Brigando por espaço nas lojas

5 de maio de 2014

Young couple in consumer electronics store looking at latest televisionCerta vez, um executivo da indústria me disse que, da forma como está estruturado o comércio brasileiro, a maioria das redes de varejo são meras “imobiliárias”, que alugam espaço para seus fornecedores. Exageros à parte, é fato que os fabricantes de eletrônicos vivem em permanente guerra por espaço dentro das melhores lojas. Não sei como são feitos os acordos, mas a figura do “promotor de vendas”, que representa a marca, tornou-se mais visível (e certamente mais importante) do que a do próprio vendedor.

Com a força do comércio online, a maioria dos fabricantes de eletrônicos passou a vender diretamente, o que para o consumidor seria, em princípio, um bom negócio. O problema é que a internet, nesse caso, funciona no máximo para concluir a compra, jamais para escolher o produto com os cuidados recomendáveis. Nos últimos anos, seguindo a receita da Apple (sempre ela), algumas marcas investiram também em lojas próprias, com resultados – até onde se sabe – variados. Uma das medidas anunciadas no início do ano pelo CEO da Sony, Kazuo Hirai, para enfrentar a sequência de prejuízos foi justamente fechar grande parte de suas lojas físicas espalhadas pelo mundo.

Agora, a empresa japonesa anuncia uma decisão que vai na direção contrária: abrir 350 pontos de venda dentro de lojas da rede americana BestBuy, aproveitando a marca “Sony Experience”. A ideia seria utilizar esses espaços para promover produtos top, como TVs, câmeras e players 4K, além do PlayStation 4. Segundo o site Digital Trends, a Samsung já faz isso desde o ano passado, só que em 1.400 lojas(!!!) da mesma rede; na última sexta-feira, a empresa coreana anunciou que agora serão “apenas” 500 lojas.

A conclusão é que os principais nomes da indústria ainda não sabem como atingir o consumidor. Fazem “experiências”, provavelmente a custos altíssimos, que talvez pudessem ser canalizados para melhorar, por exemplo, o atendimento pós-venda, eterna queixa dos usuários (e aqui não estou me referindo apenas ao Brasil, é um problema mundial). Quanto teria custado equipar 1.400 lojas tidas como premium e, depois, desequipar 900 delas? Alguém deve ter esses números.

Um comentario para “Brigando por espaço nas lojas”

  1. Edison Ciscon disse:

    O brasileiro ou pelo menos a maioria, acho que compra TV pelo preço, e não pela marca.
    Gosto de frequentar lojas físicas representantes de marca. Minhas duas últimas TVs adquiri na loja da Sony do Shopping Bourbom onde obtive melhor preço e orientação com conhecimento técnico do produto.

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