artigo, no original em inglês.